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Jornalismo e cidadania

por Alexandre Guerra, em 28.11.18

O jornalismo confronta-se com novos fenómenos de erosão que o empurram por caminhos tortuosos. Os cidadãos das sociedades livres e democráticas, com menos tempo e paciência para se dedicaram a grandes exercícios de leitura jornalística e reflexão, vão encontrando novos focos de “distracção”, inspirando-se em fontes pouco credíveis para construir as suas percepções sobre quem os governa e administra a polis. Aos preconceitos e ódios, inerentes à própria natureza humana, junta-se a instrumentalização dos títulos noticiosos enviesados que se propagam nas redes sociais – sem que alguém tenha uma verdadeira preocupação de ler o seu conteúdo –, os tweets incendiários, os posts populistas e demagógicos, as imagens adulteradas e as tão badaladas fake news. Tudo isto ajuda a sedimentar essas percepções nefastas que se vão metamorfoseando em falsas realidades e narrativas alternativas, onde tudo vale (ou nada vale). Cada qual constrói uma espécie de play list de soundbites de acordo com as suas crenças e convicções.

 

A comunicação é hoje um processo perverso, em que uma evidência objectiva, como dois mais dois serem quatro, se tornou num exercício criativo, dando lugar a inúmeras “realidades” fantasiosas, tantas aquelas em que cada um quer acreditar. No fundo, é uma questão de crença e não de aceitação da realidade como ela, efectivamente, é. Se antigamente as notícias eram referenciais de verdade, hoje, aos olhos das pessoas, o jornalismo perdeu muita da força que tinha para impor na comunidade a versão impoluta dos factos e acontecimentos.

 

Na visão mais pessimista, o jornalismo deixou de ter capacidade para se sobrepor ao ruído das “redes”, porque, infelizmente, e devido a vários factores, deixou-se fragilizar, descredibilizar e, especialmente em Portugal, acantonou-se num círculo vicioso de elites e gabinetes. Passe o exagero, diz-nos a experiência empírica mais recente que o jornalismo deixou de ter o poder para fazer cair ministros quando surge a “cacha” com evidências cabais de uma violação do “contrato social” firmado entre o governante e o governado. E isso é muito preocupante.

 

O definhar do jornalismo não pode ser única e exclusivamente imputado às contingências económicas e ao desinteresse das chamadas “massas”, por terem deixado de consumir hard news provenientes de fontes válidas. Há inúmeras responsabilidades que são partilhadas pelos profissionais do jornalismo: seja quando são os próprios meios de informação tradicionais a importar para as suas agendas e editorias o tom displicente da “conversa de café” e o registo incendiário das redes sociais; seja quando são os comentadores e opinion makers, que têm responsabilidades cívicas muito importantes junto da opinião pública, a ignorarem a natureza intrínseca das coisas, para porem em prática agendas próprias ou para assumirem o papel de activistas ou pregadores da moral.

 

Paradoxalmente, nunca se consumiram tantos conteúdos como agora, mas sabemos que os meios noticiosos mainstream vão perdendo o seu público, a sua influência junto da comunidade. A cada dia que passa fica-se com a sensação de que o jornalismo vai morrendo um pouco. Vai abdicando dos seus princípios e valores, vai violando o seu código deontológico e vai delapidando o seu capital de instituição de referência na sociedade.

 

Como em todas as profissões, há bons e maus jornalistas, há uns que se deixaram cegar pela arrogância dos tempos gloriosos, outros que se acomodaram na secretária, há ainda outros que se esqueceram do que é ser jornalista e foram consumidos pelo seu ego. Porém, a maioria dos jornalistas, de forma séria e profissional, fazem o seu trabalho em prol do bem comum, muitas vezes enfrentando inúmeras contrariedades, algumas delas vindas das suas próprias estruturas empregadoras.

