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Delito de Opinião

O comentário da semana

Pedro Correia, 11.07.21

«A pandemia introduziu um novo conceito de democracia em Portugal.

A nossa democracia é uma democracia medicinal.

O nosso povo é livre de fazer o que a direcção-geral de saúde mandar.

Será que também será preciso mostrar um certificado covid ou fazer um teste quando formos votar em Setembro?

E porque não aproveitar os restaurantes para administrar as vacinas? Assim, quem não tivesse o certificado, levava a vacina enquanto esperava pela sobremesa.»

 

Do nosso leitor Carlos Sousa. A propósito deste texto da Maria Dulce Fernandes.

O comentário da semana

Pedro Correia, 04.07.21

«O liberalismo pode ser político e/ou económico enquanto o neoliberalismo é apenas económico.

O liberalismo aparece no séc. XVIII como oposição ao mercantilismo. O neoliberalismo aparece na segunda metade do séc. XX como oposição ao Keynesianismo.

Mas a diferença principal é que o neoliberalismo está comprometido com a globalização: livre circulação de capitais estrangeiros, eliminação de pautas ou entraves ao comércio mundial, favorecimento de empresas multinacionais.

Parece-me equilibrado dizer que o actual liberalismo em Portugal tem pouco de neoliberalismo, maioritariamente defende o liberalismo político e nasceu como reacção ao socialismo "grosso modo" entendido como estatismo (50% ou mais da economia nas mãos do Estado).

Simplificadamente (muito) o liberalismo nasce com Adam Smith e tem como referências modernas a escola austríaca (Ludwig v. Mises e Friedrich v. Hayek) enquanto no neoliberalismo a referência é Milton Friedman e a escola de Chicago.

 

Entendo que se pode ser liberal e não ser neoliberal. O neoliberalismo pode e muitas vezes é perverso. Por exemplo a aposta nas empresas multinacionais sem as defesas do liberalismo político que ignora, pode pôr e está a pôr em causa a própria liberdade.

Veja-se o que está a acontecer com as grandes empresas digitais que sistematicamente violam direitos individuais.

Pior ainda, a pretexto de justas tributações sobre essas empresas, os Estados estão a adquirir mais poder e esse maior poder vai necessariamente reduzir a liberdade individual.»

 

Do nosso leitor Francisco Almeida. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

O comentário da semana

Pedro Correia, 27.06.21

«O desgoverno é uma forma de governo. Não há nada de mal na declaração de Ferro Rodrigues, a não ser que a consideremos no contexto do desnorte sobre o tema cansativo da covid.

Em boa verdade as duas mais altas figuras do estado já nos vieram dizer por actos e por declarações públicas que estão cansadas de manter esta canga sobre os cidadãos e que a acham injustificada. Demoraram para evidenciarem aquilo que é um sentimento generalizado, mas que ainda não conseguiu romper a subjugação pelo medo a que o povo tem sido sujeito de maneira laboriosa e planeada fará dois anos não tarda.

A covid tornou-se um óptimo negócio. Os bons negócios que dão dinheiro e poder sobre as pessoas são obviamente para manter. Quanto maior for a destruição, mais generosa pode ser a bazuca. E 80% dela vai direitinha para o estado.

Trabalhar para quê? O problema já não é o vírus, é a virose.»

 

Do nosso leitor João Gil. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 13.06.21

«Anteontem a minha filha mais nova apareceu com febre. Para não ficar doente e sozinha em Lisboa (o irmão tem que trabalhar) fez um teste rápido que deu negativo e pediu-me para a ir buscar (vivo numa quinta a 75 km de Lisboa). No caminho parámos no Centro de Saúde onde conseguiu uma consulta de urgência por causa da baixa mas a médica mandou-a fazer um teste PCR. Como tinha um casamento amanhã e hoje era feriado não havia laboratórios disponíveis e lá fomos à CUF de Santarém. Esta manhã veio o resultado: positivo.

Ainda tive esperança que fosse um falso positivo, frequente nos testes PCR com ciclos altos mas dois outros amigos que estiveram com ela noutro casamento no sábado passado informaram que também estavam infectados.

Como o irmão tinha vindo passar o feriado connosco - tranquilizado pelo teste rápido negativo - agora estamos os quatro na trampa. A minha mulher foi vacinada há dias (ainda não pode estar imunizada) eu vou (ia?) receber a segunda dose daqui a uma semana, o meu filho ainda não está agendado e tem trabalho com prazos. Eu e a minha mulher fazemos anos para a semana e lá se foi o programa. Para complicar estamos a meio de uma remodelação com duas pessoas a trabalhar mais uma mulher-a-dias imprescindível pela porcaria feita nas obras.

Pouco tem a ver com o postal. Nem festejos futebolísticos nem noitadas de copos mas a base é semelhante: gente nova saturada a conviver em casamentos que estiveram adiados. E lá aumentam os números de Lisboa e Vale do Tejo.»

