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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 20.05.19

«Terra ou terra?
A terra tem coisas boas. O meu irmão comia terra. Falta de ferro – opinou o pediatra que também era meu tio.
Eu preferi bosta de vaca, quentinha, acabada de fazer. Saí largado para casa e trouxe uma colher. Sentei-me no chão, bosta entre as pernas abertas e comi à colherada até que a Luzia, cozinheira da casa, me pegou ao colo horrorizada.
Há gostos para tudo. Talvez a comida aquecida fosse da minha preferência e, sobretudo, não arranhava os dentes.
Sabemos que a dieta tem consequências futuras. Tenho 1,80 m e o meu irmão ficou-se pelos 1,65. Prova que merda de vaca é melhor que terra crua.

E mesmo quanto à Terra, sou geólogo porque sempre me fascinaram os minerais e os cristais. E depois as falhas, as dobras e até o cavalgamento que o Canadá resolveu fazer à Península Ibérica. Fascinante!
Arrastou consigo os sedimentos que estavam no fundo do mar. Foram mesmo buldeziriados, dobrados, esticados e acamados numa série com centenas de metros de histórias para contar.
Esta é a Grande História de Portugal. Os sedimentos, assim esmagados e comprimidos transformaram-se em xisto. E nesse xisto, que consegue reter água mesmo em períodos de seca grave, se produziu o milagre do Vinho do Porto.

Quanto ao meu irmão, ficou-se pelo curso de História. Do Vinho do Porto apenas sabe uma coisinhas do Marquês de Pombal e da chegada dos ingleses para o comercializar.
Fica para sempre o civismo e simpatia dos portuenses, mesmo com palavrões à mistura. Talvez tenham sido os ingleses a tornar única esta cidade que não é nem parece mediterrânica. É atlântica. Adoro-a e não sou de lá.»

 

Do nosso leitor José Carlos Menezes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 13.05.19

«Ainda há gente a julgar que a escola não serve para educar e [é] só para informar; mas a função da escola é mesmo educar (informar e formar). A vertente formativa tem maior incidência nos pais ou em quem os substitua, pertence-lhes naturalmente, tem mais contactos com a criança ou jovem e dá-lhes as primeiras ferramentas de adaptação ao mundo social, cria com eles laços que propiciam a modelagem; a vertente formativa acontece na escola e em todas as instituições que a criança frequente, pessoas com quem contacta e a quase tudo que a rodeia. É claro que cada um destes meios tem a sua quota de responsabilidade na educação dos jovens de acordo com o tempo que eles nelas permanecem. A escola será, a seguir à família próxima, o meio privilegiado em que permanecem mais tempo. Recusar-lhe uma quota de responsabilidade, não faz sentido. Como não faz sentido elidir a quota familiar responsabilizando apenas a escola pela falta de formação ou deformação dos jovens. A educação é um processo conjunto, uma interpenetração de factores sem função supletiva. A escola é a sede da informação e a família a da formação, mas uma e outra educam e jogam dados no terreno da outra. O trabalho conjunto beneficia ambas.»

 

Da nossa leitora Bea. A propósito deste postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.04.19

«Aquilo deu brado, os ânimos engrossaram, passou à rua e daí à praça.
Sempre em cima do acontecimento o BE plantou-se lá e disse que era sempre a mesma vergonha, que era por situações destas a inferiorizar a mulher que nunca íamos passar de um país do terceiro mundo. Empunhavam grandes cartazes, "Ao sexo obrigada mulher traumatizada"; "Sexo sem compromisso a mulher é um sorriso"; "Se tua mulher queres amar troca o sexo por massajar".
Aquilo despertou dolorosas recordações numa alminha que queria falar e a quem ninguém ligava, que subiu para um palanque e disse que não, que massajar era capaz de ser nefasto para a mulher. "A mim o meu marido uma vez fez-me uma massagem às mamas que fiquei com elas uma desgraça, que durante mais de quinze dias ninguém podia tocar nelas."
Bruno de Carvalho disse saber muito bem de onde aquilo vinha, que era mais uma maquinação bem-estruturada do Benfica para desestabilizar o Sporting, mas agora não tinha tempo para grandes explicações e ia já para o Face elucidar o povo.
Instado a pronunciar-se, Jorge Jesus disse: "Tem boas cartristicas defensivas e deiamo a mim que faço dele um grande médio ofensivo.
- Mister, não é futebol. É educação sexual.
- Voceses fazem mas parguntas a mim e depois querem qeu vos rasponda o quê?
Depois não sei a que consenso chegaram porque a polícia de choque chegou e carregou sobre a malta, e eu vim-me embora.»

