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Os novos censores andam aí (7)

por Pedro Correia, em 03.04.18

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O feminismo mais radical e misândrico (por militar sem complexos na misandria) anda aí à solta, de asas ao vento, tentando impor os seus dogmas e a sua cartilha proibicionista. Ei-lo aqui bem exposto num  Breve decálogo de ideias para uma escola feminista - elaborado por duas "pedagogas" ligadas às Comissões Operárias, a maior central sindical de Espanha.

 

O que recomendam tão virtuosas senhoras? Proibir o futebol e "outros jogos competitivos" nos recreios escolares. O fim da separação entre lavabos masculinos e femininos nos estabelecimentos de ensino, crivados de "sexismo". E a mudança imediata de nomes dos centros educativos, "eliminando todos os que sejam católicos ou façam referências a militares, políticos ou juristas", substituindo-os por "nomes de mulheres representativas do movimento feminista".

Mas não ficam por aqui: querem também impor a leitura de obras escritas por mulheres, integrando-a numa estratégia para "feminizar a história da arte e da cultura". E destacam as suas autoras de eleição: Virginia Woolf (que elas escrevem "Wolf), María Zambrano, Emily Dickinson, Marta Sanz, Jeannet Winterson, Ali Smith, Clarice Lispector (que elas escrevem "Linspector"), Sarah Waters, Alice Walker, Margaret Atwood e Alice Munro.

Vão mais longe, recomendando que os programas escolares passem a incluir "pelo menos tantas mulheres filósofas como homens filósofos". Exemplos: Marina Garcés, Judith Butler, Donna Haraway, María Zambrano, Hipatia de Alejandría, Mary Wollstonecraft, Hannah Arendt, Chantal Mouffe. 

 

Cereja em cima do bolo: "eliminar livros escritos por autores machistas e misóginos" dos planos de leituras escolares. Proibição total das obras de Arturo Pérez Reverte e Javier Marías, e os Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada, de Pablo Neruda, Nobel da Literatura. Além de denunciarem a "faceta misógina" de filósofos como Kant, Nietzsche e Rousseau - "entre outros".

Uma destas "pedagogas" apresenta-se como "artista, investigadora e educadora". A outra é professora da Faculdade de Educação da Universidade Complutense de Madrid. Ambas com férrea vocação censória. Mas estão muito longe de serem vozes isoladas. No dia em que mandarem, proíbem quase tudo - excepto os sanitários mistos.

Confesso-me nada interessado em perceber porquê.

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Os novos censores andam aí (6)

por Pedro Correia, em 15.02.18

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O abominável Mein Kampf poisa aí por todas as livrarias, com várias chancelas editoriais, ao alcance das mentes mais frágeis ou perturbadas: até uma criança pode adquirir um exemplar (ou dois ou mais). E tornou-se até um best seller na própria Alemanha, com 85 mil exemplares vendidos em 2016.

As torrentes de ódio vertidas pela pena do "cabo Hitler", como lhe chamava Churchill, deixam hoje aparentemente indiferentes os plantões de turno. Já a baba anti-semita escorrida por  Louis-Ferdinand Céline - admirável escritor com indefensáveis ideias políticas - continuam remetidas para o limbo da clandestinidade. Num tempo em que tudo se publica, do excelso ao péssimo, o autor de Viagem ao Fim da Noite mantém obras interditas: a editora Gallimard desistiu de lançar a edição crítica, anotada e profundamente contextualizada que planeara de três panfletos, escritos entre 1937 e 1941, e que permanecem por reeditar desde a II Guerra Mundial: Bagatelas por um Massacre, Escola de Cadáveres e Os Maus Lençóis.

O reaparecimento destes títulos reunidos sob a designação Escritos Polémicos seria "uma agressão aos judeus de França", bradou Serge Klarsfeld, presidente da associação gaulesa de filhos e filhas de judeus deportados. Uma voz estridente entre tantas outras, somadas às pressões políticas e mediáticas, que forçaram a bater em retirada o poderoso grupo editorial, que tem no seu catálogo 36 escritores galardoados com o Prémio Goncourt, dez com o Pulitzer e 38 com o Nobel da Literatura.

