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Delito de Opinião

Treinadores de bancada

Pedro Correia, 31.05.21

De treinadores de bancada, excelentes cérebros de ideias infalíveis para salvar a pátria, está este país tão cheio que se os exportássemos equilibraríamos por muitos e bons anos a nossa balança de pagamentos.

O problema é que tais sumidades, quando têm finalmente a possibilidade de pôr em prática o seu caudal de virtudes, muitas vezes se revelam monumentais fiascos.

Presente de Natal aos comentadores

jpt, 22.12.20

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Sim, por vezes sou arisco e respondão diante dos nossos comentadores, principalmente os conhecidos anónimos. Mas, até por este pequeníssimo incidente entre-comentadores no meu último postal, aqui deixo uma oferta natalícia ao habitual comentador Balio - sobre o qual há (justificadas?) suspeitas de ser um avatar de um outro (e anterior?) conhecido comentador institucional do DO. Com esta oferta, sita aqui mesmo na estante da secretária, quero simbolizar o amoroso espírito natalício que congrega bloguistas e comentadores, dos mais irritantes aos mais irritadiços, passando pelos plácidos.

Quanto a Balio, se não apreciar esta oferta ... olhe, vá à Worten trocá-la.

 

Da importância das lombadas

Pedro Correia, 14.04.20

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Vejo na Netflix uma série islandesa de que estou a gostar muito: Os Crimes de Valhalla. Numa cena do terceiro episódio, um investigador da polícia entra na casa deserta de uma mulher de classe média que foi assassinada. Uma das primeiras coisas que vê - e nós com ele - é uma estante cheia de livros ocupando quase por inteiro uma das paredes da sala. 

Para quem esteja atento, os cenários aparentemente irrelevantes nas séries de qualidade podem dizer-nos muito sobre as características de um país. Esta diz-nos, desde logo, que existem hábitos de leitura na Islândia muito superiores aos nossos. Em que série, filme ou telenovela veríamos "adereço" semelhante numa casa portuguesa de classe média? Façam o teste e verão. As estatísticas confirmam o que a experiência empírica nos sugere: mais de dois terços dos nossos compatriotas passa um ano inteiro sem ler um livro: 67%. Lideramos o triste pódio europeu nesta matéria, superando Grécia (54%) e Espanha (53%). Em proporção inversa ao que ocorre na Suécia (28%), Finlândia (35%) ou Reino Unido (37%).

 

Talvez para marcar o contraste com esta idiossincrasia nacional, por estes dias não faltam políticos, comentadores e simples bitaiteiros que persistem em prestar depoimentos televisivos recolhidos em casa, escolhendo lombadas de livros a servir-lhes de moldura. São tantos os casos que não pode tratar-se de mera coincidência: entre nós, o livro continua a servir de elemento acrescido de autoridade natural a quem produz opinião, o que não deixa de ser irónico numa sociedade onde a norma é não ler.

Não vou presumir sobre os genuínos hábitos de leitura das personalidades que, devido à pandemia, nos vão desvendando ínfimos recantos dos seus lares. Mas aproveito para deixar a sugestão aos meus amigos editores - Francisco José Viegas, Guilherme Valente, Hugo Xavier, Inês Pedrosa, Manuel S. Fonseca e Rui Couceiro, entre outros - para transformarem estas imagens que começam a tornar-se familiares entre nós numa vasta campanha publicitária de promoção da leitura. Com a chancela institucional do Ministério da Cultura e parte da choruda verba que não chegou a ser gasta no abortado TV Fest. Faz sentido, numa altura em que o sector vai de mal a pior: a venda de livros caiu 83%, com milhares de pessoas em lay-off ou sem trabalho.

Deixo aqui algumas sugestões de figuras que poderiam figurar nessa campanha de promoção do livro. Com certeza os visados aprovariam. 

 

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Vai fazer-nos muita falta

Pedro Correia, 22.02.20

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Vasco Pulido Valente era o melhor. Em quase tudo. Também na capacidade de inspirar epígonos que ia influenciando por geração espontânea e foram irrompendo como cogumelos - todos com menos talento que ele.
 
