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Delito de Opinião

Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega

Pedro Correia, 14.10.25

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Ontem à tarde acompanhei, em dois canais de notícias, debates pós-eleitorais com vários comentadores a analisar as autárquicas. Em ambos o Chega "venceu" por maioria absoluta. Nenhum outro teve sequer um tempo de antena aproximado. 

O debate da SIC Notícias durou 26 minutos. Período em que o Chega foi mencionado 52 vezes (uma a cada 30 segundos), deixando todos os outros a larga distância. O segundo foi o PS (24 vezes) e o PSD fechou o "pódio" (12 vezes). Os restantes? Bloco de Esquerda seis vezes, AD cinco, CDS três, PCP uma.

O debate da CNN Portugal durou 19 minutos. Com domínio ainda mais esmagador do partido de André Ventura: mencionado 44 vezes. Aqui também o PS em segundo (18 vezes). Depois o BE com sete, o PSD com apenas três. A conta completou-se com singelas menções à AD e ao Livre: uma cada.

Nada mais.

 

Assisto, perplexo, a este frenesim comentadeiro em torno do Chega nos mesmos canais que passam o tempo a "denunciá-lo". Atracção e repulsa em simultâneo, com incompreensível desproporção face a outras forças políticas.

Ouvindo estes debates, dir-se-ia que Ventura foi o grande triunfador destas autárquicas em que afinal perdeu cerca de 800 mil votos na comparação com as legislativas de 18 de Maio e venceu em apenas três municípios, perdendo nos restantes 305. Dez vezes abaixo da marca que previu.

Em número de presidências de câmara, o Chega estacionou em sexto - atrás do PSD (135), do PS (128), dos movimentos independentes (20), da CDU (12) e do CDS (7). Contrariando em toda a linha o que Ventura anunciara poucos dias antes do escrutínio: seria «impensável» ficar abaixo de comunistas e centristas. Mas ficou. 

Não pode queixar-se, porém. Nos canais de notícias, os comentadores continuarão infatigavelmente a falar dele e do seu partido - dando-lhe palco, dando-lhe gás. Como se vencesse em toda a linha, mesmo quando perde. Como se os outros quase nem existissem, mesmo quando ganham. 

Nos intervalos, a tribo comentadeira queixa-se do "extremismo" e do "populismo". Que vão medrando precisamente com o prestimoso auxílio destes canais.

Desprezível

Pedro Correia, 02.09.25

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Ele, como sempre. Fiel à sua imagem de marca. A destilar ódio à União Europeia e à Ucrânia em geral e a Zelenski em especial. Como o soviético Lavrov, como Medvedev: na mesma linha. De uma fidelidade inabalável ao Kremlin.

Torcendo os factos, a todo o passo. Torturando a verdade. Com uma desfaçatez idêntica à do porta-voz de Putin e uma verborreia tão desprezível como a dele.

 

Anteontem, expeliu ele o seguinte na CNN Portugal:

ABUTRES E CHACAIS

«A Europa não tem dinheiro. Aquilo a que está a lançar a vista é aos activos russos, os 200 mil milhões que estão no Euroclear e que tanto a senhora Von Der Leyen como a senhora Kaja Kallas, como todo este grupo de abutres e chacais, estão à espera de cair em cima para saldar as contas de guerra com o argumento de que é para a reconstrução [da Ucrânia].»

XI E PUTIN «DEFENDEM A DEMOCRACIA»

«O que vejo no Ocidente é que um manda e os outros obedecem. No Ocidente defendemos a democracia intra-Estado (isto é, dentro de um Estado) e este grupo de países [da Organização de Cooperação de Xangai, incluindo China e Rússia] defende a democracia inter-Estados, entre os Estados.»

A RÚSSIA É QUEM MAIS ORDENA

«Ali, o projecto estratégico não é liderado pela China, é liderado pela Rússia. (...) Os factos demonstram. A Rússia tem quatro mil e muitas bombas atómicas, a China tem seiscentas. Xi dá a direita a Putin porque Putin assegura a capacidade estratégica da China.»

