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O estado do PSD.

por Luís Menezes Leitão, em 29.09.17

Cavaco Silva, quando derrubou o governo do Bloco Central, disse que um governo onde os ministros discutem a remodelação na rua já não é um governo. A crise do PSD é de tal ordem que candidatos atacam candidatos da sua própria lista e depois são atacados por outros militantes, tudo isto nas vésperas de uma eleição. Alguém de bom senso acha que o PSD pode continuar nesta deriva?

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 30.12.15

Portugueses gastaram mais 289 milhões de euros em compras de Natal

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2011: breve cronologia da crise

por Pedro Correia, em 16.09.15

1. «O cenário de ajuda externa é um cenário de último recurso. Farei tudo para evitar que isso aconteça.»

José Sócrates em entrevista à RTP (segunda-feira, 4 de Abril de 2011)

 

2. «É urgente pedir um empréstimo intercalar já.»

Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, em entrevista à TVI (terça-feira, 5 de Abril)

 

3. «A notícia é falsa. Não passam de rumores sem fundamento.»

Gabinete do primeiro-ministro, reagindo à notícia do Financial Times sobre um pedido de ajuda de Portugal à União Europeia (manhã de quarta-feira, 6 de Abril)

 

4. «É necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu.»

Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos (quarta-feira, 7 de Abril, 18 horas)

 

5. «O Governo decidiu hoje dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira, por forma a garantir condições de financiamento a Portugal.»

José Sócrates em comunicação ao País (quarta-feira, 7 de Abril, 20.30)

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 14.07.15

Produção industrial em Portugal regista terceira maior subida da União Europeia

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 19.06.15

Portugal volta a liderar o crescimento das vendas de carros na Europa. Em Maio foram comercializados em Portugal 18.343 automóveis ligeiros de passageiros, o que suplanta os 13.782 carros vendidos no mesmo mês de 2014. As vendas cresceram 33,1% em termos homólogos, a maior subida de toda a União Europeia. Nos primeiros cinco meses deste ano, as vendas acumuladas em Portugal totalizaram 79.585 veículos, o que representa um crescimento de 32,5% face ao mesmo período de 2014.

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Falharam

por Pedro Correia, em 22.04.15

Previram uma irreparável "espiral recessiva". Não houve.

Previram um ameaçador "programa cautelar". Nunca apareceu.

Previram um  "gigantesco risco sistémico" no sistema financeiro português. O colapso jamais ocorreu.

Previram um inquestionável "segundo resgate". Ninguém o vislumbrou.

Previram até, com ênfase de profissão de fé, a saída de Portugal do euro. Que só existiu em sonhos. Ou pesadelos.

 

Durante um par de anos levámos com todos estes profetas da desgraça, num concurso de cassandras levado ao domicílio antes, durante e depois dos telediários. Dia após dia, noite após noite.

Nunca ninguém lhes pedirá contas sobre o imenso rol de profecias falhadas. É o que lhes vale.

 

Mas a maior prova desse falhanço está no pacote de medidas de carácter económico que o PS acaba de desvendar para um hipotético executivo a sair das eleições do Outono. Os socialistas - ultrapassando agora o  Governo (2,3%) e o  Banco de Portugal (1,9%) em optimismo - antecipam um crescimento médio anual da economia portuguesa de 2,6% no período em que vigorar a próxima legislatura.

Contagiados por este optimismo, que avaliza afinal o desempenho do executivo ainda em funções, os do costume - aqueles que falharam todas as previsões - voltarão aos jornais de sempre e às televisões da praxe a dar o dito por não dito. Só nessa matéria conseguem ser exímios.

 

Leitura complementar:

Cautela. De Vital Moreira, na Causa Nossa.

O irrealismo dos cenários macroeconómicos do governo e do PS. De Ricardo Paes Mamede, no Ladrões de Bicicletas.

Texto do PS: boa jogada política a curto prazo mas sem credibilidade económica. De Luís Salgado de Matos, n' O Economista Português.

PS prescinde de quase 1% do PIB no Orçamento e diz que baixa défice. De Sérgio Aníbal, na Economia Info.

