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Pensamento para o dia de hoje

por Pedro Correia, em 21.12.18

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«Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando, por um milagre de desnacionalização temporária, pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento, ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa, porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção da sua crítica.»

 

Fernando Pessoa, Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional 

Ele há pessoas e há Pessoa

por Ana Vidal, em 13.06.16


Hoje não é só o dia de Santo António. É também o dia em que nasceu Fernando Pessoa (curiosamente, Santo António também se chamava Fernando), essa extraordinária excepção humana que, para nossa sorte, teve como pátria a língua portuguesa. Pensava à velocidade da luz e numa amplitude de registos tal que vai da complexidade da Ode Marítima ao léxico minimalistana e quase cómico do drama de bairro espelhado na carta de uma corcunda apaixonada por um vizinho indiferente. Mas o que mais me espanta nesta cabeça vertiginosa não é a explosão mental ininterrupta - muitos outros cérebros anónimos a terão, rotulados como casos patológicos e medicados para se manterem numa "normalidade" controlada - mas sim a capacidade que tinha, verdadeiramente única, de registar tudo o que pensava à mesma velocidade, com método, clareza e coerência. Essa capacidade, mais do que tudo o resto, define um prodígio.

 

Aqui fica uma nota biográfica escrita e assinada pelo próprio. Fico a imaginar se lhe terá servido de apresentação para conseguir um emprego, e a reacção de quem a recebeu. Que patrão arriscaria medir forças com um funcionário deste calibre? 

 

[NOTA BIOGRÁFICA] DE 30 DE MARÇO DE 1935

“Nome completo: Fernando António Nogueira Pessoa.

“Idade e naturalidade: Nasceu em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de S. Carlos (hoje do Directório) em 13 de Junho de 1888.

“Filiação: Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim António de Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto e que foi Director-Geral do Ministério do Reino, e de D. Madalena Xavier Pinheiro. Ascendência geral: misto de fidalgos e judeus.

“Estado: Solteiro.

“Profissão: A designação mais própria será «tradutor», a mais exacta a de «correspondente estrangeiro em casas comerciais». O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação.

“Morada: Rua Coelho da Rocha, 16, 1º. Dt.º, Lisboa. (Endereço postal - Caixa Postal 147, Lisboa).

"Funções sociais que tem desempenhado: Se por isso se entende cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas.

“Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações ocasionais. O que, de livros ou folhetos, considera como válido, é o seguinte: «35 Sonnets» (em inglês), 1918; «English Poems I-II» e «English Poems III» (em inglês também), 1922, e o livro «Mensagem», 1934, premiado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, na categoria «Poema». O folheto «O Interregno», publicado em 1928, e constituído por uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que repudiar muito.

“Educação: Em virtude de, falecido seu pai em 1893, sua mãe ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o Comandante João Miguel Rosa, Cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali educado. Ganhou o prémio Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.

“Ideologia Política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, embora com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é, liberdade dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário.

"Posição religiosa: Cristão gnóstico e portanto inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.

“Posição iniciática: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templária de Portugal.

“Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: «Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação».

“Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.

“Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos – a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania”.

Lisboa, 30 de Março de 1935

Fernando Pessoa

(In Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, ed. Richard Zenith, Assírio & Alvim, 2003, pp. 203 - 206.)

 

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(carta astral de Fernando Pessoa)

 

Nota: Informação encontrada no site da Casa Fernando Pessoa.

E com Ricardo Reis, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Creio que é a isto que chamam uma partida simultânea.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.01.14

 

Contos Completos, de Fernando Pessoa

(edição Antígona, 2ª edição, 2013)

Festival do Desassossego

por Patrícia Reis, em 10.06.13

PROGRAMA FESTIVAL DO DESASSOSSEGO
CASA FERNANDO PESSOA


11, 12 e 13 de JUNHO 2013
Dia 11
16h - Exibição do filme Pessoa, Pessoas Brasil
17h - Sessão inaugural.
Boas-vindas pela Directora da Casa Fernando Pessoa, Embaixador do Brasil e Vereadora da
Cultura da CML.
Leituras de Portugal e do Brasil, poemas lidos por:
Antonio Cicero
Gastão Cruz
Golgona Anghel
Maria do Rosário Pedreira
Maria Teresa Horta
Nuno Júdice
19h - Varandas do Desassossego (Associação Tenda)
Dia 12
16h - Exibição do filme: Consideração do Poema do Instituto Moreira Salles
17h – Lançamento de “Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz: correspondência amorosa completa
1919 – 1935” (edição Capivara) com Eduardo Lourenço, Richard Zenith e os editores Bia
e Pedro Corrêa do Lago
18h - Debate: A prosa de Portugal e do Brasil na voz de quem a escreve
(moderação de Maria Manuel Viana)
Amílcar Bettega, Jacinto Lucas Pires, João Gabriel de Lima, José Luís Peixoto e Teolinda Gersão.
Dia 13
14h30 - Exibição do filme: Um serão com Caetano
16h - Debate: Literatura e jornalismo, amantes da travessia
(moderação de Patrícia Reis)
Bia Corrêa do Lago, João Gabriel de Lima, José Carlos de Vasconcelos e Rui Zink.
18h - Debate: Há uma poesia de língua portuguesa?
(moderação de Inês Pedrosa)
Antonio Cicero, Fernando Pinto do Amaral, Nuno Júdice e Teresa Rita Lopes.
21h30 - Concerto de Jorge Palma.

