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Cavaco: urge reconstruir o PSD

por Pedro Correia, em 08.10.19

«Como social-democrata com fortes ligações à história do PSD, o resultado obtido pelo partido não pode deixar de me entristecer.»

«A tarefa mais importante e urgente que o PSD tem agora à sua frente é a de reconstruir a unidade do partido e de mobilizar os seus militantes.»

«Trazer ao debate das ideias e ao esclarecimento e combate político os militantes que, por razões que agora não interessa discutir, se afastaram ou foram afastados, como é o caso de Maria Luís Albuquerque, uma das mulheres com maior capacidade de intervenção que conheci durante o meu tempo de Presidente, e muitos outros.»

«Todos são necessários para ir ao encontro dos portugueses, ouvir os jovens, explicar as propostas do partido para resolver os problemas do País e fazer do PSD um partido verdadeiramente nacional.»

 

Reflexões de Cavaco Silva - hoje difundidas - a propósito da hecatombe eleitoral do PSD, que no domingo obteve o pior resultado em legislativas dos últimos 36 anos.

A versão integral pode ser lida aqui.

Frases de 2019 (11)

por Pedro Correia, em 17.04.19

«Fala-se mesmo que, perto de 2050, as reformas passem a situar-se não muito longe dos 80 anos.»

Cavaco Silva, ex-Presidente da República, em entrevista à Rádio Renascença

Frases de 2017 (37)

por Pedro Correia, em 05.09.17

«A realidade acaba sempre por derrotar a ideologia.»

Cavaco Silva, na Universidade de Verão do PSD, plagiando-se a si próprio

Sobre o livro de Cavaco

por Rui Rocha, em 18.02.17

Considero o timing e o conteúdo (li em diagonal, saltando de capítulo para capítulo) no mínimo questionáveis. Desde logo, porque nada acrescenta à imagem daquele que parece ser o seu alvo principal. José Sócrates é um trambiqueiro volúvel, manipulador, irascível e perigoso? Obrigado, já sabíamos. Mas, sobretudo, porque é do senso comum que uma troca de argumentos com Sócrates é mergulhar na lama e só serve para dar palco a um cadáver político. Nestes casos, vale sempre a pena ter em atenção o conselho de Mark Twain: nunca discutas com um cretino; ele arrasta-te até ao nível dele e depois vence-te em experiência.

Que não lhes falte o detergente

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.09.16

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Num dia lê-se isto, noutro dia mais qualquer coisa sobre o mesmo assunto. Para compor o ramalhete, antes que se acabe o detergente, vêm mais umas histórias de tarar. Mas era preciso descer tão baixo? 

Há gente com muito menos educação, que não sabe para escrever livros, não tendo a petulância dos pavões nem a obrigação de preservar as instituições da república, que na hora do divórcio faz o mesmo com muito mais nível. Mais uma tristeza para os portugueses somarem a dez anos de vexame. 

De acordo com a versão oficial

por Rui Rocha, em 09.03.16

Cavaco Silva é o caso típico do fulano que sai de casa para comprar tabaco e só regressa passados mais de 30 anos.

O homem imperfeito

por Pedro Correia, em 09.03.16

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Releio a previsão feita em 2010 por um politólogo doméstico sobre o "maior risco" de um Cavaco Silva em vias de reeleição para um segundo mandato em Belém: o reforço da componente presidencial do sistema político português. Como tantas vezes acontece, esta previsão falhou. Cavaco foi, pelo contrário, o Chefe do Estado com uma visão mais restritiva dos seus poderes, reconfigurando o imperfeito "semipresidencialismo" desenhado na Constituição. Dez anos depois de ele ter tomado posse para o primeiro mandato, o Parlamento funciona hoje como centro da nossa vida política, um pouco à semelhança do que sucedia na I República - característica que os constituintes de 1976 procuraram evitar. Com manifesto insucesso, como se comprova.

