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Do meu baú (2)

por Pedro Correia, em 29.06.20

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As crises, à partida, são péssimas. Mas em jornalismo são óptimas: ficam sempre bem em qualquer manchete. Sobretudo quando surgem com a vaga avassaladora da que foi desencadeada pelo colapso do centenário Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento dos EUA. Uma queda que provocou um abalo à escala planetária, bem revelador da fragilidade dos circuitos económicos do mundo contemporâneo.

No dia seguinte, 16 de Setembro de 2008, a manchete do DN dizia quase tudo em apenas cinco palavras: «A pior crise desde 1929». Foi preciso aguardar oito décadas - e haver uma guerra mundial de permeio - para ocorrer uma derrocada financeira comparável à da tristemente célebre queda da Bolsa novaiorquina que mergulhou os EUA numa década de depressão. 

Consequências para o nosso país? Não havia problema, apressou-se a garantir a nossa suprema autoridade financeira, então gerida pelo inefável Vítor Constâncio: «Em Portugal, a exposição ao Lehman não é significativa, segundo o Banco de Portugal», lia-se na última frase do texto que acompanhava esta manchete.

Lá dentro, na página 7, outra declaração igualmente tranquilizadora: «Estamos a avaliar, mas a nossa exposição ao Lehman Brothers é absolutamente módica, muito pouco expressiva.» De um tal Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, esse admirável modelo de sagacidade e lisura.

Até sempre, Barata

por Pedro Correia, em 29.05.20

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Sou há muitos anos cliente assíduo da Livraria Barata, na Avenida de Roma. Tenho até cartão de cliente, que permite um desconto residual em livros, de que ali me abasteço regularmente. Também nesta livraria lisboeta habituei-me a comprar com regularidade imprensa estrangeira há quase década e meia.

Desde que foi declarada a pandemia, a Barata fechou - como aconteceu com todos os estabelecimentos do ramo, que já atravessavam uma severa crise antes de o Presidente da República e o Governo - sabe-se lá porquê - terem considerado que as livrarias não mereciam ficar abertas durante o "estado de emergência". Ao contrário dos quiosques, das mercearias e das tabacarias. 

Na altura, não ouvi um sussurro de protesto dos chamados "agentes culturais". Todos acenaram, em sinal de concordância.

 

Entretanto, a Barata reabriu.

Acontece que desde então já tentei duas ou três vezes, mas ainda não consegui lá entrar. Motivo? Embora tenha uma área muito grande, só permitem um máximo de dez pessoas dentro do estabelecimento.

Em pelo menos duas ocasiões vi uma fila à porta, estendendo-se para o passeio: gente forçada a usar máscara, aguardando à torreira do sol, suando em bica, com notório desconforto.

Disse logo com os meus botões: nem pensar em aturar isto. E rumei a outras paragens.

 

Hoje, ao fim da manhã, tentei uma vez mais - talvez a última - entrar na Livraria Barata.

Não vi nenhuma fila à porta, fui avançando. Deparo-me então com o Presidente da República, mais a respectiva comitiva, acrescida de um batalhão de jornalistas. Todos juntos, perfaziam mais do dobro do limite máximo de pessoas estipulado. As regras "rigorosíssimas" haviam sido mandadas às malvas.

Disseram-me que Marcelo Rebelo de Sousa estava ali para "declarar o apoio" à livraria, que enfrenta sérias dificuldades de tesouraria, sem saber se conseguirá pagar os salários neste fim de mês. Aplaudo a generosidade do Chefe do Estado. E espero que Marcelo faça o mesmo com milhares de outras empresas deste país onde muita gente trabalha sem ver a remuneração a que tem direito. Pelo mesmíssimo motivo.

 

Tudo isto é muito bonito. Acontece, no entanto, que voltei a ver-me impedido de ali entrar. Escorraçado pelo sol, pelas filas, pelas absurdas regras de "confinamento" e hoje até pelo Presidente da República mais a sua comitiva.

Sem acesso à livraria, rumei ao talho mais próximo, onde me abasteci de imediato com 600 gramas de entrecosto, e vim para casa preparar o almoço. Despedindo-me da Barata, por prazo indefinido. Com um até para o mês que vem ou um até nunca mais, não faço ideia.

Há sempre um fim para tudo.

