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Inquietações

por Diogo Noivo, em 25.09.19

No Jornal da Noite de ontem, a SIC apresentou a cabeça de lista do Livre em Lisboa como “mulher, afrodescendente e gaga”. São três características inócuas, absolutamente irrelevantes para aferir a experiência e a competência da pessoa para o exercício de funções públicas. Mas este é o novo normal. A política nacional – e não só – parece içar os seus candidatos com base em atributos e especificidades de uma irrelevância olímpica.

Ao reduzirem os candidatos a caricaturas, partidos e comunicação social contribuem para os males da democracia. E, claro, depois andam às aranhas para perscrutar as causas da abstenção e do crescimento eleitoral de retóricas simplistas.

O esgoto estatal

por jpt, em 01.12.18

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Um antigo presidente de um clube desportivo é sujeito a um interrogatório, no âmbito de uma investigação ampla, ainda em curso. Depois o Estado (uma sua secção, chamada "ministério público") entrega as gravações desse interrogatório à televisão estatal e autoriza-a a transmiti-las: aqui, um programa da RTP com excertos das declarações de Bruno de Carvalho, anunciando a sua reprodução como autorizada pelo tal "ministério público".

Decerto que há um qualquer quadro legal que permite isto, safando os funcionários públicos e fazendo medrar esta mentalidade. Mas isto é inqualificável. O estado do Estado é um descalabro. Uma cloaca a céu aberto, onde engorda esta gente.

O Mundo Às Avessas

por Francisca Prieto, em 30.11.16

Há um par de anos, a Associação Italiana de Pessoas com Síndrome de Down produziu este filme, com jovens de toda a Europa, como resposta a uma carta que tinha recebido de uma futura mãe grávida, a quem tinham diagnosticado Trissomia 21 no feto.

Recentemente, a Alta Autoridade Para a Comunicação Social Francesa proibiu a passagem do filme por considerar que era ofensivo para mulheres que tivessem abortado bebés com Trissomia 21.

Este é talvez o filme mais realista que já vi sobre o assunto. Não doura a pílula, não diz que é fácil. Limita-se a dizer que ter um filho com Trissomia 21 não é o fim do mundo. E que, apesar das dificuldades, podemos hoje esperar que estas pessoas tenham vidas relativamente normais.

Não compreendo como é que num país onde se grita por toda a parte que se é Charlie, se censura um filme que mostra o lado bom da moeda de uma situação que parece a priori tão difícil.

Esta censura amordaça o direito dos jovens com Trissomia 21 de gritarem que são felizes. Diz-lhes que a sua felicidade pode magoar mulheres que tenham abortado pessoas como eles. Manda-os serem deficientes lá no cantinho deles, sem fazer muito estrilho.

Se isto não é o mundo virado ao contrário, vou ali e já venho.

 

 

 

Critérios... er, jornalísticos?

por José António Abreu, em 13.08.16

Ontem, a RTP1 abriu o telejornal com os incêndios. Depois passou para os últimos dados do INE sobre a evolução da economia portuguesa. A TVI também abriu o noticiário das 20 horas com os incêndios. E depois também passou para os últimos dados do INE sobre a evolução da economia portuguesa. Por seu turno, a SIC abriu o noticiário com os incêndios. Depois fez intervalo. Depois continuou com os incêndios. Depois passou para a peregrinação a Fátima. Depois para um alcoolizado apanhado em contramão na A22. Depois para os protestos dos lesados do BES. Depois para os Jogos Olímpicos. Depois para a abertura do campeonato nacional de futebol. Depois para a presença de Paulo Bento no Olympiakos. Depois para reportagens turísticas em São Miguel e no Porto. Depois para o Festival Sol da Caparica. Depois para a previsão meteorológica. E depois Rodrigues Guedes de Carvalho desejou-nos boa noite e bom fim-de-semana.

Efeitos secundários patuscos da «geringonça»

por José António Abreu, em 13.01.16

Deixou de se discutir a privatização da RTP para se começar a discutir a estatização da imprensa.

Blogue_CapaPúblico.jpg

 

Apoiar é sinónimo de exigir.

 

Notas.

