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Eu, intelectual da bola

por jpt, em 07.06.19

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Os jogos desta Liga das Nações de futebol, a nova e secundária competição de selecção seniores que decorre em Portugal e para a qual a equipa (Cristiano Ronaldo, Pepe e mais 9) se apurou para a final, chamou-me mais uma vez (de facto duas vezes, em ambos os jogos) para o anti-clímax que está a ser o vídeo-árbitro. Tecnologia que é preciosa, para reduzir erros e para combater a mariolagem arbitral. Mas cuja utilização trouxe uma vertente "tecnocrática", uma mania de "justiça" que de tão maximalista, pois milimétrica, não é ... justa. Eu gostaria de lhe chamar um justicialismo mas a palavra está usurpada por um outro sentido, histórico (o peronismo), do qual bem que podia ser libertada pois faz falta para coisas de hoje - até porque dizer (condenar) um apotropaicismo, uma crença apotropaicista, não convenceria ninguém, mais que não seja devido à fonética. 

Feito intelectual da bola, julgo que para manter o entusiasmo do jogo e para preservar a boa tecnologia são precisas duas mudanças: uma alteração legislativa e uma diferente jurisprudência. Por isso repito um naco de um postal (Viva o Var, mas ...) que, na sequência de um fervilhante Manchester City-Tottenham escrevi há dois meses no És a Nossa Fé, capitaneado pelo nosso coordenador Pedro Correia, um Bruno Fernandes dos blogs. Repito-o na crença de que, apesar do ditado, esta voz chegue ao céu:

 

Venho devido ao VAR, que foi influente no jogo. O 5-3 nos descontos finais, a suprema reviravolta, é a festa do futebol, o apogeu da ideia de clímax na bola. E depois anulado pelo VAR, o cume do anti-clímax. Ora isso está a acontecer imensas vezes, e é óbvio que vem retirando brilho, paixão, ao jogo. O VAR é fundamental, é óbvio que reduz os erros dos árbitros e que é um grande instrumento contra a protecção aos grandes clubes e contra a corrupção - promovida pelos clubes e por essa relativa novidade das apostas desportivas privadas e avulsas. Mas ao quebrar o predomínio da paixão e da festa arrisca a tornar o jogo mais cinzento e, nisso, a ilegitimar-se. Assim as suas imensas capacidades tecnológicas de observação desumanizam o jogo. Ontem foi exemplo disso. Para que o VAR seja protegido dever-se-á pensar a aplicação das regras, refrear a tendência legalista que ele trouxe, uma verdadeira ditadura milimétrica promovida pela tecnologia. Urge regressar, e reforçar, duas tradições na jurisprudência futebolística, pois humanizadoras, cuja relevância ontem foi demonstrada:

- por um lado a velha questão da intenção de jogar com os braços. Agora, mal a bola bate lhes toca logo se clama ilegalidade. Ontem o golo de Llorente é paradigmático: é difícil comprovar se a bola bateu no braço do jogador mas assim parece. E depois? Salta com o braço encostado ao corpo, não tem intenção de o fazer actuar, até prejudica a sua acção saltadora com isso, e, quanto muito, a bola talvez lhe tenha também resvalado. Ainda bem que o árbitro validou um golo que não tem qualquer ilegalidade, mas muito clamam o contrário. Há que defender esta valorização da intenção, que cada vez mais é posta para trás. Em suma, os braços pertencem ao corpo, se não são agitados com o intuito de impulsionar (ou de cobrir espaço) não há infracção. Era assim dantes, deve continuar a ser e isso está a ser posto em causa com o frenesim do fotograma.

- o segundo ponto é ainda mais relevante: o fora-de-jogo. Há que recuperar o ideal da protecção do avançado em caso de dúvida na aplicação desta lei, de uma (muito) relativa indeterminação. Anda tudo a aplicar ilegalidades ínfimas, se o calcanhar de um está adiante ou não, se o nariz do avançado pencudo está à frente das narinas achatadas do defesa. Veja-se a imagem do tal 5-3, que beneficiaria o City: Aguero está em linha, de costas para a baliza tem apenas o rabo gordo à frente do defesa. Que interessa isso para o fluir do jogo? Urge recuperar essa ideia do "em linha", e permitir que o avançado esteja "ligeirissimamente" à frente do defesa: se confluem, relativamente, numa linha horizontal ... siga o jogo. Claro que depois se discutirá se o calcanhar dele estava ou não em linha com a biqueira do defesa. Mas serão muito menos as discussões. E haverá mais golos. E, acima de tudo, menos anulações diferidas. Donde haverá mais festa, mais alegria exultante. É esse o caminho para a defesa da tecnologia. E da paixão. Julgo eu, doutoral aqui no meu sofá.

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A taça é nossa

por jpt, em 26.05.19

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É só futebol mas vivo-o (it's only rock 'n' roll, but I like it). Até demais ... E é, como disse, clarividente, o Francisco José Viegas, um antídoto contra a solidão.