 

Do nosso leitor Corvo. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 22.04.19

«Tenho de acreditar nalguma coisa, exige-mo a minha racionalidade.
Não posso aceitar, como ser pensante que sou, que seja um acaso a justificação para o meu aparecimento neste mundo. Nem eu, nem a humanidade nem o universo.
Um acaso? E o que é um acaso? Um acaso é um argumento muito fácil para nos desembaraçarmos de perguntas incómodas. Foi o acaso e está feito.
Mas mesmo que fosse: vamos hipoteticamente aceitar esse acaso como a criação de tudo. E o que é? Quem tornou esse eventual acaso uma realidade criadora? De onde surgiu? Como se formou? De onde veio e apareceu?
Para mim, e unicamente para mim sem questionar nem contraditar opiniões contrárias, portanto para mim e para o que a estrutura da minha racionalidade diz, dado que do nada se obtém nada, então houve alguém ou alguma coisa que criou.
E só encontro uma explicação. Inteligência. Uma inteligência muito grande, imensa, de enormidade tremenda e infinita preenchendo todo o espaço cósmico, o nosso e aquele que não conhecemos.
Assim, em meu entendimento, faz algum sentido a religião quando diz que Deus (Inteligência) está aqui, está ali e em toda a parte.
E nós também fazemos parte dela porque, vá-se lá saber porquê, parte dessa inteligência, uma migalha como uma gota de água derramada nos oceanos, foi-nos concedida. Chamemos-lhe alma, ou espírito, como quisermos.
Volta a ter algum sentido para mim quando a igreja diz que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança.
Não vejo muito bem para quê se só a utilizamos para destruir, e provavelmente seria muito melhor se fosse aplicada numa mosca ou numa barata, mas pronto. Foi assim e assim será.
Talvez para que possamos ser responsáveis pelos nosso actos. Deve ter sido. Ninguém pede responsabilidades a um gato que saltou e rasgou a cortina.
Isto é Deus para mim. Inteligência.»

 

Do nosso leitor Corvo. A propósito deste texto do João Campos.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 14.04.19

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«Repare-se num detalhe curioso. Há uma assimetria flagrante entre o caso de Maastricht e o Brexit. Naquele caso, ter-se-ia realizado um referendo depois do tratado ter sido escrito; aqui, as pessoas foram chamadas a pronunciar-se sem fazerem a menor ideia das modalidades do leave. O mais estranho é ninguém se ter lembrado de exigir que o referendo se realizasse apenas depois de conhecido os detalhes de um eventual acordo de saída. Assim se vê que, neste caso, com referendo e tudo!, e ao nível estritamente nacional, as políticas também estão a ser ditadas à população por uma elite que lhes é alheia. É preciso uma grande dose de ingenuidade para acreditar que uma espécie de mão invisível representando a solidariedade nacional - personalizada pelos governantes e deputados britânicos e habitués da City - virá em socorro das classes populares e num passo de mágica (leia-se acordo de saída) resolver as suas demandas. Ainda por cima, sabendo que essa elite tem um multiforme conflito de interesses com o leave. Melhor seria pôr a raposa a guardar o galinheiro.»

