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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 11.11.18

«Eu a julgar que os sérvios tinha lutado pela Grande Sérvia, os franceses pela Alsácia-Lorena, os ingleses para acabar com a indústria pesada alemã e ficar com os melhores bocados do Império Otomano, os italianos por Trento, Trieste e a Dalmácia, os romenos pela Transilvânia, os russos por Deus e pelo Czar (até se fartarem de ambos). E que nós apenas declarámos guerra aos alemães para (na tese oficial) não perdermos as colónias ou (na realidade) para reforçar o precário regime que então nos governava – duas razões que se aplicam à Guerra 1961-1974, que, francamente, não consta que tenha sido uma “luta pela compreensão contra o ódio, a liberdade contra a opressão, a justiça contra a iniquidade, a Europa aberta contra a Europa fechada, o mundo solidário contra o mundo dos egoísmos, das xenofobias e das exclusões”...»

 

Do nosso leitor JPT. A propósito deste texto do JPT.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 03.11.18

«Só um pequeno desabafo em relação às redes sociais. Quem viu nascer a internet decerto se lembra do espirito de comunidade e entreajuda dos primeiros tempos. Prometia ser uma coisa boa. Tornou-se basicamente uma lixeira coberta de publicidade. É triste.»

Do nosso leitor António. A propósito deste texto do Alexandre Guerra.

 

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«Primeiro sozinhos. Depois a família. Depois a tribo e o clã. Finalmente a cidade. Depois o Reino. Posteriormente a Nação. A seguir o Império. O mercantilismo. Depois o mercado livre. Surgem os movimentos emancipatórios, como reconhecimento de uma identidade comum. De uma dignidade humana comum. Vêm então as instituições supranacionais que visam mitigar os desarranjos arcaicos de fronteira - os ódios primatas de bando.
O sentido histórico, o progresso histórico, têm reforçado o aumento das fronteiras do grupo a que pertencemos. Cada vez são mais os outros que reconhecemos como iguais - todos sonham, todos sofrem. E oxalá um dia ninguém fique de fora por ser diferente. 
Quando saio para fora da nação histórica sinto-me em casa. Pois a minha nação é o horizonte. É aquilo que vejo quando olho para cima. Para um mar comum, ou um bosque virgem. Na bandeira vejo um trapo. Mas é de noite, que sei onde fico.»

 

Do nosso leitor Pedro. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.10.18

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«Exmo Sr Jerónimo de Sousa,

É com muito prazer que lhe escrevo sobre as reformas antecipadas, mas permita-me primeiro cumprimentá-lo pela sua coerência batendo-se pelo melhor daqueles que muito trabalharam.

Actualmente estou reformado, com 64 anos e com uma carreira contributiva de 49 anos de descontos. Leu bem: 49. Apesar de não ter tido penalização mensal de 0.5 /mês, tenho a penalização do factor de sustentabilidade. Assim, espero que V. Exa. faça reverter a situação, já que, para o ano de 2019, vão permitir reformas antecipadas sem cortes, incluindo o factor de sustentabilidade. Agradeço que tenha em consideração este assunto de modo a ficar também contemplado com o respectivo valor.

Aqueles com 60 de idade e 40 anos de descontos ou 63 de idade e 43 de descontos não terão qualquer corte na reforma. E eu, com 64 anos e 49 anos de descontos? Comecei a trabalhar aos 11 anos.

Fico grato pela sua atenção e aguardarei com a maior expectativa a resolução a favor dos que, como eu, muito contribuíram para podermos ter uma reforma condigna.

Receba um abraço.»

 

Do nosso leitor António Roque Ribeiro. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 21.10.18

«Exageros à parte, o que eu detesto são os marias-vão-com-as-outras.
Os dizes-tu, os depende, os tanto-faz, os da pós-verdade...
Abomino os que estão sempre de acordo, mesmo comigo, sobretudo comigo, naquela implícita num vago sorriso - não me chateies, não estou para te aturar.
Valorizo muito mais uma convicção errada do que uma cedência estratégica e cínica.
Denuncio que é precisamente uma sociedade parda e aparvalhada que convém àqueles poucos que manipulam todos os restantes em benefício próprio.
Àqueles a quem interessa difundir informação a mais e facultar formação a menos (atente-se nos sistemas de ensino).
Não sendo crente, ainda assim reconheço que a Bíblia nos transmite sólidos ensinamentos.
Um deles, o maior de todos, é "Amai-vos uns aos outros..."
Um outro é "Aqueles que não são peixe nem carne, vomitá-los-ei..."»

 

Do nosso leitor João de Brito. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 07.10.18

«As palavras amáveis e os mais simples gestos de civilidade e bonomia têm a sua fonte na capacidade de empatia. Quando se aterrou essa fonte com toneladas de narcisismo e se entronizou a "emoção" e o "sentimento" como o alfa e o ómega das relações em sociedade, caminhamos para a dissolução da argamassa que mantém unida essa mesma sociedade. Somos seres emocionais? Certamente. Mas somos também seres racionais e a empatia é sentimento e Razão a um mesmo tempo. É ela, no fundo, a ferramenta que nos permite ler os outros e nos faz dar um passo em frente no sentido de compreendê-los. Se a emoção/sentimento me faz sorrir e dar os bons dias ao meu vizinho pela manhã, quando estou bem disposto, já a mesma emoção/sentimento far-me-á ignorá-lo, quando acordo às avessas. A empatia assumida e praticada obriga-me (e eu dela sou um grato e voluntário cativo) a sorrir e a saudar pela manhã quem como eu é humano, se sente grato por estar vivo e com estoicismo carrega o fardo de ser humano e perecível.»

 

Do nosso leitor Rui Henrique Levira. A propósito deste texto da Ana Cláudia Vicente.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.09.18

«Há um artista português que me confunde - o grande Leonel Moura, que recentemente deu Ina Fundação Soares dos Santos, e autor do lema "A Esquerda Não Tem Que Ser Pobre".
Leonel Moura inventou um robôs que pintam, diz ele que com Inteligência Artificial. São umas coisinhas com rodinhas que se passeiam pela tela despejando tinta e mais ou menos conseguindo não esbarrar muito umas nas outras, e não caírem da tela.
Sabendo que o estado da arte no que à Inteligência Artificial diz respeito ainda implica armazéns repletos de torres de processamento, e reclamando o grande Leonel Moura que as suas caixinhas de sapatos pintoras são Inteligência Artificial, claramente o homem devia estar na IBM - ou parar de dizer asneiras.
Mas num mundo onde uma selfie dum macaco levantou a magna questão sobre a quem pertenciam os direitos de autor da foto, com muitos a dizerem que eram do macaco, o grande Leonel Moura não devia perder os direitos das obras para as suas caixinhas de sapatos pintoras?
Se ele mesmo se gaba de não ser o autor, porque recebe os proventos?»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste texto do Luís Naves.

 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 09.09.18

«Optimismo e pessimismo são os updates laico-millenials da redenção e culpa (ou fé e desesperança) que a religião nos legou, temperados (e algoritmisados) por um certo determinismo mágico (ai! a "sorte"..) pós-jacobino de moda.
A falha nestas dicotomias é a simplificação que parece fazer de estados de alma a única força motriz, como se fazer e sequenciar escolhas (mesmo que limitadas) fosse negligenciável nesta gestão daquilo que os zens referem como busca de "paz interior".

Ao perder isto de vista, arrisca-se não só a dissonância cognitiva - como aquela exemplarmente narrada por Rubem Fonseca referindo uma mulher que confessa perante o senhor padre ter cometido adultério, ao que o padre lhe pergunta (recordo de memória) "Minha filha, foi contra seu livre-arbítrio?"; "Não, foi contra o muro" - como se vai perdendo a capacidade de vislumbrar possibilidades e virtualidades ao longa das jornadas.

Antes como Corto Maltese que, confrontado com a leitura das suas mãos que indicava uma quase ausência da 'linha da sorte', i.e. a premonição que o destino lhe seria pouco grato, pegou numa lâmina e na sua mão sulcou uma 'linha da sorte" apropriadamente dimensionada.»

 

Do nosso leitor Jorg. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 02.09.18

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«É a própria autora, se bem recordo texto seu ou entrevista sua, quem se coloca razoavelmente à margem do tempo presente e a ele prefere, como referência, esse final do século XIX. Tendo em conta o que foi o século XX português (e não apenas) e o que está a ser o século XXI, pelo menos quanto aos líderes e ao geral e arrogante triunfo da estupidez, do embrutecimento, da venalidade e da superficialidade, essa opção: uma visão oitocentista - sem ignorar as imensas insuficiências e injustiças desse tempo, e sem esquecer o que a evolução tornou básico -, não é necessariamente inferior.

Há evidentemente preconceitos, ideológicos desde logo, que (e será legítimo tê-los) podem barrar liminarmente, resistindo a qualquer argumentação, a aceitação de um autor ou de uma obra. E há a visão portuguesa do antigo - patente por todo o país, nas mentes e no visível - que o toma não como legado, património que enforma também o presente e revela pistas para o futuro, mas como "velho", coisa na melhor hipótese inútil e mero estorvo. E um povo (voluntariamente) sem passado e entregue à bola e pouco mais é coisa que dá imenso jeito.