 

Do nosso leitor Francisco Almeida. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 30.05.21

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«Como houve, há, pandemia, a final foi em Portugal. País que pelo futebol e pelo turista reles, em quem apostou como alvo principal do seu mercado de turismo, se sujeita a qualquer abuso, a toda a humilhação. E trata os seus nacionais, os portugueses, como verdadeiros imbecis. Há uns dias, na final da taça de Portugal, nem pensar em público; hoje, diz-se num canal de televisão, foi negada a autorização para quinhentas pessoas assistirem a uma final nacional de râguebi. Porque, parece, não se podia então garantir a "bolha" que agora estava mais que garantida. Viu-se e vê-se.

Até a UEFA manda nesta soberana república. E uma vez mais, sob o manto protector da toda-poderosa bola, organizações e indivíduos estão arrogantemente acima da lei. O secretário de estado do Desporto seguirá presumivelmente o seu percurso; a DGS, idem. O desgoverno da nação, idem. O que aliás será muito natural. Governados por um PS mais e mais voltado à esquerda, acolitado por dois partidos de extrema-esquerda, é suposto que o povo esteja como está: amedrontado, calado, obediente, sem discutir, aceitando submisso o que a vanguarda revolucionária entende impor-lhe. E hoje, o proprietário de um café, no Porto, fechava o estabelecimento bem mais cedo do que aquilo a que a lei (ela própria o disparate que se sabe) o obrigaria, por ter esgotado horas antes os mil litros de cerveja de que dispunha. No estrito plano do negócio imediato, portanto, um sucesso. Sob os esforçados e patrióticos auspícios do partido socialista.

Um sucesso em que o português cumpriu o seu papel: o de empregado de mesa. E empregado de mesa de um cliente rasca, bêbedo compulsivo, sem modos. Mas o português gosta disso.

Está tudo bem assim e não podia ser de outra forma.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste texto do João Pedro Pimenta.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 23.05.21

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«Foi a época da energia abundante ao preço da chuva, dos herdeiros do Infante D. Henrique, do Colombo e do Far West. Esse optimismo expirou por volta de 1970 com a divulgação do Relatório Meadows, conhecido erroneamente como relatório do clube de Roma (na verdade, foi produzido por malta do MIT a pedido do clube de Roma). É de notar que os redactores desse relatório não fizeram previsões para a evolução da sociedade, pois isso é impossível e eles sabiam-no muito bem. Eles estudaram cenários hipotéticos, o mais plausíveis à época.

 

A traço grosso, as conclusões do estudo desses cenários foram:

1- As modalidades de crescimento indefinido (demográfico, consumo energético e de matérias-primas) levam ao esgotamento irreversível dos recursos (energéticos, mas não só) não-renováveis (o que constitui uma conclusão evidente, uma mera tautologia) e a uma degradação prejudicial à produtividade dos ecossistemas resultante da poluição e sobre-exploração crescentes;

2 - Extrapolando a partir dos ritmos observados em 1970, o colapso do sistema seria de esperar, não para daqui a milénios, mas já em meados do século XXI (esta foi a surpresa, mas mesmo essa surpresa é indevida pois já no século XIX os ingleses estavam cientes da inevitabilidade do esgotamento do carvão extraído na Grã-Bretanha, e nisso foram corroborados durante o século XX).

 

Hoje toda a gente sabe isto, mesmo os que o negam. Consumimos mais do que o planeta produz (estamos a esgotar as nossas "poupanças no banco"), já passsámos o pico do petróleo convencional e, por issso, o rátio entre energia extraída e energia consumida durante a extracção é uma função monótona decrescente (e quando descer abaixo de um acaba o jogo).

O consumo de combustíveis fósseis estagnou na Europa já há uma década e é essencialmente por isso que o crescimento económico gripou. Quando o consumo de combustíveis atinge um planalto, o número de máquinas a trabalhar atinge outro que lhe corresponde (o padeiro já não tem espaço no forno para tirar mais croissants para alimentar mais) e a economia que roda à custa das máquinas estagna também. À estagnação seguem-se as narrativas apocalípticas.

 

Ah, resta-nos desvendar o enigma da esfinge: a criatura capaz de reconhecer a sua própria natureza quando ela lhe é ensinada, mas que soçobra presa de pulsões niilistas quando ela lhe é ocultada.»

 

Do nosso leitor Miguel. A propósito deste meu texto. 

 

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«Cinquenta anos de optimismo e felicidade de plástico prometida nos spots publicitários. A crença absoluta no domínio do homem sobre a natureza. Tão desajustada quanto o entretenimento e a ficção sórdida que procura colmatar desejos de negritude e alegado realismo na vida dos derrotistas.

