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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 12.07.20

«As universidades podiam (deviam) ter optado por exames presenciais. A maioria não o fez ou coloca tantas barreiras aos professores que os querem fazer que estes desistem (as instituições poupam no equipamento de protecção, na higienização dos espaços, etc.). Na minha instituição foram distribuídas máscaras a todos os funcionários, excepto aos docentes.

E sim, bastantes colegas meus, a pretexto do vírus, estão fora da universidade desde Março. Porém, há que ser justo, pois muitos deles raramente apareciam no local de trabalho antes da Covid-19 - agora têm um pretexto. Alguns funcionários recusam-se a vir, alegando pertencer aos grupos de risco. Muitos já não faziam nada, mas outros eram essenciais em alguns serviços (agora parados).»

 

Da nossa leitora Catarina Silva. A propósito deste texto do Sérgio de Almeida Correia.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 05.07.20

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«De facto Rui Rio parece “lutar pela sua servidão como se fosse pela sua liberdade”, luta pela próxima bancarrota de Portugal como se fosse uma classificação de rating AAA. Mas até Mr. Stevens ao fim de vinte anos apercebe-se que a sua inquestionável fé e dedicação à sua causa (trabalho), foram mal aplicadas e tiveram um forte impacto na sua vida, apercebe-se que o prazer de desfrutar o fugaz momento do remanescente da luz do dia, apesar de belo, levou-o à sufocação dos seus afectos, ao desconhecimento das causas das suas acções, e tenta recuperar o tempo perdido tentando resgatar o amor de Miss Kenton.

É neste ponto que discordo da sua analogia. Rui Rio faz-me lembrar outro mordomo famoso, o de Glória Swanson em O Crepúsculo dos Deuses. Imagino Antonio Costa caído em desgraça a preparar-se para descer a escadaria da Assembleia da República a virar-se para Rui Rio e afirmar: “Sou a maior estrela política que Portugal alguma vez teve e não tenho culpa de nada”. Rio olha para Costa com amor incondicional e vira-se para as televisões presentes: “Objectivas, luz, acção...”.»

 

Do nosso leitor Manuel do Ó Pereira. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 22.06.20

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«Bem, as coisas começam com o 25 de Abril (o de 2020) e a teoria de que uns poderiam fazer tudo e outros não. Depois o 1.° de Maio e a teoria de que uns poderiam fazer tudo e outros não. E o Avante! faz-se e pouco barulho. E morreu o Floyd. E, no fundo, os “outros” perceberam que os “uns” perderam a muito ligeira autoridade moral. Três mil e quinhentos polícias em Fátima, zero no 1.° de Maio? Só podem estar a brincar.

E agora? Festas de mil em Carcavelos, com outra ali ao lado, hoje já em Bragança, na praça principal, pois então, mais a outra em Lagos - e muitas mais, por todo o país. E a polícia ainda lá vai, mas como há por aí cartazes partidários “polícia bom é polícia morto”, e também porque já tiveram que passar a vergonha de se armarem até aos dentes para confrontar velhotes de cruz ao peito e vela na mão, que nem apareceram, e deixar à vontade vigorosos esquerdistas escavacar tudo, já não têm a mesma convicção.

Era de esperar que houvesse uma ligeira subida no número de infectados nesta fase do desconfinamento, não esperava o governo, que claramente não tem a mínima ideia do significado da palavra governar, tanta estupidez deste “povo exemplar”. Os números vão explodir de novo, só que não será já possível confinar nada. As pessoas não aceitarão e a economia termina. A que resta. E é aí que isto tudo tem a ver comigo, é que não sou reformado nem funcionário público, e já levei um tombo. Se a loja fechar vou ao chão - é que já disse tantas do PS que ninguém me vai arranjar um tachito.

Ora, graças aos políticos em geral, com distinção para o BE, como é que explico a um grupo de idiotas com os copos que me estão a tirar o ganha-pão? Serei apodado de fascista, reaccionário, xenófobo, machista, racista, e se calhar sovado e infectado.

Se morressem só os idiotas ainda vá, mas isto é como aqueles que andam na autoestrada em contramão e embriagados - geralmente morrem os outros.»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste texto do JPT.

Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 14.06.20

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«Vieira era mestiço por parte de mãe, descendente de africanos.

A também defesa do povo indígena na época era para garantir a legitimidade destes e de sua cultura em seu território.

Não admira que os ignorantes que se atrevem a vandalizar a estátua de Vieira o façam por ignorância.

 

No Sermão do Bom Ladrão, Vieira alude a um facto histórico transversal e que importa reavivar:

"O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Séneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco pone latronem et piratam, quo regem animum latronis et piratae habentem. Se o rei da Macedónia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

Quando li isto em Séneca, não me admirei tanto que um filósofo estóico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero;..."

 

Tudo isto para dizer que também se assemelham nesta categoria os ladrões da história e vândalos da cultura.»

 

Do nosso leitor Vento. A propósito deste texto do Luís Naves.

 

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«Confesso que me faz imensa confusão a incapacidade actual de diferenciar o nível intelectual, humano, ético ou moral do indivíduo do século XXI com a do indivíduo dos séculos XVI, XVIII ou XIX.

