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Delito de Opinião

Para acabar de vez com as dúvidas

Sérgio de Almeida Correia, 29.05.25

Os votos no Estrangeiro - fonte: MAI(créditos: DN/MAI)

O apuramento final dos resultados das eleições legislativas de 18 de Maio, que ontem se concluiu com a divulgação das escolhas dos eleitores nos círculos da Europa e de Fora da Europa, acaba, de certa forma, por lançar novo alerta aos partidos políticos tradicionais, à classe política em geral, e por confirmar o veredicto ditado pelas urnas em quase todo o país. 

Embora com menos 4313 votos, com a vitória nos círculos da emigração, o Chega ultrapassou o Partido Socialista (PS) em deputados e será em S. Bento o partido líder da oposição. Não apenas à maioria circunstancial e transitória da AD, mas também ao regime político saído da Constituição de 1976 e a que desde sempre firmemente se opusera.

Quanto ao "sistema", todos perceberam que o Chega já entrou para o seu lado de dentro e conseguiu aceder aos generosos fundos públicos disponibilizados pelos impostos dos portugueses a todos os partidos. O Chega pode consolidar a partir de  hoje a profissionalização dos seus quadros, ainda que possa dizer que não o vai fazer, e receberá os mesmos milhões de euros que os partidos políticos por si tão criticados sempre receberam dos contribuintes. 

O resultado obtido nos círculos da Europa e de fora da Europa, ao remeter a AD e a aliança PSD/CDS-PP para o segundo lugar aponta o enorme falhanço do discurso montenegrista junto dessas comunidades de portugueses. E destaca a perfeita nódoa que foi a acção de José Cesário e da sua equipa, não obstante as múltiplas, frequentes e na maior parte das vezes inexplicáveis, deslocações que realizou ao estrangeiro para fazer as habituais promessas e segurar o eleitorado potencial da coligação nas suas homilias para analfabetos, sacristãos e defuntos. De nada serviram as cartas enviadas para casa dos eleitores residentes no estrangeiro. E seria bom apurar o número de viagens que Cesário efectuou em menos de doze meses, detalhando-se as que fez já depois do chumbo da moção de confiança, quanto custaram – incluindo as suas ajudas de custo – e que resultados deram, quando se verifica um aumento dos abstencionistas – em 2024 votaram 6.473.789 portugueses, em 2025 apenas 6.317.949, apesar do número de eleitores inscritos ter aumentado em 31.989 – e o número de votos nulos, apesar de ligeira diminuição, continua bastante elevado (172.379 quando o ano passado foi de 189.676).  

Em relação aos votos nulos importa referir que a preocupação manifestada pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), que se mostrou alarmada com o facto de nalgumas mesas o seu número ser superior a 40%, é comportamento que revela muita hipocrisia. A CNE estava mais do que alertada para essa situação, a que eu próprio me referi em artigo publicado em 2022. E nem essa entidade nem os Governos de António Costa e Luís Montenegro, este com menos responsabilidades atento o curto período em que esteve em funções, fizeram alguma coisa que permitisse acautelar a repetição do sucedido.  

Confirmado que está o reforço substancial da votação no Chega, a vitória de Luís Montenegro, e o reforço da direita parlamentar,  torna-se ainda mais evidente o descalabro eleitoral do PS de Pedro Nuno Santos.  

Porém, quanto a este convém referir que não está sozinho no afundamento. Nunca será de mais dizê-lo. O líder era mau, mas os que o acompanharam não são melhores. Aquele rebanho de dirigentes oportunistas do PS que salta de secretário-geral em secretário-geral e a todos apoia, por mais diferentes que sejam, transborda de incompetência e desligamento da realidade, retirando qualquer sentido aos apelos pungentes que vêm tarde e a más horas fazer à reflexão. Reflectissem antes, dessem ouvidos a quem queria bem ao PS e ao país.  

Todos os barões e baronesas do Largo do Rato que há ano e meio entronizaram, com fanfarra e foguetes, o líder demissionário para comandar uma embarcação que já então vogava à deriva num mar encapelado, e que prenunciava os trambolhões nas vagas que levaram à inundação da casa das máquinas, varreram o convés, entrando pelos camarotes, e atiraram à água o infeliz e tonitruante capitão barbudo, deviam ser corridos.