Uma população ocidental a viver grosso modo em melhores condições físicas do que há cinquenta anos - e uma opinião pública educada há décadas no facilitismo e na falta de juízo crítico. Não é de educação formal nem de erudição que falo; essa preocupa-me bastante menos, mas da falta de noção do comezinho. Da falta de consciência do peso de cada um na sociedade, da sua responsabilidade, das suas obrigações. Já que dos direitos a maioria dos cidadãos ocidentais parecem bastante conscientes. A desejável reivindicação de maior justiça social e respeito pelos direitos fundamentais foi desvirtuada e transformada em fonte inesgotável de egoísmos e bandeirinhas folclóricas. Conduziu também à necessidade de sempre culpar o outro, por total incapacidade de reconhecer a própria responsabilidade ou pela crença na inexistência de razões naturais e fortuitas – não assacáveis aos homens.

A ressaca do confronto com a realidade origina tremendas frustrações que conduzem a um chinfrim contestatário onde ninguém se entende, à falta de autoridade dos Estados, aos radicalismos e à proliferação dos distúrbios mentais – é uma maçada, mas nem sempre há outros disponíveis para o sacrifício, para assumirem a culpa que não é sua. Nem a natureza se comove (sempre) perante os caprichos humanos: igual a si própria dizima mais de três milhões de seres humanos de uma assentada, como se dissesse "presente, estou aqui" perante um mundo distraído entre contabilizar o número ou as razões aparentes para tantas mortes e o desejo de retoma à "normalidade" e às catadupas de slogans inconsequentes.

 

Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 16.05.21

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«Há dias li, numa entrevista, uma frase do escritor timorense Luís Cardoso a propósito de um seu livro O Plantador de Abóboras:

"O passado é um lugar estranho quando se sai dele como se nunca lá tivesse entrado."

Para lhe dizer que guardo do Belenenses bonitas recordações. A família era vermelha na sua maioria, havia um tio belenenses, havia um tio sportinguista. O meu avô, tirando ele, apenas permitia que o tio do Belenenses me levasse à bola. Os jogos eram no velho Estádio das Salésias e metiam lanche.

Um ano, tão longe esse ano, fui com o meu avô ver o Benfica-Atlético. Ao mesmo tempo, nas Salésias, o Belenenses preparava-se para vencer o seu segundo campeonato. Bastava o empate. Diz a lenda que José Pereira, o pássaro azul, terá dito ao Martins, avançado-centro do Sporting: "Eu saio daqui em ombros, tu sais de carroça." É quando, quase no tombar do jogo, Martins faz o segundo golo do Sporting e impede o Belenenses de ganhar o campeonato.

No estádio da Luz, nos rádios a pilhas ouviu-se o golo do Martins, apenas dois anéis, não estava cheio, mas o relvado foi invadido e ouviram-se foguetes lançados por aqueles que acreditam sempre. Lembro-me do Germano central do Atlético, que na época seguinte iria para o Benfica, a ajudar a pôr aquela gente fora do relvado para que o jogo tivesse um fim. Lembro-me do meu avô perguntar porque não estava contente e o meu silêncio a marcar a tristeza do meu tio Belenenses, Carlos de seu nome. Ainda o meu tio sportinguista, Angelino de seu nome, a dizer ao meu avô: "O pai nunca se esqueça que o Sporting deu-lhe este campeonato!"

O passado é mesmo um lugar estranho.»

 

Do nosso leitor Orlando Tavares. A propósito deste texto da Maria Dulce Fernandes.

O comentário da semana

Pedro Correia, 25.04.21

«Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é glorificado. Ele que falou pelos Profetas.

Assim a profética judaica está incorporada no cristianismo, sendo quase universal pois esta parte do Credo é, no geral, comum a católicos, protestantes (a grande maioria), ortodoxos e orientais.

 

O cristianismo, antes de chegar a Roma, expandiu-se na Grécia. Os evangelhos, como os conhecemos, foram escritos em grego e o mesmo se diga das epístolas de S. Paulo. Grega era igualmente a cultura dominante das romanos.

Esta dominância grega foi contestada em ramos originários cristãos no Médio Oriente que a consideravam uma deturpação do verdadeiro cristianismo e, por maioria de razão, contestaram a versão romana estabilizada em concílios depois de Constantino. Esses ramos na maioria extinguiram-se mas alguns foram depois declarados hereges e subsistiram, como, por exemplo os Nestorianos dos quais um monge foi uma das grandes influências de Maomé.

Também não é exacto que a cultura grega só se tenha tornado conhecida no Renascimento. A filosofia e a literatura, com destaque para o teatro e os diálogos, foi conservada e copiada nos mosteiros durante toda a Idade Média e estava acessível aos estudiosos. Os grandes Doutores da Igreja foram influenciados pela cultura grega. Pedro Julião, depois Papa João XXI cuja obra Summulae Logicales foi o livro de estudo de filosofia em toda a Europa por cerca de três séculos *, era um Aristotélico.