 

A 24 de Agosto - Dia da Independência ucraniana - o mesmo sujeito tinha surgido em antena, no mesmíssimo canal, para exalar isto:

PUTIN «QUER A PAZ»

«Zelenski está encostado às cordas.»

«Zelenski foi muito deselegante com o seu vizinho, a Hungria.»

«Zelenski devia seguir o conselho de Trump.»

«70% da população da Ucrânia quer a paz, neste momento os americanos querem a paz, os russos estão disponíveis para a paz. Quem parece que não quer a paz é Zelenski e os europeus.»

 

Leitura complementar:

Indignidade moral (6 de Junho de 2025)

A Constituição é «um artifício jurídico»

Tiago André Lopes ataca Ucrânia com argumentos inaceitáveis

Pedro Correia, 19.08.25

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Alguém devia oferecer um exemplar da Constituição da República Portuguesa (CRP) ao professor Tiago André Lopes, presença habitual nos púlpitos de comentariado da CNN Portugal. 

Dizia ele ontem, em defesa acérrima da capitulação da Ucrânia perante as exigências demenciais do ditador russo em violação sistemática do direito internacional: «Zelenski vai ter de conseguir aceitar a questão territorial [cedência à Federação Russa de cerca de 20% de território ucraniano]. O argumento constitucional, obviamente, não colhe. A Constituição é um texto vivo, alterável, transformável. Não é um bloqueio. A paz não pode ser travada por um artifício jurídico.»

Aquele docente de Organizações Políticas e Internacionais na Universidade Lusíada do Porto aborda com chocante ligeireza algo tão relevante como a legitimidade constitucional. A lei fundamental da Ucrânia é categórica: proíbe a alienação de qualquer parcela territorial do país e quem violar esta norma imperativa incorre no crime de traição à pátria. Norma que surge logo no artigo 2.º: «A soberania da Ucrânia abrange todo o seu território. A Ucrânia e um Estado unitário. O território da Ucrânia, nas suas fronteiras actuais, é indivisível e inviolável.»

Nada original, convenhamos. 

Lembremos o que diz a nossa lei magna, sobre o mesmo tema: «O Estado não aliena qualquer parte do território português ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras.» Vem no artigo 5.º, n.º 3, da CRP, o tal documento-base que o professor Tiago Lopes parece ignorar. 

Relativizar normas constitucionais é usual em sistemas totalitários - não em regimes assentes no primado da lei e do equilíbrio dos poderes. Imaginemos o primeiro-ministro português, há dias confrontado com o chumbo de um diploma no Tribunal Constitucional, adoptar esta lógica. Imaginemos como reagiria o próprio Tiago Lopes se Luís Montenegro usasse as palavras do docente da Lusíada portuense: «O argumento constitucional, obviamente, não colhe, a Constituição é um texto transformável» e a lei fundamental de qualquer país é mero «artifício jurídico».

Resta-me uma dúvida, perante tão óbvio absurdo: diria o comentador da CNN-P o mesmo se estivesse em causa a integridade territorial da Federação Russa? 

Quero ser tudólogo

Pedro Correia, 08.08.25

Cada um alimenta os seus sonhos. O meu é ascender à cátedra de Tudologia, eminente ciência oculta cá da terra.

Quando eu for grande, quero ser tudólogo. Especializar-me em abrir a boca para dizer coisa nenhuma sobre os mais variados temas - da paz no mundo à indústria armamentista, passando pelas alterações climáticas, pela agricultura biológica, pelo encerramento das urgências hospitalares na Grande Lisboa, pelo combate aos incêndios florestais, pela dinâmica dos médios criativos do Benfica e pelo bem-estar animal.

Sendo tudólogo, cultivarei o achismo. Iniciando frases como «eu acho que», a mais usada em debates na pantalha. Tenho treinado bastante, bebendo inolvidáveis palavras de mestres em evidência nos serões  da SIC Notícias.