Generosidade com o dinheiro dos outros

por Paulo Sousa, em 16.04.20

Era uma vez uma superfície comercial que vendia gás. Vamos simplificar a história e por isso só vendia uma das várias marcas que operam no mercado.

Comprava cada bilha de gás butano a 21€, valor sobre o qual ainda pagava o respectivo IVA de 23%, pagando assim por cada bilha de gás 25,83€.

Essa superfície comercial adoptou há vários anos uma política de preços em que estabelece como margem comercial bruta o valor de 2,50€ por cada garrafa. Em resultado disso o preço pago pelo cliente é de 28,33€, arredondando por defeito o valor final para 28€, de forma a facilitar os trocos.

Sempre que a marca de gás com que trabalha entende que deve ajustar os preços de forma a acompanhar os respectivos custos ou concorrência, esta superfície comercial simplesmente repete a fórmula habitual dos 2,50€ de margem comercial, e depois disso arredonda o preço por defeito.

Entretanto surgiu um vírus chinês que quase faz parar o mundo. O governo entendeu que devia fazer caridade e, como não tinha nada para dar, lembrou-se de oferecer o que era dos outros. Vai daí lembrou-se de estabelecer como preço máximo o valor de 22€ por garrafa. Como a clareza na comunicação elimina a hipótese de ajustes de discurso futuros, não informou se esse valor incluía o IVA ou não. Mas perante tal imposição de preço, com ou sem IVA incluído, o referido estabelecimento sabe que se encaixar a caridade que o governo definiu, estará a violar as leis europeias da concorrência que punem a venda abaixo do preço de custo. Por isso, até que a situação seja clarificada, o mais seguro será deixar de vender gás.

Assim, os clientes que acreditarem na caridade do governo terão de ir procurar gás a outro lado. Se todos os distribuidores de gás decidirem o mesmo, deixará da haver gás no mercado e assim, sem conseguirem comprar gás, os cerca de três milhões de famílias em causa irão efectivamente beneficiar de uma redução das suas despesas fixas.

Desequilíbrios

por Paulo Sousa, em 07.04.20

Há dias lembrei-me de uma conversa telefónica que tive durante os tempos da Troika.

Atendi o telefone a alguém que não fazia parte dos meus contactos e que me perguntou se conhecia quem comprasse móveis usados. Indiquei-lhe um armazém aqui próximo que negoceia espólios de falências, mas não sabia se estavam compradores. A conversa desenrolou-se por mais uns instantes e acabei por ficar a par da situação. Era uma rapariga com vinte e poucos anos que trabalhava numa cerâmica - aqui perto existem umas quantas - e que ia emigrar. Além de referir que recebia o salário mínimo, terminou a explicação do que a tinha levado a essa difícil decisão com a seguinte frase:

- E o meu pai morreu há dois meses e já não me pode ajudar.

 

Depois de engolir em seco, entendi que esta frase resume uma parte silenciosa, esquecida mas significativa do que o Portugal moderno, democrático e europeu conseguiu dar a demasiados dos seus millennials.

A forma como a geração que viveu a mudança de regime anterior definiu as regras com que nos organizamos acabou por levar a que uma imensidão de gente nova não consiga ser financeiramente independente. Não estamos a falar de gente que pede dinheiro aos pais para enfrentar um percalço pontual mas sim de quem o faz sistematicamente como complemento de rendimento.

Os pais, que naturalmente aceitam apoiar os seus filhos, transferem automaticamente uma parte das suas reformas para que os filhos possam evitar o permanente sufoco.

Observando à distância, o que vemos é um sistema em que as gerações mais velhas tem um rendimento assegurado e grande parte das mais novas não. E esse rendimento assegurado é alimentado por elevados encargos sociais que são retirados à economia produtiva e que, também por isso, perde a capacidade de remunerar mais condignamente os mais novos.

Falar nisso tem o risco potencial de poder parecer que se está contra os mais velhos, e nenhuma força política arrisca em antagonizar tão importante faixa do eleitorado. E por isso, este desequilíbrio tem todas as condições para ser um ´não assunto´.

Mas mesmo dentro do universo dos reformados existem desequilíbrios indecentes. Nas terras pequenas, como aquela onde vivo, é fácil fazer um exercício de comparação entre uma pessoa que se reformou como funcionário público e o valor total das reformas da rua onde vive. Posso simplificar as contas dizendo que num universo de sete reformados, a pessoa em causa recebe 50% do valor total.

