Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Despudor

por Pedro Correia, em 11.01.19

21948698.jpg

 

António Costa não brinca em serviço. Nestes dias - sem falhar um - tem cultivado a propaganda mais descarada, dominando a agenda mediática com temas que parecem demonstrar enorme dinamismo do seu governo mas que são afinal meras repetições de medidas anteriormente divulgadas ou anúncios de obras sem a menor garantia de que passarão do papel. 

Foi assim na terça-feira, ao alardear com enorme pompa e circunstância que estava tudo a postos para o arranque da construção do aeroporto do Montijo - que afinal, como logo se apurou, é um projecto ainda sem asas para voar por falta de um instrumento imprescindível: a luz verde dos especialistas ambientais, tanto portugueses como comunitários.

De resto, o único relatório de impacto ambiental até hoje elaborado chumbou o projecto. Nada disso obstou a que a propaganda ocorresse, com direito a um descomunal tempo de antena - sem contraditório - em todos os canais televisivos.

 

No dia seguinte, passou-se do aeroporto para o metropolitano e do Montijo para Lisboa. Com o mesmo procedimento digno dos melhores manuais de marketing político: Costa, acompanhado de gorda comitiva, fez-se filmar e fotografar em estações do metro para anunciar o prolongamento da linha amarela e verde que há muito fora já tornada pública.

Nada havia, de facto, para noticiar - excepto que o projecto da linha circular, anunciado em Maio de 2017 com conclusão inicial prevista para 2021, irá sofrer pelo menos dois anos de atraso, não se comprometendo agora sequer o primeiro-ministro com a data de 2023 para o corte da respectiva fita.

Ainda assim, fez-se mais uma monumental sessão de propaganda.

 

Hoje Costa ruma a Évora para outra despudorada sessão de embuste político. Anunciando que o futuro Hospital Central do Alentejo, a construir ali, é «prioritário enquanto obra estruturante», blablablá, patati patatá.

Trata--se da mesma  obra virtual que mereceu anteriores fluxos de propaganda governamental. Com idêntico despudor.

Em Outubro de 2017, o Executivo socialista fez constar que o novo Hospital de Évora seria «prioridade» a inscrever no Orçamento do Estado para 2018. 

Há precisamente um ano, em Janeiro de 2018, o Governo anunciou a dotação de 40 milhões de euros para o arranque da construção deste hospital, no âmbito da reprogramação do programa Portugal 2020, com início previsto para daí a meses. O ano terminou sem que nada se visse.

Em Outubro de 2018, coube ao ministro das Finanças reeditar o anúncio, apresentando matéria antiga como se fosse novidade. E sem qualquer compromisso com prazos, o que dá sempre muito mais jeito para quem apregoa a mercadoria.

No meio de tudo isto, ninguém parece corar de vergonha.

 

Não sei o que mais criticar. Se a falta de decoro dos responsáveis governativos, se a falta de memória deste jornalismo preguiçoso e distraído que engole notícias comprovadamente em terceira mão, as coloca sem sobressaltos de consciência no micro-ondas e as serve ao público como se fossem novidade absoluta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ficar bem na fotografia

por Pedro Correia, em 18.12.18

image.jpg

 

Uma ministra afasta dois sindicatos das conversações em curso entre o Executivo e o sector da enfermagem, alegando que não há diálogo enquanto decorre uma greve. Outra ministra, ao mesmo tempo, conferencia com a estrutura sindical dos estivadores, por sinal a mais radical e de efeitos mais prolongados no conjunto de surtos grevistas em curso no País. Duas atitudes de sinal oposto, o mesmo Governo: eis António Costa, no seu esplendor, sempre a querer marcar pontos em todos os tabuleiros, desgastando-se quase nada. Daí nunca estar presente quando a notícia é negativa. Foi assim na tragédia de Pedrógão, foi assim nos dramáticos incêndios de Outubro de 2017, foi assim em Tancos, foi assim em Monchique, foi assim em Borba, foi assim na queda do helicóptero do INEM em Valongo

Agora preferiu mostrar-se aos portugueses bem longe, confraternizando com o destacamento militar português no Afeganistão, o que proporciona a qualquer político imagens dignas de um estadista, irradiando força, segurança e autoridade. Dê as voltas que der, Costa fica sempre bem na fotografia. Valha a verdade: em matéria de táctica política, não recebe lições de ninguém.