Todo o Secretariado Nacional e os membros da Comissão Nacional do PS que teceram loas à liderança e assinaram de cruz para garantirem algum protagonismo nas filas da frente são responsáveis. Ninguém sai ileso, embora agora haja uns e umas com menos vergonha na cara e que venham dizer depois da tragédia acontecer que aconselharam o ex-secretário-geral a deixar passar o voto de confiança pedido por Luís Montenegro. Houve mesmo quem tivesse o desplante, em vez de ficar caladinha, de dizer numa entrevista que travou a sua candidatura à liderança do partido para não prejudicar o PS nas autárquicas. Um destes dias ainda vêm dizer que Pedro Nuno Santos chegou sozinho à liderança e que nunca nenhum deles o apoiou.  Enfim, é lá com eles.

Seria sim conveniente que em Portugal, que é o que verdadeiramente nos interessa, se começasse por arrumar a casa, fosse rapidamente dada posse a um novo Governo, nas ideias e nas pessoas, removendo-se os emplastros do último, e as coisas voltassem à normalidade. A começar nos aeroportos. O caos que aí se tem vivido também tem responsáveis.

Quanto ao resto, isto é, a democracia, se tiverem juízo e não andarem a perder tempo a rever com todo o folclore o preâmbulo da Constituição, equiparando-se aos dirigentes e às preocupações do Partido Comunista Chinês, como se daí dependesse o futuro da nação, o desenvolvimento do país e a alegria do povo, acabará por se reformar, continuando a acolher todos os que nela se revêem, incluindo aqueles portugueses incógnitos que nas urnas se manifestaram contra a paz podre do regime político, castigando as suas medíocres elites e as aberrações de um sistema eleitoral que teima em não se reformar e prefere continuar a afastar-se dos eleitores, empobrecendo a participação e a responsabilização individual e colectiva.

Paupérrimo

Sérgio de Almeida Correia, 03.04.25

Confesso que sem grande entusiasmo, e ainda menos ânimo, que há demasiado tempo os escuto sem qualquer novidade, sem golpe de asa que os retire da mediania, alguns, e da mediocridade, outros, que lhes traga alguma luz e um pouco de azul, lá os vou ouvindo.

Os jornalistas, e aqui refiro-me aos que fazem entrevistas para as televisões aos líderes políticos, ajudam cada vez menos a disfarçar a jactância, desfaçatez, melhor diria o cinismo, e por vezes a impreparação de alguns entrevistados. Quando não raro são eles próprios, entrevistadores, manifestamente fracos, enviesados, cumprindo sabe-se lá que agendas. 

A última entrevista que vi foi a da SIC Notícias a Pedro Nuno Santos, conduzida por Nelma Serpa Pinto. Os entrevistados podem não ajudar, mas quando os jornalistas são fraquinhos é difícil dizer qual dos dois conseguiu ser mais previsível, mais entediante, mais monótono, e mais desinteressante durante mais tempo. No extremo oposto temos Clara de Sousa ou Rodrigues dos Santos, que gostam de fazer de entrevistadores e de entrevistados, convencidos como estão de que será uma grande injustiça se acabarem a carreira sem receberem, pelo menos, três ou quatro Pulitzer em diversas categorias.

Viver este pesadelo durante mais uns meses – que não terminará em 18 de Maio, entrando pelo Verão, Outono e Inverno –, com um debate político que pede meças aos programas sobre o "chuto-na-bola", com uma miríade de programas de pseudo-comentário e pretensa análise política, protagonizados por comentadores que de tudo sabem e sobre mil e um assuntos falam de cátedra, destilando insolência, é expiação demasiado pesada, embora merecida para todos os milhões que alheando-se de quase tudo durante décadas hoje se queixam, na primeira rede social ao alcance dos seus dedos, dos políticos, dos partidos, do sistema político, do regime, das sondagens, das cançonetas dos festivais, dos árbitros, da extensão das homilias, da corrupção, do centralismo, dos imigrantes, dos assaltos, dos pedófilos, das polícias, dos sindicatos, dos empresários, dos piropos, dos candidatos presidenciais que ainda não são e se fartam de dizer o que um dia farão se alguma vez formalizarem os sonhos e conseguirem a eleição, ou da falta de água, da chuva que cai, dos transportes que não há, são poucos, não andam a horas, vão sempre cheios e nunca chegam; enfim, do calor, do frio, de tudo.

Pior só mesmo a perspectiva de ouvir Carlos Moedas em campanha autárquica a falar de jacarandás.