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Isto que nos tem

por Teresa Ribeiro, em 20.04.15

"Dificilmente escaparemos ao degredo do baixo crescimento sem que duas coisas aconteçam: concorrência que dê cabo da má gestão dos instalados (e, já agora, nós também pertencemos ao lóbi dos instalados se queremos manter as nossas pensões à custa de cortar drasticamente as daqueles que ainda não começaram a trabalhar); e políticas macroeconómicas assimétricas na União Europeia, vulgo a Alemanha aumentar os salários e promover a importação de produtos de países como Portugal. Ainda não ouvi melhor medida do que a que Roubini uma vez metaforizou: que Merkel desse um cheque de mil euros a cada alemão para passar férias no Algarve.

Se não tivermos isso, o que temos é isto. Isto que nunca mais acaba, esta matança lenta de uma sociedade exausta e rasgada, que consome o presente dos velhos e o futuro dos jovens. Não é isto que queremos mas é isto que temos. Ou, pensando bem, é isto que nos tem a nós." - Pedro Santos Guerreiro, na última edição do Expresso papel.

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 18.03.15

A retórica do crescimento. De Manuel Villaverde Cabral.

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O Draghi e a Yellen deviam ouvir este chinês

por José António Abreu, em 06.02.15

E depois não se diga que as agências de rating não avisaram.

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Vanguarda suíça ou o Draghi dos Cantões

por José António Abreu, em 16.01.15

O Banco Central da Suíça deixou ontem de defender a cotação do franco em relação ao euro, que desde 2011 mantinha em torno de 1,2. O franco valorizou quase 20%. Há três possíveis explicações para esta decisão:

 

1. Num país onde muitas vozes se opõem a políticas de estímulos financeiros (e onde até já se fez um referendo questionando os suíços acerca da conveniência do banco central reforçar as reservas de ouro), o Draghi dos Cantões pretendeu validar a posição mantida nos últimos anos (durante os quais comprou Eigers, Matterhorns e Jungfraus de euros com francos fresquinhos), mostrando aos cépticos quais as consequências de deixar os mercados funcionar livremente (atitude que, refira-se, muito desagradou a vários agentes dos mercados). Como tudo não passa de uma brincadeirinha (esta hipótese pressupõe que os banqueiros centrais têm sentido lúdico mas convém despachar a teoria da conspiração logo no início), deverão ser anunciadas medidas em sentido contrário a muito breve prazo.

 

2. Sabendo que o BCE vai iniciar um programa de compra de dívida, o Draghi dos Cantões (a minha inércia impede-me de lhe pesquisar o nome) decidiu que o esforço necessário para continuar a assegurar a cotação do franco era suicidário e abandonou o barco dos que acreditam que os estímulos financeiros vão resultar, aceitando as perdas a curto e médio prazo para os sectores exportadores da economia suíça.

 

3. Prevendo que o BCE não possa – ou, apesar de todos os soundbites em sentido inverso, não queira – iniciar o programa de compra de dívida, o Draghi dos Cantões (que, aposto, não fala cantonês) antecipou a subsequente queda do euro para, permitindo agora uma valorização do franco, conseguir que, apenas por acção dos mercados, ele acabe o processo com uma cotação não demasiado penalizadora para as exportações suíças.

 

No caso de qualquer uma das duas últimas hipóteses ser a verdadeira, a mensagem do Draghi dos Cantões é tão cristalina como pingentes de gelo em chalé alpino: o esquema de Ponzi com que tantos bancos centrais andam entretidos não funciona e tem de acabar. Esperemos que ele seja apenas um suíço pessimista.

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Portugal, passado e futuro próximos

por José António Abreu, em 06.01.15

A grande diferença entre Portugal e a Grécia foi que, aqui, houve uma coligação de governo que, sob escrutínio do Presidente, durou e sustentou o ajustamento durante quatro anos. A actual maioria de direita teve ainda este efeito fundamental: dispensou o PS de se comprometer e deu-lhe uma razão para se impor, à esquerda e entre os descontentes, como o líder necessário de uma maioria alternativa. Deste modo, os partidos tradicionais do regime retiveram os seus eleitorados, sem deixar muito espaço até agora para novos populismos e extremismos.