Questiono quem será mais incapaz, aquele que pouco acesso teve à educação, que cresceu manietado e limitado no acesso ao conhecimento, ou aquele que a tudo tem acesso, que tem incontáveis fontes de informação e que tem ao seu dispor uma panóplia enorme de informação.

Questiono a diferença entre o homem do Renascimento, que por exemplo efectuava a queima de livros, por estes irem contra a ideologia reinante, fundamentalmente religiosa, como aconteceu em Granada, mesmo aqui ao lado, em 1499 e onde foram queimados mais de 5000 livros e manuscritos, na sua maioria árabes e que se tornaram insubstituíveis; em contraposição com o homem actual, que em vez de estar grato pelo conhecimento que lhe é disponibilizado, prefere destruir património histórico, como se tal acto corrigisse o passado.

Vi com espanto o presidente da Câmara de Londres assumir que as estátuas destruídas não serão recolocadas no seu lugar. Não serão reconstruídas e serão substituídas por outras mais de acordo com os ideais actuais.


Imaginemos no nosso país, mais concretamente na cidade do Porto, o edil da invicta aceitar a destruição da estátua do Infante D. Henrique, ou até alterar o nome da Praça do Infante.

É que, caso isto pegue moda no nosso Portugal, esta será uma estátua que terá os dias contados, pois foi sob a supervisão do Infante que se deu a primeira partilha de escravos documentada no nosso país, ocorrida em Lagos, no Algarve, nos idos de 1444.

O mesmo poderá acontecer em Lisboa com a estátua de Fernando Pessoa, que tem sido alvo de acusações de racismo por parte de uma facção da sociedade angolana, que o acusa de ser um escravopata racista, que terá justificado a escravatura e diminuído o africano como ser inferior.

 

Isto não assusta?

Não estaremos nós a contribuir para a limitação de conhecimentos das gerações futuras?

Será que é com o silêncio e ignorando o passado que construímos um futuro melhor?

Como poderemos formar as crianças para o bem, ou para melhor, se não lhes permitimos ter conhecimento sobre o pior? Como ter um termo de comparação?

 

Como o autor descreveu, teremos de riscar da história todo e qualquer autor, pintor, escultor, poeta, nascido e vivido antes do século XXI, pois todos teriam comportamentos racistas, xenófobos, machistas e misóginos. E teriam porque era uma ideia social, era o senso comum da época.

Li nestes dias artigos que defendem que Machado de Assis e principalmente Eça de Queirós diminuíam a mulher e sempre escreveram de um ponto de vista machista. Chega-se ao cúmulo de aconselharem as mulheres de hoje a evitarem ler as obras de Eça... Que incitamento à ignorância, diria eu.

Ora o homem evoluiu, tornou-se melhor, com melhores ideais e uma dessas evoluções deveria ser a capacidade de interpretar as épocas, mediante as próprias épocas e o statu quo vigente.

Estas atitudes que temos visto actualmente mais não são do que ignorância, fracos valores intelectuais e humanos, apesar de tentarem fazer crer que são precisamente o contrário.»

 

Do nosso leitor Guarda Serôdio. A propósito deste texto do JPT.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.05.20

«Hoje passei por uma das nossas capitais de distrito. Visitei uma boa livraria que lá tem, com muitas edições de editoras alternativas. Ia eu todo contente pela porta adentro quando uma menina me disse que o atendimento era feito à porta. Como à porta? - perguntei. A menina sabe como se compram livros? Os livros têm de ser manuseados, folheados, parcialmente lidos ou consultados. Isso é uma coisa que não se faz à porta da livraria. Se eu não posso entrar para procurar livros, então, por mim, podem manter a livraria fechada. E vim embora.»

 

Do nosso leitor Vítor Augusto. A proposito deste postal.

Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 11.05.20

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«Como criar um país decente e mais rico se quase ninguém está disposto a cumprir? Quando os candidatos a emprego começam por pesar o número de faltas que podem dar e uma vez a trabalhar ficam completamente alheados do seu real peso na estrutura. E a ridícula ascensão das chefias não por mérito – por saberem do ofício – mas por serem detentoras do que chamam perfil de liderança, que como sabemos entre nós se traduz numa de duas coisas: cunha ou parlapiê inconsequente. Patrões a ver os funcionários apenas como encargo, não os reconhecendo como aliados, nem considerando o rendimento que dão às empresas. E a pagar mal, muito mal. Um Estado que esmaga a possibilidade de crescimento sadio das empresas com impostos e burocracias excessivas. Camadas e camadas de funcionários públicos com baixas médicas fraudulentas e outros benefícios a enviesar completamente os dados sobre as reais necessidades do sector público. E, a propósito, uma comunicação social – bacoca e ideologicamente comprometida - que raramente fala escorreito e a direito. Um sindicalismo caduco. E, mais do que tudo, injusto e virado somente para o seu eleitorado. Protegendo apenas a função pública e um punhado de gente na grande indústria.

Enfim, está tudo mal. Mas se não fosse a maldita epidemia podíamos ir para a praia espairecer. Como diz o outro, o que é preciso é saber como se melhora. E só vejo uma maneira. Sendo mais honesto. Resta saber se o País está para aí virado.»

