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Delito de Opinião

O comentário da semana

«A IA, desprovida de base afectiva biológica, não pode gerar consciência»

Pedro Correia, 09.12.25

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«[Recomendo] a leitura do último livro de António Damásio, A Inteligência Natural & a Lógica da Consciência, de onde se pode concluir que a Inteligência Natural não só se sobrepõe à IA actual como também a enquadra numa perspectiva biológica e evolutiva mais profunda. A IA, na sua forma actual, depende fundamentalmente da Inteligência Natural Humana (INH) e, segundo a perspectiva de Damásio, não possui a base afectiva e biológica que ele considera essencial para a verdadeira consciência - a capacidade de ter uma perspectiva subjectiva do mundo e de si mesmo - que é a maior conquista da INH.

A IA, desprovida de uma base afectiva biológica, não pode gerar consciência no sentido damasiano. Ela pode simular respostas emocionais ou usar dados sobre emoções, mas não as sente. O "mistério da criação da Consciência" defendido por Damásio permanece inacessível à IA puramente algorítmica (para ultrapassar este postulado damasiano alguns dos criadores da IA já falam na “AGI, consciência artificial”).

Do ponto de vista de Damásio, a IA é uma ferramenta poderosa, mas é um subproduto da Inteligência Natural Humana (INH). A IA não tem a base biológica e afectiva que é a fonte da verdadeira consciência e da complexidade humana, o que a torna fundamentalmente subordinada ao domínio da INH, sendo altamente improvável que alguma vez se venha a tornar independente da inteligência natural humana.»

 

Do nosso leitor Carlos Antunes. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

O comentário da semana

Pedro Correia, 29.11.25

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«Triste figura, a de Ronaldo. Ombrear com um traste medíocre e falso e com um ditador que não hesita em ordenar a execução daqueles que não lhe prestam vassalagem - líder de um país que trata as mulheres abaixo de camelo, confesso de uma religião castrante e fundamentalista. O cartão vermelho a Ronaldo foi duplo. Um grande atleta, um benfeitor em muitos aspectos, mas nesta cerimónia na Casa Branca representou apenas os interesses dele, não os portugueses com vergonha na cara.»

 

Do nosso leitor João Guimarães. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

«A queixinha final, em tom de menino birrento, fechou lindamente a coisa»

Pedro Correia, 24.11.25

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«Ao contrário do que eu estava à espera, admito, o Seguro até se aguentou muitíssimo bem, a responder com prontidão e sem tibiezas aos chavões do outro; mas sem nunca perder o ar e o tom de grande senhor que só enfureciam mais ainda o Andrezito. E que, convenhamos, se adequam muito melhor ao cargo de Presidente do que os assomos de peixeira do "candidato anti-bangladesh"...

Aliás, isso também resulta evidente das frases exemplares que o Pedro nos trouxe.

Então aquela queixinha final, em tom de menino birrento, "ele não me deixou falar", fechou lindamente a coisa: o Seguro conseguiu não o deixar falar! Extraordinário.

O Henrique de Freitas, que chegou a ser secretário de Estado do Durão Barroso, e se transferiu para o Chega no ano passado, desfiliou-se hoje [19 de Novembro], por causa da "conversa da treta" que "transforma em bandalheira" e "espezinha a dignidade da função presidencial"; e também por se "querer tratar de questões complexas com cartazes primários".

Se ele o diz... Com algum atraso, mas ainda acordou a tempo de sair da barcaça podre antes de apanhar tétano ou ir a pique.»

 

Da nossa leitora Zebra. A propósito deste meu postal.

O comentário da semana

«Só um ingénuo acredita que Estaline era um tipo que queria mesmo a paz»

Pedro Correia, 18.11.25

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«Estaline sabia que dificilmente a Alemanha se lançaria numa guerra em duas frentes logo ao início, pelo que ao dar a Alemanha a garantia de que isso não aconteceria, acabou por ser decisivo para a guerra [1939-1945] e não para a paz. Se quisesse a paz teria feito os possíveis para que a Alemanha se sentisse isolada e, portanto, menos tentada a fazer o que fez e muito menos teria dado cobertura e colaborado na invasão da Polónia.

Estaline queria a guerra entre as outras potências para que no final a URSS apenas tivesse de marchar sobre os escombros para açambarcar o máximo para si. Não esperava que a Alemanha o atacasse mas, no final, a estratégia soviética rendeu pois a Alemanha não pôde vencer nas várias frentes e as outras potências europeias ficaram (como ele sempre quis) demasiado fracas para impedir o imperialismo soviético de se apoderar de toda a Europa de Leste.

Só um ingénuo acredita que Estaline era um tipo que queria mesmo a paz.»

