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O "desvio de direita" do PCP

por Pedro Correia, em 20.08.19

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Esta é, de um ponto de vista do que se convencionou chamar "esquerda", a pior herança da Geringonça: a rendição dos comunistas aos socialistas.

Aquilo a que Álvaro Cunhal sempre denominou "desvio de direita". Chegando ao ponto de fazer expulsar dos órgãos dirigentes do partido - o Secretariado e a Comissão Política - honestos e valorosos militantes que defendiam teses menos aproximadas ao PS do que as hoje vigentes.

Nunca tive uma sensação tão forte de que o PCP está em derrocada - agora no campo sindical, após ter sido derrubado nos seus principais bastiões autárquicos - como no passado dia 15, quando ouvi Jerónimo de Sousa apontar o dedo acusador aos camionistas em greve por melhores salários e maiores direitos.

Disse ele:

«[Esta é] uma greve decretada por tempo indeterminado, com uma argumentação que instrumentaliza reais problemas e o descontentamento dos motoristas, cujos promotores não se importam de dar pretexto à limitação do direito à greve, como se está a verificar.»

 

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O secretário-geral do PCP assume-se assim como fiel aliado do Governo no ataque a sindicalistas que reivindicam salários reais decentes, menos tempo de laboração fora do quadro legal previsto para o horário de trabalho e a justa adequação das remunerações que recebem aos descontos para a Autoridade Tributária e a Segurança Social.

Funcionando, na prática, como ponta-de-lança do Governo PS já na corrida rumo à tão ansiada maioria absoluta.

 

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O líder comunista chegou ao ponto de insinuar que a culpa da inaceitável instrumentalização das forças armadas e das forças policiais contra os grevistas era... dos próprios grevistas

Chegou ao ponto de insinuar que a culpa do desvirtuamento do enquadramento legal dos "serviços mínimos", transformados neste caso afinal em serviços máximos, era... dos grevistas.

Chegou ao ponto de insinuar que o descarado abuso da lei que regulamenta os mecanismos da requisição civil era... dos camionistas em greve.

Que diferença em relação ao comportamento do PCP quando os socialistas estiveram anteriormente no Governo. Num documento que aprovou a 12 de Fevereiro de 2011 definindo as principais linhas de intervenção política do partido nessa recta final do Executivo Sócrates, o Comité Central comunista sublinhava: «As acções de luta realizadas recentemente, como são exemplo as greves e paralisações num conjunto de empresas no sector dos transportes e comunicações (Metro, Carris, Transtejo, Soflusa, CP, EMEF, CP-Carga, REFER, STCP, RBL), nos CTT, INCM, Município de Loures (...) constituem uma importante resposta à ofensiva desencadeada pelo Governo do PS.»

 

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Nunca imaginei ver o PCP alinhado de forma tão despudorada com uma entidade patronal - neste caso, a ANTRAM - para defender o Governo que vem patrocinando há quatro legislaturas e o sindicalismo que lhe está subordinado.

Nunca imaginei ver em sucessivos debates televisivos o representante da CGTP para os transportes alinhado com os patrões contra os seus camaradas no exacto momento em que estes desenvolviam uma «acção de luta».

Nem supus alguma vez que a Fectrans - braço da CGTP para os transportes - assinasse acordos de capitulação com os patrões no preciso momento em que outros sindicatos do sector se encontravam em greve. Assumindo-se assim como uma central sindical "amarela" e "colaboracionista" - acusações que noutros tempos a própria CGTP fazia à UGT.

Não por acaso, todos os comentadores da chamada "direita" se apressaram a enaltecer a «atitude respnsável» do sindicalismo orgânico ligado umbilicalmente aos comunistas. Diz-me quem te elogia, dir-te-ei quem és.

Nestes dias ficou evidente, aos olhos dos portugueses, que o PCP é hoje um partido anti-revolucionário, reformista e conformista. Que não hesita em contemporizar com quem paga salários de miséria para favorecer os lucros milionários das petrolíferas, que não hesita em demarcar-se daqueles que reivindicam melhores condições de vida recorrendo a um instrumento legal e constitucional.

 

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Conheço Jerónimo de Sousa e respeito o seu percurso.

