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O Dia da Vitória

por jpt, em 09.05.20

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75 anos sobre a derrota alemã. A pior das guerras da História, o fim dum regime que foi realidade e símbolo da "colectivização do mal". E uma data tão simbólica - bodas de diamante com a paz, se se quiser. E ainda, cada vez mais raros, alguns veteranos combatentes (há algum tempo, em 2008, morreu o último "poilu", combatente francês da outra demência europeia de XX, a I GM. E no ano a seguir o último britânico). Que dia tão simbólico, que celebração! E, por toda a Europa, da Rússia de Putin à G-B de Johnson, e mesmo lá fora, com o nada confinável Trump, que contenção cerimonial. Numa data destas! Que mensagem...

Quando há duas semanas tantos se indignaram por cá com o perfil das "celebrações" das datas simbólicas em Portugal, logo o coro habitual se levantou, gritando "salazarentos". Pois era preciso, disseram, e disse-o Rodrigues, uma animação colectiva para mostrar que não viria aí nenhum "fascismo".

As formas cerimoniais por esse mundo afora, ontem e hoje, da celebração do dia da Vitória contra o pior dos fascismos reais, e de aversão às suas hipotéticas reanimações, foi a maior demonstração da mediocridade, tétrica, patética, destas figuras gradas que elegemos, deste Sousa e deste Rodrigues. E dos que os rodeiam.

Eu iria dizer que "só não viu isso quem não quis", só não percebeu o significado da diferença entre estas celebrações gerais do Dia da Vitória e as dos dias 25.4 e 1.5., quem realmente não o quer fazer.

Mas não seria verdade. Porque a abissal mediocridade que Sousa, Rodrigues et al mostraram neste pequeno episódio é a mesma que nós temos. Pois só uma população medíocre elege isto e gosta.

Férrea incoerência

por Pedro Correia, em 07.05.20

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Ferro Rodrigues, ontem, no hemiciclo de São Bento

 

«Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?»

 

As "celebrações" do 1º de Maio

por jpt, em 01.05.20

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Hoje, 1º de Maio e manifestações por aí. Tal como houve celebrações "em sala grande" e sem "mascaradas" no 25 de Abril. Então é dia para recordar esta postura de Mattarella, o presidente italiano, celebrando nesse mesmo 25 de Abril o 75º ano (número ainda mais simbólico) sobre a libertação italiana na II Guerra Mundial. Ou seja, o dia da liberdade, da democracia, do fim do jugo nazi-fascista. E da paz. Fazendo-o de modo tão mais simbólico, tão mais solidário, tão mais cidadão, tão mais democrata. Tão mais respeitador. E tão mais inteligente. Do que este paupérrimo duo Rodrigues-Sousa na festa chocha de São Bento e nas arruadas de hoje.

Porque precisa esta "esquerda" instalada, cinquentona, sexagenária, septuagenária, destas festividades? É um potlatch de incúria intelectual. Revivem um panteão risível, entre louvores aos múltiplos itens do "movimento comunista" e aquilo a que se chamava "terceiro-mundismo", agora dito "pensamento abissal". Utilizando como matéria-prima um grupo seleccionado, pouco orgânico, de militares apolitizados na sua maioria, e que pensaram consoante as suas circunstâncias de época. Disso amputando outros, que não correspondem aos desejos desta gente de agora, já apenas afectivos pois, de facto, mera disfunção ideária. É um ritual que serve para reforçar a "amnésia organizada" sobre a revolta de Abril e a revolução que se lhe seguiu. Manobra que lhes permite dizer, nas outras 51 semanas, todos os que não se revêm nesse vetusto imaginário de radicalismo marxista como "fascistas", "inimigos da democracia", "salazaristas". Não há outra razão para a parvoíce cerimonial desta semana. 