 

Do nosso leitor Lopes. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

«Minoria Ruidosa berra porque o passeio é muito heteronormativo»

Pedro Correia, 11.11.25

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«À porta do hospital o Português Comum e a Minoria Ruidosa trocam palavras.

 

O Português Comum (55 anos, casado, 3 filhos, crédito à habitação, sócio do Benfica) está a tentar entrar no hospital para a sua consulta anual de rotina.

A Minoria Ruidosa (22 anos, influencer de sustentabilidade, três mestrados em coisas que não servem para nada, vive num T0 hipster pago pelos pais) está à porta do hospital a berrar porque o passeio é muito heteronormativo.

 

PC (A resmungar, claro): "É só gente, caramba. Isto está mesmo pelas costuras."

MR (A berrar com megafone): "O CHÃO É OPRESSÃO! QUEREMOS UM MUNDO SEM GÉNEROS E COM MUITA ECOLALIA "

 

O PC tropeça num cartaz da MR que dizia "O Silêncio É um Privilégio".

PC: "Ó filha, desculpe lá, mas o privilégio é ir à casa de banho sem ter de ouvir a vossa berraria. Tenho uma senha para tirar, por amor de Deus!"

MR (aponta-lhe o dedo, indignada): "Você! Um Ser branco cisgénero e com uma camisa que remete para a exploração da mão de obra têxtil na Ásia! O seu tempo de protagonismo acabou! Somos a voz dos que não se ouvem!"

PC (Já farto. Olhou para o relógio. 9h02, e a consulta era às 9h00): "Ai és a voz dos que não se ouvem? Ó minha cara, eu é que sou a voz dos que se calam porque têm de ir trabalhar às 7 da manhã para vos pagar o RSI! E se queres saber? O único prazer que eu tenho é no meu sofá, a ver o Ventura na TV a dizer o que penso e a saber que não tenho de aturar minorias ruidosas. Agora, sai da frente. Ou eu uso o meu "privilégio" de "Português Comum "que paga impostos para te enfiar esse cartaz pelo... pronto, vou mas é à consulta, antes que perca a cabeça."

 

O PC entra no hospital.

MR fica a fazer uma performance de "choro de vítima da austeridade" no chão. No fim, pede aos seguranças para não pisarem o megafone.»

 

Do nosso leitor Carlos Sousa. A propósito deste meu postal.

O comentário da semana

«Às vezes tem-se tudo em termos materiais mas nada em termos afectivos»

Pedro Correia, 03.11.25

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«Há, de facto, "muita tralha na internet", que tende a atingir os teoricamente mais vulneráveis a certos conteúdos: as crianças e os jovens.

Já não restarão grandes dúvidas de que a actual geração de jovens portugueses está dependente das redes, ditas, sociais; vive como que “anestesiada” para as mesmas e para os jogos online, consumindo diariamente abundantes conteúdos difundidos por esses meios de comunicação virtual. E o problema está exactamente no virtual, que não é o mesmo que real.

 

A alienação proporcionada pelos meios tecnológicos é gritante para muitos desses jovens que, diariamente, repetem a mesma prática: absortos do que se passa à sua volta, não procuram interagir com o grupo de pares, nem se mostram disponíveis para encetar qualquer relação de proximidade social ou afectiva.

O seu mundo está, muitas vezes, circunscrito a um aparelho tecnológico, as interacções, se as houver, serão meramente virtuais. A (falsa) sensação de segurança, proporcionada por tal “zona de conforto”, fá-los remeter-se ao silêncio, tornando-os prisioneiros de uma implacável solidão.

Muitas vezes, os “amigos” não são reais, nem materializados. Cria-se a ilusão de que se está acompanhado, mas não se estabelecem relações interpessoais naturais, assentes na interação presencial.

Coleccionam-se “amigos” como se fossem troféus, as companhias são muitas vezes efémeras e os companheiros ilusórios: fantasiar ou idealizar relações não é o mesmo que vivê-las e experienciá-las na vida real.

 

E onde andam as figuras parentais desses jovens? Em muitos casos estão ausentes, ainda que essa ausência nem sempre seja física.

O abandono afectivo e emocional a que muitos jovens são sujeitos pelas respectivas famílias também contribuirá fortemente para a sensação de desnorte, de desorientação, de pessimismo, experienciada por uma parte significativa dos mesmos. Às vezes, tem-se tudo em termos materiais, mas muito pouco, ou praticamente nada, em termos afectivos…»

 

Da nossa leitora Paula Dias. A propósito deste texto do JPT.

O comentário da semana

«A Ucrânia é a linha da frente europeia, a que tem aguentado heroicamente»

Pedro Correia, 28.10.25

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«Enquanto as condições de força da Ucrânia não pioram, têm vindo sempre a melhorar - e as da Europa também, que acordou tarde mas ainda muito a tempo, sobretudo devido à extraordinária resistência ucraniana.