 

Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

 

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«Convém não esquecer que a velha Europa é mais velha para uns do que para outros. Em termos de mentalidade proteccionista do sistema social, os países do sul são-no em maior dose. Quando digo dose, refiro-me ao facto de exercer o dever de protecção, exigindo pouco ou nada em troca. Não se admite na Noruega que um cidadão que usufrui de um subsídio de desemprego rejeite uma proposta para trabalhar, sem consequências. Não se admite que um cidadão na Holanda resida numa habitação social, sem a obrigação de cuidar da mesma, de cumprir as regras de higiene comunitária, higiene dos filhos, obrigatoriedade de os mandar para a escola. Ou seja, na Europa menos velha, os direitos equilibram-se com os deveres. Na Europa mais velha, dá-se gratuitamente, sem tão pouco se preocuparem com a importância pedagógica da vida em sociedade. E lá estamos nós a bater na mentalidade. Porque esta mentalidade de dar sem exigir é transversal em todas as áreas: habitação, educação e trabalho.

Nas sociedades novas não se nota tanto, tiveram a possibilidade de começar do zero. Cansados do que levaram do velho continente. Não quero com isto que é melhor, ou pior, mas é diferente.

E a grande diferença está nos costumes e na valorização.

Com a evolução da mentalidade sindicalista, verificou-se que, 20 anos depois, havia mais gente a acabar o liceu, a entrar para as universidades, que se multiplicaram na década de 70, fruto da capacidade financeira das famílias. Aumentou a criação de emprego próprio, o operário passou a ter formação e dinheiro para se lançar no mercado. Isto criou emprego, riqueza. O mérito passou a ser reconhecido e recompensado. O patrão passou a valorizar o empregado e o empregado passou a empenhar-se mais. O emprego deixou de ser um lugar cativo, foi necessário justificá-lo.

O pobre passou a ter a oportunidade de enriquecer, fruto do seu trabalho e da sua capacidade.

Por cá, o rico já nasce rico, raramente se torna rico. Primeiro porque não se valoriza, depois porque não vale a pena valorizar-se, pois mesmo que tenha valor, ninguém o vai reconhecer.»

 

Do nosso leitor Chuck Norris. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 03.05.20

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«Então vamos lá a ver a coisa de modo racional e mais prático.

Tudo bem, a economia tem de funcionar, há que deixar viver e trabalhar.

Em que é que o dito "pânico" que se vende contraria a realidade factual de um vírus altamente contagioso cujos efeitos nem estão previstos antes de o apanhar?

Dou apenas uns poucos exemplos que não sei como conseguem equacionar:

1 - Transportes públicos. Há muita gente em crise de sobrevivência para a qual se vai colocar o dilema - arriscar ou não arriscar usar transporte público, não tendo carro nem outra forma de se deslocar para o trabalho.

2 - Que fazer no caso de quem vivia a cuidar de idosos ou a fazer limpezas e pura e simplesmente foi dispensada por real receio de quem precisava e preferiu duas coisas - ser a própria família a tratar dos parentes; serem os próprios a fazerem a limpeza? Neste caso conheço várias pessoas e nem contrato têm. Dou guarida gratuita a uma delas e, eu própria, fui dispensada de um trabalho que fazia para o Estado, a recibos verdes.

3 - Como se pode afirmar que o contágio depende apenas de higiene ou cuidados pessoais e nem vai piorar, se, por exemplo, mesmo com o confinamento, ainda ontem o presidente do BCP informou que nos seus balcões de atendimento ao público (restrito em confinamento) tiveram 24 casos de covid nos seus funcionários? Podia repetir casos de supermercados e por aí fora.

4 - Posso também fazer a pergunta ao que se apresenta como alternativo: as infinitas doenças e tratamentos protelados nos hospitais e centros de saúde.

Pelo simples motivo - o coronavírus continua. Contamina. Contamina muitíssimo em ambiente hospitalar. Tal como sempre contaminaram e mataram as próprias bactérias hospitalares.

Como se imagina que, em deixando de haver confinamento, este perigo real desapareça por efeito de doutrinação (ou pura mentira às pessoas)

Eu vejo o caso como paradoxo e de forma muito pessimista. Não é negando a perigosidade que se vai conseguir vencer o que se está a viver.

Como também não é ficando fechado em casa que se pode sobreviver, excepto se for funcionário público ou reformado.»

 

Da nossa leitora Zazie. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 26.04.20

«O vírus mata todos os que puder levar, independentemente do credo político, religioso, da raça e do sexo, não estando eu bem certo quanto a estes últimos dois, existindo estatísticas que mostram o contrário. Mas adiante.

O vírus é essencialmente democrático. Não discrimina os que contagia e mata aqueles que tiver oportunidade. Tal como aconteceu com a gripe espanhola, a peste bubónica, a peste negra e tantas outras pestes e pandemias. É o pleno da democracia, unicamente ofuscado pela diversidade genética e pelo facto de nós sermos nós e as nossas circunstâncias.

O vírus mata comunistas, fascistas, ditadores, republicanos, democratas, monárquicos, muçulmanos, cristãos, budistas, judeus, nacionalistas, revolucionários, negros, brancos, vermelhos, amarelos, xenófobos, islamofóbicos, misandríacos, misóginos, ateus, agnósticos, sensatos, irascíveis, simpáticos, inteligentes, estúpidos, figuras conhecidas, pessoas anónimas, ricos, pobres e remediados. E de todos os géneros da "construção social" sistematicamente arrasada pela Biologia.