Ontem, aqui na tasca vizinha, tamanha me foi a comoção final que a pressenti, à ceifeira, seu hálito e até seu afago: mais uma destas e ainda me dá o treco! E depois?, qual seria o problema? Que interessam os desconseguimentos, as interrupções, o desfeito e o infeito? Que mais será de pedir nisto do que o enfeite  do final feliz?

 

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(Postal para o És a Nossa Fé)

A série de capas históricas do "A Bola" que o Pedro Correia aqui vem mostrando é bastante denotativa do clubismo exarcebado que aquela empresa imprimiu ao seu negócio. É seu direito, estratégia em busca de lucros. Mas de há muito tempo  apenas uma falsidade enviesada, se pensada em termos de jornalismo.

Mas não é apenas uma coisa histórica. Um dos exemplos desse seguidismo ao Benfica e, acima de tudo, à sua direcção actual é a sucessão de manchetes sobre o jogador Jovic, contínua na página digital do jornal.

O processo deste jogador é perfeitamente normal: decerto que o Benfica o contratou por lhe reconhecer potencialidades. Chegado ao plantel, o jovem Jovic não teve espaço para se afirmar, face à concorrência que encontrou: Jonas, que é um jogador de grande classe; Seferovic, que não sendo um jogador extraordinário é muito competente (nos primeiros jogos que fez no Benfica, antes de se apagar durante a época passada, fartei-me de resmungar: "raisparta que os tipos acertaram ..."); e Mitroglou, um jogador pouco interessante mas que funcional, em particular num campeonato como o português, uma espécie daquele "pinheiro" que há anos um treinador sportinguista pretendia (imagem que sempre me faz lembrar um Peter Houtman que nunca me encantou, nem me deixa saudades). Sendo este Mitroglou um "pinheiro" até mais móvel, mais competente, concedo. Face a essa situação o Benfica emprestou o jogador, para que ele evoluísse. A um bom clube, de um excelente campeonato [o alemão Eintracht Frankfurt], e que - o que é, nestas coisas, o fundamental - realmente o pretendia, enquadrando-o e dando-lhe tempo de jogo. E visibilidade. Assim muito o valorizando. Crítica minha? Nem uma gota. 

Ainda assim é também possível argumentar que se tivesse o Benfica no início da época que ora finda uma outra perspectiva de futuro, e particularmente se tivesse um técnico mais afoito na opção por jogadores jovens, muito provavelmente Jovic teria feito uma época ainda mais sonante - a vida dos avançados dos 3 grandes é mais fácil em Portugal do que no campeonato alemão, isso é indiscutível. Digo-o como mera hipótese. Pois se calhar o peso de Jonas, a imposição até algo exuberante de Seferovic, e a explosão de João Félix (que é um belíssimo jogador, mesmo que se possa dizer que o habitual empolamento dos jovens do Benfica o poderá sobrevalorizar um pouco) poderiam ter obstado a uma afirmação de Jovic. Nunca se saberá, é mera especulação. Fica a minha conclusão: nada da condução da carreira de Jovic no plantel benfiquista transpira incompetência. Mas também poderia ter sido diferente. Com toda a franqueza - e até porque gosto muito do treinador Lage - julgo que Jovic teria sido uma grande revelação no Benfica. 

Mas tudo isto que digo é apenas para sublinhar que não estou a criticar ou a cutucar a secção de futebol sénior do Benfica. Não é essa a questão. Estou apenas a falar do "A Bola". Jovic vai ser transferido para o Real Madrid, por uma enorme quantia. O Benfica vai lucrar com essa transferência. Mas, de facto, o não ter apostado no jogador conduziu a que a parte fundamental do lucro será para o clube alemão. O Benfica perderá assim algumas dezenas de milhões de euros. Ou melhor dizendo, deixará de ganhar algumas dezenas de milhões de euros. 

Repito o que disse, não estou a criticar o Benfica. Nem a "gozar". Foi um processo normal. O que me é interessante é a sucessão de notícias do "A Bola". Sistematicamente informando os seus leitores - na maioria benfiquistas - que haverá "Encaixe significativo para os cofres da Luz com a transferência de Jovic", descurando uma hipótese de análise crítica perfeitamente sustentável. Sempre enfatizando que o clube beneficiará. Mas nunca aflorando o evidente desperdício económico que irá acontecer. Chama-se a isto moldar opiniões. Um verdadeiro condicionamento, em particular da massa adepta daquele clube. Há quem lhe chame "jornalismo". Mas não é. "A Bola" é, de facto, e já há muito tempo, um departamento de comunicação de uma empresa.

[E é assim, como jornal desportivo, um verdadeiro exemplo dos chamados "jornais de referência". Ou da prevalência na imprensa dos "fretes ao poder".]