A Ucrânia é a linha da frente europeia, a que tem aguentado heroicamente (durante muito tempo praticamente sozinha!) os grandes embates, enquanto a Europa recupera em ritmo acelerado a capacidade defensiva que descurou - por ter conseguido construir uma situação estável de paz e progresso comum numa geografia que parecia historicamente fadada à guerra.

Provou que, tanto os homens de boa-vontade o queiram, não existem fatalismos, mesmo históricos que sejam. Mas há sempre bárbaros à espreita para a invasão...

(...)

Já se contam em anos os actos falhados da "operação especial passeio de três dias"; e bem assim a sua propaganda putinista falida, tornada repetitiva por falta de mais o que dizer, condenada a abanar sempre os mesmo espantalhos - por mais evidente que seja que não resulta, que os povos europeus não vão na conversa do papão, que não se deixam manipular, é isso ou ficarem calados.

Que para dizer coisas como "Estupidamente, a Ucrânia e a Europa continuam a preferir a guerra" o melhor seria realmente ficar calado, de tal maneira torna evidente a "preferência inteligente" do Czar Careca pela paz... dos cemitérios.

Também ele devia ter ficado calado em vez de cantar vitória antes de tempo e desatar a ameaçar-nos. Até parece que a Rússia nunca perdeu guerras, e até bem ingloriamente. Podem preferir não ter memória, mas a Europa tem.»

 

Da nossa leitora Zebra. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

Pedro Correia, 21.10.25

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«Soa o despertador na Soeiro Pereira Gomes. O camarada-geral Paulo Raimundo levanta-se com a resignação de quem vai ver o resultado de um exame médico que já se sabe que não vai ser bom.

As notícias da noite eleitoral chegam indesejadas e a confirmar o pior. O mapa de Portugal, que outrora ostentava orgulhosas manchas vermelhas no Alentejo como se fossem a prova viva da Revolução em curso, parece agora uma toalha de piquenique depois de atacada por formigas capitalistas.

Na conferência de imprensa, o cenário é de uma solenidade que só os funerais e as reuniões do Comité Central conseguem igualar. Paulo Raimundo sobe ao púlpito com a postura de quem vai anunciar uma vitória esmagadora.

"Camaradas e amigos," começa ele, com um sorriso que parece ter sido desenhado por um engenheiro soviético com régua e esquadro. "Esta foi uma noite de grande resistência!"

Na sala, um jornalista mais incauto engasga-se com o café. Resistência? A CDU perdeu bastiões históricos.

Perderam câmaras onde as ruas têm nomes de heróis da Revolução de Outubro e onde o prato do dia na cantina municipal era "Bacalhau à Lénine".

"O povo," continua Raimundo, "soube resistir à ofensiva da direita e da extrema-direita, consolidando a nossa posição como uma força indispensável."

A CDU não perdeu eleitorado, fez uma "reorganização estratégica de recursos humanos votantes".

Enquanto o secretário-geral fala da "luta que continua", um assessor de imprensa, em pânico, tenta arranjar sinónimos para "derrota" que soem a vitória. "Expressão de resiliência popular", "reafirmação dos valores de Abril" e a favorita, "um resultado que nos convoca para desafios futuros".

A noite termina com o hino "Avante Camarada", cantado com o fervor de quem sabe que a única coisa que realmente "avançou" foi a idade média do eleitorado. E, ao fundo, ouve-se o som do último prego a ser martelado no caixão do "poder local autêntico". Mas, para o PCP, não é um prego. É apenas um "instrumento de fixação metálica na estrutura lenhosa da democracia burguesa". E o som não é de um martelo. É o bater do coração da luta que, teimosamente, continua. Nem que seja apenas numa dúzia de aldeias.»

 

Do nosso leitor Carlos Sousa. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

«É facto insofismável a contribuição dos judeus para o melhor da civilização»

Pedro Correia, 14.10.25

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«Filo-semitas, anti-semitas... Há e sempre houve a alterização dos judeus como "tribo" separada; aliás tendência iniciada pelos próprios nos idos da antiguidade, dado que o seu singular monoteísmo os tornaria únicos aos olhos do próprio Deus, que com eles teria estabelecido uma especial aliança...

Freud, que colocou a hipótese de Moisés mais não ser do que um egípcio remanescente do culto de Aton, considerava que a perseguição particularmente empenhada e cruel que desde sempre vitimara o povo judeu se devia, por um lado, ao seu "herético" monoteísmo (que já destruíra o breve culto de Aton...); e por outro, à sua "arrogante" determinação de se considerar o Povo Escolhido de Deus, por mais destratos que sofresse.

