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O incontornável Eça

por Cristina Torrão, em 20.08.19

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Imagem RTP

Andamos a seguir, com muito interesse, aqui na Alemanha, a série O Nosso Cônsul em Havana, que a RTP Internacional começou a transmitir no passado dia 10, ao ritmo de dois episódios por semana, aos Sábados à noite. Apesar de as séries portuguesas não terem a qualidade de outras, vindas do estrangeiro, o meu marido Horst costuma interessar-se muito. O ano passado, estando de férias em Portugal, adorou a série baseada n’ O Mandarim, transmitida pela RTP Memória (e que eu também não conhecia).

Há qualquer coisa no estilo destas séries portuguesas que fascina o Horst. Será o charme da realização lusa, cativante na sua simplicidade? Ou será por causa do Eça, de quem ele já leu a tradução alemã de Os Maias, O Crime do Padre Amaro, A Relíquia e A Ilustre Casa de Ramires?

Viva o Eça!

Da inutilidade dos esforços

por Pedro Correia, em 15.01.19

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Foto Filipe Amorim / Global Imagens

 

Um dos pormenores mais relevantes que tornam Os Maias uma perene obra-prima da literatura portuguesa é o seu final em aberto, rompendo os cânones da época. Nunca saberemos se os dois amigos, Carlos da Maia e João da Ega, conseguirão apanhar aquele veículo de tracção animal mesmo correndo desenfreadamente, rampa de Santos abaixo, momentos após terem concluído da inutilidade de todos os esforços.

Imagino os protagonistas do romance novecentista, transportados para a política portuguesa do século XXI, proclamando como Carlos: «Não vale a pena fazer um esforço, correr para coisa alguma.» E mesmo assim correndo, como se o dedo do destino lhes tivesse lançado uma praga digna de Sísifo. António Costa acelerando o passo, numa tentativa inglória de demonstrar ao País a competência do ministro da Educação que alguém lhe recomendou em momento nada inspirado. Assunção Cristas em desesperada corrida contra as sondagens que teimam em congelar as perspectivas eleitorais do seu partido. Catarina Martins, afogueada na rota descendente, procurando incutir aos militantes do Bloco a ilusória garantia de que o chamado “caso Robles” lhe manteve intactas as expectativas de voto. Jerónimo de Sousa ainda capaz de enumerar os méritos da sua rendição ao PS perante os militantes que viram os socialistas, à boleia da “geringonça”, arrombar praças-fortes vermelhas como Almada, Barreiro e Beja.

Mas talvez a figura mais romanesca, do actual elenco de dirigentes políticos portugueses, seja o presidente do PSD – capaz de tiradas dignas de suscitar inveja a um Eça de Queiroz. Como a que proferiu em recente reunião do Conselho Nacional do seu partido, ainda o maior da oposição. Para empolgar e motivar os companheiros? Não, para lhes transmitir uma confissão antecipada de derrota: «Podemos perder à primeira, à segunda, à terceira, à quarta, à quinta… Mas virá o dia em que perceberão a diferença.»

É fácil imaginá-lo à desfilada, ladeira abaixo, procurando apanhar a tempo o “americano” sem macular um vinco do paletó, mão agarrada à aba da cartola. O político ideal, nesta óptica, é aquele que melhor sabe assimilar uma consistente soma de derrotas. Elas anunciam-se para o PSD em 2019: nas europeias, nas legislativas, até nas regionais da Madeira. Vale a pena prosseguir? Rio da Ega dir-vos-á sempre que sim, lançando o passo, largamente, rumo àquilo a que os filósofos da bola costumam chamar vitória moral: a do perdedor que não desiste.

Já não estamos apenas nos domínios de Eça: entrámos também no imaginário de Samuel Beckett, notória fonte inspiradora do líder laranja. É um ensinamento dele que parece dar-lhe a táctica: «O importante é tentar outra vez, falhar outra vez, falhar cada vez melhor.»

 

Publicado originalmente no jornal Dia 15

Grandes romances (25)

por Pedro Correia, em 19.12.18

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O SÉCULO XIX AQUI TÃO PERTO

Os Maias, de Eça de Queiroz

 

Muito mais do que um romance, este vasto fresco sobre as classes dominantes no Portugal do rotativismo monárquico, caricaturadas pela pena de alguém que bem as conhecia, é um monumento. Uma obra ímpar na literatura portuguesa e um dos grandes títulos da literatura mundial, com admiradores da envergadura de um Jorge Luis Borges.