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A futebolização do País

por Pedro Correia, em 11.04.19

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Vivemos por estes dias mergulhados na futebolização do País. As pantalhas dedicam horas sem fim à conversa de taberna sobre bola transposta para os estúdios televisivos. Os partidos manipulam militantes, tratando-os como membros de claques de futebol. Os debates políticos estão cheios de metáforas associadas ao chamado desporto-rei. E a linguagem mediática imita o pior dos jargões ouvidos nos estádios, anunciando divergências ao som de clarins de guerra.

Há dois aspectos a ter em conta neste fenómeno: um é o factor de identidade tribal potenciado pelos clubes desportivos. Em regra este é um factor positivo: o ser humano necessita de mecanismos de afinidade grupal e quando faltam outros, mais tradicionais, o desporto - ou, no caso português, apenas o futebol - potencia-o como forma de preencher algum vazio deixado pelos restantes (família, igrejas, sindicatos, partidos, academias, etc.)

Outro - muito diferente e claramente negativo - é o da diabolização do antagonista. Este é um fenómeno com ramificações muito diferentes, e algumas bem recentes, influenciadas pela linguagem dicotómica das redes sociais, que tendem a ver tudo a preto e branco, numa réplica do imaginário infantil (cowboys & índios; polícias & ladrões, etc) transfigurado para a idade adulta.

O eco que os meios de informação tradicionais fazem do que se publica na Rede, amplificando tudo de forma acrítica e seguidista, produz cada vez mais estragos.

A crise financeira dos media conduziu nos últimos anos a drásticas alterações de âmbito editorial. A deontologia jornalística manda auscultar todas as partes com interesses atendíveis numa determinada história, obrigando também o jornalista a não eleger uma "verdade" sem pelo menos registar a soma das "verdades" em disputa. Acontece que a urgência de conseguir leitores e audiências tem levado muitos jornais e televisões a "queimar etapas" e a elevar o tom do relato noticioso. Os adversários tornaram-se inimigos, os desafios transformaram-se em batalhas, os saudáveis confrontos derivaram para devastadoras guerras.

Somar a febre do futebol à necessidade imperiosa de estancar quebras de tiragens dos jornais e fugas dos telespectadores para canais temáticos alternativos dá nisto: visões extremadas onde a emoção substitui o raciocínio, toda a moderação é considerada imprestável e o "vencedor" proclamado dos debates é invariavelmente o que berra mais que os outros.

Eis-nos mergulhados num caldo de cultura que nada augura de bom.

 

Texto publicado no Aventar, por amável convite dos autores deste blogue, que acaba de celebrar o 10.º aniversário.

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Futebol e terrorismo

por Diogo Noivo, em 14.01.19

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Serei o único português que não percebe nem gosta de futebol. Não sei o nome dos jogadores, não percebo as tácticas, e tenho uma reacção de convulsão visceral aos inúmeros e intermináveis programas de comentário desportivo.

Se não me falha a memória, a última vez que entrei num estádio teria uns oito ou nove anos. Foi no Restelo e pela mão do meu querido avô, antigo dirigente de modalidades amadoras no Belenenses, que sofreu até ao último dia pelo clube do seu coração. Recordo-o como um gentleman. Sereno e cortês, de uma amabilidade quase anacrónica. O aprumo era militar, com um bigode branco cuidado ao milímetro e a capacidade paranormal de chegar ao final do dia com a camisa impecavelmente engomada.

Talvez por guardar esta imagem dele tenho tanta aversão ao futebol. A psicanálise explicará. Para mim, o mundo do futebol era o meu avô e o meu avô era radicalmente diferente daquilo que se vê nos relvados, nas bancadas e nos estúdios de televisão onde a bola dá o mote para horas de conversa inenarrável.

Esta digressão ao passado vem a propósito de uma pergunta que me foi feita pelo Diário de Notícias no final da semana passada: o sucedido em Alcochete foi terrorismo? Analisei o sucedido, dissequei os factos, ponderei o que está demonstrado. Cheguei a duas conclusões. Primeiro, tenho razões para execrar o mundo da bola. Segundo, o sucedido dificilmente configura um caso de terrorismo – como é óbvio, apenas esta última conclusão consta da notícia publicada no DN. Defendo quatro argumentos:

 

1 - O terrorismo é, por definição, político. A violência, ou a ameaça do seu uso, destina-se a inocular o medo para, dessa forma, condicionar comportamentos sociais e políticos. Estará por demonstrar que a violência em Alcochete esteve ao serviço de um projecto de poder.

2 - Mais importante para o caso em apreço, os alvos directos do terrorismo nunca são os seus reais destinatários. As vítimas são um símbolo, uma representação daquilo que a organização terrorista entende ser o inimigo (i.e. um agente da polícia enquanto representante da autoridade do Estado, ou um cidadão europeu enquanto símbolo de uma sociedade alegadamente hedonista e "infiel"). Isto dificilmente se verificou em Alcochete, uma vez que os reais destinatários terão sido os jogadores.

