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Uma desgraça

por Pedro Correia, em 31.07.20

 

- Durante três meses, é ou não verdade que houve pessoas em situação absolutamente desesperada, com uma quantidade de dinheiro por mês que é insuficiente, para dizer o mínimo?

- Houve muitas pessoas...

- Sente que falhou a essas pessoas?

- Ó... ó... vamos lá ver. O Estado, durante esse tempo, aprovou medidas muito importantes de apoio social...

- Claro. Como por exemplo o lay-off simplificado para as empresas...

- O lay-off simplificado...

- Sabe quanto tempo é que essa medida demorou a ser aprovada?

- Mas... oiça... vamos ver...

- Senhora ministra: sabe quanto tempo?

- Eu sei quanto tempo.

- Quanto?

- Eu sei quanto tempo.

- Quanto?

- Mas há uma coisa... há uma coisa que é preciso...

- Quanto tempo, senhora ministra?

- Há uma coisa que é preciso... há uma coisa que é preciso... 

- Vou replicar a pergunta: sabe quanto tempo é que o lay-off simplificado demorou a ser aprovado?

- Sei. E há uma coisa que é preciso aqui realçar. É preciso realçar o seguinte: todos os dados...

- Eu vou deixá-la realçar o que entender, mas gostaria de insistir nesta questão. Porque aqui a questão do tempo de reacção é muito importante...

- Claro que é.

- ... e se o lay-off simplificado demorou uma semana a ser aprovado, o que permitiu ajudar milhares de famílias, a minha pergunta para a senhora ministra da Cultura é porque é que o seu ministério demorou três meses.

- Mas o meu ministério... vamos lá a ver... há aqui um ponto que é muito importante realçar: é que Portugal é um estado social, tem um sistema de segurança social de natureza universal, não há nenhuma razão... não há nenhuma razão... não há nenhuma razão para que as pessoas... todas as pessoas, inclusive as que trabalham na agricultura, não estejam abrangidas pelo sistema de apoio social universal. 

 

Excerto de uma entrevista à ministra da Cultura, Graça Fonseca, conduzida pelo jornalista Bento Rodrigues, há pouco, no Primeiro Jornal da SIC

Um sábio

por Pedro Correia, em 31.07.20

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Foto: Bruno Gonçalves / Sol

 

Uma entrevista pode ser um grande momento de televisão. Aconteceu na semana passada, no primeiro canal da RTP, no programa Grande Entrevista. António Barreto - um dos genuínos senadores portugueses - pensou em voz alta, durante quase uma hora, sobre algumas das mais relevantes questões nacionais. Com a eloquência habitual e uma notável capacidade de articular ideias. Sem enrolar palavras, sem fazer vénias, sem receio de dizer aquilo que realmente pensa.

Enfim, um sábio. Em diálogo com o jornalista Vítor Gonçalves, hoje um dos melhores entrevistadores da televisão portuguesa. Alguém que está ali realmente para ouvir os entrevistados e não para se ouvir a si próprio - o que vai sendo cada vez mais raro.

Gostei tanto que partilho convosco alguns excertos desta Grande Entrevista. Recomendando, de qualquer modo, que escutem a versão integral. Vale mesmo a pena. Por ser verdadeiro serviço público.

 

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«A dimensão [deste pacote financeiro de emergência da UE para enfrentar a crise pandémica] é muito superior à do Plano Marshall americano, depois da guerra, para toda a Europa. Haver um plano de recuperação económica que ultrapassa largamente a dimensão financeira do Plano Marshall é impressionante.»

 

«Lamento imenso ouvir pessoas dizer que querem "aproveitar a crise" da doença. Para acabar com o capitalismo, para criar Deus sabe o quê, para resolver os problemas... As crises não se aproveitam: o melhor é tratar delas. Ultrapassar a crise para voltar a adquirir meios para encontrar as soluções.»

 

«Os países do Norte [da Europa] têm razão quando exigem fiscalização e supervisão [das verbas]. Primeiro, e sobretudo, porque é dinheiro deles. Depois porque é dinheiro europeu, de nós todos. E em terceiro lugar porque emprestar ou dar sem saber para que serve é quase criminoso. Dizer isto em Portugal passa quase por traição à pátria, o que não me incomoda.»

 

«Parece uma especialidade nossa: nós perdemos muito tempo com a guerra colonial, com a revolução, com a nacionalização da economia, com a reprivatização da economia. Há cerca de 20 anos que o crescimento português é praticamente nulo.»

 

«Quase todos os países da Europa Central e Oriental que entraram depois de nós [na UE] souberam fazer mais rapidamente as reformas, souberam [criar] economias mais competitivas, souberam encontrar soluções adequadas e não ficaram eufóricos com a adesão. Portugal perdeu muito tempo, muito tempo, muito tempo.»