Há muito século XIX e século XX até essa década de 70 (e até depois), nesse livro? Há, sim senhor. Mas não vem mal ao mundo, creio, em conhecer um pouco mais desses períodos, de gentes desses tempos e da interpretação que deles faça a autora. E concordar e discordar onde isso se nos imponha.

Não será certamente pior do que ignorar, tomando por velharia sem préstimo o que desses tempos nos seja revelado.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 26.08.18

«Na passada semana fui passar quatro dias à capital lusa. Praticamente em todas as lojas da Baixa o/a empregado/a dirigia-se a mim com um "português" escorreito "May I help you?"... que me irritava solenemente
Num restaurante, em primeiro lugar perguntei se poderia comer, responderam-me que sim e que tinham lugar na esplanada, caso preferisse. Preferi, lá perguntei se podia ser em qualquer mesa vazia, responderam-me que sim. A seguir trazem-me a ementa na língua de Molière e depois perguntam-me se já escolhera, também como se fosse um francês... ou seria um canadiano do Quebeque?
É preciso ser-se assim tão desprezível com a nossa língua para se singrar no turismo? Porque será que ninguém costuma falar comigo de início em língua estrangeira nas cidades atafulhadas de turistas em Itália?»

 

Do nosso leitor Carlos Ernesto Faria. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 05.08.18

«Por qualquer obtusa razão não consegui ler o artigo para que aponta o post. Também não sei o que disse Madonna e pouco me interessa porquê: dado o andar da carruagem e a vassalagem habitual e submissa com que foi recebida em Portugal, espero qualquer coisa que, tenho a certeza, não será boa para nós.

Os media, em vez de a porem no lugar, cavalgam a onda. E é tudo tão triste que bem me parece que este ano a silly season está perigosa e não apenas silly. Andamos a copiar os USA, silly and dangerous, com a diferença de que sempre nos apoucamos e eles, por via de serem mandantes consagrados, levantam a garimpa.

É tudo uma desolação. Não sei onde se perdeu a humanidade e a inteligência.

Mas em frente. E o escaldar da manhã talvez me esteja a influenciar o neurónio. Pudesse eu e não me mexia da bolha de ar condicionado.»

 

Da nossa leitora Bea. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 29.07.18

«Ora aqui está uma boa pergunta sobretudo para tanto sabichão deste país, a maioria deles com altos cargos mas que, coitados, de floresta percebem tanto como eu de pilotar aviões. O problema maior em qualquer país não são as florestas nem o calor, porque sempre o houve, mas sim os incendiários - que, pelos vistos, em nome da liberdade tão apregoada por esta Europa, e não só, acabam com tudo, até com o direito à vida dos demais: será antes um caso para a justiça. Temos actualmente meios de comunicação e vigilância como não existiam há décadas e nunca me recordo de haver fogos desta dimensão. Por outro lado temos o abandono dos terrenos, o que não existia antes: são uma pasta de material inflamável. Portanto, o mais eficaz será sempre a prevenção e a manutenção dos terrenos com uma severa vigilância e mão pesada para os infractores. 

 

Do nosso leitor Vasco Lopes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 21.07.18

«Os livros de ficção fazem-nos mais cultos e sábios. Os livros académicos não nos ensinam a conhecer os meandros da alma humana...»

 

Da nossa leitora Maria Antonieta. A propósito deste postal do Bandeira.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 15.07.18

«Mas afinal quem é que privatizou a EDP? Quem é que foi o campeão das privatizações em Portugal? Foi o Cavaco, dirão alguns; desinformados, digo eu. Não, não foi o Cavaco, o campeão das privatizações em Portugal foi o Guterres, que privatizou a maioria da banca, dos seguros, dos cimentos, a EDP, a Galp, a PT, a Brisa e tutti quantti. Há quem jure que Guterres fez 48 mil milhões em privatizações! O que é que ele fez com esse dinheiro, continua a ser um mistério. Sabe-se que uma pequena parte, por imposição de Sousa Franco, foi para a divida publica e o resto não se sabe. Sabe-se apenas que não serviu para investir.
Quanto ao Passos Coelho, privatizou o capital que restava nas mãos do estado, pouco mais de 20%, cuja mais-valia estava associada à golden share, que teria de acabar mais cedo ou mais tarde porque era ilegal.»

 

Do nosso leitor Alexandre Policarpo. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 07.07.18

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«Toda a rede de via estreita encerrada (e tanta outra, além dessa), com a excepção de parte agonizante da linha do Vouga e de um derradeiro vestígio da linha do Tua, reduzido à condição de "metro". Eis um dos mais brilhantes legados desta terceira república: a CP - e quem quer que por estes dias mande na infra-estrutura - transformada em empenhada e metódica comissão liquidatária do caminho de ferro em Portugal (pode ler-se hoje, noutro local da Internet, que vai sendo conhecida como Camionetas de Portugal); o país rendido aos interesses de certas empresas de construção civil, verdadeiras companhias imperiais; a decadência extrema e já irreversível de uma desprezada rede ferroviária cheia de História.

Auto-estradas para lado nenhum ou redundantes, mas gerando receita de portagens de usura, indemnizações e outros apetecíveis proveitos de contratos mais do que questionáveis; barragens pouco mais do que inúteis à luz dos argumentos invocados para a sua construção. Sinais de uma "via original" e assaz venal para o progresso e a civilização. 

Um comentário que nada tem a ver com este rio, com esta série de postais. Ou talvez tenha: é ver os nomes de tantas das linhas ferroviárias encerradas. E ligar, na nossa literatura, comboios e rios.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 01.07.18

 

«São os arregimentados que fazem o regime. As leis têm como propósito a legitimidade do poder arregimentado.»

 

Do nosso leitor que assina "O Gajo". A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 23.06.18

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«A (falta de) paridade na comunicação social é o reflexo da sociedade em geral, tanto na vida familiar como na profissional.
As mulheres não precisam de proteccionismos nem paternalismos. As mulheres são seres humanos semelhantes aos homens, apenas com uma diferença cromossómica que existe para que a espécie humana possa reproduzir-se. Fisicamente - devido a essa diferença genética - as mulheres tendem a ter maioritariamente menos força do que os homens, razão pela qual estavam em desvantagem nas sociedades ancestrais, em que a força física era condição maior para a sobrevivência. Nas sociedades actuais, em que grande parte do trabalho é executado por máquinas e instrumentos, é mais importante a capacidade intelectual, e está sobejamente provado que neste aspecto as mulheres não são inferiores aos homens. Não há, por isso, qualquer razão lógica para a discriminação sexual de que as mulheres continuam a ser alvo hoje em dia, tanto dentro como fora de casa.
As mulheres não precisam de proteccionismos nem paternalismos. E também não precisam de provar que "chegam lá", como alguém aqui comentou. Ou melhor: não deveriam precisar de provar. Não deveriam precisar de abdicar de uma boa fatia da vida familiar para "chegarem lá" (tal como os homens, de resto). Não deveriam precisar de trabalhar o dobro para "provarem" que são tão aptas como os seus colegas homens. Não deveriam ser tantas vezes preteridas em favor de homens apenas porque... são mulheres (e podem engravidar, ou têm filhos pequenos, ou qualquer outra razão igualmente desumana).
As mulheres não precisam de proteccionismos nem paternalismos. Precisam sim de ser consideradas iguais, tanto na vida familiar como na vida profissional. Precisam de que o machismo desapareça definitivamente (tanto das cabeças masculinas como das femininas). Precisam de que as "coutadas dos machos" deixem de valorizar sistematicamente os seus pares igualmente machos só porque sim, ou com a desculpa de que as mulheres são... (e aqui podem incluir tudo o que vos vier à cabeça, desde baratas tontas, falsas, intriguistas e outros epítetos igualmente humilhantes, até absentistas, pouco dedicadas, "sem amor à camisola", etc.).
As mulheres precisam de que a sociedade mude. E depressa, de preferência, que esta injustiça já anda a arrastar-se há tempo demais. Não é culpa das mulheres. É culpa de todos - comunicação social incluída.
(E porque não começar pelas nossas próprias atitudes e pela educação que damos às crianças e aos jovens? Se todos fizermos a nossa parte, a evolução será certamente mais rápida.)»

 

Da nossa leitora Ana C. Borges. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 16.06.18

«Ainda é cedo para reconhecer o legado de Trump, mas a economia tem crescido, a importante questão do controlo de armas parece estar realmente na agenda política, e, evidentemente, o mundo ainda cá está. Para grande desgosto de Rachel Maddows.

Qual foi o legado de Obama? Tirando o cool black guy. A Primavera Árabe? O maior número de vítimas civis por ataques de drones? O deixa-andar que quase levou a uma guerra sino-nipónica? A anexação da Crimeia? Um clima de violência racial quase inédito nos EUA? A total submissão a Wall Street? A história o dirá, mas considero-o uma lástima.