"Suspendo este projecto por entender que não estão reunidas as condições metodológicas e memoriais para encará-lo com serenidade", anunciou no mês passado Antoine Gallimard em comunicado à agência France Presse. Céline, falecido em 1961, continua a ser censurado. Enquanto Hitler renasce como "besta célere" nestes dias incongruentes em que a liberdade é um bem escasso, sujeito a critérios selectivos e arbitrários.

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Indignações

por Diogo Noivo, em 12.02.18

Lavra um ódio incendiário no twitter em Espanha. O combustível é um artigo de Javier Marías intitulado Ojo con la barra libre (atenção ao bar aberto). O tema, claro, é a fonte de todas as indignações do momento: o #MeToo.

Deixando claro que a rebelião contra o abuso sexual só pode ser algo positivo, Marías lembra que o uso do sexo como moeda de troca nos meandros do cinema é tudo menos uma novidade – o termo couch casting datará pelo menos de 1910 –, uma prática que contou com a anuência descomplexada de muitas aspirantes a actriz. Mais importante, Marías nota que “dar crédito às vítimas pelo simples facto de se apresentarem como tal é abrir a porta a vinganças, a represálias, a calúnias, a difamações e a ajustes de contas”. É uma opinião.

No entanto, ateou-se a pira moral e atirou-se o homem lá para dentro. Pelo caminho, e porque as labaredas são de monta, atirou-se também o jornal El País, onde Javier Marías publicou o texto em apreço. Pedem-se demissões – e até castrações. Põe-se em causa a obra literária do autor e questiona-se a utilidade do jornal. Usam-se hashtags como StopPatriarcado e expressões como bílis cerebral. Alega-se que Marías defende o direito de pernada e, sem surpresa, recorre-se a palavras como misógino, machista, repugnante, casposo, idiota e a tantas outras que o pudor me impede de reproduzir.

Opiniões e #MeToo à parte, razão tem Juan Cruz quando defende que impera a gritaria e o lugar-comum à custa da liberdade de expressão. Embrutecemos.

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Os novos censores andam aí (5)

por Pedro Correia, em 09.02.18

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John William Waterhouse (1849-1917), pintor que esteve em voga na Inglaterra vitoriana, certamente nunca imaginou que um óleo da sua autoria, pintado em 1896, viria a causar tanta celeuma cento e vinte e dois anos mais tarde, nestes dias de neopuritanismo pseudo-feminista em que vivemos.

Hilas e as Ninfas acaba de conhecer súbita celebridade graças ao ímpeto censório de Clare Canneway, a conservadora (palavra apropriadíssima) da Galeria de Arte de Manchester - museu público instalado numa cidade de sólidas tradições liberais, hoje cada vez mais comprometidas.

A virtuosa senhora ordenou a remoção do quadro, onde se vislumbram sete jovens em topless. Motivo invocado: a maléfica pintura promoverá a "coisificação do corpo da  mulher", algo que faz tremer a horrorizada conservadora, dizendo-se envergonhada "por não ter tratado deste assunto mais cedo".

polémica não tardou no espaço mediático, forçando as autoridades municipais a devolver a tela à maculada parede. Mas a controvérsia continua. "Vivemos um pesadelo vivo com tanta correcção política, histórica e artística", alarma-se Rachel Johnson no Mail on Sunday. Jonathan Jones, crítico de arte do Guardian, inquieta-se com este surto de pudicícia: "O próximo será Picasso?"

Não é preciso dar-lhes ideias: as novas brigadas censórias permanecem vigilantes.

 

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Os novos censores andam aí (4)

por Pedro Correia, em 08.02.18

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Amesterdão costumava ser uma das cidades mais libertinas do planeta. Mas os tempos estão difíceis, mesmo onde os costumes libérrimos integram a paisagem urbana. As autoridades municipais decretaram ali a proibição absoluta de fotografar as célebres prostitutas do Bairro Vermelho alegando que esta medida se destina a preservar a "intimidade das trabalhadoras sexuais" expostas em montras bem visíveis a quem passe naquelas ruas.