Autoria e outros dados (tags, etc)

48384988_2262514587361875_7465602618803355648_n.jp

(Entrevista ao Diário de Notícias: transcrição e excertos em filme. Para quem tenha dúvidas ou queira aludir a uma hipotética descontextualização, este trecho em rodapé aparece no oitavo filme apresentado)

 

Quem me está próximo preocupa-se por eu falar sozinho, aparente sinal de senilidade, óbvio marcador de maluquice. "Não te preocupes", vou adiantando, "sempre falei", o que não sei se sossegará alguém. Não sabe, passará agora a saber, se isto ler, que muitas vezes, não sempre mas muitas vezes, nisso falo com o meu pai. Ontem à noite conversei com ele sobre isto, esta ministra da Saúde PS que considera os sindicalistas renitentes como "criminosos, infractores". "Pai, viste esta tipa, então o Partido apoia isto?" e ele, que foi comunista até à morte, daqueles cunhalistas "sem qualquer culto de personalidade", a menear a cabeça, com ar até amargurado, e eu sarcástico "isto já parece lá a vossa União Soviética, para estes gajos um dia destes nem haverá direito à greve", e ele a repreender-me "deixa-te de coisas". E eu, qual adolescente implacável, "eu deixo, mas vocês é que são a geringonça, a esquerda, a apoiarem esta tipa". Ele escorropichou o seu, sempre frugalíssimo, cálice de genebra (ou seria rum?), levantou-se e praguejou, à sua maneira, "patifes!". E culminou "isto tem que acabar" antes do seu "boa noite, vou-me deitar". Eu sorri, servi-me com abundância do rum (ou seria genebra?) e fiquei até a desoras a ver o "trio de ataque", o Oliveira, o Gobern e um rapaz de melena arisca que "representa" o Sporting. Pois antes estes que tal ministra geringôncica. Depois, antes de me deitar, ao espelho lavando os dentes, surpreendi-me a falar sozinho, "criminosos? infractores? os sindicalistas? ... estes gajos perderam completamente a noção". Nisso a minha mãe assomou ao corredor, preocupada, "Zé vai-te deitar, já é tardíssimo e estás para aí a falar sozinho", e eu que "tá bem, mãe, já estou a ir", e ela sorri-me "vai, que já bem me basta o teu pai que não me deixa dormir, ali a falar mal do governo".

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

teodorico-e-alpedrinha-por-rui-campos-matos.jpg

(Teodorico e Alpedrinha por Rui Campos Matos)

 

Foi-se a ministra, orgulhosamente lesbiana, a Guadalajara, decerto que com adido à ilharga – mas não a Cuernavaca com o necessário Cônsul, estou disso certo – e por lá resmungou algo, sobranceira a portugueses, Portugal e seus jornalistas e jornaleiros. Entretanto, cá longe, noutro “lá fora”, ando eu a reler, 35 anos depois, o “Relíquia”. Eça não é, diz quem sabe, o Zola, o Balzac, muito menos o Flaubert, mas é o que temos, e ainda que me solavanque o encanto – tetrali o “Os Maias” por causa do filme de João Botelho, e disso me apercebi, já nada adolescente ou vinteanista, franzindo o meu cenho ao traço grosso da caricatura que escorrega daquele Ega – continua uma delícia.

 

Enfim, perorava a ministra lá em Guadalajara quando o Raposão, o bom do Teodorico, me aportou a Alexandria, naquela sua ímpia, pois humana, peregrinação à então Terra Santa. Logo se acolheu ao afamado e recomendado “Hotel das Pirâmides”, deparando-se com um patrício (onde é que não há um português?), “moço de bagagens e triste“, ali algo desvalido dados os infortúnios de amores e impensares, o Alpedrinha, figura ímpar do panteão queiroziano, mais que não seja por aquela sua sábia e monumental saída, que em mim habitava sem lhe recordar a autoria (“Tu já estiveste em Jerusálem, Alpedrinha?“, perguntou-lhe o Teodorico, “Não senhor, mas sei … Pior que Braga, algo que talvez tenha acicatado aquele Luiz Pacheco). Chegava-se pois, no mesmo fim-de-semana da ministra no México, o bom do Teodorico às terras da Esfinge e, lá de tão longe, responde à sáfica governante: “E se o cavalheiro trouxesse por aí algum jornal da nossa Lisboa, eu gostava de saber como vai a política.”, atreveu-se o Alpedrinha. “Concedi-lhe generosamente todos os “Jornais de Notícias” que embrulhavam os meus botins“, logo concedeu o malandrote.