Concluía Freud que a segregação a que foram e eram sujeitos, e também a que a si mesmos se sujeitavam enquanto "filhos dilectos do Pai", concorreram para fomentar não só grandes capacidades de sofrimento e resistência, mas também elevados padrões éticos e uma particular dedicação às tarefas do espírito, ou intelectuais.

E que no mundo moderno (dele Freud), a sua capacidade de integração, não já de reconhecimento ou aceitação, constituiria o seu principal desafio.

 

Que no mundo actual, o nosso, continuem, como no tempo de Freud e Edvard Beneš, a existir tantas associações, e lobbies, e assembleias, judaicos; bem como uma evidente dicotomia, às vezes a roçar o fanatismo clubístico, entre filo e anti semitas; leva-me a pensar que ainda não se ultrapassou a "era das segregações", da alteridade judaica; ainda não se entrou na era da simples integração de que falava Freud, em que não interessa para nada se se é ou não judeu.

Mas como o que não vai faltando nos dias que correm são indivíduos e seitas convencidos de serem únicos e especiais, talvez essa integração acabe por fazer-se por... diluição.

 

O que é facto insofismável é a extraordinária contribuição dos minoritários e desprezados judeus para o desenvolvimento do melhor que a civilização já conseguiu, e isto a todos os níveis das actividades humanas. Não é preciso ser filo-semita para o reconhecer.

Pena seria se tal legado, que resistiu a tantas agruras e invejas ao longo da História, fosse agora posto em causa por uma fanática e auto-imposta incapacidade de simples integração, como Freud e Beneš decerto diriam.»

 

Da nossa leitora Zebra. A propósito deste meu postal.

O comentário da semana

«A saúde democrática mede-se pela maneira como lida com as minorias»

Pedro Correia, 07.10.25

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«Também eu penso que a questão não é jurídica, mas civilizacional - até porque os conceitos jurídicos socialmente aceites num dado tempo e lugar reflectem, necessariamente, a civilização de que são o principal suporte, regras e normas mais ou menos consuetudinárias que sejam.

Nas sociedades de tipo demo-liberal, et pour cause, debatemo-nos com este género de dificuldades e até contradições, porque uma democracia não é uma tirania da maioria, pelo contrário: a saúde democrática mede-se sobretudo pela maneira como lida com os diferentes, com as minorias, não é verdade?

O que não implica, muito antes pelo contrário, aceitar ideários e comportamentos que ponham em causa os valores civilizacionais do nosso tempo e lugar (que tanto nos custaram a conseguir, alguns ainda em processo de aceitação ou até de regressão...), em nome de uma relatividade absoluta entre valores e civilizações - que levada à prática permitiria tantas situações absurdas, cruéis e degradantes, que as questões de vestuário ou de procissões e romarias seriam as de menor monta.

 

Por outro lado, até parece que nunca existiram portugueses muçulmanos e respectivas senhoras com mais lenço ou menos lenço, mas nada de burkas e porcarias que tais...

Como teremos conseguido conviver com eles até aqui sem quase darmos pelas diferenças?!

O que, na minha óptica, comprova que a actual problematização não reside no facto de serem muçulmanos; mas sim de serem pessoas que, por pretextos religiosos ou não, afrontam os nossos valores humanistas, democráticos e liberais - porque, para começar, não os conhecem, são estranhos em terra estranha; e depois porque se estribam nos nossos próprios valores igualitários, e deles abusam, para nos impor práticas que se nos tornaram ofensivas em termos civilizacionais mas que, para eles, são as melhores e mais justas.

 

Mas acontece que de facto, e a olho nu, se vê que não o são, nem que eles não o saibam ou não o admitam. E quem deste lado teoricamente o defende, não ponderaria por um minuto que fosse viver segundo tais práticas e tais valores.

Dizem que são tão bons como os "nossos", mas que são os "deles" - e não percebem sequer o extremo desprezo implícito na própria ideia...»

 

Da nossa leitora Zebra. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

O comentário da semana

«Ambos os sexos são permeáveis a fragilidades, angústias, inseguranças»

Pedro Correia, 01.10.25

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«Qualquer Revolução, alegadamente à semelhança dos Anjos, não terá sexo, desde logo porque uma Revolução dificilmente será bem sucedida se prevalecer algo semelhante a qualquer tipo de “guerra dos sexos”, sempre inútil e falaciosa.