[…]

Convém não esquecer como isto começou. O projecto do Euro pressupunha uma nova fase de modernização das sociedades inflacionistas do sul da Europa. Em vez disso, o crédito barato do euro serviu para alimentar o endividamento e adiar o confronto com os parasitismos (sindicais, empresariais e corporativos). O resultado foram economias ainda menos competitivas e sobrecarregadas com a incerteza das dívidas.

A questão continua a ser política: é preciso que o regime, se quer preservar o quadro da moeda única, adquira o poder necessário para resistir ao facilitismo e contrariar os interesses instalados. Ora, neste momento aproximamo-nos do prazo de validade das condições de estabilidade dos últimos quatro anos. Em 2015, a actual maioria pode não ser renovada. Em 2016 o Presidente será necessariamente substituído. Como será encontrada uma “solução governativa estável, sólida e consistente” numa assembleia em que, por hipótese, nem a aliança do PSD e do CDS, nem o PS sozinho possam garantir uma maioria absoluta?

Rui Ramos, no Observador.

 

E depois há a questão do PS, garantindo uma maioria absoluta, ter de esquecer o futuro cor-de-rosa com que anda a acenar (enfim, Costa pode sempre torcer para que a Grécia conquiste para os países do Sul o direito ao laxismo orçamental, à custa de transferências massivas de fundos a partir dos do Norte) e continuar (ou, em alguns casos, iniciar) reformas que actualmente contesta. A mudança (implícita no texto de Rui Ramos) apenas surpreenderia os ingénuos do costume mas são eles que lhe podem dar a vitória nas legislativas.

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 05.01.15

Venda de carros aumentou quase 40% em 2014.

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A deflação não é ter preços mais baixos. A deflação é as pessoas não consumirem, depois as lojas baixarem os preços porque ninguém compra, depois as empresas despedirem os seus funcionários, e depois irem à falência. Lavar e repetir. Menos consumo leva a preços mais baixos que leva a mais desemprego que leva a menos capacidade de consumo. Se isto não é claro, não se preocupem; vê-lo-ão tanto que não conseguirão que vos passe despercebido.

E não pensem que os EUA estão imunes. A maioria das vendas da Black Friday e do Natal serão plástico, i.e., mais dívida, e mais dívida significa menor capacidade de consumo no futuro. A não ser que se possua uma economia crescendo suavemente, mas isso não sucederá quando a Europa, o Japão e em breve a China se encontrarão em deflação.

E, sim, petróleo a 50-60-70 dólares o barril acelerará o processo. Mas não será a causa principal. A deflação era um ingrediente do bolo desde o momento em que a desalavancagem de dívida em larga escala se tornou inevitável, e podem escolher qualquer instante entre a administração Reagan, que primeiro começou a subir os níveis da dívida, e 2008 para isso. E todos os estímulos combinados dos bancos centrais apenas significarão maior necessidade de desalavancagem em cima da que já existia. 

No ZeroHedge. Tradução e destaques meus.

 

Os optimistas acreditam que os estímulos dos bancos centrais levarão à concessão de mais crédito, que este conduzirá a mais consumo, que o consumo gerará crescimento económico suficiente para subir a taxa de inflação e reduzir o nível de endividamento existente na maioria dos países ditos desenvolvidos. Alguns optimistas um pouco menos optimistas, como os que definem a linha editorial da The Economist, acrescentam à política monetária agressiva a necessidade de reformas estruturais um pouco por todo o lado e de políticas fiscais expansionistas onde tal ainda se revelar possível. Por seu turno, os pessimistas acreditam que a «desalavancagem» (certos termos nunca deveriam extravasar do universo técnico onde nasceram) é inevitável, dado grande parte do crescimento das últimas décadas ter sido obtido precisamente através do aumento da dívida (pública e privada), que a acção dos bancos centrais só está a adiar e agravar o problema, gerando uma bolha nos mercados financeiros que pode estoirar a qualquer momento, que não há forma de sair disto sem um empobrecimento colectivo de vários anos (que já começou mas irá piorar). No que me diz respeito, tendo ainda por cima perdido quase todas as esperanças na capacidade de vários países levaram a cabo reformas estruturais significativas, estou no campo dos pessimistas. E se esse posicionamento permite a vantagem intrínseca do pessimismo (não ser apanhado de surpresa), não evita que se sofram as consequências nem permite usufruir da bênção de um período de inconsciência.