 

«Precisamos de quantidades enormes de capital de investimento, sobretudo privado. E de investimento produtivo novo, não é chegar cá e comprar o que já existe. É preciso fazer novas empresas, novos produtos, novas indústrias, novos edifícios... Mas precisamos de quantidades colossais. Se só tivermos este balão de oxigénio [da UE], não chega. Daqui a dez anos vamos encontrar a mesma vulnerabilidade, o mesmo tempo perdido.»

 

«[O caso BES] é um dos maiores crimes cometidos na história de Portugal, se tudo aquilo for provado. Crime de roubo, crime de desvio, crime de esbulho do País, das classes sociais que trabalham, esbulho do Estado, utilização intensiva de todos os meios de corrupção, de compra, de venda... Não há na história portuguesa nada que se pareça com isto... Eles contribuíram para dar cabo de Portugal.»

 

«Não devemos esquecer o que se passou nesses dez anos: o ciclo Sócrates mais as crises financeiras, mais a bancarrota (nós ficámos a dias da bancarrota), mais a austeridade, mais toda a questão dos fogos florestais, que parece de somenos mas não é. O BES, por cima disto tudo. E agora a pandemia. Este conjunto de fenómenos em dez anos é destruidor de uma geração, é destruidor do País.»

 

«Era bom conseguirmos castigar quem deve ser castigado. E há muita gente para ser castigada. Se a nossa justiça estiver à altura - e eu não sei se está - era bom castigar para dissuadir e para resolver este problema da corrupção, do nepotismo, do favoritismo e do esbulho dos recursos nacionais.»

 

«O BES foi autor, ou ajudou, ou empurrou, ou acarinhou a destruição do que havia melhor em Portugal do sistema financeiro, do sistema industrial e do tecido empresarial. Nas grandes destruições - estou a pensar na PT, por exemplo - esteve sempre o [Grupo] Espírito Santo.»

 

«Daqui a uns anos será interessante ver quem foi na conversa do Espírito Santo. Quase toda a gente: políticos, partidos, governos, empresários (pequenos, médios, grandes), quase toda a gente...»

 

«O Governo está num momento de ausência de oposição quase total, o que é péssimo. (...) Isto não faz bem nem a Portugal nem ao Governo.»

 

«O primeiro-ministro tem conseguido algumas vitórias importantes. Durar, já é uma vitória política. Tem sabido tratar com as oposições todas, tem sabido tratar com o Presidente da República, tem sabido libertar-se do pior deste Governo, que é a terrível herança Sócrates. Agora não tem nenhuma oposição séria, o que é muito mau.»

 

«Nunca vi um parlamento onde se berrasse tanto como o parlamento português. (...) Dar nobreza ao debate parlamentar era uma obrigação dos nossos políticos.»

 

«Vivi 40 anos em Portugal de concorrência institucional entre o Presidente e o Governo, aquilo que se chama - aflitivamente - o semipresidencialismo. Lembro-me dos problemas gravíssimos que houve entre todos os presidente e quase todos os governos. Estes [Marcelo e Costa] decidiram colaborar e cooperar. Aplaudo, acho bem. O País ganha com isso. Onde começa o problema? Da cooperação e da colaboração, é fácil chegar à cumplicidade. E creio que já lá chegámos. Não gosto da cumplicidade. Quero que o Presidente da República tenha recuo, altura, espaço para poder avisar, advertir, controlar, alertar, fiscalizar.»

Do meu baú (3)

por Pedro Correia, em 02.07.20

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Sou coleccionador compulsivo das entrevistas de falsos profetas. Sobretudo aqueles que profetizam desgraças e calamidades. Um dos mais simpáticos dentro do género, devo reconhecer, é João Ferreira do Amaral «economista conceituado», como o introduz Clara Ferreira Alves na entrevista (insolitamente apresentada como "almoço") que assinou com ele na revista do Expresso, edição de 4 de Maio de 2013

O título de capa é um daqueles que vendem sempre bem: «Vamos sair do euro.» Assim mesmo, neste tom categórico, sem margem para dúvida.

Como se fosse pouco, lá dentro (página 37) a certeza torna-se ainda mais indubitável: «É claro que vamos sair do euro.»

 

«Num restaurante de Lisboa com vista larga sobre o rio, pediu cabrito assado com batatas. Água. Mais nada. Fala dos assuntos com a voz desapaixonada do técnico e do conhecedor.» Assim alude a ele a jornalista, em prosa quase poética, sem disfarçar o deslumbramento pelo entrevistado: «Lê-lo é um exercício de clareza e de esclarecimento, e tem razão em muitas coisas que aponta. A saída deverá ser controlada para não ser traumática, e será um benefício para a economia. Portugal continuaria na União Europeia e no espaço Schengen. A história já lhe deu razão em quase tudo.»

Caramba, é difícil um simples leitor não se sentir esmagado com tanta sapiência. Tudo isto nos parágrafos de entrada, ainda sem termos acesso ao pensamento do entrevistado. 

 

«Não ponho sequer a alternativa de ficarmos», debita o professor, que trabalhou no Palácio de Belém, entre 1991 e 1996, como consultor de Mário Soares. E nem seria necessário convocar os portugueses para referendar tão relevante opção política. Motivo? «Visto que não entrámos com um, não há razão para precisarmos de um para sair.»

