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Monumento ao cinismo político

por Pedro Correia, em 09.06.20

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António Costa falou ao país à hora dos telediários do almoço, tendo à sua direita o cessante ministro das Finanças, pouco depois de este ter consumado sem mais delongas a séria ameaça feita há escassos 29 dias.

Fê-lo obedecendo novamente a uma estratégia de contenção de danos: procurou transmitir a ideia de que mudar o titular da pasta das Finanças no próprio dia em que é apresentado ao País um orçamento suplementar - algo inédito em Portugal e muito difícil de justificar em tempo de pandemia -  constitui o acto de gestão corrente mais natural do mundo. 

 

Fiel cultor da política florentina, que teve Maquiavel como expoente máximo, António Costa não resistiu, no entanto, a espetar uma farpa em directo ao ministro demissionário: «Infelizmente, o Covid não me permite dar agora o abraço que me apetecia dar ao Mário Centeno.»

Minutos depois, revelando ter aprendido muito com ele ao longo destes quase cinco anos de estreita convivência, Centeno deu-lhe o troco em tom idêntico e com o mesmo sorriso glacial: «O abraço fica para uma altura sanitariamente conveniente.» 

O vírus, aqui, só serve de desculpa: ficou evidente que os dois agora se detestam.

 

Esta nada edificante troca de galhardetes, com o País a assistir, é um monumento ao cinismo político. E um mau prenúncio dos tempos que vão seguir-se.

Apesar de tudo, do mal o menos: o novo ministro das Finanças chama-se João Leão. Com este apelido, só pode contar com o meu aplauso e o meu apoio.

 

Leitura complementar: Le parti c'est moi.

Com 15 meses de atraso

por Pedro Correia, em 12.10.18

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Azeredo Lopes viu-se enfim forçado a cessar funções como ministro da Defesa. Marcha com imenso atraso depois de se ter coberto de ridículo em todas as intervenções públicas a propósito do inenarrável folhetim de Tancos, que pôs em causa a autoridade do Estado e manchou a instituição militar. Incapaz de retirar as consequências políticas que se impunham no momento exacto, o inapresentável ministro foi-se arrastando no posto sem perceber que já ninguém o levava a sério. Sai empurrado pela pressão dos editorialistas de turno e obviamente por intervenção do Palácio de Belém, que já tinha sido decisivo para fazer eclipsar de cena outra figura inapresentável, a ex-ministra da Administração Interna.

 

Permitam-me a autocitação, que surge a propósito. A 11 de Julho de 2017, escrevi estas linhas no DELITO: «Constança de Sousa e Azeredo Lopes, detentores de pastas ministeriais ligadas à soberania e representação do Estado, estão a mais no Executivo. Ela desde o dia 18 de Junho, ele desde o dia 30. O facto de se manterem em funções constitui uma prova viva da existência de um inaceitável padrão de duplicidade ética neste Executivo.»

Ela agarrou-se ainda mais três meses ao umbral da porta, ele manteve-se à deriva durante 15 meses, incapaz de reconhecer que não reunia condições mínimas para permanecer em cena, dada a sua manifesta fragilidade institucional. Como se não tivesse havido incúria do Estado nos dramáticos incêndios florestais de Junho, como se a honra e a dignidade das Forças Armadas fossem questões menores.

 

Cada vez aprecio mais João Soares, o único ministro deste Governo que saiu pelo seu pé, sem ser empurrado. Pelo simples motivo de ter prometido duas bofetadas a um par de comentadores no Facebook.

Podem acusá-lo de muita coisa, mas jamais de duplicidade ética. Disse o que disse, arrumou as gavetas do seu gabinete e foi-se.

Primavera chuvosa

por Pedro Correia, em 10.05.18

 

30 de Abril:

Presidente da ADSE, Carlos Liberato Batista, demite-se alegando razões pessoais. Na origem da demissão, uma reportagem da TVI alegando gestão danosa.

 

4 de Maio:

Ministro da Cultura exonera directora-geral das Artes, Paula Varanda, invocando «perda de confiança política».

 

7 de Maio:

Comandante da Protecção Civil, António Paixão, demite-se em divergência com ministro apos ter permanecido apenas cinco meses no cargo.

 

9 de Maio:

Demitiu-se o coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança, Pedro Veiga, um dos pioneiros da Internet em Portugal.

 

9 de Maio:

Antigo secretário de Estado João Vasconcelos arguido num caso de suspeita de fraude relacionado com fundos comunitários numa empresa detida pela mulher.

 

9 de Maio:

Três ex-governantes do consulado de Sócrates estiveram sob escuta nos negócios milionários das 11 parcerias público-privadas: Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos, podem vir a ser constituídos arguidos.

 

Faz toda a diferença

por Pedro Correia, em 19.07.17

 

Enquanto uns por cá permanecem inamovíveis, mesmo quando recebem murros no estômago, noutros quadrantes há quem actue em conformidade, certamente por ter vergonha na cara.

Faz toda a diferença.

Duplicidade ética

por Pedro Correia, em 11.07.17

Eis um governo com uma insólita noção dos graus de responsabilidade política: demite-se um ministro por prometer duas metafóricas bengaladas no Facebook ao mais verrinoso colunista da imprensa, demitem-se três secretários de Estado por terem aceitado um convite de um grupo empresarial privado para assistir a um jogo de futebol.

Pode estar tudo muito certo, mas semelhante critério não devia estender-se, por larga maioria de razão, à ministra que tutela vários organismos que falharam na prevenção e no combate ao mais mortífero incêndio florestal alguma vez ocorrido no País e ao ministro que tutela as estruturas militares publicamente humilhadas no maior roubo de material bélico de que há memória entre nós?

Não sei o que os leitores do DELITO pensam sobre o tema. A minha opinião é clara: Constança de Sousa e Azeredo Lopes, detentores de pastas ministeriais ligadas à soberania e representação do Estado, estão a mais no Executivo. Ela desde o dia 18 de Junho, ele desde o dia 30. O facto de se manterem em funções constitui uma prova viva da existência de um inaceitável padrão de duplicidade ética neste Executivo. E nada como isto o fragiliza tanto.

Demissões

por Rui Rocha, em 10.07.17

Se bem percebo, o Ministério Público demorou um ano a investigar se os governantes que foram ao Europeu de França à custa da Galp foram ao Europeu de França à custa da Galp.

 

Jorge Coelho

por Pedro Correia, em 10.07.17

 

Quanto mais o tempo passa, mais admiro Jorge Coelho.

 


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