Do nosso leitor Miguel. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 08.04.19

«Não vejo o que é que a situação descrita tem de censurável em termos de ética política. Primeiro, fui eurodeputado por eleição e não por nomeação; segundo, quem me convidou para candidato não foi o Governo, muito menos minha mulher, mas sim o secretário-geral do PS, nessa qualidade; terceiro, não consta que os direitos eleitorais, protegidos pela Constituição, fiquem suspensos pelo facto de se ter um cônjuge no Governo, que aliás não depende do Parlamento Europeu; por último, nem eu nem minha mulher éramos, nem somos, membros do PS, pelo que não podemos ser parte da chamada "endogamia do PS" (quando muito somos testemunho da sua "exogamia"). Como defendi publicamente, a questão da ética política só se coloca em relação à nomeação de familiares dos próprios membos do Governo, ou de outros membros do Governo.»

 

Do nosso leitor Vital Moreira. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 31.03.19

«Porquê um dia estabelecido para os pais? Que define ou que propósito justifica? Amam-se mais as crias nesse dia, ou elas mais os progenitores?

No que particularmente me concerne, os outros não sei, a minha experiência enquanto pai foi a que a minha indelével mulher promulgou. Tanto para a família como para a prole.


Nos casos em que a minha participação opinativa se evidenciava por ignorância, ou brilhava por desnecessária, não falhava:

- Sai! Não te metas! Deixa as MINHAS filhas!

(Dia da mãe.)

Nos casos ligeiramente mais problemáticos, aí acertava em cheio:

- Estás à espera de quê? Mexe-te e vai lá resolver o assunto das TUAS filhas.

(Dia do pai.)


De resto não estou a ver muito bem qual a necessidade de um dia determinado para um ou outro progenitor.

E um domingo para dia do pai, como o Pedro preconiza, é que não vejo mesmo nada em que isso possa reforçar a relação entre progenitor e o rebentinho, e muito ao invés estou mais virado para a ruptura total.

Domingo há futebol e não estou a ver qual o pai neste país que, em seu perfeito juízo, o pretira a favor do empecilho que por ali ciranda a tagarelar como um papagaio.

"Logo hoje é que se lembrou de mandar para cá o cachopo. Raio de mulheres, nunca se pode contar com elas."

 

Portanto, domingo nunca. Se as mais das vezes a sintonia conjugal já se encontra meio periclitante, não vai agora o Pedro, dar-lhe o empurrão decisivo.»

 

Do nosso leitor Corvo. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.03.19

«Exclusão e rebaixamento do outro. Rebaixamento este tanto maior quanto maior for a veneração de um Passado, na maioria das vezes mítico, na maioria das vezes construido à custa do Outro. Aliás a união nacionalista sacrifica o futuro, raiz de toda a decrepitude, no altar do Passado, simbolo da imaculada virtude - venera-se um passado mítico e nunca verdadeiro. Daí o nacionalismo ser o regime da emoção irracional, da adoração fanática de símbolos, de mitos, de figuras irreais - o orgulho nacional provém mais de um Ser imaginado, morto, do que um Real, presente e vivo. O Nacionalismo nasce do Romantismo e como este tem sempre na Morte, no Sacrifício, no Martírio o seu leitmotiv.

Tem sido esse o grande problema português, pois verdadeiramente somos vincadamente nacionalistas pois grande e longo é o nosso Passado, a nossa história, em grande parte mítica, criada por romancistas e não historiadores. Habita ainda no nosso inconsciente colectivo o Portugal Imperial, que amargamente nos serve de comparação ao canto ibérico que somos. E daí advém o nosso insidioso mal-estar. Não sermos capazes de esquecer. Não sermos capazes de andar para a frente sem olhar para trás. Daí o tropeço.»

 

Do nosso leitor Pedro Vorph. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 18.03.19

«Se não concordou, é porque não percebeu o cerne da questão: se forem às aulas não salvam o meio ambiente e os seus netos não terão onde viver no futuro, quanto mais meras aulas; mas se faltarem às aulas agora para chamar a atenção, pode ser que algo mude e salvemos o meio ambiente a tempo dos seus netos ainda poderem ter onde viver em condições.

