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Delito de Opinião

O debate*

José Meireles Graça, 01.02.26

André Ventura ganhou o debate: Mais ágil no raciocínio, mais eficaz no contra-ataque, mais contundente na forma, mais descontraído na maneira de estar, e portador de esperança na mudança das coisas para melhor contra um adversário que garante que, por ele, ficará tudo como tiver de ser.

Mas André Ventura perdeu o debate: A lentidão no raciocínio também pode ser interpretada como cuidado na reflexão; a eficácia no contra-ataque também  pode ser interpretada como repentismo inconsequente; a descontracção só é melhor que o nervosismo se uma quiser dizer segurança e o outro inferioridade. Nesta o eleitor não acreditava antes do debate e continuou a não acreditar depois, além de saber que, para efeitos de  progresso ou retrocesso, o Presidente conta pouco, mas o Governo muito.

Todavia, foi de governo, cujos actores não estavam ali, que se falou quase o tempo todo – os jornalistas interpretam-se como participantes do jogo político corriqueiro, completos com simpatias e antipatias, e por conseguinte falam da guerrilha partidária em torno da Saúde, Habitação, Justiça, Segurança, Imigração e pouco mais.

Sobre tudo isto Seguro disse defender coisas muito boas que toda a gente defende e quando, a contragosto, foi forçado a esclarecer o que devia ser feito em concreto, refugiou-se nas piedades que são o vade-mecum do PS clássico. Pelo menos em dois pontos ambos concordaram: A Saúde está num frangalho, em despedindo a ministra fica logo tudo um pouco melhor; e a economia deve ser muito mais ágil, razão pela qual só se deve mexer na legislação do trabalho desde que ela fique na mesma. Os jornalistas (porquê apenas três quando podiam ser 30, se é para demasia o melhor é fazer as coisas em grande) não menearam a cabeça aprovadoramente, mas percebe-se que ali há um consenso que dá gosto.

Ventura foi claro: Por ele fia tudo fino, é despedimentos de incompetentes, corruptos, treteiros e oportunistas, prisão para criminosos, baixa de impostos para ajudar a economia e aumentos obrigatórios de salários para evitar o recurso a emigrantes, reforço dos poderes das magistraturas e das polícias, diminuição do número de deputados (ai é verdade, isso não porque entretanto já tem um número razoável deles e espera ter mais), alterações ao Código Penal e um longo etc. muito aplaudido nas minhas bolhas e em Mosteiros, concelho de Arronches.

No que for necessário altera-se a Constituição, desde logo para reforçar os poderes do Presidente, que se os eleitores não têm discernimento para escolher os partidos cujos programas permitam encarreirar o País, o Presidente, com um murro na mesa, ensina-lhes as regras do bom viver.

De algumas coisas os eleitores gostarão. Por exemplo, há lá coisa mais justa do que a inversão total do ónus da prova em casos de enriquecimento ilícito? “Eles”, o “sistema”, os “gatunos”, são, como é geralmente sabido, uma corja de corruptos. E a eficácia retroactiva das leis (a aplicar como no caso da pensão de Vara) também pode ir para a gaveta das obsolescências. Claro que as diminuições de direitos e garantias para combater o crime afectarão fatalmente inocentes – por isso é que o Direito Penal evoluiu. E a sugestão de substituir a nomeação do PGR por eleição pelos colegas do aquário, enfim… Mas não vamos pôr-nos aqui com peguilhices, a populaça quer sangue para purgar o corpo doente e Ventura quer ser sangrador.

Ou talvez não.  Que, a julgar pelas sondagens, a esmagadora maioria dos eleitores prefere adormecer com Seguro que acordar estremunhado com Ventura. Ou então rosnam para os seus botões que Belém talvez não seja o melhor trampolim para um alpinista esfomeado.

Lá que vai continuar a escalar vai, mas não este monte. E para o outro ainda leva na mochila alguns apetrechos que vão causar surpresa: habituamo-nos a ver à volta do líder uns áulicos que o acompanham no berreiro e que oferecem para o mar das ideias e da luta política espuma; e no grupo parlamentar o que se vê são pedras silenciosas ou, se falarem, pedregulhos agrestes. Mas o Chega está a crescer e já há por lá gente que, sendo vinho de outra pipa, não é de carrascão.

O que, a prazo, fará com que Ventura arredonde os cantos e, em muito, dê o dito por não dito. Por exemplo, a prisão perpétua bem pode ser só para quem tenha mais de 80 anos.

Tem prática de cambalhotas. “Eles” têm.

Mas para já, Ventura, tem paciência, não vais à Presidência. Também canto.

* Publicado no Observador

Sem comparação possível

Pedro Correia, 29.01.26

 

As habituais hipérboles televisivas anunciavam um "debate decisivo". Não foi. Nem sequer esteve perto de o ser.

Decisivo foi o debate Freitas-Soares em 1986, num contexto muito diferente, totalmente polarizado. Terminou com uma diferença de 130 mil votos entre ambos num universo de 7,6 milhões de eleitores (quase 6 milhões de votantes).

Não comparem o que não tem comparação possível.

O derrotado

Pedro Correia, 28.01.26

 

O Presidente da República tem competências específicas em questões militares e de política externa. Mas nem parece. Ao longo de hora e meia, no debate esta noite transmitido em simultâneo pelos três canais generalistas, registou-se a ausência de qualquer pergunta sobre forças armadas (das quais o inquilino de Belém é o "comandante supremo") e surgiu apenas uma, à beira do fim, sobre política internacional. 

Houve algum derrotado no debate? Sim. Foi o jornalismo: capturado pela espuma dos dias, preso à agenda doméstica, sem golpe de asa nem capacidade de discernir entre uma eleição legislativa e uma eleição presidencial.