Misto de ficção, de reportagem detalhada da Lisboa oitocentista e de ensaio sobre a perpétua crise de identidade das elites portuguesas, Os Maias contém uma inesquecível galeria de personagens, situações e frases que rapidamente se incorporaram no imaginário português, fundindo-se com a realidade. Objectivo supremo da estética realista que José Maria d’ Eça de Queiroz (1845-1900) cultivou com esmero, crente de que só a verdadeira arte podia mudar o mundo.

«O realismo é a negação da arte pela arte; é a proscrição do convencional, do enfático e do piegas. É a abolição da retórica como arte de promover a comoção usando o inchaço do período, da epilepsia da palavra, da congestão dos tropos. É a verdade com o fito na verdade absoluta. Por outro lado o realismo é uma reacção contra o romantismo: o romantismo era a apoteose do sentimento; o realismo é a anatomia do carácter.» Palavras do autor na sua controversa intervenção sobre «A Literatura Nova ou o Realismo como Nova Expressão de Arte», na quarta Conferência do Casino, em Junho de 1871.

 

Surgem aqui figuras-tipo da alta roda lisboeta da época, num tempo em que o País cabia todo «entre a Arcada [Terreiro do Paço] e São Bento»– uma das incontáveis frases corrosivas desta obra que continua a seduzir leitores, fascinados com o paralelo que pode estabelecer-se entre a segunda metade do século XIX e as décadas iniciais do século XXI.

Encontramos no romance expressões que podiam ter sido pronunciadas em qualquer serão deste mês em que vivemos. «A bancarrota é tão certa, as coisas estão tão dispostas para ela, que seria mesmo fácil a qualquer, em dois ou três anos, fazer falir o País», observa o banqueiro Jacob Cohen, como quem faz uma elementar operação aritmérica. Com ele desfilam a ruiva Condessa de Gouvarinho, que utiliza a sedução como eficaz instrumento para combater o tédio; João da Ega, um vulto da verborreia pós-prandial; Dâmaso Salcede, típico deslumbrado social desprovido de ética; Palma Cavalão, um escrevinhador do lumpen jornalístico; o Eusebiozinho, “menino bem” que se arrasta por lupanares; o poeta Alencar, símbolo do lirismo mais palavroso e pueril.

Como acertadamente observou Arnaldo Jabor, um dos seus melhores leitores brasileiros, «Eça funda um realismo caricatural contra as perdidas ilusões ibéricas que passa por traços grossos, pelo riso deslavado, por uma proposital "falta de subtileza" (que resulta depois subtilíssima) na tradição de um realismo quase carnavalizado, sem anseios de transcendência.»

 

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Desmesurado em vários sentidos, este romance publicado em 1888 funciona ainda hoje como a mais impiedosa, sarcástica e demolidora autópsia das classes dirigentes nacionais. Estas, mesmo quando não gostaram de se descobrir no retrato, aproveitaram a imparável vaga de popularidade da obra para se impregnarem do seu espírito e da sua letra, rosnando imprecações contra o País, amaldiçoando o seu passado e predizendo horrores sobre o seu futuro.

Quantas vezes, ao longo de anos, não temos lido e escutado Egas de pacotilha berrando aos quatro ventos enormidades contra o famigerado destino português, parafraseando o autor das eternamente inacabadas Memórias de um Átomo nos seus dichotes bem regados contra a teimosa sobrevivência da pátria-mãe?

«Portugal não precisa reformas, Cohen, Portugal o que precisa é a invasão espanhola. (…) Meninos, nada regenera uma nação como uma medonha tareia… Oh! Deus de Ourique, manda-nos o castelhano! E você, Cohen, passe-me o St Emilion.» (pp. 138-139, edição Moderna Editorial Lavores, Estarreja, 2008).

É uma sátira da qual ninguém escapa ileso. Nem políticos, nem financeiros, nem aristocratas, nem jornalistas, nem escritores – um desfile de gente venal e falhada, incapaz de libertar o País de males atávicos. Por incompetência, por dolo, por desinteresse, por manifesta impreparação. A literatura era «latrinária». O jornalismo revelava-se como «escória da sociedade». Os ministros tinham como único fito «cobrar o imposto». Lisboa – no vértice do poder – surgia aos olhos de qualquer observador lúcido como «uma canalha de terra». Portugal agonizava, povoado de uma «colecção grotesca de bestas».

 

 

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Residente como diplomata no estrangeiro desde 1875, este romancista que se dizia sem biografia («Eu não tenho história, sou como a República do vale de Andorra») concebeu durante anos uma obra que funcionasse como um implacável e lúcido retrato da realidade portuguesa através da exibição dos seus mais destacados representantes – na banca, na finança, na política, nas letras e no jornalismo.