Reagan, o actor de segunda, derrubou o muro de Berlim e reunificou a Alemanha. Se Trump conseguir dar o primeiro passo para a reunificação da Coreia será um feito mais digno do Nobel da Paz que deram a Obama. Estas coisas levam tempo, mas é preciso começar. Coisa que o outro não fez. Está agora na Netflix, num reality show. Hum...»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste texto do Alexandre Guerra.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 10.06.18

«Faz parte do fascínio pelos monstros. Todos os contos de fadas com lindas princesas e príncipes encantados têm o mal representado na bruxa, no ogre, no gigante, que são personagens muito mais interessantes do que os amorosos apaixonados, que só dão nome à história, porque os monstros morrem no fim, numa tentativa da vitória eterna e incondicional do bem e do happily ever after.
Vivemos segundo um código. Qualquer religião prega o bem e apela à fraternidade e ao amor pelo próximo. É isso que se espera na prática de todo e qualquer um de nós. Condutas desviantes, anti-sociais, delitivas, provocam o fascínio do porquê, e são normalmente case study.
É por isso que se esmiuça a pessoa do criminoso numa autópsia psicológica interminável , relegando para segundo plano as vítimas que passam a engrossar a injusta lista anónima dos que pereceram num holocausto de insanidade, de um delírio alucinado singular ou colectivo.

Lembro-me de ser miúda e de ver nas sombras da noite não o Gato das Botas, valente e destemido, mas sempre o gigante feiticeiro... ou o Parras, o Homem do Saco, o Grande Lustucru... as ansiedades dos medos são monstros que se alimentam de adrenalina.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 03.06.18

«Quem deu cabo da decisão democrática e informada sobre a eutanásia forma os partidos, todos. O PS, logo à partida, porque não a tendo no programa, a agendou só para não perder a liderança para o BE, por oportunismo e também porque, se fosse aprovada, era propaganda que lhe saía barata e até pode poupar alguns euros.


O BE, porque com o seu radicalismo idiota e discurso pedregoso, insensível, impede qualquer debate sereno e equilibrado.

O CDS porque faz vir a beatice cristã ao de cima; ai os valores da vida, ai deus que não gosta nada disto, ai os velhinhos com injecção atrás da orelha.

O PCP porque é cada vez mais labrego, para não dizer salazarento, nas questões civilizacionais. E porque a eutanásia é um acto liberal, neo-liberal mesmo, o grande capital monopolista portanto, veja-se a Suíça.

O PSD porque está numa fase ventoinha em que muda como os ventos, o Cavaco isto, o Rui Rio aquilo, o Pacheco Pereira aqueloutro, incapaz de argumentar com solidez seja o que for.

O único processo democrático seria um debate nacional alargado, entre cidadãos e entre instituições, sem a mínima intromissão partidária. Onde se soubesse, clarinho, preto no branco, como se têm passado as coisas nos países que permitem o suicídio assistido e nos países que têm internamento geriátrico ou cuidados continuados acessíveis.

Sou liberal, radicalmente a favor de um liberalismo regulado onde todos os abusos sejam erradicados. Portanto a favor do direito ao suicídio assistido, assumido pelo próprio, prevenido com todas as garantias e contra todos os 'buracos' que os legisladores costumam engenhosamente disfarçar. Um só caso de morte duvidosa tem de fazer parar todo o sistema para repensar. É essa a lei que eu quero.»

 

Do nosso leitor Mário Ricca Gonçalves. A propósito deste meu postal.

 

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«— Ó Sr. Dr., a minha nora disse-me para lhe pedir a eutanásia, porque ela e meu filho querem sair do Montijo e vir viver para a minha casa em Frielas e eu já tenho 75 anos e já não preciso de estar vivo mais tempo. Sempre é mais perto — e estão do lado de cá. Como é que alguém diz não aos mais pequenos? Bom, não interessa, está decidido. Como é que avançamos com isto? As aulas do meu neto começam em Setembro e dava jeito já estarem na minha casa em Agosto.
— Bom, isto não é assim... Você tem de fazer um requerimento e depois pagar as tramitações e depois há uma entrevista e normalmente espera-se um mês ou dois até aparecer um médico voluntário.
— Então e se for você?
— Bom, isso logo se vê... Tem é de pagar €936,82 à cabeça. Antes da eutanásia, claro.
— Mas que diabo... €936, 82???! Eh pá, como é que dá isso?
— Tem um custo fixo para o Estado e depois há umas taxas novas. O custo fixo é de 732,94, depois tem a Taxa do Processo Histórico de 93,44 para os Projectos Sociais Esquerda. O requerimento ainda leva o selo "PAN+Catarina Martins", que é 5 euros. Ah, espere lá. Há também uma Taxa Medina, que é uma taxa municipal de 105,44 para remoção de resíduos hospitalares especiais.
— Mas, foda-se, eu moro em Loures!!!»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do João Villalobos.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.05.18

«Fui (sou...) leitora do Pedro Rolo Duarte, o que me levou a criar com ele uma empatia, pelo seu jeito de ver o mundo, pela filosofia meio lúdica, meio blasé com que ele revestia o seu quotidiano, que queria simples e verdadeiro, despojado do entulho tóxico das diversas concessões aos poderes fácticos. Não o conhecendo pessoalmente, era essa a imagem que fui construindo dele, e que me agradava.

Agradava-me a emoção com que falava daquilo que verdadeiramente lhe importava e que eram os seus temas recorrentes: a família, os amigos, o jornalismo, o entusiasmo pela natureza - o Verão, o Alentejo, o mar, a praia, o prazer de criar e usufruir momentos gourmets, na companhia de amigos. Agradava-me a maneira assumida, nem um pouco cínica, de se posicionar no que ele considerava ser o lado certo da vida, e de respeitar as suas convicções com transparência e sempre com elegância.

Pela descrição que o Pedro Correia fez do lançamento póstumo do seu livro, que bom que os muitos amigos o recordaram e prestigiaram. Também ouvi o filho, António, de quem o pai tanto se orgulhava, e sim, acho que com muita razão para isso. Saudades da sua voz!»

 

Da nossa leitora Fátima MP. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana (2)

por Pedro Correia, em 20.05.18

«Porque viajar com gosto e com tempo depende do preço do bilhete e das estrelas do hotel?

E chamaria a essa definição, a Alice Vieira que me perdoe as semelhanças, "Viagem à volta do preconceito" ou "Gracinhas e desgraças de corte e costura de El-Rei Tadinho".

Há quem prefira pagar pouco nos meios de transporte e gastar o que quiser em entradas em museus e espectáculos; que prefira ficar instalado em b&b acolhedores e na rota da maré a escolher resorts e hotéis impessoais e apinhados; quem prefira viajar para conhecer as gentes que por sua vez lhe apresentam o país do que embarcar em viagens com autocarro de luxo e visita guiada aos pontos cuidadosamente escolhidos como turísticos.

Defender o país contra o preconceito é tão importante como defender o meio contra a descaracterização.»

 

Da nossa leitora Sarin. A propósito deste texto do JPT.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.05.18

«Será o futebol uma religião, um culto em que os adeptos, os crentes, os que seguem a intolerante e inabalável palavra do senhor são extremistas ao ponto de praticar actos vis de autêntico terrorismo do mais poltrão, que é aquele que se faz pela calada, sem dar a cara?
Estando a lei contra a violência no desporto arrecadada no pó dos dias, reacções de comentadores políticos e discursos de políticos pouco correctos e inflamatórios, principalmente dada a proveniência, não vão ajudar em nada o esclarecimento das coisas e mais uma vez a culpa, por mais que se pense conhecê-la em verde, vai acabar nas costumeiras águas de bacalhau, enquanto que futebol e política, que deveriam estar como água para chocolate, andam juntos a chafurdar numa lama que já fede há muito tempo.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 06.05.18

«Sou emigrante (mas não em Londres) e digo-lhe que para regressar não necessitaria promessas de reformas milionárias. Bastava que o Estado me permitisse poupar para a minha reforma, ao invés de me esfolar em impostos para pagar regalias a incompetentes e alimentar clientelas. Bastava não atrapalhar e permitir investir a quem tem ideias, ao invés de o rotular como porco-capitalista que há que sugar em impostos, taxas e taxinhas. Bastava que o mérito existisse ao invés da cunha e do compadrio. É por isto que os melhores e mais capazes emigram e dificilmente equacionam o regresso. Não sei se é da água ou do ar que se respira pelo rectângulo, mas que o ambiente é irrespirável e pouco saudável, lá isso é...»

 

Do nosso leitor André Miguel. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 29.04.18

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«Em Portugal o problema põe-se com a Autoridade Tributária (AT). Muitas vezes é preferível pagar multa por delito inexistente.
Para mim o problema da justiça é a lentidão. Conheço uma senhora que esteve nove anos em processo de partilhas com o ex-marido. Mas ela casou em regime de separação de bens, e os bens que tinha antes do matrimónio foram devidamente inventariados notarialmente, para realizar o acordo antenupcial. Devia ser um processo rápido. Não foi. E durante os nove anos ela ficou impedida de dar o uso que entendesse àquilo que era comprovadamente seu. Não pôde trocar de carro, de casa, vender ou doar património, e mesmo as contas bancárias tiveram limitações. Como tinha meios de arcar com as despesas não cedeu, e ganhou o processo - e colocou o Estado em tribunal, porque pode. Já lá vão uns anos que o processo se arrasta nas instituições europeias.