Mata os que pode e, quanto mais mata, com menor probabilidade de "sobreviver" e de infectar fica. Por isso o vírus, para além de democrata, é estúpido.

Assim como são estúpidas todas as reacções motivadas pelo pânico, pelo medo do desconhecido, pelo stress a que toda a mudança de paradigma obriga, desde que não fundamentada em sólidas bases científicas. Mas esta é a condição humana, espelhada com o destaque habitual nos meios de comunicação e na actuação da generalidade dos governos europeus. Nada de novo, portanto.

Que a "cura" que nos foi imposta se pode vir a revelar pior do que a doença, disso não tenho dúvidas. Que há que aplanar a curva de infectados em função do tempo, para evitar o colapso dos sistemas de saúde, também não me restam dúvidas. Que não se pode parar a actividade económica sem que haja consequências, não há quaisquer dúvidas, basta olhar para o aumento da taxa de mortalidade entre 2009 e 2015.

Entre outros factos ridículos, destaco a inexistência de estimativas, mesmo que grosseiras, do número de vítimas indirectas que a crise económica já instalada irá provocar, por contraposição à multitude de modelos epidemiológicos existente. Até parece que as crises económicas não conduzem a aumentos da taxa de mortalidade.

E não me venham dizer que estou a pretender trocar vidas por euros. Não é verdade. Apenas gostava de poder equacionar óbitos com óbitos, sem ter em conta os custos. Para depois poder equacionar óbitos com óbitos e respectivos custos.



PS - Pelo que tenho conhecimento, já há pessoas a passar fome, devido à paragem forçada da economia que as levou a ficarem sem receita mensal. Entretanto, do outro lado do mundo, em Taiwan e na Coreia do Sul, a vida tem decorrido com a normalidade possível, os restaurantes têm estado sempre abertos e não houve necessidade de quarentenas cegas investidas na qualidade de comissões liquidatárias da economia que nos resta. Ridículo.»

 

Do nosso leitor Elvimonte. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

 

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«Muito antes da pandemia já trabalhava a partir de casa (três dias em casa e dois dias no escritório). Tenho a sorte de trabalhar numa empresa que não vê o trabalho a partir de casa como um bicho de sete cabeças e que até me incentivou quando propus este modelo por razões pessoais (passei de uma cidade a 50 quilómetros de Lisboa para uma aldeia a 140 quilómetros). A minha vida melhorou substancialmente, com muito mais tempo para os miúdos.

No meu círculo de amigos tenho alguns que se queixavam (isto antes do Covid) que não tinham tempo para os filhos, por causa do trabalho. Que os deixavam na escola às 7h e iam busca-los às 19h.

Trabalham todos em Lisboa, mas são naturais de várias zonas do país (Alentejo, Oeste, Beira Alta, entre outras), o que me levou a dizer-lhes muitas vezes para voltarem para as terras, mantendo os mesmos trabalhos, propondo à empresa para trabalharem a partir de casa (todos temos trabalhos que podemos trabalhar a partir de casa, basta um computador). As respostas eram "Achas que a minha empresa concordaria?", "Passada uma semana despediam-me", entre outras. Agora todos estão em casa a trabalhar remotamente e a produtividade não diminuiu.

Agora já pensam de maneira diferente e alguns ponderam mesmo abordar os responsáveis para trabalharem remotamente.

Obviamente que esta situação é crítica e anormal, mas não deixa de ser oportuna para se pensar em como podemos melhorar a nossa vida no pós-Covid. E o trabalho a partir de casa irá com certeza tornar-se uma realidade. Os gestores das empresas julgo não terem desculpas para não aceitarem este modelo como uma mais-valia garantindo assim o equilíbrio trabalho-vida pessoal que tanta gente apregoa.»

 

Do nosso leitor Trigueiros. A propósito deste meu postal.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.04.20

«Resta saber para onde vai tanta literatura. Fui agora almoçar a casa e vi a correspondente da RTP em Madrid a dizer que este ano vai ser o pior para Espanha desde o fim da Guerra Civil, "em 1945" (cito). O primeiro-ministro disse que só fugiam ao interdito pascal de circulação três concelhos (sic) "pelo facto de o seu território não ser contíguo: Vila Real de Santo António, Oliveira de Azeméis e Montijo", todos os jornais e televisões repetiram, e não houve uma alma nesta terra que dissesse que não é Oliveira de Azeméis que é descontínuo, mas Oliveira de Frades. Tanto livro e tão pouco leitor.»

 

Do nosso leitor JPT. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 12.04.20

«Os serviços públicos franceses são ainda dos mais eficientes do mundo, ainda que tenham vindo a decair graças aos cortes orçamentais sucessivos e a uma gestão que impôs "zero-stock" e "fluxos no limite". O valor em percentagem do PIB é pouco informativo se não se especificar para onde vai o dinheiro. O caso das auto-estradas oferecidas a um privado (Vinci) é um exemplo paradigmático de como o dinheiro público é oferecido ao desbarato a privados sem escrúpulos em vez de servir para assegurar um serviço público. Então não se veio a saber que o contrato firmado com o Estado garante, entre outras maravilhas, que o Estado tem de pagar à Vinci uma compensação pela diminuição do tráfico (não é sequer por causa da ordem de confinamento; é, pura e simplesmente, pela diminuição do tráfico irrespectivamente do que quer que seja)? Ora, empreendedor assim também não me importava de ser: "não invisto, não construo, não corro riscos."