Quando ainda estamos a mês e meio das eleições legislativas tudo isto é tão mau, tão pobre, triste e vil que se ficassem quietos e calados até 18 de Maio seria uma mais-valia para todos. A nossa sanidade iria agradecer.

Este programa de lavagem exige centrifugação

Sérgio de Almeida Correia, 14.03.25

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(créditos: daqui)

Cumpriu-se o prometido. Ou a ameaça, dependendo da perspectiva. O Presidente da República anunciou a dissolução da Assembleia da República e convocou eleições legislativas para 18 de Maio.

Como todos estavam avisados, ninguém se admirou com a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa. Preferem tremoços em vez de amêndoas? Pois aqui os têm. E logo veremos quem fica com as cascas.

Na breve alocução que fez, o Presidente não se afastou daquela que tem sido a sua leitura das condições de governabilidade e do exercício da autoridade política elencadas noutras ocasiões. Uma vez mais, como fizera durante a crise do ministro Galamba, trouxe à liça o problema da confiabilidade, ou seja, da "ética da pessoa exercendo a função". E, oportunamente, assinalou que "não se pode ao mesmo tempo confiar e desconfiar". Não há meio-caminho. Tem razão.

Com a concordância dos partidos políticos e do Conselho de Estado vamos iniciar novo ciclo eleitoral. O calendário é bastante apertado corre-se o risco de aumentarem os sinais de exaustão dos portugueses para com os partidos e a classe política. A seu tempo se verá.

O incómodo de muitos autarcas será grande. O resultado das legislativas traz consigo o risco de influenciar decisivamente o resultado das eleições autárquicas do início do Outono nalguns municípios em que pela sua dimensão e proximidade ao centro do poder político as influências deste são mais profundas, os factores de crispação maiores e a luta político-partidária mais agressiva.

Neste contexto, a postura dos candidatos apresentar-se-á como fundamental para retirar animosidade ao discurso, introduzindo serenidade ao combate eleitoral, evitando o eriçamento do tom. O modo como decorrer este período até às eleições, e em especial a campanha eleitoral, poderão contribuir para aproximar ou afastar ainda mais as pessoas da política. Os níveis de abstenção vão em muito depender da forma como a campanha decorra. A democracia e a saúde do regime voltam a estar em xeque.

Para além da necessidade de se escolher a composição do novo parlamento e aquele que será o futuro primeiro-ministro, seria bom que os partidos percebessem uma coisa: os portugueses só irão às urnas sentindo-se esclarecidos, por um lado, e confiantes de que continua a fazer sentido votar.

De há muito que o aumento de personalização das campanhas e um sistema eleitoral fechado, incapaz de se renovar e aproximar dos eleitores, assente num caduco sistema de listas, em que tirando os primeiros nomes poucos sabem quem são os fulanos que se vão sentar em São Bento, o que fazem e o que pensam, de onde vêm e para onde querem ir, pouco contribuem para o esclarecimento. Muitos deixaram de votar por convicção e apenas para não terem de escolher aquele que lhes parece ser no momento o menor dos males.

Uma coisa é ter dificuldade em escolher um de entre dois hotéis igualmente bons, com óptimo preço, serviço magnífico e excelente localização. Outra é ser obrigado a olhar para propostas que muitas vezes pouco se diferenciam, em virtude de condicionamentos externos e internos, escritas em mau "politiquês" por uns ignaros com passado nas "jotas" e que acabaram a escolaridade obrigatória em gabinetes ministeriais escrevendo ofícios que começam com "somos a apresentar", subscritas por gente de quem à partida se desconfia, e que poucas razões dá para nela se confiar, e em que o factor decisivo residirá na contagem do número de arguidos, manhosos, medíocres e analfabetos mais conhecidos de cada uma das listas para se acabar votando na que apresentar menos em cada uma dessas categorias.

Sem querer ser ingénuo, gostaria de ver uma campanha centrada em propostas apresentadas por pessoas em quem se possa confiar, o que é cada vez mais raro.

Mas como há muito perdi as ilusões, que não a esperança, ainda acredito que será possível transformar os próximos dois meses e meio num ciclo de lavagem acelerado.

Admitamos, pois, o princípio de que a partir de segunda-feira o país e as ilhas se transformarão numa gigantesca máquina de lavar roupa, onde enfiaremos os líderes dos partidos concorrentes às eleições e os candidatos à primeiro-ministro, mais os respectivos rebanhos.

