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Delito de Opinião

Presidenciais (1)

Pedro Correia, 07.01.21

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DEBATE MARCELO-VENTURA

André Ventura teve ontem direito ao seu momento Basílio Horta. Confrontando o poderoso e popular Chefe do Estado que se recandidata a mais cinco anos como inquilino do Palácio de Belém.

O fio do tempo segue percursos sinuosos. Herdeiro espiritual de Basílio em eleições presidenciais, Ventura só tinha oito anos quando o fundador e primeiro secretário-geral do CDS concorreu à Presidência da República com um feroz discurso da direita "fracturante". Culminado num célebre frente-a-frente com Mário Soares nessa campanha presidencial de 1991. A notícia foi ele, por ter afrontado o recandidato apoiado pelos dois partidos maioritários, PSD e PS. 

Destronar Soares - ou sequer forçá-lo a disputar uma segunda volta - parecia tarefa impossível. E era mesmo: o Presidente recandidato obteve 70,4% nas urnas, esmagando Basílio, que se contentou com 14,2%.

 

O curioso, nesta vida política portuguesa pautada pela falta de memória, é assistirmos a repetições que parecem novidade aos incautos. Ontem, no debate entre André Ventura e Marcelo Rebelo de Sousa na SIC, o deputado único do Chega esteve para o seu adversário como a réplica exacta de Basílio naquele frente-a-frente de 1991. A mesma fluência verbal, a mesma repetição de frases sincopadas e façanhudas, a mesma invocação da "verdadeira direita" - de músculo forte, em desprezo absoluto pelos fracos.

Com simetria quase perfeita. Na altura, Soares era acusado à direita do PSD de contemporizar em excesso com o Executivo de Cavaco Silva, tal como Sousa agora recebe farpas pela sua excessiva aproximação ao Governo de António Costa. 

 

Faltava quem corporizasse tal causa. Coube o turno a Ventura, que se apresentou em estúdio com duas fotografias: na primeira via-se o Presidente com várias pessoas, incluindo um presumível delinquente; na segunda, datada de Junho de 2017, com Marcelo junto a um senhor já falecido, na altura em pranto por ter perdido os bens na catástrofe de Pedrógão.

Houve um tempo, neste país, em que os mortos também votavam. Agora servem para caçar votos, quando todos os meios se tornam lícitos para atingir os fins. Talvez nem o arguto Marcelo esperasse tal estocada: fez bem, de qualquer modo, em não trocar cromos com Ventura. Se o fizesse, poderia mostrar imagens enternecedoras da criatura junto ao criador, Luís Filipe Vieira, que iniciou Ventura nas lides televisivas como seu fiel discípulo no canal do Benfica. 

 

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O inquilino de Belém optou inicialmente pela via pedagógica, estabelecendo diferenças entre a «direita social», a que ele pertence, e «a direita securitária, a direita do medo», corporizada no antigo comentador de futebol. 

Estabeleceu fronteiras em matéria de valores. Considerando inaceitável, por exemplo, que alguém tente reintroduzir penas perpétuas em Portugal.

Ventura deu-lhe réplica, bem ao seu estilo: «Eu não vou ser Presidente dos traficantes de droga, dos pedófilos, dos que vivem à custa do Estado com esquemas de sobrevivência paralelos enquanto os portugueses de bem pagam os seus impostos.» E garantiu que a prisão perpétua vigora na maioria dos países da Europa. É falso, mas o timoneiro do Chega sente alergia aos factos quando atrapalham a sua narrativa.

 

Em 1991 Basílio conseguiu irritar Soares, que entrou em estúdio com ar pachorrento. Ventura seguiu idêntico guião em 2021: a gota de água, para que Marcelo abandonasse o terreno da amabilidade, foi a exibição da fotografia com o senhor já falecido, entre crescentes insinuações acerca da indiferença presidencial perante a tragédia dos incêndios florestais.

«Se há exemplo de doação minha integral é o dos fogos. Os portugueses lembram-se. Eu estive lá! Eu estive lá! Eu estive lá! Não estiveram muitos políticos, mas eu estive lá!» E, sem desviar os olhos de Ventura: «O senhor andou lá? Foi lá ver? É uma demagogia barata.»

 

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Naquele instante, o seu antagonista cumpriu um desígnio táctico: conseguira que Marcelo perdesse a compostura presidencial. Imagino Basílio a sentir o mesmo perante Soares há 30 anos, ao desfiar-lhe o novelo dos escândalos de Macau.

Mas o candidato do Chega, dominado pela vertigem da velocidade, não se satisfaz com pouco. Pisou ainda mais o acelerador acusando Marcelo de ser «manipulado pelo Governo»

Seguiu-se este breve diálogo, com o Presidente à defesa:

- Fiz o discurso mais violento que houve contra o Governo.

- E consequências disso?

- A ministra da Administração Interna pediu a demissão imediatamente.

 

O comentador Marcelo apenas cerebral, destituído de emoções e afastado do palco da política, teria aconselhado o recandidato a não ir por aí: exonerar ministros recorrendo a discursos não integra o rol de competências do Presidente da República. Nem a revelar o conteúdo das conversas que trava com os seus convidados no Palácio de Belém, como Rebelo de Sousa fez já no final do frente-a-frente: nestas coisas convém nunca abrir precedentes, sejam quais forem os estados de alma do titular do cargo.

De qualquer modo, Ventura só venceria o debate - muito bem moderado por Clara de Sousa - se aquilo fosse um concurso de frases sonantes. Para azar dele, a política é muito mais que isso.

Nesta campanha, o solitário parlamentar do Chega apenas triunfará se forçar Marcelo a uma segunda volta. À falta disso, resta-lhe um prémio de consolação: conquista o Troféu Basílio Horta. 

 

Aos mais distraídos, convém recordar que o candidato da "verdadeira direita" nas presidenciais de 1991 é hoje presidente da Câmara de Sintra, eleito pelo Partido Socialista. 

A vida dá muitas voltas. E a geometria partidária também.

 

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Frases do debate:

 

Marcelo  - «Eu sou da direita social, centro-direita, direita social, que se reconhece na doutrina social da Igreja, no Papa Francisco, na preferência pelos pobres, pelos explorados, pelos oprimidos, pelos dependentes.»

Ventura  - «Eu só posso ficar desapontado, à direita, com a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.»

Marcelo - «Eu não faço das presidenciais umas primárias das legislativas, eu não tenho várias agendas ao mesmo tempo.»

Ventura - «[Marcelo] passou os últimos anos a desacreditar o centro-direita.»

Marcelo - «Eu sou Presidente de todos os portugueses. Dos desempregados, dos pobres, dos imigrantes.»

Ventura - «Marcelo Rebelo de Sousa é manipulado pelo Governo.»

Marcelo - «Eu não tenho nada a ver com a sua direita.»

Ventura - «Será que alguém de direita, que esteja bom da cabeça, pode votar Marcelo Rebelo de Sousa?»