 

Nutro o maior respeito e gosto pelo jornalismo, já que cresci nesse ambiente, ainda no tempo das máquinas de escrever. Lembro-me de quando era criança, nos anos 80, depois de o jornal estar “fechado” madrugada adentro, ir com o meu pai, jornalista desportivo desde sempre, ver se estava tudo bem com a impressão nas rotativas da gráfica que havia em frente à Escola de Música do Conservatório Nacional, no Bairro Alto. Já o meu avô tinha sido tipógrafo no Diário Popular (na verdade, linotipista). Como não podia deixar de ser, após ter concluído a universidade, comecei a minha carreira profissional precisamente como jornalista na secção de política internacional, onde estive durante alguns anos, tendo depois transitado para a área da consultoria de comunicação, na qual me mantenho desde então.

 

Por interesse pessoal, mas também por motivos profissionais, gosto de acompanhar os debates que se fazem lá fora (cá dentro, menos) sobre o futuro do jornalismo. Contacto quase diariamente com jornalistas e, sempre que se proporciona, gosto de trocar ideias sobre o estado da profissão em Portugal e no mundo. Na generalidade dos casos, percebe-se que existe, da parte dos seus profissionais, a consciência dos problemas e da deriva editorial que se verifica genericamente nos meios de comunicação social. Constata-se que existe a vontade de encontrar um caminho sólido, que devolva a essência primária ao jornalismo, mas ao mesmo tempo, sente-se uma espécie de resignação perante uma tendência que parece imparável.

 

Sobre o jornalismo pairam ameaças, incertezas e indefinições, não apenas a propósito do modelo de sustentabilidade económica, mas no âmbito da sua própria essência e papel fulcral na defesa da democracia. Ora, um exercício pleno de cidadania deve estar assente nos direitos políticos, sociais e cívicos de cada cidadão, o que pressupõe duas coisas: conhecimento da realidade que nos rodeia e escrutínio a quem exerce o poder.

 

Que ninguém se iluda, o declínio do jornalismo é também o declínio da cidadania e da democracia. É por esta razão que, na minha opinião, são indignos da confiança do Povo aqueles que vêem no jornalismo uma ameaça aos seus projectos de poder e de “governance”. Além disso, são tolos e irresponsáveis os que acham que o jornalismo pode ser substituído pelas “verdades absolutas” que emanam das redes sociais. É importante nunca esquecer que uma sociedade democraticamente saudável e forte exige como requisito obrigatório um jornalismo virtuoso e de referência.

 

Texto publicado hoje no Público.

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Clube do Bolinha na cozinha

por Pedro Correia, em 27.11.18

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A todo o momento se debate, nos mais diversos espaços de opinião, a necessidade de combater assimetrias e desigualdades entre cidadãs e cidadãos. Justíssima causa, ainda com muitos passos a trilhar, e a que dou todo o meu apoio - da igualdade de oportunidades no acesso às carreiras profissionais à urgência em equiparar salários, sem discriminações de género.

Há que reconhecer os progressos registados, nesta matéria, em quase todos os domínios da sociedade portuguesa - incluindo aqueles que outrora permaneciam vedados à participação feminina, como a magistratura, a diplomacia, as corporações policiais e as forças armadas. Se há meio século, por exemplo, era residual o número de mulheres nos cursos de Direito, hoje elas estão ali em esmagadora maioria e já predominam em todos os níveis da magistratura excepto nos tribunais superiores.

Para espanto de alguns, até o futebol feminino está em franca expansão entre nós, com um número crescente de praticantes federadas. Havendo até já jogos que congregam cerca de dez mil adeptos nas bancadas, como aconteceu num recente Sporting-Braga.

 

Mas há um domínio que lhes permanece escandalosamente interdito sem uma palavra de reprovação das figuras bem-pensantes. Refiro-me aos chefes de cozinha, onde parece prevalecer o lema do Clube do Bolinha: "Menina não entra."

Ainda agora registaram-se unânimes coros de júbilo a propósito da atribuição de quatro novas "estrelas Michelin" a chefes de cozinha portugueses. Todos homens. E ninguém parece reclamar por isso, o que muito me admira.