Hei-de conseguir. 

Execrável

Pedro Correia, 28.06.25

 

O do costume, no local habitual. Fervoroso "guerreiro" sempre pronto a combater mulheres em estúdio. Destratando-as, insultando-as, tentando amesquinhá-las.

Putin, tão misógino como ele, certamente aplaudirá. 

 

ADENDA: Mais uma bojarda para a vasta colecção do major-general, proferida nesta emissão da CNN-P, na véspera do ataque ordenado por Trump ao Irão: "Acha que os EUA vão arriscar [aviões] B2 no centro do Irão?!" Isto enquanto se congratulava por ter visto (só ele viu) "a sede da Mossad  [qual sede?] ser destruída pelo Irão". Enfim, não acerta uma.

Ele não acerta uma

Pedro Correia, 24.06.25

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Agostinho Costa, o famigerado major-general pró-Moscovo, não acerta uma. Não apenas sobre a agressão de Putin à Ucrânia: anda ele, por exemplo, a proclamar desde o Verão de 2024 a iminente “conquista” de Pokrovsk pela tropa do Kremlin e os factos teimam em contrariar-lhe os desejos. O raio da cidade ucraniana nunca mais cai.

Muda o cenário do conflito, mas a sua capacidade de chutar para fora, sem acertar no alvo, continua igual. Desta vez foi a propósito da “operação militar especial” de Israel no Irão, com apoio dos EUA. Na CNN Portugal, lá estava ele a garantir que se tratava de mera fantasia noticiosa. «Jogos florais.»

Foi a 12 de Junho, já perto da meia-noite. Tendo a seu lado no estúdio Diana Soller, cuja sabedoria muito admiro e cujo estoicismo aplaudo. Não é fácil ouvir tanto dislate daquele parceiro de painel, semana após semana.

 

O que disse Costa nessa malfadada noite de Santo António?

«Tudo indica que isto [iminente ataque de Israel ao Irão] não passa de uma campanha mediática. Porque os ataques não se publicitam: fazem-se.»

(Pertinente alerta de Diana Soller: «A ideia de um ataque não deve ser inteiramente posta fora das hipóteses.»)

«(Indiferente ao alerta) Para se ter um ataque desta natureza é preciso capacidade para atacar infraestruturas que estão colocadas à profundidade de 700 metros em montanhas.»

(Outra pertinente advertência de Diana Soller: «Desde 7 de Outubro [de 2023] Netanyahu considera que o ambiente no Médio Oriente é insustentável e Israel, portanto, está disposto a ir mais longe.»)

«(Indiferente à advertência) Todo este burburinho, todo este alvoroço… surge porque a vida não está a correr mesmo nada bem a Netanyahu. Começou com o Catargate. E no Knesset o partido de [Avigdor] Lieberman devia ter apresentado uma proposta de dissolução do parlamento… vêm novas eleições, Netanyahu cai e vai direitinho sabemos para onde.»

«Nem Donald Trump pretende qualquer conflito no Médio Oriente nem Israel tem essa capacidade.»

«É a última coisa que Trump quer.»

«Se Israel tentar atacar o Irão, é capaz de se resolver o problema do Médio Oriente com a retaliação do Irão, que apresentou esta semana um míssil com ogiva de quatro toneladas e sabemos para onde está apontado.»

 

(Réplica final, sempre pertinente e já algo impaciente, de Diana Soller: «O senhor está sempre a inventar armas a aparecerem debaixo das pedras nos países dos quais gosta, mas isso não faz com que as armas apareçam nem que o Irão faça desaparecer Israel do mapa. Era o que o Irão gostava e o senhor também, mas isso não vai acontecer, é um cenário completamente irrealista.»)

 

Daí a cerca de duas horas, a realidade confirmava as palavras da especialista em relações internacionais e desmentia em toda a linha a delirante retórica do major-general.

Sem surpresa.