O que eles disseram de olhos nos olhos (10)

Pedro Correia, 23.12.25

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HENRIQUE GOUVEIA E MELO:

«Luís Marques Mendes, nos últimos dias, tem-se tentado vitimizar. Mas só é vítima da opacidade das suas respostas.»

«Numa entrevista ao Observador, Marques Mendes supostamente não se lembrava de ser sócio de uma firma que esteve envolvida nos vistos Gold e na Operação Labirinto.»

«Quem tem culpa são as opacidades e os interesses que Marques Mendes patrocina. Devia dizer aos portugueses qual é a sua profissão para além de comentador.»

«Marques Mendes, que diz ser vítima de acusações, foi o primeiro a acusar-me de ser "um perigo para a democracia".»

«Marques Mendes usa a política para facilitar os negócios que representa. É um lobista e um facilitador de negócios.»

«Foi alguma vez à barra de advogado? Defendeu alguém em processos? O que abre é portas.»

«O senhor, na presidência, não pode ser refém nem dos seus interesses pessoais nem de outros interesses. Porque isso é falta de independência.»

«Eu posso dizer claramente que recebi só os meus ordenados. Se for para a Presidência, vou com toda a liberdade que me deu defender a minha pátria e o meu país dentro da Marinha.»

«Não vire o bico ao contrário. Não sou eu que tenho de dizer quais são os seus clientes e quais os interesses que defendia.»

«O senhor não é transparente. É opaco.»

«Ninguém manda em mim! Nunca ninguém mandou em mim. Não faça insinuações, porque depois vai ter de provar.»

«Sobre a experiência de fazer coisas e resolver problemas, o senhor não se mete comigo.»

«Nunca andei em guerras político-partidárias. As lógicas partidárias, que são importantes para a Assembleia da República, não devem passar para a Presidência da República.»

«Eu olho para si e não vejo o PSD de Francisco Sá Carneiro, preocupado com problemas sociais. É uma pessoa que protege os ricos, que faz negócios com os ricos. Eu não me revejo, enquanto português, no senhor na Presidência da República.»

 

LUÍS MARQUES MENDES:

«Eu ganhei estima pessoal pelo almirante Gouveia e Melo no tempo da vacinação. Teve um trabalho exemplar, o País deve-lhe muito, está-lhe grato. Tenho o gosto de ter sido, talvez, na praça pública, a pessoa que mais o elogiou. Se voltasse atrás, voltava a elogiar.»

«Gouveia e Melo hoje é completamente diferente de Gouveia e Melo nessa ocasião. Nos últimos meses, o almirante Gouveia e Melo delapidou um capital enorme de credibilidade, popularidade e prestígio. Muita gente diz: "Quem o viu e quem o vê..."»

«Prometeu uma nova política e cá está, a velha política - a das insinuações e suspeições. Não acrescentou caras novas - são as de sempre.»

«É uma pessoa que se especializou na politiquice através de insinuações permanentes.»

«É o desespero das sondagens que o leva a esta nova personalidade da velha política.»

«O senhor está transformado em André Ventura.»

«Nos últimos 18 anos nunca tive nenhum cargo político. Não recebi um euro do Estado.»

«Não sou nenhum facilitador de negócios. O meu trabalho é honesto, limpo, dentro de toda a legalidade.»

«O senhor está pior do que o André Ventura. Está mesmo desesperado.»

«Este homem transformou-se na politiquice. Ele tem junto a si a pessoa que o orienta e manda nele, que é um general da politiquice, o assessor de José Sócrates. A sua candidatura é um porto de abrigo dos socráticos.»

«Gouveia e Melo, além de ser a pessoa das insinuações, é a pessoa dos ziguezagues.»

«Quero dizer-lhe uma coisa cara a cara: não sou lobista nem facilitador de negócios, nem menos sério do que o senhor.»

«O almirante Gouveia e Melo não vai ser Presidente da República.»

«Esta pessoa que está à minha frente é alguém que só insinua e faz suspeitas. Não é recomendado para o alto cargo de Presidente da República.»

 

Excertos do debate de ontem na TVI-CNN Portugal, com moderação de José Alberto Carvalho.

O que eles disseram de olhos nos olhos (9)

Pedro Correia, 21.12.25

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JOÃO COTRIM DE FIGUEIREDO:

«Eu sou o candidato que quer resolver os assuntos."

"Durante quanto tempo vai continuar a bater com a cabeça na parede contra o Tribunal Constitucional?"

"Se formos patriotas, no interesse de Portugal temos de ajudar a Europa a reformar-se."

"Nota-se que [Trump] defende a degradação do projecto europeu."

"O grupo parlamentar a que o Chega pertence no Parlamento Europeu vota dezenas de vezes ao lado de Putin."

"Não fui eu que passei de ser inspector tributário para dar conselhos aos milionários [para saberem] como é que fugiam aos impostos."

"Já confessaste que votaste no José Sócrates."

"André Ventura está muito preocupado com o que se passa hoje. Eu estou preocupado com o que se passa hoje e nas próximas gerações."

"No Chega sucedem-se os casos de pedofilia."

"[Tem] proximidade com Orban. Orban tem um caso brutal de pedofilia na Hungria desde 2021. Conhece-o e não faz absolutamente nada."

 

ANDRÉ  VENTURA:

"Só tenho uma conta bancária, não tenho investimentos financeiros, não tenho aplicações a prazo."

"Sinto que vou à segunda volta destas eleições."

"Queres ficar com o país cheio de bandidagem?"

"Discordo de Donald Trump em muita coisa."

"Eu quero o euro, quero a Europa e quero a NATO."

"Ele deixou a liderança da Iniciativa Liberal para ir ter uma reforma dourada em Bruxelas, mas lá não tem defendido Portugal."

"O João é o candidato do Príncipe Real. Eu sou o candidato do país real."