1. Ironicamente, revelando um Passos prudente e sensato e mantendo vivos os esforços de desculpabilização de Sócrates (não excluir a hipótese de ter sido ele a cedê-la ao Público), a carta beneficia um e outro. Para Costa, fica o habitual papel de número dois do amigo de Carlos Santos Silva.

2. Ah, dirão alguns, Passos pode não ter exigido a vinda da Troika mas desejava-a. Creio que, dispondo da escolha, ele teria preferido governar sem tutelas mas, na verdade, não faço ideia. Sei é que, em 2011, eu desejava a vinda da Troika. Como desejarei uma intervenção tão rápida quanto possível da polícia se assistir a um crime ou do INEM perante um acidente grave.

3. Devia haver assuntos mais merecedores do principal título da primeira página de um jornal dito «de referência». Notícias, talvez.

Das saudades da «asfixia democrática»

por José António Abreu, em 15.09.15

Ao caso Sócrates pode responder-se com a teoria que o próprio tem avançado: perseguição política. (Na situação dele, é compreensível; que tantos outros socialistas «ilustres» usem o argumento mostra bem como estão habituados a que o sistema de Justiça seja controlável.) O caso GES pode tentar justificar-se com desejo de vingança, tão alinhado com o governo socialista Ricardo Salgado se revelou. Fica mais difícil atribuir o caso dos Vistos Gold e a constituição como arguido do ex-ministro Miguel Macedo a manobras governamentais. Na verdade, por muitos defeitos que possam apontar-se a este governo, tudo indica que, no que respeita à corrupção, o sistema de Justiça funciona hoje bastante melhor do que nos tempos dos governos PS. O mérito do actual governo pode até não passar da nomeação de uma Procuradora Geral da República à altura das responsabilidades do cargo (outras medidas, como a reorganização do mapa judiciário, são aqui pouco relevantes) mas hoje investiga-se e preparam-se acusações sem que os magistrados envolvidos sejam penalizados ou forçados a destruir meios de prova. Os socialistas, claro, não gostam disto nem que se fale disto. Por isso fazem estardalhaço quando um programa televisivo pretende debater o sistema de Justiça e a actuação do Ministério Público. Por isso se mostram escandalizados - uma especialidade da esquerda - quando Paulo Rangel diz o que, no fundo, toda a gente pensa.

E grande parte da comunicação social dá-lhes cobertura. Uma agremiação curiosa, a comunicação social e os seus comentadores mais ou menos profissionais. Tanto quanto se percebe, não houve por parte do actual governo qualquer tentativa séria para a controlar. Miguel Relvas, ainda ministro, telefonou para o Público ameaçando com represálias no caso da publicação de uma notícia e o marido da ministra das Finanças ameaçou por sms «ir aos cornos» a um seu ex-colega do Diário Económico, numa reacção tão destrambelhada que se tornou anedota (e que lhe valeu até agora um termo de identidade e residência), mas não foram instaurados processos por delito de opinião nem parecem ter sido montados esquemas para, em conluio com grupos económicos privados, comprar canais de televisão ou jornais, de modo a controlar-lhes a linha editorial. Na RTP (um problema mais adiado do que resolvido, que os cidadãos pagam todos os meses), o governo instituiu um modelo de gestão independente, similar ao da BBC, que resultou na nomeação para o conselho de administração de gente tão alinhada com Passos e Portas como Nuno Artur Silva. E, no entanto, a maioria da comunicação social (começando pelos órgãos de dois grupos pretensamente capitalistas - Sonae e Impresa) e dos comentadores apoia claramente o PS, ainda que António Costa, embalado pelo facto de uma postura agressiva lhe ter valido - de acordo com esses mesmos comentadores - a vitória no debate com Passos, mostre no vídeo acima como existe em cada socialista um «animal feroz» prestes a saltar sempre que alguém faz as perguntas certas. (OK, talvez não em Guterres.) Pelo que das duas, uma: ou imensos jornalistas e comentadores sofrem de síndrome de Estocolmo e têm saudades dos anos em que eram maltratados (o que, configurando uma condição médica, tem que se desculpar - mas, por favor, procurem tratamento) ou estão de tal modo comprometidos ideologicamente (e talvez socialmente, que Passos sempre foi um outsider nesta coisa tão importante dos círculos bem-pensantes - e quiçá apenas por isso o GES não tenha sido salvo) que merecem não apenas a pressão que um eventual governo socialista venha a aplicar sobre eles no futuro como o crescente desinteresse que a generalidade do público, fora da histeria das redes sociais ou das acções de campanha, parece revelar pelas «informações» e opiniões que transmitem.