Alguém com menos meios termina num acordo extrajudicial porque não pode ter a vida “congelada” tanto tempo. A lentidão da justiça beneficia o infractor, e castiga quem não tem meios. Que o diga quem já intentou processos contra o Estado ou grandes corporações.
Quanto a confessar, é apenas parte do processo. A confissão só é aceite como prova se o autor da mesma revelar detalhes que só podiam ser do conhecimento do criminoso. Não é o mesmo que admitir culpa na sequência da investigação.


Em teoria temos um bom sistema judicial. A AT é que mete medo. Se esses, por engano, ou por outra razão, me acusarem de lhes dever 5 milhões, para eu contestar tenho de colocar 5 milhões à ordem da AT. Não tendo eu nem 1 milhão, como contesto?

Na prática só me resta ficar sem nada e ir preso.

Fui intimado pela AT porque comprei uma casa e nesse ano fiscal não tive rendimentos que me permitissem comprar uma casa. É surreal. Por um acaso de sorte cósmica, os Inspectores ouviram-me - eu tinha vendido uma casa no ano anterior e comprei outra mais pequena e com menos despesas. Nem foi o caso de ganhar 1000€ mensais e comprar um apartamento de 4 milhões. Se fosse, teria que justificar cada cêntimo, e era escusado alegar que um amigo me emprestou o dinheiro.»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana (adenda)

por Pedro Correia, em 23.04.18

«Antes do facebook houve o MySpace, e antes disso o Friendster. Antes do Google houve o Gofer e o AskJeeves. Edison tentou e falhou cerca de 5000 projectos de lâmpadas até acertar. O primeiro iPhone foi a 7ª versão.
Talvez explicar aos miúdos que os post-it resultaram dum erro na cola? Que o iogurte nasceu dum acidente? Que com os erros se aprende? Que ninguém nasce ensinado?
Os meus filhos tentam sempre baldar-se, “não sabem mudar uma lâmpada”. A minha resposta é “eu antes de saber também não sabia”. Eu sei que sabem, mas é mais fácil se for eu. Há meses um leitor de Blu-Ray pifou com um filme lá dentro e eu abri-o. “Pai, sabes arranjar isso?”. Não, mas sei tirar o filme, e quanto ao resto logo se vê - pode ser uma avaria simples, e se não conseguir, pois de estragado não passa.
São ideias, lições não tenho.»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste texto da Ana Cláudia Vicente.

 

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«Traduzir não é um trabalho fácil, ao contrário do que muita gente parece pensar (e desvalorizar). Não temos varinhas de condão, nem é tão simples como estalar os dedos. É necessário ter bons conhecimentos das línguas em que estamos a trabalhar, pesquisar muito (por vezes perde-se imenso tempo para traduzir uma simples palavra ou expressão), saber escrever bem, gostar de escrever bem. E para escrever bem é preciso ler muito, e prestar muita atenção ao que se lê, para saber separar o trigo do joio. Tudo isto é incompatível com o "encher chouriços" em que a actividade de tradução parece ter sido transformada hoje em dia. A juntar ao facto de se achar que qualquer pessoa cujos conhecimentos de uma língua estrangeira são ligeiramente acima do nível básico (mesmo tendo uma licenciatura) pode ser tradutor, e à ideia completamente errada de que o Tradutor do Google é tecnologia de ponta no que se refere a traduzir... Receio que a tendência seja para termos traduções cada vez piores.
A solução? Como em quase toda a nossa formação universitária, privilegiar a prática em detrimento da teoria; incentivar a qualidade pagando bem o trabalho que é bem feito; apostar numa formação contínua; valorizar a profissão. Entre outras coisas, claro.
Mas não me parece que isso aconteça em breve, portanto vamos ter de continuar a aturar traduções "manhosas" todos os dias.»

 

Da nossa leitora Ana CB. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 22.04.18

«O que Rio percebeu é que se pode aumentar a receita fiscal aumentando a despesa pública, via impostos indirectos. E assim o pessoal ilude-se que pelos aumentos de salários e pensões a austeridade finalmente ficou para trás independentemente do mês, cada ano, acabar mais cedo.
Truque de Ilusionista....
Por muitas cativações e calibrações, enquanto a dívida não chegar aos 60% basta um espirro lá fora para irmos de cama.»

 

Do nosso leitor Vlad. A propósito deste texto do Luís Naves.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 16.04.18

 

«Não troco o cheiro e o som de páginas novas a desnudarem-se aos meus olhos, não abdico da suavidade de livros velhos quase desfolhados de ternura.
E não percebo outra ligação a quem está ao lado que não pelo olhar, pela linguagem universal do gesto ou pela menos universal fala.


Mas... o telemóvel é uma ferramenta, religião serão as possibilidades que abre em si mesmo, abrindo-nos e fechando-nos aos outros. Para alguns será o contornar da timidez, o evitar falar com o outro; para uns será o afastar da solidão, o poder estar com o outro; para outros será o evitar estar consigo, o poder fingir ser outro.
E quem não está não é menos real - no meio de anónimos de olhares furtivos ou esquivos quase não há olhares francos, e os poucos sorrisos são quase todos de circunstância - má circunstância por ter sido apanhado "e lá vem conversa, bolas". Já era assim antes dos smartphone, dos telemóveis, dos pager, dos walkman.

Imersa num livro, oro horas a fio ao frio ou ao calor. E quanto mais me afundo mais flutuo, ignorante de quem me rodeia, incomodada por quem me aborda.
Nunca me irritei por me interromperem o uso do smartphone; já rosnei por me desviarem do livro.

A culpa da desconexão presencial não é do smartphone mas dos mesmos de sempre: nós.»

 

Da nossa leitora Sarin. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

 

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 08.04.18

«Lêem-se muitas aselhices que evidenciam o desconhecimento que o tradutor tem de particularidades do que está a traduzir. Com frequência, um personagem de uma série policial americana diz algo como:
"I talked with Langley about the suspect"
e é traduzido para:
"Eu falei com o Langley sobre o suspeito".
Acontece que Langley, quando dito naqueles contextos, não identifica um homem (que teria por nome Langley) mas sim uma instituição (a CIA, que está sediada em… Langley).»

 

Do nosso leitor João Sousa. A propósito deste meu texto.

 

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«Cada língua tem a sua musicalidade e uma riqueza muito própria. Tem as suas expressões idiomáticas, os seus ditos e até mesmo os seus estrangeirismos, que não podem ser traduzidos à letra. Um bom tradutor tem que ter sensibilidade e grande conhecimento da língua, não apenas por a ter escrutinado profundamente no seu estudo, no seu mestrado, mas também acrescentando alguma vivência e convivência no país de origem ou com naturais do mesmo, para lhe aprender as subtilezas que as aulas e os livros não ensinam. Por vezes uma inflexão errada altera todo o sentido de uma frase. Falar e escrever naturalmente por vezes obriga a flexibilizar um pouco as regras sem nunca trucidar a língua.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 01.04.18

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«Tenho bastante dificuldade em "comprar" as teorias das interferências russas nos resultados do Brexit ou das eleições dos EUA.
Basta estar atento ao mundo real para perceber que há uma insatisfação enorme com o status quo e com todos os que dele vivem. Os tais partidos políticos que têm feito da rotação de cadeiras um modo de vida.

Só que já não estamos numa altura em que não há informação e em que a maioria dos cidadãos se contenta em ser "operário", "trabalhar no campo" ou ser "trolha".

Além disso, a teoria de que foi o FB [facebook] o responsável por influenciar os resultados cai pela base quando se verifica a demografia dos votos que viabilizaram o Brexit ou as eleições nos EUA.

A verdadeira interferência russa foi a anexação da Crimeia. [Moscovo] tem medido o pulso constante aos ocidentais e é o controlo que está a fazer do Oriente entrando pela Síria com o apoio da Turquia.
E nisto que fizeram Merkel ou Obama? Tomaram a posição de força que agora exigem a Trump como o "culpado" de todo o mal que ocorre no mundo?
Um país soberano invadido às portas da Europa, anexado à força e com um referendo ilegal, e nada aconteceu? Umas sanções ridículas...

O que está a verificar-se é que os líderes europeus e americanos (EUA e Canadá), estão tão presos no politicamente correcto e na preocupação em vender uma imagem "tolerante" que não sabem como combater Putin. Governam para os comentadores e não para o mundo real, que está bastante perigoso.
E assim como Hitler assumiu em crescendo a sua posição, também Putin está em crescendo e sendo mais inteligente: passa uma imagem de serenidade enquanto as baratas tontas da União Europeia andam preocupados com assuntos menores.