A partir de Abril, os forasteiros não ficam apenas impedidos de fotografar ou filmar: têm também a obrigação de virar costas aos mais de 400 escaparates, em "sinal de respeito", durante as visitas com guias turísticos, que não poderão integrar mais de 20 pessoas de cada vez. Em caso de prevaricação, o guia arrisca multas entre 190 e 950 euros, vendo revogada a licença para exercer a profissão ao fim de três infracções.

Com tanta norma censória, é caso para perguntar se o bairro manterá a cor.

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O apedrejamento de Woody Allen

por Pedro Correia, em 25.01.18

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 Woody Allen com Diane Keaton em Annie Hall (1977)

 

O assassínio de carácter continua. Woody Allen está a ser apedrejado na praça pública por actrizes e actores que trabalharam com ele ao longo de décadas devido a um alegado facto que terá ocorrido há um quarto de século e que à época foi exaustivamente investigado não só por jornalistas mas também por especialistas clínicos e pelas autoridades policiais, sem nunca ter sido deduzida qualquer acusação ao cineasta por manifesta falta de provas.

Neste afã contemporâneo de comparar tudo quanto mexe ao famigerado produtor Harvey Weinstein, não falta já quem celebre que A Rainy Day In New York, ainda sem data de estreia confirmada, seja "o último filme de Woody Allen", exigindo que a receita integral da bilheteira - se alguma vez existir - seja doada a organizações de caridade anti-assédio.

 "A carreira dele terminou!": esta frase, que se vai propagando nos meandros do show business norte-americano, soa como um insólito e doentio grito de guerra tribal contra um cineasta de 82 anos que nunca teve poder algum nos estúdios e fez toda a carreira longe de Hollywood.

 

É uma guerra sem prisioneiros nem Convenção de Genebra. Elaboram-se listas de actrizes e actores que ainda não abriram a boca para vergastar o realizador de Annie Hall: Diane Keaton, Cate Blanchett, Emma Stone, Jude Law, Justin Timberlake, Scarlett Johansson... E não falta até quem, de cenho vigilante, contabilize o número de anos ou meses que certas almas agora mais vociferantes demoraram a tomar posição sobre o tema. Não basta falar: é preciso ter falado desde o primeiro dia.

Mesmo quem admite desconhecer a vida privada do homem que é figura pública há mais de meio século dispara enormidades deste calibre: "Não sei muito sobre a vida pessoal dele. Sabia que se casou com uma filha, algo que, honestamente, achei estranho." Frase tonta da actriz Marion Cotillard em recente entrevista ao Guardian. Forçando o jornal a corrigi-la: Allen é casado desde 1997 com Soon-Yi Previn, filha adoptiva de Mia Farrow, mulher com quem viveu em tempos já remotos.

 

Infelizmente, não é caso único. Assistimos por estes dias à condenação irreversível de gente que nunca foi levada a julgamento. Quando realizadores e actores deixam de poder trabalhar devido aos clamores da vox populi, amplificados pelos poderes fácticos que dominam a indústria cinematográfica e grande parte dos circuitos mediáticos, isto constitui já uma pena efectiva, tendencialmente perpétua.

Não sei o que virá daqui. Mas seguramente não será nada de bom. Regressamos à eterna questão dos fins e dos meios. Quando se atropelam meios para atingir fins, ainda que louváveis, caímos sempre no domínio da prepotência e do arbítrio. Males velhos como o mundo, por mais moderna e "progressista" que seja a causa invocada.

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A acusação para censurar

por João André, em 19.01.18

O Pedro dedicou dois posts para acusar os movimentos #metoo e Time's Up de censura. Tenho a certeza que a única coisa que o Pedro está a pensar é que estes movimentos têm que controlar a sanha acusatória e está a procurar colocar água na fervura. Está no entanto a fazê-lo de forma errada.