O sistema de cálculo das reformas é por isso um factor de desequilíbrio social, dentro dos seus beneficiários, e também por comparação com os contribuintes em idade activa.

A crise com que teremos lidar nos próximos tempos não será por isso igual para todos. Isto é um facto, e um dia no futuro quando estudarem a actualidade essa será uma das características do regime fundado pelo 25 de Abril.

Isto está para piorar... e muito

por João André, em 23.03.20

Isto não vai melhorar tão cedo, na realidade a vida vai piorar. Mesmo que amanhã, por milagre, se anuncie que não há mais novos casos, continuará a haver casos nos outros países. E os que existem no própro país poderão continuar a contaminar outras pessoas. E aqueles que estão assimptomáticos poderão continuar a ser vecotres de transmissão. E as crianças podem não ser tão afectadas mas até por isso mesmo poderão contaminar outras pessoas se tiverem o vírus mas não a doença. Não, não vai melhorar tão cedo.

Mas vai piorar. Os locais mais óbvios para o ver são os restaurantes e hóteis e cinemas e teatros e cafés. Mas há também as empresas de transporte de passageiros ou mercadorias a serem afectadas. As fábricas que estão paradas por não fabricarem nada de fundamental para estes momentos. O desporto que não pode continuar porque vive do contacto. Até mesmo empresas que vivem da publicidade online porque não vale a pena comprar anúncios para atingir pessoas que gora não são consumidores.

Isto vai demorar, e muito. As pessoas vão recebendo salários por inteiro ou perto disso, mas a certa altura os cofres dos estados vão dizer chega. A solução será ir ao mercado e contrair dívida, mas também os bancos estão apertados, tendo já perdido biliões e biliões (sim, o bilião português, não o billion inglês) com as quedas nos mercados. Os bancos centrais ajudam dentro do que podem, mas é dinheiro virual que arrisca criar depois uma inflacção desenfreada. Vai demorar.

E depois de a produção retomar o seu caminho, nada vai ser como antes. Muitas empresas poderão simplesmente reenviar os seus trabalhadores para os seus postos de trabalho e voltar ao que faziam antes, ams pdoerão descobrir que o mercado já não existe. Uma empresa de automóveis vai descobrir que as poupanças dos consumidores desapareceram ou que o crédito apertou. As pessoas esperarão para comprar. Uma empresa de sumos pode descobrir que fornecedores não aguentaram o período e desapareceram, além de os consumidores provavelmente hesitarem antes de escolherem o seu Compal de pêssego em vez de um copo de água da torneira. As empresas que vivem de melhorar processos - de ajudarem outros a fazer mais com menos - poderão descobrir que os seus clientes não têm liquidez para comprar os seus produtos ou serviços e que estão a colocar todos os seus esforços em voltar a ganhar dinheiro.

E isto antes de vermos o realinhamento no panorama empresarial. Muitas empresas não sobreviverão, nuns sectores mais que noutros, e as que sobrevivam irão aproveitar-se para melhorar a sua posição. Isso a certa altura levará provavelmente a aumentos de preços. Basta imaginar que a TAP iria à falência. A Air France poderia aumentar as rotas para os voos para Paris mas, sem concorrência, poderia tentar espremer mais lucro de cada passageiro, especialmente sabendo que quem fizesse a viagem provavelmente iria pagar mais por necessidade.

E isto é no cenário de a vacina aparecer ou de os governos avançarem com a decisão de aceitar mortes em troca de um módico de normalidade. Até lá tudo será ainda mais complicado, com ou sem achatamento da curva.

Sim, vai demorar. E o pior está para vir. A doença que mais matará não será o covid-19.

Contágio

por Maria Dulce Fernandes, em 17.03.20

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Ontem a minha guerra antecipou-se ao estado de sítio e fechou.
Decretou recolher obrigatório, informou e encerrou. A consciência social, a responsabilidade de quase 200 almas é grande demais para se resumir a cifras. Felizmente para os funcionários, a gerência nunca considerou as suas pessoas apenas números.