Isto nem em Cuernavaca lá iria. Quanto mais em Guadalajara.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sobre rodas

por Pedro Correia, em 09.11.18

 

ff2fc755e49512f8e16605ac8be18615.jpg

 

O Ministério da Economia tem novo titular e, logo por coincidência, vai passar a ter também carro novo. Com contrato de aluguer publicitado e divulgado pelo blogue Má Despesa Pública.

É extraordinária a prioridade dos membros do Governo: ainda antes de publicarem sequer uma portariazinha, já estão alapados em novas viaturas. Como se a anterior estivesse contaminada.

Por mim, nada a objectar: gosto de vê-los bem instalados e a rodar como lhes apraz. Desde que tenham muita saudinha e não se estampem, como já sucedeu a dois notáveis, em Tancos e Pedrógão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Ventania

por jpt, em 14.10.18

leslie-podera-vir-passar-o-fim-de-semana-19081-1.j

 

A ventania que remodelou o governo PS é muito mau sinal. Com o PSD igual ao Sporting pós-Alcochete, Cristas encantada com o pseudo-sucesso lisboeta e o CDS incapaz de por Mesquita Nunes onde já devia estar, o BE roblesado e o PCP no respeitável mas doloroso e inimputável estado mental em que tantos dos nossos queridos mais-velhos vão ficando, o vice de Sócrates reforça-se bem. A senhora da Cultura é competente (também quem lá estava era péssimo, fácil de substituir). E Cravinho é muito bom, cumpriu bem como presidente da cooperação e foi excelente como secretário de estado. Está na óbvia rota para futuro MNE. E o Matos Fernandes, tão resguardado que nunca chamuscado nos terríveis fogos e nas coisas do petróleo, vai-se alargando. "Marquem as minhas palavras", querem alguém do Porto no poder?, esperem-pouco e olhem para ali.

Contornar estes baixios vai ser muito difícil. Mas, como em tempos se disse, navegar é preciso, viver (a vida videirinha, funcionária/avençada) não é preciso ...

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Vício Blogal

por jpt, em 27.09.18

marcelo.jpg

 

O vício blogal é tramado, um tipo lê as notícias de uns dias e, por mais que diga "tenho mais que fazer, que se lixe ...", cai nas teclas: MRS diz que não saudou o PR americano por respeito à posição portuguesa sobre o multilateralismo. Ou seja, explicita que as suas formas de saudação denotam a posição do país, dado que ele PR. Muito bem. E a posição portuguesa, do Estado e da sociedade, sobre a laicidade, essa conquista da democracia? Pode o PR saudar o Papa neste gesto de "islão", de submissão expressa no beijo ao anel? Não. A "direita" portuguesa, mais ou menos católica, (pelo menos disto) gosta. A "esquerda" portuguesa, entre os descendentes da capela do Rato e a igreja PCP, encolhe os ombros. Está-lhe grata, pela protecção ao governo na cena dos fogos, pela protecção ao regime na cena da PGR - e é estruturalmente avessa à laicidade: eu recordo o meu espanto, então recente torna-viagem, com o sucesso, aplausos e partilhas, de tantos intelectuais compatriotas ao abjecto texto do padre Leonardo Boff a defender limites ao direito à blasfémia logo após o atentado ao Charlie Hebdo. E passeiam-se por aí, a dizerem-se democratas, anti-censura. E os "tudólogos"? Falam do resto ...