Mas não consigo acompanhá-lo neste "desvio de direita" que ameaça descaracterizar de vez o PCP como partido que se afirma representante dos trabalhadores por conta de outrem.

Pelo contrário: a cúpula comunista tornou-se, por estes dias, cúmplice do maior atentado ao direito à greve ocorrido em Portugal desde a instauração do regime constitucional de 1976.

Há vinte anos, isto geraria um intenso debate interno no PCP - sei bem do que falo, pois acompanhei em pormenor a vida interna do partido enquanto jornalista. Que neste momento isto só ocorra em franjas marginais da estrutura partidária, com pequenos reflexos nas redes sociais, revela bem até que ponto o partido de Bento Gonçalves e Cunhal se tornou irrelevante. Não apenas no conjunto da sociedade portuguesa mas os olhos dos próprios militantes.

 

............................................................................................

 

Adenda: É inaceitável que o PCP continue a não ser escrutinado, como se impunha, pelo jornalismo político português. O mesmo que se intromete até na cama dos restantes partidos, se for preciso, mas se mantém respeitosamente do lado de fora da porta da sede central dos comunistas.

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His master's voice de Agosto

por Pedro Correia, em 19.08.19

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«A greve [dos motoristas de veículos pesados e de materiais perigosos] é completamente injusta. (...) Não faz sentido.»

«O que é que as pessoas que estão a passar férias no Algarve têm a ver com esta greve? Absolutamente nada.»

«A requisição civil é perfeitamente justificada.»

«O Governo está a fazer aquilo que qualquer Governo deveria fazer.»

«Esta é uma situação em que qualquer Governo teria muita dificuldade em lidar de outra maneira que não seja esta.»

«Houve, deliberadamente, da parte dos sindicatos e dos trabalhadores, uma "greve de zelo" aos serviços [mínimos] que estavam a prestar.»

«Os sindicatos vieram dizer que não se devem utilizar as forças armadas. Então qual é a solução para tentar resolver isto?»

«O que está em causa não justifica a greve que está a colocar o País nesta situação.»

 

Nicolau Santos, presidente do Conselho de Administração da Lusa por nomeação governamental e "comentador político", aludindo à greve dos camionistas

SIC Notícias, 13 de Agosto

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Notícias sobre coisa nenhuma

por Pedro Correia, em 11.08.19

Terceiro dia consecutivo a ver "directos" atrás de "directos" nos telediários cá do terrunho, com repórteres perorando sobre coisa nenhuma junto a postos de abastecimento de combustível literalmente às moscas. Enchendo chouriços, como se diz na gíria jornalística.

Esta manhã ouvi duas repórteres dizendo que lá onde estão «há hoje até menos gente do que é habitual». Azar para quem previa grande movimentação: as tão ansiadas corridas às gasolineiras não aconteceram.

Alguns pivôs televisivos - com ordenados superiores a um ministro - querem criar um clima de alarmismo nacional responsabilizando os motoristas de matérias perigosas,  em greve para conseguirem melhorar o miserável salário-base de 630 euros, que na melhor das hipóteses subirá apenas para 700 euros a partir de Janeiro de 2020. Mas - lamento muito - não estão a conseguir. E talvez ainda sejam forçados a pagar direitos autorais ao aposentado Artur Albarran, celebrizado pela trilogia «O drama, a tragédia, o horror».

Podem, no entanto, continuar a tentar. Assim, ao menos, acabam por encher o depósito noticioso. De chouriços.

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Um governo fura-greves

por Pedro Correia, em 08.08.19

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A ver se a gente se entende: instituir 100% de "serviços mínimos" numa greve significa, na prática, anular a prática deste direito. Além de perverter as palavras. Cem por cento não é mínimo: é máximo.

Se o Governo considera que uma greve prejudica seriamente a economia nacional, tem sempre o recurso de ordenar a requisição civil dos grevistas: existe, desde logo, o histórico precedente criado em 1977, durante a vigência do I Governo Constitucional, quando Mário Soares determinou a requisição por quinze dias dos trabalhadores da TAP.

Distorcer o direito à greve, reduzindo-o a uma caricatura, é que não faz o menor sentido.

