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Notas de um Verão a Norte - o regresso a Paredes de Coura

por João Pedro Pimenta, em 23.08.18

Os jornalistas musicais portugueses costumam dividir a humanidade em dois grandes grupos: os que estiveram no concerto dos Arcade Fire no festival de Paredes de Coura de 2005 e os que não estiveram. Eu insiro-me numa terceira via: os que estiveram lá nesse mesmo dia e não viram os Arcade Fire.

 

Sim. Em 2005, por uma hora, dadas as recusas de última hora de dilectos amigos meus em seguir comigo, que já tinha bilhete, perdi o concerto dos estreantes Arcade Fire, que ao que asseguram os assistentes, ficou para a história como uma "epifania", o "espectáculo da década" que "catapultou o festival", etc. À época conhecia o grupo e já tinha ouvido algumas canções de Funeral, o álbum inicial, e ainda hoje Rebellion (Lies) continua a ser a minha faixa favorita dos canadianos. Mas como a minha ideia era ver os Pixies, precedidos dos Queens of the Stone Age, não liguei muito, mas ficou um travo de pena. Vi depois os Arcade Fire em Lisboa, num espectáculo memorável ao lado da ponte Vasco da Gama. Mas ainda havia uma lacuna por cicatrizar. Este sábado, finalmente, encontrei os canadianos em Paredes de Coura, treze anos depois de eles se terem ido embora antes de eu chegar. Com mais discografia em cima, e a entrega e a emoção de sempre. Talvez as expectativas que estavam muito lá em cima ficassem ligeiramente goradas, até por não ser a primeira vez que os via. E o último álbum, em destaque, é o mal amado da discografia dos Arcade. Mas começaram logo com ele, com uma bem disposta Everything Now (o vídeo atrás traduzia como "tudo agora"), seguida dos hinos do costume - Rebbelion, pois claro, e ainda faixas de Neon Bible, The Suburbs e Reflektor, tudo a acabar num muito celebrado Wake Up, com a plateia literalmente iluminada. No dia com mais público de sempre do festival, os Arcade Fire regressaram a terras do Alto Minho. 2005 está enfim vingado.

arcade coura.jpg

 

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Reencontro em Vilar de Mouros

por João Pedro Pimenta, em 07.09.17

Este é o momento de um reencontro. Os dois vultos em destaque no palco são Jim Reid, vocalista dos Jesus and Mary Chain (o seu irmão William está atrás, na guitarra), e Bobby Gillespie, lí­der dos Primal Scream. Os dois grupos são originários de Glasgow, surgiram em meados dos anos oitenta e marcaram a cena musical no fim dessa década e no início da seguinte (é sabido que os Mary Chain influenciaram os Pixies e mesmo os Nirvana). Mas antes de se virar para o microfone, Gillespie tocou bateria no grupo dos irmãos Reid. Há dias, em Vilar de Mouros, deu-se o feliz reencontro. Embora já tivesse sido anunciado, houve largos aplausos quando antigo baterista entrou em palco para dar início à  emblemática Just Like Honey, do primeiro disco da banda, Psychocandy, onde ainda participou, e que teve um suplemento de popularidade quando Sophia Coppola se lembrou de a escolher para temo de fecho de Lost in Translation.

 

Pelo que percebi, Gillespie não saiu em conflito do seu antigo grupo, mas não voltou a colaborar com eles, pelo menos desta forma tão exposta. Não encontrei sinais de outro concerto em que se tivessem voltado a juntar. O acaso, ou a vontade dos organizadores, permitiu que tocassem no mesmo dia e no mesmo local. E em Vilar de Mouros, os Jesus and Mary Chain voltaram à  formação inicial dos anos oitenta, com emoção e nostalgia à mistura. Só mesmo num ambiente como o da aldeia minhota, no decano dos festivais portugueses "de Verão", é que tal coisa poderia acontecer. E o público, que não era constituído exactamente por campistas adolescentes, agradeceu.