3 - Uma das características que distinguem o terrorismo de outras formas de criminalidade organizada é o facto de este precisar de publicidade. Uma organização dedicada ao tráfico de armas não deseja atenção sobre a sua actividade, mas, pelo contrário, o terrorismo precisa de ampla divulgação da sua acção - sob pena de não disseminar o medo, que é o principal objectivo imediato de qualquer terrorismo. Está por demonstrar que os indivíduos envolvidos nas agressões em Alcochete desejassem a ampla divulgação do crime que cometeram.

4 - Por fim, o objectivo último das organizações terroristas não estatais é o Estado e as suas instituições, bem como a sociedade - ou pelo menos uma parte dela. Daí o terrorismo ser tão grave e insidioso. Também este critério dificilmente se verifica no caso de Alcochete.

 

Seja como for, os motivos para não regressar a um estádio permanecem intactos.

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Vergonha

por Pedro Correia, em 07.01.19

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Por sete milhões de euros, ou de petrodólares, os responsáveis máximos do futebol italiano acederam em deslocar do seu país para a Arábia Saudita o jogo da Supertaça que vai disputar-se entre as equipas da Juventus (onde pontifica Cristiano Ronaldo) e do AC Milan. O desafio decorrerá no próximo dia 16, no estádio Cidade Desportiva Rei Abdullah.

Tudo bem? Não: tudo mal. Assim preparam-se para caucionar a chocante discriminação existente nos estádios sauditas, onde as mulheres só em 2018 foram autorizadas a assistir pela primeira vez a jogos de futebol, mas sem se misturarem com homens, permanecendo confinadas aos lugares mais recuados das bancadas. Assim acontecerá novamente nesta Supertaça. Tapadinhas, caladinhas - e lá para trás.

«O desporto precisa de plateias globais para crescer», alega o dono da bola italiana. Está profundamente equivocado: destas plateias não precisa mesmo. Até porque são a antítese do espírito desportivo. Como fervoroso adepto de futebol, sinto vergonha destes dirigentes desportivos europeus que se põem de cócoras e chegam mesmo a rastejar mal atravessam o Mar Vermelho, convivendo alegremente com as mais inaceitáveis segregações em terras de Maomé.

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Jornalismo "agit-prop"

por Pedro Correia, em 02.12.18

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Ontem, como de costume, em quase todos os canais "informativos" portugueses só havia bola. Com "notícias" como esta: «Benfica supera a crise goleando o Feirense.»

Deslizei para os raros recantos onde ainda não chegara o futebol - que entre nós é considerado sinónimo de desporto, vá lá entender-se por quê.

Num desses poisos alternativos, logo na frase de abertura, evocava-se o agora falecido presidente norte-americano George Herbert Walker Bush dizendo logo na frase de abertura que tinha "liderado durante oito anos" o poder em Washington: bastaria uma rápida consulta à Wikipédia para perceber que Bush pai esteve apenas quatro anos na Casa Branca, entre 1989 e 1993.

Mas este "jornalismo" que nos entra em casa não peca apenas pela falta de memória: peca também por excesso de activismo político. Noutro canal, a propósito dos distúrbios em Paris, provocados por extremistas de vários matizes, Fulano aludia à Revolução Francesa, Beltrano invocava o espírito da "revolução de 1848" e Sicrano dava por praticamente consumada a demissão de Emmanuel Macron, por pressão "do povo que se revolta nas ruas". Todos contactados por telefone, todos arengando contra a democracia representativa, todos fazendo tábua rasa da genuína vontade popular expressa no voto. Agit-prop em directo e ao vivo.

Voltei a zapar, de comando na mão. Despedindo-me dos cúmplices morais da anarquia parisiense, regressei ao reino da bola. Mal por mal, antes a crise do Benfica, "superada" pela vitória caseira contra o Feirense.

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Códigos

por Pedro Correia, em 30.11.18

Vou ao balcão da pastelaria, peço para me embrulharem um croissant misto (sem manteiga) e um sumo. 

O empregado pergunta:

- Quer palhinha?

Detesto palhinhas. Respondo:

- Não. Palhinha está no Braga.

Ele ri, percebendo de imediato o trocadilho. Saio do estabelecimento a pensar como seria mais cinzento e baço o nosso quotidiano sem estes pequenos códigos de comunicação que tanto nos ajudam a colorir os dias.

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Frases de 2018 (42)

por Pedro Correia, em 26.11.18

«O futebol é um antídoto contra a solidão.»

