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The Great Stink

por Cristina Torrão, em 13.03.20

Muitos de nós pensavam (e falo por mim) que pandemias deste tipo como a que estamos a viver já não seriam possíveis. Mas, em pleno século XXI, e apesar de tantos avanços na Medicina, cá estamos nós a tremer perante um ser microscópico. Li, algures, que, ao contrário do que pensamos, o planeta Terra não pertence ao ser humano, mas, sim, a esses seres minúsculos que apelidamos de vírus e bactérias. Dá que pensar…

Enfim, para desviarmos um pouco o pensamento da situação actual, mas aproveitando o tema, resolvi falar-vos hoje sobre um documentário que vi há dias e que foi igualmente elucidativo sobre a maneira de pensar e agir dos políticos. O programa, no canal ZDFinfo, mostrava as entranhas de Londres, nomeadamente, a rede metropolitana mais antiga do mundo e o sistema de canalização. É sobre este último que vou falar.

Em meados do século XIX, Londres era a cidade mais populosa do mundo. Mas era também a mais mal-cheirosa. Na sequência da Revolução Industrial, cresceu sem as infra-estruturas adequadas (como tantas vezes acontece) e sucediam-se as epidemias de cólera. Não havia sistema de escoamento de águas inquinadas e, além da porcaria que se amontoava pelas ruas, o rio Tamisa era uma fossa a céu aberto. Tudo o fosse dejectos lá ia parar, não havia peixe que resistisse.

A situação tornava-se insustentável e o engenheiro Joseph Bazalgette desenvolveu um projecto de uma rede de 135 km de túneis, com uma inclinação especial, que permitia controlar as águas inquinadas, guiando-as igualmente para o Tamisa, mas para fora da cidade, perto da foz. Quando o apresentou ao Parlamento, porém, os políticos mostraram-se chocados com a obra gigantesca, que custaria rios de dinheiro. E, de repente, já não tinham pressa nenhuma em resolver o assunto. Afinal, quem morria às resmas era o povoléu, amontoado nos seus bairros insalubres.

A pretexto de modificações nos planos, iam adiando a questão sine die, Joseph Bazalgette chegou a apresentar cinco versões do seu projecto. Até que chegou o Verão de 1858, conhecido na História como The Great Stink. Verificaram-se calores inabituais na capital britânica e o Tamisa exalava mais fedor do que nunca. Ora, acontece que o Parlamento inglês se encontra precisamente nas margens do rio, chegando o cheirete às narinas sensíveis dos políticos numa intensidade nunca experimentada. Foi remédio santo: finalmente se aprovou o projecto, orçamentado em três milhões de libras.

A obra demorou cerca de quinze anos a ser concluída, mas a rede de túneis de Joseph Bazalgette é, ainda hoje, a base do sistema de canalização londrino.


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