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Sobre a greve pelo clima

por Paulo Sousa, em 01.10.19

Com a devida vénia a estes senhores que vinte anos depois continuam actuais. Souberem captar o espírito dos estudantes e das suas motivações. Reparem só na letra:

Escola boa, escola má
Quem está livre, livre está
Passará, não passará
E quem não passa fica cá

Ficam cá os radicais
Violentos marginais
Que se baldam às propinas
E às provas globais

E é uma fezada
A escola está fechada
Hoje há manifestação!
Aulas não! Aulas não!

E é p'ra palhaçada
A malta está animada
Pode vir a intervenção
Que nós estamos cá para...

Copiar o TPC,
Estudar livros de BD,
Decorar o pavilhão
P'ra festa da associação.

No pátio da C+S
Estudar nunca apetece
E no bar da faculdade
Vai-se o resto da vontade

E é uma fezada
A escola está fechada.
Hoje há manifestação
Aulas não! Aulas não!

E é p'ra palhaçada
A malta está animada
Pode vir a intervenção
Que entramos noutra dimensão

Bué da baldas
Bué da baldas
Bué da baldas

Bué da baldas
Bué da baldas
Bué da baldas

Muita falta, muito estrilho
Muito chumbo, que sarilho
Já mandaram os postais
Para a reunião de pais

Bué da baldas, muita nega
Bué da Mega Drive da Sega
Entrei noutra dimensão
Bué da faltas, aulas não

E é uma fezada
A escola está fechada
Hoje há manifestação
Aulas não! Aulas não!

E é p'ra palhaçada
A malta está animada
Pode vir a intervenção
Aulas é que não!

E é uma fezada
A escola está fechada
Hoje há manifestação
Aulas não! Aulas não!

E é p'ra palhaçada
A malta está animada
Pode vir a intervenção
E entramos noutra dimensão

Bué da baldas
Bué da baldas
Bué da baldas

Pra salvar o planeta
E às aulas baldar
Até escutamos a Greta
Ao Guterres ralhar

Foi de barco a bolinar
Veio de avião a planar
Para fuel poupar
E pró mundo não acabar

(modesta adenda em itálico deste fã dos Despe e SIga)

 

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Fiel a si própria

por Cristina Torrão, em 15.08.19

Greta Thunberg Stina Stjernkvistimago images.jpg

Fonte: Stina Stjernkvist/imago images

 

Com esta greve dos motoristas de matérias perigosas, os portugueses acabaram por descurar algo que, não fosse a dita greve, provocaria discussões acaloradas nas redes sociais: Greta Thunberg iniciou ontem a sua viagem a Nova Iorque, a fim de participar numa cimeira das Nações Unidas.

Afinal a mocinha sempre vai poluir os céus. Que alívio, pensarão os críticos, podemos atacá-la como a qualquer outro ambientalista de pacotilha.

Não, não podem! Greta não vai de avião. Esteve meses à procura de uma alternativa e a escolha acabou por cair na embarcação Malizia II, equipada com painéis solares e turbinas submersas que geram electricidade sem emitir dióxido de carbono. A viagem durará cerca de duas semanas. O barco é dirigido por um velejador alemão.

Greta Thunberg continua fiel a si própria. E, não obstante todos os seus admiradores e apoiantes, há muita gente a odiá-la. Gente que critica os tais “ambientalistas” que passam a vida a cruzar os céus, de cimeira em cimeira. Em relação a Greta, a crítica não chega, passa-se ao ódio. Apenas por ela se manter fiel às suas convicções. É perverso, mas é a realidade.

Ulrich Wagner, psicólogo social e Professor de psicologia na Universidade de Marburg, dá a sua explicação para este tipo de comportamento:

Muitos consideram que o aquecimento global não é um problema. Outros consideram que é, mas que não podemos fazer nada contra ele, ou seja, mudar o nosso estilo de vida não faz sentido. Por isso, não aguentamos bem que haja alguém que ponha os nossos comportamentos básicos em questão.

A intervenção de Greta Thunberg, a sua postura, obriga as pessoas a pensarem em si próprias, a fazer uma análise crítica de si. Gera-se um conflito interior, coisa que não apreciamos.