Possíveis consequências, para o País, de uma "saída ordeira" da moeda única? Hipótese desenvolvida num trecho da entrevista: «Seria o cenário argentino. Teríamos dois anos infernais e depois resolvia-se. O pior são os dois anos, do ponto de vista democrático. A violência, a bandidagem...» E noutro trecho: «Vejo imensos [riscos]. Pode correr mal. Pode gerar-se um pânico.»

 

Sete anos depois, ao revisitarmos este ameno bate-papo, ficamos esmagados com tanta acutilância e tanta presciência daquele a quem «a história já deu razão em quase tudo».

Fez bem, de qualquer modo, o Presidente Soares em não ter seguido os conselhos deste seu sábio consultor.

Ofereçam um GPS a Costa

por Pedro Correia, em 01.07.20

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Alguém lá no palacete de São Bento, onde funciona a residência oficial do primeiro-ministro, devia oferecer um GPS a António Costa.

Veio ele dizer agora, em entrevista ao jornal catalão La Vanguardia, que não haverá qualquer problema com festejos de rua nos jogos da fase final da Liga dos Campeões, que irão disputar-se na capital portuguesa, pois o "dever cívico de recolhimento" imposto a 19 freguesias da Área Metropolitana de Lisboa, no âmbito do estado de calamidade que ainda aqui vigora, não abrange o centro da cidade, onde se situam o estádio José Alvalade e o estádio da Luz.

«Não se trata de Lisboa, mas apenas de alguns bairros pertencentes a municípios vizinhos», declarou Costa nesta entrevista. Dizendo, categórico e taxativo: «Não existe nenhuma relação com o centro da cidade de Lisboa, onde se celebrará [a Liga dos Campeões].»

 

Há aqui uma óbvia fuga à verdade - eufemismo próprio dos editorialistas da imprensa portuguesa como alternativa ao substantivo mentira quando visam governantes.

Costa parece ignorar que Lisboa é um dos concelhos abrangidos pelas mais recentes medidas de confinamento impostas pela necessidade de conter a expansão do Covid-19, estando representada nesta lista nada lisonjeira pela freguesia de Santa Clara, que abrange as antigas freguesias da Ameixoeira e da Charneca do Lumiar. 

 

Vamos lá medir distâncias. Apenas 3,6 km separam a Ameixoeira do Campo Grande, onde irão disputar-se alguns dos jogos. Até dá para ir a pé.

Mesmo várias freguesias de concelhos vizinhos agora abrangidos pelas medidas especiais de contenção estão a curtíssima distância daqueles estádios. Seguem-se alguns exemplos: vai-se de Odivelas a Carnide, onde se disputarão outros desafios, em apenas 2,8 km; o trajecto de Camarate (Loures) ao Campo Grande esgota-se em 5,3 km; basta percorrer 2,4 km para chegar da Venda Nova (Amadora) a Benfica; e vai-se de Moscavide (Loures) ao Campo Grande em escassos 5,7 km.

 

Serve isto para demonstrar que o chefe do Governo, nesta entrevista destinada a conter danos junto dos espanhóis após uma notícia com destaque de primeira página no conceituado El País que aludia a três milhões de lisboetas novamente confinados, respondeu à falsidade com informações inexactas (outro eufemismo). 

Serve também para confirmar que necessita com urgência de um GPS. Um dos seus assessores deveria encarregar-se disso já no próximo dia 17, quando Costa soprar as velas do bolo de aniversário. As melhores prendas são sempre aquelas que se tornam úteis.

Eanes exemplar

por Pedro Correia, em 02.04.20

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Como o Sérgio já assinalou, Ramalho Eanes concedeu ontem uma notável entrevista à RTP. Entrevista presencial, desde logo: o general deslocou-se pessoalmente ao estúdio da televisão pública apesar de pertencer a um grupo de risco nesta fase mais assanhada do coronavírus: tem 85 anos, embora pareça mais jovem - tanto pelo físico como pelo intelecto. «Nos tempos incertos vai-se ao local», declarou sem mais rodeios.

Com esta decisão - assumida sem a menor hesitação, como a jornalista Fátima Campos Ferreira assinalou - o antigo Presidente da República deu desde logo uma lição aos heróis de sofá que pululam por aí, muitos deles com idade para serem seus filhos e até seus netos. "Heróis" da treta, que exercem a função comentadeira no conforto doméstico, devidamente calafetados, e aí dão livre curso às suas bravatas verbais.

Deu igualmente uma lição àquele jovem deputado que há dias compareceu de máscara no plenário da Assembleia da República - hoje seguramente um dos lugares mais "higienizados" do País - esquecendo que àquela mesma hora faltavam máscaras em todos os hospitais portugueses. Imagem lamentável: só admito ver um político de máscara em local de grave risco sanitário, nunca na sala de sessões do Parlamento.

