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E então, bate bate coração

por Maria Dulce Fernandes, em 06.05.19

Não creio que seja novidade para alguém o estado clínico de Iker Casillas, guarda-redes espanhol ao serviço do FC Porto, que sofreu um enfarte agudo do miocárdio durante o treino. Felizmente Casillas está bem, está estável e com o problema cardíaco resolvido, mas outros houve, com o músculo mais debilitado, que não foram tão afortunados.
Algumas situações têm prognóstico muito reservado. Em outras menos graves, recorre-se a pacemakers e ao novíssimo HeartMate3, por exemplo, restando a solução do transplante com compatibilidade comprovada para aqueles casos considerados inviáveis do ponto de vista imunitário.
Um transplante bem sucedido e o paciente poderá viver alguns (vários) anos com o seu novo coração.
Como me foi dado a aprofundar recentemente que “não há comportamento humano que não tenha origem biológica”, poderei inferir que o órgão transplantado poderá ter um comportamento errático, por conflitos de informação no código genético existente no DNA e RNA? O dogma central da biologia sintetizará o código comportamental existente num músculo estranho à sua essência? Será pertinente cogitar que o paciente passaria a viver com dois códigos genéticos distintos, o que o tornaria na mítica quimera?
Claro que Hollywood pensou nisto tudo desde os primórdios, com o monstro de Frankenstein possuidor de um músculo em processo de decomposição reavivado por um desfibrilador trovejante, mais humano do que muito músculo pulsante. Poderemos considerar o transplante do Prometeu Moderno, como o primeiro transplante de coração de que há narrativa, ficcionada que seja, em que o comportamento tem origem biológica, apesar de se focar essencialmente mais na mecânica do que na química do processo da criação.

Menosprezando os muitos entraves e obstáculos que todas as “logias” possam colocar, é legítimo cosiderar que suturar um coração e vê-lo palpitar dentro de um peito clinicamente morto será o primeiro passo para um complexo de Deus?
Cogito ergo sum, ou então não.

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No país dos brandos costumes

por Ana Vidal, em 11.07.15

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Algumas notas minhas, à margem deste artigo que subscrevo.


1. Fiquei genuinamente espantada (chamem-me naif, devo sê-lo) por constatar que a cabeça nua de Laura Ferreira teve, da parte da esmagadora maioria das pessoas, uma leitura política. Prova-o um facto incontestável: salvo raras excepções, quem é de direita aplaudiu o gesto, quem é de esquerda criticou-o. Onde eu vi apenas uma mensagem pessoal, simples e corajosa, dirigida às mulheres que passam por este calvário tão comum, como quem diz "Uma mulher não deixa de ser inteira por não ter cabelo", muita gente viu um frete eleitoralista, um apelo à piedade ou à simpatia política, ou simplesmente a exibição de uma intimidade incómoda que deve permanecer escondida, sobretudo quando se trata de uma figura pública.


2. Presumir que Laura Ferreira se sujeitaria a este grau de exposição pessoal (e à violência dos comentários que se lhe seguiram, que ela, mais calejada nestas coisas do que eu, provavelmente previu) por outros motivos que não uma decisão pessoal, é duplamente ofensivo. Por um lado, é negar-lhe o direito a vontade, agenda e intenções próprias, fazendo dela um mero fantoche do marido. Por outro, é atirar-lhe à cara que não tem o amor e o respeito dele, se assim oferece à turba, implacável e com as piores intenções, a sua pretensa fragilidade, sem que ela sequer se aperceba disso. Ou, pior ainda, percebendo a marosca mas aceitando o papel, submissa e acéfala. Ou seja, é chamar-lhe imbecil e/ou conivente. Em qualquer dos casos, feitas as contas, tudo isto é profundamente machista. Diz-se-lhe que fique em casa, quietinha e discreta como costumava ser, pelo menos até estar apresentável outra vez.


3. Se as medidas de austeridade impostas por Passos Coelho chegaram ao extremo de negar tratamentos eficazes a doentes oncológicos porque são caros, grite-se bem alto esse atropelo ao direito dos cidadãos portugueses à dignidade e aos cuidados de saúde. Exija-se o recuo, a mudança. Mas não se misture tudo numa açorda de ódio que acaba por ter como alvo uma mulher que é, ela própria, uma doente oncológica. A frustração leva muitas vezes as pessoas a limites de crueldade, caindo nos mesmos erros que apontam aos outros. Muitos dos comentários críticos que li nas redes sociais são de uma violência sub-humana.