É esmagadora a sensação de fechar as portas sem previsão de regresso.
Todos sabemos da necessidade de medidas extremas como esta, por todos e para todos, mas em 43 anos no mesmo posto de trabalho, não tenho memória de semelhante ocorrência e a consciência da insignificância humana perante o gigante nanoscópico que nos assalta e destrói é assaz doída e triste.


Fechei. Saí. A noite estava fria e a rua deserta. O motorista TVDE era conversador e eu sem grande paciência para lhe dar troco. Ia intercalando ideias enoveladas com secos monossílabos, sem dar muita atenção à conversa, até me chegar a palavra “exagero". Ali estava eu com alguém que, como tantos outros milhões, não entende a magnitude da destruição que este ignoto homicida pode causar à vida, à sociedade, ao mundo. Nada! Não é nada. Apenas mais uma fabricação do capitalismo norte-americano para destruir psicologicamente as pessoas e afundar a China e a Europa.


Dez minutos, longos e penosos. Respiro devagar. Afundo o nariz e a boca na echarpe. Sinto-lhe o hálito a tabaco ressequido e álcool cozinhado. Pode ser que o tenha desinfectado…


Todos vendidos ao “Grande Capital", é o que é. O que querem é fazer implodir os países e as economias com uma pretensa epidemia. Estão feitos uns com os outros, é o que é. Anda tudo ao mesmo, é o que é. Mas ele não, que sabe bem o que é ser-se explorado física e psicologicamente. Fechar tudo! Onde é que já se viu? Quando reabrirem, já é tarde! Não há nada. O país colapsou. A ele é que não o enganam com falsas epidemias.


Finalmente cheguei, desejei-lhe boa sorte e ideias desanuviadas para quando for a doer. Porque agora já não é “se", é mesmo “quando". Fugi, corri dali para fora e respirei fundo, tentando exalar o contágio sufocante, mais infeccioso do que o vírus traiçoeiro.


Entrei em casa e refugiei-me na casa de banho. Nem boa noite. Água quente, uma escova de cerdas rijas e dettol a rodos, a auspiciarem um triste início de quarentena obrigatória.

 

O diabo a chegar

por Pedro Correia, em 16.03.20

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Foto: Mário Costa/Lusa

 

Razão tinha aquele ex-governante ao avisar que «vinha aí o diabo». Em forma de recessão económica e colapso financeiro, que é uma espécie de guerra por outros meios.

Para enfrentar este espectro que abala o mundo, nada melhor do que ter contas correntes equilibradas, impostas pela disciplina orçamental. Sobretudo tratando-se de um país como o nosso, que importa grande parte do que come, está muito longe da auto-suficiência e tem um dos maiores défices da balança alimentar da Europa. Além de mantemos a terceira maior dívida pública dos países membros da OCDE, avaliada em 122% do PIB anual.

Pois o diabo está aí a chegar, como o ex-governante advertia. Em forma de vírus, como testemunhamos nesta espécie de praga chinesa lançada a quem ansiava por viver «tempos interessantes». Daí a necessidade de fazer sem demora esta advertência: há que travar o passo ao ministro das Finanças, que já se preparava para esvaziar as gavetas do seu gabinete e rumar ao posto de comando do Banco de Portugal. Não é o momento para tal transferência. Ninguém lhe perdoaria que protagonizasse o papel de desertor, em pleno cenário de crise, quando já se vislumbra uma nova situação de emergência financeira e social, provocada pela pandemia.

Como acentuou há dias António Costa, «não se mudam generais a meio da batalha».

As razões da crise na Catalunha.

por Luís Menezes Leitão, em 23.10.19

Bom artigo este, que explica muito bem as razões da crise na Catalunha e desmente totalmente a versão oficial do Estado espanhol, que tanta gente em Portugal quer seguir acriticamente.

Crisis? What crisis?

por Luís Menezes Leitão, em 25.06.19

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No Inverno de 1978-79, no que ficou conhecido como O Inverno do Descontentamento, o Primeiro-Ministro inglês James Callaghan viu-se confrontado com uma onda de greves no país. Questionado pelo jornal The Sun sobre o que pensava do crescente caos provocado por essas greves, limitou-se a responder que essa era uma opinião paroquial do jornalista, já que as outras pessoas no mundo não partilhariam essa visão de que existia um crescente caos no país. O jornal limitou-se a colocar essa resposta na primeira página com o título "Crisis? What crisis?". O resultado foi o descrédito total do governo trabalhista e uma derrota colossal nas eleições subsequentes, que ditaram a ascensão de Margaret Thatcher a Primeira-Ministra.