Aos 13 na escola li "Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes (e depois o "Engrenagem"). Antes lera "Os Putos" de Altino de Tojal (livro que vendia imenso). Chamavam-lhes neo-realistas, havia um Alves Redol (que nunca li) ou um Manuel da Fonseca (que li logo depois e gostei - tenho que lá voltar) e acho que um jovem Cardoso Pires, se não estou em erro. Nas casas de muitos burgueses, e para além de bustos de Lenine e obras de Marx e Engels, constavam reproduções dos desenhos de Cunhal. E de Cipriano Dourado, e talvez outros. E juntavam o Gorki ao Caldwell e ao Saroyan, enquanto desdiziam um bocado do Jorge Amado, "apesar de ...", pois "enfim ...". A coisa era apresentar a todos nós, burgueses, a grandeza e a beleza ética e estética dos outros, esconsos e oprimidos, seus modos de vida e legítimas aspirações. O (neo-)realismo foi saindo de moda, tinha havido até umas polémicas, e poucos quererão hoje saber das mentes e desejos das belas e robustas catarinas eufémias e dos valentes proletas da praça da grève. O "must" de agora, nada (neo-)realista, diz-se, é louvar a ética e a estética dos gajos que metem chicotes pelo ânus acima ... "Épater le bourgeois", seja com a virilidade proletária seja com a do lumpen prostituído, mas nada mais do que isso. Bom para os "tudólogos".

De resto, em 3-4 dias? O ministro da defesa ainda o é (ele que disse que se calhar não tinha havido roubo em Tancos - estamos a brincar?, não é óbvio o que o homem sabia?); a polícia da tropa vê os seus graduados presos; os generais assobiam, quais meros milicianos da administração do rancho. O ministro da saúde manda à merda a democracia e diz que só vai ao parlamento daqui a 6 meses. O PM goza com o ter faltado à "palavra de honra" (mas tudo está bem, há uma entrevista da mãe dele a confirmar que ele é bem educado; e o Ferreira Fernandes, já agora, lembrou que o pai dele era antifascista e anticolonialista, não vá a gente esquecer-se). A ministra do mar põe a sócia a dirigir os portos, é ilegal, mas (também ela) não tem agenda para responder aos jornalistas. Nem para se demitir. O arquitecto Salgado surge em mais uma marosca, e logo tudo desaparece das notícias. Um antigo professor meu publica um texto contra Medina, a propósito da apropriação privada de um miradouro - logo partilhado pelos "companheiros de estrada" naquela "esquerda". Afirma(m) que Medina tudo faz para preparar a cidade para os turistas. Alto, mas não é isso que se critica ao presidente da câmara, essa sua ideologia do "jardinismo", desde há anos? Ah, sim, mas a gente é de "direita", somos só ressabiados. Eles não, agora a crítica é justa (e pós-Robles, já agora: "cá se fazem, cá se pagam").

As deputadas portuguesas fotografam-se contra Bolsonaro. Este é um traste. Um cafajeste, como se dizia nas velhas novelas dos anos 1970s. Aliás, o homem é um fascista, não é preciso outro adjectivo ou outro insulto. Mas as senhoras deputadas não acham que têm, portas dentro, tralha suficiente (ainda que não tão abjecta) para estarem contra? Não querem fazer, não acham que o deviam, uma "usie" contra esta cloaca? E a semana ainda vai a meio. Sabe-se lá o que antes do fim-de-semana ainda virá, neste estertor de regime ...

Mourinho está com problemas no Manchester United. E o tipo que foi do Rio Ave para o Nantes também. Mas o Eder(zito) marcou um grande golo na taça da Rússia. Há esperança.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um ministro a ver-se grego

por Pedro Correia, em 26.07.18

Lisboa, 24 de Julho:

«Portugal vai enviar 50 elementos da Força Especial de Bombeiros para ajudar a combater os incêndios na Grécia, anunciou esta terça-feira o ministro da Administração Interna. Eduardo Cabrita adiantou que as cinco dezenas de bombeiros partem para a Grécia entre hoje e quarta-feira, no âmbito da resposta aos pedidos de ajuda feitos por Atenas ao abrigo do Mecanismo Europeu de Protecção Civil.»

 

Lisboa, 25 de Julho:

«Afinal, Portugal ainda não sabe se vai enviar bombeiros para a Grécia. Ministro disse que 50 elementos da Força Especial de Bombeiros partiriam para a Grécia entre terça e quarta-feira, mas precipitou-se: as autoridades gregas ainda não responderam à oferta portuguesa.»

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O ópio do povo

por Pedro Correia, em 09.07.18

800[2].jpg

 

Futebol e mais futebol e mais futebol e mais futebol. Em todos os canais, começando pela televisão pública. Serões inteiros dedicados à bola, internacional ou doméstica. Serões cujo conteúdo é retransmitido madrugada adiante nos sonolentos canais que garantem ter noticiário "24 horas". Na manhã seguinte, mais futebol. E à hora do almoço. E durante a tarde.