O general, em palavras lúcidas e inspiradoras, apontou a estes apavoradinhos o rumo a seguir: «Nós, os velhos, quando chegarmos ao hospital, se for necessário, oferecemos o nosso ventilador a um homem que tenha mulher e filhos.»

 

Eanes foi exemplar por tudo quanto afirmou. 

Anotei outras das suas reflexões e transcrevo-as aqui. Para mais tarde recordar.

 

«A primeira coisa que esta batalha nos exige é que sejamos virtuosos - isto é, que sejamos humildes. Que percebamos que somos falíveis e muito frágeis. Uma fragilidade que só se compensa através de uma comunicação autêntica com os outros.»

«O medo é razoável, mas é nossa obrigação ultrapassá-lo. Nesta altura temos que pensar que estamos com os outros. Temos que pensar menos no eu e mais no nós. De maneira que todos quantos carecem de apoio tenham a nossa solidariedade.»

«Esta crise demonstra que nenhum país, por si, consegue resolver os problemas. A própria China, poderosa, no início da crise recebeu o apoio da França e até da Itália.»

«Isto levar-nos-á, necessariamente, a uma nova reflexão. Primeiro, a uma nova reflexão sobre os nossos sistemas políticos. E sobre o homem: porque é que o homem se tornou tão egoísta, tão individualista, que até se esqueceu que o mundo é de interligação permanente? Como é que vamos gerir a globalização? A globalização é interdependência, mas deixou de ser solidariedade.»

«O homem, com os avanços da ciência e da tecnologia, julgou ser capaz de tudo. E esta situação pandémica demonstrou que afinal continua o tal ser frágil, falível, que está em permanente ligação com os outros.»

«Isto vai levar-nos a repensar as próprias funções do Estado. O Estado não pode ser o Estado mínimo, como se diz: tem que ser o Estado necessário. Que não olha apenas para a situação presente e para as eleições: olha para o futuro da sua comunidade.»

«Esta crise é um momento de silêncio, de reflexão, de comunhão. Se não for assim, estamos a perder uma oportunidade única que nos é oferecida - com dramatismo, com dor, com desgosto.»

Sozinho em casa

por Pedro Correia, em 10.03.20

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Em política, convém valorizar a importância daquilo que não é dito, mas expresso de outra forma. Veja-se, a título de exemplo, o que sucedeu ontem com Marcelo Rebelo de Sousa: em plena crise do coronavírus - que já contagia governantes e suscita temores sobre uma crise económica à escala global - o Presidente da República decide confinar-se durante 15 dias às quatro paredes domésticas, submete-se voluntariamente à análise clínica para indagar se é portador do vírus (deu negativo) e, cereja acima do bolo, concede uma entrevista a Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 da TVI, em que alterna os recados políticos com o enaltecimento das virtudes domésticas. Sozinho em casa, em minucioso exame à proposta de Orçamento do Estado para 2020, Marcelo comporta-se como uma fada do lar: cozinha, lava a loiça, estende a roupa e passa a ferro. 

Em momento algum da entrevista, concedida a pretexto do quarto aniversário da sua tomada de posse, afirma que tenciona recandidatar-se a Belém. Mas tudo nela - tanto na dimensão pública como privada do cidadão Rebelo de Sousa - nos sugere que o Chefe do Estado não pensa noutra coisa. Mais: o teste ao coronavírus e esta original aparição presidencial via FaceTime à hora do jantar dos portugueses constituíram o pontapé de saída da campanha eleitoral que culminará no escrutínio de 2021. 

Ao declarar-se em quarentena preventiva, levando o País a acompanhar com alívio as novidades do seu boletim clínico e com elevado apreço o exemplo de desapego às honrarias palacianas de que dá provas, Marcelo exibe um florentino instinto político - muito acima de qualquer rival, declarado ou não. E até invoca um seu ilustre antecessor para, com aparente candura, devolver uma farpa que Ana Gomes lhe endereçara pouco antes enquanto aproveita desde já para captar votos à sua esquerda: «Mário Soares é imbatível, é unico na democracia portuguesa, a votação dele é irrepetível.»

Sabe-a toda. Confirmando que a política profissional é para gente crescida, não para meninas ou meninos.

Rolhas

por José Meireles Graça, em 17.11.19

Dos outros países não sei, mas em Portugal as rolhas do regime são uma instituição. Já eram no tempo da Velha Senhora, mas menos e mais modestas, e são legião hoje.

Que são rolhas do regime? São aqueles indivíduos que gravitam à volta do Poder, do que está e do que pode vir a estar, passaram por lugares do aparelho de Estado político, incluindo a Europa desde que se descobriu que era um excelente viveiro de contactos úteis e com um passadio muito melhor do que o nacional (o cidadão quer estupidamente pagar mal aos seus políticos nacionais mas paga principescamente aos europeus por não saber quanto lhe custa) e dele saíram voluntariamente para aterrar em lugares invariavelmente bem pagos de empresas públicas, grandes empresas privadas, bancos, institutos ou outras instituições.