No Renascimento o que se deu foi a expansão do saber, acompanhada da secularização do ensino nas Universidades. Também se expandiu o saber científico, que tinha sido ignorado nos mosteiros, e que foi recuperado dos árabes que o conservaram: matemática, física, biologia, medicina, astronomia e geografia foram conservados e desenvolvidos pelos árabes e alguns judeus e só tiveram intercâmbio com europeus nos muito raros períodos áureos em que um líder esclarecido conseguiu a colaboração das três religiões: Abd el-Rahman III em al-Andalus, Rogério II na Sicília, Alfonso X de Castela e, menos significativo, D. João II, cuja Junta de Matemáticos integrava pelo menos um judeu e um árabe.

* Algum tempo depois de Pedro Julião, Pedro da Fonseca (1528-1599) um jesuíta, produziu uma obra filosófica que dominou o estudo na Europa por dois séculos. É para mim motivo de imenso orgulho que, durante quase cinco séculos, quem sabia pensar (ou pelo menos quem sabia Lógica) tenha estudado por livros de um português.»

 

Do nosso leitor Francisco Almeida. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

O comentário da semana

Pedro Correia, 18.04.21

«Eis a minha tentativa de moderação:

- as caixas de comentários são, a meu ver, um bem precioso.

- as caixas de comentários são como a farmácia: há de tudo.

- quem entra numa caixa de comentários deve saber ao que vai; afinal, o futebol é desporto de contacto e num estádio os palavrões são património imaterial da humanidade.

- tal como noutras situações, também nas caixas de comentários o negativo salta mais à vista que o positivo, mesmo que aquele seja ínfimo; e pior ainda se nos toca pessoalmente ou mexe com assunto que nos é querido.

- tal como noutras situações, também nas caixas de comentários os maus expulsam os bons. E compreende-se que os bons acabem por se retirar. Todavia, sempre que alguém bom desiste, o mal ganha.»

 

Do nosso leitor Sampy. A propósito deste meu texto.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 04.04.21

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«Não mudei de opinião sobre a vacina da Astra-Zeneca.

Ainda que os nove mortos da Alemanha tenham sido causados pela AZ o que não está demonstrado, ainda que tenham sido 30 na Europa, como disse um comentador mas não vi em mais nenhum lado, não havendo outras vacinas disponíveis em quantidade suficiente, o número de infecções previsível se se suspender a vacinação conjugado com a mortalidade estatística por infecção nova, ainda que mitigada por estarem vacinados grande parte dos mais idosos, conduziria a um maior número de óbitos que os 30. É assim que se estabelece uma relação custo-benefício.

Acrescem vários factores de que listo:

- O número de tromboembolias pulmonares, antes da Covid era muito mais elevado que o de tromboembolias cerebrais (em Portugal vi noticiados dois casos, ambos não graves (recuperáveis) de tromboembolias pulmonares ou seja, bem abaixo da média ante-Covid).

- Os números mundiais dão mais mortes de homens por Covid do que de mulheres.

Assim as oito mulheres em nove que morreram na Alemanha por tromboembolias cerebrais são duplamente fora do esperado. Acresce que, de mortes em outros países apenas foram identificadas uma enfermeira austríaca e dois italianos, ambos homens, um militar. E ainda que sejam 30, será muito abaixo do esperado cotejado com as nove alemãs.

Acrescem algumas questões especulativas:

- A AZ custa cinco vezes menos do que a Pfizer;

- Tem menos exigências de frio pelo que a logística é mais fácil;

- Há uma tremenda má vontade da UE contra a Grã-Bretanha, quer pelo Brexit, quer pela vantagem que conseguiu dos negociadores (na minha opinião incompetentes) da UE quer pelo alegado desvio de vacinas para quem pagar melhor do que a UE (incidentalmente os israelitas nem sequer foram caso único e compraram à Pfizer). Além da rivalidade histórica entre França e Inglaterra (que acho esteve de certa forma presente no negociador do Brexit) França está com uma aguda "dor-de-cotovelo" porque o Instituto Pasteur já desistiu de produzir uma vacina e a Sanofi espera os primeiros ensaios para o início de 2022.


Não sou grande adepto de teorias da conspiração mas não posso alhear-me do facto de que a maioria dos peritos admite que o efeito das vacinas será limitado no tempo, sendo previsível a necessidade de revacinação. Ou seja, estão e estarão em jogo milhares de milhões.

Por último, mas "the last but not the least", quer a Pfizer quer a Moderna são vacinas pioneiras pois interferem no ADN provocando o fabrico de uma proteína específica. Bem sei que não penetram o núcleo e que se autodestroem depois mas o que é facto é que ninguém pode saber com certeza se além da proteína não produzem qualquer outro efeito que só se revele mais tarde. Se houvesse motivos para esperar os habituais 5-10 anos para aprovar uma vacina, esses aplicavam-se à Pfizer e à Moderna, enquanto a AZ é uma vacina clássica de inoculação de uma pequena quantidade do vírus e problemas que se possam esperar terão a ver com o veículo, que no caso é um adenovírus o que nem é inovador em vacinas

Por mim, se tivesse podido escolher, esperava pela Jannsen. Método clássico, um frigorífico caseiro é suficiente e uma única inoculação.»