Quando Putin passar à fase seguinte, que passará por controlar novamente algumas das antigas Repúblicas Socialistas Soviéticas e tomar como parcialmente sua a Síria, tendo aí um protectorado para controlar grande parte do petróleo, será demasiado tarde.
E o que fará Israel quando o petróleo roubado que vem através da Síria deixar de fluir?
São demasiadas variáveis. E líderes para tratar disto? Nem um.»

 

Do nosso leitor Nuno Frederico. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.03.18

«No meu tempo havia coisas boas e coisas más. Havia repressão e não havia liberdade, se bem que uma criança até aos 12 anos não abrange a noção do que é uma mordaça totalitária. Tem a sua rotina. Levanta-se, reza, toma o desjejum, pega na sacola preparada de véspera e abala para a escola. Para aprender. Para saber. Nunca tive professoras más, apenas exigentes e meticulosas. Apanhei algumas reguadas, mas sempre pensei que faziam parte do processo. Nunca me cairam as mãos. Acabei a quarta classe com uma bagagem de conhecimento muito superior ao que se ministra presentemente a nível de nono ano. Sei que é assim. Tive duas filhas na Universidade.
Sempre gostei de ajudar e aprender e pasmava como alguém poderia escrever tão mal a todos os níveis. Lembrei-me dos trabalhos de casa que trazia e não podia descurar, com os caderninhos de significados e os de duas linhas onde a professora escrevia palavras elegantemente desenhadas, que tínhamos de copiar até à perfeição.
As minhas filhas são doutoras. Deram erros ortográficos e gramaticais de bradar aos céus nas frequências, nas teses, sei lá. Alguns trabalhos pareciam até tratados de paleografia e nunca, mas nunca, algum professor se deu ao trabalho de as corrigir ou incentivar a melhorar. Universidades públicas, parideiras de doutores analfafetos... mais um paradoxo dos tempos modernos.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

 

 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 18.03.18

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 «A água é uma substância química cujas moléculas são formadas por dois átomos de hidrogénio ligados a um átomo de oxigênio, sendo sua fórmula química dada por H2O. A geometria de equilíbrio para uma molécula isolada possui dimensões de 0,0958 nanómetros nas ligações O-H e um ângulo H-O-H de 104°27'.

A água manifesta-se no seu estado líquido sob temperaturas entre 0 °C e 100 °C e pressão de uma atmosfera.

Não temos nenhuma descrição para o Amor como esta para a simples água. Eis a prova da existência de coisas que se sentem, se compreendem, sem sabermos delas quaisquer palavras que as contenham. Talvez por isso elas se nos escapem, pois que são as palavras senão formas de conquista?

Como regra poderíamos estabelecer: tudo o que é importante jaz além da palavra. A palavra, o discurso, não são mais que arabescos de uma pequena realidade.

Dizem ser cinco os sentidos do corpo. Mas alguém já se preocupou em contar os sentidos da alma? E em que linguagem ela nos fala? Será o arrepio uma lembrança de algo esquecido?»

 

Do nosso leitor Vlad. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 11.03.18

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«Estive a ver uma lista de realizadores que nunca ganharam o Óscar. David Fincher, Alfred Hitchcock, Terrence Malick, Ridley Scott, Orson Welles, Stanley Kubrick, Christopher Nolan, Brian de Palma, Park Chan-Wook, assim que me lembre.
Também estive a ver que os ratings desta edição foram os mais baixos de sempre (deve ter havido um movimento #NotMe nas audiências).
Ainda não vi o The Shape Of Water. Do que já vi de del Toro gostei muito, principalmente o Crimson Peak.
As incongruências fílmicas estão por toda a parte, até o Interstellar tem pessoal a beber cerveja num mundo onde já só há milho. Muitas vezes os personagens fazem coisas francamente estúpidas (a saga Alien é um exemplo) mas sem as quais o filme não avançaria. Desculpam-se.
No caso em discussão [no filme A Forma da Água], em plena Guerra Fria, onde toda a gente desconfiava de todos, custa a crer a cena das senhoras da limpeza. No entanto, na mesma altura a Força Aérea esqueceu-se dum bombardeiro carregado de ogivas nucleares numa pista durante dias, deixaram cair uma bomba H armada na Carolina do Sul (por milagre não detonou), o abrigo presidencial da NORAD estava com a porta de vinte toneladas travada com um calço de madeira porque a fechadura avariou...
Portanto, desculpam-se as senhoras da limpeza.»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste texto do João André.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 04.03.18

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«Um dia se fará, talvez, a quantificação da verdadeira culpa que o automóvel tem. Sem mais nem menos do que essa, sem demagogias, sem ódios ao carro particular e ao automobilista. Sem rendições incondicionais ao politicamente correcto.

Um dia, por exemplo, talvez se quantifique o peso, entre nós, de uma fiscalidade criminosa, insaciável e eterna, impedindo a renovação, a modernização em tempo devido, do parque automóvel.

Um dia, por exemplo, talvez se revelem os efeitos - e as razões decerto menos confessáveis - que levaram ao massivo desinvestimento, por cá, na ferrovia, tornando o generalizado encerramento de linhas um principal desígnio do operador ferroviário e deixando-nos à mercê de uma verdadeira tirania do autocarro e do camião, altamente poluentes (e tanto mais quanto mais envelhecidos), para o transporte de pessoas e bens. A ferrovia e os restantes transportes públicos (desde logo os "eléctricos", em meio urbano).

Um dia, por exemplo, talvez se apresente o que está por trás da maravilha do automóvel eléctrico, essa súbita e universal panaceia. Talvez se fale do altamente poluente processo de produção de bateriais.

Talvez haja, quem sabe, um dia, algum interesse em saber de onde vem a electricidade com que essas bateriais se carregam. Algum interesse em investigar os interesses envolvidos no desinteressado milagre de, por cá, encher de torres eólicas a mais pequena colina e de barragens qualquer regato (o Tua não é um regato, é certo, mas, mero exemplo, o extraordinário crime ambiental e paisagístico passou impune e, com ele, a absoluta inutilidade daquela barragem; mas há que alimentar o obeso ser das obras públicas).

Um dia, quem sabe, talvez ocorra a alguém suscitar a questão da poluição (do efeito de estufa, de todos esses demónios) originada na actividade industrial vista como um todo. Bem para lá dos transportes.

Como quem sabe, um dia, talvez se aponte o dedo mais que devido ao caos urbanístico em que se permitiu - se incentivou - se tornassem os subúrbios e os fluxos diários que originam. A esse caos e a quem o fomentou.

Até lá, até esse dia, apontar o dedo ao automóvel (ao automobilista) é coisa a cultivar empenhadamente. Oferece um culpado evidente, uma pena óbvia e justiceira, um fácil destinatário do desprezo bem-pensante, receitas abundantes para o fisco, uma simples e clara solução.

Solução com a vantagem de impraticável, se generalizada na sua aplicação - como afinal supostamente deveria ser aplicada, atendendo à dimensão do mal em causa -, a menos que se aceitem as tremendas consequências que traria. E por isso politicamente abençoada. Até dá votos, pela sua mera invocação como ideal.

E é essencial à impunidade de políticos. Passados, presentes e futuros. A isso e à desresponsabilização do estado.

Que é o que interessa.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste texto do João Pedro Pimenta.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.02.18

«Um belo dia, uma senhora natural de Vera Cruz interpelou-me em Belém e perguntou: "Moça, a Senhora fala português?" Ficou um tanto baralhada com a minha resposta: "Se me deixarem, falo sim." Mas como entendeu em boa língua lusa as direcções que pretendia, ficou satisfeita e agradeceu, não deixando porém de referir que quase todos os lisboetas falam "como se estivessem com a boca cheia e não se entende..."

Precisamos seguramente de lições de dicção, de preferência sem consoantes mudas.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.02.18

 

«A questão económica é fundamental na equação. Porque o ambiente é bem comum, mas se todos assumimos as perdas ambientais das catástrofes, no que às florestas (e campos agrícolas) toca, só os proprietários arcam com os custos de conservação e manutenção.

Restringindo à floresta uma matéria que é extensível à agricultura e aos recursos hídricos, a economia ambiental está 200 anos atrasada na Terra e 20 anos em Portugal. Urge discutir esta matéria. Porque a madeira é apenas UM bem produzido mas é O bem transaccionado, com a biomassa a começar a ser valorizada na fileira da celulose e como combustível noutras fileiras.

 

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A responsabilidade pela manutenção da biodiversidade e da estrutura do solo, pela produção de oxigénio e pela preservação da paisagem e do microclima passa pelas florestas. Os tais "bens comuns". O indivíduo não tem que pagar o oxigénio que respira - mas talvez deva pagar a sua renovação quando adquire um objecto, um processo que o afecta (já nos tiram dinheiro para isso em alguns). Não ao Estado, mas ao produtor que garante essa renovação, essa manutenção - incluindo o próprio Estado. Mas o mercado de carbono ainda se resume a Estados ricos comprarem quotas a Estados pobres para que as suas indústrias continuem a poluir acima dos limites acordados.