Consulto a lista integral dos chefes galardoados com as referidas estrelas em Portugal: António Loureiro, Vítor Matos, Louis Anjos, Rui Paula, Joachim Koerper, João Rodrigues, Miguel Rocha Vieira, Óscar Geadas, Heinz Beck, Henrique Leis, Sergi Arola, Miguel Laffan, Tiago Bonito, Alexandre Silva, Pedro Almeida, Pedro Lemos, Leonel Pereira, João Oliveira, Luís Pestana, Willie Wurger, Henrique Sá Pessoa, José Avillez, Benoît Sinthon, Hans Neuner, Ricardo Costa e Dieter Koschina.

Caramba, não se vislumbra uma cozinheira num sector tão emblemático e com tanta projecção mediática. Elas só servirão para lavar os tachos?

 

É algo que me indigna. Quase tanto como o silêncio cúmplice das feministas que passam ao lado deste tema. Algumas, se calhar, até frequentam sem sobressaltos de consciência os restaurantes desta tribo que goza de tão boa imprensa e se mantém irredutível como reduto da desigualdade.

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Carlos Silva e Sousa

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.02.18

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 (créditos: Sul Informação)

Esta tarde, no final de mais uma viagem, entrei no terminal do aeroporto e desactivei o modo de voo. Liguei o telemóvel e a notícia caiu de chofre. Fulminante como um raio vindo sabe-se lá de onde. Desta vez não houve tempo para nada. Nem um abraço. Apenas distância.

Conheci-o por intermédio de um casal de amigos comuns que haviam sido seus contemporâneos em Coimbra, na Faculdade de Direito. Há muito que me falavam dele, mas nunca se proporcionara. E quando nos conhecemos foi pelas razões mais estúpidas.

Eu era arguido. Um fulano que exercia (ou exerce) funções no MP, usando o seu soslaio olhar, formalmente correctíssimo, deduzira contra mim uma acusação. Devido ao modo, note-se, como o mandato fora exercido num processo findo. Por puro acinte, o que quem gere a corporação na altura não conseguiu vislumbrar. Não sei se ainda será assim, mas naquele tempo aconteceu.

Daquela vez calhara-me a mim. Acusado de difamação, se bem me recordo. Na contestação, como se impunha, mais a mais estando em causa um fulano que fora acusado de desde a década de Oitenta — altura em que teria aí uns cinco anos de idade — ter participado na constituição de uma associação criminosa, eu fora duro para com a instituição a que ele pertencia, verberara o simulacro de investigação que havia sido conduzido pelas polícias e, como não podia deixar de ser, fora contundente durante o julgamento para com quem patrocinara aquele espectáculo. Quando esse julgamento chegou ao fim, e o meu constituinte foi absolvido das magnas acusações que sobre si impendiam, sobrou para mim.

Houve quem tomando as dores de terceiros se tivesse queixado, para assim se desencadear o processo contra mim, o advogado. E eu lá tive que me ir defender, entrar em despesas, incómodos e chatices, pois claro.

De imediato recebi o apoio do então Bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, logo depois seguido pelo do seu sucessor. E no meu julgamento lá estiveram arroladas como testemunhas, entre outras, um magistrado do MP, entretanto jubilado, aquele que foi o juiz-presidente do tribunal colectivo no tal julgamento do sujeito que fora o meu constituinte — que foi lá para dizer que sim, que era verdade, que eu tinha sido advogado naquele processo, que o meu constituinte fora absolvido e que o vertido nas peças processuais, onde descobriram a pretensa ofensa depois do processo concluído, até fora depois confirmado no acórdão final —, mais o presidente do Conselho Distrital de Faro da Ordem dos Advogados, o meu estimado António Cabrita, e mais uns quantos, entre companheiros de profissão, colegas de curso e amigos.