Assim a "vacinada" e "desmascarada" boçalidade de Rodrigues, acolhida pelo pusilânime Sousa, não só se contrapõe a esta simbólica grandeza de Mattarella, ali só a celebrar a queda final de Mussolini/Hitler. De facto, as patéticas manifestações (ditas, hipocritamente, celebrações) de hoje e a cerimónia de 25 de Abril servem para nos dizer, aos imunes ou convalescidos do apego totalitário, como "fascistas". A fronteira é fluída, mas cruza ali ao PS, puxada à "esquerda". 

Este ritual, falsificador da vida portuguesa, sobrevive nos dislates. Sempre desculpados pelo "afecto memorialista" com a "liberdade", com a (nossa) "juventude". Todos os anos se revive essa parvoíce. Nem falo da absurda capa de hoje do "Público", que é onde leva a patetice misturada com uma inenarrável candura, e a querer-se interventiva ...  Agora um bom e antigo amigo enviou-me um filme associando o novo líder do partido demo-cristão, um puto de 30 anos, com o salazarismo. Respondi-lhe, entre homens, invocando genitálias e "imoralidades" sexuais. Uma querida amiga chamou "Sua Excelência" ao abjecto terrorista assassino Carvalho, fui suave na reacção (e nem falei na piroseira) mas presumo-a ofendida. E pelas redes sociais abundam os dislates louvaminheiros do mesmo tipo. E não só cá: no mural de um intelectual moçambicano que, recorrendo a codiciosas demagogias textuais, entende dever ensinar-nos como viver,  um demo-cristão português é invectivado de fascista, neo-nazi, homossexual, (voz de) colono. E, para abrilhantar a festa, de branco. E comunistas portugueses - brancos, já agora, - vão lá aplaudir. Tal como o dono da casa o faz, ainda que muito democrata, como por cá o consideram os libertários. 

Celebrar o 25 de Abril é celebrar a Paz (que todos esquecem pois julgam secundária) e a Liberdade. E o 1º de Maio é celebrar os direitos laborais. Não é mistificar a história, falsificar o presente. E impensar. 

Assim sendo, com a imagem de Mattarella, vai daqui de Nenhures a minha saudação à UGT e aos sindicalistas do BE, que decidiram celebrar o dia dos trabalhadores como, neste momento, manda a ética de cidadania. E sei que muitos deles, ali na rapaziada bloquista, queimam incenso e mirra a uns totens execráveis. Mas portaram-se muito bem neste dia. Ao invés de outros, com mais responsabilidades institucionais. E de outros, profissionais intelectuais com obrigações analíticas.

Inaceitável

por Pedro Correia, em 23.04.20

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Amarga ironia: a única deputada independente do parlamento português é impedida de falar na sessão solene alusiva ao Dia da Liberdade.

Por mais que discorde do que Joacine Katar Moreira possa dizer, defenderei sempre o seu direito a falar no hemiciclo. Sobretudo num dia como este.

Se ela continuar impedida de subir à tribuna parlamentar no 25 de Abril, Ferro Rodrigues volta a cobrir-se de vergonha. Com máscara ou sem máscara.

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É assim que Ferro Rodrigues responde a quem lhe pergunta se os deputados usarão máscaras nas celebrações do 25 de Abril. Nem vale a pena elaborar sobre isto, este homem. Está a gozar com a tropa, com todos nós. Está a bombardear o esforço, estatal, de disseminar o uso de máscaras. Encerrado na sua mediocridade, na sua senilidade, na sua arrogância. Os apaniguados deste mono sustentam-no como segunda figura do Estado. Que gente ...

Isto das "celebrações" mostra bem o espírito de casta, fermentado na cultura maçónica e da sua estreita abordagem ao simbólico, da gente que gere o país. Acima do povo. Não vale a pena bradar sobre o fraco que é Ferro Rodrigues, pois apenas corresponde ao que há. Ou sobre a superficialidade do PR, também correspondente ao que o povo vota(ou?). Mesmo com o que João Soares disse - ainda que também ele maçónico, note-se -, mostrando senso político, talvez herdado, continuam as patetas proclamações. Imensos clamam que estando a AR a funcionar nada obsta a uma cerimónia com pompa, como se o assunto seja o do horário de uma repartição. E vão convictos nisso, como se defendessem "Abril".