Assim como a paisagem. Passeamos livremente por campos e florestas - umas tratadas, outras abandonadas a si mesmas ou ao que as queira devorar. Não pedimos licença tal como não pagamos o privilégio. Mas choramos o fogo, crucificamos quem não trata, não ordena, não protege, num jogo do empurra entre o Estado e os produtores.

E ainda se queixa a sociedade ingrata pelos (parcos) subsídios atribuídos ao sector - que não necessariamente ao produtor. Sem esses, e graças à ausência de política ambiental, teríamos provavelmente os mesmos fogos, mas teríamos muito provavelmente mais área ardida e certamente menos gente a conseguir extrair rendimento da floresta.

Não precisamos de subsídios para ter floresta. Não precisamos de investimento crescente no combate aos incêndios, investimento que nunca é suficiente e que não é claro por onde circula.
Precisamos "apenas" de valorizar a floresta enquadrando-a numa política ambiental desmaterializada.»

 

Da nossa leitora Sarin. A propósito deste texto da Sofia Gonçalves.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 10.02.18

«A tecnologia prometeu-nos liberdades. Era promessa sua dar-nos mais tempo para nos cumprirmos como pessoas. A máquina ao serviço do Homem. Mas, como toda a ideia, ela apoderou-se daquele que a pensou e hoje vivemos pela máquina e cada vez mais para a máquina.
Vivemos ao ritmo do artificial.
Não somos hoje mais que uma engrenagem num maquinismo universal e querem fazer-nos crer que devíamos ficar agradecidos pela cintilante prisão.

As novas barras surgem num código, não numa janela.

Um dia, não muito distante, venderemos o corpo, a liberdade sólida, por uma realidade artificial, pressentida, mas não sentida. A máquina será proprietária do nosso corpo em turnos eternos, a troco de uma droga que nos faça esquecer a miserável vida sobrada. E acharemos belas como o pôr do sol as luzes cintilantes de um qualquer plasma.

A máquina toma-nos.

Toda a sensação será artificial, dada por um qualquer interface neuro-electrónico. Aprenderemos em minutos o que hoje levamos anos - apenas para nos tornarem mais longa a pena, e não a Liberdade.

Possivelmente casaremos, por medida, com uma máquina. Com um holograma. Os animais serão substituídos por robots. E erradamente acharemos não necessitar mais da realidade viva do planeta. Do outro. E, nesta ilusão egotista, acabaremos como acessório.

Mão de uma obra eterna.

Antes a morte real do que esta vida "morrida".»

 

Do nosso leitor Vlad. A propósito deste texto do João Campos.

 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 03.02.18

«Eu gosto do que faço. É massacrante, mas exige que me desafie e supere constantemente, apesar de "temos de conviver com o cinismo dos que nos rodeiam, porque são seres amargurados pelas suas próprias vidas medíocres, e que encontram algum consolo em tornar a nossa vida num pequeno inferno" que infelizmente fazem parte da realidade de todos nós. Uma coisa que aprendi em quase 41 anos de trabalho a lidar com centenas de pessoas diariamente, é que cada pessoa só tem a importância que eu lhe quiser atribuir. Passado o momento da explosão de que tantas vezes faço implosão para não criar conflitos, disciplino a situação à minha resolução pessoal e faço por mantê-la inalterável, se bem que cedências por vezes aceleram a solução.
Não é à toa que tenho tantos cabelos brancos... »

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste texto da Joana Nave.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 27.01.18

«A verdadeira política é a arte de influenciar uma sociedade de forma que ela adopte características que valorizamos. Neste processo existe uma necessária luta pelo poder que por vezes atraiçoa a luta pelas características que nos moveram inicialmente. Por vezes as pessoas julgam que a luta pelo poder é o que constitui a política quando esta é realmente uma luta pelos valores.»

 

Do nosso leitor J. J. Amarante.

 

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«Política é o conjunto de estratégias e objectivos, não é exclusivamente o resultado da actividade partidária.

Sou pela responsabilização directa, causa e efeito, incumprimento e sanção. Porque há que respeitar as escolhas individuais, e quem sou eu, aquele ou o Estado para impedir a figura de urso. Mas quando estas escolhas têm implicações na saúde o incumprimento e sanção não chegam - porque todos os casos de saúde acabam por ser casos de saúde pública, quanto mais não seja pelo ónus.

Também me desagradam as proibições de substâncias não psicotrópicas. Por isso achar a sobretaxação uma medida inteligente. Uma medida que, dando liberdade de escolha, responsabiliza o consumidor.
Lamento é que o produto das taxas sirva para a requalificação das empresas e não para a sensibilização dos consumidores ou para a (melhor) dotação de alas hospitalares de apoio a diabéticos e hipertensos! Porque reduzir sal ou açúcar é mera questão de reformulação, e não vejo o produto dos impostos do tabaco a ser dado aos agricultores para reconverterem os seus campos - estes, sim, em maus lençóis com a diminuição do consumo.

 

Da nossa leitora Sarin.

Ambos os comentários a propósito deste texto da Joana Nave.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 20.01.18

«Provavelmente não será só um problema dos jornalistas que estão nos grandes centros urbanos (Lisboa e Porto), também é bem capaz de ser um problema geral. Refiro-me ao facto de se perder a noção da realidade quando não palpamos, calcorreamos, essa mesma realidade, que passa por sair dos gabinetes (no caso dos políticos) e perceber que algumas leis não estão de acordo com a realidade que habita nas ruas deste país.

Nunca acreditei - e continuo a não acreditar - que, fosse Santana Lopes, seja Rui Rio, algo vá mudar no PSD. São dois políticos já com muitos vícios instalados. E quando os vícios existem e fazem questão de persistir, fica tudo na mesma como a tal da lesma. Para que as mudanças existissem, para que uma lufada de ar fresco se fizesse sentir no PSD, teria que ter passado por outros rostos, por outras posturas. Não necessariamente mais novos em idade, apenas ideias novas, formas de pensar novas...

O PSD até que precisava de uma "cena mais divertida" - não falo de Santana Lopes, obviamente - pese embora o facto de ser só divertido não chegar, terá que ser antecedido por algo mais sério. Bem mais sério.»

 

Da nossa leitora Maria Madeira. A propósito deste texto da Patrícia Reis.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 13.01.18

«Os episódios sobre esta temática fazem-me lembrar as guardiãs dos costumes da minha terra nos anos 70. Eram quase todas solteironas e provavelmente inteiras. Nunca faltavam à chamada do sino para a oração das 18:00. Ninguém lhes questionava a devoção, embora as más línguas dissessem que eram devotas sim, mas do apessoado sacerdote. Ouvi estórias que nunca reproduzirei por escrito pois continuo a viver na mesma terra e também porque não iria resolver nenhuma das alegadas consequências.
Quando o hashtag #metoo e afins regressa à ribalta penso sempre que a agonia e repulsa que outrora o mundo de Hollywood e Woodstock causavam às ditas senhoras seriam, se ainda cá andassem, coitadas, substituídas por uma total identificação pela muito defendida vivência sexualmente segregada. Os homens podem falar apenas com homens (nunca mais novos, como poderá confirmar o recém-impichado Kevin Spacey), mulheres apenas com mulheres, dispensando-me a dissertar sobre outras derivações de género.
Quando por estrita necessidade social se tiver que falar sobre o tempo (a mais banal temática em qualquer parte do globo) com alguém do género oposto devem evitar-se palavras como “molhado”, “abertas”, “encoberto” e “precipitação”, entre outras que se lembrem de acrescentar ao índex.
Mantendo a trajectória, em breve serão necessárias as técnicas de abordagem usadas nas esplanadas de Teerão: trocar mensagens via bluetooth com nicknames fictícios. Fora disto corre-se o risco de cair nas garras das solteironas guardiãs da moral.»

 

Do nosso leitor Paulo Sousa. A propósito deste meu postal.

 

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«Ninguém pode negar que o assédio sexual e que as violações existem. É um facto.
Mas também ninguém pode negar que há uma necessidade imperiosa, para a espécie humana, de que os homens assediem as mulheres. Se nunca os homens assediassem as mulheres, nunca eles se uniriam sexualmente e não haveria reprodução! O assédio é portanto fundamental. E mulher que nunca seja assediada por nenhum homem certamente que ficará profundamente infeliz!
E também ninguém pode negar que as mulheres têm percepções flutuantes e inconstantes. (La Donna è mobile) Aquilo que para uma mulher num dia foi uma saborosa relação sexual, passada uma semana pode ser recordado como uma infame violação. Aquilo que num momento é sentido como um homem atiradiço mas ligeiramente excitante, no mês seguinte será visto como um perigoso assédio.»

 

Do nosso leitor Luís Lavoura. A propósito deste texto do João André.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 31.12.17

«O socialista Luís Patrão diz que isto é uma "tentativa de simplificação legislativa para evitar pequenos focos de discordância interpretativa". Tem piada: nunca vi estes mesmos políticos particularmente interessados em "simplificações legislativas para evitar pequenos focos de discordância interpretativa" quando é o comum contribuinte que está em questão. Pelo contrário, parece que nesse caso quanto mais confusão legislativa - melhor.»