Indignidade moral

Pedro Correia, 06.06.25

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Ontem à noite, no canal do costume, ouvi o famigerado major-general Agostinho Costa com as habituais diatribes anti-NATO e anti-União Europeia enquanto despejava propaganda moscovita, num misto de Lavrov e Medvedev. Desta vez excedeu-se a si próprio, cruzando uma linha absolutamente inaceitável. A propósito da aparatosa destruição de duas dezenas de bombardeiros estratégicos russos por drones de Kiev dotados de inteligência artificial num ataque a quatro bases aéreas, uma das quais situada a 1900 quilómetros da fronteira ucraniana. 

Talvez transtornado por esta péssima notícia na óptica do Kremlin, o referido comentador disparou isto em antena aberta: «Lembremos os side effects da aventura americana no Afeganistão, na forma como combateram os soviéticos, criando a Al-Qaida que depois lhes caiu em cima.»

Uma indignidade moral, esta equiparação da inquebrantável resistência ucraniana ao invasor russo - no quarto ano de feroz conflito bélico em solo europeu - à organização terrorista islâmica. Equiparação que mancha quem a profere. E que só desqualifica quem lhe dá palco.

Amores e ódios de Ana Gomes

Pedro Correia, 20.05.25

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SIC Notícias, 9 de Maio de 2025

 

Quando se fala em vencedores e derrotados nesta eleição legislativa, não devem ficar esquecidas aquelas figuras que pontificam na tribo comentadeira debitando frases ao sabor da clubite mais fanática. Até pode ter graça de vez em quando, mas nunca em período eleitoral.

Infelizmente aconteceu. Na noite de 9 de Maio, por exemplo, foi possível vermos a socialista Ana Gomes brindar o líder do seu partido com submissa vénia em forma de nota máxima (dez) enquanto varria a zeros Luís Montenegro e Rui Rocha, adversários políticos desta frenética "activista" da pantalha. 

Nada disto é sério. Nada disto credibiliza a informação televisiva, que tem no comentário um dos seus pilares. Nada deste comportamento de claque futebolística forma e estimula a cidadania. Pelo contrário, estas notas enviezadas e movidas pelo ódio mais rasteiro a quem pensa de maneira diferente são uma fraude. Que devem merecer esta palavra, não qualquer outra, mais suave e fofinha. 

Disparo sem pólvora

Pedro Correia, 30.01.25

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«Já dizia Sun Tzu há quatro mil anos: o bom general é aquele que ganha uma guerra sem disparar um tiro.»

Agostinho Costa (CNNP 24 de Junho de 2023) 


Pergunta:

Sun Tzu seria visionário? Já falava em "tiros" milénio e meio antes da descoberta da pólvora.

Resposta:

Sun Tzu viveu no século VI a. C. «É fazer as contas», como dizia o outro. Há 2600 anos. Nada a ver com «quatro mil».

Há majores-generais com muita falta de pontaria: não acertam uma...

O propagandista do Kremlin

Pedro Correia, 03.12.24

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«A Rússia vai crescer 3,6%. Não está mal, pois não?»

 

«Putin disse esta semana que faz dez vezes mais mísseis do que todo o Ocidente junto e vai aumentar 25%.»

 

«A Rússia faz mais em três meses, em termos de material de guerra, equipamento e armamento, do que toda a Europa num ano.»

 

«A Rússia tem pleno emprego. O desemprego está menor do que na Europa. A inflação também.»

 

«A Rússia está praticamente imune às sanções ocidentais.»

 

«A população da Ucrânia está cansada de Zelenski.»

 

Ontem, na CNN Portugal. Quando se sabe que um terço do orçamento do Estado da Rússia para 2025 está reservado a despesas militares - facto inédito no país.

Convém levar Putin a sério e ouvir Trump

Pedro Correia, 13.09.24

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COGUMELOS NUCLEARES NAS CIDADES DOS EUA

«Convém levar a sério, de uma vez por todas, Vladimir Putin. Convém ouvir o que diz o próprio Trump neste debate com Kamala Harris: estamos a enfrentar uma potência nuclear, uma superpotência, e estamos completamente tranquilos como se nada se passasse. O que diz Putin - e é capaz de ter muita razão - é que estas armas de longo alcance (que não têm tanto longo alcance quanto isso) dentro do território da Rússia faz[em] da NATO parte do conflito. Muda a natureza e muda a essência deste conflito.