Quando nos vemos em conflito com o mundo, tendemos a procurar explicações simples para isso. Pomos então a responsabilidade em pessoas concretas. Rejeitar pessoas é sempre muito fácil. É o que se chama “piscologiar”: os que destoam e assumem posições polémicas são apelidados, em casos extremos, de doentes mentais.

Outra técnica é a desacreditação: tenta-se desacreditar Greta Thunberg, acusando-a, por exemplo, de servir de propaganda a terceiros, em vez de defender convicções próprias. É um comportamento habitual. Pessoas que trazem inovações não são apreciadas.

Pois é, gostamos mais de fracos, de vira-casacas, de hipócritas. Esses, sim, mostram-nos que afinal ainda há quem possamos censurar, quem nos eleve a modelos de virtudes.

 

Nota: o segundo link é alemão; a tradução é livre, de minha autoria.

 

P.S. O pai da Greta acompanha-a. Grande Pai!

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Arrefecimento global

por Pedro Correia, em 11.07.19

 

Este mês de Junho foi o mais frio em Portugal continental nos últimos 19 anos e o 13.º menos quente desde 1931.

 

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Verão?

por João Sousa, em 23.06.19

Ouço a força da chuva a bater nas janelas e fico a pensar se o governo, no seu zelo, também nos terá cativado o Verão...

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As flores de estufa

por Pedro Correia, em 09.04.19

«Frio em Abril... Neve na Primavera...»

Às vezes questiono-me em que país - e em que planeta - vivem estes editores e difusores de informação, que nos telediários lisboetas apregoam como flores de estufa as frases que citei acima, todas proferidas em tom dramático.

Como se fossem notícia. Neste mês de Abril ou no de outro ano qualquer.

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A vingança de Malthus

por João André, em 11.02.19

Em 1798, Thomas Malthus escreveu o seu "An Essay on the Principle of Population", onde, de forma muito resumida, previa que a disponibilidade de recursos levaria a um aumento de população até um ponto onde os primeiros não sustentariam a segunda, isto é, os recursos seriam insuficientes para a população. Os recursos a que se referia eram essencialmente a produção de alimentos e a sua visão foi influente o suficiente para se falar em catástrofe malthusiana ou em pensamento malthusiano.

 

Malthus não tinha (penso) uma previsão para o momento em que o crescimento da população seria restringido pela disponibilidade de alimentos, mas seja como for, as suas previsões não se cumpriram até à II Guerra Mundial. Malthus tinha no entanto apontado guerra, peste e fome como instrumentos de controlo do crescimento populacional. Neste contexto, a Grande Fome (Great Famine, no original) na Irlanda em meados do século XIX, a I Guerra Mundial e a Gripe Espanhola de 1918 apoiariam as suas teses. Ainda assim, após a II Guerra Mundial, no período de desenvolvimento económico e científico que se seguiu à catástrofe, a produção agrícola disparou, especialmente através da Revolução Verde. Alguns neo-malthusianos apontaram que tal apenas reforçaria as teses de Malthus, dado que este apontava a sobre-abundância de alimentos como a causa para o aumento rápido da população.

 

Houve no entanto dois aspectos que contrariaram a tese de Malthus. Por um lado, a tecnologia continuou a permitir um aumento da produção de alimentos ao ponto que, hoje, seria teoricamente possível alimentar toda a população do planeta, mesmo sendo esta consideravelmente mais vasta que em 1960. O segundo aspecto é o facto de a prosperidade, inicialmente nos países ricos e mais tarde nos restantes, leva a uma redução da taxa de natalidade, especialmente quando a prosperidade vem associada a uma maior educação das mulheres. A população tem continuado a aumentar, mas a ritmos variáveis e, nos países ricos, só aumenta devido ao influxo de imigrantes e a um aumento da esperança de vida. Num livro recente, os autores argumentam que, ao contrário do que se espera, este fenómeno relacionado com a educação feminina levará a uma diminuição da população mundial já dentro de 3 décadas (não li o livro, apenas deixo o link para o artigo).

 

Parece então que a catástrofe malthusiana pode ser evitada. Pelo menos do lado dos alimentos. Mas será completamente evitável?