Era bom a pensar, a escrever, a polemizar.
Nunca lhe faltou a coragem para dar expressão pública ao pensamento. Nem vocação para escolher sempre as palavras mais adequadas à elegância formal que jamais cessou de procurar.
Sem atender a conivências nem a conveniências, criticou quase tudo e quase todos. Por vezes com um desassombro que alguns confundiam com arrogância ou cinismo. Por vezes com incoerências, naturais num percurso tão vasto, que se espraiou por seis décadas: era o comentador político português que exercia o ofício há mais tempo em permanência.
Vinha do pioneiro Almanaque, remontava ao antigo O Tempo e o Modo - publicações que hoje já quase ninguém sabe o que significaram na estreita sociedade portuguesa daquele tempo em que a censura estava inscrita no quotidiano mental das elites bem-pensantes.
Nem sempre fez os juízos certos sobre todas as figuras públicas que foi visando com a sua pena cáustica, pontualmente repassada de sarcasmo. Mas acertou na maior parte das vezes - em quase tudo quanto era essencial no catálogo de ideias que professava e foi sedimentando desde que estudou em Oxford, na primeira metade dos anos 70. A necessidade imperiosa de aproximar Portugal dos padrões de civilidade europeia, por exemplo.

Faltou-lhe escrever um romance. Ensaiou essa peça de ficção durante décadas, em versões diversas, mas era tão exigente com ele próprio que acabou por nunca publicar nenhuma.
Tentou uma aproximação ao género, com Glória, mas saiu-lhe afinal um ensaio histórico, aliás não destituído de brilhantismo. Com duas características essenciais: devolveu aos leitores o prazer do reencontro com a escrita narrativa, reaproximando a História da Literatura, e recuperou a biografia como peça fundamental da investigação histórica numa altura em que os cânones académicos menosprezavam o género.
No campo da historiografia, o título imbatível do seu legado foi o primeiro: O Poder e o Povo, que derrubou para sempre vários mitos beatíficos sobre a I República. Pena também esta investigação ter ficado incompleta, pois só abarca um período circunscrito deste ciclo histórico que antes dele era descrito com inúmeras omissões factuais.
 
Sentiu-se por duas vezes atraído pela política activa, nas décadas de 70 e 90, mas depressa concluiu que não era aquele o seu mundo e soube retirar-se muito a tempo. Também a comunicação radiofónica e televisiva estava longe de constituir o seu domínio de eleição, que era o da escrita.
 
Tinha este dom - e soube exercê-lo. Graças a ele, ensinou muitos de nós a reflectir, a ponderar, a argumentar, a desafiar os bonzos da opinião, a questionar os dogmas soprados no vento, a ripostar sem medo.
Por vezes à custa de si próprio, pois consumiu-se sem remissão na contingente espuma dos dias, que lhe roubava tempo e paciência para outros projectos, mais adequados ao seu engenho.
Eis o fardo insustentável de um comentador - mesmo o melhor de todos, como VPV. Não vejo hoje ninguém que possa equiparar-se a ele. Vai fazer-nos muita falta.

O "exclusivo" de Marcelo na SIC

Pedro Correia, 15.10.19

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Marcelo Rebelo de Sousa revelou à SIC uma das cachas políticas do ano: vai submeter-se a um cataterismo, para avaliar eventuais danos cardíacos e deste exame clínico dependerá uma decisão sua sobre a recandidatura à Presidência da República.

Acontece que a entrevista em que o Chefe do Estado fez esta e outras revelações não foi conduzida por um jornalista, munido do respectivo título profissional, mas pelo director-geral de entretenimento da estação outrora sediada em Carnaxide. O que constitui mais um significativo sinal da desvalorização do papel social dos jornalistas e da sua progressiva irrelevância no circuitos comunicacionais contemporâneos.

Que a SIC, onde trabalham dezenas de jornalistas qualificados e prestigiados, tenha prescindido deles para a obtenção desta informação em exclusivo e que o próprio Presidente da República elegesse como emissário desta novidade alguém ligado à área do entretenimento diz muito sobre a degradação de um ofício hoje invadido a todo o momento por gente que não se inibe de divulgar matéria supostamente noticiosa sem sujeitar o que supõe saber ao crivo do contraditório nem cumprir outras normas deontológicas que só vinculam os portadores da carteira profissional de jornalista.