Portanto, quem quiser entrar em guerra com a Rússia, faça o favor. O Reino Unido quer entrar em guerra com a Rússia? Tenha a bondade. Basta um míssil Sarmat para destruir o Reino Unido. Basta um!

A utilização destes mísseis pode ser interpretada pela Rússia como um primeiro passo para um ataque preventivo, a resposta é nuclear estratégica, aliás disse-o [o MNE russo] Lavrov, não é na Europa: é directamente para os Estados Unidos. E os Estados Unidos não estão minimamente interessados, em ter, a um mês das eleições, cogumelos nucleares nas suas cidades! Nem certamente o Reino Unido. Nem certamente a França, muito menos o Presidente Macron, que nem consegue nomear um primeiro-ministro.»

 

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A UCRÂNIA JÁ PERDEU E O OCIDENTE ESTÁ A PROVOCAR MOSCOVO

«O que é absolutamente ridiculo é pensarmos que se pode provocar sistematicamente uma potência nuclear, provocar a maior potência nuclear, que já fez o upgrade da sua capacidade bélica, ao contrário do Ocidente... 

A questão é sabermos se é apenas a Ucrânia que vai sair derrotada desta guerra ou se sai a NATO toda! E os Estados Unidos têm a percepção disso.

Esta operação [em Kursk] foi o maior erro estratégico operacional que a Ucrânia, assessorada pelo Ocidente, pôde fazer. Os resultados estão à vista em Kursk. E no Donbass a situação é catastrófica para as forças ucranianas. Neste momento a Ucrânia está numa situação de emergência. O risco neste momento não é se a Ucrânia vai perder - é quando a Ucrânia vai perder, como vai perder e onde é que param os russos. Esta é que é a realidade dos factos.»

 

Major-general Agostinho Costa, ontem à noite, na CNN Portugal. O mesmo que em 25 de Fevereiro de 2022 proclamava na pantalha: «Os russos já estão em Kiev!»

O infatigável major-general putinista

Agostinho Costa anda há dois anos e meio a profetizar a derrota da Ucrânia

Pedro Correia, 22.08.24

A Terra é plana

Pedro Correia, 05.02.24

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«A CDU tem aqui um resultado que não parece tão mau como as sondagens indicavam. A CDU foi o terceiro partido mais eleito entre estes círculos - Flores, São Jorge e Faial. A CDU é um partido fundamental, com muita importância.»

Carmo Afonso (RTP 3, ontem, às 22.32)

 

(O Partido Comunista Português, uma vez mais, não conseguiu eleger qualquer deputado nos Açores: a última vez que isso aconteceu foi em 2012. Flores, São Jorge e Faial são ilhas, mas não formam nenhum "círculo". A CDU nem sequer é partido, excepto na República Federal da Alemanha)

A história repete-se

Pedro Correia, 08.12.23

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«Nas próximas presidenciais uma segunda volta é, assim, praticamente inevitável. Não era esse o seu objectivo, mas Nobre e Alegre abriram um caminho que não se volta a fechar.»

Ricardo Costa (Expresso, 29 de Janeiro de 2011)

 

«Eu acho que as próximas presidenciais vão ser a duas voltas. Nós estamos pouco habituados a isso porque a última vez que houve presidenciais a duas voltas foi em 1986.»

Ricardo Costa (SIC Notícias, 9 de Outubro de 2023)

Parece que foi combinado...

Pedro Correia, 11.10.23

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... mas garanto que não foi. Isabel Moreira, insuspeita de ser hostil para Pedro Nuno Santos, seu companheiro de bancada parlamentar, também se espantava ontem numa rede social - tal como eu aqui - contra esta moda, inaugurada na SIC Notícias, de ter em estúdio comentadores encarregados de comentar outros comentadores da mesma estação. Dividindo-os assim entre comentadores de primeira (os que são comentados) e os de segunda ou quinta categoria (quem não usufrui desse insólito privilégio).