A questão é de como as pessoas recebem isto no seu íntimo. Luis Naves, nosso co-bloguista aqui no Delito de Opinião, perdeu o pai (os meus pêsames). Narra que o funeral apenas teve 11 pessoas, "uma a mais do que o permitido". Na última semana três pessoas que me são próximas vivem situações semelhantes (um funeral paterno, duas impossibilitadas de acompanhar pais nonagenários, muito doentes, sem Covid). São coisas diferentes? São, mas o relevante é o impacto na população, as formas como a acção política é lida e sentida. Quando pessoas que há décadas vivem na e da política não o compreendem isso é sinal da degenerescência do regime. E do quão obtusos são muitos dos cidadãos que, por estreita militância de sofá, sentem que apoiar é tudo aceitar.

João Gonçalves escreveu ontem um postal no FB sobre o facto da rainha de Inglaterra ter, pela primeira vez, suspendido as celebrações públicas do seu aniversário (que têm, no seu simbolismo, uma dimensão política). Veja-se o inusitado eco desse postal, muito significante. Entretanto Putin cancelou as celebrações da vitória na II Guerra Mundial, as quais têm uma dimensão extrema de exaltação nacionalista e de afirmação deste presidente. Ao invés, por cá temos o "poeta de combate" Manuel Alegre a sair à liça, em retórica falsária, a defender "Abril" - quando o que se pede, e ele aldraba na contestação, é uma frugalidade simbólica, uma densidade política.

E tudo se fará para festejar com pompa, ao invés do que mandaria a prudência sanitária (pelos efeitos no comportamento das pessoas, não pela higiene da cerimónia) e a comunhão política (idem). Também para que se possa dar realce simbólico e político a um homem tão básico como Vasco Lourenço. Esse que, exaltado com a proximidade de "Abril" onde terá o seu momento anual de consagração, acaba de apelar ao golpe militar no Brasil. E ao qual os seus correligionários maçónicos tanto abraçarão entre pompas e cerimónias, "para brasileiro ver".

Claro que ao dizer isto convoco que as rasteiras invectivas, os urros de "bolsonarista", "fascista". Exactamente daqueles que andam aí a defender "Abril" deste modo. Para um ou outro escasso imbecil que ainda apoie esta arrogante medida mas que ainda tenha no seu recôndito âmago uma escassa centelha de inteligência (é uma hipótese meramente académica) deixo o trailer deste fraco filme, sobre os dias subsequentes à morte da princesa Diana. O qual valerá apenas por Helen Mirren. Mas há um detalhe que me tem vindo à memória nestes dias em que se discute o simbólico das celebrações ("quer-se dizer", há imensos imbecis que nem percebem o que é "simbólico" mas que para aí andam a falar como "doutores"). Resumo-o:

Diana morreu, comoção generalizada, e crise pois o povo reclama do que considera ser falta de apreço real pela princesa. A quebra de popularidade da Coroa virá a ser enorme, e levará década a sarar. Nos dias prévios ao funeral Blair, muito popular, tenta remediar a situação.

Ora um dos factos que indigna a população, em luto pela "princesa do povo" como lhe chamou Blair, concentrada diante do palácio e das tvs, foi que a bandeira no palácio não fora colocada a meia-haste, como se deveria fazer em sinal de luto. Correu que era o sinal do menosprezo real pela princesa. E estupefacção da rainha quando Blair lhe pede para mandar colocar a meia-haste a bandeira. Pois aquela, no seu simbolismo peculiar, é o pavilhão real, apenas içado para significar a presença da rainha. Tem um significado diferente da bandeira nacional, essa sim passível de ser colocada a meia-haste. Mas as pessoas não conheciam esse detalhe, hoje em dia esquecido. E atribuíam outro significado - político -, julgando-o uma afronta.