 

A verdade é que me estou nas tintas para as acusações a Woody Allen. Ele já as sofre há décadas (e com boas razões) e nunca teve reais problemas. Também me estou nas tintas para as acusações às outras figuras do entretenimento. Estas surgem precisamente porque os seus alvos são pessoas que têm uma imagem a defender e, como tal, estão mais expostas e não podem reagir de forma tão agressiva como alguns outros.

 

Quantas acusações ficam por fazer? Quantas mulheres espalhadas por todo o tipo de indústrias não falam do que sofrem por medo? Ou quantas são ameaçadas, chantageadas, ignoradas e - sim!, digamo-lo - censuradas por terem acusado alguém? O The Guardian reportou uma cultura de abusos na ONU e subsequente cultura de encobrimento. Quantos outros locais não são iguais? Quantas mulheres foram abusadas por Weinstein ao longo dos anos porque estas acusações não surhiram mais cedo?

 

A verdade é que se este movimento cometará exageros (qual o movimento que não o faz?, pergunto eu mais uma vez) também estará a ajudar as mulheres a finalmente falar das suas situações com menos medo ou, pelo menos, sabendo que têm outras mulheres que as compreendem, que sofreram o mesmo.

 

Acusar este movimento de censura, quando ainda não tem um ano de existência, quando veio a público de forma mais clara ainda não há um mês, não serve para mais que querer empurrar as mulheres para o buraco onde estiveram enfiadas e dizer-lhes «fica mas é quietinha e tem respeito pela mão que te dá de comer!». Na verdade, mesmo sem essa intenção, acusar o movimento de censura nada mais fará que o censurar. São tácticas trumpianas.

 

Querem que estas mulheres saiam do buraco? Deixem-nas falar. Deixem-nas acusar. Quando as acusações não tiverem fundamento, deixem que isso seja apurado de forma correcta. Quererem que elas se calem é voltar a oprimi-les. Quantas mais mulheres falarem, mais facilmente os casos graves se compreenderão.

 

Até lá, não notei que Allen, Franco ou Ansari tenham perdido contratos. Já as mulheres que os acusaram possivelmente estão hoje a ser riscadas de listas. Não admira que algumas escolham o anonimato*.

 

* - ela não é anónima. Está perfeitamente identificada para o/a jornalista que a entrevistou. Não dar o nome publicamente numa entrevista não é anonimato. Como o Pedro bem o deveria saber.

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Contra as novas censuras

por Pedro Correia, em 18.01.18

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 Mulher nua deitada de bruços (1917), de Egon Schiele

 

«Vamos queimar os livros de Sade? Vamos qualificar Leonardo da Vinci como artista pedófilo e apagar os seus quadros? Retirar Gauguin dos museus? Destruir os desenhos de Egon Schiele? Proibir os discos de Phil Spector? Este clima de censura deixa-me sem voz e inquieta-me perante o futuro das nossas sociedades.»

 

Catherine Deneuve, em carta publicada no Libération

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Lápis azul é coisa de meninos (2)

por Pedro Correia, em 09.09.17

«Não somos apenas o país europeu com mais área ardida, somos também o que tem a mais baixa taxa de natalidade. Deveríamos estar a discutir isso, com todas as campainhas de alarme ligadas, mas a imbecil ditadura do politicamente correcto (que até já convoca, e com êxito, a censura do Estado sobre livros de editoras privadas) prefere fazer um escândalo de tudo o que vê ou imagina ver como tentativas de os desviar do recto caminho - segundo o qual, homens, mulheres, LGBT e animais é tudo igual e assim deve ser ensinado às criancinhas. Às poucas que restam.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso (2 de Setembro)

 

«As claques nas redes sociais são o agitprop do século XXI. Mas notam-se desenvolvimentos. A tradição diz que primeiro era a ideologia, seguia-se programa e só depois o agitprop como instrumento de propaganda para disseminar a ideologia e o programa. Com as claques, começamos a ter primeiro o agitprop, talvez depois o programa, a ideologia não há. Com a esquerda, vimos isso com a recente polémica da Porto Editora. Iniciada pela sua claque nas redes sociais, a medida não faz parte de qualquer programa estruturado sobre a igualdade de género e muito menos obedece a qualquer ambição assumida e sufragada de engenharia social. Apenas agitprop virtual, do qual os partidos da esquerda e, em particular, o governo foram a reboque.»