No dia das alegações finais o senhor procurador que me acusara resolveu não aparecer. Envergonhou-se. Quem veio em representação do MP foi um magistrado mais jovem, novo na comarca, que não acompanhara o processo nem o julgamento, mas que tendo lido o processo e sabendo da prova que havia sido produzida teve a hombridade de pedir logo a minha absolvição. Fui, evidentemente, absolvido. E na sentença lá estava, preto no branco, a afirmação de que fizera, é certo, uma defesa veemente, dentro dos limites, respeitando escrupulosamente as regras deontológicas, actuando como qualquer “bom advogado” se comportaria se colocado perante a mesma situação. Isto é, perante a falsidade, o agravo, em suma, fazendo um uso adequado da toga e dos instrumentos jurídicos, pugnando pela justiça, com arrojo, com dignidade, com frontalidade.

Naturalmente que fiquei satisfeito com o que se apurou. E com dúvidas não fiquei de que, apesar das despesas e dos incómodos por que passei, essa decisão honrou a magistratura portuguesa, reconhecendo o profissionalismo e a seriedade do mandato exercido.

O meu advogado nesse processo, logo a seguir à instrução e por impedimento do primeiro mandatário e nosso comum amigo que o indicara, acabou por ser o Carlos Silva e Sousa, que embora acompanhado pelo Paulo Freitas fez todo o julgamento e as alegações finais. Podia perfeitamente ter recusado o patrocínio. E tinha todas as razões para isso. Era um homem muito ocupado, com uma vida profissional intensíssima, desdobrando-se entre o trabalho no escritório, no partido e na autarquia, sem esquecer os assuntos ligados ao(s) consulado(s). Além de que na altura não me conhecia de lado nenhum e o processo era uma estopada. Nem no dia da leitura da sentença me deixou pagar-lhe o almoço.

Graças a esse episódio por que passei — triste no início, feliz na conclusão — ficámos amigos. Depois disso fiz vários julgamentos em Albufeira. O Carlos tinha aí o seu escritório, do outro lado do Tribunal e da Câmara Municipal. Na altura, creio, já era também o Presidente da Assembleia Municipal. Não obstante, estive com ele muitas vezes. Arranjou sempre tempo para tomar um café comigo, para dois dedos de conversa, para discutir a actualidade política, muito embora soubesse que eu na altura era activo numa agremiação concorrente. Comentava, ria-se, piscava o olho, puxava de um cigarro. E sorria, o Carlos sorria muito, serenamente (entre homens de bem não é a política nem o futebol que os separa porque o carácter é mais forte, é o carácter que os motiva e cria laços).

Foi assim com o Carlos Silva e Sousa. Falou-me dos seus vinhos, das propriedades para os lados de Tavira e da Fuzeta, do processo de regeneração das vinhas, do seu amor à terra e ao que esta produzia, do seu gosto em andar de botas aos fins-de-semana, campo fora, sem preocupações, sentindo os cheiros que chegavam avermelhados na imensidão do azul e da serra. O Carlos Silva e Sousa produziu alguns magníficos néctares. Um dia encontrei-o num pequeno expositor da Feira de São Brás, promovendo os vinhos que ele próprio produzia. Lá estivemos à conversa. Perguntava-me pelos amigos comuns que não via há anos. Comprei-lhe umas caixas de vinho, que o filho me ajudou a transportar até ao carro. Ficámos de combinar uma almoçarada, na quinta dele, com mais alguns. Acabou por nunca se proporcionar.

Ainda nos encontrámos nalgumas outras ocasiões. Tomávamos um café, às vezes, quando eu ia a Albufeira, subia a escada, do outro lado da rua, e passava pelo escritório dele. Ocupado como era raramente estava. E eu também não podia ficar à espera. Falávamos à distância. O abraço ficava adiado. Até hoje. Quando me chegou a notícia do seu falecimento.

O Carlos Silva e Sousa era um tipo de uma correcção extrema, com um humor corrosivo, de sorriso sempre aberto, de uma disponibilidade total para o trabalho, aliando a argúcia e a inteligência do advogado com o equilíbrio e o bom senso dos bons juízes, talvez fruto da herança paterna. Hoje perdemos todos. O Algarve perdeu um cidadão exemplar. E eu fiquei a dever um abraço ao Carlos Silva e Sousa. Um abraço fraterno. De gratidão. A um homem de bem. Um grande abraço.