«Coligação apresenta pouco programa e muito medo»

por José António Abreu, em 30.07.15

Houve uma época em que eu comprava e lia o Público. Fazia-o pelas notícias, pelas críticas a livros, discos, filmes, peças de teatro e exposições, pelas colunas de opinião. Hoje, não o compro e raramente o leio, mesmo online. Julgo que continua a ter críticas a livros, discos, filmes, peças de teatro e exposições. Tenho a certeza de que continua a ter colunas de opinião. Parece-me é que quase já não tem notícias.

Jornalismo (ou talvez: «jornalismo»)

por José António Abreu, em 01.07.15

Por esta razão não houve lugar a réplica ou contraditório, apesar de algumas das afirmações o exigirem. O texto final foi manuscrito por José Sócrates, datilografado fora da cadeia e regressou às suas mãos para sucessivas revisões. A versão definitiva acabou por chegar ontem, ao fim da manhã.

TSF, sobre a «entrevista» a José Sócrates realizada em conjunto com o DN. Duas questões: foi mesmo ele quem escreveu o texto? E quantos exemplares do jornal foram comprados pelos seus amigos e familiares?

Chamam-lhe informação...

por José António Abreu, em 22.02.15

Há pouco mais de uma hora, no Jornal da Tarde, a TVI noticiou que Fernando Alonso sofreu um acidente esta manhã, nos treinos para o Grande Prémio de Espanha. Isto quando o campeonato de Fórmula 1 ainda nem começou (trata-se de uma sessão de testes de pré-temporada). Talvez seja preferível os canais de televisão generalistas limitarem-se a falar de futebol, tema para o qual parecem dispor de várias centenas de especialistas.

Poirot precisa-se

por Ana Vidal, em 25.10.13

A comunicação social portuguesa no seu melhor:

"Bárbara Guimarães apresentou uma queixa-crime à PSP, no dia 19 de Outubro, por violência doméstica." E, logo a seguir: "Os motivos para o divórcio ainda não são conhecidos."

O mundo em que vivemos

por José António Abreu, em 29.08.13

Convém ter presente que em Portugal, como em muitos outros países, sempre ocorreram incêndios. Em 1980, por exemplo, arderam mais hectares do que em 2008 (44.251 contra 17.565). Mas é verdade que, ao longo das últimas duas décadas, a tendência foi de subida, tanto ao nível de número de incêndios (na década de 80 apenas em 1989 ocorreram mais de 10.000 enquanto na primeira década deste século apenas em 2008 o valor ficou abaixo de 20.000) como da área ardida (duas vezes acima dos 100.000 hectares na década de oitenta, quatro na de noventa, seis na de 2000), tendo-se registado picos de destruição em 2003 (recorde de área ardida: 425.839 ha) e 2005 (recorde de número de incêndios: 35.824 e segundo valor mais elevado de sempre de área ardida: 339.089 ha). Isto enquanto os meios de detecção e combate eram progressivamente reforçados e a formação dos bombeiros melhorada. Explicações para o aparente contra-senso? Ouve-se diariamente falar no interior cada vez mais desertificado, na alteração de espécies plantadas (com o crescimento das áreas de eucaliptal), nas florestas por limpar, em comportamentos negligentes. Serão factores importantes. Mas permitam-me acrescentar mais dois. O primeiro não ajudará a explicar o aumento (a  menos que se adopte uma perspectiva decididamente maquiavélica) mas talvez ajude a explicar a inexistência de diminuição. É tão politicamente incorrecto que, tivesse eu algum senso, esperaria pelo final da «época de fogos» (fantástica designação, que por um lado parece tentar empurrar os incêndios para uma normalidade similar à «época balnear» mas por outro contém um horror implícito, como que antecipando épocas ainda piores: a «época oficial das mortes na estrada», por exemplo, ou a «época dos afogamentos em massa») antes de o abordar, ou, se tivesse ainda um pouco mais de senso (o nível adequado às noções do politicamente correcto), nem sequer o abordaria. É, no entanto, muito simples: como noutras áreas, por incompetência e por interesses, do investimento efectuado nem sempre terão saído os resultados esperados. A prevenção dos incêndios e o combate aos mesmos são uma realidade com bastante que elogiar (acima de tudo, a abnegação de tantos voluntários) mas também são um negócio, um emprego para muita gente e um universo de hierarquias, jogos de poder, interesses cruzados e aparências. Nem sempre se terá comprado o equipamento mais adequado. Nem sempre se terá ministrado a formação mais útil. Nem sempre a competência terá sido premiada. Nem sempre o dinheiro terá chegado onde era suposto chegar. Nem sempre se terá funcionado de acordo com regras de sensatez financeira e operacional. Adoptando a tal visão maquiavélica, talvez até se possa acrescentar que nem sempre terá existido interesse em que os incêndios deixassem de assustar a população e, mais importante (mas uma coisa decorre da outra), os responsáveis políticos que assinam a maioria dos cheques (passatempo para um fã de teorias de conspiração: tentar estabelecer uma relação entre as épocas de cortes orçamentais e o valor da área ardida).