Próximo passo: boicote ao fabrico de automóveis a combustível fóssil (sim, a Autoeuropa não é uma coisa boa, por mais empregos que "crie" atualmente), greve contra orçamentos que se preocupem mais com o défice do que com investimento em energias renováveis e transportes públicos (porque sem planeta, então é que não se paga dívida nenhuma) e campanhas para diminuir drasticamente o consumo de carne, e já agora de peixe (mais refeições sem esses elementos não são sinal de pobreza, mas sim de consciência).

Se um dia ainda for a tempo de perceber, faça greve também ao trabalho às sextas à tarde. É este o próximo passo deste protesto. É que se forem só os adolescentes, então as mudanças necessárias não serão feitas a tempo da nossa salvação.»

 

Do nosso leitor Carlos Marques. A propósito deste texto do JPT.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 09.03.19

 

«Quanto aos cães... a História da Humanidade é a História do Cão. É tudo o que tenho a dizer sobre o assunto.»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 02.03.19

«Com tudo o que ultimamente vemos, ouvimos, sabemos e nos é imposto tomar conhecimento, tendo cada vez mais a pensar que o animal humano entrou em retrocesso. Acredito que num milénio ou dois poderá muito bem acontecer um regresso aos pântanos, se os protozoários, as algas e os fungos nos permitirem o regresso.
Regressar às cavernas, alagadas com o degelo dos glaciares entupidos numa imensidão de detritos e carcaças putrefactas, não é de todo provável. Regressar às árvores? Quais? Às que cortámos desenfreadamente por ganância? As que queimámos ou que deixamos arder por incúria?
Regressar ao pó? Ao pó de muitas erosões que torneia no ar de um qualquer lugar num tempo mumificado e seco, em que a ideia de água é uma miragem?
Que tipo de animal é capaz de se suicidar lentamente e sem propósito na terra queimada em que tornou um mundo triste e consumido que era o seu?»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.02.19

«São agora duas formas de falar o português, de tal forma que já não digo 'Português do Basil', digo Brasileiro, referindo-me à língua. Basta conviver com aquela malta (e o meu genro, papai da minha neta, é um desses casos) para perceber que não percebemos metade do que dizem: autonomizaram-se, e a vastidão do seu território (pensemos assim: a região do Pantanal tem sensivelmente o tamanho de Portugal, e é pouco habitada...) ajuda à vastidão do vocabulário, nomeadamente porque a língua reporta para o que nos corcunda, o que fazemos, etc., e temos realidades absolutamente distintas, donde...

Às vezes, falando com o Fellipe, não percebo metade do que diz, mas ele percebe tudo o que digo.

Depois, há que perder, de uma vez por todas, a aura do Portugal colonizador, essa bela porcaria, quando o Brasil é uma miscelânea absoluta: posso pegar no nome do meu genro, por exemplo: origens? portuguesas, africanas, alemãs, italianas, francesas e, motivo de muito orgulho, neto de uma pura Tupi-Guarani (não é à toa que defendo cada vez mais a miscelânea das gentes, que, aliás, produz belos espécimes: a minha neta tem um olhar asiático, a pele clara, um sorriso de desmaiar e, claro, fala incongruências lindas, aos 11 meses, mas seguramente terá o melhor dos mundos - muito mundo - dentro de si).

Ninguém se desviou do tema, que o tema é uma mescla (não será à toa que os brasileiros riem de ventre para cima com a treta do AO-Coiso).»

 

Da nossa leitora Alexandra G. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 16.02.19