As diferenças entre os genótipos e as características fenotípicas do sexo feminino e masculino existem e são incontornáveis, mas também não têm impedido a união e a complementaridade em causas comuns, ao longo da História da humanidade…

Em vez de putativas "guerras dos sexos", talvez faça mais sentido reconhecer a existência de saudáveis diferenças entre o sexo feminino e o masculino, no plano físico e fisiológico, mas também ao nível das disposições emocionais e psicológicas, assumindo que não vale a pena cair na tentação de procurar estabelecer comparações entre o que não é similar…

E escusamos de ter ilusões: ambos os sexos são permeáveis a fragilidades, medos, angústias, complexos e inseguranças, por vezes até “inconfessáveis”, e não há nisso quem seja forte ou fraco…

 

Resta-nos, portanto, aceitar as diferenças naturais existentes, sem desvalorizar umas e sobrevalorizar outras, evitando recorrer a alguns estereótipos, derivados de certas representações sociais preconceituosas, relativas a ambos os sexos, de que são exemplos paradigmáticos estas aberrantes afirmações, ainda enraizadas em alguns pensamentos:

"Os homens não choram" ou "As mulheres cuidam dos filhos"...

Afinal de contas, todos fazem falta numa Revolução, tão simples quanto isso.

Convirá, no entanto, nunca esquecer que diferenciação de género não é o mesmo que desigualdade de género…

 

A esse propósito, lembra-se mais isto:

“A força das Mulheres só será uma surpresa para aqueles que as subestimam”…

(Roubado da Internet, de autor desconhecido).»

 

Da nossa leitora Paula Dias. A propósito deste meu postal.

O comentário da semana

«Sou pelos blogues como estão: existência pacata de quem ama a escrita»

Pedro Correia, 23.09.25

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«Estou farta de personalizar cookies, de os aceitar ou rejeitar. Perco alguma coisa. Mas, na vida, cada escolha é também uma perda, um apertar do caminho.

Creio que os blogues estão ultrapassados, sim. Mas esse é um dos factores que me atrai nos que frequento. O que passou de moda e continua a existir, vale mais: ficaram os fiéis, sem luzinhas a piscar e florinhas que abrem e fecham e demais enfeites - ficaram as palavras no mais intrínseco de si. Hoje, os blogues são lugar de sossego. Dão assunto e tempo para pensar; rasam as novidades e a notícia sem espalhafato, contam histórias verosímeis e tanta vez verídicas, opinam sem alarde.

Tendemos até a julgar conhecer quem está por detrás das palavras, suposição incorrecta: ninguém é o que escreve senão em parte ínfima e tanta vez incerta.

Sou pelos blogues tal como estão: existência pacata e sem alarde de quem ama a escrita.»

 

Da nossa leitora Bea. A propósito deste texto do Paulo Sousa

O comentário da semana

«Na generalidade, a música é quase toda boa, mesmo a má»

Pedro Correia, 15.09.25

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«Confesso que também acho os Supertramp um bocado corny e naquela zona entre os Boney M e o Neil Diamond. Tudo uma grande bosta que fica bem num hotel espampanante em Las Vegas — e até é estranho que o Tarantino nunca tenha feito um filme sobre isso.

Mas ao mesmo tempo... No outro dia ia no carro a ouvir a M80 ou coisa assim e às tantas aparece o Hotel California dos Eagles, que não têm nada a ver com os Supertramp mas ao mesmo tempo pertencem à mesma categoria de bandas, ou melhor, de músicas pirosas.

E depois a meio da música constatei que na verdade o Hotel California não é pior do que aquilo que milhares de músicas e de bandas nos tentam convencer diariamente. Pelo contrário, é muito melhor! Tem um solo do caraças, está tudo bem tocado e tudo bem construído... Qual é a razão de tanto ódio? Provavelmente nenhuma.

É um bocado como dizem dos ABBA ou dos Bee Gees. Aquilo é piroso mas ao mesmo tempo é muita bom. Na altura eu era muito novo e não apreciava muito a cultura do disco-dancing, não percebia sequer o que se estava a passar ali, mas agora oiço os Bee Gees e acho aquilo tudo muito bem feito e fora de série. Pá, honestamente.

De certa forma, o gosto tem a ver com um certo conhecimento sobre o objecto em apreço. Na generalidade, a música é quase toda boa, mesmo a má. Uma música é má porque é simples e fala sobre sexo ou porque não dá para eu exibir a minha erudição e falar de uns monges italianos do século XIV? Ou então porque quebrou um cânone e quebrou mais uma escala? Na verdade quase toda a música é incomparável entre si e está certa. O que o Schönberg fez foi quebrar as escalas, a forma de escrever. Mas no fundo tudo está certo e serve de baliza para o que vem depois.

Quando uma coisa está correcta ou foi resolvida, em termos de estética, deixa de ter interesse operativo — o interesse contemplativo permanece e até é acentuado mais tarde pela percepção histórica que lhe vai atribuir um papel e um valor demonstrativo, mas o que é necessário perseguir é aquilo que é considerado errado, não para normalizar o erro mas para entender que em termos funcionais apenas a acção desviante pode gerar um conteúdo estético novo.