 

2018 viu um aumento da consciência social um pouco por todo o lado. Foi a questão dos plásticos; foi o aviso que poderá já ser quase tarde demais para evitar aumentos de temperatura catastróficos; foi a informação que metade da Great Barrier Reef, bem como 15-30% (as estimativas variam) dos corais do oceano estarão a morrer de forma acelerada (e o IPCC estima que se o aumento de temperatura ficar apenas nos 1,5 ºC, 70-90% dos corais desaprecerão); foi a notícia recente que pelo menos um terço dos glaciares do massivo Hindu Kush-Himalaias estarão a desaparecer; foi o aparente aumento da frequência de episódios de tempo extremos (calor na Austrália, frio nos EUA, tufões e tempestades tropicais em alturas incomuns e em zonas onde não sucedem frequentemente); é a seca em múltiplas partes do mundo; são os insectos a desaparecer, etc, etc, etc.

 

Tudo isto está relacionado com uma coisa: uma voracidade pelos recursos do planeta que não tem par em qualquer outra altura dos 4,5 mil milhões de anos da Terra. Não se trata só das alterações climáticas induzidas pelo aquecimento global causado pela actividade antropogénica. O problema dos plásticos está também relacionado com isto: os recursos naturais (vidro, papel, madeira, etc) são limitados e não têm a variedade de usos que os polímeros (no caso, com à base de petróleo) oferecem. O declínio das populações de insectos está correlacionada com as revoluções verdes e o uso extensivo de insecticidas que permanecem no solo durante anos e que destroem as larvas de onde oclodiriam os novos insectos. As populações animais estão em declínio, em parte pela desflorestação e em parte pela caça. Em alguns casos a caça, especialmente de herbívoros de grande porte ou de predadores de topo, é tão ou mais responsável quanto desflorestação intensiva.

 

Isto reflecte uma realidade muito malthusiana. Não tanto pelo lado dos alimentos, mas pelo lado do desenvolvimento ou conforto ou luxos. O aumento do consumo de carne nos países em via de desenvolvimento é responsável por muitos dos actuais problemas climáticos. O desejo de ter os mais recentes brinquedos electrónicos (o iPhone 234.2 ou o iPad ou o Tesla ou a nova TV plasma-LCD curva a 360º ou as luzes LED que iluminam permanentemente por baixo da sanita para o caso de ser necessário apanhar a escova de dentes. Tudo isto, bem como todos os outros bens que poderiam ser mencionados, exigem recursos para a sua produção (ou para fornecer os serviços envolvidos), sendo que muitos deles não estarão ligados directamente ao produto (o plástico ou o metal do produto que teremos na mão) mas serão essenciais para a sua existência, na forma das cadeias de produção, nomeadamente no transporte, construção do equipamento envolvido na sua produção, equipamento auxiliar ou outros recursos (no limite até na produção do balcão da loja que vende o produto).

 

Todos estes recursos, além disso, são de via única, ou seja, não são recuperáveis. Há elementos nos sistemas de reciclagem ou reuso que ajudam a evitar esta armadilha, como o ciclo da água ou do carbono (por exemplo o CO2 libertado na queima de combustíveis é capturado por árvores que depois morrem e se afundam no subsolo acabando por dar origem a mais combustívei fósseis). A dificuldade é que não só a reciclagem nunca pode ser perfeita (a 2ª lei da termodinâmica impede-o) mas em termos de engenharia actual (ou prevista para o próximo século) não é possível sequer estar perto de 100% de eficiência. Isso significa que mesmo um hipotético cenário Soylent Green não permitiria sustentabilidade.

 

Isso significa que de um ponto de vista matemático, iremos sempre acabar por consumir mais recursos do que recuperamos num sistema fechado. No caso do nosso planeta, este problema pode ser resolvido devido aos sistemas implícitos de reciclagem do planeta (água, CO2, sais, temperatura, etc), mas estes são tão lentos que exigem uso ponderado dos recursos. No entanto a população continua a crescer e a pedir mais recursos per capita. Isso significa que continuaremos a usar mais recursos do que os que temos disponíveis e atingiremos um momento em que a procura ultrapassará a oferta. E não vale a pena defendermo-nos falando em tecnologia porque esta resolve os problemas utilizando mais de outros recursos. A revolução verde é um excelente exemplo: foi possível graças a novos fertilizantes e pesticidas, mas estes têm também os seus custos em termos de recursos de outro tipo (outras matérias primas, energia...).