"O país de Bruxelas não é o país dos 870 euros de salário mínimo."

"Eu não estava na TVI a despedir Manuela Moura Guedes."

"Eu quero castrar os pedófilos, o João quer protegê-los."

 

Excertos do debate ocorrido anteontem na SIC, com boa moderação de Clara de Sousa.

Os derrotados

Pedro Correia, 18.12.25

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Há nove meses, graças aos generosos fundos que recebe de países amigos, André Ventura mandou espalhar milhares de cartazes por todo o País assinalando Luís Montenegro como o principal rosto da corrupção a nível nacional - cabendo a José Sócrates o papel secundário neste improvável duo.

Um «escarro visual», como lhe chamei na altura.

Ventura agiu assim a pretexto do chamado "caso Spinumviva", em que Chega e Partido Socialista andaram de braço dado desde o primeiro vagido, procurando instrumentalizar a justiça ao serviço de desígnios partidários. Na esperança de capitalizarem com isso nas urnas, ajudados pelas falanges de comentadores afins que pululam nos estúdios televisivos e nas redacções de jornais.

Foi uma das maiores pulhices que já testemunhei nos últimos anos de vida pública em Portugal: gerou uma crise política, fez cair um governo, manteve o País num impasse de longas semanas.

 

Saiu-lhes o tiro pela culatra. A AD, com Montenegro ao leme, reforçou a liderança do Governo saído do escrutínio de 18 de Maio: mais três pontos percentuais, mais 11 deputados, mais 213 mil votos.

Nove pontos acima do PS, segunda força mais votada. 

Depois da vitória política, agora a vitória jurídica: o Ministério Público arquivou a averiguação preventiva à empresa da esfera familiar do chefe do Executivo devido à inexistência de indícios de qualquer delito. 

O mesmo sucedeu à queixa formalizada pela antiga deputada socialista Ana Gomes, também contra Montenegro, junto da Procuradoria Europeia. «Após verificação rigorosa das suspeitas comunicadas foi decidido não abrir uma investigação», anunciou esta entidade, que arquivou a participação a 27 de Novembro.

 

Montenegro reagiu com satisfação. Mas também com indignação - como qualquer de nós faria - por ter sido alvo de suspeitas gravíssimas, sem fundamento. 

«Depois de tantos dislates, é justo e adequado dizer sem reservas que exerci sempre a função de primeiro-ministro em regime de exclusividade e nunca fui avençado de ninguém desde que fui eleito presidente do PSD», declarou na noite de ontem, em Bruxelas, à margem da cimeira europeia em que participa. 

Linguagem de vencedor.

 

Mas o "caso Spinumviva" também tem derrotados.

Um deles, o secretário-geral socialista, já tinha abandonado o palco político - logo na noite de 18 de Maio, após ter conduzido o PS à mais humilhante derrota eleitoral de sempre. Pedro Nuno Santos, cego pelo ódio a Montenegro, cavalgou o tema durante semanas num desenfreado galope rumo à parede onde embateu com estrondo. Avançando com uma comissão parlamentar de inquérito quando já estava em curso a indagação judicial. «Luís Montenegro está na lama, arrastou o PSD e o seu governo para a lama e agora quer atirar o país para a lama», declarou nessa imparável jornada rumo ao fracasso eleitoral. Espécie de vale-tudo, com linguagem similar à do Chega.

Outra derrotada, em toda a linha, foi Ana Gomes. Fazendo tábua rasa da garantia constitucional de presunção de inocência, assumiu-se como acusadora, procuradora e juíza nas destemperadas declarações que foi espalhando em tribunas mediáticas. «Foi só juntar peças de puzzle com fraco controlo de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo no jogo em Portugal. Onde o primeiro-ministro recebia avença de casinos!», afirmou a antiga embaixadora, justificando a denúncia feita junto da Procuradoria Europeia. Sem fundamento, como se comprovou.

Alguns gurus do comentariado que andaram meses a disparar contra Montenegro terão igualmente de enfiar a viola no saco. Pela negativa, destaco Miguel Sousa Tavares naquele estilo trauliteiro a que habituou quem ainda o escuta. «A Spinumviva é um cadáver que ele não consegue matar, ele não consegue enterrar, ele não consegue fazer o funeral da Spinumviva, e, quanto mais vamos sabendo, pior é.»

Palavras do comentador da TVI. Fraco profeta.

 

Lama, casinos, cadáveres: os adversários figadais não fizeram a coisa por menos.

Mas o maior derrotado foi André Ventura. A 1 de Maio - duas semanas antes de os portugueses irem a votos - o «condutor» do Chega vertia isto na praça pública: «Temos um primeiro-ministro que está a receber dinheiro de certas empresas, que por sua vez estão a receber dinheiro do Estado. Isto levanta as maiores suspeitas, a maior ideia de promiscuidade e de conluio.»

A 24 de Maio, com o País ainda cheio dos cartazes que mandou distribuir, Ventura implorava por carta a Montenegro que alinhasse com ele numa revisão constitucional. 

Confirmando assim que não tem vergonha na cara. Nem um pingo dela.

 

Leitura complementar: Este cartaz é um enorme tiro no pé (26 de Março)

O que eles disseram de olhos nos olhos (8)

Pedro Correia, 17.12.25

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ANTÓNIO JOSÉ SEGURO:

«Tenho muita confiança no bom senso, no equilíbrio e nas escolhas muito inteligentes que os portugueses vão fazer [a 18 de Janeiro].»

«Precisamos de ter sensibilidade social e de equilibrar o sistema político. Sou o único candidato que pode contribuir para essa moderação e esse equilíbrio.»

«Eu valorizo a estabilidade política tal como valorizo a paz social.»

«Precisamos de ter um Estado eficiente, um Estado organizado, um Estado que funcione. Sinto que o Estado está a abrir muitas frechas.»