É um filminho, não é preciso ser cinéfilo para o ver ou conhecer. João Soares viu-o. O pai dele sabia da poda. Esta gente de agora, aprisionados na sua mentalidade de casta, na jactância, nada percebem. São os coveiros de "Abril". Com a voz cava e vácua de Alegre, e a patetice grosseira de Lourenço e Rodrigues. E dos seus sequazes.

De mordaça e cravo

por Pedro Correia, em 18.04.20

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Há duas semanas, o presidente da Assembleia da República enfureceu-se com um vice-presidente da bancada do PSD porque este partido tinha "deputados a mais" na sala de sessões do parlamento. Há dois dias, com uma rispidez muito semelhante, o mesmo Ferro Rodrigues insurgiu-se contra um deputado do CDS que protestava contra a anunciada presença de mais de duas centenas de pessoas no mesmíssimo local, a pretexto da celebração do 25 de Abril. Praticamente mandando calar o deputado, sob a alegação de que aquele tema não era para tratar ali. Como se entre as competências da segunda figura da hierarquia do Estado estivesse a de fornecer guiões aos deputados para falarem daquilo que ele considere politicamente correcto.

É inaceitável que para o trabalho regular no hemiciclo apenas um quinto das bancadas devam estar preenchidas, alegando-se grave risco sanitário, mas para celebrar o feriado esse risco esmoreça ao ponto de ser expressamente ali autorizada a presença de um terço dos deputados. Com o alto patrocínio do Presidente da República, que há quase um mês se apressou (e bem) a cancelar as cerimónias do 10 de Junho, Dia de Portugal. E no preciso local onde por esmagadora maioria já se autorizou por três vezes um estado de emergência que impõe a clausura compulsiva dos cidadãos e a supressão de vários direitos e liberdades. Incluindo o direito de manifestação, o direito de reunião, o direito de resistência, o direito à greve, a liberdade de circulação, a liberdade de emigração e a liberdade de culto.

Irão suas excelências comparecer de mordaça (perdão, de máscara) e cravo? Eis uma original forma de "celebrar Abril".

Ferro proibicionista

por Pedro Correia, em 16.12.19

Em tempos proibicionistas, com a liberdade de expressão cada vez mais comprimida, o senhor Ferro Rodrigues lembrou-se de interditar a palavra "vergonha" naquele que devia ser o espaço da liberdade por excelência: o hemiciclo da Assembleia da República. Um local onde desde o tempo da monarquia constitucional se pronunciaram as mais acaloradas diatribes contra o poder de turno e só foi transformado em mausoléu da interdição durante os anos em que ali se sentavam as silenciosas sumidades da Assembleia Nacional.

Se "vergonha" é expressão a banir, com horrores de blasfémia, questiono-me o que acontecerá no dia em que um deputado da Nação se atrever a proclamar que se está «cagando para o segredo de justiça». Mas talvez aqui o senhor Ferro Rodrigues abrisse uma benevolente excepção.

Ferro Rodrigues

por jpt, em 14.12.19

0378.jpgQuando vivia em Maputo contactei - por razões profissionais ou conjugais - com inúmeros governantes portugueses ali visitantes, na sua maioria socialistas. Oscilavam entre o pungente (Vitalino Canas era um exemplo tétrico de défice mental) à extrema compostura arguta (Sousa Franco ou Luís Amado foram disso exemplos). Isto não é uma avaliação política: um imbecil nunca poderá ser bom governante mas alguém muito decente e capaz pode falhar rotundamente. É apenas uma consideração pessoal. Recordo isto devido ao episódio "vergonha" que Ferro Rodrigues acaba de protagonizar na AR a que preside. Pois há cerca de duas décadas ele visitou Maputo como ministro e a impressão que deixou foi a melhor: educado, afável, muito bem preparado.

