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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 17.08.19

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«A pretexto dos "pecados" dos [cineastas] Allen/Polanski, ou dos temas e estilo dos filmes do Tarantino, essa gente quer impedir-nos de ver os seus filmes. E isso é inaceitável, pois mesmo que os autores sejam/tenham sido condenados, o mesmo não se aplica aos filmes. Quanto aos ataques ao Tarantino, não têm sequer ponta por onde se pegue (digo eu, que não gosto nem um pouco dos seus filmes).

Pior, tentam intimidar quem insiste, de acordo com a sua ética, em mostrá-los. Essa gente tem todo o direito de exigir que a justiça funcione, mas não tem o direito de se imiscuir naquilo que não lhes diz respeito, como por exemplo a programação de uma cinemateca. É tão simples como isto.»

 

Do nosso leitor Miguel. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 05.08.19

«"Empresa que vendeu golas antifumo inflamáveis é de marido de autarca do PS. A Foxtrot – Aventura, Unipessoal Lda, assim se chama a empresa que vendeu as golas da polémica, só foi constituída a 18 de Dezembro de 2017 e, segundo os registos comerciais, opera no sector do 'turismo de natureza'."
É esta democracia que nos dizem que temos de defender, através da oportunidade eleitoral? Da esquerda à direita é tudo igual. Necessitamos de uma República Nova, que esta finou-se. Dobrem-se por ela os sinos e estendam-se tapetes cerimoniais até aos patíbulos do sacrificio. Forjemos com sangue um novo pacto. Pelo Renascimento de Portugal. Portugal há-de viver.»

 

Do nosso leitor Vorph Valknut. A propósito deste texto do João Campos.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.07.19

 

«Em Lisboa os "especialistas" julgam que roçar mato é o mesmo que roçar no mato. Daí os disparates.»

 

S. Moreira, neste texto do Tiago Mota Saraiva

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 21.07.19

«É o século XXI. As mulheres representam apenas 30% das personagens dos bons guiões. Há que impor quotas (proponho para palavra do ano 2019…) para boas personagens femininas. As ideias surgem e acontece o spin-off feminista de Ocean's, de Steven Soderbergh. É um exemplo do que acontecerá ao “Bond, Jane Bond”. Um flop monumental, o plano do assalto de Sandra Bullock é tão fraco que a única regra que ela estabelece para a acção, que não haja nenhum homem no grupo, é traída no clímax, quando um actor realiza o elemento mais complexo. O feminismo “descabelado” traído na sua essência por erros básicos e elementares. Sherlock Holmes, que sobreviveu a adaptações onde as suas opções sexuais foram questionadas, a sua dependência da cocaína banalizada e recentemente até a sua fleuma britânica substituída pela veia de Indiana Jones, não sobreviverá à mudança de género. Nem com Meryl Streep lá chegarão, a não ser que Meryl interprete um travesti masculino, nesse caso ganhará o seu quarto Óscar!

Em tempos palermas a idiotice é o melhor remédio!»

 

Do nosso leitor Manuel Ó Pereira. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.06.19

«A primeira casa que eu tive verdadeiramente minha, por singular sorte nunca foi.
Tinha 33 anos quando a comecei, num terreno de mil metros oferecido pelos meus pais ao casal, eu filho e ela nora; repleto de mangueiras, abacateiros, mamoeiros e um cajueiro. 
Até aí os meus pais não se serviam dele, tirando o proveito dos frutos, claro.
Depois lembrou-se que aquilo dava muito jeito para ter a nora e as netas em Luanda quando viu preparativos de abalada da nora e netas queridas para outras paragens - o filho também ia mas por esse não lhe doía a cabeça - e convenceu-me a construir ali a minha casa.
Mostrei-me reticente, a minha mulher advogou em meu favor que tínhamos melhor futuro em Benguela, então para me incentivar colocou lá pessoal das obras dele - era construtor civil - e como quem dá o pão dá também a manteiga, os materiais também vieram das obras dele.
Comecei portanto a construção dessa casa em Setembro de 1973 e em Março de 74 estava concluída.
A minha mulher adorava a casa, os meus pais adoravam que ela adorasse, eu adorava que ela risse de modo que não andava descontente.
Uma semana antes de mudarmos para lá apareceu-me o "povo" angolano e travámos uma esclarecedora discussão. Curta mas conclusiva. Tipo.
- Então? De que se trata?
- Ó colonialista. Fizeste uma casa bonita. Agora sai daqui que a casa é do povo.
E foi assim.
Fora do assunto casa e só a título de curiosidade, que obviamente a ninguém interessará, e só porque uma vez que se conhece o canteiro conheça-se então a lavra toda; uma semana depois passei pelo banco a ver se conseguia sacar o meu dinheiro, e fui recebido com pompa e circunstância por um exército ferozmente armado, onde por singular afinidade o diálogo sobre dinheiro pouco ou nada diferiu sobre o outro da casa.
- Ó colonialista! O dinheiro é do povo.
Mas vinguei-me! Quando o pessoal da minha casa se apresentou no fim do mês para receber, eu esclareci-o a preceito.
- Ó gente. Não tenho dinheiro, pá!
- Não tens?!
- Não! Vocês são povo, não são? Então ide ao banco que o vosso dinheiro está lá.»