Debate e cidadania

José Meireles Graça, 28.09.20

Bruno Alves, proprietário de uma excelente cabeça, disse numa rede, a propósito de um debate sobre a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento: “De um lado, o pessoal achou que Oliveira ‘destruiu’, ‘humilhou’, ‘arrasou’, ‘arrumou’, ‘limpou’ ou ‘deixou KO’ Sousa Pinto. Do outro, a conclusão foi de que Sousa Pinto ‘destruiu’, ‘humilhou’, ‘arrasou’, ‘arrumou’, ‘limpou’ ou ‘deixou KO’ Oliveira. O que só quer dizer que ficou demonstrada a absoluta inutilidade do debate político”.

Foi realmente assim, confirmo. Mas não subscrevo a ideia da inutilidade: quando o assunto se presta a diferenças nítidas esquerda/direita, e se não houver um patente desnível da capacidade argumentativa dos debatedores, o normal é que cada um veja como campeão aquele cujas ideias subscreve. Isto justificaria realmente que todos os debates desta natureza fossem inúteis se não se desse o caso de as ideias que as pessoas têm sobre a forma como o Estado deve intervir na vida dos cidadãos evoluírem.

Evoluem, sim. Tanto que todos conhecemos pessoas que se deslocaram para a direita do espectro, defendendo hoje o que antes censuravam, e, ao contrário, pessoas que se deslocaram para a esquerda, perdendo a capacidade de detectar tolices.

O próprio Daniel Oliveira é um exemplo disso, tanto que no seu extenso percurso político já esteve muito mais à esquerda. E gente incuravelmente optimista como eu, que simpatizo com o homem, vai a ponto de imaginar que, se a esperança média de vida estivesse nos 120 anos, aquele ilustre comentador da Sic ainda podia bem acabar em liberal.

Os debates fazem parte deste lento processo de alquimia: em sólidos edifícios de certezas um dia um argumento pode abrir uma fenda imperceptível; mais à frente a fenda pode evoluir para uma brecha; e um belo dia já há uma cratera e o habitante muda de poiso. Um debate não chega e, nesse sentido, é inútil; são necessários muitos, e são portanto essenciais.

O Bruno sabe bem disto. Irritou-se foi com a acrimónia, que realmente era dispensável, ainda que por mim ache que o que se perdeu em civilidade se ganhou em sinceridade. E se lá estivesse ainda era pior porque nem sequer entendo, como Sérgio, que o programa da disciplina devesse ser outro, mas antes que nem sequer deveria existir, ao menos sob a forma obrigatória. E a indignação moralista de Daniel, que guardou do Bloco aquele tique de depositário de uma superioridade moral que imagina ser atributo daquela seita tresloucada que ajudou a fundar, convenhamos: faz perder a cabeça a um santo.

Não vou juntar o meu arrazoado ao que inúmeros (desde logo os dois contendores, ambos em artigos no Expresso) já disseram: quem quiser que vá ler, além deles, o que escreveram, por exemplo, António Barreto ou Mário Pinto.

Somente chamo a atenção para este facto que, por demasiado óbvio, passa despercebido: quase toda as pessoas de direita são contra esta Cidadania e Desenvolvimento; e quase todas as de esquerda são a favor.

O que significa que, a mim, não me passa pela cabeça educar os filhos de Daniel. Se, por exemplo, o bom do intelectual quiser oferecer às netinhas carrinhos e não bonecas, não vá as prendinhas inculcarem nos tenros espíritos das meninas ideias preconcebidas sob géneros, por mim faz favor; mas já vejo com maus olhos que a escola diga à minha neta que, se o vovô lhe deu bonecas e não carrinhos, fez muito mal porque o paizinho tem tanta obrigação de cuidar dos filhos como a mãezinha.

Talvez tenha. Mas isso é um assunto nosso – não de Daniel, nem da escola, nem do legislador.

E então, este Sérgio, deputado socialista, ou, já agora, António Barreto, são de direita? Não. Apenas têm a ideia peregrina de que, no combate das ideias, é um golpe baixo formatar os filhos de uns nas ideias dos pais de outros. Ou pelo menos é assim que interpreto. Mas, lá está, não sou um espectador isento.

Fora da caixa (19)

Pedro Correia, 01.10.19

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«Temos de libertar a comunicação social da tutela dos partidos políticos, sobretudo do cartel de partidos políticos dominantes na Assembleia da República.»

António Marinho Pinto, do Partido Democrático Republicano (ontem, na RTP) 

 

A RTP cumpriu ontem a sua vocação de serviço público. Dando voz aos chamados "pequenos partidos" que concorrem à eleição do próximo dia 6.

Eram 15, no total: recorde absoluto em debates deste género. Nada fácil de conduzir, numa emissão que durou mais de duas horas e esteve a cargo da jornalista Maria Flor Pedroso.

Uma emissão verdadeiramente democrática. Que juntou candidatos da extrema-direita (como José Pinto Coelho, do PNR) e da extrema-esquerda (como Cidália Guerreiro, do MRPP). Que pôs o antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes (em representação da Aliança) ao lado do antigo calceteiro Tino de Rans (do novo partido RIR).

É vergonhoso que os canais privados de televisão - infestados de doutos comentadores que lançam anátemas ao sistema político e costumam criticar a perpetuação dos mesmos protagonistas na cena partidária portuguesa - tenham abdicado de organizar debates com partidos que não estão representados na Assembleia da República.

Apostar só no consagrado é assumir uma opção editorial de vistas curtas. E com manifesta falta de sensibilidade democrática. Lamento que Ricardo Costa (da SIC), Sérgio Figueiredo (da TVI) e Octávio Ribeiro (da CMTV) tenham sido incapazes de dar voz aos que falam e pensam de modo diferente. Ao menos por uma vez em quatro anos.

Fossem estes candidatos jogadores de futebol ou treinadores da bola e teriam todo o tempo e todo o espaço nos canais que aqueles jornalistas dirigem. Dá que pensar. Depois não venham pregar-nos sermões sobre défice democrático. Poupem-nos, ao menos, a tamanha hipocrisia.

Há vida para além da bola

Pedro Correia, 17.09.19

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Debate Costa-Rio foi ontem acompanhado por 2,7 milhões de telespectadores. Demonstração clara de que as pessoas se interessam por política. E só não acompanham mais porque os canais de televisão pouco mais têm para oferecer do que telenovelas e futebol. Aliás, à hora do debate, um dos putativos canais de "notícias" dava destaque... à bola.

 

Foram estes os outros debates com maior audiência:

Costa-Sousa (SIC) - 1,1 milhões de espectadores

Costa-Silva (SIC) - 1,065 milhões de espectadores

Costa-Cristas (TVI) - 935 mil espectadores

 

Costa lidera, portanto - não só nas sondagens, mas também nos debates.

O menos visto? Martins-Silva, na SIC Notícias, apenas com 68.100 espectadores.