O segundo factor gera menos polémica. Muita gente já o referiu mas (desta feita, compreensivelmente) também é pouco abordado nos meios de comunicação social. Trata-se da histeria televisiva, inexistente há vinte e tal anos. Do mesmo modo que noticiar suicídios tende a fazer com que ocorram novos suicídios, o espectáculo televisivo das chamas, do fumo, do medo, da impotência, opera simultaneamente como prémio e incentivo aos pirómanos.  Há pouco mais de vinte anos somente existia a RTP e os incêndios ocupavam dois ou três minutos de um noticiário que demorava meia hora. Há pouco mais de trinta, as chamas nem sequer tinham cor. Hoje, as televisões dedicam aos incêndios mais de meia hora de cada serviço noticioso (alongado para hora e meia) e mostram aos pirómanos, com som, cor, transpiração, desespero, a grandiosidade dos seus actos. O que fazer? A única solução credível passaria pela auto-regulação e isso significa que dificilmente algo mudará. Continuaremos lamentando e protestando, horrorizados (mas também mais do que ligeiramente fascinados), diante dos televisores. O mundo em que vivemos é o mundo em que vivemos.

Desabafo

por José António Abreu, em 02.07.13

Dizer que Paulo Portas «bateu com a porta» é tããão básico...

O «controverso»

por José António Abreu, em 05.03.13

No Jornal da Noite da SIC Notícias, a propósito da passagem de 60 anos sobre a morte de Stalin:

O papel de Stalin na História continua a ser controverso. A imagem é utilizada nas celebrações que marcam o fim da Segunda Guerra Mundial mas os opositores defendem que Stalin foi responsável pela prisão, tortura e morte de milhares de pessoas.

E Hitler, claro, só é um monstro segundo meia dúzia de judeus vingativos.

Funcionária – «jornalista» parece-me exagero – da SIC Notícias entrevista criança de 5 ou 6 anos no Terreiro do Paço.

«Porque estás aqui?»

«Porque… não sei.»

«Não sabes? Mas percebes que é importante cá estar?»

«Uhhh…»

«Um dia perceberás.»

Só pode ser culpa do Excel...

por José António Abreu, em 21.10.12

Um gráfico é sempre uma excelente forma de visualizar a evolução de uma variável ao longo do tempo, não é verdade? Isto, claro, desde que se possa confiar na escala.

 

(No Correio da Manhã de ontem.)

Espirro

por José António Abreu, em 25.09.12

«Sr. Ministro, o que tem a dizer aos portugueses, nesta altura em que enfrentam tantas dificul…»

«Aaaaaaatchiiim!!! Peço desculpa, nas deslocações oficiais do último fim-de-semana apanhei chuva e constipei-me. Pode repetir a pergunta?»

***

Meia hora depois, nos sites dos principais meios de comunicação social encontram-se os seguintes títulos:

Público: Ministro mostra desconforto ao ser questionado sobre as dificuldades enfrentadas pelos portugueses.