«Temos uma cultura de trincheira. Quero promover uma cultura de compromisso para que as pessoas possam viver melhor.»

«Eu não serei um primeiro-ministro sombra em Belém.»

«Ao contrário do meu adversário, eu tenho experiência governativa. Fui ministro do engenheiro António Guterres, foi o único governo a que pertenci.»

 

JOÃO COTRIM DE FIGUEIREDO:

«É um gosto particular debater consigo. É um candidato a quem reconheço qualidades de integridade e transparência, requisitos básicos para quem se candidata ao mais alto cargo da nação.»

«António José Seguro tem querido dizer que é um candidato que pretende ser inspirador - francamente, não tenho visto grande coisa. E abrangente - mas se nem no PS consegur fazer o pleno, dificilmente conseguirá fazer isso no País.»

«Sou o único candidato que consegue claramente transcender a sua área de origem política.»

«O que vai acontecer se durante o seu mandato for eleito um governo do PS? Faz o quê? Demite-se? Os cestos nessa altura já não têm ovos? Essa sua teoria é muito perigosa do ponto de vista do equilíbrio institucional.»

«Os presidentes devem ter a preocupação de colaborar institucionalmente com o Governo e facilitar o exercício da actividade governativa. [Também] devem ser exigentes nas reuniões que têm.»

«Um país que funcione hoje tem de ser também um país que se prepara para funcionar amanhã.»

«A emigração jovem qualificada é um drama nacional. Todos os governos já perceberam que é por causa do IRS - tanto que reduzem o IRS para que eles voltem. Eu preferia que o IRS fosse baixo para que eles não saíssem.»

 

Excertos do debate ocorrido ontem à noite na RTP, com moderação de Vítor Gonçalves.

O que eles disseram de olhos nos olhos (7)

Pedro Correia, 16.12.25

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HENRIQUE GOUVEIA E MELO:

«Sou o único que não tem partido. O meu partido é Portugal.»

«Vamos viver tempos difíceis, com uma situação internacional verdadeiramente preocupante.»

«Eu sempre fui de centro, sempre estive ao centro.»

«Sem Mário Soares e Ramalho Eanes, não teríamos esta democracia. Teríamos, se calhar, um regime comunista, de extrema-esquerda, e o doutor André Ventura não poderia estar aqui.»

«O doutor André Ventura fala dos retornados, mas ele não é retornado. Eu fui retornado. Sei muito bem o que aconteceu em África.»

«O meu modelo é de uma presidência aberta, que integre ao máximo todos os portugueses. Só unidos vamos vencer esta batalha, que é a do desenvolvimento.»

«O caminho tem se de fazer com a direita e a esquerda. É assim que o País evolui.»

«André Ventura não é um indivíduo perigoso, que eu não possa almoçar com ele. Não foi um almoço secreto. Se fosse secreto, não se sabia. Eu almoço com quem quiser. Estamos agora proibidos de almoçar uns com os outros?»

«Não sou candidato do PS. Sou candidato dum partido chamado Portugal.»

«Defendi durante toda a minha vida a bandeira e a Constituição. E arrisquei a minha vida diversas vezes por isso.»

«Esqueça lá o Bangladeche.»

«Portugal não pode viver de ódios internos.»

«A Presidência é aquele lugar que ajuda a unir Portugal.»

 

ANDRÉ VENTURA:

«Há duas eleições diferentes, na primeira e na segunda volta. Vou lutar nas duas para mostrar às pessoas que é preciso mudar o sistema político, é preciso dar um murro na mesa em Portugal.»

«Quero ser um condutor do País.»

«O meu discurso é Portugal.»

«Eu não troco convicções por votos.»

«O meu adversário disse que Mário Soares era a sua referência de Presidente da República. A minha é o general Ramalho Eanes.»

«Dizer que Mário Soares é referência como Presidente, é uma traição às forças armadas e aos retornados.»

«Quando o José Sócrates quer evitar que eu chegue ao poder e apoia outro qualquer, neste caso Gouveia e Melo, só mostra que estou no bom caminho. Porque se eu ganhar ele vai para a prisão.»

«Este meu adversário tornou-se o candidato do PS.»

«Temos de acabar com a conversa de chacha em Portugal.»

«Nós queremos impedir que quem cospe na bandeira portuguesa possa ser português.»

«Acha que ser português e ser do Bangladeche é a mesma coisa?»

«Eu não posso mudar a Constituição? A Constituição é alguma Bíblia?»

«Eu quero uma revisão constitucional para garantir que a justiça investiga quem tiver se investigar, doa a quem doer.»

 

Excertos do debate ocorrido ontem à noite na RTP, com Carlos Daniel a moderar.

O que eles disseram de olhos nos olhos (6)

Pedro Correia, 10.12.25

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ANTÓNIO JOSÉ SEGURO:

«Precisamos de um Presidente da República com experiência política, que não venha ao improviso, que não venha aprender no cargo.»

«Sinto-me bem acompanhado. Tenho recebido apoio por todo o País. Na semana passada, 127 presidentes de câmara. Sou um candidato feliz.»

«Temos um sistema político desequilibrado. Precisamos que o campo político que eu represento tenha presença nos órgãos de soberania.»

«A grande diferença entre nós é que eu não utilizo o poder para humilhar os meus subordinados, como o senhor fez na Madeira. Quando rejeitamos a dignidade humana, não fazemos coisas como essas.»

«É indigno o que o senhor fez. Mostra como exerce o poder em público. Isso não o qualifica para Presidente da República.»

«Sou professor universitário: vivo do meu trabalho. Sou um pequeno empresário: vivo do risco de empreender. Não sou dependente da política.»

«O senhor não vai para Belém dar ordens aos partidos. O senhor tem de dialogar. Que experiência tem de diálogo com os partidos e com os governos?»