Fora da caixa (9)

Pedro Correia, 17.09.19

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«Estamos a viver num período de desaceleração geral de grande parte das economias europeias

António Costa, no debate com Rui Rio (ontem)

 

Rui Rio venceu esta noite o mais badalado debate da campanha eleitoral em curso. Teve a tarefa facilitada: em vez de lhe surgir um "animal feroz", para usar uma expressão popularizada por um antigo líder do PS, saiu-lhe um bonzo propenso à beatitude. António Costa, embalado por todas as sondagens, entrou em estúdio com ar de quem passara parte da tarde a dormir uma boa sesta. Faltava-lhe ânimo para uma refrega. E, sobretudo, faltava-lhe motivação: Rio anda há quase dois anos a dizer que o seu principal desígnio estratégico é tirar o Bloco de Esquerda da área da governação e rubricar grandes pactos de regime com o PS. Música para os ouvidos socialistas.

O presidente do PSD seguramente não se encostou ao travesseiro durante a tarde. Na mais recôndita parcela do seu instinto político deve ter soado enfim uma campainha de alarme: se desperdiçasse o tempo de antena proporcionado por este debate - transmitido em simultâneo por três canais de televisão - podia desde já fazer as malas, de regresso definitivo ao suave aconchego doméstico do seu Alto Minho.

Decidiu, portanto, ser combativo. E fez bem: assim o que resta da campanha promete tornar-se menos desinteressante. Naquele seu estilo peculiar de quem parece sempre um recém-chegado à política, apesar de não lhe ser conhecida outra actividade relevante nos últimos 35 anos, Rio falou de coisas concretas. Dos novos salários dos magistrados, em chocante disparidade com os dos professores. Da queda sem precedentes do investimento estatal, sujeito às cativações do ministro Centeno. Da enorme degradação dos serviços públicos. Da carga fiscal que não cessa de aumentar. Da actual execução orçamental na saúde, inferior à registada nos duros anos da tróica. Dos 330 mil portugueses que abandonaram o País nesta legislatura, num silencioso êxodo que noutros tempos daria notícias de abertura nos telejornais.

Bastou-lhe isto para sobrepor-se num debate ao qual chegou com expectativas pouco acima do zero, dadas as suas prestações anteriores e o seu insólito hábito de gastar energias a combater jornalistas e empresas de sondagens em vez de dar luta aos rivais políticos.

O bonzo, à sua frente, parecia surpreendido com o assomo de protagonismo de quem até aí só lhe merecera um aceno de condescendência, não isento de comiseração. A dado passo, terá até sentido um vago impulso de se sujeitar ao confronto verbal. Mas a inércia levou a melhor. Picou o ponto, debitou os chavões da praxe («devolvemos rendimentos», «temos contas certas», etc.), foi advertindo a massa ignara para a «desaceleração» que está prestes a chegar - quase como se falasse no diabo - e deu-se por satisfeito com a sofrível prestação. «Poucochinho», diria ele se estivéssemos em 2014. Falando não de si próprio, mas de outro.

Esta tarde - sou capaz de apostar - volta a dormir uma boa sesta outra vez.

Europeias (3)

Pedro Correia, 08.05.19

 

 

 MAIS SETE

 

A SIC - em tempo parcial - e a SIC Notícias - a tempo inteiro - fizeram hoje serviço público ao trazerem a debate sete cabeças de lista de partidos e coligações que se apresentam às eleições europeias de 26 de Maio e não dispõem hoje de qualquer representante no Parlamento Europeu.

De fora ficaram não apenas os seis que já tinham participado no debate anterior, aqui comentado, mas outros quatro, que não surgirão em debate algum, em obediência a um critério editorial enunciado pelo moderador, Bento Rodrigues: dar voz às quatro forças políticas que se apresentam  agora sem ter concorrido há cinco anos (Aliança, Basta, Livre e Nós, Cidadãos) e aos três partidos que nas anteriores europeias tinham conseguido mais de 1% nas urnas embora sem elegerem eurodeputados (Livre, MRPP e PAN).

É um critério discutível, mas claro e assumido pela estação. Assim compareceram esta noite no estúdio da SIC os candidatos André Ventura (Basta), Paulo Morais (Nós, Cidadãos), Paulo Sande (Aliança), Francisco Guerreiro (PAN), Luís Júdice (MRPP), Ricardo Arroja (Iniciativa Liberal) e Rui Tavares (Livre). Os três primeiros engravatados, os outros quatro de colarinho aberto. E o representante do MRPP apenas em camisa: o casaco ficou em casa.

Bento Rodrigues, tal como no debate anterior, mostrou-se bem preparado. Mas voltou a revelar excessiva preocupação na cronometagem das intervenções, interrompendo demasiadas vezes os candidatos. Precisamente na mesma estação de televisão onde noite após noite ouvimos vários comentadores a falarem horas seguidas sobre futebol sem serem interrompidos, o que não deixa de ser irónico. E tanta pressa afinal para quê? Adivinharam: para dar lugar a um desses comentadores de bola, por sinal aquele que dispõe de mais tempo de antena na estação sem que ninguém lhe trave a ladainha.

Fica o registo sumário da prestação dos sete. Um por um.

 

ANDRÉ VENTURA (Basta)

O melhor. Aproveitou quase todas as intervenções para defender a redução da carga fiscal.

O pior. Não rejeitou o rótulo de extrema-direita.

Palavra-chave. Segurança.

Frase. «Temos que ter um controlo sério, não pode ser a bandalheira a que assistimos hoje: entra qualquer pessoa [em Portugal], de qualquer forma.»

 

FRANCISCO GUERREIRO (PAN)

O melhor. Saiu em defesa do reforço da independência energética.

O pior. Falou em «trazer os jovens para a política» sem especificar como.

Palavra-chave. Animais.

Frase. «Na questão dos refugiados temos que ter uma especial atenção com as comunidades LGBT.»

 

LUÍS JÚDICE (MRPP)

O melhor. Falou sem ambiguidades: quer ver Portugal fora da União Europeia e do euro.

O pior. Defende que não devemos pagar a dívida externa: quem nos emprestou dinheiro não receberia um tostão de volta.

Palavra-chave. Soberania.

Frase. «Um país sem moeda não é soberano.»

 

PAULO MORAIS (Nós, Cidadãos)

O melhor. Lembrou «o grande carrossel da corrupção» registado durante duas décadas em Portugal com os fundos sociais europeus, que foram parar onde não deviam.

O pior. Quem ignora o que é o Nós, Cidadãos ficou a saber o mesmo sobre este partido: nada.

Palavra-chave. Transparência.

Frase. «Ao fim de 33 anos, continuamos na cauda da Europa.»

 

PAULO SANDE (Aliança)

O melhor. Afirmou-se liberal, sem rodeios nem rodriguinhos.

O pior. Falou duas vezes em «mandato negociado», conceito que poucos terão abarcado.

Palavra-chave. Coesão.

Frase. «Temos de recuperar Bruxelas para Portugal.»

 

RICARDO ARROJA (Iniciativa Liberal)

O melhor. Falou para as novas gerações em defesa do voto electrónico e das novas tecnologias, que possibilitem «um mercado comum de serviços digitais.»

O pior. Mencionou algumas siglas europeias sem as descodificar.

Palavra-chave. Escolha.

Frase. «Os fundos europeus não devem servir para alimentar subsidiodependências.»

 

RUI TAVARES (Livre)

O melhor. Pronunciou-se sobre o combate à criminalidade organizada e advogou um plano europeu de combate à pobreza.