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Medina Carreira

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.07.17

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(14/1/1931- 3/7/2017)

Advogado, militante socialista, depois independente, fiscalista, homem de Estado, professor, comentador televisivo, cronista, acima de tudo um cidadão interveniente. Com o correr dos anos tornou-se visceral, mais amargo, mas as suas preocupações eram as de sempre: Portugal e os portugueses. Lutou como pôde, sempre com lealdade e frontalidade, de forma corajosa e desassombrada por aquilo em que acreditava. Em Portugal, no mundo, fazem sempre falta homens como ele. Que o seu exemplo cívico, numa terra de gente acomodada, bem comportada e onde não abundam os exemplos possa perdurar. E que descanse em paz.  

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Pelo Aeroporto Sacadura Cabral

por Pedro Correia, em 11.04.17

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 Artur Sacadura Cabral (1881-1924)

 

Corre de momento por aí uma petição pública para que o futuro aeroporto do Montijo, adaptado a voos comerciais, receba o nome de Artur de Sacadura Freire Cabral, um dos pioneiros da aviação portuguesa. Contrariando o impulso do Presidente da República, que sem consultar ninguém se apressou a sugerir o nome do antigo Presidente da República Mário Soares.

Estou plenamente de acordo com esta homenagem a Sacadura Cabral, que com Carlos Viegas Gago Coutinho fez em 1922 a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, unindo Portugal ao Brasil. Aliás os brasileiros preservam com carinho a memória destes dois aviadores, que tão esquecidos têm sido cá na terra - sobretudo Sacadura Cabral, que em Lisboa dá apenas nome a uma artéria secundária, entalada entre o Campo Pequeno e a Avenida de Roma.

"O futuro Aeroporto do Montijo, situado na actual Base Aérea N.º 6 da Força Aérea Portuguesa, do ponto de vista histórico terá toda a lógica chamar-se de Aeroporto Sacadura Cabral, pois aquando do tempo da Aviação Naval (1917-1952) que aqui operava chamava-se a nível oficial Centro de Aviação Naval Comandante Sacadura Cabral. O planeamento e as suas obras foram conduzidos pela nossa Marinha desde os anos 30, que culminaram na sua inauguração e baptismo com o nome deste intrépido aviador naval. (...) Assim, perante os factos históricos, seria de boa justiça dar novamente o seu nome inicial de Sacadura Cabral ao futuro Aeroporto do Montijo", refere o texto da petição.

Que naturalmente já subscrevi.

 

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Monumento de homenagem a Gago Coutinho e Sacadura Cabral no Recife (Brasil)

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Parabéns, cidadão Jorge Sampaio

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.07.15

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 Um prémio à cidadania

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rasto

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.01.15

G7ZldVehtYY.jpgQuem se recorda deles, dos ricos de Roma ou de Atenas? Que se recorda deles? Tirando um ou outro que é referenciado nos livros de história, a maioria viveu e partiu. Sobraram algumas pedras que hoje muitos usam para escolher a luz, o melhor plano, enquanto olham para uma câmara fotográfica. Há outros de quem se sabe o nome e de quando em vez nos recordamos ao folhear um livro. Lá está a citação, uma referência, às vezes também no Borda d'Água. Nada mais. Foram.

Um tipo pode levar a vida a trabalhar, enriquecer, deixar uma prole imensa, uma caterva de livros, como o Paulo Coelho ou o Rodrigues dos Santos, um apelido, escolher uma vida faustosa ou simples, confortável ou estóica, percorrer os caminhos da sombra ou as luzes da ribalta, deixar um monte de tralhas, uma memorabilia. E não deixar nada. Não deixar um rasto. Ou, então, deixar um rasto que se apaga mal o Sol se ponha.

