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O fim da geringonça

por Pedro Correia, em 03.05.19

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R.I.P.

Foram divulgados números animadores do desemprego. É uma boa notícia para quem, depois de ser desmascarado na praça pública como cínico e mentiroso compulsivo durante a condução do caso "António Domingues", deveria começar já hoje a procurar um novo emprego. Apesar dos sinais positivos do mercado de trabalho, ocupações como vendedor de viaturas em segunda mão, por motivos óbvios, não se aconselham.

Aparentemente, estava farto de engolir swaps vivos.

Obviamente demita-se.

por Luís Menezes Leitão, em 01.07.13

 

Não sinto qualquer pena pela saída de Vítor Gaspar. A meu ver, já vai tarde. Esta carta de demissão é, no entanto, a demonstração cabal do absoluto défice de coordenação política do Governo. Passos Coelho sustentou até ao limite do sustentável um Ministro das Finanças que não acertava uma, para vê-lo fugir precisamente na altura em que a troika vai começar mais uma avaliação. E não arranja mais ninguém para o substituir do que a Secretária de Estado que tem estado debaixo de fogo por causa dos swaps. Pareceria uma brincadeira de mau gosto se o assunto não fosse sério de mais. Vítor Gaspar era o verdadeiro Primeiro-Ministro deste Governo. Agora que se foi embora, é mais que altura de Passos Coelho o seguir. Porque já toda a gente percebeu que com estes protagonistas não vamos a lado nenhum.

Depois de há uns tempos termos ficado a saber que o estado do tempo influencia o investimento, não é sem espanto que constatamos agora que a saída de Vítor Gaspar do governo, hoje consumada, tinha sido já anunciada pelo Borda d´Água. Na verdade, na edição deste ano, pode ler-se que 1 de Julho de 2013 é o Dia do Salvamento:

 

Obviamente demitam-nos.

por Luís Menezes Leitão, em 09.09.12

 

O grande problema dos partidos políticos portugueses é a falta de controlo político sobre a sua liderança. Como existe muito pouco espírito crítico a nível interno, é possível permitir-se a um líder ir somando erros sobre erros, que levam o partido, e se estiver no governo também o País, ao desastre. E as poucas vozes críticas que surgem são normalmente silenciadas pelo coro da côrte de fiés, que habitualmente circula à volta do líder.

 

Foi assim que Santana Lopes fez embarcar o PSD num governo sem qualquer legitimidade política, que foi acumulando erros sobre erros, acabando o Governo ceifado por Sampaio, com o PSD a tentar evitar o evidente desastre eleitoral subsequente cantando em hino louvores ao "menino guerreiro". Sócrates, pouco tempo antes de atirar o país para a bancarrota, era reeleito pelo PS  em Congresso com 91% dos votos, não tendo o seu partido naturalmente escapado ao desastre eleitoral subsequente.

 

O governo de Passos Coelho enfrenta neste momento a mesma crise de legitimidade do governo de Santana Lopes. Foi eleito com um programa completamente contrário ao que está agora a realizar e tem-se revelado de um enorme desprezo pelo sofrimento das pessoas, o que é chocante para a matriz humanista do PSD. Passos Coelho transformou-se num novo "menino guerreiro", querendo combater a todo o custo pela execução do programa de ajustamento, efectuando assim a maior engenharia social a que o país alguma vez foi sujeito. E os que circulam à sua volta minimizam os custos enormes disto para o país. Só a maior inépcia política pode levar Passos Coelho a anunciar estas medidas a seco, sem qualquer palavra para os sacrificados, a que se segue este patético post no facebook, terminando com o ir assistir a um concerto logo a seguir. E que dizer desta inenarrável declaração de Aguiar-Branco, segundo o qual os funcionários públicos só estão a ser "um bocadinho prejudicados nas remunerações".

 

E, como já se sabia, estas medidas brutais não são suficientes, porque para quem tem esta insensibilidade social nada é suficiente.

 

Neste momento o PSD está confrontado com uma questão muito simples. Ou vai atrás deste segundo "menino guerreiro", deixa-o afundar o país, e afunda-se com ele, ou põe imediatamente termo a este Governo. Com a capacidade de sobrevivência que o PSD sempre teve, espero que tome a decisão que se impõe e que é a de parar imediatamente com isto. O governo de Santana Lopes pode ter cometidos muitos erros políticos, mas pelo menos não era cruel. Pelo contrário, este governo é de uma crueldade sem limites, com um profundo desprezo pela desgraça dos sacrificados e pelos limites constitucionais à sua actuação. E a crueldade deliberada, como diz a personagem de Blanche Dubois no Um Eléctrico chamado Desejo, é a única coisa que é insusceptível de ser perdoada. Os eleitores portugueses nunca perdoarão ao PSD o que este Governo lhes está a fazer.

 

Pessoalmente espero que Passos Coelho se tenha divertido imenso a assistir ao concerto de Paulo de Carvalho. E espero também que o cantor não se tenha esquecido de lhe dedicar esta música.


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