«Votar em si é uma aventura. É um tiro no desconhecido.»

«Liderar, em democracia, não é dar ordens. Liderar em democracia é fazer compromissos e alianças, é promover consensos.»

«Quando estava a ouvi-lo, parecia-me a Catarina Martins. Ela disse precisamente aqui os mesmos argumentos.»

«O senhor diz que é um candidato independente. Quem é que foi reunir com o líder do CDS, à noite, num bar de Lisboa? Foi o senhor. Quem é que foi almoçar, num almoço secreto, com o líder do Chega? O senhor. Quem é que escolheu como mandatário um ex-líder do PSD? O senhor. CDS, Chega, PSD - todos juntos. É isso que o senhor representa.»

 

HENRIQUE GOUVEIA E MELO:

«Portugal está à procura de um líder porque a Presidência é liderança.»

«António José Seguro não é um líder para os tempos modernos. O doutor Mário Soares disse isso de forma clara há 11 anos. Disse que o senhor é inseguro.»

«O senhor esteve onze anos fora da política e vem agora tentar reciclar a sua carreira política.»

«Nestes onze anos, eu estive presente. Estive em Pedrógão, estive no processo de vacinação, que foi difícil.»

«O senhor é um candidato nem-nem. Não é líder.»

«A minha alocução [na Madeira], naquele momento, parou um rastilho perigoso para as forças armadas. Se não percebe isso, não tem qualidades para ser comandante supremo das forças armadas.»

«A Presidência da República, para mim, é uma missão. E já provei essa capacidade na pandemia. Tive de lidar com uma grande desorganizazção. Estive presente, fui líder, apresentei resultados. Sou um profissional dos resultados.»

«Não me retirei perante um desafio.»

«O senhor é um líder  estagnação.»

«Eu represento o PS. O senhor representa uma facção do PS, nem consegue fazer o pleno do PS.»

«Eu não sou europeísta. Tenho um pé na Europa, tenho outro no Atlântico.»

 

Excertos do debate ocorrido ontem à noite na SIC, com eficiente moderação de Clara de Sousa.

O que eles disseram de olhos nos olhos (5)

Pedro Correia, 09.12.25

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JOÃO COTRIM FIGUEIREDO:

«Ainda bem que entra ao ataque, que é para poder responder da mesma maneira.»

«Eu nunca disse que o Luís Marques Mendes me tinha contactado. Nunca falei em si.»

«Não vou dizer nomes, porque para mim isso não é essencial.»

«Escolheu este assunto para abrir o debate, está a dar-lhe extrema importância. Vou tomar isto como um elogio. É muito revelador que escolha começar por aí.»

«Sei que vai sair um livro seu, em que resume os 18 anos desde que saiu do Governo, até hoje, em cinco páginas. A vida profissional de pessoas, os contactos e as relações que tiveram são ou não são importantes para um Presidente da República?»

«Tem alguma coisa a esconder?»

«Não tenho uma carreira política de 50 anos nem a experiência de Luís Marques Mendes, mas tenho muita experiência noutras áreas. E tenho uma visão relativamente à sociedade portuguesa muitíssimo mais moderna e arejada.»

«Já o ouvi propor incluir um jovem no Conselho de Estado, [mas] não é isso que vai dar destaque à juventude.»

«Sou o candidato que fala em crescimento económico.»

«Luís Marques Mendes é membro do Conselho de Estado, ininterruptamente, desde 2002, 2003... E mesmo assim continuamos com estes problemas todos.»

«Promulgaria esta legislação  laboral nesta versão mais recente.»

«Os candidatos têm a obrigação de dizer o que pensam. [Mendes] não disse se promulga ou não. Eu disse claramente que promulgaria.»

«O papel do Estado como garante da segurança das pessoas em situações de desespero, eu defendo-o tanto ou mais do que o Luís Marques Mendes.»

«A banca comercial já nos custou muito. Houve quase 30 mil milhões de euros para resgatar bancos em Portugal.»

 

LUÍS MARQUES MENDES:

«Queria confrontar Cotrim Figueiredo com estas perguntas muito simples e concretas a exigir também respostas muito concretas. Quando é que eu falei consigo a pressionar para a sua desistência? Ou quem foram as pessoas que em meu nome o pressionaram? Não se fazem acusações destas sem apresentar provas.»

«Não se fazem acusações desta gravidade da forma ligeira como as fez. Ou se fazem acusações e se provam ou não se fazem acusações.»

«Quem não deve não teme e quem não se sente não é filho de boa gente

«É uma acusação não só grave como é feia. Mesmo os seus eleitores não gostam. Ninguém gosta

«O senhor comporta-se como uma espécie de André Ventura envergonhado. Isso não o recomenda para Presidente da República, até o desqualifica. Portanto, a sua palavra não é para levar a sério.»

«Tem alguma coisa a acusar-me? Diga. Responda!»

«Isto é uma tentativa de assassinato de carácter. Eu fui talvez a pessoa mais escrutinada nos últimos anos.»

«Em algumas coisas da sociedade e do Estado, são precisos consensos. Na justiça, no combate à corrupção...»

«Um Presidente da República tem um poder moderador e tem de ser moderado. Mas não [tem] de ser mole nem frouxo.»

«O Conselho de Estado é o único órgão político em Portugal que junta à mesma mesa o Presidente da República, o primeiro-ministro e o líder da oposição. Reúne quatro vezes por ano. Ter um jovem no Conselho de Estado é uma oportunidade para dar voz aos jovens.»

«O Governo tem todo o direito, toda a legitimidade, de fazer esta reforma [laboral].»

«Em sou muito mais ambicioso no plano social do que o João Cotrim Figueiredo.»