Seria, de algum modo, a obra de um estrangeirado – alguém capaz de mirar sem réstia de compaixão o chão que o gerou. Mas com um sentimento misto de nojo e nostalgia, como revela em carta a Ramalho Ortigão endereçada de Havana em Julho de 1873: «O exílio importa a glorificação da pátria. Estar longe é um grande telescópio para as virtudes da terra onde se vestiu a primeira camisa. Assim eu, de Portugal, esqueci o mau - e constantemente penso nas belas estradas do Minho, nas aldeolas brancas e frias - e frias! -, no bom vinho verde que eleva a alma, nos castanheiros cheios de pássaros, que se curvam e roçam por cima do alpendre do ferrador...»

Vivia-se então um dos períodos mais pujantes de que há memória em Portugal – as chamadas décadas da Regeneração, que tiveram como expoente o chefe do Governo Fontes Pereira de Melo – sob a monarquia constitucional, letrada, respeitadora das liberdades essenciais, incluindo a liberdade de expressão, e dos princípios basilares da democracia política. Mas Eça e alguns dos seus pares – Antero de Quental, Ramalho, Guerra Junqueiro, Oliveira Martins – olhavam para o País e só viam estagnação, vergastada de viva voz em lautas comezainas à mesa do Marrare ou do Tavares.

O romancista atribui o endémico fracasso português à mediocridade das supostas elites nacionais. É a visão desencantada de alguém que se encontrava havia década e meia longe da pátria, em sucessivas missões diplomáticas que o conduziram às Antilhas Espanholas, ao Reino Unido e finalmente a França, onde permaneceria até à morte, numa espécie de desterro voluntário pontuado com ocasionais incursões à pátria. 

 

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Fotograma do filme Os Maias, de João Botelho (2014)

 

O imaginário queiroziano, com as suas críticas demolidoras, foi transitando de geração em geração, influenciando sucessivas camadas de pensadores que – sem o talento literário do autor d’ O Crime do Padre Amaro nem a sua verve satírica – se limitaram a reproduzir a caricatura, assumindo-a como facto unidimensional. Não passa um dia sem que vejamos estampada nos jornais a versão contemporânea de que o País é «uma choldra ignóbil», tomando pelo valor facial a expressão de João da Ega, personagem central do romance, em paralelo com Carlos da Maia, o seu melhor amigo.

Dois falhados, como seria inevitável: o primeiro matriculou-se em Direito sem seguir o curso e sonha com gloriosas obras-primas da literatura que jamais escreverá; o segundo revela-se incapaz de exercer medicina devido ao «veneno do diletantismo» que caracteriza a atmosfera do reino, corroendo qualquer hipótese de regeneração social. Daí Ega bradar nos saraus mundanos: «Portugal não necessita reformas, Portugal o que precisa é a invasão espanhola.»

Nesta óptica, todo o esforço estaria condenado ao insucesso. Os diálogos entre Ega e Carlos da Maia acabaram por funcionar até hoje como simbólica chave decifradora do “atraso estrutural português”, numa espécie de fatalidade genética, surgindo Eça – certamente à sua revelia – como avalista deste determinismo que parece perpetuar-se em lei granítica.

É certo que o escritor integrou o grupo dos Vencidos da Vida – designação também irónica da tribo intelectual que o acolhia. Mas ele próprio, com a excepcional obra literária que nos legou, acabou por ser a demonstração viva do oposto das teses que algumas das suas personagens pretendiam ilustrar.

 

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Bastaria o desfecho do romance para lhe conceder honras de panteão literário. Declina a tarde, Carlos e Ega descem em passo indolente a rampa de Santos partilhando a apologia retórica do «fatalismo muçulmano» que nos aconselha a «nada desejar e nada recear»: assim se evitam «esperanças e desapontamentos».

Carlos, o médico que não exerce, sentencia: «Não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma…»

Ega, o escritor das perenes folhas em branco, remata: «Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder…»

Enquanto assim falavam, via-se ao longe a lanterna vermelha do americano – transporte público que circulava em carris, movido por tracção animal.

«De novo a lanterna deslizou e fugiu. Então, para apanhar o “americano”, os dois amigos romperam a correr desesperadamente pela Rampa de Santos e pelo Aterro, sob a primeira claridade do luar que subia.»

 

Magnífico parágrafo final. Que desmente a peregrina tese sobre a inutilidade de todos os esforços, propalada até à náusea por uma legião de epígonos menores de Eça, incapazes de ler nas entrelinhas. O criador d’ Os Maias sabia muito bem como as palavras podem servir apenas para iludir intenções e camuflar desejos.

É um epílogo em aberto, próprio da literatura moderna: nunca saberemos se Ega e Carlos apanharam o transporte. Mas sou capaz de apostar que sim.