 

Isto significa que, no fim das contas, Malthus acabará por ter razão. O planeta terá recursos limitados, mesmo contabilizando as entradas (energia solar, gravidade...) no sistema. O nosso ritmo de consumo, seja de forma directa (comida) ou indirecta (recursos para fertilizantes) será sempre mais intenso que a capacidade de reposição dos mesmos no planeta. Em alguns aspectos, estaremos pior (água, biodiversidade, clima) que noutros e teremos que fazer mais e mais depressa, mas em todos os aspectos o nosso desenvolvimento está a ultrapassar a capacidade que o planeta tem de o sustentar. A vingança, mesmo indesejada, acabará por chegar.

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Não tenho dúvidas de que hoje em dia está na moda dizer mal da União Europeia e de tudo que ela faz e representa. Os políticos europeus estão na linha da frente desses "ataques", muitas das vezes esquecendo-se o que essa mesma União (ou Comunidades, dantes) deu e contribuiu para o progresso e salto civilizacional deste Continente. O povo, naturalmente, vai atrás, criticando sem saber bem do que fala, embora, também se deva dizer que as supostas elites pensantes que pululam pelos meios de comunicação social são mais críticas em relação à UE do que os cidadãos comuns, que, apesar de tudo, são mais justos na análise que fazem aos benefícios e virtudes da Europa Comum. E no meio desta ânsia mediática de se criticar e dizer mal, acaba-se por dar ênfase ao que está errado (e há muita coisa) e ignorar o que diariamente é feito de positivo ao nível comunitário e devidamente comunicado pelas instâncias de Bruxelas. Mas, a questão é que isso pouco interessa às redacções e essa informação não tem espaço nos alinhamentos de comentários dos muitos "especialistas" que se redistribuem pelos vários canais noticiosos. 

 

Há dias, tivemos um bom exemplo disso, com a União Europeia a dar um passo político muito importante na sua história ao ter, pela primeira vez, como um todo, ratificado um acordo internacional, optando por não esperar pelas ratificações nacionais dos Estados-membros. Pouco se ouviu falar sobre isso, mas o que é certo é que os ministros de Meio Ambiente dos países-membros da UE aprovaram no passado dia 30, em Bruxelas, a ratificação do Acordo de Paris, que determina as directrizes universais para o combate ao aquecimento global. A decisão foi aprovada por unanimidade, num raro avanço político na UE. Os ministros aprovaram, na prática, a aceleração do processo de ratificação, sem esperar pela implementação do acordo em cada Estado-membro. De notar que apenas sete países da União Europeia já tinham concluído esse procedimento de ratificação nacional. Entretanto, o Parlamento Europeu também já aprovou a ratificação do Acordo de Paris, estando, agora, fechado o processo político e aberto o caminho para a sua entrada em vigor, no prazo de 30 dias. Sublinhe-se que para entrar em vigor, o Acordo de Paris precisava da ratificação de, pelo menos, 55 países responsáveis por 55% das emissões de gases com efeito de estufa. Até agora já tinha sido ratificado por 62 países, mas estes representavam apenas 52% das emissões, incluindo os dois maiores emissores – a China (20% do total) e os EUA (18%) –, pelo que a ratificação da UE permitirá a implementação do compromisso, 30 dias depois de a mesma ser depositada na ONU.

 

Ora, além da importância óbvia da entrada em vigor do Acordo de Paris (e isso foi noticiado timidamente no meio de tantas outras notícias), existe a vertente política no âmbito do processo europeu e esse enquadramento esteve praticamente ausente da imprensa e televisões portuguesas. É pena, porque este processo é um dos bons exemplos de como a Europa pode estar ao serviço de grandes causas, desde que haja consenso entre os líderes europeus. E era bom que isso fosse explicado e salientado.   

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