 

Não passa praticamente um dia sem que, neste ou noutros canais, escutemos comentadores da política ou do desporto difundirem em antena "notícias exclusivas" que muitas vezes são meros rumores, à revelia das respectivas direcções de informação. O caso mais flagrante acontece na área do futebol - a tal ponto que me questiono se continuam a existir jornalistas habilitados a pronunciar-se na área do desporto em qualquer destes canais. Mesmo que a resposta seja afirmativa, o facto é que qualquer deles pouco mais servirá do que para estender um microfone, muitas vezes em "conferências de imprensa" onde não se escuta uma verdadeira pergunta digna desse nome.

Tudo isto deveria preocupar a estrutura dirigente dos jornalistas - se ela existisse. Acontece que esta é a única actividade abrangida por um código deontológico que não está organizada enquanto ordem profissional. Condenados à proletarização, sem condições mínimas para exercer o trabalho, desconsiderados pelas empresas onde prestam serviço e ultrapassados a todo o momento por qualquer "comentador residente" em estúdio, os jornalistas figuram hoje no posto mais baixo da cadeia informativa.

Problema exclusivo deles? Não: é um problema dos cidadãos que tantas vezes preferem ser "informados" pelo que "se vai dizendo" nas redes sociais e elegem as televisões que mais transformam notícias em "entretenimento".

Um problema do País, portanto.

His master's voice de Agosto

Pedro Correia, 19.08.19

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«A greve [dos motoristas de veículos pesados e de materiais perigosos] é completamente injusta. (...) Não faz sentido.»

«O que é que as pessoas que estão a passar férias no Algarve têm a ver com esta greve? Absolutamente nada.»

«A requisição civil é perfeitamente justificada.»

«O Governo está a fazer aquilo que qualquer Governo deveria fazer.»

«Esta é uma situação em que qualquer Governo teria muita dificuldade em lidar de outra maneira que não seja esta.»

«Houve, deliberadamente, da parte dos sindicatos e dos trabalhadores, uma "greve de zelo" aos serviços [mínimos] que estavam a prestar.»

«Os sindicatos vieram dizer que não se devem utilizar as forças armadas. Então qual é a solução para tentar resolver isto?»

«O que está em causa não justifica a greve que está a colocar o País nesta situação.»

 

Nicolau Santos, presidente do Conselho de Administração da Lusa por nomeação governamental e "comentador político", aludindo à greve dos camionistas

SIC Notícias, 13 de Agosto

Um chá no Palácio

Pedro Correia, 08.02.19

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Pacheco Pereira, com a elegância que o caracteriza, adora aplicar o termo "transumância" aos jornalistas, equiparando a gado esta classe profissional de que faço parte. É a altura de retribuir-lhe o mimo, assinalando que também ele é um ser transumante: sai do canal televisivo que lhe dava guarida, entra na semana seguinte no canal concorrente, como se melancias fossem equivalentes a limões. 

Cumpre reconhecer que a transumância foi cumprida com requinte: recebeu a bênção prévia do primeiro-ministro, como se estivesse em risco a democracia, e acaba de ser ungida pelo Presidente da República, recém-regressado de um encontro com o Papa. Poderes terrenos e celestes convergindo na celebração litúrgica do Programa do Regime.

Não deixa de ter graça ver o biógrafo de Álvaro Cunhal instalado numa poltrona em Belém, dando voz ao Chefe do Estado - figura que tantas vezes tem apontado a dedo por falar em excesso. A 25 de Janeiro de 2018, por exemplo, declarou Pacheco sobre Marcelo: «A continuidade da acção do Presidente é a continuidade do Presidente como comentador. Ele fala sobre tudo e pronuncia-se sobre coisas que não se devia pronunciar.»

O visado, irrepreensível anfitrião e pastoreador paciente, acaba de servir-lhe um chá no Palácio. Eis uma forma muito original de o católico Marcelo dar a outra face.

O corpo de bailarinos de Madonna (II)

Diogo Noivo, 01.08.18

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Parte da intelectualidade nacional defende que uma publicação de Madonna no Instagram faz mais por Lisboa do que mil estrangeiros anónimos que venham para cá viver. Tanto assim é que a mais recente entrevista à cantora, publicada na Vogue italiana, valerá bem os lugares de estacionamento que lhe foram atribuídos pelo município da capital. Pois bem, nessa entrevista Madonna diz que Lisboa se assemelha a Cuba e que Portugal “é governado por três 'Fs': Fado, Futebol e Fátima”. De facto, publicidade desta não tem preço. E a culpa não é de Madonna.