 

Tenho aliás verificado que este é o Governo que mais "narrativas" vem desenvolvendo contra movimentos grevistas, sobretudo no último ano. Foi assim com os professores, com os médicos, com os estivadores, com os enfermeiros - transformados em alvos preferenciais do Executivo no seu afã de se mostrar "centrista". Está a ser assim com os motoristas de matérias perigosas, em que se coloca declaradamente do lado da entidade patronal, em colisão aberta com os representantes dos trabalhadores.

Bastou ouvir o ministro Vieira da Silva na bem encenada conferência de imprensa de ontem, já como peça da campanha eleitoral que se avizinha. Segundo afirmou o titular da pasta do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, entre os motivos que levaram o Governo a decretar estes "serviços máximos" inclui-se o facto de a greve «pôr em causa a qualidade de vida das famílias portuguesas e aspectos essenciais da nossa economia». É curioso: nunca estes motivos foram invocados para travar as incontáveis greves nos sectores dos transportes urbanos e suburbanos - dualidade de critérios difícil de justificar. Além disso, tais considerandos inviabilizarão doravante a realização de qualquer greve geral no País - e recordo que já houve dez desde a entrada em vigor da Constituição de 1976.

 

Que tudo isto decorra sem o menor esboço de perplexidade por parte dos parceiros que apoiam o PS na actual solução governativa é algo que não deixa de me surpreender. BE e PCP calam e consentem. Num futuro nada distante, quando perceberem enfim que as restrições severas ao direito à greve se tornaram regra e não excepção em Portugal, já terão acordado tarde. E os protestos que então esboçarem serão sempre confrontados com o pesado silêncio destes dias.

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E uma greve de chico-espertos?

por João Pedro Pimenta, em 14.12.18

Este ano a época natalícia confunde-se com a época grevista. Há dias, um noticiário começou falar das greves em curso e só aos vinte minutos é que mudou de assunto. Havia-as de enfermeiros, estivadores, guardas prisionais, oficiais de justiça, bombeiros, funcionários da RTP, transportes públicos (como não podia deixar de ser), etc, etc, etc. Para além desta vaga grevista toda ao mesmo tempo - depois da aprovação do Orçamento, note-se - reparei que a maior parte era às sextas e segundas-feiras, e nalguns casos em dias de ponte. Caros grevistas, bem sei que esse é um direito que lhes assiste, mesmo que que por vezes abusem dele. Mas logo nesses dias? Isso já ultrapassa largamente a falta de vergonha. Para quando uma greve ao chico-espertismo?

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Descubra as diferenças

por Pedro Correia, em 15.09.17

 

Ministro da Economia, 13 de Setembro:

«Governo não se deve envolver directamente nem trazer para a praça pública as questões internas da Autoeuropa.»

 

Ministro dos Negócios Estrangeiros, 21 de Julho:

«Entendo muito bem o que está a ocorrer na PT. Se eu fosse trabalhador da PT, se calhar, também estava a fazer greve.»

 

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A greve boa e as greves más

por Pedro Correia, em 11.09.17

 

Ministro da Saúde avisa enfermeiros:

«Greve terá consequências disciplinares.»

 

Ministra da Justiça avisa magistrados:

«Não se começa uma negociação apontando para a bomba atómica.»

 

Secretária-geral adjunta do PS critica greve na Autoeuropa:

«Choca-me que não seja possível que os sindicatos possam dialogar com a comissão de trabalhadores e com a administração.»

 

Ministro dos Negócios Estrangeiros incentiva greve na PT:

«Se fosse trabalhador da PT também estava a fazer greve.»

 

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As saudades que eu já tinha...

por Teresa Ribeiro, em 02.12.15

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... e eles também, destas andanças. Fica, enfim, reposta a normalidade.

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À custa de todos nós

por Pedro Correia, em 26.06.15

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O Metropolitano de Lisboa está hoje todo o dia parado, devido a mais uma "greve dos trabalhadores". É a oitava que se realiza este ano, que ainda nem vai a meio - atingimos portanto uma média superior a mais de uma por mês.