Diário de Notícias: Ministro usa estratagema para escapar a pergunta incómoda.

i: Ministro ignora dificuldades dos portugueses.

Jornal de Notícias: Ministro alérgico a pergunta sobre dificuldades dos cidadãos.

Visão: Ministro culpa chuva pelas dificuldades dos portugueses.

Sábado: Ministro revela sinais de desgaste.

Renascença: Ministro diz que carga de trabalho começa a afectar-lhe a saúde.

Diário Digital: Ministro constipa-se em actividades de fim-de-semana.

TSF: Ministro queixa-se de excesso de trabalho.

Antena Um: Ministro insinua que trabalha mais do que a maioria dos portugueses.

Diário Económico: Ministro pouco à vontade gera receios de novas medidas de austeridade.

Jornal de Negócios: Governo mostra fragilidades: remodelação iminente?

Correio da Manhã: Mata pai à facada e a seguir vai comer bife com batatas fritas.

Sol: Cavaco não foi informado sobre espirro do ministro.

Expresso: Paulo Portas não concorda com espirro.

De imediato, nos blogues atingem-se níveis de ultraje não experimentados desde a véspera.

Jogos

por José António Abreu, em 26.05.12

O Miguel vai-se lixando por, desde há muito, estar demasiado embrenhado nos jogos do poder, incluindo no da relação com a comunicação social e, através dela, com a opinião pública. Já o Álvaro vai-se lixando por nem saber que está a jogar. Apenas num dos casos o resultado pode ser considerado justo.

O frio polar em Lisboa

por Rui Rocha, em 09.02.12

 

Previsão de descida de temperaturas a partir de hoje. Uma das televisões generalistas (confesso que não as distingo) cumpre o ritual da reportagem sobre o frio polar em Lisboa. Arrepio-me no sofá só de imaginar a superfície solidificada do Tejo e as piruetas dos patinadores a exibirem-se no gelo, mesmo ali à frente do Cais das Colunas. Por momentos, admito até que ainda possa aparecer algum pinguim. Afinal de contas, não seria a primeira vez que eu próprio, com estes que a terra há-de comer, veria tais criaturas na capital. Se bem me recordo, da última vez a coisa aconteceu em pleno Oceanário. Corro a preparar um chá. Bebo-o a escaldar para me recompor. No regresso ao sofá, previno-me. Luvas, cachecol, gorro e, para me enroscar, o cobertor eléctrico que a Tia Marquinhas nos ofereceu pelo casamento. Protegido, arrisco uma consulta ao site do Instituto de Meteorologia. De facto, em Lisboa vai fazer um frio de rachar. Já em Bragança deve estar prestes a abrir a época balnear nas praias fluviais do Rio Fervença que, como o próprio nome indica, é uma quentura. Deve ser por estas e por outras que os jovens e menos jovens quadros das empresas lisboetas usam, entre Outubro e Abril, para além do fato esticadinho, da gravata estreitinha à Guardiola e do sapato engraxadinho, um sobretudo indispensável nos Invernos agrestes destas latitudes. Já a suar as estopinhas, dou por mim a pensar, enquanto tiro o gorro, as luvas e o cachecol e ponho o cobertor eléctrico na máquina de lavar, que as coisas de facto mudaram. Houve um tempo em que a comunicação social só dava relevo ao que se passava em Lisboa. Agora, ocupa-se das possíveis consequências em Lisboa daquilo que, na verdade, se passa em outros pontos do país.

O povo é quem mais espeta

por João Carvalho, em 27.10.11

 

O «Theatro Circo assinala hoje cinco anos da reabertura e um balanço de 300 mil espetadores». A notícia é da Lusa, que escreve o seguinte em lead: «O diretor do Theatro Circo [em Braga] considera "positivo" o balanço dos cinco anos após a reabertura, hoje assinalados, e revela que a "sala" que se tornou "espaço da memória coletiva da cidade" recebeu mais de 300 mil espetadores neste período.»

Portanto, a Lusa não só dá voz ao diretor do teatro que é memória coletiva, como garante que ele recebeu centenas de espetadores. É por estas e por outras que o povo quer espetar uma lança na comunicação social do Estado que anda a pagar a peso de ouro.

 


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