Creio que as rádios, as televisões e os jornais estão mais do que habituados a estes ciclos de lavagem, muito embora os detergentes que têm usado, culpa das agências de comunicação, sejam normalmente muito rascas, e os candidatos continuem a sair de lá dentro, no final de cada programa, pouco perfumados, já desfiados e ainda encardidos devido à ausência de pré-lavagem.

Como depois seguem directamente para o estendal de São Bento, só quando começam a secar e a ser impiedosamente expostos e batidos pelo vento é que nos apercebemos do seu estado e da má qualidade do material que nos impingiram, ultimamente mais visível nos que por lá se têm agitado.

Preparemo-nos então para enfiar os melhores trapos que os partidos nos oferecem dentro de uma boa máquina de lavar – também se pode aproveitar para lá meter umas becas e uma batinas que andam muito ruças e com pouco préstimo –, sujeitando-os a uma boa barrela.

Para isso, podemos começar com um bom programa de pré-lavagem, a que se seguirá um ciclo longo de oito semanas, sempre na máxima rotação da máquina, e com uma dose generosa de detergentes, tão bons que não permitam aos mais esgaçados, no final do programa, saírem dali para mais lado algum. A seguir, aos sobrantes, dê-se--lhes uma boa centrifugação. Sempre acima das 1200 rpm.

Estou convicto de que com a ajuda da comunicação social e da PJ, que tanto contribuíram para nos revelarem, entre outras preciosidades, os mistérios de Paris, a ilustre casa de Espinho, as marquises do interior, o enxoval do Arruda, os canudos da Lusófona, as coutadas do macho latino, os vinhos do Isaltino, os estafetas de Alcochete, os clientes do Calor da Noite, e até recapturarem uns hóspedes de Vale de Judeus que tinham ido mudar uns pneus, será possível fazer uma boa lavagem.

Esperemos é que até lá aquelas rolas e corvos que nidificam nos pisos superiores do Palácio Palmela não se lembrem de interromper o programa de lavagem para irem à procura de uns talões de Multibanco e de uns bilhetes para a bola que saíram pela janela, num dia de ventania, porque uma das mulheres da limpeza se esqueceu dela aberta.

Se assim for, virá toda a roupa limpinha e bem cheirosa para, salvo avaria de última hora no leme ou encalhanço no nevoeiro do Bugio, hipótese que nunca se poderá excluir, aconchegar o senhor almirante.

Novo ciclo

Sérgio de Almeida Correia, 31.01.22

img_900x560$2014_04_16_19_42_00_220650.jpg(créditos: Bruno Simão/Negócios)

 

As eleições legislativas de ontem, 30 de Janeiro, assinalam o regresso à estabilidade governativa, o fim do diletantismo parlamentar de alguns sujeitos e, ainda, o regresso à terra do Presidente Marcelo e dos seus sonhos de se tornar imprescindível para qualquer solução de governo.

Se, por um lado, até há duas semanas, a maioria absoluta de um só partido era um cenário tão distante quanto a hipótese de uma solução governativa estável para toda a legislatura, não será hoje menos verdade a confirmação de que em democracia os resultados só surgem mesmo depois de fechadas as urnas. E isso continua a ser bom porque é pelo voto que os cidadãos têm de continuar a manifestar-se, e é a eles que tem de estar reservada a última palavra. não às sondagens. Votem "útil" ou "inútil". Ainda bem.

Neste momento, com a certeza de uma maioria absoluta do PS, aquilo que todos os portugueses temem é uma reedição, ainda que mais benigna, de um socratismo de muito má memória e com feridas ainda abertas dada a ineficiência, e não apenas por falta de meios, do Ministério Público, dos tribunais e do aparelho judiciário para contribuírem para a realização da justiça em tempo útil.

O comedido discurso de vitória de António Costa, traduzido na frase “uma maioria absoluta não é o poder absoluto, não é governar sozinho, é uma responsabilidade acrescida” pode dar alguma esperança aos portugueses e a todos os que votaram no partido vencedor, que são muitos mais do que os militantes e simpatizantes, de que não vamos assistir a partir de agora a um novo ciclo de desvario, despesismo e desresponsabilização.