Que pode valer um caminho sem rasto, uma vida sem rasto, quando os outros, os que ficarão, não conhecem os caminhos que foram percorridos, as rotas por que optámos, as veredas por onde nos equilibrámos, por onde espreitámos o ribeiro e tememos a aurora? Que pode isso valer quando não se tem um rasto por onde os que ficam nos possam seguir? Um rasto que diga aos outros por onde andámos, o que fizemos, o que escolhemos. O porquê de uma vida.

O único rasto que vale a pena deixar tem de ser útil. Tem de servir a quem fica. E aos que vierem depois, e depois, e depois, para que não se perca na espuma dos dias ou numa mesa de gamão. O rasto da participação cívica, do trabalho em prol da cidadania, do investimento na educação, a longo prazo, pode não trazer resultados imediatos mas é o único que marca. Como um ferro em brasa. O único que engrandece, o que diz aos outros por onde andámos. O que perdura na prole. Na do próprio. Na dos outros. O que perdura nunca será pó.

 

(editado: graças ao oportuno reparo de um Anónimo desconhecido)

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A gestão do medo

por Rui Herbon, em 04.11.14

sem nome.pngA guerra fria foi construída sobre o medo. Cada vez que um presidente americano se reunia com um líder soviético era um acontecimento preparado durante meses, amplamente noticiado e durante o qual se assinavam acordos que serviam de bem pouco. Desde Nixon e Brejnev que o tema recorrente era como reduzir os arsenais nucleares, que se multiplicavam periodicamente para prevenir o ataque do adversário. Esgrimia-se a doutrina da mutual assured destruction (MAD, muito apropriadamente), que consistia em assegurar a completa aniquilação das duas potências caso uma delas disparasse o primeiro míssil. Havia que evitar o primeiro golpe, que, de facto, nenhuma das duas se atreveu a desferir. Havia medo, apesar dos arsenais militares (nucleares e convencionais) que ambos os impérios armazenavam no seu território e no dos seus aliados. 

 

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A mais eficaz e menos destruidora das armas

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.08.14

Graças à Amnistia Internacional e ao Luís Sá.

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Civilidade e cidadania

por Helena Sacadura Cabral, em 07.07.14


Os que me conhecem sabem que tenho pouca paciência para querelas partidárias, sejam elas de que natureza forem. Não posso, não consigo. Só tenho uma cabeça e só por ela me guio, embora goste muito de ouvir opiniões diferentes das minhas.

Mudo muito? No básico, bastante pouco. Mas no olhar que lanço sobre o mundo que me rodeia mudo sempre que reconheço aos outros a capacidade de me convencerem. Não tenho qualquer pejo em me declarar errada e dar conta pública disso - se for o caso -, porque duvido que alguém se mantenha inalterável ao longo dos anos.

Mas procuro sempre não qualificar, não apelidar, não fazer juízos de valor sobre o adversário, que tento não considerar um inimigo. Enfim, sou o que se apelida de uma pessoa educada.

Aprendi isto ao longo da vida com a diversidade ideológica que caracterizou sempre a família onde nasci. Do lado materno nove irmãos, do lado paterno doze. Tudo gente que pensava por si e deu exemplo de respeito pelas cabeças dos outros.

Lembrei-me disto a propósito das quatro décadas passadas sobre o 25 de Abril e da actual querela no PS. Muitos já nasceram depois da primeira e o que sabem dela é o que lhes transmitem os seus, o ensino ou a investigação. Os restantes, os que a viveram, continuam, quarenta anos depois, a usar, para qualificar os que não pensam como eles, termos cujo significado já pertence à história da carochinha.

De facto, quem em 1974 tivesse 20 anos, terá agora 60. Haverá alguma lógica em epítetar estas pessoas pelo que eram na sua juventude? Será que em quatro dezenas de anos não teremos todos mudado muitíssimo?

Fico sempre muito impressionada quando leio a opinião de gente que ocupou cargos de responsabilidade, qualificar da forma mais deselegante, quem não pensa do mesmo modo. Mas se alguém quer levar o outro a mudar de opinião, será pela agressão verbal que o conseguirá?