«Não podemos estar à espera que o mercado vá resolver os problemas dos idosos, dos pensionistas e dos reformados. A intervenção do Estado é fundamental.»

«Cotrim Figueiredo defendeu a privatização a 100% da Caixa Geral de Depósitos. Isto significaria que a Caixa iria provavelmente parar às mãos dos espanhóis. É o grande fusível do nosso sistema financeiro. Se o fusível quebra, pode ser um problema sério.»

 

Excertos do debate ocorrido anteontem à noite na TVI e na CNN Portugal, com a habitual moderação hesitante e gaguejante de José Alberto Carvalho.

O que eles disseram de olhos nos olhos (4)

Pedro Correia, 04.12.25

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ANTÓNIO JOSÉ SEGURO:

«Eu não seguia a maioria parte das intervenções que Marques Mendes fazia como comentador. Mas há uma diferença entre comentar a actualidade e transformar o país.»

«O centro-direita a que pertence Luís Marques Mendes não é o centro-esquerda a que eu pertenço.»

«O cartel da banca foi condenado em dois momentos a pagar 225 milhões de euros. Não pagou porque [o crime] prescreveu. Prescreveu porquê? Quais são as causas?»

«Marques Mendes diz que é muito interventivo. É membro do Conselho de Estado há 15 anos. Podia ter aconselhado os Presidentes da República a agir e a fazer esse pacto da justiça. Porque não fez?»

«Nós, ao ritmo a que temos vindo a diminuir a pobreza no nosso país, precisamos de um século para a eliminar. Isto é chocante, é um cancro social enorme.»

«O combate à corrupção tem de ser uma prioridade do estado de direito.»

«Penso que o senhor doutor fez parte, como consultor, de algumas das empresas que estavam na privatização. Defendi que houvesse planos anti-corrupção associados a cada processo de privatização, designadamente na TAP: isso seria útil para prevenir algumas das situações que neste momento estão em investigação. Na altura o governo do doutor Marques Mendes fez orelhas moucas.»

«Neste momento há um desequilíbrio completo do sistema político. A direita tem a maioria das juntas de freguesia, câmaras municipais, governo da Região Autónoma da Madeira, governo da Região Autónoma dos Açores, a maioria no parlamento, o primeiro-ministro... O país tem a ganhar se o sistema político estiver equilibrado.»

«Em duas leis essenciais - a lei dos estrangeiros e a lei da nacionalidade - com que é que o governo do seu partido fez acordo? Com o Chega. Matérias que são estruturantes para o nosso chão comum.»

«Precisamos de um Presidente da República para novos tempos e não para os velhos tempos.»

 

LUÍS MARQUES MENDES:

«Há uma grande diferença entre estes dois candidatos: António José Seguro privilegia mais as proclamações de carácter genérico. Eu quero ser bastante mais activo e interventivo.»

«Já houve um período, há 30 anos, com Guterres a primeiro-ministro e Jorge Sampaio a Presidente, com os ovos no mesmo cesto. Dois socialistas no topo do Estado. António José Seguro fazia parte desse governo. Fazia parte dos ovos que estavam no cesto - e nunca se queixou.»

«É preciso dar rapidamente o pontapé-de-saída para um pacto da justiça. O meu primeiro Conselho de Estado será sobre esta matéria.»

«A justiça está doente.»

«Há uma diferença [minha] com  o António José Seguro: eu sou mais interventivo, gosto de ir mais à frente.»

«Eu quero avançar no combate à pobreza. Vou instituir um Fórum Anual de Combate à Pobreza.»

«O governo Passos Coelho é que fez a privatização da TAP. Eu não fui membro desse governo.»

«A minha Casa Civil terá menos assessores políticos e mais assessores sociais.»

«Já assumi o compromisso de colocar um jovem [no] Conselho de Estado. Nunca na vida isso aconteceu.»

«Não indigitarei o líder do Chega primeiro-ministro nem lhe darei posse enquanto não tiver garantias por escrito de que o seu programa será limpo de inconstitucionalidades.»

 

Excertos do debate ocorrido ontem à noite na RTP e conduzido por Carlos Daniel com a segurança habitual.

Tudo o que um debate não deve ser

Sérgio de Almeida Correia, 01.12.25

Catarina Martins vs André Ventura: quem teve a nota mais alta? - SIC  Notícias

Já calculava que alguns dos "debates" entre os candidatos às próximas eleições presidenciais seriam muito pouco interessantes, iriam esclarecer nada ou quase nada, e que só serviriam para continuar a transmitir uma péssima imagem dos nossos (deles) actores políticos, mostrando nalguns casos a sua manifesta impreparação, falta de sentido de Estado, oportunismo, irresponsabilidade política e total desprezo pela situação do país e dos portugueses.

Confesso que nunca pensei é que se viessem a revelar bem piores do que aquilo que poderia imaginar nos maiores pesadelos.

Da falta de ideias à de educação, da linguagem desbragada ao estilo carroceiro, com frases e apartes de estrebaria, gritaria, mãos e braços no ar, sem esquecer mentiras, insultos, falsas verdades, omissões convenientes e incoerências, nada tem faltado.

O pseudodebate de ontem entre Catarina Martins e André Ventura, que aproveitei para ver durante a minha hora de almoço, é apenas mais um exemplo de algo que nunca deveria ter acontecido. E admiro a paciência do entrevistador, por muito bem paga que seja.

Aos debates que se têm visto seria preferível o silêncio. 

Este seria bem mais enriquecedor, educativo e muito menos ofensivo da dignidade nacional.

E os portugueses continuariam tão esclarecidos sobre as ideias dos candidatos presidenciais como estavam antes. Sem "debate".

O que eles disseram de olhos nos olhos (3)

Pedro Correia, 26.11.25

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ANDRÉ VENTURA:

"Eu estou farto que a esquerdalhada faça o que quer no parlamento."