Há dois sítios em que nunca estão: um é a política activa – porque isso os obrigaria a definir claramente correligionários e adversários, e defender lugares com a faca nos dentes; e o outro são as pequenas empresas privadas, salvo as inventadas para servir encomendas do Estado, porque a taxa de mortalidade é grande, a competição assanhada, o Fisco opressivo e o espaço para tretas diminuto.

E costumam falar sobre o quê? Profundidades: a Europa, a Educação, os desígnios, a modernidade, o futuro, as desigualdades, os desafios tecnológicos, a pobreza – ai! que estes grandes temas, se os ouvirmos, ficarão para nós de luminosa transparência.

Carlos Moedas é um destes. E, fatalmente, disse muitas coisas a Maria João Avillez, uma especialista em entrevistas hagiográficas. A própria, ciente de que se eleva na mesma medida em que iça os convidados, nunca poupa nos elogios. E, com Moedas, esmerou-se:

“Carlos Moedas é uma mais valia. Provou-o em Portugal no governo da coligação PSD/CDS; tinha-o demonstrado, fora de portas, muito novo, na banca internacional; voltou a ter-se a certeza disso em Bruxelas, onde durante cinco anos fez o seu melhor. Estabelecendo pontes inovadoras entre o hoje e o amanhã, reteve-se o seu apport na energia e na criatividade usadas como Comissário para a Inovação e Ciência junto da EU”. 

Ahem, estabelecer pontes inovadoras entre o hoje e o amanhã parece realmente uma obra impressionante de construção civil retórica, mas talvez não fosse pior inteirar as pessoas do que realmente quer dizer o “apport” que terá trazido à energia, a não ser que o dedo engenheiral e subsidiesco do entrevistado tenha muito a ver com os corrupios no alto dos montes. Quanto à passagem pelo governo PàF não esteve mal, de facto: os camaleões têm, precisamente, a admirável capacidade de se fundirem com o ambiente.

Que diz então o miraculado? Muitas coisas, quase todas vagas, quase todas genéricas, quase todas vácuas – não vale a pena respigar a enxurrada de paleio, salvo nos extractos a seguir (haveria outros, mas o texto ficava demasiado extenso).

“Para isso [para a passagem do invisível para o visível] precisamos de duas grandes mudanças: uma institucional, outra de mentalidades. A mudança institucional é aceitar que é impossível estarmos todos de acordo e que a regra da unanimidade não funciona na maioria dos casos. Há que passar à regra da maioria em certas áreas da fiscalidade e dos assuntos externos. Se isso não mudar, a Europa não se afirmará. Foi isso que falhou na crise dos refugiados. Depois, é indispensável uma mudança de mentalidade: a Europa tem que ser mais assertiva na sua comunicação, sem medo de expor as nossas posições. Temos que comunicar como Europa e não apenas como países”.

Traduzindo: Há que eliminar a competição fiscal, nivelando todos os impostos por cima e reforçando as contribuições para o embrião do supergoverno europeu; e há que anular as diferenças entre Estados e os seus interesses permanentes, a benefício do eixo franco-alemão.

“Tenho muito orgulho em dizer que, na minha área, marquei a agenda da Inovação e Ciência na Europa. Ninguém falava destes temas há cinco anos. Nem nenhum chefe de Estado ou de governo abordava estes temas nos seus discursos políticos. Era uma área vista como um parente pobre das políticas europeias. Hoje não é assim, estes temas estão já ancorados na agenda dos líderes europeus e mundiais”.

Marcou sim senhor. E hoje ninguém em seu juízo, na Europa, faz investigação, inova ou cria sem apoios públicos. Admite-se mesmo a hipótese de as redes sociais do futuro, os telemóveis, o GPS, e a generalidade das inovações tecnológicas, deixarem de vir dos EUA, ou da Ásia, e mudarem-se para a Europa, desde que evidentemente os sucessores de Moedas lhe honrem a herança. No futuro. Porque, no passado, e este abrange o tempo em que moedas foi Comissário, isto é, desde fins de 2014, o que tem a dizer um senhor professor da London School of Economics, sobre a EU, avaliada pela sua quota no produto mundial, ou no volume do comércio, é o seguinte:

“There are various metrics for this. The size of the EU market is clearly one factor, at 16.9 percent (or 14.54 when the UK leaves) of world GDP, the EU weighs in as one of the heavyweights (China 17.1 percent, USA 15.8 percent), but its share is declining. In terms of the share of world trade in goods the EU accounts for 15 percent (excluding intra-EU trade) of world trade (15.7 percent of exports and 2016 and 14.8 percent of imports), but here the EU share has declined more rapidly over the past decade, as has that of the USA. This is an indicator of the shift in the focus of world trade from the Atlantic to Asia Pacific”.

Cabe dizer portanto que a EU tem sido o farol da inovação e ciência – mas o resto do mundo não se tem apercebido, senão a importância da UE pararia de decrescer.