Oito dias de greve, que paralisam este imprescindível serviço de transportes públicos da capital, porquê? Não por questões de carácter laboral: os funcionários do Metro têm um nível salarial muito acima da média nacional, regalias de que nenhum outro trabalhador dispõe, vínculos contratuais sólidos, estabilidade profissional e uma carreira bem definida.

O motivo destas greves é protestar contra a subconcessão do Metro a entidades privadas - uma decisão já assumida pelo Governo, com plena legitimidade, tanto mais que constava do seu programa eleitoral, sufragado em 2011.

Dizem os sindicatos do sector que as paralisações se destinam a "defender o serviço público". Mas, por amarga ironia, cada greve constitui um argumento suplementar contra a estatização dos transportes urbanos junto das centenas de milhares de portugueses que os utilizam. Porque são eles - em larga medida pertencentes aos segmentos mais desfavorecidos da população - os principais afectados por estas paralisações.

Direi mesmo mais: são os únicos. As direcções das empresas até beneficiam, pois poupam em custos de energia e pagamentos de salários. E o Governo vê o seu argumentário reforçado: nas empresas privadas de transportes não existem greves. Essas sim, defendem os desfavorecidos.

 

Só na Área Metropolitana de Lisboa, 43% dos residentes utiliza regularmente os transportes públicos. Mas, em vez de servirem a população, empresas como o Metro servem interesses políticos - em estreita convergência com o Partido Comunista, que encontra hoje no segmento dos transportes urbanos o seu principal reduto de apoio sindical. Hipocritamente, dizem defender os mais pobres enquanto lhes negam o direito constitucional ao transporte. Roubando-lhes dias que foram antecipadamente pagos no momento da aquisição dos passes sociais. Abusando da posição dominante, num arremedo de darwinismo social.

Hoje todos nós - e somos, só os utentes do Metro, quase meio milhão por dia - tivemos de inventar meios alternativos para nos deslocarmos rumo ao local de trabalho, ao centro de emprego ou ao centro de saúde. Sem carro ou sem gasolina para o pagar. Sem dinheiro para gastar em táxis. Com passes tornados inúteis pelo oitava vez em 2015.

 

Em 2014, as três empresas públicas de transportes que servem a capital (Metro, Transtejo e Carris) apresentaram um défice de natureza operacional superior a 110 milhões de euros - quantia paga pelo Orçamento do Estado, ou seja pelos contribuintes. Muitos deles pagam três vezes estes prejuízos: através dos impostos, dos títulos de transporte adquiridos por antecipação e dos meios alternativos que têm de inventar para deslocações nos dias como hoje.

Indiferente a tudo isto, a casta sindical já planeia novas paralisações. Aniquilando o transporte público enquanto proclama defendê-lo. À custa de todos nós.

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As greves do metro na óptica do utilizador

por Marta Spínola, em 18.06.15

Agora que já passei por diversas greves de metro - há mais de dez anos que o utilizo diariamente -, desde as só até às dez às de 24 horas, de quando havia uma de vez em quando até às regulares, posso dizer com propriedade: façam greves para aí, já contorno de forma relativamente simples a questão.

Já sei que é um direito, que nem sempre se percebe para o que ou para quem são e isso nem importa muito porque, lá está, as pessoas têm direito e podem fazer greve.

Muito bem, mas para quem usa no dia a dia, para quem tem de chegar a algum lado e depende do metro para isso, não é imediata a solidariedade e a compreensão. Somos assim, pronto, não é por mal. Isto também é pouco relevante para os números da greve, deixem-nos ter este amor/ódio por elas e desabafar redes sociais e blogues fora.

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Na semana passada foi a greve dos aeroportos alemães a anunciar o cancelamento de voos. Esta semana é a greve de 3 (três) dias dos pilotos  de uma organização chamada “Vereinigung Cockpit” (VC), ou seja, o sindicato respectivo. O resultado são só 3800 (três mil e oitocentos) voos cancelados. A razão da greve, que começa na quarta e terminará sexta-feira, de maneira a que o fim-de-semana seja de arromba, foi a falta de entendimento sobre uma questão tão "corriqueira", imagine-se, como aumentos salariais. E como se isso não bastasse para indispor os passageiros que optaram por viajar nessa companhia aérea, o número de chamadas telefónicas deu-lhes cabo do sistema. Como há dias se soube que os lucros ficaram aquém das expectativas, não havendo perspectiva de a curto prazo serem despedidos alguns dos seus 118.000 trabalhadores - uma ninharia - , dir-se-ia tratar-se de uma companhia aérea da Europa do sul.