O pior. Sendo um dissidente do BE, deixou sem explicar em que se distingue afinal deste partido.

Palavra-chave. Democratização.

Frase. «A deputada Ana Gomes, que vai agora encerrar uma carreira brilhante no Parlamento Europeu, disse que queria que eu fosse o ponta-de-lança dela no Parlamento Europeu.»

Um exemplo construtivo

João André, 25.05.18

Não sou sportinguista e assisto à crise dos leões com um misto de precupação e SchadenfreudeSchadenfreude porque como benfiquista é-me difícil não o fazer, mesmo sabendo que é de mau gosto. Mais importante no entanto é a precupação com uma instituição centenária e fundamental ao desporto português e, sim, também ao Benfica.

 

Nesta outra casa do Pedro e outros autores do Delito de Opinião, muitos posts se têm escrito sobre a crise. Vale a pena ir lendo se se tiver tempo. Há no entanto um autor que eu não costumo ler mas que, para mim, tem sido um exemplo nos últimos tempos.

 

O Pedro Azevedo tem aproveitado este período para apresentar as suas ideias para o Sporting, numa série de posts com o título "Há vida para além do défice". Estes posts são um exemplo, não apenas para um Sporting que vive muito de um momento cujo alfa e ómega da discussão é "Bruno de Carvalho fora!", mas para toda a sociedade portuguesa, que vive em estados de sebastianismos permanentes, sempre à espera que alguém apresente uma solução para os seus problemas, idealmente sem que tenham que fazer seja o que for.

 

Seria bom que mais pessoas fizessem o mesmo: apresentassem as suas ideias para os problemas dos quais se queixam. Não precisam de ser soluções perfeitas. Muitas vezes apenas alguns conceitos, por imperfeitos que sejam, servem de excelente ponto de partida para uma discussão construtiva. No caso do Sporting, era óptimo que mais pessoas pegassem nesta discussão e a levassem mais além. O Pedro Azevedo tem dado o seu contributo, espero que alguém pegue nele.

 

Até porque Schadenfreude é uma coisa muito feia...

Fernando Negrão: antologia breve

Pedro Correia, 28.02.18

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Palavras de Fernando Negrão, hoje, na sua estreia como líder parlamentar do PSD no debate quinzenal com o primeiro-ministro:

 

«O senhor primeiro-ministro tem mais experiência política do que eu.»

«Eu quero ser leal consigo.»

«Esta bancada é uma bancada de oposição. Irá exercer essa oposição de uma forma responsável, construtiva, mas firme.»

«Tenho a certeza, senhor primeiro-ministro, que será possível, nas grandes questões de interesse nacional, nós dialogarmos e chegarmos a acordo.»

«Se essas questões de interesse nacional e de regime exigirem o diálogo e o acordo necessário, há toda a disponibilidade desta bancada para o efeito.»

Análise do debate.

Luís Menezes Leitão, 11.01.18

Não sei se o debate de ontem foi um nulo ou se teve algum vencedor. Depende muito dos conhecimentos que o público tenha em relação aos assuntos que estão em discussão. Lembro-me que um colega me dizia, em relação aos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa, que estava sempre de acordo com ele, excepto quando estava dentro dos assuntos. Para mim ouvir Santana Lopes a debater questões económicas é como ouvir um concerto para violino de Chopin.

O embate deu empate (nulo)

Pedro Correia, 11.01.18

À hora do debate entre os dois candidatos à liderança do PSD optei por assistir ao jogo Cova da Piedade-Sporting. Só perto da meia-noite vi em gravação o segundo confronto televisivo entre Rui Rio e Santana Lopes, desta vez na TVI e só parcialmente em sinal aberto.

Nem queria acreditar: os últimos cinco minutos deste embate decorreram com ambos os candidatos a perorar sobre cenários de derrota eleitoral do PSD em futuras legislativas. Um admitia viabilizar um governo minoritário do PS com Costa, outro admitia viabilizar um governo minoritário do PS sem Costa.

A moderadora, Judite Sousa, introduziu o tema e ambos caíram na armadilha, como principiantes da política. Discutindo a melhor forma de entregar o poder de bandeja aos socialistas.

Veredicto: empate nulo. Como o zero-a-zero que se registava ao intervalo do Cova da Piedade-Sporting. Costa só pode sorrir: tem motivos para isso.

O jornalismo perdeu por goleada

Pedro Correia, 16.09.17

Será talvez pleonástico, mas a RTP cumpriu a sua obrigação de serviço público, sem aspas. Anteontem à noite, ao juntar no mesmo estúdio os 12 candidatos à presidência da Câmara de Lisboa, num debate bem moderado por António José Teixeira. Oportunidade para ouvirmos alguns dos que actuam no chamado "campeonato dos pequenos", com aspas. Só assim denominado porque outros canais televisivos, como a  SIC e a TVI, decidiram apostar apenas nos mesmos - os do costume, os de sempre.

Critério jornalístico, dizem. Se a pauta que aplicam aos candidatos fosse aplicada pelos espectadores às televisões, nunca ambas, TVI e SIC, teriam destronado o canal público.

 

À mesma hora em que os doze de Lisboa debatiam na RTP, a TVI dava um exemplo inverso, de mau jornalismo, ao reunir num debate cinco dos sete candidatos à câmara de Loures (e porquê Loures e não Odivelas, ou Sintra, ou Matosinhos, ou Almada, ou Gaia, ou Barreiro?) apenas para dar palco ao estridente e histriónico candidato do PSD. Que foi o primeiro a falar, por amável deferência da imoderadora Judite Sousa, e também o único que falou o tempo todo, monopolizando a sessão. Tudo menos um debate, afinal.

Vendo bem, o que estava ali em jogo era uma tentativa quase desesperada da TVI de roubar por 90 minutos - o tempo que dura, em regra, um desafio de futebol - um protagonista habitual da sua concorrente CMTV, que já a ultrapassou em audiência nos canais por cabo. O cabeça de proa do PSD, travestido de Tea Party em Loures, teve o seu momentinho de glória perante a benevolente Judite e o ar acabrunhado dos figurantes neste pseudo-debate onde o melhor da política, que todos dizem ser a que se desenrola no plano autárquico, deu lugar ao pior do futebol.

 

Levado ao colo pela jornalista incapaz de arbitrar, o tipo que só quer aparecer e diz tudo o que possa dar-lhe audiência no campeonato dos cromos televisivos - incluindo injuriar sportinguistas, destratar ciganos e mandar às malvas o Código Penal - ganhou por goleada. Derrotando não os rivais que com ele surgirão nos boletins de voto mas o jornalismo sem aspas, que ainda enaltece a isenção e o pluralismo como imperativos éticos e virtudes cívicas.

As autárquicas só serviram de pretexto.

O debate em Lisboa.