A Ministra da Justiça Portuguesa vai mais longe do que o próprio James Callaghan, chegando ao ponto de dizer que “contrariamente ao que parece transparecer no quotidiano”, a Justiça portuguesa funciona melhor do que alguma vez funcionou. Apesar das custas judiciais altíssimas, dos constantes atrasos na justiça, das remunerações dos advogados por actualizar desde 2004, e das sucessivas greves no sector, a Justiça portuguesa vai de vento em popa, havendo apenas um erro de percepção sobre o que transparece para o comum dos mortais. A Ministra da Justiça é discípula do Professor Pangloss: "Tudo vai bem no melhor dos mundos."

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O estado do PSD.

por Luís Menezes Leitão, em 29.09.17

Cavaco Silva, quando derrubou o governo do Bloco Central, disse que um governo onde os ministros discutem a remodelação na rua já não é um governo. A crise do PSD é de tal ordem que candidatos atacam candidatos da sua própria lista e depois são atacados por outros militantes, tudo isto nas vésperas de uma eleição. Alguém de bom senso acha que o PSD pode continuar nesta deriva?

A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 30.12.15

Portugueses gastaram mais 289 milhões de euros em compras de Natal

2011: breve cronologia da crise

por Pedro Correia, em 16.09.15

1. «O cenário de ajuda externa é um cenário de último recurso. Farei tudo para evitar que isso aconteça.»

José Sócrates em entrevista à RTP (segunda-feira, 4 de Abril de 2011)

 

2. «É urgente pedir um empréstimo intercalar já.»

Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, em entrevista à TVI (terça-feira, 5 de Abril)

 

3. «A notícia é falsa. Não passam de rumores sem fundamento.»

Gabinete do primeiro-ministro, reagindo à notícia do Financial Times sobre um pedido de ajuda de Portugal à União Europeia (manhã de quarta-feira, 6 de Abril)

 

4. «É necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu.»

Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos (quarta-feira, 7 de Abril, 18 horas)

 

5. «O Governo decidiu hoje dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira, por forma a garantir condições de financiamento a Portugal.»

José Sócrates em comunicação ao País (quarta-feira, 7 de Abril, 20.30)

A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 14.07.15

Produção industrial em Portugal regista terceira maior subida da União Europeia

A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 19.06.15

Portugal volta a liderar o crescimento das vendas de carros na Europa. Em Maio foram comercializados em Portugal 18.343 automóveis ligeiros de passageiros, o que suplanta os 13.782 carros vendidos no mesmo mês de 2014. As vendas cresceram 33,1% em termos homólogos, a maior subida de toda a União Europeia. Nos primeiros cinco meses deste ano, as vendas acumuladas em Portugal totalizaram 79.585 veículos, o que representa um crescimento de 32,5% face ao mesmo período de 2014.

Falharam

por Pedro Correia, em 22.04.15

Previram uma irreparável "espiral recessiva". Não houve.

Previram um ameaçador "programa cautelar". Nunca apareceu.

Previram um  "gigantesco risco sistémico" no sistema financeiro português. O colapso jamais ocorreu.

Previram um inquestionável "segundo resgate". Ninguém o vislumbrou.

Previram até, com ênfase de profissão de fé, a saída de Portugal do euro. Que só existiu em sonhos. Ou pesadelos.

 

Durante um par de anos levámos com todos estes profetas da desgraça, num concurso de cassandras levado ao domicílio antes, durante e depois dos telediários. Dia após dia, noite após noite.

Nunca ninguém lhes pedirá contas sobre o imenso rol de profecias falhadas. É o que lhes vale.

 

Mas a maior prova desse falhanço está no pacote de medidas de carácter económico que o PS acaba de desvendar para um hipotético executivo a sair das eleições do Outono. Os socialistas - ultrapassando agora o  Governo (2,3%) e o  Banco de Portugal (1,9%) em optimismo - antecipam um crescimento médio anual da economia portuguesa de 2,6% no período em que vigorar a próxima legislatura.