Ao Presidente da República exige-se que sem deixar de exercer a devida fiscalização sobre a acção do Governo, que também está cometida com redobrada responsabilidade a todos os partidos da oposição, reduza o seu protagonismo, seja mais contido nas suas “aparições” e contribua quer para a estabilidade política e governativa, quer, igualmente, para uma redução do clima de guerrilha de sacristia em que se especializou ao longo dos anos, motivando o necessário apaziguamento social e político. Dentro de quatro anos será aos portugueses que caberá, e não a ele Presidente da República, julgar a acção do futuro Governo, os seus êxitos e insucessos.

Para já vamos aguardar os resultados dos círculos da emigração, enquanto não chegam os nomes para o novo governo. Que se esperam ser outros, sem erros de casting e com a participação de independentes qualificados, não se cingindo à "tralha do aparelho" e a um ou outro apóstolo reciclado. Qualificações, competência, bom senso e uma ética à prova de bala é o que se precisa. Para não se estatelar na rua, nem na lama.

Desculpem lá mas é um desabafo que tenho mesmo de fazer

José António Abreu, 01.10.15

Em 2009 lutei pela vitória da prudência e do realismo. Perdi. Lixei-me. Como eu, milhares de outros (a maioria até mais do que eu mas uma fatia dos que se lixaram tinha optado pelo risco). Em 2015, sem ilusões de que a opção se revele perfeita, luto novamente pela vitória da prudência e do realismo. É possível que perca outra vez. É também muito possível que me lixe outra vez. Como eu, milhares de outros. Uma parte terá novamente escolhido uma opção de risco mais elevado. No futuro, não me peçam para os lamentar.

Fé embrulhada em números

José António Abreu, 19.08.15

Ou seja: o PS garante atingir em 2017 o défice público que, mais décima, menos décima, o actual governo espera conseguir este ano. Sendo que, até lá, aumenta o défice público, desequilibra a balança externa (através do incentivo ao consumo) e coloca ainda mais pressão na sustentabilidade da Segurança Social (através da redução da TSU). Tudo isto se as contas dos seus economistas estiverem certas (mas quem duvida de Galamba?) e não ocorrerem eventos, nacionais ou internacionais, com impacto negativo.

O cartaz do Athaíde tinha afinal razão de ser: exige-se fé.

Meu caro (ficá-lo-á especialmente se ganhar as eleições) Dr. Costa:

José António Abreu, 10.07.15

Já que, por inexistência de alternativa convincente, promete rever a questão das portagens na Via do Infante, permita-me que lhe pergunte, certo de que tanto o seu conhecimento como a sua experiência extravasarão em muito as ruas de Lisboa e as estradas do Algarve (ou talvez "Allgarve", como pretendia um seu colega): Conhece a alternativa à A25? E à A28? E à A29?

Muito obrigado. Cumprimentos.

Uma coligação oportuna

Sérgio de Almeida Correia, 26.04.15

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(foto JN) 

A decisão de PSD e CDS-PP de se apresentarem coligados às próximas eleições legislativas é uma decisão oportuna por várias razões.

Em primeiro lugar, porque é natural que quem governou em coligação se apresente ao eleitorado nos mesmos termos em que governou, ou seja, em coligação. Se governaram juntos, se foram parceiros nas boas e nas más decisões, se entendem que o caminho que percorreram deve continuar a ser trilhado no futuro, então a decisão é perfeitamente compreensível e, em meu entender, sensata. Essa será a melhor forma do eleitorado avaliar o desempenho do Governo de Passos Coelho e manifestar o que pensa sobre o futuro que deve ser reservado aos coligados.

Depois, é uma decisão oportuna porque introduz clareza numa área tradicionalmente confusa. A coligação é uma medida higiénica que traz transparência ao eleitorado, promove uma adequada separação de águas e mostra ao eleitorado que ao centro há, por agora, pelo menos dois caminhos. Um mais à direita, outro mais à esquerda.

Também é uma decisão oportuna porque permitirá ao PS saber com o que conta, podendo dessa forma ver facilitada a sua estratégia eleitoral e consolidar as suas propostas para o país. Os portugueses sabem que o PS não irá manobrar nos bastidores um qualquer governo de "consenso" para o país. 

Por outro lado, é ainda uma decisão oportuna porque também responsabilizará daqui para a frente o Presidente da República naquilo que disser e no que pontualmente venha a fazer quanto ao pouco, pouquíssimo, que lhe for exigido. Se Cavaco Silva pensava que ia ter um final de mandato calmo, fica agora com a certeza de que depois de todas as "asneiras" que promoveu as suas hipóteses de chegar ao fim sem mais problemas ficam ainda mais reduzidas. Essa é para ele uma recompensa merecida pelo seu desempenho até aqui.