 

Do nosso comentador Corvo. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 23.06.19

«Quando fui para o Gabão, em 1977, havia uma religião, a católica, e os feriados religiosos eram escrupulosamente respeitados. Sem dúvida educação ministrada a preceito pelos franciús certamente para dissiparem resquícios do São Bartolomeu; e havia os feriados referentes ao próprio país, que também não pecavam por avareza. Dia da Independência, dia da ideia independentista, dia da discussão para o dia da independência, dia do consenso para a independência, dia do presidente, dia do vice-presidente, e por aí adiante.
Um ano depois, a juntar a estes feriados todos, vieram os muçulmanos porque o presidente, antes senhor Albert-Bernard Bongo, decretara o Islamismo no país, - sem abolir o cristianismo, - porque parece que o petróleo tinha mais propriedades energéticas, tendo ele mesmo dado o sublime exemplo de fé e passou a chamar-se senhor El Hadj Omar Bongo Ondimba.
Sabe lá este povo português, eternamente oprimido, o que são feriados.»

 

Do nosso leitor Corvo. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 16.06.19

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«Se em 2008 a Caixa Geral de Depósitos tivesse emprestado os 300 milhões a Berardo para comprar Amazon em vez de BCP, hoje valiam cerca de 7.143 milhões. Quase tanto como chegou a valer a PT, a maior cotada nacional de sempre. Era um risco comprar Amazon? Era. E BCP também. Mesmo aplicando esses 300 milhões num conservador índice sobre o S&P 500, hoje valeriam cerca de 811 milhões. Parece claro que não foi uma perspectiva de negócio a orientar esse empréstimo.
Acontece que as asneiras, só na banca, custaram aos contribuintes cerca de 20.000 milhões, desde 2008. Custaram, custam e custarão por muitos anos.
Junte-se a este valor pelo menos outro tanto em corrupções menores mas abundantes, desperdícios, ineficiências e roubos.
O que significam na realidade estes números astronómicos? Significam uma carga fiscal enorme, a quase impossibilidade de poupar, o adiar de despesas necessárias, o recurso suicida das famílias ao crédito. Significam não trocar de carro, não reparar a casa, não tratar da saúde senão no limite, não seguir estudos, não constituir uma almofada para a reforma. Significam uma dependência humilhante dum Estado-Providência cada vez mais prepotente e menos amigo. Significam um Estado tão opressor que julga que o povo não é muito mais do que uma carteira onde ir tirar o que ainda há. Admiram-se de as pessoas se alhearem do Estado? O Estado há muito que se alheou das pessoas. Só se lembra delas para cobrar - e aí nunca há faltas de memória, nem de meios.»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste postal