Nunca o escrutínio governativo andou tão arredado das pantalhas cá do burgo.

António Costa, com 40 anos de experiência política, sabe muito bem que este ópio do povo é o maior aliado de um Executivo em dificuldades. Imagino-o até a recomendar ao desaparecido ministro da Educação, que enfrenta uma contestação sem precedentes dos professores nesta legislatura: «Tiago, vai à Rússia e mostra-te lá com os jogadores da selecção.»

E ele foi. Como se dizia antigamente, e bem podia voltar a dizer-se agora, «o futebol é qu'induca, a bola é qu'instrói

Autoria e outros dados (tags, etc)

Primavera chuvosa

por Pedro Correia, em 10.05.18

 

30 de Abril:

Presidente da ADSE, Carlos Liberato Batista, demite-se alegando razões pessoais. Na origem da demissão, uma reportagem da TVI alegando gestão danosa.

 

4 de Maio:

Ministro da Cultura exonera directora-geral das Artes, Paula Varanda, invocando «perda de confiança política».

 

7 de Maio:

Comandante da Protecção Civil, António Paixão, demite-se em divergência com ministro apos ter permanecido apenas cinco meses no cargo.

 

9 de Maio:

Demitiu-se o coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança, Pedro Veiga, um dos pioneiros da Internet em Portugal.

 

9 de Maio:

Antigo secretário de Estado João Vasconcelos arguido num caso de suspeita de fraude relacionado com fundos comunitários numa empresa detida pela mulher.

 

9 de Maio:

Três ex-governantes do consulado de Sócrates estiveram sob escuta nos negócios milionários das 11 parcerias público-privadas: Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos, podem vir a ser constituídos arguidos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Em verdade vos digo

por João Villalobos, em 29.01.18

Esta é uma posição politicamente legítima. Qualquer pessoa é inocente até provado o contrário em julgamento. Poderia ter sido tomada antes de uma série de membros do Governo serem obrigados a sair, lá isso podia. Não o foi. Há pelos vistos governantes de primeira e governantes de segunda. Ou alguns que contam com "toda a confiança" do PM e outros que não. Ou então mais vale mudar a postura discursiva, antes que este Governo atinja números nunca vistos de demissionários por razões processuais. Desde que as agências de rating se estejam nas tintas, eu também estou. As verdades são para serem ditas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Revisitando o governo de Santana Lopes.

por Luís Menezes Leitão, em 05.01.18

Santana Lopes tem razão quando se queixa de que ninguém no partido lhe chamou a atenção para as trapalhadas do seu governo, quando estas saltavam aos olhos de toda a opinião pública. O mal dos partidos políticos portugueses sempre foi o excessivo seguidismo que têm pelos seus líderes. Em 2004, quando Santana Lopes fez todas aquelas trapalhadas no seu efémero governo, deveria ter sido o PSD a promover internamente a sua rápida substituição no cargo de Primeiro-Ministro, o que teria evitado a dissolução de Jorge Sampaio, e a entrega do país a Sócrates. Margaret Thatcher tinha sido uma excelente Primeira-Ministra e foi destituída pelo Partido Conservador quando se tornou evidente que o seu governo estava esgotado, o que permitiu que os conservadores voltassem a ganhar com John Major. Os partidos não são meras estruturas de apoio ao líder. É antes o líder que deve colocar-se ao serviço do partido.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Descubra as diferenças

por Pedro Correia, em 11.12.17

3Ii0Cu0[1].png

 

«O PS nunca mais vai precisar da direita para governar.»

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao Jornal Económico

20 de Janeiro

 

«Em matérias estruturantes vamos procurar o PSD e o CDS.»

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao Público

26 de Novembro

 

«Não precisamos da direita para governar mas pode vir a acontecer.»

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista à TSF

9 de Dezembro

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dez meses é muito tempo

por Pedro Correia, em 28.11.17

3Ii0Cu0[1].png

 

«O PS nunca mais vai precisar da direita para governar.»

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao Jornal Económico

20 de Janeiro

 

«Em matérias estruturantes vamos procurar o PSD e o CDS.»

