Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Delito de Opinião

Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega, Chega

Pedro Correia, 14.10.25

SIC.jpg

CNN.jpg

 

Ontem à tarde acompanhei, em dois canais de notícias, debates pós-eleitorais com vários comentadores a analisar as autárquicas. Em ambos o Chega "venceu" por maioria absoluta. Nenhum outro teve sequer um tempo de antena aproximado. 

O debate da SIC Notícias durou 26 minutos. Período em que o Chega foi mencionado 52 vezes (uma a cada 30 segundos), deixando todos os outros a larga distância. O segundo foi o PS (24 vezes) e o PSD fechou o "pódio" (12 vezes). Os restantes? Bloco de Esquerda seis vezes, AD cinco, CDS três, PCP uma.

O debate da CNN Portugal durou 19 minutos. Com domínio ainda mais esmagador do partido de André Ventura: mencionado 44 vezes. Aqui também o PS em segundo (18 vezes). Depois o BE com sete, o PSD com apenas três. A conta completou-se com singelas menções à AD e ao Livre: uma cada.

Nada mais.

 

Assisto, perplexo, a este frenesim comentadeiro em torno do Chega nos mesmos canais que passam o tempo a "denunciá-lo". Atracção e repulsa em simultâneo, com incompreensível desproporção face a outras forças políticas.

Ouvindo estes debates, dir-se-ia que Ventura foi o grande triunfador destas autárquicas em que afinal perdeu cerca de 800 mil votos na comparação com as legislativas de 18 de Maio e venceu em apenas três municípios, perdendo nos restantes 305. Dez vezes abaixo da marca que previu.

Em número de presidências de câmara, o Chega estacionou em sexto - atrás do PSD (135), do PS (128), dos movimentos independentes (20), da CDU (12) e do CDS (7). Contrariando em toda a linha o que Ventura anunciara poucos dias antes do escrutínio: seria «impensável» ficar abaixo de comunistas e centristas. Mas ficou. 

Não pode queixar-se, porém. Nos canais de notícias, os comentadores continuarão infatigavelmente a falar dele e do seu partido - dando-lhe palco, dando-lhe gás. Como se vencesse em toda a linha, mesmo quando perde. Como se os outros quase nem existissem, mesmo quando ganham. 

Nos intervalos, a tribo comentadeira queixa-se do "extremismo" e do "populismo". Que vão medrando precisamente com o prestimoso auxílio destes canais.

Desprezível

Pedro Correia, 02.09.25

cnn.jpg

Ele, como sempre. Fiel à sua imagem de marca. A destilar ódio à União Europeia e à Ucrânia em geral e a Zelenski em especial. Como o soviético Lavrov, como Medvedev: na mesma linha. De uma fidelidade inabalável ao Kremlin.

Torcendo os factos, a todo o passo. Torturando a verdade. Com uma desfaçatez idêntica à do porta-voz de Putin e uma verborreia tão desprezível como a dele.

 

Anteontem, expeliu ele o seguinte na CNN Portugal:

ABUTRES E CHACAIS

«A Europa não tem dinheiro. Aquilo a que está a lançar a vista é aos activos russos, os 200 mil milhões que estão no Euroclear e que tanto a senhora Von Der Leyen como a senhora Kaja Kallas, como todo este grupo de abutres e chacais, estão à espera de cair em cima para saldar as contas de guerra com o argumento de que é para a reconstrução [da Ucrânia].»

XI E PUTIN «DEFENDEM A DEMOCRACIA»

«O que vejo no Ocidente é que um manda e os outros obedecem. No Ocidente defendemos a democracia intra-Estado (isto é, dentro de um Estado) e este grupo de países [da Organização de Cooperação de Xangai, incluindo China e Rússia] defende a democracia inter-Estados, entre os Estados.»

A RÚSSIA É QUEM MAIS ORDENA

«Ali, o projecto estratégico não é liderado pela China, é liderado pela Rússia. (...) Os factos demonstram. A Rússia tem quatro mil e muitas bombas atómicas, a China tem seiscentas. Xi dá a direita a Putin porque Putin assegura a capacidade estratégica da China.»

 

A 24 de Agosto - Dia da Independência ucraniana - o mesmo sujeito tinha surgido em antena, no mesmíssimo canal, para exalar isto:

PUTIN «QUER A PAZ»

«Zelenski está encostado às cordas.»

«Zelenski foi muito deselegante com o seu vizinho, a Hungria.»

«Zelenski devia seguir o conselho de Trump.»

«70% da população da Ucrânia quer a paz, neste momento os americanos querem a paz, os russos estão disponíveis para a paz. Quem parece que não quer a paz é Zelenski e os europeus.»