 

Do nosso leitor Francisco Almeida. A propósito deste texto da Cristina Torrão.

 

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«O governo moçambicano está a pagar 2.520 milhões de euros anuais à DAG (ficaram conhecidos pelas operações de resgate na Rodésia) para manter a segurança naquelas zonas norte do país. Não é a polícia ou o exército moçambicano que estão lá a defender o território, é uma empresa britânica que recebe mais de dois mil milhões de euros anualmente para tratar desses assuntos.

O exército chegou 5 (CINCO) dias depois e nem combustível tinham para os camiões, tendo sido emboscados, com toda a facilidade, pelos mercenários da Zâmbia e da Somália.

Em 2019 os mesmos grupos tentaram fazer o que estão a fazer actualmente, só que os EUA usaram as suas forças especiais para matar mais de 2500 combatentes islâmicos (uma das centenas de operações foi pública, por ter falecido um militar americano) e impedir a sua expansão para sul.

Será coincidência que a expansão avançou agora quando antes tinha falhado?»

 

Do nosso leitor Manuel da Rocha. A propósito deste texto do JPT.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 28.03.21

«Estrangeiros, emigrantes ou residentes na Madeira e nos Açores poderão, no período da Páscoa, circular entre concelhos no continente português para se deslocarem a hotéis ou estabelecimentos de alojamento local onde tenham feito reserva, mas esta regra não se aplica aos portugueses com residência no território nacional.

Começo a ficar farto desta palhaçada. Não deve haver país nenhum na Europa com estas medidas draconianas desde janeiro. Prometeram ser mais lestos nos contactos estabelecidos entre os doentes/infectados e as outras pessoas de modo a controlar precocemente as cadeias de transmissão. Não vejo nada disso. Este Estado de Emergência sine die é próprio de países, governos que:
1- não têm a menor ideia do que estão a fazer;
2- de países sem estruturas ou serviços públicos à altura;
3- 1+2;
4- não há quatro.»

 

Do nosso leitor Vorph Valknut. A propósito deste meu texto.

 

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«O meu marido teve atendimento recusado pelo nosso centro de saúde, com um teste de Covid negativo feito 24 horas antes. Que não podiam... Teve ele de ir para um atendimento central, para o medicarem para uma infecção bacteriana e lhe passarem baixa. A médica de família recusa-se a marcar consulta a pedido para o meu filho de oito anos que sofre de vários problemas de desenvolvimento. Que não, já o viu no início de 2020...»

 

Da nossa leitora Cláudia. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

O comentário da semana

Pedro Correia, 06.03.21

«Tenho Ernestina na conta de uma obra magna. Imaginá-la mutilada pelo ignóbil acordês é coisa especialmente arrepiante (mas parece que já nem Eça escapa).

O AO90 não é - não é - de aplicação obrigatória. Mais não fosse por estar suportado, no plano normativo, por resoluções, algo bem inferior à forma de decreto-lei que consagrou o acordo de 45 e a sua revisão em 73. Se há ilegalidade, portanto, e é defensável que haja por óbvia insuficiência de forma, ela está em usar e ensinar o AO90. Isto, que é de cristalina evidência, passa completamente ao lado da larguíssima parte da população (que não lê, não escreve - para lá de assinar, com caligrafia de instrução primária, os formulários de isenções e subsídios -, tem horror a livros e se está rigorosamente nas tintas para o assunto; além de que será em princípio cativada pela mentira da simplicidade que lhe foi vendida).

Bom seria, de elementar honestidade pelo menos, que fosse mandatório que os livros - todos - indicassem a adopção de um ou outro acordos. Poupar-se-ia bastante tempo, por vezes, no folhear de uma obra que nos interesse, buscando apurar se editada em grafia cretina.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 31.01.21

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«A incompetência dos quadros superiores da máquina administrativa do Estado está a vir ao de cima. Ele é no Ministério da Saúde, ele é na Segurança Social, ele é na Administração Interna, em todo o lado. Tudo ou quase tudo gente do PS, alcandorada a níveis para os quais não têm competência.

O caos das ambulâncias no Hospital de Santa Maria, é um bom exemplo da incompetência reinante: os responsáveis pelo encaminhamento de doentes demitiram-se das suas funções; as ambulâncias a chegarem àquele hospital sem qualquer triagem; os centros de saúde, preparados para atender urgências, fora do sistema; dezenas e dezenas de camas do hospital ocupadas com doentes com alta, impedindo internamentos de casos graves; enfim, o caos.

Mas a malta do INEM já estava toda vacinada, em três centros que criaram no país, para onde foram encaminhados, alguns percorrendo distâncias enormes, quando estavam a fazer falta nas suas bases.