Luís Menezes Leitão, 07.09.17


Assisti ontem ao debate na TVI24 entre (alguns) candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. Achei o debate muito fraco e foi uma grande desilusão que as candidatas do centro-direita não tenham sido capazes de contraditar Medina, quando ele insistiu que vai continuar a cobrar aos lisboetas uma taxa inconstitucional, que os outros municípios estão a abolir, com argumentos completamente estapafúrdios, como o facto de os bombeiros concordarem com a taxa. Dos dois debates que já vi deu para perceber que Medina é um péssimo presidente da Câmara que herdou, vindo para os debates apenas dizer generalidades, e que Assunção Cristas está muitos pontos acima de Teresa Leal Coelho. Mas seguramente que o candidato mais bem preparado é João Ferreira, do PCP. Demonstra um profundo conhecimento dos dossiers e tem sempre uma argumentação consistente perante os outros candidatos, levando a que até Teresa Leal Coelho vá muitas vezes atrás do que ele diz. Foi o único capaz de dizer a Medina uma coisa óbvia, a de que não se admite uma Câmara cobrar taxas para prestar socorro à população. Os partidos do centro-direita deveriam por isso pôr os olhos no PCP no que respeita à preparação de candidaturas autárquicas. Graças apenas à boa preparação dos seus candidatos, um partido com uma ideologia totalmente ultrapassada consegue continuar a ser uma força política em Portugal.


A importância de ouvir quem sabe

Pedro Correia, 26.07.17

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Ocorreu ontem à noite na SIC Notícias um bom debate sobre a tragédia dos incêndios que tem devastado Portugal nestas últimas semanas e já consumiu mais de 75 mil hectares de terreno rural e florestal. Um debate para o qual gostaria de vos chamar a atenção: nele não escutámos a habitual ladainha de lugares-comuns e clichês ideológicos que é costume ouvirmos debitar por parte daqueles que, sem nunca terem saído de Lisboa, se atrevem a dar receitas sobre o "reordenamento florestal" do País.

Um debate que juntou António Gonçalves Ferreira, produtor florestal e presidente da União de Floresta Mediterrânica, Henrique Pereira dos Santos, arquitecto paisagista e presidente da Associação da Conservação da Natureza, António Rosa Gomes, especialista em segurança contra incêndios e ex-chefe do comando de bombeiros da Amadora, e Nelson Mateus, jornalista da SIC sediado na zona centro e já com vários anos de experiência em reportagens sobre incêndios agrícolas e florestais.

 

Aqui deixo algumas frases que fui registando:

  • «[Em Portugal há] condições geográficas para termos um crescimento dos matos muito rápido. Aquilo que conta na frente do fogo não são as árvores mas os combustíveis que têm até seis milímetros de espessura: o que conta são as ervas, os matos, as folhas, os ramos finos... Como temos Invernos muito amenos, a vegetação não pára de crescer no Inverno, e temos Verões relativamente húmidos, o que faz que continue a crescer no Verão. E é por isso que arde [sobretudo] a norte do Tejo, tal como em Espanha 50% dos fogos são na Galiza.»
  • «O fogo é uma inevitabilidade. Não vale a pena pensar que é uma probabilidade. E nós temos de aprender a conviver com ele. (...) O fogo é um elemento tão natural como a água, como o vento ou como a terra.»
  • «Não podemos estar a apostar sempre na resolução do problema pondo na medida reactiva aos incêndios todo o esforço, de forma desproporcionada e pouco inteligente. A gestão da emergência não deve ser confundida com a gestão das operações de emergência. A gestão da emergência começa na pré-emergência. Não podemos esperar resultados diferentes se fizermos sempre as coisas da mesma forma.»
  • «Em muitas destas aldeias [ameaçadas pelas chamas] aquilo que encontramos são pessoas idosas, já com poucas forças, já com problemas de saúde. Aí é perfeitamente compreensível que surjam essas queixas sobre a falta de meios. (...) Quando existem vários grandes incêndios coloca-se a questão da gestão de meios. Esta queixa da falta de meios em Mação, quando existem grandes frentes de incêndio em locais muito distintos, é um aspecto que merece uma reflexão dos responsáveis operacionais.»
  • «Devíamos separar fogos urbanos de fogos florestais. A forma de os combater é diferente. O que se faz [nos florestais] é retirar combustíveis da frente de fogo. (...) Os grandes fogos levam-se à extinção, combatem-se nas laterais e de trás para a frente.»
  • «É necessário estruturar devidamente as carreiras de bombeiros, as suas especializações, e construir um edifício que permita que o voluntariado corresponda a uma verdadeira profissionalização da acção por melhoria de competências. (...) O actual modelo formativo está absolutamente desadequeado.»
  • «Esta "reforma da floresta" [em curso] torna-a menos competitiva e em nada contribui para a diminuição do risco de incêndio. Aponta para o eucalipto como principal culpado de todos os males da floresta quando nós sabemos que uma das principais defesas da floresta é a sua rentabilidade. (...) É um conjunto de medidas desgarradas que não responde nem às necessidades da floresta nem às preocupações de todos os agentes a ela ligados.»

 

Transforma-te num comentador da questão síria em cinco simples passos

Rui Rocha, 07.04.17

Com o ataque dos Estados Unidos à Síria, corres o risco de ser convidado para partipar numa discussão televisiva ou radiofónica sobre o tema. Não percebes pevide do assunto? Nada temas. Tens aqui tudo o que é necessário para saires do debate em ombros.

Intervenção inicial: transmite com clareza a tua visão abrangente sobre o problema e as suas diversas implicações. Frase a utilizar: "é demasiado simplista colocar as coisas em termos de Ocidente contra Rússia. O mundo de hoje é multipolar e global. A Síria é um tabuleiro político para onde confluem questões geoestratégicas com ramificações que vão muito além da influência regional". Olha em redor para todos os outros participantes com ar confiante. Marcaste pontos. Alisa a franja do cabelo como se fosses o Nuno Rogeiro e não contraries a tentativa de intervenção que certamente um outro tertuliano tentará fazer. Já ninguém conseguirá ultrapassar uma análise global tão abrangente como a tua a não ser que invoque uma invasão iminente de marcianos.

Intervenção subsequente: demonstra inequivocamente o teu conhecimento sobre a linha estratégica trilhada pela Rússia como elemento chave no contexto internacional. Frase a utilizar: "a Síria tem uma importância fundamental para Putin (aqui pronuncia como o Zé Milhazes) sobretudo tendo em conta os desenvolvimentos recentes na Península Turca e a ambição política e militar do regime de Ankara". Mais um tiro certeiro da tua parte. Acabaste de antecipar-te ao tertuliano que tinha prontinha uma intervenção sobre Erdogan. A Turquia é uma referência fundamental nestas discussões. Tu foste o primeiro a trazê-la para a mesa.

3ª Intervenção: é o momento de revelares ao mundo não só o teu domínio da geopolítica mas também do processo histórico de evolução das ideias. Frase a utilizar: "no fundo, tudo isto representa a derrota do pensamento central de Fukuyama (faz descair ligeiramente e com condescendência o teu lábio superior, tal e qual como faz o Miguel Sousa Tavares). A História não acabou... a História não acabou, a verdade é essa. Estamos, não sei se concordarão, perante o regresso da geopolítica". Concordarão, claro. Com a mesma vontade com que as galinhas concordam sobre a importância do milho. Se não fosse a geopolítica não estavam todos ali, não é?