"Marques Mendes, se calhar, tem alguns interesses mais escondidos [em Angola]."

"O senhor é político desde 1976, eu ainda não tinha nascido."

"Estou farto até à cabeça de estar rodeado de corruptos."

"Não me venha dizer que é independente, porque não é. Tem um partido que o protegeu sempre, o PSD."

"Em vez de conversa da treta, como a sua me parece, temos de ir onde dói: quem andou a roubar tem de ficar sem o património. Temos de os agarrar, temos de acabar com eles."

"Eu nasci em 1983. Nasci em democracia e o que vi nesta democracia foi corrupção, corrupção, corrupção. Não me venham pedir para olhar 100 ou 200 anos para trás."

"Está ao lado da casta que nunca quer ser investigada."

"O seu partido está cheio de corruptos do princípio ao fim. Os senhores andam a roubar malas de dinheiro do país."

"Marques Mendes é a marioneta de Luís Montenegro. (...) Nem Passos Coelho o apoia."

 

LUÍS MARQUES MENDES:

"André Ventura comemora o 25 de Novembro porque não gosta do 25 de Abril. Convive mal com a opinião dos outros. E quer combater o 25 de Abril."

"André Ventura actua com total falta de sentido de Estado. No plano do Estado não contam as preferências pessoais."

"Os políticos mandarem prender alguém era no tempo da PIDE, não é agora."

"O senhor está a fazer teatro."

"Passa a vida a interromper os outros, não tem coragem de ouvir os outros. É uma atitude de fraqueza."

"O senhor está a branquear o regime anterior, onde havia mais corrupção."

"O senhor não se candidata a xerife da República, pois esse cargo não existe "

"A justiça tá doente. O meu primeiro Conselho de Estado será sobre a reforma da justiça e o combate à corrupção. É preciso acabar com os diagnósticos e ter acção."

"Hoje há uma justiça pa ricos e outra pa pobres "

"André Ventura não tem propostas concretas e exequíveis para assunto nenhum."

 

Excertos do debate ocorrido ontem à noite na SIC, com moderação competente de Clara de Sousa.

O que eles disseram de olhos nos olhos (2)

Pedro Correia, 21.11.25

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JOÃO COTRIM FIGUEIREDO:

«A independência não se proclama: pratica-se.»

«Eu saberei resistir a todas as pressões que me queiram desviar dos superiores interesses dos portugueses e de Portugal.»

«Não vai dizer-me que é cadastro ter passado partidário.»

«Tenho uma abrangência muito maior do que o partido de onde sou oriundo. Tenho apoios de figuras do PS, do PSD, do CDS, da IL, do Chega.»

«As estruturas da sua candidatura foram responsáveis pela máquina de propaganda de José Sócrates.»

«Eu uso avental, mas é na cozinha.»

«Tinha um professor que dizia que cada vez que ouvia falar de estratégia numa empresa, isso queria dizer que alguém ia ao bolso de alguém.»

«Não me falta optimismo nem energia.»

«Eu sou a verdadeira vacina contra o pessimismo e o medo do futuro.»

 

HENRIQUE GOUVEIA E MELO:

«A Presidência da República não é um conselho de administração. É um serviço à nação.»

«[Cotrim] quer levar correntes ideológicas  Presidência da República.»

«O candidato presidencial tem de ser mais aberto, apanhar um espectro político maior para ajudar a construir soluções que um candidato não-partidário ajuda a encontrar porque tem esse afastamento dos interesses partidários.»

«Venho de fora do sistema, que está um bocado descredibilizado.»

«Eu não sou maçom.»

«Sou social-democrata.»

«A economia são as pessoas. Economia sem coesão é má economia.»

«O povo, quando vota, é inteligente.»

«Este país precisa de avançar.»

 

Estreia absoluta de ambos em debates entre candidatos presidenciais. Na noite de ontem, na RTP, com boa moderação de Vítor Gonçalves.

O que eles disseram de olhos nos olhos (1)

Pedro Correia, 19.11.25

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ANTÓNIO JOSÉ SEGURO:

«O senhor está sempre a dividir, está sempre com extremismos, está sempre com ódio.»

«O senhor está sempre a pôr as pessoas umas contra as outras, está sempre a dividir entre os bons e os maus. Eu não consigo olhar para o País assim.»

«Compreendo as razões que assistem aos representantes dos trabalhadores para convocarem uma greve geral.»

«A revisão da legislação laboral nem fez parte da proposta eleitoral do Governo.»

«O deputado André Ventura tem mais anos de actividade partidária neste século do que eu, contando os anos em que esteve no PSD.»

«Há uma diferença entre ser candidato de um partido ou candidato apoiado por um partido. (...) Se quer debater com o PS, dou-lhe o número do telefone de José Luís Carneiro e o senhor debate com ele.»

«O senhor deputado está na eleição errada: devia estar nas eleições legislativas. Andou a pedir aos portugueses para votarem em si, mas borrifou-se para esse voto e está a candidatar-se a Presidente da República.»

«Daqui a quatro meses vou recebê-lo em Belém. Eu como Presidente da República, o senhor como líder partidário.»

«O senhor não me dá lições de patriotismo.»

«Faz favor, se quiser interromper. Não há problema.»

«O senhor não baseia a sua retórica em factos.»

«O senhor não é por falar mais alto que resolve os problemas.»

 

ANDRÉ VENTURA:

«O António José Seguro é como o Melhoral, que não faz bem nem faz mal.»

«Esteve no governo de António Guterres, do pântano, da crise, do desnorte do País.»

«Tem de haver uma lei laboral que incentive ao trabalho e à produtividade.»

«As pessoas ficam sem comboio para ir ao hospital e ir trabalhar, quando pagam o passe e não recebem compensação nenhuma [em dias de greves]. Essas também merecem uma palavra da nossa parte.»