Muito endogâmico: a bolha dentro da bolha dentro da bolha. Tal como se comprova igualmente no facto de agora quase todos se tratarem por tu durante a palração televisiva: formam a selecta irmandade da pantalha. 

Quanto mais íntimos parecem, mais põem os telespectadores à distância. Depois não se queixem das fracas audiências. Nada disso acontece por acaso.

O grão-vizir que sonha ser califa

Pedro Correia, 10.10.23

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Diz-se que este senhor «faz tremer a direita». É um manifesto exagero. Parece que se estreou ontem como comentador da SIC Notícias sem fazer tremer ninguém - nem sequer de frio, com estas temperaturas quase de Verão. 

«Fazer tremer» é, aliás, uma frase a que deviam evitar associá-lo. Evoca de imediato aquele dia de 2011 em que o próprio, enquanto vice-presidente da bancada parlamentar do PS, proferiu esta bravata: «Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. "Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida." Se o fizermos, as pernas dos banqueiros alemães até tremem.»

Não consta que nenhum banqueiro germânico tenha tremido - ou que tenha sequer tomado nota de tais declarações, mais próprias de algum membro de associação de estudantes do que de um deputado e futuro ministro da nação.

Quem certamente tremeu, mas de indignação, foi António Costa a 30 de Junho de 2022, quando lhe revogou um despacho sobre o plano de ampliação do aeroporto de Lisboa que apenas vigorou por 24 horas. Fazendo perder a face ao então titular das Infraestruturas. Que não tardou a perder também o posto governativo: durou só mais seis meses no lugar. Como activo tóxico do Executivo socialista.

Não vi a prestação televisiva do grão-vizir que sonha ser califa do PS nesta sua estreia como residente na pantalha. Dizem-me que, depois da homilia, logo várias sumidades surgiram em antena a perorar sobre o que ele pregara. Extraordinária endogamia televisiva: comentadores a comentarem o comentador.

Ponham-se finos, senão ele zanga-se. Parece que tem frequentes crises de mau humor. Como o outro, que se dizia «animal feroz».

salve-se quem puder

Pedro Correia, 26.07.23

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Análise política (parte 1)

a política portuguesa está transformada num conjunto de declarações hipócritas e carregada de promessas vãs. os deputados dão diariamente um espectáculo deplorável ao país com divergências e incompatibilidades que não conduzem a lado nenhum. o governo está morto só falta fazerem-lhe o funeral e é bom que isso aconteça rapidamente porque já não se aguenta o mau cheiro. as sucessivas trapalhadas condenaram o executivo ao fracasso ao ponto de todos sentirmos muitas saudades do santana lopes. ninguém percebe por que motivo o primeiro-ministro ainda não se demitiu. os políticos não conseguem apresentar uma solução coerente aos cidadãos. o presidente da república é um incapaz. enterrou o governo mas já se percebeu que não tem nada para dizer. ninguém percebe por que motivo o presidente da república ainda não se demitiu. ele e os outros todos só são capazes de fazer jogos florais. todos os partidos chegaram a um estado de degradação lamentável. a oposição também é péssima. a política falhou. a classe política enlouqueceu. ninguém percebe por que motivo os líderes dos partidos da oposição ainda não se demitiram. não há soluções boas nem más. agora só há soluções péssimas. o país já foi ao fundo.

salve-se quem puder.