No meu tempo, antes da novilíngua da gestão tomar conta do éter, chamava-se a isto viver das rendas. No fim, temos engarrafamentos infindos porque é absolutamente necessário haver portagens, bruxo! A cereja em cima do bolo é que, via compensação pelo Estado, continuamos a pagar portagem enquanto estamos confinados. Privatização, mon oeil! O que isto é: privatização dos lucros, socialização dos custos.


A outra parte do problema que sofre a França em relação à Alemanha é um muito maior grau de deslocalização da produção e desindustrializaação. A ponto de num aperto ser incapaz de produzir máscaras ou outro equipamento hospitalar, e estar dependente de importações que podem vir ou não vir em função da boa-vontade da China.

Agora, pensemos nas consequências que isto poderá ter do ponto de vista militar. E temo que não seja só a Farnça. No domínio dos metais raros e não só o grande produtor mundial é a China, e ouvi gente que percebe da poda dizer que até os americanos sofrem nesse domínio de alguns estrangulamentos potencialmente comprometedores da sua máquina de guerra. Não me espantava nada se fosse o caso.»

 

Do nosso leitor Miguel. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 05.04.20

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«Ai os animais em casa: os gatos.

Foi ela quem o trouxe para casa, numa saída a dois para o campo (que tudo o indiciava) prometedora; quando ouviu, mais do que um miado, um débil gemido vindo lá de um buraco.

Um recém-nascido - vá-se lá saber porquê, abandonado pela mãe - que um monte de pulgas deixava ver de gatinho.

Cresceu e fez-se um gatarrão de oito quilos e meio. Nunca respeitou ninguém, nem a mim que tratava dele, mas respeitava a dona que nunca lhe mudou a areia. Essa sim! Para ela tudo, para mim e filhas, soberano desprezo e arranhões.

Nunca mais saiu dos pés dela quando ela se confinou ao leito, quase um ano. E quando ela saiu para não mais voltar, nunca se afastou da porta que se abrira para ela sair.

Morreu dois meses depois enrolado numa saia dela, a pesar menos de quilo e meio.

Ainda hoje, doze anos passados, rezo e choro por ambos.

Estou firmemente convencido que os animais também vão para o Céu. Porque se não, como compreender os sentimentos de amor e dedicação?»

 

Do nosso leitor O Cunhado do Acutilante. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 29.03.20

«Penso que, como bom funcionário público, está em casa resguardado da peste.

Não é o meu caso.

Hoje tive uma senhora de 94 anos que entrou de cadeira de rodas acolitada pelo filho e pelas duas filhas para se fazerem movimentadores da conta da senhora.

"Sabe, não é por nós, mas com o vírus é melhor para a mãe ter alguém que lhe possa mexer na conta se acontecer alguma coisa."

Acontecendo alguma coisa "à mãe" penso que ela não estará preocupada com o assunto.

Penso que depois de mortos não nos preocupamos com nada.

 

Acho de uma irresponsabilidade tremenda o Banco do Estado (de todos nós como contribuintes) não tomar medidas drásticas, inequívocas.

Enquanto for seguro ir passear para o Banco (não se pode estacionar em Monsanto mas podemo-nos deslocar, alegremente, para uma instituição bancária com 68, 70, 73 e 94 anos de idade para estarmos num ambiente não desinfectado a contaminar e a sermos contaminados.)

A responsabilidade é do Estado.

 

Se é seguro um Banco ter atendimento normal, tudo o resto, também, é seguro.

Qual a lógica de não poder estar dois minutos numa cafetaria para tomar um café e poder estar duas horas num Banco a alterar titularidades de conta?

O "estado de emergência" neste país é uma anedota; como quase tudo.»

 

Do nosso leitor Pedro Oliveira. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 23.03.20

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«A miúda de 17 anos (ou quem criou o símbolo que ela é) tem evidentemente, e num plano abstracto, ideal, razão: a actividade humana é largamente agressiva para o ambiente; estragamos mais e mais depressa do que a Natureza repõe. Haverá quem discorde disto, mas arrisco dizer que a quase todos não provoca especial repulsa.

As imagens de satélite mostram os céus chineses despoluídos. Os venezianos notam uma inusitada transparência nas águas dos seus canais e afirmam que nelas se vê bem mais peixe. Eu, residindo em Lisboa, ouço um raro silêncio, paz, na minha permanentemente caótica rua.

Mas é isto sustentável? A nossa forma de vida é predatória, aceite-se, mas estamos prontos para outra? Temos escolha realista? Um punhado de dias, apenas, de chamado isolamento social e anuncia-se já o descalabro económico, a economia de guerra, o terror. Uma crise como ainda não conhecemos. E nós estamos aqui a elaborar sobre o pensamento - ou coisa análoga - da jovem de dezassete anos, usando recursos não exactamente amigos do ambiente.

