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"Novo" DN

por Alexandre Guerra, em 01.07.18

Por mais voltas que Ferreira Fernandes dê ao texto, e por melhor prosa que utilize para embrulhar este "novo" DN semanal, a verdade é que pouco mais é do que uma versão grande formato do agora defunto Diário. A mesma abordagem editorial, os colunistas desinteressantes de sempre e os suplementos andam próximo do sofrível (um deles chega mesmo a ser quase um catálogo de compras). Nada de novo, portanto, nas temáticas e na forma de abordá-las. Quando seria expectável que se apresentasse um produto de reflexão, que fosse ao encontro das novas tendências, àquilo que fervilha na sociedade, no fundo, que fosse o reflexo dos tempos e das suas correntes de pensamento e culturais, temos um jornal inócuo, que se arrasta na agonia. Para quem já viveu essa situação dentro de um jornal, sabe que nunca há volta a dar. É apenas uma questão de tempo até as rotativas pararem.  

 

Há umas semanas, alguém dizia que, no âmbito deste novo projecto, estaria a ser preparada uma espécie de New Yorker como suplemento, algo que seria muito bem vindo e que, naturalmente, seria uma iniciativa arrojada no panorama miserável da imprensa em Portugal e que poderia ter um nicho de mercado interessante. Na altura, essa ideia pareceu ao autor destas linhas demasiado ambiciosa, sobretudo se tivermos em consideração que, para tal, seria preciso que os donos dos grupos de comunicação social no nosso país se regessem por um novo paradigma, que é o de olhar para estas transformações dos jornais, não por necessidade financeira e, como tal, guiados pelo desinvestimento, mas, antes, como um upgrade na forma de fazer jornalismo, que, obviamente, pressupõe investimento e visão. Foi aliás o que fizeram jornais como o New York Times, El País, Washington Post, FT ou The Guardian, antecipando as mudanças tencológicas e comunicacionais, e introduzindo mais valias na forma de fazer jornalismo. E só assim, com conteúdos e formatos de qualidade, as pessoas estarão dispostas a pagar por notícias. Com cosméticas do refugo impresso e online (não basta dizer que é "premium", tem mesmo que o ser) já não se vai lá, e este aviso não é só para o DN, dirige-se também a outros jornais, impressos e digitais.

 

Quanto ao "novo" DN, espera-se que consiga fazer a sua revolução no digital, já que no papel, dificilmente conseguirá chegar às 25 mil vendas, como é seu objectivo. Seguramente, não com este produto e por mais alusões estilísticas que Ferreira Fernandes faça às suas memórias e aos tempos áureos do jornalismo. Porque não é isso que o trará de volta.

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Morde, Paulinho, morde

por Rui Rocha, em 06.05.17

- Bom dia, Doutor Proença.
- Bom dia. Com quem estou a falar?
- Sou o Paulo Baldaia, Doutor.
- ...
- O Director do DN...
- ...
- Sou o Paulo, Doutor. Do DN. O Paulinho...
- Ah, o Paulinho! Por que é que não disseste logo? Um dia destes tenho de gravar o teu número... Então diz lá, ó Paulinho...
- Era para ver se o senhor Doutor me deixava fazer uma noticiazinha de primeira página com a situação da candidatura do Rui Moreira e do PS no Porto...
- Tás maluco, ó Paulinho? Então mandei-te despedir o Alberto Gonçalves para agora... Vais lá chamar uma bronca dessas à primeira página...
- Não foi um despedimento, Doutor. Não era jornalista e...
- Paulinho!
- Desculpe, Doutor. Mas não ficará mal o DN ser o único a não dar destaque de primeira página ao assunto? Já quando foi dos sms do Centeno passámos uma vergonha tão grande...
- Pronto, ó Paulinho, fazemos assim: não vai para primeira página mas escreves tu um artigo a cascar no PS Porto para despistar.
- Combinado, Doutor. Mas então vou mesmo morder as canelas dos gajos.
- Morde, Paulinho, morde. Assim como assim já ninguém lê as merdas que escreves.

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O pequenino lápis azul

por Rui Rocha, em 04.01.17

O espírito do nobelista vivia esgotadíssimo na Casa dos Bicos onde, como o próprio nome indica, a Pilar não lhe dava descanso. Decidiu, por isso, escapulir-se e refugiar-se nas profundezas mais recônditas do Convento de Mafra, junto mesmo às condutas do saneamento. Esperava, finalmente, encontrar um pouco de paz, ponto E encontrou-a. Encontrou-a, ponto e vírgula Encontrou-a até ao dia em que ouviu ao longe a voz aguda, estridente, de Pilar: "Joselito, iuuuuuuh! Sé qué estás aquí Joselito, iuuuuuh!". O nobelista, em pânico, agarrou-se aos próprios carrilhões, lançou-se no vazio e, esta é uma vantagem dos espíritos, não partiu as pernas ao aterrar porque, como é sabido, os espíritos não têm pernas. E, com essas mesmas pernas que sendo espírito não tinha, deu às de vila-diogo, ala que é cardume, enquanto ouvia ainda na estridência abafada do vento: "Joselito, iuuuuuh!". Os espíritos não têm pernas mas têm memória. E humanos que foram apesar de em essência já não serem, acabam sempre por procurar a natureza que melhor os define. O nobelista correu, portanto, esbaforido e sem pernas, para o DN. E desta vez não quis cá riscos que a estridência daquele "Joselito iuuuuh" ainda lhe fere aqui e agora o exacto sítio onde antes tinha os ouvidos. Nem prateleiras, nem arrecadações, nem condutas de saneamento. Rejuvenescido pelas memórias do DN, já cavalo à solta, longa crina esvoaçante, dentes afiados, com as veias a explodir como se as tivesse, puro-sangue, escolheu a vítima e entrou-lhe no corpo, ali exactamente onde devia estar e lhe faltava a coluna vertebral. O nobelista vive agora, espírito, no corpo de Paulo Baldaia. Faltam-lhe os carrilhões que tinha em Mafra, mas dispõe  de um pequenino lápis azul que o Menino Jesus deu ao Baldaia para ele brincar. Foi assim, ponto final

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