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Delito de Opinião

A candidatura de Fernando Medina

jpt, 08.07.21

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Em meados de Abril de 2021 Fernando Medina descobriu que terá havido algo de errado no exercício político de José Sócrates. Por razões que nunca se poderão compreender - dado que eram consabidas as práticas pessoais do antigo primeiro-ministro, bem como públicas as suas concepções sobre o exercício do poder, em especial nas formas de articulação do Estado com os sectores económicos e de pressão sobre a comunicação social -, Medina nunca demonstrou incómodo com o modo político de José Sócrates enquanto foi secretário de Estado dos dois governos que aquele chefiou. Bem pelo contrário, foi um veemente apoiante do "animal feroz", um arreigado agente do pior momento da democracia portuguesa.

Poder-se-á assim dizer-se-lhe "tarde piaste!". De facto, muito tarde piou. E apenas "para inglês ver", pois é notória a dimensão de camuflagem deste seu hiper-tardio afastamento a Sócrates.

Ainda assim, apesar desta demonstração do carácter político de Fernando Medina, há quem o apoie. E desvalorize o verdadeiro escândalo - que deveria inibir a continuidade da sua carreira política - das dezenas (ou talvez mesmo centenas) de denúncias de activistas, nacionais e estrangeiros, às embaixadas estrangeiras. Entre as quais saliento as de activistas pró-palestianos à Israel de Benjamin Netanyahu, as quais, até surpreendentemente, não têm provocado grande alarido nos seus opositores eleitorais BE e PCP, tradicionalmente afectos à causa palestiniana.  Tal como desvalorizam esta outra manobra de camuflagem que vem fazendo, a de tentar resolver esta suas continuadas inconstitucionalidades através da imolação de um funcionário expiatório.

Para esses munícipes menos atreitos à vigência da democracia, e que por isso este escândalo desvalorizam, também pouco importam as anteriores promessas eleitorais que Medina fez e não cumpriu: 13 centros de saúde, milhares de lugares de estacionamento automóvel, centenas de camas hospitalares, 6 mil fogos de habitação social. 

Muitos se encantam - deixam-se encantar pela mole de "Miguel Sousa Tavares" disponibilizada - por estar a cidade "ajardinada", qual alindada. Como se de jardins públicos, seus bustos apostos, e cemitérios fosse a cidade feita. E descuram olhar de frente para o tipo de pessoa que é o actual presidente da câmara, para a sua concepção de exercício político, bem patente na forma como digere (e quer camuflar) o seu arrepiante percurso político. E tanto se encantam esses munícipes que aceitam o desplante de Medina, que agora se recandidata juntando mais um item ao rol de promessas eleitorais incumpridas: creches municipais gratuitas. É, e neste caso de forma literal, uma total infantilização do eleitorado.

Será que este cresce, de uma vez por todas, que nos decidimos a amadurecer? Caramba, há várias alternativas. Afastemos, nós lisboetas, este homem. E encaremos depois, criticamente, aqueles que forem eleitos. Mas este, francamente, é demasiado demenos.

Rui Moreira

jpt, 28.04.21

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(Postal para o És a Nossa Fé)

São 40 anos disto. O historial das influências manipuladoras dos resultados desportivos nunca será completado, muitas esquecidas na voragem dos tempos, outras silenciadas, por falta de provas e de coragens. Modo de estar amparado por acólitos que tendiam a sovar jornalistas - ainda me recordo da impunidade com que, no Aveiro de 1988, foi agredido o grande jornalista Carlos Pinhão, aos seus 64 anos. E modo de estar catapultado pela inércia judicial e pela cumplicidade política, em particular autárquica - poucos ainda se lembrarão quando o presidente da câmara Fernando Gomes, encavalitado no clube, desceu a Lisboa arvorado em ministro e com sonhos de conquistar não o Jamor mas sim São Bento. Foi-lhe breve o enleio, logo tendo regressado, capachinho entre as pernas, para a administração do F.C. Porto entre outras sinecuras. 