O corpo de bailarinos de Madonna

Diogo Noivo, 05.07.18

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Fernando Medina esteve bem ao facilitar estacionamento para a frota automóvel de Madonna porque, segundo se lê nas redes sociais de alguns comentadores, uma publicação da artista no Instagram faz mais pela cidade em receitas e em reputação do que mil estrangeiros anónimos que venham para cá viver. Descontando o deslumbramento patego subjacente à ideia, que institui como desejável a criação de gente de primeira e de segunda perante o Estado (o Poder Local também é Estado), o curioso é que o essencial do assunto permanece ausente do debate.

Graças ao INE, soubemos esta semana que quem anda de transportes públicos demora o dobro do tempo do que quem vai de carro ou mota. Se a isto juntarmos os atrasos constantes nos transportes públicos, o aumento do preço dos títulos de transporte, a sobrelotação, a supressão de comboios, a degradação do equipamento circulante, e os tempos de espera absurdos no Metro não surpreende que o automóvel seja o principal meio de transporte dos residentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. É a prova da absoluta ineficiência, se não mesmo da inutilidade, dos transportes públicos, cuja missão é também a de reduzir a entrada de veículos particulares nas cidades.

Em Lisboa, a situação deverá piorar. Uma vez que o preço dos imóveis torna proibitivo residir na cidade, mais gente morará nas periferias e, consequentemente, maior pressão sobre os transportes públicos e mais viaturas particulares a entrar e sair do centro urbano diariamente. Com este cenário, nem com um silo de estacionamento por bairro teremos lugares suficientes. 

No entanto, calva de ideias e grávida de certezas, parte da intelectualidade pública que se desdobra em intervenções nos jornais, nas rádios e nas televisões prefere abordar o assunto dançando à volta de Madonna, dando colo ao autarca de Lisboa, defendendo o indefensável, e perdendo-se em argumentos que ignoram olimpicamente o cidadão comum. A culpa não é de Madonna.

Um pedido

Diogo Noivo, 23.02.18

Parece que no período em que foi bastonária Elina Fraga montou uns cambalachos na Ordem dos Advogados, práticas que, entre outras coisas, sugerem nepotismo e gestão ‘criativa’. Isabel Meireles, nomeada por Rui Rio para a Comissão Política Nacional do PSD e, portanto, colega de Elina Fraga, esteve na reunião da Ordem que votou por unanimidade uma auditoria ao consulado da anterior bastonária, um levantamento que destapou as tais práticas pouco edificantes de gestão. Entretanto, Rui Rio marca uma reunião da Comissão Política Nacional e não convoca o líder da bancada em funções que, meio atontado, toma conhecimento da reunião pela imprensa. E por falar em líder da bancada, Fernando Negrão candidatou-se à liderança dos parlamentares do PSD e obteve o pior resultado de sempre em eleições do género, havendo até deputados que estavam na lista dele (pelo menos dois) que decidiram não apoiar o candidato no boletim de voto. Abertas as urnas saiu de lá o faroeste: acusações de falta de legitimidade, insultos, birras, arengas e um rol de enfados épicos. Antes de tudo isto acontecer, o lugar-tenente de Rui Rio, Salvador Malheiro, terá andado a transportar militantes em carrinhas, pastoreando-os até ao momento em que votavam em Rio – militantes que, certamente para combater o frio, vivem aos 17 na mesma casa.

Não faço a mais pequena ideia do que se passa no PSD. Não sou nem nunca fui militante e, por isso, não conheço os meandros do partido. Mas gostava de perceber o que está em curso. Assim, solicito humildemente aos profissionais do comentário que andaram meses a fio a dizer que Pedro Passos Coelho era a raiz de todos os males do partido e que, consequentemente, a sua saída resolveria todos os problemas, que venham por favor a terreiro – sem rir – explicar o que está a acontecer. Grato pela atenção.

Delírios

Pedro Correia, 22.12.17

Ontem à noite, comentando o resultado das eleições catalãs na SIC Notícias, Pacheco Pereira imaginava a cosmopolita Barcelona sob “ocupação militar” e garantia que os partidos pró-separatismo somavam “70% dos votos”.