Aos que em Portugal pugnam por mais alterações à lei da greve, e que em pleno século XXI ainda se queixam do defunto Conselho da Revolução, ficaria bem que agora dissessem uma palavra sobre o assunto. Quanto mais não fosse, por exemplo, para defenderem uma aproximação da lei da greve nacional, sei lá, à lei colombiana. Todos os que ficaram, e ficarão, em terra compreenderiam a oportunidade da intervenção. E a necessidade de se aumentar esses tesos dos pilotos alemães.

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Das copiosas greves dos transportes

por Teresa Ribeiro, em 11.12.13

Não posso respeitar os grevistas cujo poder negocial depende essencialmente dos transtornos que provocam na vida dos outros e que não hesitam em jogar por sistema com esse factor de pressão. Isso já não é o exercício de um direito, é falta de civismo e de solidariedade para com os outros trabalhadores. Dia 19 há mais uma greve a somar a um rol impressionante

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a tal da greve

por Patrícia Reis, em 28.06.13

A questão é a de saber se fiz greve. Perguntaram-me várias vezes.

Dá-me vontade de sorrir e pouco mais.

Explico: há quase 17 anos que tenho uma empresa, nunca deixei de pagar subsídios de férias, os empregados têm sete semanas para gozar e, em caso de gravidez, seis meses em casa pagos pela empresa e depois, conforme a lei, têm mais seis meses para sair cedo e entrar mais tarde.

Não têm horário, portanto se ligarem para lá às nove da manhã, o mais certo é estar deserto.

Se ligarem às nove da noite, a conversa talvez seja outra.

Temos frigorífico e partilhamos refeições.

Mesmo os que estão a recibo verde têm direito a subsídio de férias e de natal. Nunca fugi ao fisco. Nunca deixei de pagar nada. Não tenho uma dívida, é certo que também não tenho uma fortuna sorridente à minha espera. Vivo sem qualquer tranquilidade, sem conseguir projectar o que estaremos a fazer. Às vezes, não sabemos o que vamos fazer no dia seguinte.

Bato às portas, vou a concursos, faço relações públicas (sou péssima!) e não posso dizer que faça de comercial por não ter jeito e nunca ter contratado ninguém dessa área. Posso dizer que os clientes que temos ficam connosco. Sabem que não falhamos, mesmo que as horas de sono sejam poucas. Sabem que os nossos orçamento são um quarto dos orçamentos de outros ateliers, de agências de comunicação, de publicidade, etc e tal.

Sabem que não chegamos atrasados e que, apesar do contrato com Nossa Senhora (ela não faz design, nós não fazemos milagres), temos tido sorte e levado a carta a Garcia.

Durante quase 13 anos tivemos a revista mais premiada da Europa, a Egoísta, mas a quantidade de coisas que já fizemos é brutal e é um orgulho imenso. Quero lá saber da lei se calha a ter de despedir alguém: dou o que posso, dou para lá da lei se for o caso e possível, dou computador e, até já aconteceu, voltar a contratar a mesma pessoa.

Portanto, não. Não fiz greve.

Porque não tenho um patrão, só o meu rosto do outro lado do espelho e conheço uma quantidade de gente que se queixa, que se queixa muito mas que não vejo trabalhar. Sim, há uma diferença enorme entre trabalhar e ter um emprego.

E não, não tenho fins-de-semana e 21 dias de férias, tenho o que posso, quando posso e muitas vezes sem subsídio.

Optei por ter uma empresa por causa dos horários flexíveis, para educar os meus filhos de outra forma.

Agora estão grandes, a crise é mais que muita e eu trabalho que nem uma louca. Há coisas que me dão imenso gozo, outras são uma grande seca. Fazer greve não posso. O que posso dizer é  estão à vontade para perguntar às três pessoas que trabalham comigo se, por mero acaso, querem ir para outro lado. Por favor, perguntem. Eu já sei a resposta. E não, não fizeram greve.