Politicamente pouco me interessa. Para mim ele é, acima de tudo, o homem que acabado de ser eleito presidente do grupo parlamentar do PS, sob o novo secretário-geral Costa, foi discursar ao parlamento reclamar o legado governativo de Sócrates (estava este, então recém-regressado ao país, a pavimentar a sua via para Belém, entre posfácios de Eduardo Lourenço, conferências sobre Rimbaud, e elogios alheios ao seu magnífico PEC4). O qual foi detido logo a seguir (julgo que até na semana seguinte). E deixemo-nos de coisas, se até eu, mero emigrante de longo prazo, vulgar antropólogo docente, sabia desde 2007/8 das trapalhadas da banca, das aleivosias da malta que o rodeava, das coisas bem estranhas dos negócios em Moçambique (sobre as quais ninguém fala), do combate à liberdade de imprensa - e do quão misteriosa era a fonte dos seus recursos pessoais - é completamente impossível que o seu predecessor no PS tudo ignorasse. Sabia-o perfeitamente, sabiam-no os seus mais próximos (como o sabiam todos os membros daqueles governos, e o pessoal "menor" circundante daquele poder). Ou seja, Ferro Rodrigues não foi apenas conivente com o socratismo. Reclamou-o como legado a preservar. E o seu opróbrio (vede como evito o termo "vergonha") é esse.

Pode agora surgir Ferro Rodrigues a querer censurar o léxico do extremo-direitista Ventura, erro crasso que este muito agradece, como é óbvio. Mas o que me nada me surpreende é a impudicícia (vede como evito o termo "vergonha") com que os socialistas defendem esta patetice. Explico-me melhor: acabo de ler no mural FB de um prestigiado socialista a sua reflexão sobre o caso, até elíptica. E no seu mural há um comentário que ele acolhe, e até responde plácido ainda que discordante: trata-se de uma veemente concordância com Ferro Rodrigues aposta por um deputado (poeta,filósofo, bloguista) importante deste poder. Porfírio Silva de seu nome, o homem que acusou Passos Coelho de usar o cancro da sua mulher como propaganda eleitoral.

A minha pergunta é esta: pode Ferro Rodrigues, que aceita ombrear no seu grupo parlamentar com um filho da puta destes, ter algum critério sobre o léxico alheio? E já nem pergunto o mais óbvio, pode alguém que aceita dialogar com um filho da puta daqueles colher algum respeito pelas suas opiniões?

No meio disto quem se sai a rir, claro, é o comentador da bola. Irá longe, parece-me.

Frases de 2019 (12)

por Pedro Correia, em 26.04.19

«Se [as eleições] fossem amanhã, não tinha dúvidas.»

Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, admitindo votar Marcelo Rebelo de Sousa nas próximas presidenciais

Atenção

por Rui Rocha, em 17.05.18

Não é necessário estar a favor de um para ser contra o outro. Podemos exigir simultaneamente a demissão de Bruno de Carvalho e Ferro Rodrigues.

A tribo do futebol.

por Luís Menezes Leitão, em 16.05.18

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O antropólogo Desmond Morris publicou uma vez um livro intitulado A tribo do Futebol, defendendo que o comportamento dos adeptos desportivos tem raízes no nosso passado mais primitivo, corresponde a uma forma de competição entre tribos que desde a pré-história faz parte do comportamento humano. E de facto quando os factores identitários tradicionais estão em crise, as pessoas agrupam-se através das suas preferência clubísticas, esquecendo toda e qualquer racionalidade, e seguindo o chefe da tribo em qualquer direcção mesmo que para o abismo.