Não é so corrupção, é sobretudo incompetência.»

 

Do nosso leitor Tiro ao Alvo. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 23.01.21

«Tive um enfarte agudo do miocárdio em Agosto de 2019. Estava no trabalho (foi a minha sorte) e fui de ambulância para Santa Maria, estive quatro horas numa maca no corredor das urgências. Tive um segundo ataque, saí do corredor e fui visto por uma enfermeira. Aí já não sei quanto tempo passou pois perdi os sentidos e quando acordei já estava na mesa de operações.

Correu tudo bem, felizmente. Apesar do caos, pessoal super simpático.

Agora vem a parte negra da história.

Tinha a primeira consulta em Agosto de 2020 para rever a medicação, foi adiada para Dezembro de 2020 e já foi novamente adiada para Março de 2021.

Será que o gabinete do cardiologista em Santa Maria também foi ocupado com doentes covid?

Ou vou ter de apanhar covid para ter uma consulta de cardiologia em Santa Maria?»

 

Do nosso leitor Carlos Sousa. A propósito deste texto do João Sousa.

 

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«A campanha é um anedota. Mas as pessoas no geral não andam demasiado assustadas, a verdade é essa. Independentemente das tentativas esforçadas da comunicação social, não dá para voltar a Abril de 2020.

Já percebemos o tamanho engodo que isto tudo é, no sentido em que as medidas tomadas são areia para os olhos. Além de não melhorarem a situação têm potencial para piorar a situação.

Todos já conhecemos pessoas infectadas sem demasiada gravidade (assintomáticas ou com sintomas de gripe, mais ou menos forte). Pessoas que não frequentam festas ilegais nem se juntam aos magotes a beber álcool nos jardins públicos. Pessoas que não participaram em bodas, baptizados e banquetes. Pessoas que arejam a casa regularmente e cujos filhos tremem de frio sentados nas suas secretárias nas salas de aula. Usam álcool gel em abundância e máscara sempre. Pessoas que na maior parte das vezes não fazem ideia de como contraíram o virus. Só sabem que não foi nos transportes públicos, porque aí ele não ataca.

Longe de mim desvalorizar o vírus. Mas é preciso perceber que estas medidas de confinamento não fazem nada para travar o vírus. Aliás, é impossível eliminar um vírus disperso na comunidade sem a vacinação significativa da população (nem as ratazanas, as pulgas e os piolhos se conseguem exterminar, quanto mais os vírus). É preciso haver eficiência na gestão dos recursos para tratar os doentes graves e proteger a população mais vulnerável (mas nunca contra a sua vontade). E continuar a viver.»

 

Da nossa leitora Susana V. A propósito deste meu texto.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 17.01.21

«Sou professor de História de 12.º ano e tenho bastantes alunos que vão votar pela primeira vez. Tendo os conteúdos da minha disciplina (uma das últimas aulas foi precisamente a escalpelizar a Constituição de 1933), é impossível não falarmos do momento político actual. E os alunos interessam-se por isso e fazem perguntas... é verdade que também têm Ciência Política como disciplina de opção, que por mim deveria ser obrigatória e transversal a todas as áreas do ensino secundário.

 

Do nosso leitor Armando Pereira. A propósito deste meu texto.

 

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«"Nenhuma instituição sobrevive sem rituais - e nenhum deles é tão relevante como o voto". Verdade, mas o meu sétimo sentido diz que parte do problema é que o nosso regime político não criou uma relação "afectiva" (não gosto da palavra preferida do nosso PR, mas a intuição dele é certeira), de confiança com os cidadãos, não criou rituais. Talvez não fosse sequer possível fazê-lo, não sei...

Não ajuda também que, nos últimos 15 anos, a renovação dos políticos portugueses tenha sido quase nula, com excepção do aparecimento da Iniciativa Liberal, que trouxe algumas caras novas, e do André Ventura.

 

Da nossa leitora Marta. A propósito deste meu texto.

 

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«Como é que se pode pretender que o voto seja relevante se o próprio boletim de voto é uma anedota ao manter um candidato chico-esperto? Se alguém cometeu um erro, só tem de assumir e corrigir. Manter o boletim de voto é uma falta de respeito para todos os portugueses.

Como é que se pode pretender que os jovens participem mais activamente na vida política se os políticos tratam os portugueses de forma paternalista, e quase a roçar a debilidade mental?

Quatro décadas de democracia para chegarmos à conclusão que o povo para ser soberano tem de ser confinado.»

 

Do nosso leitor Carlos Sousa. A propósito deste meu texto.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 26.12.20

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«Cronos, filho de Urano (Céu) e de Gaia (Terra), era casado com a irmã, Reia. Teve seis filhos (Zeus, Hades, Poseidon, Hera, Héstia e Deméter). Temia uma profecia que prenunciava que lhe seria tirado o poder por um dos seus filhos. Decidiu matá-los e devorá-los. Mas Reia conseguiu salvar Zeus, e este, já crescido, com a ajuda dos titãs, fez Cronos vomitar os irmãos.