 

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O festival geriátrico

por José António Abreu, em 15.05.12

A Fnac enviou-me um bonito cartão plastificado. Chama-se «cartão Fnac Rock in Rio Lisboa 2012» e garante-me o extraordinário desconto de 5% na aquisição de um bilhete para o referido evento. Promoções em que o nível de pompa está vários graus de grandeza acima do de generosidade deixam-me sempre a pensar se conseguirão gerar receitas suficientes para compensar os custos. Visto continuar a recebê-las, presumo que sim. Esta teve pelo menos o efeito positivo de me levar a olhar para o cartaz do Rock in Rio deste ano (vem na carta) e a comprovar uma ideia já antiga: o Rock in Rio é um festival para ouvintes da RFM e da Comercial; para gente que gosta de dizer ainda apreciar música rock (o termo é importante, numa época em que o rock está mais ou menos morto) ao ponto de até continuar a ir a concertos mas que, na realidade, se encontra entalada na porta de passagem da década de oitenta para a de noventa do século passado. Repare-se: Metallica, The Offspring, Lenny Kravitz, Ivete Sangalo, Stevie Wonder, Bryan Adams, Bruce Springsteen, Xutos & Pontapés, James. Não estou a dizer que toda esta gente é má. Inclui até pessoas que muito prezo. Por exemplo: gosto tanto de Bruce Springsteen que o fui ver a Valladolid em 2009; por alturas de And Justice For All e do Black Album chateei tanto colegas de universidade com gostos a tender para o Phil Collins fazendo-os ouvir Metallica que dois pediram transferência para direito (mentira, já lá andavam e era por isso que eu achava justo chateá-los); tornei-me fã dos Smashing Pumpkins aquando de Gish, o primeiro álbum deles, numa época em que raros eram os que desviavam olhos e ouvidos dos Nirvana e dos Pearl Jam (convenhamos, todavia, que, por muito que o Billy Corgan seja quase tão bom quanto ele pensa ser, os Smashing Pumpkins sem James Iha, D'Arcy Wretzky – desculpa, Melissa – e Jimmy Chamberlin não são os Smashing Pumpkins); e também ainda me lembro de um fantástico concerto que os James deram no Coliseu do Porto há cerca de dez anos. É a acumulação que impressiona. Não seria possível misturar este pessoal (ou parte dele, porque de outra parte nem vale a pena falar) com gente mais recente? Eu sei que a última década não foi pródiga no nascimento de grandes bandas capazes de agradar ao público em geral (coisa linda, o público em geral). Culpa da internet e do carácter cada vez mais efémero da fama, certamente. Mas ainda se arranjam algumas. Imagino que após grande esforço mental, os organizadores do Rock in Rio até conseguiram lembrar-se dos Kaiser Chiefs, colocados a abrir o palco «Mundo» na única noite que poderia levar-me a gastar dinheiro neste mastodonte para quarentões (a faixa etária em que o bilhete de identidade me coloca, note-se). Mas ficaram por aí. Melhor ainda: em vez de misturar, porque não organizar uma noite (uminha só) com música mais recente e alternativa? Não, desculpem, esqueçam. Era capaz de gerar confusões com um festival a sério, como o Super Bock Super Rock – esse sim, quase me convence a fazer trezentos e tal quilómetros para ficar a cinquenta metros de um palco respirando pó, fumo de haxixe e transpiração (ora comparem). Provavelmente é mais seguro assumir uma linha e mantê-la. Permitam-me, então, que dê umas sugestões à Roberta Medina para a edição de 2014: miúda, tenta conseguir os Beatles (sshhh – vocês acham que ela sabe que os Beatles se separaram?), junta o Roberto Carlos e o Júlio Iglésias numa noite gloriosa e, quanto ao recinto, instala cadeirinhas e duplica o número de casas de banho, que a idade não perdoa.

A carta da Fnac. Por favor, não liguem à Kate Moss nua, lá atrás. Nem ela consegue tornar o evento mais excitante. Clicando na imagem verão melhor o cartaz do festival. E o sinal da Kate Moss.

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