É-nos a todos possível regressar "à terra"? Temos todos uma horta a que recorrer (diga o que disser certa figura)? E já agora um poço farto e salubre chova muito ou quase nada. Temos todos a casa dos avós, já nem sabemos onde, ainda habitável? Milhões de urbanos - e de rurais - estão dispostos, ou de todo podem, de um momento para o outro, ir cavar a terra, trabalhar a bosta da vaca, abandonar as centenas de canais televisivos, a electricidade, a água corrente e quente e o telefone irrestritos e usados com um clique distraído e irrelevante, "os copos" nas movidas, as selfies nos sítios da moda e a meio mundo de distância, a banalidade de falar com toda a naturalidade e sem contar períodos com um familiar a meio mundo de distância (a jovem de dezassete anos saberá o que são, o que foram, "períodos"?), a roupa de marca, a electrónica que (se) exibe a maçã, a cozinha de autor, o carro que nos leva onde quisermos - ou precisarmos - sem egoisticamente pensar duas vezes; ou porque não há escolha praticável? É tal mudança viável sem ser num contexto de day after?

Admito que caminhemos todos para tal desfecho. Admito que ainda se consiga evitar o pior (o pior). Creio que há nas mutações em curso mais do que a acção humana. Mas suponho que para a jovem de dezassete anos estas questões sejam menores. O cenário num horizonte que se vai, parece, aproximando, é distópico. E as distopias, as romanceadas e as reais, sempre tiveram a sua vanguarda, a sua elite. A que nada falta.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu texto.

Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 01.03.20

«A Comissão Europeia tem um projecto aprovado para limitar as velocidades, obedecer às regras - quer se queira quer não. Os carros mais recentes já reconhecem sinais de trânsito, a partir duma data a determinar terão de lhes obedecer.

Haverá sempre quem fuja aos limites, como terá sido o caso neste acidente concreto. Há uma rede de especialistas que alteram motores e centralinas, e certamente cumplicidades nos centros de inspeção. Há clientes, certamente jovens.

Os fabricantes têm culpa, sim. Para mim há opções que não fazem sentido, como carrinhas com 600 cavalos ou utilitários com 400. Que um Lamborghini tenha 600 cavalos ainda faz algum sentido - pouco - mas que veículos cuja génese visou a practicidade e facilidade de utilização os tenham, não faz sentido. Basta olhar para um SUV e um Ferrari e logo se percebe qual é mais seguro a altas velocidades.

Agora temos os eléctricos, e continuo a não entender o sentido. O novo Lotus Evija tem 2000 cavalos. Mais modesto, um SUV Mercedes tem 600 - o que eu não entendo é, num carro eléctrico, sacrificar a autonomia, que nesse modelo será de 400 quilómetros. Não seria preferível ter 300 cavalos e 800 quilómetros de autonomia? Se o Evija é um laboratório rolante (500 cavalos por roda acarreta certamente problemas de tracção), o SUV é suposto ser prático.

Eu não sou contra os superdesportivos ou superluxuosos, mais tarde muitas das inovações chegam aos carros de gamas baixas e tornam-nos melhores. Tornar um carro de família numa bomba capaz de atingir velocidades ilegais em meia-dúzia de segundos parece-me contra-senso. De qualquer modo, irão circular num trânsito que pára mais do que anda.

Acredito que um dia será tudo autopilotado, e à medida que envelheço a ideia seduz-me - cada vez tenho menos paciência para o trânsito actual. Dito isto, a velocidade nunca me incomodou, nem a minha nem a dos outros - o “onde” é que me incomoda, há locais e circunstâncias em que 60 km/h são demais, e noutros 200 são relativamente seguros.

O que vai ser interessante no futuro é deixar de haver multas. Talvez por isso esse futuro nunca chegue.»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

 

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«Explique-me porque é que os médicos se recusam a ir trabalhar /preencher vagas em hospitais do Interior, sabendo, aqueles, que irão ser melhor pagos, e ter outras regalias, atribuídas, frequentemente, pelas autarquias, como habitação, etc? A culpa é dos privados ou da gestão caótica do SNS? Explique-me lá, porque é que o Estado continua com o regime de médicos avençados /outsourcing? Onde é que entram aqui os privados?

Os seguros de saúde têm sido adquiridos pelos cidadãos da, designada, classe média baixa, porque consideram que o SNS deixou de dar resposta à maioria dos quadros clínicos que os leva a procurar cuidados médicos (exemplos: como já aqui disse, três semanas, em média, para uma TAC, RM, ecografia, para patologias/quadros clínicos não urgentes, mas cuja morbilidade impede, frequentemente, os pacientes de levarem uma vida normal, piorando, a posteriori, de forma não dispicienda, o prognóstico/recuperação; exemplo: numa situação ortopédica o atraso no diagnóstico /tratamento pode implicar um período de fisioterapia mais longo e portanto mais dispendioso para o Estado).

Quanto ao resto estou de acordo. Vivemos num regime capitalista. Os bancos deveriam falir, ficando salvaguardados os depósitos até 200.000€ (acima do limite actual). Se são too big to fail não devem ser entregues a privados, tal como os monopólios naturais o não devem ser.

O que falta no Estado português é uma política de responsabilidade individual. Ou seja, em se provando má gestão da coisa pública deveria existir suspensão/despedimento e não esta jigajoga de serem, os funcionários públicos, mudados de serviço (exemplos: quando fazem "porcaria" passam das câmaras para as empresas municipais; quando criam buracos nas empresas municipais, estas são assumidas pelas Assembleias Municipais, porque a todos os partidos dá jeito; quando esgotam o limite legal de mandatos, como autarcas, passam para presidentes das Assembleias Municipais; quando jantam fora pedem recibos para pôr como despesas de representação...).