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Então, o homem

por Patrícia Reis, em 27.06.13

Então, o homem, no café, cigarro pronto para ser aceso, lá fora, disse-me

 

- Sabe, a menina, não posso aderir à greve. Votei nestes gajos. Tem de existir uma certa coerência.

 

E eu, muito rápida, muito parva:

 

- Acha que sim? Pois, eu sei sempre achei que coerente uma vida inteira é um acto de estupidez, temos o direito a mudar de ideias.

 

O homem olhou-me. Calado. Depois sorriu, ou pareceu-me ver um qualquer sorriso, e saiu.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 17.06.13

«Ninguém discute a legitimidade da greve [dos professores], mesmo em dia de real prejuízo para os escolares, embora se lamente que tenha sido necessário criar reféns tão alheios ao conflito. Poucos contestam o imenso capital de queixa acumulado por estes e outros actores contra os efeitos da política restritiva da escola pública. Mas o que os sindicatos não conseguirão será atrair, em vez de repelir, o cidadão para a sua causa. Com efeitos impossíveis de prever para o desprestígio da sua luta.»

Correia de Campos, no Público

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Uma gestão desastrosa.

por Luís Menezes Leitão, em 17.06.13

 

Não me lembro de ter assistido a uma gestão mais desastrosa de uma greve como a que foi realizada pelo Governo. Desde o início ignorou o descontentamente existente na classe dos professores, julgando que tinha instrumentos à sua disposição para minimizar os efeitos da greve. Primeiro surgiu uma artilharia de comentadores, a tentar convencer a opinião pública de que a greve era ilícita ou imoral, tentando assim desmobilizar os professores. Depois o Governo ameaçou com a requisição civil, contando que o Tribunal Arbitral decretasse serviços mínimos, apesar de o ensino não estar legalmente tipificado como um dos sectores em que é possível essa designação. Perante a recusa do Tribunal Arbitral em decretar esses serviços mínimos, o Primeiro-Ministro ameaça alterar a lei, fazendo lembrar o Ministro da Guerra de Salazar, Santos Costa, que quando era acusado de estar a violar a lei, respondia que a lei estava na ponta da sua caneta.

 

Impossibilitado de decretar serviços mínimos, Nuno Crato lembrou-se então de convocar todos os professores para a vigilância, levando assim a que cada grevista tivesse nove suplentes. Mas mesmo com esta medida, a greve teve impacto e inúmeros alunos ficaram sem exames. O resultado foi pior de que se ninguém tivesse feito exame, levando a um enorme protesto dos alunos. Imagine-se como se sentirão alunos que viram os seus colegas com exame realizado, enquanto que eles não o puderam fazer, tendo necessariamente que fazer um diferente, o qual pode ser mais fácil ou mais difícil, discriminando uns estudantes em relação a outros.

 

Uma conclusão: para se ser Ministro da Educação não basta ter escrito um livro sobre o eduquês, por muito correcto que o livro seja. É necessário ter capacidade de gestão política, o que tem faltado totalmente a este Governo.

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Greve dos professores portugueses

por jpt, em 04.06.13

 

Leio, estremunhado, que os professores portugueses ameaçam fazer greve nos próximos dias. E com isso afectando o processo final de avaliações e talvez até os próprios exames finais. Preocupo-me um pouco com a minha filha, empenhadíssima na conclusão da sua 6ª classe, e com viagem para férias em Portugal já marcada para o logo depois dessas provas finais. Espero que a sua concentração, tão organizada, e as suas férias, tão merecidas, não sejam prejudicadas pelas lutas sindicais dos seus professores.

 

A este propósito leio também umas choraminguices das confederações de pais. Que, sim Senhor, os professores têm toda a razão, a culpa "disto tudo" é do(s) governo(s), que a greve é justa, que o direito à greve é fundamental, mas ... por favor stôres não prejudiquem os nossos petizes, coitadinhos, deêm-lhes as notas e façam-lhes os exames, não lhes questionem o direito à educação. Que coisa! As greves são para serem feitas quando doem mais, para potenciar os seus efeitos de pressão. Quando doem aos patrões/empregadores e aos consumidores/utentes. Com limites claro, da racionalidade económica (sobrevivência organizacional), política (a das boas modalidades do regime) e, em última análise, do interesse nacional. Objectivamente nada disso está em causa com um hipotético atraso dos exames por via de uma greve.