«Nunca como no tempo do PS os jovens emigraram tanto: 30% foram para fora. É a sua herança, é a herança do PS. Deixou-nos com os salários mais baixos da União Europeia.»

«A herança do seu partido destruiu o SEF.»

«Eu nunca serei uma jarra de enfeitar.»

«Marcelo Rebelo de Sousa é uma jarra numas coisas e uma traição noutras.»

«Há imigrantes que passam à frente dos portugueses na saúde. O senhor aceita de bom grado que chegue alguém do Bangladeche, da Índia e do Paquistão, e passe à frente de uma família portuguesa no acesso à saúde.»

«Eu sou candidato a Presidente de Portugal. Não sou candidato a presidente do Bangladeche. Se quiser, apanhe um avião e vá para lá.»

«O senhor tem a mesma conversa da treta que não vai em nada, vai manter tudo igual.»

«Essa conversa da treta levou ao estado do País em que estamos.»

 

Primeiro dos 28 anunciados debates entre candidatos presidenciais. Na noite de anteontem, na TVI e na CNN Portugal, com péssima "moderação" do gaguejante José Alberto Carvalho. 

O país é Lisboa, o resto é paisagem

Pedro Correia, 23.09.25

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A SIC reuniu alguns candidatos à Câmara Municipal do Porto - deixando outros de fora, sem se dar ao incómodo de explicar porquê - para um debate na noite de domingo motivado pela eleição autárquica do próximo dia 12.

Esta estação televisiva tem redacção e estúdios no Porto. Mas forçou os candidatos a viajar 600 km, ida e volta. Não pode haver melhor (ou pior) exemplo de centralismo. Os cinco participantes e até a moderadora são do Porto, mas o debate travou-se no concelho de Oeiras, distrito de Lisboa. Só faltou que ocorresse no próprio Terreiro do Paço.

Na mesma SIC onde abundam comentadores a perorar sobre as virtudes da descentralização e até a entoar loas à regionalização - aliás quase todos residentes na capital. Mas metem a viola no saco quando o canal pratica o contrário do que apregoam.

Eis um sinal evidente do atraso do País: Portugal continua a ser Lisboa, o resto é paisagem.

Era assim no tempo do Eça, continua a ser assim agora.

Separados pela distância

Pedro Correia, 13.04.25

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Pedro Nuno Santos (ontem, no Porto): «É fundamental que consigamos conciliar quem está preocupado com o fim do mundo com quem está preocupado em chegar ao fim do mês. A transição climática e energética não pode ser feita contra as pessoas, contra as famílias.»

 

Inês Sousa Real (ontem, em Queluz de Baixo): «De repente achei que estava a debater com o Bloco de Esquerda e não com o PS. Vimos Pedro Nuno Santos quase a diabolizar as empresas e a encostar-se mais uma vez à extrema-esquerda.»

Separadas à nascença?

Pedro Correia, 11.04.25

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Mariana Mortágua e Inês de Sousa Real no debate de ontem na CNN Portugal. Mais do que um frente-a-frente, foi um tête-a-tête.

 

O mais relevante diálogo que travaram ocorreu logo a abrir.

Foi assim:

Mariana - Muito boa noite, Inês. Cumprimento-a pela escolha da roupa, que é muito parecida com a minha. Ainda bem, quer dizer que temos bom gosto.

Inês - Cumprimento também a Mariana e felicito-a também pela escolha.

 

Uma de amarelo e preto, a outra de preto e amarelo. Mal se deu pela diferença.

A peixeirada

Legislativas 2024 (9)

Pedro Correia, 21.02.24

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- Não está preparado para governar o país.

- Estou preparadíssimo. 

- Mas não parece! Não parece... desculpe lá que lhe diga. Não parece.

(...)

- Falhou! Você diz que faz, mas não faz.

- Ai faço, faço! Você é que não sabe o que é fazer, não sabe o que é governar.

- Sei, sei. 

- Não sabe. Nunca governou! Nem num gabinete esteve. Não sabe a dificuldade de tomar decisões, de avançar. Isso não sabe. 

- O Pedro Nuno Santos é que esteve mal como ministro. O que fará como primeiro-ministro...

- Não, não estive. Tenho resultados para apresentar!

- Esteve muito mal. Habitação, infraestruturas, o aeroporto... O nosso plano fiscal não é nenhuma aventura...

- É aventura, é! Irresponsabilidade mesmo. Nunca vai conseguir cumprir.

- ... incremento económico. O PS tem uma voracidade fiscal completa, nunca está satisfeito...

- Qual voracidade? Qual voracidade?

- ... foram e são hoje um bloqueio ao crescimento económico...

- Qual bloqueio? O investimento estrangeiro é hoje 70% do PIB.

- ... os nossos profissionais estão a procurar oportunidades no estrangeiro porque não têm aqui o rendimento... Estamos a perder na competição com os países que concorrem connosco.

- Estamos a crescer mais! Somos o país que cresceu mais.

 

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(...)

- Ó Pedro Nuno Santos, olhe, estou muito melhor preparado do que o Pedro Nuno Santos, muito melhor preparado.

- Está, está... 

- Fale verdade! Fale verdade!

- Não se viu hoje, não se viu hoje. Hoje falhou. Hoje correu mal. Hoje não correu bem, não é? Hoje não correu bem.

- Fale verdade, fale verdade, não crie falsas expectativas. Quero cumprir os meus compromissos, tudo o contrário do que o senhor e os seus colegas de governo fizeram nos últimos...

(...)

- Oiça! Está nervoso?

- Não estou nada nervoso!

- Então oiça, não me interrompa. 

- Não insista na mentira.

- Oiça! Quer ouvir ou não? É que não é mentira, não é mentira.