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 09.06.19

«Tenho muitas memórias, quer da infância, quer da juventude, mas todas elas muito dispersas, sem qualquer tipo de aglutinante integrador que lhes proporcione um sentido da redacção, quanto mais do conto. Mas qual conto? Isso é uma coisa de Autor. Eu sou só um mau leitor, tardio, que vivi a minha infância nos idos anos em que a escola era bem estimulada pela severidade, para lhe não chamar outra coisa, e que não estimulava a criatividade. As férias grandes eram de três meses e meio e, por compensadora coincidência ou não, aconteciam no período do ano dos dias intermináveis, para nossa sorte, embora sempre nos parecessem pequenos, demasiado pequenos para tudo o que desejávamos fazer, incluindo todas as brincadeiras da rua, do monte (ia dizer bosque, mas esta palavra, bosque, assim como charneca, são já tardias, oriundas das leituras da Enid Blyton), junto ao bairro, e dos campos, que percorríamos alegremente, ao longo dos caminhos sinuosos por entre eles até ao rio. Na verdade era um ribeiro, mas que para crianças era um grande curso de água, onde tomávamos longos banhos naquela água corrente quase gélida, mesmo sendo o Verão, sem qualquer tipo de controlo parental nem salva-vidas. Tivemos sempre connosco o nosso anjo-da-guarda.

Não havia, pois, tempo para leituras. Isso era coisa de adultos que não tinham que fazer, estavam permanentemente ocupados com tarefas inúteis, e sempre que se juntavam, passavam horas a fio a falar de assuntos estranhos e enfadonhos. Nós, crianças, ocupávamo-nos de coisas realmente pertinentes, tipo brincar na rua livremente, a tudo quanto um espaço quase sem carros nos permitia fazer, e éramos muito ruidosos, mas o ruído feliz que ainda hoje me faz imobilizar quando me encontro próximo do recreio de uma escola, o único local onde agora se pode presenciar as crianças a brincarem em turbamulta.

 

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Ainda me lembro da carrinha em chapa canelada que estacionava periodicamente, sempre no mesmo sítio do bairro e abria as portas e a pala lateral, expondo as suas estantes interiores pejadas de livros, bem iguais aos da estante da sala de estar que estavam lá em casa e que só o pai lia, talvez também para nos tentar estimular à leitura, embora julgo nunca o ter conseguido, pelo menos comigo. Com os meus filhos, tive que ser bem mais activo na mobilização para a leitura e mesmo assim só consegui um sucesso parcial.
Por isso, minha cara Maria, a leitura, está, e ainda bem, hoje ao alcance de todos, mas a escrita é uma arte só bem dominada pelos que tratam os livros por tu desde tenra idade, o que não é de todo o meu caso. Voltei a ler o seu texto. Eu sabia que ele me tinha lembrado um livro, muito bonito de resto, o "dicionário dos lugares imaginários" do Alberto Manguel, onde cabem, pelo menos parcialmente, todos os livros de ficção presentes em qualquer estante.»

 

Vítor Augusto, neste texto da Maria Dulce Fernandes

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.05.19

«A banalização é um perigo. É como fascista. Não é preciso ir muito longe para a palavra ser usada: basta dois amigos zangarem-se para um chamar ao outro "seu fascista". Há mais. Como racista, sexista etc. Se eu disser que um preto é preto, há quem me chame racista. Se disser que um branco é branco já não. Quanto a sexista: é muito difícil escrever um texto em que, quem procure com alguma atenção, não encontre sexismo. Ou estereótipo disto e daquilo. Estereótipo é, ele próprio, um estereótipo.
Há inúmeras palavras sem conteúdo devido à ampliação dos conceitos. Violência no namoro: se se entra na psicológica é tudo. Um arrufo de namorados é violência no namoro e dá para escrever teses de mestrado.
Perante os cultores do politicamente correcto, o melhor é estar calado.»

 

Do nosso leitor A. Matos. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 20.05.19

«Terra ou terra?
A terra tem coisas boas. O meu irmão comia terra. Falta de ferro – opinou o pediatra que também era meu tio.
Eu preferi bosta de vaca, quentinha, acabada de fazer. Saí largado para casa e trouxe uma colher. Sentei-me no chão, bosta entre as pernas abertas e comi à colherada até que a Luzia, cozinheira da casa, me pegou ao colo horrorizada.
Há gostos para tudo. Talvez a comida aquecida fosse da minha preferência e, sobretudo, não arranhava os dentes.
Sabemos que a dieta tem consequências futuras. Tenho 1,80 m e o meu irmão ficou-se pelos 1,65. Prova que merda de vaca é melhor que terra crua.