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Números

por José António Abreu, em 18.11.14

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Aproveito o facto de ter mencionado a Finlândia no texto anterior para voltar a esta tabela. Publiquei-a há quase dois anos, acompanhada da frase «se em 2013 o PIB português cair menos de 3% e em 2014 já crescer qualquer coisinha poderemos dar-nos por muito satisfeitos». Sempre achei curioso o post não ter suscitado um único comentário. Pois bem, apesar de tudo, podemos dar-nos por satisfeitos: entre 2011 e 2013 o PIB português caiu cerca de 60% do que caiu o finlandês entre 1991 e 1993 (dados actuais do FMI: -1,3/-3,2/-1,4 contra -6,0/-3,5/-0,8) e caiu igualmente menos do que qualquer dos restantes casos apresentados na tabela. Se é verdade que, no primeiro ano de recuperação, o PIB finlandês cresceu 3,6% e o português deverá crescer aproximadamente 1%, nessa altura a taxa de desemprego na Finlândia ainda andava pelos 16,6% e apenas desceu dos 14% no terceiro ano de crescimento do PIB. Pertencer à União Europeia (esse monstro incapaz de solidariedade a que a Finlândia aderiu logo a seguir) e ao euro (que diminui o ritmo da recuperação mas aumenta as probabilidades de que ela seja sustentável) é de facto trágico.

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A corda cada vez mais esticada

por Pedro Correia, em 20.10.14

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O cenário está longe de ser brilhante. A Europa em risco de enfrentar a terceira recessão desde 2008, a Grécia às portas de outra intervenção financeira externa de emergência, italianos e franceses incapazes de cumprir as metas do Tratado Orçamental que dita as condições de sobrevivência do euro, perspectivas de estagnação da economia da Alemanha (principal parceira económica de Espanha, por sua vez principal parceira económica de Portugal).

Enquanto isto acontece, PSD e CDS enfrentam-se irresponsavelmente por interpostas notícias de jornal a ver quem estica mais a corda antes de rebentar, deixando antever uma coligação em estado pré-comatoso. O assunto do momento é qual dos partidos poderá beneficiar mais com os efeitos mediáticos de umas quantas migalhas fiscais, invocadas sem sombra de pudor ao fim de quase quatro anos de sacrifícios colectivos. Isto enquanto a esquerda mais extrema persegue sem fadiga a quadratura do círculo, exigindo em simultâneo o reforço das prestações sociais e a redução de impostos.

Tudo isto se desenrola na espuma dos dias como se o monstro da dívida pública não permanecesse incontrolado. Como se a despesa do Estado não cessasse de aumentar. Como se houvesse petróleo ao largo das Berlengas. Como se jogássemos uma tranquila partida de xadrez na Bizâncio sitiada.

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As conclusões são minhas

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.09.14

"Assim devera eu ser:
de patinhas no chão,
formiguinha ao trabalho
e ao tostão."

 

Depois de muito matutar, creio que partilho do ponto de vista (implícito) dos meus amigos que auferem despesas de representação.

Em rigor, isto devia tudo funcionar apenas com despesas de representação. Qualquer que fosse o montante em causa. De preferência dedutíveis na totalidade em sede de IRS. Dez milhões de portugueses a receberem o salário mínimo e auferindo despesas de representação que incluíssem água, luz, as propinas dos filhos, o seguro de saúde, a renda de casa, a ajuda ao Banco Alimentar, o bilhete de época no Estádio do SLB, o carro, a gasolina, a conta do Elefante Branco e do Gigi e os copos em Bruxelas. De preferência pagas por uma ONG. Do Panamá. Gerida pelo Dr. Salgado ou por aquele senhor do Pingo Doce.

Maria Luís Albuquerque devia pensar nisto. O sonho de todos os portugueses é viver só com a representação. Só com o palco. Para poder colocar todo o salário em certificados de aforro. Numa espécie de modelo cor-de-rosa. Como as revistas. E com um cartão de crédito, de preferência dourado ou platina, dessa mesma ONG, que contasse milhas até se chegar ao pacote das Maldivas. Ou da Manta Rota. E depois com a reforma toda em despesas de representação. E em tacos de golfe e senhas para análises e ecografias. Lá chegaremos. O próximo passo, para já, será converter robalos, charutos e isqueiros Dupont em despesas de representação. E depois pedir pareceres à PGR sobre a qualidade do peixe, o grau de humidade dos charutos ou o nível de gás nos isqueiros.

