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Delito de Opinião

A ambição do país

Paulo Sousa, 23.06.21

Vivemos num país em que a matemática só entusiasma quando se está num apuramento para, ou durante, uma competição internacional de futebol.

Ainda os jogadores não tinham regressado ao balneário, após a derrota com a Alemanha, e já os mais talentosos matemáticos de bancada tinham sossegado o país com a garantia de que no jogo de hoje, com a França, até podemos perder por dois golos que continuamos na competição.

Se a Selecção das Quinas fosse treinada pelo PS, a táctica teria sempre a derrota como objectivo, mas só por dois golos. Se conseguíssemos esse objectivo ambicioso festejaríamos emocionados essa grande vitória. Se por azar, ou arte do adversário, sofrêssemos o terceiro golo, então a cabeça do responsável de gestão do Regulamento Geral da Protecção de Dados da Federação teria de rolar. Com coisas sérias não se brinca.

Um telegrama alemão

João André, 21.06.21

Em 1886, um major do novo exército alemão telegrafou aos seus superiores um novo conceito ofensivo. Estes receberam a nova ideia de forma tão positiva que a incorporaram imediatamente como parte dos manuais de guerras alemães, apesar da sua especificidade em combate. este conceito ganhou tanta popularidade que se tornou parte da mentalidade Junker, que dominava o exército alemão. Em 1914, o General Moltke tinha-o tão incorporado na sua abordagem à guerra que preparava como os horários ferroviários necessários à sua estratégia ofensiva. Durante 1939-1941, Guderian e Rommel modernizaram o conceito e adaptaram-no às suas tácticas no uso de tanques. Na Europa pós-Guerra, tanto a NATO como o Pacto de Varsóvia adoptaram os conceitos às suas disposições ofensivas e defensivas, o que terá em grande parte contribuído para o impasse que resultou na ausência de hostilidades entre os dois lados. Após 1989, a Alemanha unificada introduziu estes conceitos, sob uma forma política, na sua Constituição, os quais têm sido utilizados em certos casos nos argumentos do Tribunal Constitucional Federal alemão, em Karlsruhe, para rejeitar certas medidas da União Europeia.

Falo, obviamente do conceito táctico de enviar a bola para as costas dos defesas laterais portugueses.