E mesmo quanto à Terra, sou geólogo porque sempre me fascinaram os minerais e os cristais. E depois as falhas, as dobras e até o cavalgamento que o Canadá resolveu fazer à Península Ibérica. Fascinante!
Arrastou consigo os sedimentos que estavam no fundo do mar. Foram mesmo buldeziriados, dobrados, esticados e acamados numa série com centenas de metros de histórias para contar.
Esta é a Grande História de Portugal. Os sedimentos, assim esmagados e comprimidos transformaram-se em xisto. E nesse xisto, que consegue reter água mesmo em períodos de seca grave, se produziu o milagre do Vinho do Porto.

Quanto ao meu irmão, ficou-se pelo curso de História. Do Vinho do Porto apenas sabe uma coisinhas do Marquês de Pombal e da chegada dos ingleses para o comercializar.
Fica para sempre o civismo e simpatia dos portuenses, mesmo com palavrões à mistura. Talvez tenham sido os ingleses a tornar única esta cidade que não é nem parece mediterrânica. É atlântica. Adoro-a e não sou de lá.»

 

Do nosso leitor José Carlos Menezes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 13.05.19

«Ainda há gente a julgar que a escola não serve para educar e [é] só para informar; mas a função da escola é mesmo educar (informar e formar). A vertente formativa tem maior incidência nos pais ou em quem os substitua, pertence-lhes naturalmente, tem mais contactos com a criança ou jovem e dá-lhes as primeiras ferramentas de adaptação ao mundo social, cria com eles laços que propiciam a modelagem; a vertente formativa acontece na escola e em todas as instituições que a criança frequente, pessoas com quem contacta e a quase tudo que a rodeia. É claro que cada um destes meios tem a sua quota de responsabilidade na educação dos jovens de acordo com o tempo que eles nelas permanecem. A escola será, a seguir à família próxima, o meio privilegiado em que permanecem mais tempo. Recusar-lhe uma quota de responsabilidade, não faz sentido. Como não faz sentido elidir a quota familiar responsabilizando apenas a escola pela falta de formação ou deformação dos jovens. A educação é um processo conjunto, uma interpenetração de factores sem função supletiva. A escola é a sede da informação e a família a da formação, mas uma e outra educam e jogam dados no terreno da outra. O trabalho conjunto beneficia ambas.»

 

Da nossa leitora Bea. A propósito deste postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.04.19

«Aquilo deu brado, os ânimos engrossaram, passou à rua e daí à praça.
Sempre em cima do acontecimento o BE plantou-se lá e disse que era sempre a mesma vergonha, que era por situações destas a inferiorizar a mulher que nunca íamos passar de um país do terceiro mundo. Empunhavam grandes cartazes, "Ao sexo obrigada mulher traumatizada"; "Sexo sem compromisso a mulher é um sorriso"; "Se tua mulher queres amar troca o sexo por massajar".
Aquilo despertou dolorosas recordações numa alminha que queria falar e a quem ninguém ligava, que subiu para um palanque e disse que não, que massajar era capaz de ser nefasto para a mulher. "A mim o meu marido uma vez fez-me uma massagem às mamas que fiquei com elas uma desgraça, que durante mais de quinze dias ninguém podia tocar nelas."
Bruno de Carvalho disse saber muito bem de onde aquilo vinha, que era mais uma maquinação bem-estruturada do Benfica para desestabilizar o Sporting, mas agora não tinha tempo para grandes explicações e ia já para o Face elucidar o povo.
Instado a pronunciar-se, Jorge Jesus disse: "Tem boas cartristicas defensivas e deiamo a mim que faço dele um grande médio ofensivo.
- Mister, não é futebol. É educação sexual.
- Voceses fazem mas parguntas a mim e depois querem qeu vos rasponda o quê?
Depois não sei a que consenso chegaram porque a polícia de choque chegou e carregou sobre a malta, e eu vim-me embora.»

 

Do nosso leitor Corvo. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 22.04.19