Francisco José Viegas, na sua coluna do Correio da Manhã (24 de Novembro)

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Mourinho

por jpt, em 08.11.18

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(Postal para o És a Nossa Fé

 

Juventus-Manchester United, no palco global da “Champions” o jogo entre as equipas dos dois portugueses mais conhecidos do mundo, pelos seus extraordinários méritos. Também por isso eles alvos de tanta raiva nacional, mostra desse traço cultural constante, a inveja dos patrícios com sucesso “lá fora”, tão paradoxal e desprezível num país que foi colonial (e abominou os seus colonos) e é de emigração (e menospreza os seus emigrantes). A abjecta reacção generalizada, isenta daquilo chamado “dúvida”, às acusações de uma acompanhante de luxo a Cristiano Ronaldo, é um caso extremo disso. Mas é algo continuado, há uns anos (2012, 2013?), num treino da selecção antes de um jogo particular em Guimarães o público gritava “Messi, Messi” para espanto do CR7. Pois porquê aquilo? Tal como a constante maledicência sobre Mourinho – há quantos anos, 10?, se lêem inúmeros comentários e opiniões na imprensa sobre o estar ele “ultrapassado”? – disso é prova.

Ontem o confronto (também) entre eles. Algo que connosco fala, sportinguistas, sobre o nosso clube. O CR7 orgulho máximo da nossa formação, encabeçando o trio maravilha de três décadas gloriosas, Futre-Figo-Cristiano. Talvez o melhor jogador do mundo, e cada vez mais isso se evidencia (Messi como o génio trabalhado, Ronaldo como o trabalho genial). E Mourinho, o técnico em actividade com mais vitórias relevantes, em tempos recusado pelo Sporting (um dos três erros históricos do clube, junto aos com Eusébio e Futre). Negado, julgo recordar (ou sonho a memória?), quando o actual director do futebol do Sporting, então capitão, se armou em Sérgio Ramos e torpedeou em público essa vinda, associando-se aos sábios espectadores, esses sempre armados de vigorosos lenços brancos, que clamaram inadmissível que um treinador transitasse do Benfica para o Sporting. Pois desde há décadas que os fungões espirram …

Enfim, vem isto a propósito do final do jogo de ontem. Mourinho, que em Manchester e Turim foi azucrinado pelos adeptos italianos, jogou bem e triunfou. A Juventus é melhor, ganhara soberbamente fora e em casa tinha o jogo na mão. CR7 fez um jogo magnífico, um golo espantoso e deu outros a marcar, desperdiçados por pés Quadrados. Mas Mourinho pensou bem, substituiu melhor, e teve a sorte (essa grande jogadora) por ele. E fez a reviravolta, mesmo no fim. Jogo épico.

Mas o que é mesmo magnífico é a sua reacção. Provocatória, deselegante, desnecessária, digam o que disserem. Mas é uma delícia. Porque é futebol. Mas ainda mais do que isso, porque é completamente portuguesa. Não exactamente o gesto da mão na orelha, algo mais comum. Mas é aquele trejeito da boca, “hâânnn?”, “dígam lá agóra!!”. Algo, ricto e óbvio som, tão nosso, tão português de rua, bairro, popular, tão “tuga”, tão treinador da bola, como se fosse ali aqueles técnicos dos tempos de antes, os do Aliados do Lordelo ou do Montijo a ganharem à Sanjoanense ou ao Amora, assim a fazer o mundo pequeno e igual quanto às mesuras que se lhe (não) deve, e nisso também tão eu, tão nós, os que não temos nem vergonha de ser portugueses nem abominamos os nossos que ganham alhures. Vejo-o ali na tv e rio-me, gargalho, “ah g’anda Mourinho, meu patrício”, meu e nosso orgulho amanhã. Saídos à rua, entre nós e com os outros, “hâânnn?”, “dígam lá agóra!!”. Nós povo, rindo, que hoje no fim do dia tragaremos o “petit verre”, escorropicharemos o bagaço branco, e irei eu até à rua, à porta da “petite restauration”, a tasca daqui, a fumar o cigarro e, se necessário, no choque com o frio, assoar-me-ei aos dedos, sacudindo o ranho para o chão, e se calhar ainda terei que cuspir, na azia do álcool. E, entre nós, riremos, com desprezo mas também mágoa, desses invejosos lá na terra. E ainda mais, com gargalhada mesmo, com alguma amarga piada sobre essa paneleirage, tão amaricada, sensíveis coitadinhos, a agitarem os lencinhos brancos, arrebitados em meneios no “olhem para mim”, que é para isso que lhes servem os trapos.

G’anda Zé Mourinho, g’anda patrício. E viva também o CR7, o melhor do mundo.

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Não acertam uma

por Pedro Correia, em 06.11.18

A Bola, 5 de Novembro, 00.45:

«Marcel Keizer já está em Lisboa e tudo indica que será ainda esta segunda-feira oficializado como treinador do Sporting.»

 

A Bola, 5 de Novembro, 17.31:

«Al Jazira vence ainda com Marcel Keizer no banco.»

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Brasil (e não só)

por jpt, em 20.10.18

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Um maravilhoso texto autobiográfico de Eric Cantona, no qual escreve sobre a essência do futebol, o estado do futebol actual, e desvenda o segredo dos triunfos do Manchester United. Mas acima de tudo sobre o mundo actual. Sinto-o imperdível: What is the meaning of life?

Sobre o mundo actual um belo texto de António Guerreiro, Sob o signo do politicamente correcto, no Público de ontem.