O PS está numa campanha interna que devia ser esclarecedora daquilo que está em causa para o partido e para o país, uma vez que pretende governa-lo. Já estão todos engalfinhados e ninguém percebe onde está a verdadeira diferença entre Costa e Seguro. Talvez, mesmo, só, o estilo de cada um.

Os portugueses podem não ser os mais instruídos da Europa, podem não ser muito politizados, podem até ser instrumento partidário. Mas a maioria deles tem um enorme bom senso e sabe o que quer. Sabe castigar e sabe louvar. Basta que pensemos neles e no país, muito antes de pensar na ambição política. E isto vale tanto para o governo como para a oposição ou para as crises intestinas partidárias.

Por isso, sejam educados, por favor. Dêem um exemplo de civilidade e de cidadania!

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Será isto o que nos espera?

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.02.14

Em quaisquer circunstâncias, a indiferença foi sempre um estado de espírito ou uma atitude que me assustou. Somos feitos de matéria, temos vontade, aparentemente pensamos e somos seres capazes de tomarmos decisões, o que nos distinguiria de outras espécies que ocupam o mesmo espaço neste planeta onde habitamos. As imagens do vídeo que aqui trago, divulgado pelo La Reppublica, não devem ser vistas como um mero caso de violência urbana numa cidade que tem fama, injustamente para muitos dos seus cidadãos, de ser um dos locais de acolhimento dos camorristas. O roubo por esticão vulgarizou-se por todo o lado, a falta de segurança não é um exclusivo de Nápoles, a violência faz parte do quotidiano de muitos países, Portugal não foge à regra. Os relatos diários de alguma imprensa confirmam-no. Fosse por isso e não vos traria aqui estas imagens. O que me leva a convocar-vos para as verem é o facto de perante uma cena como a que foi filmada e presenciada por algumas dezenas de pessoas, a única que saiu em defesa da vítima foi, imagine-se, um jovem emigrante. No caso tratou-se de um pedinte de origem africana, aquilo a que muitos entre nós chamam um "sem abrigo". De todos os que ali estavam naquele momento talvez fosse aquele que tinha mais a temer pelas consequências, pela origem, pelo estigma da cor da pele. Porém, foi ele o único que se levantou, que ofereceu resistência, que se indignou, que cumpriu um dever de cidadania sem que esta lhe seja conferida. Para tantos que hoje gritam contra a emigração, contra a presença de estrangeiros, que culpam os outros pela crise, pela falta de empregos, pelos salários baixos, e que insistem em fechar as fronteiras enquanto olham de soslaio e com desdém para os que fogem a um destino de miséria e tentam encontrar na Europa o que lhes foi negado na terra de onde provavelmente nunca teriam querido sair, estas imagens devem obrigar a uma reflexão. Sei que esta não mudará quase nada no nosso dia-a-dia, mas talvez possa ajudar-nos a olhar para alguns que connosco se cruzam com outros olhos. O outro somos nós. A vítima também.    

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(...)

Urge por isso permitir que grupos e movimentos de cidadãos tenham a capacidade e a possibilidade de estarem representados na Assembleia da República, fora do âmbito tradicional dos partidos, já que estes candidatos trarão à função de deputado uma nova dinâmica e responsabilidade políticas, pelo seu envolvimento em causas especificas e não partidárias. Esta mudança manteria a Constituição da República Portuguesa a par da mudança social a que o país assistiu nos últimos 30 anos e, estamos certos, contribuiria para aumentar a participação cívica em Portugal 

Assim, os portugueses abaixo-assinados, ao abrigo do direito de petição, solicitam que os deputados à Assembleia da República, aquando da abertura do próximo processo de revisão constitucional: 

Proponham a alteração do n.º 1 do artigo 151º da Constituição da República Portuguesa de modo a que este passe a permitir a candidatura de grupos de cidadãos independentes à Assembleia da República. 