 

Leitura complementar:

Indignidade moral (6 de Junho de 2025)

Execrável

Pedro Correia, 28.06.25

 

O do costume, no local habitual. Fervoroso "guerreiro" sempre pronto a combater mulheres em estúdio. Destratando-as, insultando-as, tentando amesquinhá-las.

Putin, tão misógino como ele, certamente aplaudirá. 

 

ADENDA: Mais uma bojarda para a vasta colecção do major-general, proferida nesta emissão da CNN-P, na véspera do ataque ordenado por Trump ao Irão: "Acha que os EUA vão arriscar [aviões] B2 no centro do Irão?!" Isto enquanto se congratulava por ter visto (só ele viu) "a sede da Mossad  [qual sede?] ser destruída pelo Irão". Enfim, não acerta uma.

Ele não acerta uma

Pedro Correia, 24.06.25

agostinho 2.jpg

agostinho.jpg

Agostinho Costa, o famigerado major-general pró-Moscovo, não acerta uma. Não apenas sobre a agressão de Putin à Ucrânia: anda ele, por exemplo, a proclamar desde o Verão de 2024 a iminente “conquista” de Pokrovsk pela tropa do Kremlin e os factos teimam em contrariar-lhe os desejos. O raio da cidade ucraniana nunca mais cai.

Muda o cenário do conflito, mas a sua capacidade de chutar para fora, sem acertar no alvo, continua igual. Desta vez foi a propósito da “operação militar especial” de Israel no Irão, com apoio dos EUA. Na CNN Portugal, lá estava ele a garantir que se tratava de mera fantasia noticiosa. «Jogos florais.»

Foi a 12 de Junho, já perto da meia-noite. Tendo a seu lado no estúdio Diana Soller, cuja sabedoria muito admiro e cujo estoicismo aplaudo. Não é fácil ouvir tanto dislate daquele parceiro de painel, semana após semana.

 

O que disse Costa nessa malfadada noite de Santo António?

«Tudo indica que isto [iminente ataque de Israel ao Irão] não passa de uma campanha mediática. Porque os ataques não se publicitam: fazem-se.»

(Pertinente alerta de Diana Soller: «A ideia de um ataque não deve ser inteiramente posta fora das hipóteses.»)

«(Indiferente ao alerta) Para se ter um ataque desta natureza é preciso capacidade para atacar infraestruturas que estão colocadas à profundidade de 700 metros em montanhas.»

(Outra pertinente advertência de Diana Soller: «Desde 7 de Outubro [de 2023] Netanyahu considera que o ambiente no Médio Oriente é insustentável e Israel, portanto, está disposto a ir mais longe.»)

«(Indiferente à advertência) Todo este burburinho, todo este alvoroço… surge porque a vida não está a correr mesmo nada bem a Netanyahu. Começou com o Catargate. E no Knesset o partido de [Avigdor] Lieberman devia ter apresentado uma proposta de dissolução do parlamento… vêm novas eleições, Netanyahu cai e vai direitinho sabemos para onde.»

«Nem Donald Trump pretende qualquer conflito no Médio Oriente nem Israel tem essa capacidade.»

«É a última coisa que Trump quer.»

«Se Israel tentar atacar o Irão, é capaz de se resolver o problema do Médio Oriente com a retaliação do Irão, que apresentou esta semana um míssil com ogiva de quatro toneladas e sabemos para onde está apontado.»

 

(Réplica final, sempre pertinente e já algo impaciente, de Diana Soller: «O senhor está sempre a inventar armas a aparecerem debaixo das pedras nos países dos quais gosta, mas isso não faz com que as armas apareçam nem que o Irão faça desaparecer Israel do mapa. Era o que o Irão gostava e o senhor também, mas isso não vai acontecer, é um cenário completamente irrealista.»)

 

Daí a cerca de duas horas, a realidade confirmava as palavras da especialista em relações internacionais e desmentia em toda a linha a delirante retórica do major-general.

Sem surpresa.

Indignidade moral

Pedro Correia, 06.06.25

terrorPakistanBinLadenrallyAP0211290259.jpg

 

Ontem à noite, no canal do costume, ouvi o famigerado major-general Agostinho Costa com as habituais diatribes anti-NATO e anti-União Europeia enquanto despejava propaganda moscovita, num misto de Lavrov e Medvedev. Desta vez excedeu-se a si próprio, cruzando uma linha absolutamente inaceitável. A propósito da aparatosa destruição de duas dezenas de bombardeiros estratégicos russos por drones de Kiev dotados de inteligência artificial num ataque a quatro bases aéreas, uma das quais situada a 1900 quilómetros da fronteira ucraniana. 