A entrevista abunda em verdadeiros achados de retórica, língua de pau, gabarolice e disparates. Um último:

“Defendo um imposto digital europeu, o que não só seria a forma de impor maior justiça fiscal a empresas americanas que não pagam impostos em território europeu, como uma fonte de receita para o orçamento europeu. Só que para isso é necessária aquela união de que falei há pouco. Precisamos de uma unanimidade sobre este tema, o que é difícil, mas estou convencido de que lá chegaremos”.

Nunca nenhum imposto novo, ou aumento dos existentes, deixou de ser apresentado como um grande progresso em nome de um bem maior; e a engenharia de impostos sempre apresentou os prejudicados como poucos e os beneficiados como muitos, o que pode até no curto prazo ser verdade. Neste caso, o negócio é ainda mais sumarento: beneficiamos todos e os americanos pagam.

Claro que não pagam: ou os clientes europeus deixam de ter acesso ao que agora têm, ou pagarão por isso de uma forma ou de outra.

Enfim, Moedas é ainda muito novo e logo que acabe de ornar a Gulbenkian com as suas luzes pode bem ser que regresse à vida pública, através do seu partido de sempre. É de esperar que este tenha entretanto resolvido os seus problemas, de uma maneira ou de outra. Qualquer uma serve, aliás, porque Passos Coelho “foi o melhor primeiro-ministro desde o 25 de Abril” enquanto “há que reconhecer que o papel de Rui Rio também foi difícil. Estar na oposição em Portugal é dificílimo”.

O novo ópio do povo

por Pedro Correia, em 28.08.19

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A TVI, no seu canal informativo, prometia ontem conceder destaque a Assunção Cristas, entrevistada por um jornalista da casa e alguns especialistas em diversas áreas incluídos entre os participantes nesta emissão, transmitida em directo. Sob o título genérico «Tenho uma pergunta para si» (o abuso do redundante pronome "si", que me soa sempre a nota de música, reflecte o empobrecimento da nossa linguagem comunicacional).

Tentei fixar a atenção nesta entrevista, mas desisti a meio. Porque me pareceu desde o início que se destinava apenas a despachar agenda e aliviar um fardo. Decorria tudo num tom tão impaciente, como se houvesse urgência máxima em retirar a presidente do CDS do ar, que obrigou uns e outros a falar em ritmo anormalmente acelerado.

Assunção, pressionada pelo ponteiro dos segundos, parecia uma picareta falante, para usar a expressão que Vasco Pulido Valente colou noutros tempos a António Guterres. Os interrogadores de turno, quando demoravam um pouco mais a formular a pergunta, eram de imediato interrompidos pelo profissional da casa. O próprio Pedro Pinto, ao comando desta emissão tão frenética, parecia mais confinado à função de cronometrista do que de jornalista.

E afinal tanta pressa para quê? Para que o mesmo canal informativo da TVI desse lugar a três cavalheiros de calças de ganga a discorrer tranquilamente sobre os mais recentes rumores do chamado "mercado de transferências" da bola. Preopinavam em modo pausado, de perna traçada, como se estivessem no café e tivessem todo o tempo do mundo para perorarem sobre coisa nenhuma.

Foi a minha vez de recorrer ao cronómetro: cavaquearam das 22.36 às 23.57. Um dos membros deste trio já estivera em antena durante a tarde, entre as 17.58 e as 18.48, tagarelando sobre o mesmíssimo assunto.

Estranho critério jornalístico, estranho critério informativo - cada vez mais monotemático. Como se nada mais houvesse de relevante do que as tricas do futebol.

Alguém aí falou em ópio do povo? Se o fez, acertou em cheio.

Pontes sim, trincheiras não

por Pedro Correia, em 21.08.19

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Imagem do DELITO em Janeiro de 2009

 

Foi um prazer, confesso, estar à conversa com o Pedro Neves nas instalações do Sapo. O pretexto para este bate-papo, que se prolongou por cerca de uma hora, foi o décimo aniversário deste nosso DELITO DE OPINIÃO, já com merecido estatuto de veterano da blogosfera.

Do simpático convite do Pedro nasceu uma entrevista que me permitiu falar um pouco sobre este percurso trabalhoso mas muito gratificante em termos intelectuais e humanos. Desde logo porque me permitiu conhecer e estreitar relações com muitas pessoas de quem me fui tornando amigo a pretexto desta escrita em jeito de registo diário do que vai sucedendo no país, no mundo e um pouco também nas nossas vidas.

Se me permitem, destaco algumas frases:

«Conseguimos fazer uma coisa que é difícil interiorizarmos em Portugal: podemos ter opiniões muito diferentes, e até opostas, e isso não afectar a relação no plano pessoal»

«Temos uma base de conteúdo político, mas captámos leitores que detestam política e vêm ler outras coisas: uma crítica de livros, uma crítica de cinema, por exemplo»

«Devemos estender pontes. É muito mais fácil encontrarmos compromisso e entendimento a meio de uma ponte do que se estivermos no fundo de uma trincheira»

«Essa»

por Pedro Correia, em 09.07.19

 

«Essa».