4ª intervenção: o pensamento humano tem enorme apetência por analogias. Conquista terreno abusando de comparações. Aqui não faz sentido amarrar-te a uma frase pré-definida. Dá largas à tua imaginação. Refere os balcãs, o império austro-húngaro, o Cisma do Ocidente, Hitler, o Czar Branco (não existiu, mas tal como tu, os outros não sabem), Estaline, Richelieu, Pedro o Grande, Zé do Telhado, Tira-Dentes, Átila o Huno, enfim, vai por aí fora. O céu é o limite.

5ª intervenção: está na altura de preparar o KO dos restantes tertulianos. Chegou a hora da filologia. Frase a utilizar: "é preciso termos presente que o território da Síria actual foi sucessivamente colonizado por canaanitas, fenícios, arameus, hebreus, egípcios, sumérios, assírios, babilónios, hititas, persas, gregos e bizantinos. Mas é preciso ter em conta que esta Síria não é a Síria a que Heródoto, por exemplo, se referia. Essa Síria do Heródoto coincidia com o território da Capadócia e por aqui se vê como a própria situação turca está sempre presente nestas questões". Olha fixamente para os restantes participantes na discussão. Goza o momento. Fodeste-os.

Toda a estupidez é intolerante

Sérgio de Almeida Correia, 07.03.17

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O tema, à partida, afigurava-se interessante. O orador é um reconhecido intelectual de direita, homem culto que sempre assumiu com coragem as suas convicções. Discutir o populismo e a democracia, compreender fenómenos como o Brexit, Le Pen e Trump não poderia ter mais actualidade. Sobre estes temas e outros idênticos já eu próprio participei num debate público e tive intervenções versando esses temas num programa de rádio onde regularmente intervenho. E, pergunto eu, que poderá haver de mais estimulante, mesmo para quem professe ideias contrárias, do que debater com um intelectual da craveira de Jaime Nogueira Pinto essas questões da actualidade política, questões que por esse mundo dividem a direita da esquerda, o pensamento neo-liberal e conservador do socialismo democrático, os radicalismos extremistas dos diversos modelos de democracia?

Confesso que tanto me faz que a intolerância venha da direita xenófoba e racista, de uma "associação de estudantes" de "orientação maoista" (ainda há maoistas?; eles sabem o que é o maoísmo?) ou de um triste Sousa Lara.

Como uma vez mais se prova, a estupidez não tem cor política. Aquilo que aconteceu na Universidade Nova de Lisboa, uma respeitável instituição de ensino, com excelentes professores e pensamento crítico, é mais uma evidência de que muitas vezes os piores sinais vêm de onde menos se espera. De onde não podem vir. Uma academia, uma universidade, é um espaço de excelência para a troca de ideias, para a discussão e o debate, para a divulgação de experiências e conhecimentos. Sem debate e discussão não há pensamento crítico, não há inteligência, não há luz. 

Como qualquer homem livre, avesso à intolerância, às trevas e à estupidez  – esta passagem dá para perceber o nível dos censores: "[n]ão compactuamos com eventos apresentados como debates sob a égide de propaganda ideológica dissimulada de cariz inconstitucional" (sic) –, adepto de um bom debate, de uma discussão acalorada em torno de um punhado de ideias, quero aqui deixar registada a minha indignação e tristeza pelo que aconteceu na Universidade Nova de Lisboa.

Jaime Nogueira Pinto não será um novo Savonarola ou um Giordano Bruno. Ele merece a nossa solidariedade e eu espero que possa apresentar as suas ideias, para que possam ser discutidas, criticadas e apoiadas por quem quiser, tão breve quanto possível numa qualquer outra instituição universitária onde os estudantes se comportem como tal.

Porque só isso poderá ser salutar para a universidade, para a democracia e para a liberdade. Porque as ideias combatem-se com ideias, e não com a estupidez ignorante. Porque a intolerância não é esquerdista. A intolerância é pura e simples estupidez. E só no reino da estupidez é que a manifestação de uma opinião, seja de direita ou de esquerda, é um crime ou um delito. Portugal já tem estupidez que chegue.

Presidenciais (27)

Pedro Correia, 14.01.16

 

 

DEBATES: O MEU BALANÇO

 

Foram 21 debates televisivos a dois, em três canais. Acompanhei-os todos e nunca deixei de apontar um vencedor. Fica agora o balanço.


Paulo de Morais venceu cinco. Contra Belém, Marisa, EdgarNóvoa e Marcelo.

 

Marisa Matias venceu também cinco. Contra Nóvoa, Belém, MarceloNeto e Edgar.

 

Henrique Neto venceu outros cinco. Contra Edgar, Nóvoa, MarceloBelém e Morais.


Marcelo Rebelo de Sousa venceu três. Contra EdgarNóvoa e Belém.

 

Sampaio da Nóvoa venceu dois. Contra Edgar e Belém.

 

Edgar Silva venceu um. Contra Belém.

 

Maria de Belém não venceu nenhum.

 

Presidenciais (25)

Pedro Correia, 09.01.16

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Debate Maria de Belém-Sampaio da Nóvoa

 

Maria de Belém anunciou a candidatura à Presidência da República cinco meses após Sampaio da Nóvoa. Competia-lhe portanto, neste debate na TVI que encerrou a série de 21 confrontos televisivos a dois entre os candidatos ao Palácio de Belém, estabelecer as diferenças com o seu antagonista. Mas a ex-ministra da Saúde, salvo em dois ou três momentos demasiado fugazes, foi incapaz de apontar esses contrastes. Tal como esteve longe de conseguir replicar aos apoios de peso que Nóvoa tem granjeado sobretudo à esquerda. Ontem mesmo, escassas horas antes do debate, foi a vez de o actual presidente do PS, Carlos César, anunciar que votará no catedrático nascido em Caminha.

Pedindo emprestada a linguagem futebolística à política, dir-se-ia que Nóvoa parecia jogar em casa. Esteve mais seguro, mais desenvolto, mais afirmativo. Foi cordato, aliás como é costume, mas não deixou de lançar as suas estocadas. E a maior de todas foi a acusação que fez a Maria de Belém de ter "faltado à chamada", enquanto deputada socialista, quando foi necessário solicitar ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado para 2012 que cortava pensões e salários da função pública.

"Deixou a outros [deputados] essa responsabilidade", acusou. Acrescentando de imediato: "Eu não quero um Presidente da República que transfira as suas responsabilidades para outros."

Maria de Belém até teve um início enérgico, procurando encostar o adversário a estratégias de um "frentismo de extrema-esquerda". E apontou uma contradição ao candidato, que apesar de fazer constantes proclamações em defesa da "renovação" da política "passa a vida a invocar o apoio de três ex-Presidentes da República, aliás dois deles do PS".

Nóvoa reverteu esta crítica em elogio, reivindicando o "apoio de muitos socialistas do País inteiro". E fez questão de transmitir da sua adversária a imagem de uma pessoa hesitante, especialista em "acertar no totobola à segunda-feira". Dizendo uma vez e outra ser arauto de um "tempo novo". Linguagem "messiânica", como Belém referiu. Sem parecer muito segura de poder estar a criticá-lo ou a fazer-lhe outro elogio implícito ao falar assim.