Finalmente, a coligação que acabou de se apresentar ao país para as próximas eleições é também uma decisão oportuna porque mostra aos portugueses o pânico que grassa entre as hostes do PSD e do CDS-PP. Depois de todos os amuos, traições, sacudir da água do capote, intrigas e golpes a que o país assistiu, a coligação é uma imagem do estado a que chegaram e é a prova acabada de que só existe e só é anunciada nesta altura porque o desastre foi tão grande que nenhum dos partidos se sente à-vontade para se apresentar sozinho a eleições.

Esta é, pois, uma boa notícia para o país e que deve por isso mesmo ser devidamente saudada.

Jovens e despachados

João Carvalho, 27.07.11

O título diz logo tudo: «Conselho regional da JSD de Setúbal analisa resultados das eleições legislativas» daqui a quatro dias (31 de Julho). Assinada pelo presidente da mesa, a ordem de trabalhos confirma isso mesmo nos seus dois únicos pontos:

«1 – Análise dos resultados das legislativas;

2 – Encerramento do ano político.»

Sobre o ponto 1, não será correr muito? Afinal, as eleições legislativas ainda nem foram bem há dois meses. Qual é a pressa?...

Quanto ao ponto 2, vai ser preciso explicar àquela rapaziada que este ano político não será encerrado, por vontade manifestada e prometida pelo próprio primeiro-ministro e líder do PSD.

Em suma: a ideia que fica é a de que encerrada tem estado a JSD de Setúbal.

Um raio de sol na água fria

Laura Ramos, 05.06.11

 

Durão Barroso, apelando ao voto, disse que as eleições de hoje eram as mais importantes desde o 25 de Abril de 1974.

Exagero estratégico, ou crua lucidez?

Tendo a concordar.

Isso, se no histórico das primeiras incluirmos as que serviram para emendar Março de 1975 e legitimar as forças do 25 de Novembro, quando esteve em jogo a subsistência do regime democrático e os rottweilers comunistas se apropriaram do poder, com recurso ao único expediente que conhecem: a força das armas.

 

Então, o que temos hoje em mãos?

Os resultados de uma democracia que abdicou da virtude?

A ressaca do poder exercido por incompetentes?

 

São anos negros aqueles que, mais uma vez, vamos julgar.

Tão negros quanto aqueles que nos esperam – dizem (et pour cause).

 

Se não for agora, num momento crucial como este, que nos manifestamos maciçamente, que direito ao silêncio nos restará?

Nenhum.

 

As águas não são cálidas nem bonançosas. São frias, como gelo, e agitadas.

Mas ainda vamos a tempo de emendar Setembro.

Um bom democrata-cristão

João Carvalho, 18.04.11

«Basílio Horta diz ter aceitado "com gosto" o convite para encabeçar a lista do PS em Leiria e continua a afirmar-se como "um democrata-cristão".» Ser cabeça-de-lista numa eleição é própria de um democrata, sim. Já mais duvidoso é ser-se cristão e apoiar aqueles que nos arruinaram. Mas cada um sabe de si, não é?

Um bom cristão dorme com a consciência tranquila. E quem não foi atirado para a ruína também. Nada como ser-se democrata-cristão em casa socialista.

Em matéria de cabeças-de-lista...

João Carvalho, 18.04.11

... «PS aposta na continuidade, PSD nos independentes». Não há dúvida: se não optar pela abstenção, a maioria dos eleitores — que vota nesses dois partidos e não vota por seguidismo cego — tem a escolha facilitada.

Não sei se os independentes são muitos e são bons, mas passo-me todo só com a ideia de continuarmos a ter este circo miserável. Continuidade? Socorro.

Violinos de Chopin

Paulo Gorjão, 11.01.09

Pedro Santana Lopes pode não perceber muito de música clássica, mas é doutorado em táctica política. O seu a seu dono: no início de Dezembro, quando ainda ninguém tocava publicamente no assunto, Santana Lopes foi o primeiro -- se não estou enganado -- a alertar para a hipótese de José Sócrates querer antecipar as eleições legislativas. Houve até quem dissesse que a hipótese não tinha pés nem cabeça. Um mês depois estamos todos a chegar à conclusão que afinal é capaz de ser verdade.