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De cabeça erguida

por Leonor Barros, em 10.07.15

Tenho andado aqui a digerir a polémica em torno do aparecimento da mulher de Passos Coelho sem cabelo e sem peruca num evento oficial. Confesso que a minha primeira reacção foi 'caramba, mas ela não podia ser mais discreta? Há alguma necessidade de se expor desta maneira?' Depois disto, recolhi-me no meu canto, ouvi opiniões sem fim, que como se sabe somos muito opinadores, e comecei a pensar que o desconforto era mais meu, meu apenas pelo horror que sempre me provocam estas situações. Infelizmente não faço parte daquele leque de pessoas preparadas a priori para lidar com a doença e a degradação e sei bem como se morre de cancro, sem essa história ridícula de chamar a todos guerreiros. Cada um luta como sabe e pode. Acredito piamente que todos lutarão enquanto souberem que vale a pena e que sentirão quando chegou o momento de descansar, não de desistir. Descansar. Não vejo razão por que a mulher do PM se há-de cobrir. Tem cancro. Assumiu. Não tem de ficar em casa para nos poupar ao desconforto e não tem de usar peruca pela mesma razão. A vida é o que é.Tiro-lhe o chapéu pela coragem, isso eu sei, porque se tal me acontecesse/acontecer duvido que deixasse que alguém em público me visse careca. 

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Poucos ou muitos?

por Patrícia Reis, em 08.05.14

Os doentes com lúpus, diagnosticados e identificados, são quinze mil. Os medicamentos deixaram de ter comparticipação. Como é uma doença invisível, uma doença que a maioria não entende e que afecta sobretudo mulheres, pois não se diz nada. Entre corticóides, imunosupressores, medicamentos para as articulações e de protecção solar, venha o Diabo e escolha. Este é mesmo o Estado a que chegámos.

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Especial MULHER

por Helena Sacadura Cabral, em 20.06.12

A Liga Portuguesa Contra o Cancro lançou uma Campanha de Sensibilização Nacional para o Cancro do Ovário, que conta com a participação de especialistas médicos, doentes, autoridades de saúde e o apoio da Roche Farmacêutica. 

O que se pretende é aumentar o nível de informação da população sobre a doença, que um estudo recente provou ser, no sexo feminino, a sétima causa de morte mais frequente e cuja incidência está a aumentar nos países desenvolvidos.

O projecto visa também incentivar as mulheres com mais de 55 anos a não deixarem de visitar regularmente o ginecologista, sobretudo após a menopausa, dado que é a partir dessa idade que o cancro do ovário se torna mais frequente e fatal, quando detectado tardiamente. Assim, o objectivo essencial desta iniciativa é o apelo à realização de exames ginecológicos periódicos, que permitam um atempado diagnóstico. 

A campanha vai materializar-se através de diversas acções que irão desde a produção de um vídeo informativo com a participação de figuras públicas, a divulgar nas redes sociais, à apresentação dos resultados de um estudo bastante revelador do tipo de conhecimentos da população acerca do cancro do ovário e à distribuição de folhetos sobre o tema. 

Não deixe de estar atenta. É para seu bem!

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Cancro = Medo

por Patrícia Reis, em 04.02.12

Há uns anos, não me lembro quando, uma actriz que apresentou os Óscares disse, de início, que se tinha recusado a colocar todos os laços representativos de causas e doenças por não combinaram cromaticamente. A coisa não arrancou grande gargalhada.

Quem já viveu com um cancro de mama ou outro, quem acompanhou alguém, quem é casado com uma mulher com este tipo de diagnóstico, é filho ou filha, terá outra perspectiva. Infelizmente a palavra cancro assusta. Não a podemos suavizar com cor-de rosa ou algo assim.

Todas as doenças nos levam a um qualquer lugar onde pensamos que o mundo está ao avesso ou somos nós que nos vimos, de repente, de pernas para o ar.

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