Nuno Garoupa, no Diário de Notícias (5 de Setembro)

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Os novos censores andam aí (3)

por Pedro Correia, em 08.09.17

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A "linguagem inclusiva" chegou à medicina, já patrulhada pelos pelotões da correcção política. E nem a obstetrícia escapa. Expressões na aparência inócuas, como "futuras mães", são seriamente desaconselhadas pelo seu potencial "ofensivo" ao perpetuarem "estereótipos de género". Ao ponto de a Associação Médica Britânica, no seu mais recente manual de normas de comunicação, adoptar como padrão uma fórmula neutra: "pessoa grávida". Justificação: só assim será possível "respeitar os transexuais e transformistas." Neste folheto de 14 páginas, intitulado A Guide to Effective Communication: Inclusive Language in the Workplace,  é também desaconselhado o recurso a expressões como "nascido homem” e “nascido mulher” por serem "redutoras e simplificarem o que é complexo".

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Lápis azul é coisa de meninos

por Pedro Correia, em 05.09.17

«As redes sociais denunciaram um caderno de exercícios da Porto Editora em que as meninas são tratadas de maneira diferente dos meninos, nas cores, no imaginário e no grau de dificuldade. As redes sociais são uma espécie de amplificador de som que ninguém ousa contrariar. Nem sequer - ficámos agora a saber - o Governo, que não hesitou em abrir o mais grave precedente de que há memória no pós 25 de Abril de 1974 da censura. Em pouco mais de 24 horas, sem comparação e sem reflexão aprofundada, nem tão pouco debate, recomendou a retirada dos cadernos do mercado editorial. Como se a questão da liberdade de género se resolvesse com o regresso ao lápis azul. Eis a política da preguiça.»

Helena Teixeira da Silva, no Jornal de Notícias (27 de Agosto)

 

«Uma editora publicou um bloco de actividades em duas versões, um para meninos e outro para meninas. Foi também fortemente criticada nas redes sociais - que é um tabefe de que ninguém está livre - e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género com um piquinho de azul no lápis, que é coisa própria de meninos, recomendou a retirada dos livros do mercado por terem estereótipos de género. A patrulha da igualdade do governo devia saber que censurar é pior do que colocar à venda versões distintas da mesma coisa.»

Fernanda Cachão, no Correio da Manhã (29 de Agosto)

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Os novos censores andam aí (2)

por Pedro Correia, em 04.09.17

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Escolas do Estado da Virgínia, nos EUA, baniram dos programas escolares o estudo do célebre romance Matar uma Cotovia (To Kill a Mockingbird), de Harper Lee - galardoado em 1961 com o Prémio Pulitzer e considerado uma obra-prima da literatura anti-racista.

Na origem da decisão esteve a denúncia de uma encarregada de educação, ofendida com a utilização do termo "preto" (nigger) e expressões coloquiais conotadas com a segregação racial em diversos trechos desta obra.

Há pelo menos quatro versões diferentes deste romance no mercado editorial português, com outros tantos títulos: Não Matem a Cotovia (Europa-América), Mataram a Cotovia (Relógio d' Água), Matar a Cotovia (Editorial Presença) e Por Favor, Não Matem a Cotovia (Difel).

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Os novos censores andam aí (1)

por Pedro Correia, em 30.08.17

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O Cinema Orpheum, em Memphis, anunciou o cancelamento em 2018 da exibição anual do filme E Tudo o Vento Levou, galardoado com oito Óscares em 1940, interrompendo uma tradição ali existente há 34 anos, Verão após Verão. Motivo invocado: os protestos de "largos segmentos" da população daquela cidade do sul dos EUA, que nas redes sociais acusam o filme de perpetuar estereótipos raciais e contemporizar com a escravatura.