Há Lodo no Estado.»

 

Do nosso leitor Vorph Valknut. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 23.02.20

«Faz-me confusão discutir-se a eutanásia quando as insuficiências no Serviço Nacional de Saúde são cada vez mais frequentes e graves. Conheço o interior (a parte do território nacional a 200km do litoral) e o seu abandono. Em Beja há um cardiologista (ou havia, até há pouco tempo). O Hospital Distrital esteve um mês sem TAC. Em Lisboa tenho um amigo que se viu obrigado a recorrer ao privado para uma ecografia tiroideia, porque o hospital público, onde fazia questão de ser seguido, não a conseguia realizar dentro de um prazo aceitável (não era urgente, embora com uma tiroidite /hipotiroidismo dificilmente alguém consiga trabalhar). Coisas básicas.»

 

Do nosso leitor Vorph Valknut. A propósito deste meu postal.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 16.02.20

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«Mais do que o posicionamento do PSD no espectro político, o problema actual (parece-me no meio da minha ignorância) é um problema de geografia — a questão do domínio crescente do PS nos meios urbanos e a própria perda de influência do PSD nos meios rurais do norte e do centro do país de onde provinha uma boa fatia da sua fidalguia — que complementava as ligações às academias no Porto e nas universidades privadas que entretanto sofreram todas uma derrocada na sua credibilidade e até na sua utilidade.

O problema do PSD está ligado ao fim da percepção da existência do dinheiro europeu, ao enfeudamento de gestores do PS nos organismos que gerem os dinheiros dos QCAs, e à destruição e esvaziamento do interior que o PS vem operando há muitos anos através de organismos totalitários desenhados em Lisboa (como a Protecção Civil e as DRAs) que são mais uma instância do bloqueio que o Estado socialista e o municipalismo republicano da maçonaria suburbana está a fazer à sociedade civil fora das cidades. Nada pode mexer a não ser na órbita dos poderes autárquicos e do poder dos ministérios.

O PSD é péssimo nisso porque é um partido civil, de pequenos proprietários e comerciantes, e estoirou todo o capital de confiança que existia com os erros sucessivos de PPC e as mentiras de Paulo Portas (que defraudou irremediavelmente os 15% que votaram nele em 2011). O sinal mais evidente da anemia do PSD é o desinteresse pelos congressos do Partido, que costumava ser o benchmark da política nacional.

A última manifestação de confiança do eleitorado no PSD foi destruída por António Costa, não por mérito próprio mas pelo silêncio pactuante com que a comunicação social (e organismos maléficos como a agência Lusa) controlou a golpada eleitorial de António Costa — e a permanente auto-capacitação e auto-legitimização do Parlamento para legislar sobre coisas que não estavam nos programas eleitorais e que trouxe para a ribalta as demandas fracturantes e normalmente idiotas e incultas do PAN e do BE — porque são os filhos das madrassas públicas que estão agora a chegar ao poder.

Em suma, O PSD perdeu qualidade nos seus quadros, mas o PS também.

Agarrem-se, pá.

 

(Mais importante ainda: estou na dúvida se se diz auto-legitimação ou auto-legitimização).»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste meu texto.

Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 09.02.20

 

«A gente já não espera que os nabos fiquem mais espertos, ou os tomates mais robustos, ou as couves mais tronchudas, nem sequer os grelos mais espevitados, por obra e graça da ministra da Agricultura.

Mas, que diabo, um módico de inteligência social ou, vá lá, de simples e velho bom senso, dava jeito, pelo menos sempre evitava alguns constrangimentos à tão propalada moral socialista. Ou não?»

 

Da nossa leitora Fátima P. A propósito deste texto do JPT.

 

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«O mais fantástico é que, se disseres que és "socialista", podes adoptar as medidas mais hostis para quem trabalha, e mais favoráveis ao grande capital, que ninguém nos media te chateia; não há cá "manifs" nem vigílias, e ninguém quer saber se comprares ou arrendares uma casa a um construtor civil por um preço de favor (como foi o caso dos dois últimos edis de Lisboa). As pessoas que vivem e trabalham em Lisboa (como eu), e que têm um automóvel (que só uso ao fim-de-semana ou em férias e em deslocações para fora de Lisboa, quando não há alternativa de transporte público), já foram privadas do estacionamento gratuito (o alargamento dos passeios em Campolide custou-me €100/mês), do acesso a várias ruas (v.g. metade da Rua do Salitre, para descanso do "amigo" francês que lá investiu, e o quarteirão entre a Castilho e a Artilharia Um, para os clientes das prostitutas não estragarem as críticas dos "amigos" dos hotéis), e do próprio usufruto do espaço público: por exemplo, todos os edifícios da Praça da Figueira já estão licenciadas para hotel e, em Lisboa, parece não haver limite para o licenciamento de camas, nem para o número de voos e de cruzeiros, nem para TVDEs e autocarros de turismo, que, aparentemente, e a acreditar nos media, não entopem nem poluem as mesmas ruas das quais se pretende expulsar os lisboetas.»