A propósito das viagens nos anos setenta serem só para ricos, ocorre-me o velho truismo, mais ou menos intemporal, que diz que "só viaja quem é rico". Exageros à parte (não é necessário ser-se rico para viajar), à época, isto era muito mais verdade do que hoje. Sendo que os pobres, obviamente, não viajam. Contudo há sempre circunstâncias mais ou menos favoráveis, independentemente da condição social, que propiciam alguns prazeres e até devaneios que à partida não são as nossas prioridades: eu passei a viajar muito a partir dos dezasseis anos (com autorização escrita, devidamente assinada pelos meus pais e reconhecida notarialmente) porque tinha um amigo, filho único, que não era rico, mas o pai era um industrial relativamente bem-sucedido, culto, tal como a mãe, e muito felizes da vida. Ele já era maior de idade, tinha automóvel, e fazia questão que eu o acompanhasse em viagens por essa Europa fora durante as férias de Verão. Ficávamos sempre em parques de campismo - mesmo nas grandes cidades -, não só para facilitar a socialização mas também para poupar. Apesar de tudo o dinheiro não é elástico.

Recordo-me de acampar em Monte Carlo - onde até o campismo era diferenciado (como é costume dizer em gestionês) e testemunhar uma das mais hilariantes tradições/rituais/adições de que tenho memória: uma parte bastante considerável dos 'pés descalços', que não aparentavam outra coisa senão o que realmente eram, quando caía a noite, passada uma hora ou duas após o jantar, aperaltavam-se, eles com smoking e laço ou gravata preta, elas com vestidos de noite, e iam felizes da vida gastar o pouco que tinham (mera presunção minha) durante a noite no chiquérrimo casino do principado.

Além disso, por feliz acaso, passei a ir muitas vezes a Paris, de comboio - onde passei muitos e inesquecíveis meses -, porque lá vivia, por razões profissionais, uma das minhas irmãs. Nessa altura também vagueei muito pelo norte de África. Mas viajar para outros continentes não era muito comum. Nos tempos que correm viaja-se para todos os continentes com enorme facilidade. E os jovens universitários fazem Erasmus onde querem.

Eu sei que é preciso ter alguma sorte, mas, como vêem, não é necessário ser rico.»

 

Do nosso leitor JM. A propósito deste texto da Maria Dulce Fernandes.

 

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«O impacto advém sobretudo da existência da foto, que corporaliza o número, e da "orgiástica" (bem escolhido o termo) publicidade alocada, por parte da empresa espanhola que se dedica a este tipo de eventos. Sem a imagem e sem o comentário que lhe subjaz, o assunto teria passado bem mais despercebido.

Um ponto que pode ajudar a fazer compreender a situação: não era suposto numa época normal haver lá uma manada tão numerosa. Foram várias as "caçadas" anuladas durante o ano à conta do Covid, o que resultou numa superpopulação da coutada.

Haveria outras alternativas a este extermínio? É certo que o plano de impacto ambiental da futura central fotovoltaica a instalar naqueles terrenos prevê a transferência dos animais para um cercado próximo. Mas provavelmente o cálculo foi feito a um número muito mais reduzido. E penso que é o que irá acontecer com os espécimes que sobreviveram à "acção de controlo".

Foram respeitados os procedimentos? Como de costume, já começamos a assistir ao típico lava-mãos: "Nós não fomos avisados", "Nós não sabíamos de nada". Ainda se vai descobrir que a culpa, afinal, é dos ucranianos.

As pessoas comovem-se e indignam-se? Claro que sim, sobretudo aquelas que numa ingenuidade alucinada acreditam que a sede de violência e o prazer de matar no ser humano são um distúrbio, ou no mínimo um instinto facilmente sublimável.

E daqui a um mês já todos sorrirão ao ver o ar deliciado com que o canídeo ou o bichano lá de casa consome aquela refeição gourmet elaborada à base de carne de caça...»

 

Do nosso leitor Sampy. A propósito deste texto do JPT.

O comentário da semana

Pedro Correia, 19.12.20

«Há uns bons anos, estávamos eu e a Sílvia (que será feito de ti, Sílvia?), bem agarradinhos um ao outro, explorando as delícias da luxúria adolescente, num qualquer esconso vão de um dos pavilhões da escola, quando uma empregada (perdão, Auxiliar de Acção Educativa) nos descobriu e abençoou com santas e vigorosas aspersões de moralidade. Entre outros nostradámicos versículos, veio com a conversa do fim do mundo, logo ali na esquina do terrível 2000 que se aproximava. A relação entre a inevitabilidade do fim do mundo e a doçura dos lábios da Sílvia nunca percebi, mas eu era novo e inconsciente, pelo que não quis saber. Porém, perguntei-lhe se o mundo acabaria primeiro na Austrália ou se esperaria até todos nele entrarmos para acabar connosco. Ela mandou-nos embora, sob difusas ameaças de delação ao Conselho Directivo, dizendo que eu não tinha respeito por ninguém.