É por isso que o Islão ou o Comunismo e todas as ideias autoritárias são inaceitáveis.»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do José Pimentel Teixeira.

O comentário da semana

«Antes do turismo Lisboa era uma cidade em decadência e quase em ruínas»

Pedro Correia, 08.09.25

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«Lisboa não é diferente de qualquer outra grande cidade europeia. É consequência da democratização do turismo para aqueles que, antigamente, só tinham direito a trabalhar de sol a sol e agora, graças ao progresso que uns desprezam, podem ver o mundo e experimentar o que apenas os burgueses e nobres podiam nos "Grand Tours" da juventude.

Em relação a Lisboa ter-se mudado para "Vila Franca", nasci e vivi boa parte da minha infancia num tradicional bairro lisboeta.

Morava com os meus pais num belissimo apartamento T1 (uma cave com 40m2 - e não era assim tão pequena...) bafiento e praticamente sem janelas, semelhante a milhares deles que deram lugar a airbnb por não serem adequados a familias. Não fomos despejados, saímos de boa vontade, aos milhares. Em 1980 éramos 800 mil: em 2000, pouco mais de 500 mil, com as maiores perdas de população a ocorrerem exactamente nas freguesias do centro histórico.

Antes do evento do alojamento local e turismos, Lisboa era uma cidade em decadência, semi-deserta e praticamente em ruinas, onde só os privilegiados viviam bem, ao lado dos mais pobres dos pobres que não tinham alternativa. A esses pobres que restaram, provavelmente o boom do turismo foi a melhor coisa que podia ter acontecido, com as receitas do turismo na cidade a passarem de pouco mais de 3 mil milhões [ano] no inicio dos anos 2000 para cerca de 20 mil milhões actualmente. Alguns ainda preferem a nostalgia do que era, porque para eles é que era bom, e a pobreza "dos outros é refresco".»

 

Do nosso leitor António Sérgio. A propósito deste meu postal.

O comentário da semana

«A mensagem do cristianismo foi a revolução mais revolucionária de todas»

Pedro Correia, 02.10.24

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Crucificação Branca, de Marc Chagall (1933), um libelo anti-totalitário

 

«Nem engenharia social inflamada por cartilhas ideológicas nem por cartilha de espécie nenhuma: bem pregou Cristo a evidente lógica da irmandade básica dos homens e da impossibilidade de servir ao mesmo tempo o deus dinheiro e o deus amor ao próximo, fazendo mesmo milagres para não ser apenas mais um profeta na sua terra, que ninguém escuta; bem se esforçou Paulo por explicar, com absoluta clareza, que não há diferença entre judeu e gentio, escravo ou senhor, homem ou mulher, pois todos são um em Cristo.

A mensagem de Cristo foi sem dúvida escutada e compreendida, pois que resistiu até hoje. Mas, logo desde o início, inquinada pelo tal "cerne da natureza humana", que a impediu, e continua a impedir, de florescer como a Verdade anunciada.

Uma mensagem que constituiu, na minha opinião, a revolução mais revolucionária de todas, e cujos valores, de forma manifesta, vieram fundamentando o progresso humano. Há que distinguir os valores cristãos em sentido absoluto da religião que, bem de acordo com a "natureza humana", se impôs num papel de intermediário ritualista, de que nunca mais saiu. É como a "ditadura do proletariado" do marxismo: de fase transitória, passou a ser o fim em si mesmo da revolução.

E Cristo não é a Inquisição ou os orfanatos de má memória: Cristo é a fraternidade, solidariedade e igualdade que as outras revoluções iriam apresentar como suas. Mas não são os anões que trepam aos ombros dos gigantes outra conhecida característica da "natureza humana"?

 

De qualquer maneira, estou em crer que é às revoluções de índole humanista, começando pela do cristianismo, que devemos o progresso que, apesar de tudo, conseguimos ir alcançando. Muito devagar, estupidamente devagar, com legiões de sacrificados, estupidamente sacrificados, mas avançando: se não tivéssemos progredido em termos de fraternidade, solidariedade e igualdade, nem saberíamos falar de direitos, liberdades e garantias, que estão normalizados no nosso quotidiano de "ocidentais"- apesar de termos que os defender com unhas e dentes, se quisermos mantê-los e desenvolvê-los. A "natureza humana" é, por definição, contra-revolucionária, no sentido de egoísta, belicosa e anti-progressista. Por mais que tenha, nunca nada lhe chega e tudo lhe é devido.

Cada revolução teve o seu papel nesse lento progresso, sempre alguma coisa útil deixou na História comum, apesar das tragédias dos povos e das distorções das ideologias originais, de que se destaca a inicial, a do cristianismo. E terá sido esta, gigante a cujos ombros as outras treparam, a ideologia revolucionária que deixou as marcas, os valores, que continuam a orientar-nos, por imperfeitamente praticados que (ainda) sejam.