 

 

«Não há normas. Todos os homens são excepção a uma regra que não existe.»

Fernando Pessoa (1888-1935)

A pátria e os seus poetas

por José Navarro de Andrade, em 16.05.12

O cliché é uma ferramenta inestimável para entendermos melhor o mundo. Ele mostra aquilo que persiste na memória e no olhar dos outros em relação a nós.

Este “nós” pode ser um alemão, irritado pela forma como o “outro”, por exemplo um português, olha para ele: um tipo autoritário e escrupuloso, hirto nas emoções, bebedor de cerveja, sem sentido de humor.

Seja então o “nós” um português que tenha acabado de ler o modo como a revista “Time” salienta os pontos “interessantes” (outro adorável cliché) de Lisboa na sua secção “travel”.

A “Time” é uma gloriosa sucessão de clichés, sob o formato de news magazine, ou seja, pretende informar com “interesse” quem esteja disponível para a leitura durante o shuttle aéreo entre Londres e Paris. Nada disto merece reparo até porque é tecnicamente irrepreensível, tanto o alvo (a classe média/alta europeia) como o critério editorial (os temas “importantes” – cliché! – da semana), como o ponto de vista (neutro, urbano, sintético, escrito com extraordinária eficácia, quer no que respeita à clareza, quer no que toca à elegância).

Sobre Lisboa a “Time” tudo faz para seduzir o seu leitor a dar um saltinho de fim-de-semana a esta cidade periférica, suficientemente exótica para prometer romantismo e suficientemente civilizada para não que não se desconfie da higiene das saladas. Lá está o rosário de clichés, pintados com cores amáveis e atraentes: os pastéis de nata, os Jerónimos, o bacalhau, o vinho do Porto, o eléctrico 28, a Brasileira, a Ler Devagar.

Só que a meio de tão branda prosa salta um cliché, absolutamente verdadeiro, mas verdadeiramente penalizante para o nosso orgulho nacional que vivendo de ilusões, não passa de prosápia: “… the eternal statue of famed local poet Fernando Pessoa.” Sim “local”, quer dizer: paroquial, pitoresco, curioso, interessante, lá está…

O problema é a “Time”? Não o problema somos nós. Somos de facto paroquiais e pitorescos, gastamos toda a energia às palmadas uns aos outros, ora na cara ora nas costas, e somos incapazes de olhar para lá de Badajoz e trabalhar muito, muitíssimo, para que fosse outro o cliché acerca de Fernando Pessoa.

Bom fim de semana

por Patrícia Reis, em 13.04.12
"Que nenhum filho da puta se me atravesse no caminho!
O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim!
Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo, deixa-me ir…
É comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito…"

Álvaro de Campos

As provocações de Pessoa ao Delito

por Ana Lima, em 13.06.11

No dia em que passam 123 anos sobre o nascimento de Fernando Pessoa ficam aqui umas citações provocatórias:

 

"Ter opiniões é estar vendido a si mesmo. Não ter opiniões é existir. Ter todas as opiniões é ser poeta."

"Não tenhas opiniões firmes, nem creias demasiadamente no valor das tuas opiniões. Sê tolerante, porque não tens a certeza de nada."

"Uma opinião é uma grosseria, mesmo quando não é sincera."

"Ter opiniões é a melhor prova da incapacidade de as ter."

 

in PESSOA, Fernando / Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Lisboa, Relógio d'Água, 2008, págs. 184, 237, 252, 337
 
 

"Caça aos pombos"

por Ana Sofia Couto, em 06.03.11

O jornal Expresso oferece esta semana o livro Fernando Pessoa – Ensaio Interpretativo da sua Vida e da sua Obra, de João Gaspar Simões. Não é o monumental Vida e Obra, com quase 700 páginas, mas apresenta a mesma tese freudiana. A propósito disto, lembrei-me de um texto sobre Fernando Pessoa e Ofélia Queirós que li há pouco tempo. Procurando questionar uma certa interpretação (que começou com Gaspar Simões) do namoro, a autora, Anna M. Klobucka, comenta a carta em que Pessoa escreve ao seu ‘bebé’: «Sabes? Estou-te escrevendo mas não estou pensando em ti. Estou pensando nas saudades que tenho do tempo da caça aos pombos, e isto é uma coisa, como tu sabes, com que tu não tens nada…». Enquanto outros exegetas da obra de Pessoa tinham lido nestas palavras a repetição da nostalgia da infância, e encontrado na carta mais uma prova da negatividade da relação entre os namorados, o ensaio mostra, pelo confronto com as cartas de Ofélia, que os «pombos» eram, exactamente, o peito dela.

 

O ensaio de Anna M. Klobucka, “Finalmente Juntos”, está incluído em O Corpo em Pessoa: Corporalidade, Género, Sexualidade (Assírio & Alvim, 2010).

Ler Fernando Pessoa

por Jorge Assunção, em 26.08.09

"O operário ou o empregado é considerado como um ente à parte, fora do giro económico da sociedade onde vive, misteriosamente desligado do industrial ou comerciante que o emprega, e do consumidor a quem este serve. Legisla-se em favor do operário ou empregado contra o comerciante e o industrial; e contra o consumidor; e supõe-se que sobre esse mesmo empregado ou operário não recairão nunca os efeitos da legislação.

 

“As algemas,” Revista do Comércio e Contabilidade, n. º 2, Fevereiro de 1926


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