«Tenho de acreditar nalguma coisa, exige-mo a minha racionalidade.
Não posso aceitar, como ser pensante que sou, que seja um acaso a justificação para o meu aparecimento neste mundo. Nem eu, nem a humanidade nem o universo.
Um acaso? E o que é um acaso? Um acaso é um argumento muito fácil para nos desembaraçarmos de perguntas incómodas. Foi o acaso e está feito.
Mas mesmo que fosse: vamos hipoteticamente aceitar esse acaso como a criação de tudo. E o que é? Quem tornou esse eventual acaso uma realidade criadora? De onde surgiu? Como se formou? De onde veio e apareceu?
Para mim, e unicamente para mim sem questionar nem contraditar opiniões contrárias, portanto para mim e para o que a estrutura da minha racionalidade diz, dado que do nada se obtém nada, então houve alguém ou alguma coisa que criou.
E só encontro uma explicação. Inteligência. Uma inteligência muito grande, imensa, de enormidade tremenda e infinita preenchendo todo o espaço cósmico, o nosso e aquele que não conhecemos.
Assim, em meu entendimento, faz algum sentido a religião quando diz que Deus (Inteligência) está aqui, está ali e em toda a parte.
E nós também fazemos parte dela porque, vá-se lá saber porquê, parte dessa inteligência, uma migalha como uma gota de água derramada nos oceanos, foi-nos concedida. Chamemos-lhe alma, ou espírito, como quisermos.
Volta a ter algum sentido para mim quando a igreja diz que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança.
Não vejo muito bem para quê se só a utilizamos para destruir, e provavelmente seria muito melhor se fosse aplicada numa mosca ou numa barata, mas pronto. Foi assim e assim será.
Talvez para que possamos ser responsáveis pelos nosso actos. Deve ter sido. Ninguém pede responsabilidades a um gato que saltou e rasgou a cortina.
Isto é Deus para mim. Inteligência.»

 

Do nosso leitor Corvo. A propósito deste texto do João Campos.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 14.04.19

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«Repare-se num detalhe curioso. Há uma assimetria flagrante entre o caso de Maastricht e o Brexit. Naquele caso, ter-se-ia realizado um referendo depois do tratado ter sido escrito; aqui, as pessoas foram chamadas a pronunciar-se sem fazerem a menor ideia das modalidades do leave. O mais estranho é ninguém se ter lembrado de exigir que o referendo se realizasse apenas depois de conhecido os detalhes de um eventual acordo de saída. Assim se vê que, neste caso, com referendo e tudo!, e ao nível estritamente nacional, as políticas também estão a ser ditadas à população por uma elite que lhes é alheia. É preciso uma grande dose de ingenuidade para acreditar que uma espécie de mão invisível representando a solidariedade nacional - personalizada pelos governantes e deputados britânicos e habitués da City - virá em socorro das classes populares e num passo de mágica (leia-se acordo de saída) resolver as suas demandas. Ainda por cima, sabendo que essa elite tem um multiforme conflito de interesses com o leave. Melhor seria pôr a raposa a guardar o galinheiro.»

Do nosso leitor Miguel. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 08.04.19

«Não vejo o que é que a situação descrita tem de censurável em termos de ética política. Primeiro, fui eurodeputado por eleição e não por nomeação; segundo, quem me convidou para candidato não foi o Governo, muito menos minha mulher, mas sim o secretário-geral do PS, nessa qualidade; terceiro, não consta que os direitos eleitorais, protegidos pela Constituição, fiquem suspensos pelo facto de se ter um cônjuge no Governo, que aliás não depende do Parlamento Europeu; por último, nem eu nem minha mulher éramos, nem somos, membros do PS, pelo que não podemos ser parte da chamada "endogamia do PS" (quando muito somos testemunho da sua "exogamia"). Como defendi publicamente, a questão da ética política só se coloca em relação à nomeação de familiares dos próprios membos do Governo, ou de outros membros do Governo.»

 

Do nosso leitor Vital Moreira. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 31.03.19

«Porquê um dia estabelecido para os pais? Que define ou que propósito justifica? Amam-se mais as crias nesse dia, ou elas mais os progenitores?

No que particularmente me concerne, os outros não sei, a minha experiência enquanto pai foi a que a minha indelével mulher promulgou. Tanto para a família como para a prole.


Nos casos em que a minha participação opinativa se evidenciava por ignorância, ou brilhava por desnecessária, não falhava:

- Sai! Não te metas! Deixa as MINHAS filhas!

(Dia da mãe.)

Nos casos ligeiramente mais problemáticos, aí acertava em cheio:

- Estás à espera de quê? Mexe-te e vai lá resolver o assunto das TUAS filhas.

(Dia do pai.)


De resto não estou a ver muito bem qual a necessidade de um dia determinado para um ou outro progenitor.