 

Do nosso leitor João Sousa. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 26.12.17

«A internet tem-se transformado num canal fácil para destilar a raiva e frustração. Uma forma ideal para lançar um fósforo e fugir. Uma maneira ideal de acicatar outros idiotas a permitirem-se ser idiotas também. Na minha opinião devemos sempre permitir e aceitar que os outros tenham opiniões diferentes das nossas, rebatendo o que não concordamos como os nossos próprios factos e pensamentos.
O mal dos comentários anónimos está no facto de permitir as alarvidades que se entender sem ver o nome e o rosto colado à imundície que se cria.
Contudo, e como muito bem indica, bloquear os anónimos não muda nada. A facilidade com que se cria uma identidade virtual permite o seu contorno.
Por isso o melhor é fazer de empregada de limpeza e ir limpando para não ficar muito sujo.
No meu blog opto por eliminar os comentários que entendo, não por censura, só mesmo porque é a "minha casa virtual" e nela acontece o que a mim me apetece e quem a mim se dirige de forma inapropriada e desagradável é varrido para fora. Fim.»

 

Da nossa leitora Cátia Madeira. A propósito deste texto do João André.

 

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«Acho incrível o nível de indignação face às gambas da Paula Costa, e o facto de se achar normal a falta de escrutínio de um secretário de Estado que presta uma "assessoria" de dezenas de milhares de euros a uma IPSS. Tendo em conta que um salário de um médico ou de um jurista dificilmente ultrapassam os 2500 euros na função pública, como se podem justificar tais valores por "assessorias"? Qual foi efectivamente o serviço prestado pelo secretário de estado tão onerosamente avaliado?

Caso (como desconfio) se confirme que os serviços que prestou à Raríssimas foram irrelevantes ou largamente sobrefacturados parece-me que isto constitui, senão crime, pelo menos algo muito mais merecedor de indignação do que as acções da Paula Costa que criou e geriu a instituição.

Por outro lado também vejo uma grande indignação com a falta de fiscalização das IPSS, mas ninguém comenta que a fiscalização das fundações ainda é menor. Por alguma razão pretendiam transformar a Raríssimas de IPSS em Fundação, pois aí tornar-se-ia na sua coutada pessoal! Poderia atribuir as remunerações que bem entendesse sem o mínimo de regulação.

Faz sentido continuarem a existir fundações em Portugal? Em que moldes? Trazem um benefício líquido ao País?»

 

Do nosso leitor Vítor Lopes. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 17.12.17

«O Facebook, como as outras redes sociais, é útil e agradável se usado com parcimónia.
Consegui reencontrar três amigas de infãncia, agora já avós como eu, através do Facebook. Foi uma festa!
Reuni uma panóplia de "amigos" interessantes em diversos graus e por vezes temos "conversas" de grande qualidade. E são mais fiéis do que os do blog, que desapareceram assim que deixei de publicar (motivos pessoais que devoram ainda o meu tempo) com a assiduidade a que estavam habituados. Para um público que se crê diferente, para mim o conceito deveria ser mais cuidado, mas já não sei.
Tenho tantos "amigos" dos meus passeios por aí que me ajudam a matar saudades...»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste texto do JPT.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.11.17

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«Olha, desde miúdo que convivo intimamente com elas. Na infância e puberdade com as lá de Tomar, que os meus avós tinham nas pequenas propriedades, figueiras, oliveiras, macieiras, pereiras, nogueiras, amendoeiras, nespereiras, cerejeiras, ameixeiras, laranjeiras, pessegueiros e mais algumas de fruto de que agora me não lembro e mais os pinheiros bravos e mansos (estes cujo fruto também se come e é delicioso) e os choupos e os freixos e os vimeiros e os chorões à beira do pequeno ribeiro que atravessava a horta. A determinada altura, já na juventude, deu-se a invasão do eucalipto, que foi roubando espaço ao pinhal (eu não sou contra, desde que com conta, peso e medida).
Havia também uma acácia enorme, linda, em frente à casa. Na cidade havia (e há) uma panóplia enorme na Mata Nacional dos Sete Montes (a Cerca - do Convento de Cristo) e pela própria cidade, predominando o choupo nas ruas e avenidas, havendo alguns jacarandás e plátanos.


Cá em casa, contadas assim de repente, há cinco variedades de ameixeiras, algumas no mesmo pé, que é de amendoeira, que tem uma vida mais longa, duas de cereja, na mesma árvore ("dão" pouco, faz pouco frio em Caneças), duas variedades de nêsperas, cinco de pessegueiro, três de figueira no mesmo pé, seis de pereira também num só pé, um abacateiro, uma anoneira que produz que se farta (ainda hoje colhi uma com 800 gramas e mais meia dúzia com mais de 1/2 kg), três variedades de romã, também na mesma árvore, uma laranjeira e uma clementina e um marmeleiro e uma bananeira e mais uns pés de videira que parecem árvores, que me dão uma trabalheira desgraçada, mas que me dão um enorme prazer. As glicínias, que também estavam enormes, foram cortadas p'lo pé, que já me estavam a dar cabo das árvores vizinhas e exigem uma manutenção "sempre em cima", desisti.

Este ano as folhas não caíram ainda na maior parte delas, as que já as deviam ter perdido, mas a pré-poda já teve que ser feita e elas já estão a "rebentar". Se o meu avô fosse vivo, diria "isto é dos astros, Mundinho", mas eu sei que não é nada dos astros.


Para terminar, por dever de ofício, durante muitos anos andei na rua e fui assistindo à plantação de muitas árvores sem qualquer critério e completamente desadequadas para o meio urbano, como as pimenteiras, para dar um exemplo flagrante, ou o próprio local onde as plantam, ou as podas radicais que se fazem só porque "é hábito" nos plátanos, matando-os aos poucos.

São bonitas, as árvores na cidade, mas seria bonito que os paisagistas e os urbanizadores se preocupassem em adequar as espécies aos locais, para depois os moradores não levarem com os ramos das árvores nas janelas e elas não se tornem um convite à ladroagem. Os próprios choupos, que como dizes resistem muito bem a ambientes poluídos, são hoje inimigos de um nosso bom amigo, o ar condicionado. Portanto, em resumo, as árvores sempre primeiro, mas se não for dar muito trabalho, que sejam adequadas aos locais onde são plantadas.»

 

Do nosso leitor Edmundo Gonçalves. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 18.11.17

«Aqui há ainda não muitos anos, os afectos ao PC faziam questão de repetidamente anunciar a soma global dos anos que os seus passaram nas prisões do anterior regime. O número, claro, impressionava e era imbatível como registo sacrificial.
Aqui há não muitos anos e, decerto, sempre que o vejam como apropriado.
Os mortos de uns valem mais do que os dos outros. Para alguns, talvez. Mas nada disso apaga o pacto celebrado com o Reich e o mais que por aqui já se denunciou. Nem menoriza os mortos dos outros e o esforço e dores dos outros. A simples lei dos números deve ser interpretada sempre com respeito e sem menosprezo pelos mais pequenos. Ou devia ser assim.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu texto.

 

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«O camarada Estaline apenas se manteve em combate graças aos vastos fornecimentos de material de guerra americano que, ainda antes da entrada dos EUA na guerra, lhe foi fornecido: 14 mil aviões, 12 mil tanques, 44 mil jipes, 375 mil camiões, pólvora, explosivos, aço, rolamentos, botas, cobertores, petróleo, tudo a chegar, em contínuo, das fábricas "capitalistas". A vitória na frente Leste seria inconcebível sem o bombardeamento aliado da Europa ocupada, da França à Roménia, que degradou a capacidade industrial e de produção petrolífera dos nazis. E sem a segunda frente, aberta em Itália (sem sucesso) e na Normandia pelos aliados ocidentais, os milhões de mortos soviéticos não teriam valido qualquer vitória.

Quem esteve aliado a Hitler, entre Agosto de 1939 e a data em que este decidiu acabar com a aliança, foi Estaline, e com ele, as quintas colunas comunistas, que, obedecendo às ordens do Comintern, na França ou na Polónia, desertaram e sabotaram os seus próprios exércitos, e, nos EUA, militaram activamente contra a entrada do país na guerra. No Centenário da Gloriosa Revolução de Outubro (que, sintomaticamente, foi em Novembro), o que alimenta os comunistas é o mesmo de sempre: a mentira.»