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O eterno problema

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.08.17

Quaisquer que sejam as épocas e os regimes, dentro ou fora de Portugal, "(...) o que caracteriza sempre os censores é o serem profundamente estúpidos". Pois é, Luís, mas não só os censores: as empresas de recrutamento também padecem do mesmo mal. 

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Ponham-se a pau, Eça e Camões

por Pedro Correia, em 28.08.17

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Era o que faltava à Porto Editora para se actualizar: após mais de sete décadas ao serviço da excelência do serviço público, passou a receber lições de pedagogia do poder político.

Pedagogia censória, passe o oxímoro, em nome de valores respeitáveis, como a igualdade e a liberdade. E com solene chancela oficial, que manda - utilizando o eufemismo "recomenda" - retirar duas publicações dos postos de venda. O fantasma do doutor Salazar deve emitir uns sopros irónicos lá entre os vetustos reposteiros de São Bento.

Com a diligente brigada dos bons costumes apostada em pôr multidões ordeiras e ululantes a entoar a novilíngua deste admirável mundo novo, condenando sem cuidar sequer do rigor dos factos, o vocabulário comum em democracia torna-se policiado como se vivêssemos em ditadura. E não tenhamos ilusões: esses patrulheiros não tardarão a exercer censura com carácter retrospectivo, pois só quem controla o passado é capaz de controlar o futuro. Atenção, misógino Pessoa. Toma cuidado, falocrático Eça - reles perpetuador de "estereótipos de género". Põe-te a pau, racista e islamófobo Camões.

Haja cuidadinho com as cores também. Os daltónicos, coitados, é que se tramam.

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Je suis Sun

por Pedro Correia, em 21.01.15

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Pressões feministas põem fim a uma das mais conhecidas tradições da imprensa britânica: a página 3 do tablóide The Sun, existente há 44 anos na versão "arejada"

 

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O declínio do Ocidente.

por Luís Menezes Leitão, em 20.12.14

 

Tenho vindo a falar várias vezes da guerra das civilizações que me parece cada vez mais evidente a cada dia que passa. O que, no entanto, verdadeiramente me escandaliza é o declínio do Ocidente nesta nova guerra que se avizinha. Um dos factores mais preocupantes é a fraqueza com que o Ocidente defende os seus valores, entre os quais a liberdade de expressão e de imprensa. Um dos primeiros sintomas da força do Ressurgimento Islâmico foi a forma como o Ocidente reagiu ao livro de Salman Rushdie, The satanic verses, que indignou Khomeiny, lançando uma fatwa contra o seu autor. Na altura vários países ocidentais optaram por não publicar o livro, por receio de represálias, quebrando assim uma tradição da liberdade de imprensa. 

 

Agora, no entanto, o ataque foi ainda mais sério, com a Sony Pictures a abandonar a distribuição do filme The Interview, que satirizava o líder da Coreia do Norte, filme que já levou os chineses a acusar Hollywood de "arrogância cultural absurda". Não me espanta que os chineses acusem um filme de Hollywood desses epítetos, já que tenho a certeza que os alemães à época terão dito muito pior do filme de Charles Chaplin, The Great Dictator, que ridicularizava brutalmente Hitler.

 

A questão é que em 1938 quando toda a gente olhava para o lado perante a perseguição dos judeus na Alemanha, Charles Chaplin teve a ousadia de rodar um filme contra Hitler. Mais tarde, em 1940, Hollywood não hesitou em distribuí-lo, ainda os Estados Unidos não tinham entrado na guerra. Hoje pelos vistos a Sony Pictures termina a distribuição de um filme por o mesmo desagradar ao líder da Coreia do Norte e ter receio de represálias de hackers. Se alguém tinha dúvidas sobre o declínio do Ocidente, aqui está a prova irrefutável.