Talvez transtornado por esta péssima notícia na óptica do Kremlin, o referido comentador disparou isto em antena aberta: «Lembremos os side effects da aventura americana no Afeganistão, na forma como combateram os soviéticos, criando a Al-Qaida que depois lhes caiu em cima.»

Uma indignidade moral, esta equiparação da inquebrantável resistência ucraniana ao invasor russo - no quarto ano de feroz conflito bélico em solo europeu - à organização terrorista islâmica. Equiparação que mancha quem a profere. E que só desqualifica quem lhe dá palco.

Sem palavras

Sérgio de Almeida Correia, 11.03.25

"O primeiro-ministro, Luís Montenegro, revelou que fez um acordo com o grupo hoteleiro Sana para conseguir pagar “250 euros por cada noite” passada num hotel de cinco estrelas no centro de Lisboa. E para garantir ainda que o alojamento estaria “disponível” “sempre que fosse necessário".

Um primeiro-ministro em funções faz um acordo destes? Tinha necessidade? Tendo uma residência oficial? E um apartamento em Lisboa?

Este tipo terá noção do que diz? Estará no seu perfeito juízo?

Execrável

Pedro Correia, 01.03.25

ag.jpg

 

«Zelenski recebeu orientações da Casa Branca para dress code: "O senhor apresenta-se aqui de fato e gravata." Zelenski voltou a aparecer vestido à Chuck Norris. Vimos como é que Trump ficou irritado logo à chegada. Se a senhora me convida para ir a sua casa, no mínimo ponho uma camisa por respeito pelo anfitrião. Se lhe foi definido um dress code, no mínimo era isso que Zelenski devia ter feito. São normas de boa educação, decoro e diplomacia. Senão, pode ir de chanatas e calções, não é? Se o anfitrião definiu como é que ele deve ir, é assim que ele deve ir...»

 

«Quem atiçou J. D. Vance foi Zelenski, que lhe perguntou se já tinha ido à Ucrânia, se conhecia a realidade... Depois ouviu o que não gostou.»

 

«Alguém que vai a um país que é o seu principal doador para assinar um acordo que representa a sobrevivência do [seu] país não se pode comportar desta maneira. Não pode levantar a voz aos Estados Unidos.»

 

«Zelenski demonstrou uma insolência inqualificável para um país que está numa crise existencial e em vias de ser ocupado pelos russos.»

 

Major-general Agostinho Costa, hoje, na CNNP. O mesmo que, na mesma estação, afirmou a 28 de Fevereiro de 2022: «Estou convencido que o senhor Zelenski já não está lá [em Kiev]. Senão a gente via-o na rua. Já não está lá. Está certamente em Lviv.» 

Disparo sem pólvora

Pedro Correia, 30.01.25

500.webp

 

«Já dizia Sun Tzu há quatro mil anos: o bom general é aquele que ganha uma guerra sem disparar um tiro.»

Agostinho Costa (CNNP 24 de Junho de 2023) 


Pergunta:

Sun Tzu seria visionário? Já falava em "tiros" milénio e meio antes da descoberta da pólvora.

Resposta:

Sun Tzu viveu no século VI a. C. «É fazer as contas», como dizia o outro. Há 2600 anos. Nada a ver com «quatro mil».

Há majores-generais com muita falta de pontaria: não acertam uma...

Convém levar Putin a sério e ouvir Trump

Pedro Correia, 13.09.24

transferir.webp

COGUMELOS NUCLEARES NAS CIDADES DOS EUA

«Convém levar a sério, de uma vez por todas, Vladimir Putin. Convém ouvir o que diz o próprio Trump neste debate com Kamala Harris: estamos a enfrentar uma potência nuclear, uma superpotência, e estamos completamente tranquilos como se nada se passasse. O que diz Putin - e é capaz de ter muita razão - é que estas armas de longo alcance (que não têm tanto longo alcance quanto isso) dentro do território da Rússia faz[em] da NATO parte do conflito. Muda a natureza e muda a essência deste conflito.

Portanto, quem quiser entrar em guerra com a Rússia, faça o favor. O Reino Unido quer entrar em guerra com a Rússia? Tenha a bondade. Basta um míssil Sarmat para destruir o Reino Unido. Basta um!

A utilização destes mísseis pode ser interpretada pela Rússia como um primeiro passo para um ataque preventivo, a resposta é nuclear estratégica, aliás disse-o [o MNE russo] Lavrov, não é na Europa: é directamente para os Estados Unidos. E os Estados Unidos não estão minimamente interessados, em ter, a um mês das eleições, cogumelos nucleares nas suas cidades! Nem certamente o Reino Unido. Nem certamente a França, muito menos o Presidente Macron, que nem consegue nomear um primeiro-ministro.»