Foi nestes elegantíssimos termos que Rui Rio se referiu ontem à ex-ministra da Justiça e ex-dirigente social-democrata Paula Teixeira da Cruz, respondendo a uma pergunta de Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 da TVI.

Para não haver dúvidas, transcrevo a frase na íntegra: «Acho que essa até disse "tirano", salvo erro, ahahah...»

Há pormenores que definem uma pessoa. Às vezes basta uma palavra. Um simples pronome demonstrativo, como é o caso. Rio definiu-se nesta palavra com que brindou em directo, num dos principais telediários portugueses, uma senhora - sua companheira de partido.

Como se estivesse lá em casa. Ou no café.

 

É este um líder da oposição?

por Pedro Correia, em 09.07.19

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1. Elogios ao Governo (do PS):

«O produto interno bruto cresceu, nestes quatro anos, cerca de 30 mil milhões.»

«Têm sido criados empregos.»

«As taxas de crescimento que nós temos não são muito diferentes das do PS: são um pouquinho acima.»

 

2. Críticas ao Governo (do PSD/CDS):

«No tempo da tróica, o que é que se fez? Cortes nos salários, cortes nas pensões, cortes na despesa. Porque, ao mesmo tempo, já se estava a aumentar os impostos.»

«Inventaram-se os vistos gold, que eram uma espécie de exportação de casas, sendo que a mercadoria fica cá e não é exportada...»

 

3. Dúvidas existenciais:

«Eu estou em Lisboa pelo menos três dias por semana. E não quer dizer que nos outros dias esteja no Porto.»

«Podem duvidar se eu sou capaz, se o PSD é capaz. Isso, podem duvidar.»

«O apego pessoal que eu tenho ao lugar [de presidente do PSD] não é nenhum.»

 

Rui Rio, ontem à noite, em entrevista ao principal telediário da TVI conduzida por Miguel Sousa Tavares e Pedro Pinto

A ler

por Pedro Correia, em 21.10.18

Sou de uma espécie em vias de extinção: todos os dias compro um jornal. Pelo menos um jornal. Hoje comprei o Público, só pela entrevista de Ana Sá Lopes e Manuel Carvalho a Vasco Pulido Valente. E valeu a pena, claro. Se não tivesse mais nada, já justificava o que paguei pelo meu exemplar.

Imperdível

por Pedro Correia, em 25.07.18

 

A entrevista que o poeta António Barahona, sempre tão distante dos holofotes, concedeu ao jornal i. Insurgindo-se, nomeadamente, contra a «burrocracia» do desacordo ortográfico.

Bom jornalismo é fazer, editar e publicar entrevistas como esta.

Cinquenta vezes o pronome "eu"

por Pedro Correia, em 12.05.18

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Bruno de Carvalho em extensa entrevista ao Expresso de hoje. Curioso: há três meses pediu aos adeptos para deixarem de ler os jornais, mas continua disponível para receber a imprensa.

Leio a entrevista, desrespeitando o tal pedido. Ao longo de seis páginas, o presidente do Sporting pronuncia cinquenta vezes o pronome eu e apenas três vezes o pronome nós. Esquecendo a dimensão colectiva, componente fundamental de modalidades como o futebol.

É todo um programa. Todo um modo de encarar o desporto. Toda uma forma de estar na vida.

"A fama tira mais do que dá"

por Pedro Correia, em 27.03.18

 

A isto chamo eu uma excelente entrevista. Muito melhor do que aquelas que costumamos ver nos canais generalistas ou informativos da televisão.

Rui Unas está em grande forma neste seu programa difundido no youtube. E Rui Veloso é... Rui Veloso.

O resultado deste encontro é um conversa longa, mas estimulante. E que, apesar de alguns excessos de linguagem que poderão não agradar a todos, recomendo vivamente.

Deu para falar de muitas coisas sérias, embora nenhum dos participantes se leve demasiado a sério, o que é ainda mais de saudar.

Aposto que gostarão tanto como eu gostei.

O que diz Vargas Llosa

por Pedro Correia, em 27.02.18

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Excelente entrevista de Mario Vargas Llosa à revista dominical do El País a propósito do seu mais recente livro, O Apelo da Tribo - ensaio sobre sete pensadores liberais: Adam Smith, Friedrich von Hayek, Isaiah Berlin, Jean-François Revel, José Ortega y Gasset, Karl Popper e Raymond Aron.

 

Alguns excertos:

«A democracia avançou e os direitos humanos passaram a ser reconhecidos fundamentalmente graças aos pensadores liberais.»

«O liberalismo não apenas admite mas estimula a divergência. Reconhece que uma sociedade está composta por seres humanos muito diferentes e que é importante preservá-la assim.»

«O nacionalismo é uma tendência retrógrada, arcaica, inimiga da democracia e da liberdade, e está sustentado em ficções históricas, em grandes mentiras, nisso a que agora chamamos pós-verdades históricas.»