 

 

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Anteriores textos desta série:

 

A Marcha de Radetzsky - O passado é um país distante

O Coração das Trevas - Quanto pior, melhor

O Fim da Aventura - Efémero amor eterno

O Anão - O Infra-homem

Um Dia na Vida de Ivan Deníssovitch - A lei do frio e da fome

A Mancha Humana - A América vista ao espelho

Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 11.12.18

 

Carta ao aluno que não lê "Os Maias". De Afonso Reis Cabral, na  Visão.

 

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(Teodorico e Alpedrinha por Rui Campos Matos)

 

Foi-se a ministra, orgulhosamente lesbiana, a Guadalajara, decerto que com adido à ilharga – mas não a Cuernavaca com o necessário Cônsul, estou disso certo – e por lá resmungou algo, sobranceira a portugueses, Portugal e seus jornalistas e jornaleiros. Entretanto, cá longe, noutro “lá fora”, ando eu a reler, 35 anos depois, o “Relíquia”. Eça não é, diz quem sabe, o Zola, o Balzac, muito menos o Flaubert, mas é o que temos, e ainda que me solavanque o encanto – tetrali o “Os Maias” por causa do filme de João Botelho, e disso me apercebi, já nada adolescente ou vinteanista, franzindo o meu cenho ao traço grosso da caricatura que escorrega daquele Ega – continua uma delícia.

 

Enfim, perorava a ministra lá em Guadalajara quando o Raposão, o bom do Teodorico, me aportou a Alexandria, naquela sua ímpia, pois humana, peregrinação à então Terra Santa. Logo se acolheu ao afamado e recomendado “Hotel das Pirâmides”, deparando-se com um patrício (onde é que não há um português?), “moço de bagagens e triste“, ali algo desvalido dados os infortúnios de amores e impensares, o Alpedrinha, figura ímpar do panteão queiroziano, mais que não seja por aquela sua sábia e monumental saída, que em mim habitava sem lhe recordar a autoria (“Tu já estiveste em Jerusálem, Alpedrinha?“, perguntou-lhe o Teodorico, “Não senhor, mas sei … Pior que Braga, algo que talvez tenha acicatado aquele Luiz Pacheco). Chegava-se pois, no mesmo fim-de-semana da ministra no México, o bom do Teodorico às terras da Esfinge e, lá de tão longe, responde à sáfica governante: “E se o cavalheiro trouxesse por aí algum jornal da nossa Lisboa, eu gostava de saber como vai a política.”, atreveu-se o Alpedrinha. “Concedi-lhe generosamente todos os “Jornais de Notícias” que embrulhavam os meus botins“, logo concedeu o malandrote.

Isto nem em Cuernavaca lá iria. Quanto mais em Guadalajara.

Citação literária

por Luís Menezes Leitão, em 03.03.16

A propósito disto, lembrei-me desta citação, para mostrar que neste país há coisas que nunca mudam:

"Carlos e Ega foram os derradeiros a sair, depois de um brandy and soda, de que a condessa partilhou, como inglesa forte. E em baixo, no pátio, acabando de abotoar o paletó, Carlos pôde enfim soltar a pergunta que lhe faiscara nos lábios toda a noite:

- Ó Ega, quem é aquele homem, aquele Sousa Neto, que quis saber se em Inglaterra havia também literatura?

Ega olhou-o com espanto:

- Pois não adivinhaste? Não deduziste logo? Não viste imediatamente quem neste país é capaz de fazer essa pergunta?

- Não sei... Há tanta gente capaz...

E o Ega radiante:

- Oficial superior duma grande repartição do Estado!

- De qual?

- Ora de qual! De qual há-de ser?... Da Instrução pública!"

EÇA DE QUEIROZ, Os Maias, 1888.

 

Pi-pi. pi-pi. Alô, Claudine? Daqui é o Peix... digo, o Carlos da Maia. Quê?? Não, filha, esse gajo era um chato do caraças (ou será que devia dizer "um chato de galochas"?)... enfim, o que interessa é que eu sou muito mais cool! Olha, liguei só para confirmar o nosso encontro mais logo no Oceanário. Mas tem de ser uma rapidinha, ok? Já sabes como a Dudu é desconfiada e ciumenta. Nem parece minha irmã, caramba. Pensando bem, acho que esta noite vou arrancar-lhe um cabelinho para mandar fazer um teste de ADN... com essa é que ela não conta, olarilas. Vantagens de viver no século 21. Bom, mon petit choux, agora tenho de desligar que ela é capaz de tudo, tem espiões por todo o lado. Até logo. Junto ao lago das morsas, não te esqueças. E vê lá onde estacionas a calèche, que já estou farto de pagar as tuas multas.


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