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao Público

26 de Novembro

Autoria e outros dados (tags, etc)

Notas sobre o Focus Group e assim

por Rui Rocha, em 26.11.17

1 - É óbvio que o governo utilizou o estudo do focus group e o evento de hoje em Aveiro como instrumento de propaganda política. É, pois, uma imoralidade utilizar dinheiros públicos para financiar uma acção promocional descarada de Costa y sus muchachos.

2 - A validade da metodologia e a probidade de quem agora ou antes (Carlos Jalali ou Marina Costa Lobo) conduziu o estudo não estão em causa. Mas o que é claro é que os académicos não perceberam (ou não quiseram perceber) que uma coisa é a validade científica e outra, bem diferente, é a instrumentalização do seu trabalho para uma manobra de lavagem e promoção de imagem à custa do dinheiro do contribuinte. A intervenção de hoje de Jalali, focada na metodologia e na sua credibilidade, é bem o exemplo disso. Não é obviamente esse o ponto fundamental da discussão. É penoso ver alguém com créditos académicos prestar-se ao papel de idiota útil ao serviço dos propósitos do governo.

3 - O evento está, em todo o caso, morto e enterrado. Aquilo não funciona. Não há entusiasmo. Não há sequer aparência de contraditório que crie uma percepção de credibilidade. Nada daquilo é verosímil. Se o que Costa pretendia era projectar uma imagem de proximidade e transparência, tudo o que conseguiu provocar foi um enorme fastio. Não fosse a polémica prévia e ninguém teria suportado aquilo mais de 10 minutos. Assim, os mais resistentes terão chegado aos 15. Este modelo de comunicação não conseguiria entuasiasmar um exército de formigas ainda que lhes acenasse com um pacote de açúcar.

4 - O governo deu este fim de semana dois sinais claros de que se encontra numa situação fragilizada e que sente que perdeu o contacto emocional com os eleitores. Ontem, pôs todos os ministros na estrada, nas mais diversas iniciativas um pouco por todo o lado. Eduardo Cabrita esteve na inauguração do Centro Regional do Sistema de Alerta de Tsunamis, no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Centeno visitou a Alfândega do Aeroporto de Lisboa. Manuel Heitor, da Ciência e do Ensino Superior, foi a Matosinhos e a Braga para lançar uma nova iniciativa – «Manhãs Com Tecnologia». Hoje, foi o que se viu. Uma tentativa falhada de falar com o país em ambiente controlado, fazendo lembrar, nos propósitos e no contexto, as Conversas em Família de Marcello Caetano. Seguramente, não será pondo os membros do governo a esvoaçar como libelinhas tontas ou com iniciativas de comunicação postiças que Costa recuperará da imagem que, por sua inépcia, viu degradar-se nas últimas semanas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A pergunta que se impõe

por Diogo Noivo, em 23.11.17

 

"Em finais de 2015 havia alternativa, íamos virar a página da austeridade, era todo um mundo novo que se prometia, feito de mais dinheiro no bolso de todos, porque o anterior Governo era um malvado que, vá-se lá saber porquê, queria tirar-nos o dinheiro todo e estava sempre a falar no défice das contas pública e na dívida. Havia dinheiro a rodos e ai de quem se atrevesse a alertar que não era possível. Seria devidamente insultado e perseguido pela turba anónima das redes sociais, classificado de “pafiano” ou educadamente insultado como “liberal”.

Em finais de 2017 estamos a ser acusados de viver na ilusão de que é possível dar tudo a todos, porque afinal não é. E não é por maldade, é porque afinal, pasme-se, não há dinheiro e não é possível apagar o passado, eliminar a crise e a troika. Mas isso não era exactamente o problema de 2015?"

 

Helena Garrido, "(Des)ilusões de ricos pobres", Observador (23.11.2017)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Síntese de uma derrota anunciada

por Diogo Noivo, em 21.11.17

Sobre a candidatura do Porto à Agência Europeia do Medicamento, Rui Moreira disse que o importante era “o Porto demonstrar que faz parte de um núcleo restrito de cidades capazes”. Vaidade, portanto.

O Governo, em vez de fazer o possível para garantir a vitória, cedeu ao umbiguismo de bairro. O percurso da coisa foi bem traçado pelo Pedro Correia através de títulos de notícias que, vistas como um todo, são uma espécie de anatomia de uma derrota auto-infligida.