«O liberalismo defende algumas ideias básicas: a liberdade, o individualismo, a rejeição do colectivismo e do nacionalismo; no fundo, de todas as ideologias ou doutrinas que limitam ou interditam a liberdade na vida social.»

«Ninguém medianamente lúcido quer para o seu país um modelo como o da Coreia do Norte, ou o de Cuba, ou o da Venezuela: o marxismo já é marginal na vida política, ao contrário do populismo, que ameaça corromper as democracias por dentro, é muito mais sinuoso do que uma ideologia.»

«A correcção política é inimiga da liberdade porque rejeita a honestidade e a autenticidade. Devemos combatê-la como um desvio da verdade.»

«Andamos sobrecarregados por uma tecnologia que se colocou ao serviço da mentira, da pós-verdade, e que pode chegar a ser, se não combatermos este fenómeno, profundamente destruidora e corruptora da civilização, do progresso, da verdadeira democracia.»

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Felipe González, ex-chefe do Governo e ex-líder socialista espanhol, deu pela primeira vez uma entrevista ao diário El Mundo, seu antigo inimigo de estimação a que noutros tempos não hesitava em chamar "Imundo".

Deste diálogo que acabou de quebrar um gelo de 29 anos, conduzido pelos jornalistas Antonio Lucas e Pedro Simón, destaco as seguintes frases:

 

«Puigdemont tem a obrigação de apresentar-se perante a justiça, porque é um foragido. Parece que não está disposto a assumir essa obrigação. Confunde a imunidade parlamentar com impunidade. Mas quem está acusado de cometer delitos graves não pode pretender que um processo eleitoral o torne imune e impune.»

 

«Receio que a irresponsabilidade de personalidades como Puigdemont ponha em risco o desafio da descentralização, que foi e é muito positivo para o funcionamento de Espanha.»

 

«O contributo de Espanha para a crise foram a precariedade laboral e a desvalorização salarial.»

 

«Somos um país de emigrantes. Durante dois séculos, só soubemos exportar exilados e emigrantes.»

 

«Tsipras [primeiro-ministro grego] perguntou-me se não me senti frustrado ao chegar ao Governo. Disse-lhe que não. Retorquiu: "Eu senti-me frustrado, porque em certas coisas fiz o contrário do que prometi (entre outras, cortou para metade as pensões de reforma). Respondi-lhe: "Isso foi porque tu chegaste ao poder como revolucionário e eu cheguei como reformista".»

 

«A tentação de Maduro é eleger quem se apresentará pela oposição [às eleições presidenciais]. O regime da Venezuela converteu-se numa tirania muito semelhante à do Tirano Banderas, de Valle-Inclán.»

 

«A ideologia perde força quando se usa como um escudo para esconder a ausência de ideias.»

 

«Na vida, não escolhemos os nossos amigos. Só estamos em condições de escolher com quem não tomamos café. Quer dizer, os nossos inimigos.»

Rui Rio em público

por Pedro Correia, em 08.01.18

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«Aquilo que hoje está no Público, na primeira página, está mal. Porque induz as pessoas mal. Mas depois, se forem ver as respostas, está bem.»

 

«Isto não tem nada a ver com a pergunta que me fazem... A resposta está bem no Público. A primeira página é que está mal.»

 

«Quem ler a primeira página do Público, dá ideia que eu ganho as eleições no próximo sábado e estou a apoiar o Governo na semana seguinte. Não é nada disso. Isso não. Era o que faltava!»

 

Rui Rio, hoje, em entrevista ao Jornal da Noite da SIC

Entrevista literária.

por Luís Menezes Leitão, em 24.11.17

Pode ver-se aqui uma entrevista sobre os livros de um autor consagrado e que tem tido um enorme sucesso de vendas em Portugal. A não perder.

A entrevista de Felipe González

por Luís Menezes Leitão, em 04.11.17

 

Os jornais espanhóis, com o El País à cabeça, demonstram uma parcialidade e um ódio ao independentismo catalão, como eu nunca vi em jornal algum, nem sequer nos jornais portugueses de 1975. Não há um mínimo esforço de objectividade, tudo aquilo é propaganda, e a mesma parece ter contaminado todo o Estado espanhol, desde os políticos à magistratura, que se unem no ódio aos independentistas. Esta entrevista de Felipe González é um cabal exemplo disso. Por muito que eu concorde que a fuga de Puigdemont foi um acto de cobardia, acho que um político não deve chamar cobarde a um seu adversário, ainda mais quando esse adversário fugiu para não ser preso. Aliás, corre o risco de lhe devolverem essa acusação, sabendo-se que Felipe González também se exilou em França, depois de ter sido detido por participar em manifestações contra o regime franquista. E falar na independência de uma juíza que colocou todo o governo catalão na prisão é perfeitamente ridículo. Para sermos independentes, termos que estar distantes de ambas as partes em conflito. Não está a ser o caso.


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