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Facebook devolve conta a Leslie

por Fernando Sousa, em 10.02.11

O Facebook devolveu esta manhã à chilena Leslie Power a conta que lhe cancelou por ter publicado uma foto a amamentar o filho. O escândalo foi tão grande, que a empresa de Alto Palo não teve outro remédio senão emendar a mão. Mas como se pode ler na carta que mandou à lesada, a rede social, ancorada na leitura que faz da sua Declaração de Direitos e Responsabilidades, insiste na aberração e pede à dona da conta que "não publique fotos que incluam nus, gráficos ou outros conteúdos sexuais". Isto é mesmo, mesmo doentio. Não dá para acreditar.

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Facebook volta a censurar

por Fernando Sousa, em 09.02.11

 

Uma psicóloga chilena, Leslie Power, pôs no Facebook uma foto onde aparece a dar de mamar ao bebé. Resultado: a rede social cancelou-lhe a conta por considerar a fotografia ofensiva e violadora das condições de uso da empresa. Esta é apenas a última da teia de Zuckerberg-Saverin. O escândalo está na rua. Enquanto nos fixamos nuns ditadores, outros, não menos perigosos, esfregam as mãos de contentes - quando não estão a contar dinheiro.

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Um caso de censura

por Pedro Correia, em 30.01.10

  

A censura torna os jornalistas mais hábeis. Millôr Fernandes lembrou há pouco um exemplo ocorrido no Pasquim, uma das publicações mais visadas pelos censores da ditadura militar brasileira nos anos 70 – uma censura que não se limitava aos temas políticos: exercia o domínio repressivo também no capítulo da moral e dos costumes.

Em certa edição da revista, havia que escrever sobre o romance Iracema, de José de Alencar – um clássico da literatura romântica brasileira, que entre outras expressões popularizou à época a “virgem dos lábios de mel”. Convidava à malandrice. E assim foi: o Pasquim lá se debruçou seriamente sobre o romance, numa das suas enésimas edições, tendo no entanto o cuidado de acrescentar uma palavra. Uma palavrinha apenas – no caso, um adjectivo. Grande. A virgem de Alencar passou a ter “grandes lábios de mel”.
A censura, bronca como costumam ser as censuras, nem reparou. Uma singela palavra pode fazer toda a diferença.

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Contra qualquer forma de censura

por Pedro Correia, em 08.09.09

Naturalmente, ofereço-me desde já como testemunha do Filipe. Há pessoas absolutamente incapazes de compreender o que é a liberdade de expressão. É preciso lembrar-lhes continuamente o óbvio. Pois aqui vai:

 

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.


Constituição da República Portuguesa, artigo 37.º

 

 

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Berlusconi proíbe livro de Saramago

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.05.09

A editora de Berlusconi censurou um livro de Saramago. Estou ansioso por ver as reacções daqueles que acusaram Chavez de ditador por, pretensamente, (digo pretensamente, porque já se provou que tudo se reduziu a uma montagem grotesca) ter proibido a entrada de Mario Vargas Llosa na Venezuela.

Povavelmente vão dizer que foi um acto normal em democracia...

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Estados-censores

por Pedro Correia, em 12.03.09

 

Hoje, Dia Mundial Contra a Censura na Internet, vale a pena sublinhar quais são os 12 países que praticam com mais determinação esta modalidade de censura:

 

Arábia Saudita

Birmânia

China

Coreia do Norte

Cuba

Egipto

Irão

Síria

Tunísia

Turquemenistão

Uzbequistão

Vietname

 

Quatro destes países, verdadeiros estados-censores, são considerados faróis do 'socialismo' pelo PCP: China, Coreia do Norte, Cuba e Vietname. Recordo o que referiam as teses apresentadas pela direcção do partido ao congresso de Novembro de 2008: "Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia."

É útil anotar estes factos para reflectirmos melhor quando voltarmos a ouvir os comunistas portugueses denunciar algum atentado à liberdade. Seja em que parte do globo for.

 

(Via Der Terrorist)

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