 

Vencedor: Sampaio da Nóvoa

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Frases do debate:

 

Nóvoa  - «A minha candidatura tem uma abrangência de muitas pessoas que se situam à esquerda, de muitas pessoas que se situam ao centro, de pessoas que se situam à direita.»

Belém  - «Não aceito que o facto de ser independente dê algo de acrescido e de dignificante ao exercício dum cargo desta natureza.»

Nóvoa - «Eu quero ser um Presidente que protege os portugueses.»

Belém - «Eu estive nas causas todas que o PS empreendeu nestes 40 anos. Como militante de base, como dirigente. Nunca vi o candidato Sampaio da Nóvoa nessas causas, nunca o vi lá, nunca o encontrei.»

Nóvoa - «A candidata Maria de Belém mostrou sempre um grande incómodo com este tempo novo que se criou.»

Belém - «O candidato Sampaio da Nóvoa passa a vida a falar num tempo novo. Eu gostava de saber que tempo novo é esse com a Constituição que temos tido.»

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O melhor:

- Maria de Belém abriu as hostilidades empurrando Nóvoa para posições radicais enquanto se assumia como uma candidata moderada, próxima da social-democracia europeia.

- Carlos César, sucessor de Belém na presidência do PS, anunciara hora antes que votará no ex-reitor da Universidade de Lisboa. Um reforço de peso entre os apoiantes de Nóvoa, como o candidato fez questão em destacar.

O pior:

- Sampaio da Nóvoa acusou Marçal Grilo, mandatário nacional de Maria de Belém, de ter rotulado de "enorme desastre" um executivo PS com apoio parlamentar à esquerda. Exactamente a mesma acusação com que Marcelo Rebelo de Sousa procurara embaraçar a candidata no debate da véspera.

- Começar um debate na TVI a mencionar o aniversário da SIC Notícias, como fez Maria de Belém, é algo semelhante a aplaudir o Benfica no estádio de Alvalade. Pior é invocar alguém já falecido, como o ex-ministro Mariano Gago, como "trunfo" eleitoral.

Presidenciais (24)

Pedro Correia, 08.01.16

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Debate Marcelo Rebelo de Sousa-Maria de Belém

 

Na sua melhor prestação em debates nesta campanha, Maria de Belém Roseira incomodou seriamente Marcelo Rebelo de Sousa. Mas isto, paradoxalmente, acabou por ser útil ao ex-líder do PSD: uma corrida presidencial sem controvérsia é o maior convite a uma abstenção em larga escala. E todos os cálculos eleitorais do professor podem estar em causa se a abstenção disparar para índices muito superiores aos que constam das sondagens.

A ex-ministra da Saúde e da Igualdade surgiu em cena como algumas loiras imortalizadas nos filmes de Alfred Hitchcock: capazes de cravar um punhal com um doce sorriso nos lábios. Conduziu de imediato o debate para questões de carácter, questionando a "dualidade" do catedrático, capaz de "dizer uma coisa e logo a seguir outra coisa completamente diferente". A prova, na sua perspectiva, foi patente nos debates anteriores: Marcelo "esteve à esquerda de Marisa Matias, esteve à esquerda de Edgar Silva e esteve concordante com Paulo Morais, que acusa toda a gente de corrupção."

Chegou a desenterrar a expressão "lelé da cuca" com que o então jornalista do Expresso brindou no final da década de 70 o proprietário e director deste semanário. "Não se lembra do que chamou ao doutor Francisco Pinto Balsemão num governo a que pertencia juntamente com ele? Uma coisa que eu nunca diria a ninguém." Matéria tão antiga e desenquadrada da realidade que só pode interessar aos arqueólogos.

Rebelo de Sousa, que até aí se mostrara muito mais cordato do que no debate da véspera com Sampaio da Nóvoa, voltou a desembainhar a espada. E reconduziu o frente-a-frente ao plano político, fustigando a sua opositora com esta exclamação sonante: "A senhora doutora, que não consegue unir o partido dela, quer unir o País!"

Era uma questão chave. Mas Marcelo não parou aí. Confrontado por Maria de Belém com a fama de criador de factos políticos, devolveu-lhe o proveito: "Lança a candidatura no momento em que o líder do partido dela está a dar uma entrevista importantíssima na campanha das legislativas e diz que eu é que crio factos políticos?!"

A política estava de volta ao debate. Virando a vantagem para o militante nº 3 do PSD, em quem Passos Coelho estaria a pensar quando no último congresso do partido se insurgia contra os "cataventos" da opinião. O facto é que acabou por recomendar o voto em Marcelo. Enquanto Costa não deu o menor indício de recomendar o voto na antiga ministra que já foi presidente do PS.

 

Vencedor: Marcelo Rebelo de Sousa

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Frases do debate:

 

Belém - «Marcelo Rebelo de Sousa é o meu principal adversário.»

Marcelo - «O meu adversário são os problemas dos portugueses.»

Belém - «Intriguista eu nunca fui. E se perguntar aos portugueses quem é o campeão nessa matéria, eu não sou a campeã porque nunca usei a intriga.»

Marcelo - «A senhora tem andado a campanha toda a tentar à direita o que lhe falta à esquerda.»

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O melhor:

- No final, perante questões concretas sobre um possível apoio a novas causas "fracturantes" na Assembleia da República, Marcelo manifestou concordância genérica enquanto Maria de Belém não hesitou: "Sou contra a eutanásia." Quatro palavras que bastaram para pescar votos no terreno político do adversário.

- Confrontado com acusações de instabilidade, o ex-presidente do PSD lembrou ter viabilizado três orçamentos do governo Guterres, evitando crises políticas e permitindo a Maria de Belém ser ministra até ao fim do prazo previsto para essa legislatura.

O pior:

- A ex-ministra da Saúde devia ter evitado suscitar o tema da difícil relação entre Marcelo e a liderança do PSD prevendo que o seu rival neste debate a questionaria de imediato sobre o apoio que António Costa e a grande maioria dos ministros do actual Executivo lhe negaram apesar de ter sido presidente do PS. O tiro fez ricochete.

- "A senhora doutora ouviu o debate de ontem, ou se não ouviu disseram-lhe, provavelmente disseram-lhe, depois deram-lhe umas notinhas e lá veio com as notinhas..." Era desnecessário este remoque de Marcelo, que pecou por arrogância.

Presidenciais (23)

Pedro Correia, 08.01.16

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Debate Marcelo Rebelo de Sousa-Sampaio da Nóvoa

 

Sampaio da Nóvoa não é o maior adversário de Marcelo Rebelo de Sousa nesta campanha eleitoral. O que o ex-director do Expresso tem mais a temer é a abstenção: os portugueses votaram três vezes em menos de dois anos e é notório o desinteresse em torno das presidenciais, que muitos consideram já com desfecho anunciado.