 

Do nosso leitor JPT. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 12.11.17

«Assertivo e com ele me identifico, ou não fosse o Cântico Negro o meu guião de vida.
A sociedade actual vive para a crítica severa e imediata, condenando quem opina, o que é diferente de opinar de forma diversa. Por vezes, depois de remoer o texto, também eu opino condenando, apenas quando a crítica é pessoal e não encontro algo que a justifique. Acredito que soe a vingança, mas é sobretudo alertar para que o autor do texto repense o mesmo e o esclareça. Não creio que alguma vez o tenha feito consigo, pelo que esta parte lhe seja estranha.
Declaração de interesses: não votei em Bruno de Carvalho. Mas olho para a forma como a imprensa o trata, transformando-o no maior saco de pancada de que há memória, e pergunto-me: Já pensaram se fossem vocês a ver exposta a vida privada e a pública, sempre com comentários negativos, como reagiriam?
"Todos falam dos rios que correm que são violentos, mas ninguém nota nas margens que os comprimem." Velha frase sempre actual.
Estarão as pessoas disponíveis para ler, e ler com atenção? A avaliar pela forma como respondem ao que o outro diz, não. Opinam ou vomitam a primeira imagem que o espelho lhes reflecte? Debatem ideias? Talvez não as tenham e, por isso, o comentário fácil, quantas vezes ofensivo.
Diferente é ter opinião diferente, o que só enriquece a opinião de todos, acabando com uma visão monolítica da coisa, e oferecendo algo mais próxima da inatingível verdade. Isso não significa desrespeito pela opinião do autor do texto, antes oferece uma outra visão da coisa. Infelizmente há muitos autores que não gostam que alguém opine de forma diferente, como se ter uma visão diferente significasse a recusa da sua opinião ou fosse ofensivo.
Permanentemente insatisfeito com o politicamente correcto, "sempre que me dizem para ir por ali, ergo-me e digo não, não vou por aí".
Obrigado, pensava que estava só.»

 

Do nosso leitor Orlando Teixeira. A propósito deste texto da Patrícia Reis.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 04.11.17

«Na verdade a parlamentarização das causas ambientais em Portugal tem sido muito incipiente. Desde alguns grupos que seguem a reboque de outros partidos, que aparentam ser tudo menos ecologistas, até partidos demasiado preocupados com causas que, apesar de importantes, acabam por tornar-se marginais. A aposta terá de passar pela mensagem correcta e pela influência da opinião pública quanto aos grandes temas ambientais, como as alterações climáticas, a escassez de água e, claro, os incêndios. A causa ambiental tem de sair das margens e centralizar-se. A preservação do ambiente e um desenvolvimento ecológico da humanidade não se coadunam com polarizações de esquerda e direita: a causa é de todos. Há que apostar por exemplo na cada vez mais urgente transição energética e no desenvolvimento de uma economia verde.»

 

Do nosso leitor Vasco Santos. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 29.10.17

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«Não julgo que fosse caso para uma moção de censura ao governo. Mas é caso para censurar publicamente o governo na sua actuação em relação a este tema (apagar fogos ou outra calamidade em território português ou que os envolva no estrangeiro, evitar mortes e tratar de prevenir e remediar estragos não é a única função governativa).
E não concordo com o que agora se diz de que nada podia ser feito em relação aos fogos do fim de semana 15-16 de Outubro. Mais, julgo mesmo que essa conversa visa descansar os portugueses assentando apenas em causas naturais a calamidade que, aliás, já estava prevista sem que coisa alguma tivesse sido feita para minorar estragos ou poupar vidas. Portanto, essa hipótese será apenas parcialmente verdadeira - as condições eram anómalas. Por exemplo, dado o calor e a seca, julgo que faria sentido prolongar a disponibilidade aérea para combate aos fogos e manutenção activa de bombeiros - as temperaturas não desceram e a consequente seca adensou.

Um governo que se interessa pelo povo serve para isso. Ou não?! De tanta lei e tanta preocupação burocrática que têm, não podem retirar um bocadinho para lidar com a realidade premente do país?! Não, provavelmente não podem. E depois, para remate, têm as atitudes que sabemos. Indesculpáveis. As calamidades são como um líquido revelador, fazem surgir as pessoas na sua nudez. Sem véus. E muita gente é feia no inside. Fede. Está humanamente morta. Mas o dever deles é mascarar a desumanidade e, já que estão no governo, serem humanos a fingir. Os portugueses agradecem.

Sobre partidos ou gente que no passado, recente ou não recente, perpetrou assassínios... não julgo que tenhamos assassinos dentro dos partidos ou do governo. Parece-me antidemocrático, anti-ético e até com toque de racismo exigir a estruturas criadas pelos homens que se mantenham incólumes e perfeitas ao longo dos tempos.

Ninguém é perfeito. Mas culpar um partido pelos erros cometidos noutro país - ou países - ou mesmo neste, é perverso. Os tribunais existem para julgar. E julgam pessoas e organizações específicas em situações também específicas. E eu espero com muita força que o poder judicial seja independente de qualquer outro. Ou ainda os portugueses, sobretudo os mais pobres, se vão sentir mais desamparados.»

 

Da nossa leitora Beatriz Santos. A propósito deste texto do Rui Rocha.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 22.10.17

«Na localidade onde tenho uma pequena quinta, que ardeu (casa, carvalhos e pinheiros), morreram três pessoas!! O meu prejuízo é, uma vez que não vivo da quinta, de ordem afectuosa e moral. Mas ao redor há mortos e vidas cortadas pela tragédia! Gente que vivia ou compunha o seu rendimento com a terra, a floresta principalmente, mais pobre ficará. As marcas do fogo são a cicatriz que agora ostenta, e sem memória de igual. Não tenho dúvida que se regenerará, a minha parte farei!
Daquela coisa a que se chama governo, espera-se que, quando não ajude, pelo menos não estorve!»

 

Do nosso leitor Justiniano. A propósito deste meu texto.

 

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«Tem razão, falhámos todos. Porque após quatro meses tudo continua igual, os mais desprotegidos continuam entregues a ninguém. E deixamos que um governo deste calibre avance no seu caminho de flores aparentes. A capacidade de um governo vê-se nestes momentos. E o que se viu é lastimável. Mais: é inadmissível, a vida humana é o bem mais precioso, aquele por que um estado de direito devia zelar prioritariamente. Pactuamos com quem diz que os portugueses têm que ser adultos; ou resilientes às calamidades naturais (como se, neste caso, não sejam fruto de muito desleixo e pouco zelo por parte de quem manda), têm que se habituar a morrer queimados, talvez. Pactuamos com quem após quatro meses se atém a um relatório que até não fez e propõe uma mudança no ordenamento das florestas. Mas onde é que esta gente tem a cabeça que não lhes pesa tanta morte na consciência, que não pede desculpa aos portugueses por ter deixado tudo igual? A culpa é de todos, mas mais de uns que de outros. E um dia podemos ser nós a arder numa estrada sem regresso; a perder tudo já no final da vida, sem a ajuda de ninguém. Sozinhos.»

 

Da nossa leitora Beatriz Santos. A propósito deste texto do Alexandre Guerra.

 

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«Vou deixar aqui o meu testemunho: quando cumpri o Serviço Militar Obrigatório (SMO), o meu quartel era um dos que colaboravam no combate aos fogos. Inicialmente, combatíamo-lo mesmo, mas após algum tempo - ainda durante o meu período de "tropa" - saiu uma decisão do Quartel General no sentido de os militares não combaterem os fogos. Tal, deveu-se à morte de pelo menos um militar ocorrida durante um fogo na região da Beira, salvo erro. De facto, nós, militares, não tínhamos qualquer experiência ou treino nessa matéria e apenas contactávamos (e éramos enquadrados por) os bombeiros durante os incêndios. Como o meu quartel se situava numa zona de pinhal intenso, acabámos por cumprir a importante função de Ronda aos Fogos: aí, todos os dias viajávamos num Unimog equipado com comunicação rádio e cobríamos uma zona que ia da Fonte da Telha ao Meco. Algumas vezes alertámos para situações de incêndios a começar e penso que essa actividade era importante. Diria que foi o trabalho mais útil que tive durante o SMO. Não sei, francamente, se esse serviço de patrulhamento ainda está adstrito às forças militares, mas deixo a interrogação: porque é que os incêndios raramente ocorrem em zonas que têm muita passagem de pessoas e viaturas, do tipo Serra da Arrábida ou Costa da Caparica? O patrulhamento não deveria ser essencial?»

 

Do nosso leitor Pedro Azevedo, a propósito deste meu texto

 

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«Não ocorreu qualquer furto de armas em Tancos.
O que aconteceu foi uma translação espontânea de corpos sólidos, vulgo teletransporte, micro fenómeno que nesse dia afectou Portugal continental.
Os meus óculos, por exemplo, desapareceram da mesa de cabeceira e materializaram-se na garrafeira da cave, dentro de uma garrafa de touriga. Só há quatro dias consegui encontrá-los. Nunca fiquei tão satisfeito por receber amigos para jantar.
Como estatisticamente estes fenómenos acontecem uma vez no tempo de vida de cada milhão de universos, devemos estar seguros nos próximos quinhentos mil milhões de biliões de anos, mais ano menos ano.»

 

Do nosso leitor João Marques. A propósito deste texto do José António Abreu.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 15.10.17

 

«O orgasmo também dura segundos independentemente da duração da cópula. Mas uma cópula sem orgasmo é como um ensopado sem borrego.»

 

Do nosso leitor Vlad, o Emborcador. A propósito deste postal do Rui Herbon.

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