E um domingo para dia do pai, como o Pedro preconiza, é que não vejo mesmo nada em que isso possa reforçar a relação entre progenitor e o rebentinho, e muito ao invés estou mais virado para a ruptura total.

Domingo há futebol e não estou a ver qual o pai neste país que, em seu perfeito juízo, o pretira a favor do empecilho que por ali ciranda a tagarelar como um papagaio.

"Logo hoje é que se lembrou de mandar para cá o cachopo. Raio de mulheres, nunca se pode contar com elas."

 

Portanto, domingo nunca. Se as mais das vezes a sintonia conjugal já se encontra meio periclitante, não vai agora o Pedro, dar-lhe o empurrão decisivo.»

 

Do nosso leitor Corvo. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.03.19

«Exclusão e rebaixamento do outro. Rebaixamento este tanto maior quanto maior for a veneração de um Passado, na maioria das vezes mítico, na maioria das vezes construido à custa do Outro. Aliás a união nacionalista sacrifica o futuro, raiz de toda a decrepitude, no altar do Passado, simbolo da imaculada virtude - venera-se um passado mítico e nunca verdadeiro. Daí o nacionalismo ser o regime da emoção irracional, da adoração fanática de símbolos, de mitos, de figuras irreais - o orgulho nacional provém mais de um Ser imaginado, morto, do que um Real, presente e vivo. O Nacionalismo nasce do Romantismo e como este tem sempre na Morte, no Sacrifício, no Martírio o seu leitmotiv.

Tem sido esse o grande problema português, pois verdadeiramente somos vincadamente nacionalistas pois grande e longo é o nosso Passado, a nossa história, em grande parte mítica, criada por romancistas e não historiadores. Habita ainda no nosso inconsciente colectivo o Portugal Imperial, que amargamente nos serve de comparação ao canto ibérico que somos. E daí advém o nosso insidioso mal-estar. Não sermos capazes de esquecer. Não sermos capazes de andar para a frente sem olhar para trás. Daí o tropeço.»

 

Do nosso leitor Pedro Vorph. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 18.03.19

«Se não concordou, é porque não percebeu o cerne da questão: se forem às aulas não salvam o meio ambiente e os seus netos não terão onde viver no futuro, quanto mais meras aulas; mas se faltarem às aulas agora para chamar a atenção, pode ser que algo mude e salvemos o meio ambiente a tempo dos seus netos ainda poderem ter onde viver em condições.

Próximo passo: boicote ao fabrico de automóveis a combustível fóssil (sim, a Autoeuropa não é uma coisa boa, por mais empregos que "crie" atualmente), greve contra orçamentos que se preocupem mais com o défice do que com investimento em energias renováveis e transportes públicos (porque sem planeta, então é que não se paga dívida nenhuma) e campanhas para diminuir drasticamente o consumo de carne, e já agora de peixe (mais refeições sem esses elementos não são sinal de pobreza, mas sim de consciência).

Se um dia ainda for a tempo de perceber, faça greve também ao trabalho às sextas à tarde. É este o próximo passo deste protesto. É que se forem só os adolescentes, então as mudanças necessárias não serão feitas a tempo da nossa salvação.»

 

Do nosso leitor Carlos Marques. A propósito deste texto do JPT.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 09.03.19

 

«Quanto aos cães... a História da Humanidade é a História do Cão. É tudo o que tenho a dizer sobre o assunto.»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 02.03.19

«Com tudo o que ultimamente vemos, ouvimos, sabemos e nos é imposto tomar conhecimento, tendo cada vez mais a pensar que o animal humano entrou em retrocesso. Acredito que num milénio ou dois poderá muito bem acontecer um regresso aos pântanos, se os protozoários, as algas e os fungos nos permitirem o regresso.
Regressar às cavernas, alagadas com o degelo dos glaciares entupidos numa imensidão de detritos e carcaças putrefactas, não é de todo provável. Regressar às árvores? Quais? Às que cortámos desenfreadamente por ganância? As que queimámos ou que deixamos arder por incúria?
Regressar ao pó? Ao pó de muitas erosões que torneia no ar de um qualquer lugar num tempo mumificado e seco, em que a ideia de água é uma miragem?
Que tipo de animal é capaz de se suicidar lentamente e sem propósito na terra queimada em que tornou um mundo triste e consumido que era o seu?»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu postal.

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