 

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Análise política (parte 2)

os políticos não conseguem apresentar uma solução coerente aos cidadãos. o presidente da república é um incapaz. enterrou o governo mas já se percebeu que não tem nada para dizer. ninguém percebe por que motivo o presidente da república ainda não se demitiu. ele e os outros todos só são capazes de fazer jogos florais. todos os partidos chegaram a um estado de degradação lamentável. a oposição também é péssima. a política falhou. a classe política enlouqueceu. ninguém percebe por que motivo os líderes dos partidos da oposição ainda não se demitiram. não há soluções boas nem más. agora só há soluções péssimas. o país já foi ao fundo. a política portuguesa está transformada num conjunto de declarações hipócritas e carregada de promessas vãs. os deputados dão diariamente um espectáculo deplorável ao país com divergências e incompatibilidades que não conduzem a lado nenhum. o governo está morto só falta fazerem-lhe o funeral e é bom que isso aconteça rapidamente porque já não se aguenta o mau cheiro. ninguém percebe por que motivo o primeiro-ministro ainda não se demitiu. as sucessivas trapalhadas condenaram o executivo ao fracasso ao ponto de todos sentirmos muitas saudades do santana lopes.

salve-se quem puder.

 

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Análise política (parte 3)

ninguém percebe por que motivo o primeiro-ministro ainda não se demitiu. as sucessivas trapalhadas condenaram o executivo ao fracasso ao ponto de todos sentirmos muitas saudades do santana lopes. os políticos não conseguem apresentar uma solução coerente aos cidadãos. o presidente da república é um incapaz. enterrou o governo mas já se percebeu que não tem nada para dizer. ninguém percebe por que motivo o presidente da república ainda não se demitiu. ele e os outros todos só são capazes de fazer jogos florais. todos os partidos chegaram a um estado de degradação lamentável. a oposição também é péssima. a política falhou. a classe política enlouqueceu. ninguém percebe por que motivo os líderes dos partidos da oposição ainda não se demitiram. não há soluções boas nem más. agora só há soluções péssimas. o país já foi ao fundo. a política portuguesa está transformada num conjunto de declarações hipócritas e carregada de promessas vãs. os deputados dão diariamente um espectáculo deplorável ao país com divergências e incompatibilidades que não conduzem a lado nenhum. o governo está morto só falta fazerem-lhe o funeral e é bom que isso aconteça rapidamente porque já não se aguenta o mau cheiro.

salve-se quem puder.

Abjecto

Pedro Correia, 25.06.23

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Diálogo ontem à noite, na CNN Portugal:

Jornalista - Aqui neste mesmo estúdio, quando começaram os problemas entre o ministério russo da Defesa e o grupo Wagner, perguntei-lhe se havia ou não dissonâncias entre estes dois. E respondeu-me que não: «Isso são fantasias.» Enganou-se nesta análise?

Major-general Agostinho Costa - Não. Uma coisa é o que parece. Outra coisa é o que é. (...) Temos de analisar e não nos iludirmos pelas aparências. Então temos um golpe de Estado e o cabecilha do golpe de Estado vai passar férias para a Bielorrússia? 

Jornalista - Mas também referiu que o grupo Wagner «é uma concepção de Gerassimov [comandante das forças armadas russas], é preciso ler a doutrina de guerra híbrida, e está a funcionar muito bem.» Está?

Major-general Agostinho Costa - Está.

Jornalista - Isto tem aparência de normal funcionamento?

Major-general Agostinho Costa - Reitero tudo quanto disse. Reitero tudo quanto disse. 

Jornalista - Também referiu aqui que «o grupo Wagner corresponde, na Rússia, às forças especiais norte-americanas, é mais ou menos a mesma coisa». Foi isso que referiu neste estúdio. Arrepende-se de comparar o grupo Wagner a exércitos regulares?

Major-general Agostinho Costa - De maneira nenhuma!

Jornalista - O Wagner não é uma força regular. 

Major-general Agostinho Costa - É uma força de assalto. É uma força especial de assalto. As forças de assalto têm várias missões. O Wagner, quando é enviado para o exterior, combate ao lado dos países para onde vai. Por isso é que tem tido este sucesso.

Jornalista - Há ou não, nestas últimas 24 horas, um dano reputacional para Vladimir Putin, bastante visível à própria opinião pública russa?

Major-general Agostinho Costa - Não o acompanho, não o acompanho.