Num país de grilos e cigarras, a formiguinha do O'Neill encarna sempre em artistas da representação. Nunca há mais ninguém disponível. O La Féria devia estar dopado.

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Alguma coisa deve recear o BCE para no início deste mês ter colocado no terreno toda a artilharia pesada. O objectivo das medidas (novo programa de injecção monetária no sector bancário e compra de activos titularizados, incluindo créditos ao sector imobiliário) é combater uma situação pré-deflacionária, em que a inflação subjacente para o conjunto da zona euro é de 0,9%, para situá-la em torno dos 2%. Mas confundir a inflação resultante de um desajustamento temporal dos factores de produção quando a economia cresce impulsionada por uma procura robusta, com a taumaturgia de que aumentando a massa monetária e desencadeando um processo inflacionário conseguiríamos espicaçar a procura, isso, lamento, é absurdo.

 

Mas o dislate é apenas aparente, porque as medidas monetaristas adoptadas em 4 de Setembro são apenas o álibi que permite a Draghi enviar a sua verdadeira mensagem: com estas medidas esgotámos todos os cartuchos de que dispomos e que são permitidos pelos estatutos do BCE para estimular a procura pela via monetária; a partir de agora toca aos políticos empreender as reformas necessárias para relançar a economia. Sem reformas estruturais profundas e corajosas as políticas monetárias por si só não nos tirarão do marasmo generalizado em que a UE se encontra. É necessária uma política concertada de reformas a nível europeu, com metas e mecanismos claros de implementação, para superar a presente situação de empobrecimento progressivo. Em Portugal fez-se alguma coisa, mas muito pouco. Qualquer tentativa de reforma esbarra na constituição ou provoca o levantamento dos "defensores" do Estado Social, quando é precisamente o imobilismo face às mudanças na sociedade e no mundo que o faz perigar.

 

Só um programa de reformas europeu poderá romper os escolhos de políticas nacionais de vistas curtas e populistas, mais interessadas em cortejar votantes que em sanear estruturas e mecanismos obsoletos. Um novo Pacto de Estabilidade e Crescimento. Uma concertação indispensável para cimentar solidamente uma prosperidade que nos permita continuar a pagar o Estado Social de que beneficiamos, que constitui um dos grandes feitos da Europa e é talvez, a par do humanismo, o nosso maior património.

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A decadência da Europa

por Rui Herbon, em 15.09.14

Há motivos para aceitar como algo inevitável que a Europa não recuperará das tensões provocadas pela crise e pelo extenso sentimento de que estamos no fim de um ciclo que deslocará em definitivo a centralidade do mundo para a Ásia e o Pacífico. Mas isso não vai ocorrer da maneira imediata. Arnold Toynbee estabeleceu a teoria cíclica das civilizações que nascem e morrem em companhia dos séculos que as vão sepultando. Mas as correntes de fundo que movem as culturas e os impérios não param abruptamente. 

 

Faz agora cem anos, em vésperas da Grande Guerra, Oswald Spengler concluiu a sua obra "A decadência do Ocidente", na qual expunha que as civilizações tinham ciclos de vida naturais e que o mundo ocidental havia chegado ao seu ocaso. Nas sociedades abertas e livres, a tendência para enegrecer o futuro é um recurso frequente que conduz ao pessimismo e a situações de medo colectivo. Já se sabe que o medo não é sobre o que vivemos ou sofremos, mas sobre as incertezas que os nossos presságios projectam. No Ocidente em geral, e na Europa em particular, onde o nível de vida continua a ser muito superior ao da média, parece que entrámos já, por antecipação, nesse espaço de grande sofrimento que pressagiamos. Mas o futuro reiventa-se permanentemente e todas as previsões para uma tão grande escala de tempo, espaço, economia, população, etc, são precipitadas. 

 

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 04.09.14

Competitividade: Portugal sobe 15 lugares no ranking mundial

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