Os pequenos e médios delírios de comentadores que peroram sobre tudo e um par de botas nas televisões portuguesas já mereciam um estudo académico. É tema inesgotável e dá pano para muitas mangas.

"MInha querida" juíza e caríssimos comentadores anónimos

Patrícia Reis, 17.12.17

Por razões que são fáceis de entender não aprovei a publicação de comentários jocosos ou ofensivos, em especial de comentadores anónimos, relativos a um post interior com este titulo.

Desde o início da minha colaboração com o Delito de Opinião tenho libertado todo o género de comentários, dos mais elogiosos aos mais ofensivos. Hoje decidi que acaba a democracia disfarçada no anonimato e, no caso específico do comentador ou comentadora que me enviou uma mensagem com ameaça implícita, tratando-me por "minha menina", chamando-me à atenção para o meu futuro, agradeço que tenha em conta que eu sou o tipo de pessoa que guarda estas coisas e vai à Polícia Judiciária sem qualquer problema.

Aos restantes, peço desculpa por este post. Sempre considerei o debate essencial. As redes sociais ao abrigo do anonimato não são exercícios de liberdade e de argumentação, são apenas cobardia.

A nova muleta do PCP em Loures

Pedro Correia, 02.10.17

 

Até ontem, o PSD era o terceiro partido em Loures, atrás da CDU (que venceu as autárquicas de 2013 sem maioria absoluta) e do PS. Nestes quatro anos os sociais-democratas aceitaram ser muleta dos comunistas na vereação municipal, onde dispunham de dois vereadores.

 

A partir de hoje, o PSD mantém-se como terceiro partido em Loures, embora com três vereadores. Atrás da CDU (que continua sem maioria absoluta) e do PS.

 

No essencial, ali fica tudo na mesma. Apesar de um candidato ter sido levado ao colo por certos meios de comunicação, que quase o sagraram como vencedor antecipado. Rui Ramos exagerou, portanto, ao eleger esse candidato como «herói de cidadãos fartos do concurso de misses do “politicamente correcto”.»

 

Na melhor das hipóteses, o tal "herói" acabará como a próxima muleta do PCP em Loures.

 

Talking Heads

Diogo Noivo, 21.06.17

Ontem à noite, um dos monitores na zona de entrega de bagagens do aeroporto de Lisboa estava sintonizado na RTP3. Na imagem, Pedro Adão e Silva, José Eduardo Martins e Ricardo Sá Fernandes. O monitor estava sem som, razão pela qual não ouvi o que foi dito. No entanto, lia-se no oráculo "porque falham as comunicações de emergência?". Dada a elevadíssima e reconhecida competência técnica dos intervenientes sobre a matéria em apreço, tenho a certeza que não ficou pergunta por responder ou pedra por virar, do SIRESP aos planos de prevenção. Aposto que até do mastoideu se falou.

Frei Barroso

Pedro Correia, 08.04.17

Há poucos dias destaquei aqui Alfredo Barroso, citando uma contundente crítica sua no i ao famigerado "acordo ortográfico".

Qual não foi o meu espanto ao ver agora, também na edição impressa do mesmo jornal, um texto de opinião do mesmíssimo autor escrito em... acordês. Um texto em que se lê "transações(sic) financeiras", "atividade"(sic) produtiva", "Investimentos diretos(sic), etc.

Eis-nos perante alguém que pede meças ao famoso Frei Tomás: faz como ele diz, não faças como ele faz.

O mundo às avessas

Pedro Correia, 12.03.17

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Pacheco Pereira (militante do PSD)

«Pedro Passos Coelho faz uma história retrospectiva em relação a Ricardo Salgado e esquece-se que ele participou ou esteve presente em reuniões do Conselho de Ministros no início da [passada] legislatura. Já ninguém se lembra. Já ninguém se lembra!»

«Veio nos jornais e nunca ninguém desmentiu. Veio nos jornais...»

«Então ao Conselho de Estado não foi o Mario Draghi?»

 

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Jorge Coelho (militante do PS)

«Como você imagina, isso [Salgado no Conselho de Ministros] é uma coisa que nunca aconteceu.»

«Então vai alguém que não é ministro ou membro do Governo a uma reunião do Conselho de Ministros?!»

 

Na Quadratura do Círculo (SIC Notícias), 9 de Março