 

A propósito do Brasil, mas também incidindo sobre o mundo actual, dois textos relevantes: O futuro político do Brasil, de Fernando Henrique Cardoso, no El País de hoje; O arauto da revolta popular, de Jaime Nogueira Pinto, no Diário de Notícias de ontem.

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Presidente Varandas

por Pedro Correia, em 09.09.18

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Contados os votos num dia histórico no Sporting, confirma-se a vitória daquele que sempre me pareceu o candidato mais preparado. Aquele que conhece bem o desporto-rei, que serviu o clube como competente director clínico durante sete anos, que trabalhou no departamento de futebol leonino e foi ali o primeiro a avançar corajosamente contra o desvario carvalhista, rompendo sem ambiguidades com uma gestão caótica e danosa enquanto outros, cá fora, se resguardavam. Aquele que, com inegável desassombro, soube erguer a voz no momento certo proferindo a palavra "não".

Ganha por margem confortável, com cerca de 42,3% dos votos - superando em 5,5% o seu principal oponente nesta campanha, João Benedito, que se apressou a felicitá-lo com elegância e galhardia. Margem que lhe permitirá gerir este grande clube, concentrando todas as energias e todo o seu talento ao serviço da centenária instituição de utilidade pública que tanto amamos.

 

O mais difícil começa agora. Terá momentos muito complicados no percurso que vai seguir-se. Atravessará horas de extrema solidão. Conhecerá invejas e ingratidões, próprias da natureza humana. Com firmeza e tacto, deverá recompor os cacos a que o presidente destituído em 23 de Junho reduziu o Sporting.

Frederico Varandas conduzirá esta empreitada com sucesso, acredito. Para bem desta incomparável massa adepta que não desiste nem deserta mesmo com prolongados jejuns de títulos. Unir o Sporting - seu lema de campanha - é prioridade máxima do novo presidente. Do meu presidente.

Do presidente de nós todos.

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Deputação

por Pedro Correia, em 20.07.18

A que propósito é que o chamado "núcleo de deputados sportinguistas na Assembleia da República" recebe com pompa o presidente destituído do Sporting Clube de Portugal, no Palácio de São Bento, dando-lhe um crédito que ele não justifica nem merece? Será que os senhores legisladores não têm mesmo mais nada para fazer?

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Frases de 2018 (33)

por Pedro Correia, em 16.07.18

«Vocês suaram a camisola. Vocês mobilizaram todo o país. 66 milhões de franceses tiveram os olhos postos em vós. Sereis exemplos para muitos jovens.»

Emmanuel Macron, Presidente francês, em palavras dirigidas no balneário aos jogadores do seu país que ontem se sagraram campeões do mundo em futebol

 

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Um guarda redes com cãibras a aguentar um prolongamento e a defender dois penalties. Um médio a perder a bola por lhe dar um torque e não ter pernas para a ir buscar mas depois a recuperar a bola e a virá-la de flanco. Um avançado a mal poder correr excepto quando cheirou uma bola e lhe acertou de forma perfeita para acabar com o sonho inglês. Um jogador a marcar dois penalties em jogos decisivos depois de correr 120 minutos em cada e nós a sabermos que estaria pronto para repetir a dose no terceiro jogo consecutivo. Um desempenho de sonho a negar a equipa do melhor jogador do mundo e outro funcional, da equipa secundária, quando não precisaria de o fazer. Três jogos consecutivos a recuperar de desvantagens para se apurar para a final com o equivalente de um jogo a mais e um dia menos. E isto é só o mundial da Croácia.

 

(Hrvatska! Hrvatska! - ouve-se da minha janela, gritado a 950 km de distância)

 

A Inglaterra sonhou como não o fazia há 28 anos e conseguiu ser parada sem que o cortejo de juízes surgisse no horizonte. A Rússia sacudiu a etiqueta de segunda pior equipa do mundial para estar a um passe (ou remate) das meias-finais. A Bélgica recuperou de uma desvantagem de dois golos contra o Japão e depois venceu o Brasil, em desempenhos que deixaram os adeptos do mundo inteiro (excepto japoneses e brasileiros, à vez) a torcer por eles. Lukaku especialmente deixou água na boca contra os japoneses ao não tocar a bola antes do último remate do jogo e a fazer verdadeiro bullying artístico a quem lhe apareceu pela frente - ou pelo ombro - frente aos brasileiros. Meunier, no seu jeito de gigante desengonçado e trapalhão tem sido calmamente o melhor lateral direito do mundial - a sua ausência foi excessivamente notada. Outros dois laterais direitos deram-nos aqueles que poderão ter sido os melhores ou mais belos golos do mundial.