 

transferir.webp

A UCRÂNIA JÁ PERDEU E O OCIDENTE ESTÁ A PROVOCAR MOSCOVO

«O que é absolutamente ridiculo é pensarmos que se pode provocar sistematicamente uma potência nuclear, provocar a maior potência nuclear, que já fez o upgrade da sua capacidade bélica, ao contrário do Ocidente... 

A questão é sabermos se é apenas a Ucrânia que vai sair derrotada desta guerra ou se sai a NATO toda! E os Estados Unidos têm a percepção disso.

Esta operação [em Kursk] foi o maior erro estratégico operacional que a Ucrânia, assessorada pelo Ocidente, pôde fazer. Os resultados estão à vista em Kursk. E no Donbass a situação é catastrófica para as forças ucranianas. Neste momento a Ucrânia está numa situação de emergência. O risco neste momento não é se a Ucrânia vai perder - é quando a Ucrânia vai perder, como vai perder e onde é que param os russos. Esta é que é a realidade dos factos.»

 

Major-general Agostinho Costa, ontem à noite, na CNN Portugal. O mesmo que em 25 de Fevereiro de 2022 proclamava na pantalha: «Os russos já estão em Kiev!»

O infatigável major-general putinista

Agostinho Costa anda há dois anos e meio a profetizar a derrota da Ucrânia

Pedro Correia, 22.08.24

Da rádio pirata ao palco global

Nuno Santos

Pedro Correia, 02.12.21

transferir.jpg

 

Nuno Santos não deve ser supersticioso. Se o fosse, talvez sugerisse outro dia para o lançamento da CNN Portugal. 22 de Novembro é uma data traumática para milhões de norte-americanos: recorda-lhes a fatídica manhã em que o Presidente John Kennedy foi assassinado em Dallas, fez agora 58 anos. Nessa altura ainda o jornalista iniciado numa rádio pirata na Amadora não tinha nascido. Mas chegou à profissão a tempo de testemunhar as maiores mudanças desde sempre registadas num meio que transitou do analógico para o digital. Da monopolista RTP a preto e branco a que ele assistia em miúdo à informação instantânea que hoje recebemos nos telefones de bolso, a revolução tecnológica alterou a face do planeta. O canal de notícias fundado em 1980 pelo magnata Ted Turner – a Cable News Network, com sede em Atlanta, Geórgia – foi um primeiro passo nessa direcção com a sua aposta deliberada nas transmissões em directo. Encarando o mundo como palco global.

Director da CNN Portugal, nascida nesta segunda-feira, Nuno Santos inaugura aos 53 anos outra etapa numa vida profissional em que subiu a pulso desde aqueles dias remotos na Rádio Regional da Amadora. Seguiram-se a Rádio Mais, a Comercial, a TSF – e depois a televisão, onde seguiu o mesmo percurso ascendente. Dirigiu a programação dos três canais generalistas e comandou a informação da RTP. Em 2001 foi ele a conduzir o parto da SIC Notícias, contrariando as vozes agoirentas que sempre se escutam nestas ocasiões, incluindo a de muitos jornalistas, avessos à mudança. Teve sucesso, como sabemos: a marca impôs-se. E não hesitou em assumir rupturas sempre que entendeu ser necessário.

Andou por fora durante seis anos, trabalhando em projectos ligados à comunicação na área digital em países tão diversos como a África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Espanha. Regressou em 2019 para lançar outro projecto de raiz: o canal 11, da Federação Portuguesa de Futebol – hoje uma referência no panorama desportivo nacional. Não tardou a receber uma proposta irrecusável da TVI, onde foi director de entretenimento e director-geral. Mantém-se no grupo Media Capital, agora com o maior desafio da sua carreira, nesta parceria entre o canal informativo com sede em Queluz e o grupo americano Turner Broadcasting.

A CNN Portugal é parcela mínima num império que alcança 425 milhões de lares em todos os continentes. Isto não diminui a motivação de Nuno Santos, que continua a entrar em campo com a mesma determinação do futebolista homónimo que integra o plantel do Sporting. A coincidência onomástica deve fazer sorrir o Nuno televisivo, sportinguista do coração.

Na noite da inauguração deste canal que passou a dirigir, pronunciou frases simples e claras: «Queremos elevar o patamar do jornalismo que se faz em Portugal. Acreditamos que é possível.» Palavras ambiciosas, num tom que raras vezes se escuta neste país de queixumes e lamúrias. E que de algum modo o definem: ele faz questão de remar contra a corrente.

 

Texto publicado no semanário Novo