«Um governo de maioria é mais responsabilizado politicamente pelo (in)sucesso governativo do que um minoritário. Se o resultado da governação não decorrer conforme o desejado pode ser usado "o bode expiatório" das exigências da oposição, ou culpar as "forças de bloqueio" pelo insucesso governativo. Quanto às cativações nos governos minoritários, são um instrumento orçamental frequente, apenas, se os parceiros de coligação/de negociação orçamental forem fracos, desleais com o seu eleitorado (daí o termo geringonça se encaixar que nem uma luva ao actual pacto parlamentar). A preocupação primeira do BE e do PCP, ao aprovarem sucessivos orçamentos "aldrabados/cativados" do PS, é a de manter afastado do Poder o PSD, e não a implementação, no orçamento, de politicas que traduzam as preocupações reais do seu eleitorado. Só assim se percebe que não mujam nem tussam com as frequentes cativações a que temos assistido, conducentes à degradação da administração pública, sector tão caro dos partidos de extrema esquerda. ( imaginemos, perante o actual caos nos serviços do Estado e a falta de investimento público, a gritaria, no Parlamento, da extrema esquerda não democrática, se no governo estivesse um partido de Direita democrática) . Em qualquer outra coligação, dita séria e não numa geringonça, a cativação recorrente seria um instrumento que poria em causa a aprovação de um orçamento negociado e por isso uma medida de excepção. Não se pode obviamente concluir que nas coligações as cativações possam ser um instumento para fazer aprovar um orçamento, bem pelo contrário. Ao fazerem-se cativações não se cumpre o acordado com os parceiros de coligação parlamentar.Hipócritas.....também eu me desvinculei no final do ano passado.»

 

Do nosso leitor Pedro Vorph. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 10.02.19

«É lamentável que o autor do post venha aqui heroicizar o comportamento machista de seu irmão, acabando por perpetuar estereótipos de paternalismo verdadeiramente nocivos para a causa do empoderamento das mulheres.
Ao contrário do que aqui se insinua, a verdade é que nenhuma mulher precisa que um qualquer homem a defenda, a proteja, ou tome por ela partido (para isso é que existem as leis, a justiça, e as autoridades). Há que exterminar de vez esse pensamento condescendente doentio e vexatório que continua a discriminar o sexo feminino na sociedade hodierna. Abaixo o patriarcado ocidental e o machismo benevolente indecentemente disfarçado de cavalheirismo. Vivam as mulheres fortes, independentes e superiores!»

 

Do nosso leitor Sampy. A propósito deste texto do JPT.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 03.02.19

«Em 2017 o crédito pessoal, excluindo habitação, foi de 6.192 milhões de euros. De 2018 ainda não há dados oficiais, mas sabe-se que aumentou. Entre 2007 e 2017, com a crise pelo meio, o total de crédito ao consumo foi de 73.964 milhões. Mais ou menos 21 vezes a capitalização bolsista do BCP. O malparado ronda os 5% para o período, ou seja, 3.698 milhões, o que não é mau, embora seja um BCP inteiro - digamos que os portugueses até são cumpridores.

Os números são de molde a criar problemas se acontecer uma situação adversa. O crédito pessoal, crédito ao consumo, é quase irrecuperável, só com penhora de salários, o que implica defaults no crédito à habitação. Há outros números difíceis de contabilizar, porque para os bancos é preferível refinanciar do que reconhecer o malparado, e esses dados não são fáceis de encontrar. O malparado real é decerto muito superior aos 5%.

Em 2007 a taxa de esforço das famílias era superior a 100%. Não sei como está hoje. Se os bancos estiverem a fazer o que sempre fizeram, a empurrar potenciais defaults para o futuro, e se criar uma conjuntura adversa, então sim, o crédito para tvs, smartphones, nintendos, e afins, só por si é suficiente para despoletar uma crise, pois arrasta o crédito à habitação e o contrair da economia arrasta o crédito às empresas.

A economia normalmente quebra no elo mais fraco, que são os consumidores. Se a culpa é deles ou dos bancos, é um tema a debater. Pessoalmente, vi uma pessoa fazer um crédito para compra de um perfume, e digo que isso mina a minha confiança no juízo dos meus compatriotas.»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 26.01.19

«Vivo a 300 metros deste bairro. Fui durante vários mandatos autarca no Seixal. Este bairro é um esqueleto no armário da CDU. Podiam ter resolvido o problema com o primeiro PER (anos 90?), primaram pela inércia. Em tempos quiseram realojar estas pessoas numa zona de quase-ninguém o que motivou protestos dos poucos moradores das vivendas assustados com a construção de um bairro social, depois disso o silêncio...
Em muitos orçamentos da Câmara Municipal do Seixal a quantia para habitação social era absolutamente irrisória.
As oposições no Seixal foram impotentes, porque minoritárias, para resolver o problema. O PCP/CDU deixou apodrecer o bairro no meio de muita retórica e promessas não cumpridas. Porquê?
Na Jamaica vivem pessoas pobres e trabalhadoras na sua maioria. Pessoas revoltadas porque aquele bairro, com a sua extrema falta de condições, é um péssimo cartão de visita para os bancos, para os empregos, para os colegas... Mais do que a cor da pele, é o bairro e a pobreza a ele associada que é factor de discriminação.»