Contagiados por este optimismo, que avaliza afinal o desempenho do executivo ainda em funções, os do costume - aqueles que falharam todas as previsões - voltarão aos jornais de sempre e às televisões da praxe a dar o dito por não dito. Só nessa matéria conseguem ser exímios.

 

Leitura complementar:

Cautela. De Vital Moreira, na Causa Nossa.

O irrealismo dos cenários macroeconómicos do governo e do PS. De Ricardo Paes Mamede, no Ladrões de Bicicletas.

Texto do PS: boa jogada política a curto prazo mas sem credibilidade económica. De Luís Salgado de Matos, n' O Economista Português.

PS prescinde de quase 1% do PIB no Orçamento e diz que baixa défice. De Sérgio Aníbal, na Economia Info.

Isto que nos tem

por Teresa Ribeiro, em 20.04.15

"Dificilmente escaparemos ao degredo do baixo crescimento sem que duas coisas aconteçam: concorrência que dê cabo da má gestão dos instalados (e, já agora, nós também pertencemos ao lóbi dos instalados se queremos manter as nossas pensões à custa de cortar drasticamente as daqueles que ainda não começaram a trabalhar); e políticas macroeconómicas assimétricas na União Europeia, vulgo a Alemanha aumentar os salários e promover a importação de produtos de países como Portugal. Ainda não ouvi melhor medida do que a que Roubini uma vez metaforizou: que Merkel desse um cheque de mil euros a cada alemão para passar férias no Algarve.

Se não tivermos isso, o que temos é isto. Isto que nunca mais acaba, esta matança lenta de uma sociedade exausta e rasgada, que consome o presente dos velhos e o futuro dos jovens. Não é isto que queremos mas é isto que temos. Ou, pensando bem, é isto que nos tem a nós." - Pedro Santos Guerreiro, na última edição do Expresso papel.

Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 18.03.15

A retórica do crescimento. De Manuel Villaverde Cabral.

O Draghi e a Yellen deviam ouvir este chinês

por José António Abreu, em 06.02.15

E depois não se diga que as agências de rating não avisaram.

Vanguarda suíça ou o Draghi dos Cantões

por José António Abreu, em 16.01.15

O Banco Central da Suíça deixou ontem de defender a cotação do franco em relação ao euro, que desde 2011 mantinha em torno de 1,2. O franco valorizou quase 20%. Há três possíveis explicações para esta decisão:

 

1. Num país onde muitas vozes se opõem a políticas de estímulos financeiros (e onde até já se fez um referendo questionando os suíços acerca da conveniência do banco central reforçar as reservas de ouro), o Draghi dos Cantões pretendeu validar a posição mantida nos últimos anos (durante os quais comprou Eigers, Matterhorns e Jungfraus de euros com francos fresquinhos), mostrando aos cépticos quais as consequências de deixar os mercados funcionar livremente (atitude que, refira-se, muito desagradou a vários agentes dos mercados). Como tudo não passa de uma brincadeirinha (esta hipótese pressupõe que os banqueiros centrais têm sentido lúdico mas convém despachar a teoria da conspiração logo no início), deverão ser anunciadas medidas em sentido contrário a muito breve prazo.

 

2. Sabendo que o BCE vai iniciar um programa de compra de dívida, o Draghi dos Cantões (a minha inércia impede-me de lhe pesquisar o nome) decidiu que o esforço necessário para continuar a assegurar a cotação do franco era suicidário e abandonou o barco dos que acreditam que os estímulos financeiros vão resultar, aceitando as perdas a curto e médio prazo para os sectores exportadores da economia suíça.

 

3. Prevendo que o BCE não possa – ou, apesar de todos os soundbites em sentido inverso, não queira – iniciar o programa de compra de dívida, o Draghi dos Cantões (que, aposto, não fala cantonês) antecipou a subsequente queda do euro para, permitindo agora uma valorização do franco, conseguir que, apenas por acção dos mercados, ele acabe o processo com uma cotação não demasiado penalizadora para as exportações suíças.

 

No caso de qualquer uma das duas últimas hipóteses ser a verdadeira, a mensagem do Draghi dos Cantões é tão cristalina como pingentes de gelo em chalé alpino: o esquema de Ponzi com que tantos bancos centrais andam entretidos não funciona e tem de acabar. Esperemos que ele seja apenas um suíço pessimista.


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