 

(pausa para respirar)

 

Ronaldo teve um jogo a falar da melhor cabra de todos os tempos** e foi abafado por dois golos excepcionais, um deles resultante de uma tabelinha de 100 metros. O VAR apareceu na fase de grupos e deve ter bebido tanta vodka que desapareceu nas eliminatórias. Mbappé apanhou uma multa por excesso de velocidade num jogo e decidiu atormentar as polícias de trânsito nas defesas adversárias apenas em trajectos curtos. Lilian Thuram foi descoberto na Rússia, 24 anos mais novo e com outra cor de pele, mas não engana ninguém. De Bruyne foi dando lições de geometria euclidiana com os seus passes saídos directamente do Elementos. O cliché inglês da fila às espera do comboio em forma de bola nos livres indirectos e cantos.

 

(Neymar rebola... e rebola... e rebola...)

 

Os remates de Coutinho. Godín a defender toda a área, duro quando necessário, com souplesse quando possível. Varane a varrer a sua defesa no ar e no chão, mais rápido que Hazard a correr, que Fellaini a saltar e mais forte que Lukaku, mas sempre com classe. Kanté a varrer a direita e a esquerda de Pogba - ao mesmo tempo. A trivela de Quaresma. Os 3 metros e meio de altura de Yerri Mina. A trivela de Quaresma. Aliou Cissé a destilar coolness. A trivela de Quaresma. O Japão a jogar para perder o último jogo na fase grupos e ser apurado por serem bons rapazes. Neuer a ala esquerdo. Kroos a fazer de Bom, Mau e Vilão num único jogo. Quase duas vezes. Honda a entrar em campo para marcar um golo do empate ao fim de 6 minutos. A Inglaterra a vencer um desempate por penalties.

 

(esperemos: o Panamá está ainda a celebrar os golos)

 

El-Hadary a não ser substituído depois de ser o mais velho jogador a jogar um mundial e a defender um penalty. Tal memória deveria ter sido gravada para sempre sem necessidade de o ver a conceder golos. Marrocos a dominar 3 jogos e não vencer nenhum. Dinamarca e França a oferecerem uma cura para o stress. Já disse que a Islândia se qualificou para um mundial com uma população de 300 mil? O cineasta vindo do frio a defender um penalty ao melhor jogador do mundo*. Rojo a mostrar aos seus avançados como se marca um golo. Os dois suíços que provocaram os sérvios por causa do Kosovo depois de serem provocados pelos russos. O guarda redes iraniano que dormiu no chão mas que defendia quase tudo, inclusivamente um penalty do mais valioso trintão do mundo***. Lozano. Kompany porque simplesmente gosto do tipo. Fellaini porque é daqueles tipos que é impossível de não se gostar quando estamos longe dos seus cotovelos. Kane porque vai ser o melhor marcador com 3 penalties, 2 sobras e 1 bola tabelada na canela. Auto-golos porque vão ultrapassar Kane. Brasil a ser eliminado mais cedo que há 4 anos mas com melhor sabor na boca.

 

(preparar o fim)

 

Um mundial de sol, festa, jogos abertos como não há muito, jogadores a lutar até ao limite das forças e ainda mais além, selecções a celebrar mesmo depois de serem goleadas, um anfitrião a abrir as janelas fechadas há muito para mostrar que sabe de hospitalidade mesmo quando volte a fechar a casa, de pena por as equipas africanas não passarem a fase de grupos depois de iluminarem os seus jogos no campo e nas bancada, equipas a serem eliminadas sem recriminação, cerveja a esgotar, a presidente croata, a ausência de Putin, alfabetos cirílico e latino, sol da meia-noite - ou perto disso.

 

E teremos sempre a quaresma de Trivela em Saransk.

 

* - escolha pessoal, discordem à vontade.

** - Referência à barbicha - goatee em inglês - e a GOAT, acrónimo para Greatest Of All Times.

*** - pelo menos no futebol.

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O ópio do povo

por Pedro Correia, em 09.07.18

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Futebol e mais futebol e mais futebol e mais futebol. Em todos os canais, começando pela televisão pública. Serões inteiros dedicados à bola, internacional ou doméstica. Serões cujo conteúdo é retransmitido madrugada adiante nos sonolentos canais que garantem ter noticiário "24 horas". Na manhã seguinte, mais futebol. E à hora do almoço. E durante a tarde.

Nunca o escrutínio governativo andou tão arredado das pantalhas cá do burgo.

António Costa, com 40 anos de experiência política, sabe muito bem que este ópio do povo é o maior aliado de um Executivo em dificuldades. Imagino-o até a recomendar ao desaparecido ministro da Educação, que enfrenta uma contestação sem precedentes dos professores nesta legislatura: «Tiago, vai à Rússia e mostra-te lá com os jogadores da selecção.»

E ele foi. Como se dizia antigamente, e bem podia voltar a dizer-se agora, «o futebol é qu'induca, a bola é qu'instrói

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Notas de meio do Mundial

por João André, em 01.07.18

Quis escrever mais vezes sobre o mundial no meu outro estaminé mas não tem sido possível. Agora que o mundial de Portugal temrinou, ficam uns apontamentos.