 

Da nossa leitora Catarina Tavares. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 20.01.19

 

«Há aqui dois pontos passíveis de consideração:
- o primeiro é o aumento da frequência com que contactamos com línguas estrangeiras: viagens, permanências no estrangeiro, trabalho em multinacionais, operadores turísticos, uso dos media. O processo de captação e domínio de outras línguas passa também por esse aspecto de confusão e troca de vocábulos, tanto mais nítido quanto menos sólida e extensa tiver sido a formação na língua materna.
- há também a nobre tradição do jargão académico, pujante nas nossas universidades e já indissociável de campos do saber como o Direito, em que a vontade de não se fazer compreender aliada à necessidade de se cumprir metas de número de caracteres nos ensaios a entregar acaba por descambar em invenções vocabulares dignas de constar no Guinness.»

Do nosso leitor Sampy. A propósito deste meu texto.

 

..................................................................................

 

«O episódio não tem nada a ver com política, nem com esquerda versus direita, nem com a pergunta feita ou a resposta obtida, nem com Mário Machado ou o que pensa ou deixa de pensar. É simplesmente um momento de uma guerra comercial entre estações de televisão que lutam pelas audiências e que usam todos os meios ao alcance para se superiorizarem à concorrência. Mas, claro, o português pacóvio depois vai atrás da inflamação política da treta, encenada por todos os intervenientes para distrair a populaça, com assuntos que estão a léguas do tema principal. O telefonema de Marcelo Rebelo de Sousa para a jovem Cristina que se passou da TVI para a SIC e depois para o coitado do Roberto Leal são outro tanto da mesma coisa. Entretenimento para a populaça se distrair do essencial. Migalhas de pão e muito circo, com animais daqueles que falam e tudo... paupérrimo.»

 

Do nosso leitor João Gil. A propósito deste texto do João Pedro Pimenta.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 13.01.19

«"O alheamento quase total desta cidade que anda de costas ostensivamente viradas para a cultura." Esta frase tocou no ponto e fiquei triste com o post... Lisboa tornou-se demasiado fútil de repente (é claro que como reflexo de tudo no geral), e por isso é que agora, passados doze anos lá, me vim embora. Perdeu-se a essência da cidade (que era mais do que cultural), mas também as pessoas perdem valores a cada dia que passa, e por opção. Vão exclusivamente aonde se tira a fotografia mais fashion  para exibir, e é óbvio que o tempo a publicá-la e a trabalhar o seu "fake self" online será prioridade em relação a ler um livro. É claro que cada um sabe de si e tem o direito a gastar a vida como entende, mas os resultados ficam à vista enquanto sociedade. E acho que ainda nem se viu nada... Também lamento, para dizer o mínimo.»

 

Da nossa leitora Isabel Pinto. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 23.12.18

«Reconheço na iniciativa da Magda e do David um gesto de enorme altruísmo. Porque isto deve ter dado um trabalhão... Mas acima de tudo porque dão a conhecer outros espaços, alguns deles bem interessantes.
Obviamente que votei no DELITO, que continuo a pensar que é um exemplo na blogosfera. Pela pluralidade de opiniões, pela qualidade dos textos e acima de tudo pela enormíssima capacidade de diálogo entre os escritores e comentadores.
Um justo prémio para todos os delituosos. Estão todos de parabéns!»

 

Do nosso leitor José da Xã. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 15.12.18

 

«Quem nunca leu Homero e Platão não sabe sequer ler.»

 

Do nosso leitor André Miguel. A propósito deste meu postal.

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    142. N
    143. D