 

Os professores consideram que devem fazer uma greve (por razões que desconheço, sendo que até tenho um longínquo apreço pelo actual ministro)? Façam-na. Como deve ser. Quando atrapalha mais. E quanto aos paizinhos: ou são contra os motivos da greve, e contestam-na. Ou aceitam-nos, e deixam-se de choradinhos.

 

(é claro que não haverá greve aos exames, é bluff para as primeiras páginas dos jornais. Ainda bem para a Carolina. Que não mereceria esta confusão. Mas que, com toda a certeza, não veria os seus (sacrossantos) direitos postos em causa caso ela viesse a ser realizada).

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Frases de 2013 (18)

por Pedro Correia, em 31.05.13

«Esta é uma greve geral para mudar de política, mudar de governo e promover eleições antecipadas.»

Arménio Carlos, hoje, anunciando a convocação de uma greve geral

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Tortos direitos

por João Campos, em 21.12.12

Parece que a CP vai fazer greve no Natal e no Ano Novo, algo que só será notícia para quem tenha andado muito distraído durante este ano. Seria certamente interessante comparar o calendário das greves de 2012 da CP com o calendário civil, e tomar nota de quantas greves coincidiram - puro acaso, certamente - com feriados, fins de semana prolongados e festividades avulsas. Para 2013, antes de se tentar fazer ver aos trabalhadores da CP o transtorno que causam a milhares de pessoas, talvez fosse boa ideia explicar-lhes a diferença entre os conceitos de "greve" e "férias", que pelos vistos estão muito confusos naquelas cabecinhas.

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Nem pense nisso, senhor primeiro-ministro

por Rui Rocha, em 15.11.12

O senhor primeiro-ministro elogiou ontem, dia de greve geral, os que tiveram coragem para trabalhar. E acabo de o ver, num das televisões generalistas, a sublinhar o papel dos que ontem decidiram não fazer greve. O propósito é claro. Trata-se de separar os portugueses entre grevistas e não grevistas. Entre aqueles que estão empenhados em contribuir para um futuro melhor para o país e aqueles cujo comportamento, implicitamente rotulado de nocivo, deve ser tolerado porque, para além do mais, não existe outro remédio. Entre, em suma, aqueles que estão com o senhor primeiro-ministro e os que não estão. Pretende, portanto, o senhor primeiro-ministro colar-se a todos os muitíssimos que decidiram trabalhar. Mais, quer apropriar-se do dia de trabalho de todos esses tantos. Ora, é importante que fique claro, para meu sossego, que o meu dia de trabalho de ontem não é do senhor primeiro-ministro. É das minhas convicções, das minhas esperanças, das minhas dúvidas, das minhas lealdades, dos meus medos, do meu passado, do meu presente e do meu futuro. E da minha entidade patronal, a quem o vendi por preço que considero minimamente aceitável, à falta de melhor oferta. E já agora, para tudo dizer, por preço algum o cederia ao senhor primeiro-ministro para que dele fizesse uso político. Mais, o meu dia de trabalho de ontem valeu o que a minha entidade patronal paga por ele. Mas não vale mais do que o dia de greve daqueles que a decidiram fazer. Nestes casos, o que está certo é termos a liberdade de fazer escolhas. Mas nunca é certo que tenhamos feito as escolhas mais correctas, aquelas que melhor defendem os nossos interesses ou os do nosso país. A liberdade, disse-o Pessoa, está também em ter um livro para ler e não o fazer. Até hoje nunca fiz greve. Mas sei que isso só é uma liberdade porque existe um livro onde o direito à greve está inscrito. Por tudo isto, convém que o senhor primeiro-ministro não se aproprie das decisões que tomo em nome da minha liberdade pessoal e intransmissível. Dei-lhe, é certo, o meu voto em 2011. E sei que as regras democráticas não me permitem recuperá-lo com efeitos retroactivos apesar do uso que lhe tem dado. O meu dia de trabalho de ontem, todavia, não é seu.

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