 

Da nossa leitora Gracinha. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

«Ronaldo é genial, mas fez muito por si a partir de quase nada»

Pedro Correia, 26.06.24

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«A inveja é mesmo o mais rasteiro, o mais ranhoso dos sentimentos. A imagem mais comovente que guardo de Ronaldo é a de um rapazinho tímido, a entrar sozinho no enorme autocarro que o levaria de volta ao centro de treinos, creio eu, depois de um jogo da selecção para o campeonato da Europa, se não estou em erro, em que se entrevira já o talento que era seu. E onde estavam os outros, que tinham vindo com ele? Era madeirense, possivelmente viera sem família, os outros tinham ido para as suas casas, voltariam no dia seguinte, disse o meu marido.

Desde aí segui Ronaldo, e a mim, que nem costumo ver futebol, quantas alegrias me deu, a que verdadeiras obras de arte sublimemente efémeras assistimos em quase todas as suas exibições. Além do mais, um exemplo, num tempo em que o trabalho e a persistência parecem ter deixado de ter lugar e, a existirem, não andam bem considerados. O talento é uma coisa, o génio outra, mas sem muito trabalho o talento morre como rosa sem ser regada.

Ronaldo é genial, mas fez muito por si a partir de quase nada, só que o nada era esse talento imenso de que incansavelmente se ocupou. Por mim, tenho orgulho em que ele seja português, conto que continue a sê-lo, e espero que por muito tempo nos continue a dar alegrias como tem dado, desta ou de outras formas - no futebol há muitas casas e ele saberá reinventar-se.

Tem defeitos, mesmo na sua imagem pública? Decerto que tem, mas subam ao Olimpo e vejam os terríveis, crudelíssimos defeitos dos deuses que por ali moram. Cristiano vive por lá, mas é apenas um homem, para sossego nosso. Quando de lá desce, não será um santo... E que santos somos nós?

É afinal um homem do tempo e do mundo em que vivemos, das suas circunstâncias, e há indícios de ser boa pessoa... Quanto ao resto, à mesquinhez não se liga, pois mina tudo à sua volta. E quanto à inveja, diz o povo que nem o invejoso medrou nem quem ao seu lado morou.

Viva Cristiano Ronaldo! Deus o abençoe.

 

PS - Para que saibam, se quiserem saber:

Nunca vi o Cristiano Ronaldo, vejo futebol na televisão só quando o Sporting joga com o Benfica ou quando há jogos da selecção, nunca leio nada sobre futebol, escrever então... enfim, hoje deu-me para isto.»

 

Da nossa leitora Margarida Palma. A propósito deste texto da Maria Dulce Fernandes

O comentário da semana

«O meu pai costumava dizer que a preguiça é mãe de todos os males»

Pedro Correia, 18.06.24

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«Sou filha, neta, bisneta e trineta (daqui para a frente não sei...) de emigrantes. Os meus avós maternos conheceram-se na Argentina, ambos emigrantes, voltaram à Galiza com a grande depressão, perderam tudo; um bisavô desapareceu no Amazonas, era seringueiro (tenho esperança que tenha ficado por lá com uma índia); o meu pai foi um desses rapazinhos, posto fora de casa aos 14 anos para vir trabalhar com o avô que veio a Lisboa para apanhar o barco para a América, mas teve um acidente e ficou por Portugal onde montou um negócio. Com o meu pai vieram meia dúzia de miúdos da aldeia dele. O meu "papá" morria de saudades da terra, mandou-me estudar para lá para manter a ligação. Estou-lhe muito grata, fiquei com duas mães, a minha e a irmã dele, com quem vivi enquanto estudei. E cinco primos-irmãos. E uma ligação muito forte com a família. E amigos do peito em dois países, ainda vou aos jantares do colégio.

E era, o meu pai, entre muitas coisas boas (estudou ao mesmo tempo que trabalhava, e era todo virado para o espírito e coisas que agora são moda: pilates, yoga, alimentação natural, gestão de recursos humanos, um sem-fim de prafrentix que a minha mãe rotulava de maluqueiras), um convicto crente na ética do trabalho - a preguiça é a mãe de todos os males, dizia - e desde muito nova, tipo 11 anos, que nas férias tinha de trabalhar.»

 

Da nossa leitora Marina. A propósito deste texto da Maria Dulce Fernandes.

O comentário da semana

«As ideologias unanimistas ameaçam a diversidade cultural da Europa»

Pedro Correia, 11.06.24

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«A invasão islâmica constitui um problema grave, sobretudo quando se alia ao revisionismo comunista e woke. Essas ideologias unanimistas são uma ameaça directa à diversidade cultural da Europa e devem ser combatidas e, se possível, destruídas.