O que era evidente para muitos foi sempre negado. Principalmente a partir do Porto. Na Invicta, Ricardo Valente, vereador no município, fez o papel de Muhammed Saeed al-Sahaf: “Porto tem melhores condições que a cidade de Lisboa”; o Porto tem “condições únicas”; “estamos muito bem posicionados”. Como escreveu o Luís Menezes Leitão, a Agência Europeia do Medicamento está numa capital europeia e o seu novo destino será também uma capital europeia. Vale o que vale, mas Lisboa era o destino preferido pelos funcionários desta agência.

Para que não se pense que isto são contas de política interna, de opositores do Governo, leia-se o artigo que o Politico dedica ao assunto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O governo que temos.

por Luís Menezes Leitão, em 21.11.17

Uma boa demonstração de como funciona este governo é este processo da candidatura à Agência Europeia do Medicamento. Por pressão do autarca do Porto, retira-se a candidatura de Lisboa, que tinha todas as hipóteses de ganhar, para lançar a do Porto, e depois fica-se contente por este ter ficado em sétimo lugar. A Agência Europeia do Medicamento estava em Londres, a capital do Reino Unido, não estava em Manchester, nem em Southampton. Era evidente que, a ir para Portugal, só podia ir para a sua capital. Por isso mesmo acabou por ir para Amesterdão. É por isso que no governo alguém devia assumir responsabilidade pela condução deste processo, que prejudicou seriamente o país. Mas já se sabe que tal nunca acontecerá.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Uma odisseia para lugar nenhum

por Pedro Correia, em 20.11.17

 

7 de Junho:

Agência do Medicamento: Governo defende candidatura de Lisboa. "É a cidade que oferece mais condições", garante Augusto Santos Silva.

 

8 de Junho:

Rui Moreira exige explicações do Governo sobre exclusão do Porto na candidatura a sede da Agência Europeia do Medicamento.

 

13 de Junho:

Governo escolhe Lisboa para candidatura a Agência Europeia do Medicamento.

 

13 de Junho:

BE critica Governo por candidatar Lisboa para acolher Agência Europeia do Medicamento.

 

13 de Junho:

Petição pública sobre a Agência Europeia de Medicamentos: "Não ao Centralismo!"

 

15 de Junho:

Agência Europeia do Medicamento: Rui Moreira diz que nunca foi contactado.

 

15 de Junho:

"Fonte oficial" revela que Costa defendeu até ao limite candidatura do Porto à Agência Europeia do Medicamento.

 

16 de Junho:

Lisboa em 15.º lugar para acolher a Agência Europeia do Medicamento.

 

29 de Junho:

Governo aprova integração de representantes do Porto na comissão de candidatura para Agência Europeia do Medicamento.

 

13 de Julho:

Governo escolhe Porto para candidatura a Agência Europeia do Medicamento.

 

13 de Julho:

Maioria dos quase 900 funcionários da Agência Europeia do Medicamento preferia Lisboa.

 

31 de Julho:

Agência do Medicamento: troca de Lisboa pelo Porto pode penalizar candidatura.

 

10 de Outubro:

Porto está nos cinco favoritos para acolher Agência Europeia do Medicamento, segundo estudo encomendado pela Associação Comercial do Porto.

 

17 de Novembro:

Porto em vantagem para acolher Agência Europeia do Medicamento, assegura ministro da Saúde.

 

20 de Novembro:

Porto não fica com a Agência Europeia do Medicamento.

 

20 de Novembro:

Agência Europeia do Medicamento fica em Amesterdão.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O escritor fantasma no governo de Madrid.

por Luís Menezes Leitão, em 30.10.17

Leio aqui que a "posição oficial do governo português" sobre a questão da Catalunha foi ditada pelo governo de Madrid, sendo a nossa declaração um simples copy paste do formulário enviado por esse governo. Andou tanta gente a lutar desde 1143 para termos um governo próprio e independente de Castela ou de Espanha para afinal estamos reduzidos a esta subserviência a Espanha em pleno séc. XXI. O nosso actual governo aceita pacificamente ter um ghost writer no governo de Madrid. Como bem dizia Eça de Queiroz, este governo não cai porque não é um edifício, mas há-de sair com benzina porque é uma nódoa.

Autoria e outros dados (tags, etc)


O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D