  

Os interessados em consultar o texto integral e em subscrever podem fazê-lo aqui


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Imagem que marca (5)

por André Couto, em 16.04.12

 

Em que ponto estaria Portugal sem os progressos conquistados pela indignação e pelo desejo de mudança, cujas concretizações a História de Portugal narra?

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"Ai, não percebo nada".

por Luís M. Jorge, em 14.01.12

É a confissão da semana nos blogs liberais. De um dia para o outro a direita portuguesa encheu-se de cheerleaders loiras e alheadas. Mas não faz mal, meninas, porque a Carla Quevedo explica:

(…) Sobre as nomeações recentes para a EDP, etc., António Lobo Xavier mostrou incómodo com aquilo que disse ser um problema de percepção. Ora, isto subentende que os factos estão bem, obrigada, o que estraga tudo é a altura em que as coisas se fazem. Lobo Xavier é mais inteligente do que isto. O problema real é haver gente a não fazer a mínima intenção de passar pela ‘necessidade de sacrifícios’ que leva a vida a pregar aos outros. Não é um problema de inveja. E a ganância é o menos, francamente. Sempre houve e sempre haverá. Só um louco é que se dedica à tarefa de mudar a natureza humana. O pior é ter de ouvir os pregadores na televisão, ter de lhes aturar o discurso do que os outros devem fazer, como devem viver. É assim que o cidadão mais pacífico dá por si a defender a revolução francesa. Há, contudo, um aspecto positivo nisto tudo. Por estranho que pareça, vejo o momento que estamos a viver como uma oportunidade de o País mudar para melhor. O tempo não está a nosso favor, mas também acontecem coisas boas quando as pessoas se fartam (…).

Haja paciência.

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É já amanhã

por Teresa Ribeiro, em 16.09.11

Não vos falei do ioga para crianças, pois não? Nem dos workshops de origami, compostagem doméstica, eficiência energética e ervas aromáticas. E do ioga para adultos e do cinema... Não, pois não? Mas não há problema. O programa está todo aqui. Até amanhã!

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Faltam dois dias

por Teresa Ribeiro, em 15.09.11

A partir das 18h, nesta fase do ano, o sol já está baixo. Imaginem então o que será assistir a um concerto de out jazz no Alto do Parque Eduardo VII com a luz do fim da tarde a descer sobre a cidade. Dia 17, às 18h, vai ser assim. 

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Faltam três dias

por Teresa Ribeiro, em 14.09.11

Depois de um dia de trabalho, nada como uma massagem relaxante. Mas se não houver tempo ou t€mpo para pagar a um profissional e desgraçadamente também não existir em casa um par de mãozinhas talentosas para nos aliviar a tensão, será de uma grande utilidade termos alguns conhecimentos na matéria. Falo de auto-massagem, pois. Dia 17, das 16h às 17h, podem aprender umas coisas no workshop que decorre no Jardim Amália Rodrigues. Consultem o resto do programa em www.verdemovimento.com

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Faltam quatro dias

por Teresa Ribeiro, em 13.09.11

Já experimentaram jantar de olhos vendados, deixar o paladar às cegas, submetê-lo a uma radical prova de fogo? Se a ementa estiver à altura do desafio, imaginem como será intensa essa festa de sabores. Dia 17, no Alto do Parque Eduardo VII, poderão desfrutar deste jantar inesquecível, com hora marcada para as 20.30h. Mas é aconselhável reservar mesa através do endereço: info@verdemovimento.com. O resto do programa encontram em www.verdemovimento.com 

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Faltam cinco dias

por Teresa Ribeiro, em 12.09.11

Uma Brompton dobrável, no valor de mil euros, está pronta a ser resgatada via Facebook. Mas é preciso lutar por ela. Consultem as instruções do passatempo que o Movimento Verde Alfacinha promove na sua página FB.  

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Faltam seis dias

por Teresa Ribeiro, em 11.09.11

Já experimentaram fazer tai chi? Para os estreantes e convertidos vai haver uma sessão no dia 17, entre as 17h e as 18h, no jardim Amália Rodrigues, no alto do Parque Eduardo VII. A entrada é livre.

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