Neste longo consulado de "Jorge Nuno", como o saúdam os apaniguados, o hábito de atiçar jagunços para espancar jornalistas seguiu algo viçoso nas suas duas primeiras décadas. Depois feneceu, pois a sucessão de triunfos internos desestruturou clubes rivais, amainou a competição. Nesse rumo mais favorável impôs-se a procura de respeitabilidade pública. E nisso o culto da "mística" do clube foi apelando cada vez mais a uma qualquer "alma" feita de arreganho desportivo, depurando-se da imagem de corsários em abordagem: a fleuma de Robson e a sua versão lusa, por isso algo mais arisca, em Santos, Jesualdo Ferreira, e mesmo no júnior Villas-Boas, foi-se sedimentando, apesar da alguma irascibilidade bem-sucedida de Pereira ou Mourinho.

É certo que a vigência de uma placidez - democrática - nunca foi absoluta, e que a vertigem provocatória e agressiva nunca desapareceu, com a própria conivência da imprensa. Lembro-me que há alguns anos um conhecido comentador televisivo atreito ao SLB foi "abanado" num restaurante portuense por um famigerado líder de claque portista. Como tantos deixei eco disso no meu mural de FB, lamentando o facto. De imediato recebi um bem-disposto comentário desvalorizando o abanão no sexagenário mediático, algo tipo "foi coisa pouca". Respondi-lhe, indignado, "como é possível que sendo V. o nº 1 da Lusa desvalorize uma situação destas em nome do seu clubismo?". Logo o arauto me insultou e cortou a ligação-FB. Lembro este "fait divers" para sublinhar isso da vontade agressora não residir apenas nos aprendizes de proxeneta medrados na Invicta, pois sempre seguiu robusta naquele mundo de "senhores doutores".

As décadas passaram. O natural ocaso do octogenário "Jorge Nuno" é este, o que agora acontece. O controlo do jogo algo se reduziu, devido à dança de poderes nos meandros nacionais mas também à introdução de tecnologias electrónicas na arbitragem. E nisso, no envelhecimento do prócere e no crescimento do imprevisto futebolístico, voltou-se ao culto do "pancadarismo". O rufia treinador, desde [ante]ontem cognominado "Sérgio Confusão", cujo histrionismo passa incólume, afirma-se como "imagem de marca" do clube ressuscitando a velha ideia da tal "mística" corsária. O que inclui, claro, o espancamento avulso de jornalistas - agora já não por obscuros seguranças de bordéis portuenses mas por "empresários" montados em carros de estatuto, uma óbvia gentrificação da escroqueria portista.

No meio de tudo isto, antigo exaltado porta-voz televisivo das manobras clubísticas e agora eleito figura-maior dos órgãos do clube - apesar da propalada actual renitência do poder político em associar-se aos mariolas do futebol -, qual putativo Delfim, flana Rui Moreira, o presidente da Câmara do Porto. De (quase) tudo soube, de tudo sabe, a tudo anui. E assim ... a tudo conspurca.

A Presidente da Junta

jpt, 14.04.21

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Este é o último jornal "Olivais", publicado pela Junta de Freguesia, do qual a directora é a presidente dessa Junta, Rute Lima. Não nos prendamos nesta primeira página coberta com uma fotografia - retocada sob notória estética norte-coreana - da presidente/directora/(também colunista do jornal "Público").

Pois o relevante é mesmo isto: o jornal tem 20 páginas. 18 dessas são dedicadas a uma entrevista dessa mesma presidente/directora, em registo notoriamente auto-elogioso, propagandístico se se quiser. As outras duas páginas são de anúncios a actividades da ... Junta.

É esta gente, praticante deste caciquismo abjecto, propagandeado sem pudor através de publicações pagas pelo dinheiro público, que em 2021 o PS tem para propor para encabeçar uma freguesia da capital, com mais de 30 mil eleitores. E , já agora, que o jornal "Público" convida para colunista.

Eleições autárquicas em Lisboa

jpt, 29.03.21

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Está ao rubro a corrida para o município de Lisboa: o futuro PM Medina recandidatar-se-á, PSD/CDS reuniram-se em torno do antigo Comissário Europeu Moedas, o Chega já se chegou à frente com um coriáceo que quer matar quase tudo e quase todos, a IL na pressa até se enganou no candidato e depois lá arranjou outro, o BE  seguiu o parecer de Fernando Rosas, sempre crente nas "nossas meninas", e aproveitou para se vingar do atarantado Rui Tavares jogando, fulminante, a "carta étnica" (como agora está na moda dizer). E, finalmente, o PCP apresenta como candidato o príncipe Charles, o qual continua bem apessoado. 

Vai ser interessante.