 

Portugal

O primeiro jogo, contra a Espanha, deu-me esperança que Ronaldo estivesse ao seu melhor nível e Portugal jogasse bem o suficiente para o apoiar. A Espanha tinha-me parecido estar a jogar bastante bem e só tendo sido batida por uma boa organização defensiva e uma actuação brilhante de Ronaldo. Os jogos subsequentes, de Portugal e Espanha, indicaram que talvez não fosse bem assim, nem para Portugal nem para a Espanha (à hora que escrevo está empatada a um golo com a Rússia).

 

Portugal tinha a desculpa contra a Espanha de saber que não veria muito a bola. Contra Marrocos e Irão isso não sucederia. Fernando Santos insistiu em esquemas e jogadores que pouco ou nada fizeram e com toda a gente à espera que Ronaldo resolvesse tudo. Contra Marrocos Portugal teve muita sorte em não perder (esta também é necessária) e contra o Irão o jogo foi sofrível e mesmo com o penalty mal assinalado em favor do Irão o resultado não foi incorrecto.

 

Contra o Uruguai Fernando Santos corrigiu alguns erros tácticos, mas algo tarde e de forma dubiosa. Com Bernardo Silva na ala direita, era necessário jogar com um lateral mais inclinado a procurar a linha final para permitir a Bernardo Silva mais liberdade. Infelizmente isto surgiu ao 4º jogo, sem verdadeiras rotinas, e Cédric não mereceria ser enviado para o banco. No ataque haveria alguma lógica em jogar com Gonçalo Guedes, mas apenas se fosse um avançado mais móvel. Encostado aos centrais, especialmente Godín e Gimenez, foi o equivalente a oferecer-lhes um chá mate. Mais tarde fez entrar Quaresma para alargar o jogo, mas infelizmente retirou Adrien em vez de João Mário (que, sendo apenas sofrível, fez o seu melhor jogo do mundial).

 

O azar foi também que o melhor jogador português do mundial, Pepe, cometeu um erro enorme que deu o segundo golo aos uruguaios. Há no entanto alturas em que temos que dar o mérito ao adversário. Fernando Santos foi emendando a mão e Portugal não jogou mal, mas os Uruguaios têm uma defesa quase impenetrável. O resto da equipa é disciplinada e com mais garra charrua por jogador que o resto das equipas mundiais em conjunto. E, no ataque, têm dois avançados de enorme qualidade, que jogam de olhos fechados, sacrificam-se pela equipa e não são egoístas. A comandar tudo, provavelmente o melhor seleccionador dos últimos 20 ou 30 anos: Tabarez. Os uruguaios marcaram primeiro em duas ocasiões. Depois de concederem um golo, só o fariam outra vez se Ronaldo descobrisse alguma coisa especial. Não o conseguiu e Portugal volta para casa.

 

Jogadores

Positivo: Patrício, Pepe, José Fonte, Cédric, Adrien, Quaresma (apesar de ter tentado ser expulso contra o Uruguai) e Ronaldo. Note-se que os considero positivos, não necessariamente muito bons.

Razoáveis: William, Guerreiro, Moutinho, Ricardo.

Negativos: João Mário, Bernardo (apesar de ter melhorado imenso no último jogo), Guedes.

 

Os únicos que foram muito bons, e ainda assim, apenas a espaços, foram Ronaldo, Patrício e Pepe. Os único que foi consistentemente muito mau foi João Mário. Guedes esteve perto, mas teve algum trabalho de equipa decente nos dois primeiros jogos (ao mesmo tmmepo que demonstrava cabalmente o erro de o colocar a ponta de lança). Destes grupos, não há queixas a Patrício porque nada podia fazer nos golos que sofreu (talvez o primeiro do Uruguai, mas seria difícil). Os outros despareceram de tempos a tempos e foi nesta inconsistência que Portugal teve uma passagem pouco notória no mundial.

 

Outras notas

Deutschland... Auf Widersehen... Nao é preciso alemão para compreender a sua eliminação. Uma velhinha grega basta: hubris.

 

Equipas que impressionaram até agora: Uruguai, Croácia, Bélgica, Inglaterra (estas duas tiveram pouca oposição), Senegal, Nigéria (sim, sei que estas foram eliminadas), Colômbia.

 

Equipas que desiludiram: Argentina, Egipto, Polónia.

 

Equipas que vão avançando à custa do talento: França e Espanha.

 

Equipa neste momento mais capaz de vencer: Brasil. Tiveram um início semi-impressionante, dando a ideia que faltava sempre alguma coisa. Contra a Sérvia pareceu ter aparecido essa coisa extra. Se a mantiverem, terão a melhor equipa para vencer.

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A pátria em chuteiras

por Pedro Correia, em 01.07.18

 

Onde estavas tu, Éder, quando tanto precisávamos novamente de ti?

 

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 22.06.18

 

Portuguese football's parable of populism. De Paul Ames, no Politico.

 

 

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