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Eurobonds

por José António Abreu, em 09.05.12

Ou como esvaziar os mealheiros que ainda têm algumas moedas.

As contradições de Durão Barroso.

por Luís Menezes Leitão, em 06.12.11

 

Uma das razões evidentes para estarmos a assistir ao descalabro da União Europeia reside no total apagamento da Comissão Europeia e do seu Presidente Durão Barroso. A Comissão deveria ser a guardiã dos Tratados, mas assiste passivamente à transferência do poder para um (formalmente dois) dos Estados-membros, que se permite até exigir um novo Tratado. Como aqui escrevi, um tratado imposto por um (vá lá, dois) dos Estados-Membros aos outros constitui na prática um Diktat, fazendo lembrar os acordos de Munique que resultaram no desmembramento do Estado checoslovaco. A União Europeia está assim a perder o seu cariz de União de Estados, passando a ser a imposição de sucessivos protectorados.

 

Ora, Durão Barroso deveria estar na primeira linha de combate contra esta situação. Infelizmente, no entanto, entra em sucessivas contradições, cedendo facilmente à mínima pressão alemã. Se não vejamos. Há uns tempos Durão Barroso anunciou que iria apresentar para breve propostas sobre eurobonds, tendo insistido nelas, e até se falou que haveria um braço-de-ferro entre ele e Angela Merkel. Se havia um braço-de-ferro ele perdeu-o, pois hoje já aparece alinhado com o discurso da chancelerina a dizer que "os eurobonds não são a resposta correcta para a crise" e que "só poderão existir a muito longo prazo". Só que, como diria Keynes, a longo prazo estaremos todos mortos.

 

Mas há que reconhecer que ainda antes de ter tido lugar, a cimeira europeia foi um êxito estrondoso. Já se conseguiu que os países europeus e as instituições da União Europeia falem todos a uma só voz: é a voz de Berlim.

A lógica dos eurobonds aplicada ao consumidor médio

por José António Abreu, em 19.09.11

Adquiri um montão de coisas no Continente e na Worten, recorrendo a créditos que fui pagando com novos créditos. Durante uns tempos correu tudo bem mas agora ninguém – bancos, empresas de crédito rápido, familiares, amigos – aceita emprestar-me mais dinheiro. Cheguei a preocupar-me mas já descobri a solução: enviei uma mensagem de correio electrónico para a Sonae propondo que solicitemos crédito em conjunto. Ainda não responderam mas não podem recusar – afinal, quem é que lucrou com as minhas compras?

Os eurobonds

por Luís Menezes Leitão, em 16.09.11

 

A discussão em torno dos eurobonds constitui um claríssimo exemplo do desnorte que continua a existir na Europa e que infelizmente também parece ocorrer a nível interno. É evidente que os eurobonds são do interesse dos países endividados pois constituem uma forma de fazer os outros países responsabilizar-se pelas dívidas que aqueles assumiram. Nesse âmbito, também são do interesse dos mercados pois diminuem claramente o risco dos credores desses países. E são finalmente do interesse dos órgãos comunitários, uma vez que ao responsabilizar todos os Estados-membros pela dívida, estabelecem uma maior união europeia, transmitindo ao mundo a ideia de que na Europa estão todos no mesmo barco.

 

Os eurobonds não são, no entanto, naturalmente do interesse dos países do Norte, que não estão disposto a pagar pelas dívidas do que chamam "os bárbaros do Sul". Por isso a sua introdução só poderia resultar de um jogo de cedências em que esses países compreendessem que têm mais a ganhar ao assumir esse custo  financeiro do que os custos que resultariam para eles do descalabro do euro. Mas estamos a falar de democracias e as opiniões públicas desses países estão fortemente contra o negócio, o que leva os seus governantes a perceber que não o podem executar. Já não existem hoje governantes da estatura de um Helmut Kohl que impôs a reunificação alemã nas condições pedidas pelos alemães do leste, mesmo contra a opinião maioritária dos que o elegeram.

 

É por isso compreensível que Durão Barroso proponha os eurobonds e que Angela Merkel os rejeite liminarmente. O que é de estranhar é que Angela Merkel tenha conseguido paralisar a discussão até este momento. O resultado da sua tomada de posição é que o debate já surge tarde demais uma vez que começa a ser evidente que os eurobonds já não terão triple A, pelo que neste momento a sua introdução já não trará todos os benefícios que poderia trazer.

 

O que é absolutamente incompreensível é posição de Passos Coelho que, sendo Primeiro-Ministro de um país com óbvio interesse nos eurobonds, aparece em Berlim a defender a posição alemã contrária aos mesmos. E a seguir até critica a posição do Presidente da Comissão Europeia, o nosso conterrâneo Durão Barroso, dizendo que "compreende" a sua proposta, mas que não pensa "que seja essa a solução para o problema de hoje". Quando Passos Coelho diz que a Europa tem de falar a uma só voz, estar-se-á a referir à voz de Berlim?

 

Há um princípio que qualquer governante português deveria seguir: é a de que não interessa nada cair nas boas graças de governantes estrangeiros defendendo posições evidentemente contrárias aos nossos interesses. Já há 150 anos Lord Palmerston dizia: "England has no eternal friends, England has no perpetual enemies, England has only eternal and perpetual interests". E Mao Tsé-Tung referiu um princípio de combate simples: "Devemos apoiar tudo que o inimigo combate, e combater tudo o que o inimigo apoia". Pelos vistos Durão Barroso, que tem essa formação política, não se esqueceu desta regra simples.


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