A Europa tem uma raiz pagã que transformou uma religião poeirenta e patriarcal do Médio-Oriente em cultura renascentista e, mais tarde, abriu caminho para a solidificação do espírito científico (o que não aconteceu em mais lado nenhum a não ser quando foi copiado pelos asiáticos). Na verdade, tratou-se de knowledge transfer tal como foi programado no Tratado de Roma e nas cimeiras de desenvolvimento. É nesse espírito que radica o sentimento de liberdade — radicalmente diferente das vozes autoritárias das potências continentais como a Rússia e as ideologias teocráticas. E é preciso inteligência, cultura e resiliência para manter esse espírito aceso, que todos os dias os nossos inimigos que são serventes do pensamento único lutam para destruir.

E estão a conseguir destruir muita coisa, como as línguas europeias, com a ajuda de uma massa de gente ignorante e servil que defende os revisionismos.»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

«A economia de mercado precisa com urgência de moralização»

Pedro Correia, 05.06.24

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«Não sejamos ingénuos, e não descuremos outra dimensão assustadora, que também alimenta a "ameaça do aço e da força": as máfias financeiras, nas suas desastrosas vertentes virtuais e de casino, que delapidam a riqueza criada pelo esforço dos povos; e que apostam também em investimentos concretos, que muito passam pela criação de 'necessidades' de guerra que não apenas as da justa protecção. A economia de mercado precisa com urgência de moralização, sob pena de se tornar disfuncional, com crises atrás de crises que atropelam cruelmente o homem comum.

A Europa precisa de indústrias de defesa próprias, muito fortes, que garantam a dissuasão e enfrentamento desses, os tais já ultrapassados pela história, que têm tudo a perder, e por isso se tornam ainda mais perigosos - pelo menos até, por fim, desaparecerem de todo, o que também acredito que acabará por acontecer, se não nos arrastarem com eles antes para o inferno. Mas restarão as armas, sobretudo as nucleares, na prática indestrutíveis, que haverá que gerir fora das mãos das tais máfias, para quem tudo é jogo e negócio; e as necessidades de bem-estar dos povos, que também haverá que gerir muito mais eficazmente do que até agora, aproveitando os ensinamentos do passado, para evitar o ressurgimento desses perigosos messias que vampirizam o voto.

Em conclusão: o poder político tem de recuperar o controlo da governação, os cojones que lhe vêm faltando, para que o impulso da humanidade para a liberdade enfim se cumpra. Sem isso, nada feito, é só esperar pelo próximo homem forte, sempre grande cliente de armas e de contas na Suíça.»

 

Da nossa leitora Gracinha. A propósito deste meu texto.

O comentário da semana

«Num certo sentido, a Suíça é a verdadeira Europa»

Pedro Correia, 28.05.24

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«A Suíça formou-se tardiamente, nas zonas mais ricas e mais requintadas de quatro países — e que sintetizou as melhores experiências de todos eles. E foi sempre tida como neutra, porque no meio das guerras é preciso um porto seguro, para onde pessoas e riquezas possam escapar.

Nesse sentido, a Suíça é a verdadeira Europa.

Se não estivessem agrilhoados pelo esquerdismo internacional, mais países (os que não são centrais no desenvolvimento tecnológico) poderiam ter-se aproximado desse estatuto de paraíso financeiro e de serviços e produtos de alta qualidade.

Portugal não, porque tem comunistas e brutamontes a mais para que qualquer coisa resulte — mas a Irlanda e o Benelux estão lá perto e a Islândia tentou-o até 2011. Esta gente ainda não percebeu que, para haver riqueza e os países serem dinâmicos, e haver menos corrupção, o lugar do dinheiro é na rua, não é em aforros nem nos cofres dos estados. Quando oiço Bugalho defender que "nós no PSD sempre defendemos maior transparência financeira e não somos favoráreis a off-shores" (hum... ele entrou lá ontem, 15 dias atrás afirmava que tinha escolhido o jornalismo e não a política... mas okay...), começo logo a ranger os dentes.

Um dos maiores problemas à sustentabilidade da Europa é a complexidade da sua construção. Começa a fazer falta uma revisão, uma reforma de toda aquela papelada infernal que cria o espaço para que só "especialistas" dominem na realidade os mecanismos políticos. Apesar de manter ainda os seus princípios de transparência e de segurança para com os seus cidadãos, a Europa à medida que se expande para Leste começa a ter velocidades diferentes a mais e a perder eficácia perante as possiblidades crescentes que a complexidade legislativa fornece aos corruptos. Um corrupto não é mais do que aquele que "simplifica" a vida a alguém.»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste meu texto.