 

Do nosso leitor JPT. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

 

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«Nos debates sobre mobilidade e vida urbana adoro os vídeos de introdução ao tema. Malta a passear a pé, a pedalar bucolicamente junto ao rio, a deslizar na trotineta ou a apreciar uma bebida na esplanada com os amigos.
As pessoas com tempo contado, com horários a cumprir, a correr de casa para o trabalho ou a ter de chegar à consulta a horas não existem.
Recuso-me discutir mobilidade com sacanas que têm motorista e só metem a peida num transporte público quando há campanha eleitoral.
Por outro lado, quem me dera aqui nas berças ter um metro que se atrasa ou um comboio que volta e meia é suprimido. Infelizmente contam Lisboa e Porto, houvesse cobertura jornalística das aldeias em redor destas zonas, mais gente perceberia o país atrasado em que vivemos, e que o transporte individual não pode ser descartado.»

 

Do nosso leitor Anonimus. A propósito deste texto do JPT.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 01.02.20

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«Fixei o nome do poeta, que me encanta, de uma bela forma: há uns anos, regressada de uma ida a Lisboa numa noite muito chuvosa, apanhei um táxi para casa e, já à porta, o motorista perguntou se gostava de poesia; como disse que sim, recitou um poema (que quero crer fosse o "Regresso", mas às vezes tenho memória de peixe) e disse o nome: Manuel António Pina. Só aí fixei e, apesar de já ter estado, uns tantos anos antes, com livro dele nas mãos, na livraria Poetria, na rua das Oliveiras, só o comecei a ler verdadeiramente depois da morte.

E são estas coisas que contam, os versos na parede e as boas palavras de quem nos traz o prato à mesa ou de um taxista que perde cinco minutos para dizer um poema a uma passageira.

E Manuel António Pina tem o condão de trazer a delicadeza das pessoas à tona. Na Bertrand, em Dezembro, comprei um livro de poemas escolhidos, que o meu pai levou até à livreira que fazia os embrulhos. Quando regressou disse-me: olha que o teu livro fez com que a cara da menina se iluminasse a olhar para mim, nem olhou para o Churchill, disse-me: "O senhor leva aqui um grande livro, sabe, o meu pai trabalhou com ele no Jornal de Notícias".»

 

Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.01.20

«O ensino está minado por um grande enrolo. Teoricamente, este modelo pedagógico que não penaliza com chumbos é mais saudável. Teoricamente, vai permitir que, no ano seguinte, o aluno retome do lugar onde ficou e vá evoluindo de acordo com um ritmo que é seu, individual, portanto. Teoricamente, permite que haja avanços significativos num ano ou em parte dele, que o aluno, digamos, desemburre de repente e ganhe novo ritmo sem que tenha sido penalizado com uma retenção.
Na prática, com o modelo de ensino que temos e que não foi minimamente adaptado à lei, não é possível individualizar o ensino a este ponto. São demasiados alunos para que um só docente dê conta de tanta aprendizagem individualizada. Os professores estão gastos por tanta reforma inábil, cansados de tanta burocracia inútil, fartos de tanto modelo de avaliação artilhado onde são simultaneamente avaliadores externos e avaliados, obrigados a formações em que se aprende quase nada, algumas em aparelhagens e modelos técnicos que nunca chegam às escolas. Acresce que os alunos são cada vez mais barulhentos e irresponsáveis. E os pais nem sempre se lembram serem eles os primeiros educadores dos seus filhos e que a luta pela educação dos alunos é processo conjunto, eles e os professores.
Sintetizando: prevejo esse fim dramático: a escola, que se pensou ser um meio de igualizar as diferenças, só ficticiamente o fará. No papel. O sinal menos que os mais pobres trazem de casa vai converter-se em sinal menos menos.
Sobre o mundo das explicações tenho outra opinião. Onde os pais têm um papel fulcral. Determinante. Mas não é coisa para desenvolver agora.»

 

Da nossa leitora Bea. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 12.01.20

«Por essa Europa fora os velhos partidos estão a desaparecer. Os que se abrem à sociedade são os que debatem a Europa federal liderada pela Alemanha e a manutenção do sistema do euro actual ou a Europa de nações soberanas com saída do euro ou com alteração da arquitectura do euro.

Claro que há excepções mas, sobretudo na zona euro, a confusão política domina a cena.

Em Portugal, não se fala de nada, não se discute nada que vá ao fundo dos problemas. Quando um país tem três falências do estado em menos de 40 anos, quando os bancos nacionais ou também faliram ou tiveram de ser salvos pelos contribuintes, quando correm há anos processos de corrupção da gravidade e dimensão que todos conhecemos, algo de mais fundo do que a gestão política corrente está mal. O facto de um qualquer governo fazer assim ou assado não traz senão pequenas alterações e até, eventualmente, nova falência. Está visto que as regras em que se baseia o funcionamento do sistema político só fazem o país andar para trás. O problema é que essas regras só podem ser mudadas por quem delas vem beneficiando há décadas.

Ganhe no PSD quem ganhar, se não for para alterar as tais regras (e eu não ouvi ninguém falar de medidas nesse sentido), bem podemos esperar sentados que algo de profundo melhore no país.»

 

Da nossa leitora Isabel. A propósito deste meu texto.


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