 

A situação que o Sporting está a atravessar já foi atravessada por outros clubes, como o Benfica no tempo de Vale e Azevedo, mas isso não desculpa a irracionalidade em que aquele clube decidiu cair, num processo autofágico absolutamente destrutivo. Hoje um clube desportivo e uma sociedade desportiva gerem um património de milhões, em passes de jogadores, contratos televisivos, contratos publicitários, etc. É manifesto que esse património não pode ser posto em causa por estados de alma de um presidente. Mas a verdade é que facilmente esse presidente consegue obter votações albanesas dos sócios, mesmo quando qualquer observador sereno vê que a situação está a atingir o descalabro. O que esta história está a demonstrar é que os clubes de futebol não têm uma estrutura com os adequados pesos e contrapesos que o património que possuem e as aspirações dos adeptos exige. Numa qualquer outra sociedade, qualquer presidente que começasse a tomar decisões claramente contrárias aos interesses da empresa seria imediatamente destituído. Nos clubes de futebol limita-se a dizer que está a ser injustamente atacado pelos inimigos do clube e apela à união dos sócios que imediatamente o reconfirmam de olhos fechados, permitindo-lhe continuar a avançar até a situação chegar ao descalabro.

 

Mas o mais triste disto tudo é que os políticos vão pactuando com esta situação, havendo deputados comentadores desportivos e recepções aos clubes desportivos nas câmaras municipais, numa promiscuidade entre a política e o futebol a todos os títulos indesejável. As únicas excepções de que me recordo foram António Guterres, que se recusou sempre a receber Vale e Azevedo, e Rui Rio, que deixou sempre claro a Pinto da Costa quem é que mandava no Porto. Os restantes políticos fazem questão em assumir proximidade aos dirigentes desportivos, até aceitando convites para o futebol. Mas acho que se ultrapassam todos os limites, quando o Presidente da Assembleia da República acha que deve comentar a actuação do presidente de um clube de futebol. É nessa altura que acho que não foi só o Sporting, mas o próprio país que bateu no fundo.

Com franqueza, já cheira mal

por Pedro Correia, em 26.04.18

Algumas almas andam por aí aos gritinhos, clamando contra putativas violações do "segredo de justiça" - matéria que só lhes interessa, por coincidência, quando a beautiful people, habituada a beber do fino nos cenáculos da capital, senta o traseiro no banco dos réus.

Entre o direito à informação e o "segredo de justiça", nem pestanejam: elegem o segredo. Curiosamente, esta tribo dos gritinhos inclui várias pessoas alegadamente portadoras de carteira profissional de jornalista, que disparam impropérios contra quem relata e noticia, enquanto entoam hossanas a quem omite e silencia. Estranha forma de exercer o jornalismo, entre a venda e a mordaça.

Sendo o segredo de justiça um instrumento processual, de modo algum pode ser colocado no mesmo patamar da liberdade de imprensa ou da liberdade de expressão, queiram ou não queiram os defensores das novas formas de censura. Se alguém tem consciência disto é a actual segunda figura do Estado português, cuja frase mais célebre contribuiu para clarificar a questão: "Estou-me cagando para o segredo de justiça!"

Com franqueza, tanta polémica a propósito disto já cheira mal.

Mais vale prevenir

por Rui Rocha, em 21.07.17

14 de Julho - Bebidas portuguesas ganham 1 medalha de prata e 3 de bronze no International Spirits Challenge 2017

15 de Julho - Portugal perde final frente à Inglaterra no Euro sub-19 e fica-se pelo 2º lugar

16 de Julho - Joana Vasconcelos e Francisca Laia conquistam medalha de prata no K2 200 metros

16 de Julho - Fernando Pimenta conquista a medalha de prata em K1 5000

20 de Julho - A ciclista Maria Martins, mais conhecida por “Tata”, conquistou a medalha de prata na prova júnior de eliminação no European Track Championship U23 & Junior.

20 de Julho - Surf: Frederico Morais perde final na África do Sul.

 

Há que saber interpretar os sinais e o significado disto é muito claro. Desde que o Salvador Sobral ganhou a Eurovisão e foi convidado para almoçar com o Ferro Rodrigues, os portugueses que participam em competições internacionais, à cautela, recusam-se a ficar em 1º lugar. Alguns, mais prudentes, optam mesmo pela medalha de bronze não vá o Diabo tecê-las. É um comportamento que altera a verdade desportiva mas que se compreende atendendo ao que está em jogo.


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