Ah... Bons tempos!»

 

Do nosso leitor PN Ferreira. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

O comentário da semana

Pedro Correia, 29.11.20

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«Temos uma herança literária riquíssima, disso não há dúvida. Mas o adolescente de hoje não é o mesmo de há 30, 40 ou 50 anos.

Até acho que hoje demoram mais a crescer, são demasiado protegidos e ganham maturidade mais tarde. Antigamente o adolescente tornava-se "homenzinho " mais cedo. Isso fazia com que compreendesse e retirasse dos livros outros valores, que os incorporasse, identificando-se com a obra.

Isto para dizer o quê? Para dizer que o fomento da leitura, que se dá normalmente entre os 14 e os 18 anos, deveria ser progressivo. As obras escolhidas pelos planos nacionais de leitura, apesar da sua riqueza e valor, não são atractivos para os jovens de hoje. Isso acaba por se reflectir no gosto pela leitura. Os jovens criam resistência. A leitura é vista como uma seca.

 

Em 2014, um liceu do Novo México optou por uma estratégia diferente. Alterou os agendamentos das obras literárias curriculares. Começou a fomentar a leitura de forma gradual, com livros e autores que jamais constariam nas listas leccionáveis. Quebrou inclusive a barreira dos autores ingleses e americanos, fazendo constar também obras de autores de língua estrangeira, como Gabriel García Márquez ou Erich Maria Remarque. Sugeriu aos alunos lerem livros de James Bond, Daniel Silva ou Lee Child e o seu Jack Reacher. Depois foram introduzindo obras cada vez mais complexas e mais exigentes. Mas o bichinho já lá estava e os alunos evoluíram naturalmente e ofereceram muito menos resistência. Aos alunos da middle school deram-lhes Enid Blyton e Os Cinco, depois Harry Potter.

Claro que os intelectuais avisparam-se. Nos EUA, além do inglês, existe a disciplina de literatura inglesa e constar dos planos autores do circuito comercial foi [algo] criticado por algumas personalidades. Mas o certo é que trouxe resultados. Os alunos gostaram, melhoraram os seus resultados e ganharam gosto pela leitura, que teve continuidade.

 

Este exemplo foi mais tarde copiado por uma universidade inglesa, também com bons resultados.

Porquê não optar aqui pela mesma estratégia? Por muito que custe a muita gente, as obras dadas a partir do 7.° ano, com excepção de uma outra, são uma seca para as crianças. As crianças não se sentem motivadas para ler. Ao passo que se se começasse por obras atractivas para os jovens e que os seduzissem, poder-se-ia introduzir gradualmente outras de maior valor literário.»

 

Do nosso leitor O Inconveniente. A propósito deste meu texto.

Os comentários da semana

Pedro Correia, 22.11.20

 

«A apetência pelo emprego público é muito anterior e já no século XIX um grande escritor a registou. Antes ainda, no século XVIII, a nobreza portuguesa tinha 12 ou 15 Casas ditas "puristas" que casavam exclusivamente entre si e constituíam a nobreza mais exclusiva da Europa; em compensação tinha uma nobreza de serviços (como o nome indica, serviam o Estado ou seja, tinham empregos públicos) num número sem comparação com qualquer outro país europeu.

Esta situação era tão expressiva que mereceu de um conde (não recordo quem) o desabafo que o aumento do números de nobres era tal que em pouco tempo a única distinção possível era não ser nobre e para isso era necessário não servir o Rei (o Estado) em circunstância alguma..»

 

Do nosso leitor Francisco Almeida. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

 

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«O mais escandaloso, a meu ver, é que num mundo onde se pede desculpa (e/ou se é demitido) por mariquices como escrever a palavra "mariquices", ninguém, em todo o colossal edifício do Estado Português, se lembrou de dar uma palavrinha à família de um cidadão que foi morto enquanto se entrava à guarda desse Estado.»

 

Do nosso leitor JPT. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

O comentário da semana

Pedro Correia, 08.11.20

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«Não visito mortos no cemitério. Não é preciso. Eles caminham comigo, como dizia o poeta José Gomes Ferreira.

Há um delirante filme de Jim Jarmusch em que se brinca com coisas sérias. O cantor country Sturgill Simpson, a interpretar a canção-tema, diz-nos que os mortos são fantasmas dentro de um sonho, uma vida que já não possuímos.

«A pessoa preparar-se para a morte é a grande finalidade da vida», li um dia numa crónica de Victor Cunha Rego.

Morre-se de tanta coisa. Até de amor, como o King Kong, no último andar do Empire State Building, segundo um poema do Eduardo Guerra Carneiro.»

 

Do nosso leitor Orlando Tavares. A propósito deste meu texto.