O potencial risco desmobilizador desta convicção que se instalou junto de tanta gente é o maior obstáculo que Marcelo enfrenta. E o tom de bonomia em que têm decorrido os debates, sem crispação nem aquelas "dramatizações" que noutros tempos faziam as delícias do comentador Rebelo de Sousa, só contribui para acentuar o desinteresse.

Faltava portanto "dramatizar". Marcelo precisava de concretizar esse desígnio no frente-a-frente com António Sampaio da Nóvoa em horário nobre da SIC, ontem à noite. Assim fez. Surpreendeu o seu antagonista ao "entrar em campo" como costumam fazer as equipas treinadas por Jorge Jesus no campeonato nacional de futebol: exercendo pressão alta desde os instantes iniciais, confundindo e contundindo o adversário.

Nóvoa demorou a reagir, traindo o embaraço com exclamações como estas: "Muito me surpreende..."; "é a primeira vez que ouço..."; "não estava à espera..." E quando recuperou do embaraço inicial notou-se bem que lhe faltam os dotes histriónicos e a experiência televisiva do colega catedrático que tinha à sua frente.

Foi um debate vivo, à moda antiga - daqueles de que se falarão mais tarde. Um debate em que Nóvoa proclamou: "O Presidente da República tem de se bater por causas. Eu não vim para deixar tudo na mesma." O primeiro debate a sério desta campanha até agora feita de palavras demasiado dóceis. De tal maneira que a moderadora, Clara de Sousa, acabou por ter uma intervenção residual - o que aliás fazia todo o sentido pois tratava-se de um verdadeiro confronto, não apenas de uma troca de amabilidade para cumprir calendário.

Deste debate as frases que os telespectadores mais retiveram foram, em larga medida, proferidas pelo candidato que conta com o apoio do PSD e do CDS: "Os portugueses sabem onde eu estive. O professor apareceu agora, virgem. Onde é que esteve? Onde é que esteve? Onde é que esteve?"

Embalado, Marcelo acusou o antagonista de querer passar "de soldado raso a general" e de possuir muito mais meios do que ele para fazer campanha eleitoral: "Eu não tenho a sua estrutura nem os seus gastos de campanha." Visivelmente incomodado, o ex-reitor de Lisboa advertiu-o: "Não vá por aí, professor, não vá por aí."

Estava o verniz quebrado. Era precisamente o que Marcelo queria.

 

Vencedor: Marcelo Rebelo de Sousa

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Frases do debate:

 

Nóvoa  - «Sobre cada matéria nós temos 20 citações suas a dizer uma coisa e 20 citações a dizer o contrário.»

Marcelo  - «Mas disse! Eu dizia e o senhor não dizia. Eu expunha-me e o senhor não se expunha.»

Nóvoa - «Eu venho da crítica às políticas de austeridade. O professor Marcelo Rebelo de Sousa vem do apelo ao voto em Passos Coelho e Paulo Portas.»

Marcelo - «O senhor tem que trazer na lapela três ex-Presidentes da República. Eu não, eu não preciso.»

Nóvoa - «As suas afirmações sobre gastos excessivos na campanha em período de crise são antidemocráticas. É evidente que a democracia tem custos. A ditadura é muito mais barata, até se faz à borla.»

Marcelo - «Sabe quem é que meteu dinheiro na minha campanha até agora? Fui eu.»

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O melhor:

- Num eficaz golpe de retórica, Sampaio da Nóvoa transformou o comentador Marcelo num adversário do candidato Marcelo: "Eu não me ouço só a mim mesmo. Não gosto de passar o tempo todo a falar sem ouvir ninguém. Essa é uma diferença fundamental que nos separa no exercício do cargo."

- Quando Nóvoa questionou a "forma no mínimo discutível" como o ex-presidente do PSD aproveitou a sua enorme exposição mediática como trampolim para a política, Rebelo de Sousa retorquiu de imediato: "Isso impediria António Costa de ser candidato a primeiro-ministro". Aludindo à participação de Costa, durante anos, no programa de comentário político Quadratura do Círculo.

O pior:

- O ex-reitor da Universidade de Lisboa fala na necessidade de "sangue novo" e "outras pessoas" na política. Mas confessa que só avançou na corrida a Belém após "longuíssimas conversas" com três ex-Chefes do Estado: Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio.

- Marcelo denunciou o "apoio tóxico" do MRPP à candidatura de Nóvoa, dando relevo a um facto irrelevante.

O segundo debate Marcelo-Sampaio.

Luís Menezes Leitão, 08.01.16

Há 25 anos Marcelo Rebelo de Sousa envolveu-se de alma e coração numa candidatura à câmara de Lisboa, fazendo tudo para chamar a atenção de um eleitorado que não o conhecia, como conduzir um táxi pelas ruas da capital e mergulhar no Tejo. A sua campanha local apareceu com tanta força que ninguém do PS se dispunha a enfrentar Marcelo nessa corrida. Vítor Constâncio demitiu-se, perante as sucessivas recusas que foi recebendo, e o seu sucessor, Jorge Sampaio, foi obrigado, enquanto líder da oposição, a apresentar uma candidatura pessoal contra Marcelo. Já nessa altura coube a António Costa fazer as pontes para um acordo de esquerda contra Marcelo. Mas mesmo esse acordo não parecia ser suficiente, uma vez que Sampaio suscitava pouco entusiasmo perante a energia e o brilhantismo de Marcelo.

 

Isto foi assim até que se realizou um debate entre Sampaio e Marcelo. Nesse debate Marcelo decidiu adoptar uma pose mais serena por contraponto ao que até então tinha sido a sua intervenção. Esse erro foi-lhe fatal. Jorge Sampaio, com a experiência de advogado de barra, explorou as fragilidades do discurso de Marcelo e, ao contrário do que se esperava, Marcelo não foi capaz de lhe dar a réplica devida. Marcelo saiu do debate a dizer que se calhar tinha desiludido os seus apoiantes e de facto nesse dia perdeu as eleições.

 

Nestas eleições, passou-se o contrário. Marcelo optou por uma campanha completamente vazia, o que envolvia sérios riscos como aqui salientei. Mas, ao contrário do que se passou há 25 anos, não descurou o debate com Sampaio da Nóvoa. Pelo contrário, entrou completamente a matar, chamando a atenção para a total falta de currículo político do candidato, a sua ignorância absoluta da função presidencial, e o seu comprometimento ideológico com uma minoria dos eleitores. Nóvoa, perante o massacre que sofreu, só lhe faltou levantar os braços e invocar a convenção de Genebra. Lá foi dando uns apartes sobre o serviço nacional de saúde, que Marcelo facilmente desmontou, e fez referência aos antigos presidentes que o apoiam, o que Marcelo ridicularizou. No fim Marcelo deu-lhe uma estocada final decisiva quando chamou a atenção para a carrinha dos seis assessores que ele tinha trazido, criando no público a sensação de que sem assessores Nóvoa não existe.

 

Marcelo teve passados 25 anos a sua segunda oportunidade num debate político decisivo. Desta vez não a desperdiçou. No próximo dia 24 será entronizado presidente. E, diga-se de passagem, no actual quadro político é a melhor solução para o país.