Cavaco Silva não foi cesarista nem bonapartista, como tantos temiam: nenhum dos seus defeitos rondaram por aí. A incapacidade de estender pontes para além da sua família política de origem e uma chocante insensibilidade social, tornada bem evidente na lamentável declaração que proferiu em 2012 sobre a suposta falta de recursos do casal presidencial para fazer face às despesas foram os pontos mais negativos do consulado cavaquista em Belém. Um longo período que, somado à década de permanência em São Bento como primeiro-ministro e ao ano em que foi ministro das Finanças com Sá Carneiro, tornaram Aníbal Cavaco Silva o cidadão durante mais tempo em funções em cargos políticos no actual regime.

 

Tímido, ensimesmado, sem dotes oratórios nem carisma pessoal, Cavaco nunca deixou no entanto de manter uma sólida legião de adeptos - aliás expressa nas quatro eleições que venceu por maioria absoluta, em 1987, 1991, 2006 e 2011, meta que nenhum outro político alcançou entre nós. Consequência da sua austera e esquálida figura, que tão bem caiu inicialmente no imaginário lusitano, da reputação que granjeou como especialista em finanças públicas e da associação empírica do seu mandato governamental aos anos de maior prosperidade da anémica economia nacional, em boa parte fruto da nossa adesão à Comunidade Europeia e aos 110 mil milhões de euros em fundos estruturais que ela até hoje nos proporcionou. A primeira "década cavaquista" tornou o País irreconhecível, facto que a posteridade não deixará de reconhecer.

Faltou-lhe, já como inquilino de Belém, estabelecer a ligação afectiva com os portugueses que muito esperam sempre de um Presidente, como sucedâneo dos monarcas ancestrais que deixaram bom rasto na memória colectiva. Relação ainda mais necessária em tempo de penúria financeira e crise social - aqui Cavaco faltou à chamada e muitos não lhe perdoaram a frieza e a distância que manifestamente revelou.

 

Creio no entanto que os historiadores futuros preferirão salientar, do seu duplo mandato em Belém, o facto de representar a ascensão do homem comum ao supremo patamar da hierarquia política portuguesa, devidamente mandatado pelo sufrágio universal. Cavaco Silva foi o primeiro Presidente civil não oriundo das endogâmicas famílias políticas da classe média-alta lisboeta que em regra se vão revezando nos circuitos da decisão. Homem da província, com raízes humildes, funcionou como personificação viva das virtudes e defeitos da democracia, um sistema em que o elevador social funciona e supera as delimitações territoriais dos clãs dominantes.

Neste sentido prestou um bom serviço ao regime democrático - incipiente e frágil mas superior a qualquer outro. Por definição, o regime dos  homens imperfeitos. Porque a perfeição, a que tantos aspiram, na política só existe em ditadura.

Frases de 2016 (20)

por Pedro Correia, em 08.03.16

«Estou, a todos, profundamente grato.»

Cavaco Silva, ontem, no discurso de despedida como Presidente da República

Confusões

por Sérgio de Almeida Correia, em 08.03.16

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(Global Imagens)

O Prof. Cavaco Silva, Presidente da República ainda em funções, resolveu assinalar o final do seu mandato com uma visita à nobre e honrada Vila de Cascais.

Os naturais e residentes de Cascais estão-lhe naturalmente agradecidos por esse gesto em final de mandato, em especial porque teve com a sua acção um papel relevante na recuperação de uma parte importante do património histórico e cultural da vila e esse é um ponto que não deverá ser esquecido. Nem esquecido nem confundido com aquela que foi a sua postura ao longo dos seus mandatos.

Escrevo isto porque essa confusão entre interesses próprios, interesses de grupo e o interesse nacional esteve sempre patente e voltou a acontecer na sua última intervenção pública antes de ceder o lugar ao Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.

Disse o Prof. Cavaco Silva, e só ele saberá porque teve necessidade de vincá-lo nessa ocasião, que agiu sempre de acordo com a Constituição e de acordo com o superior interesse nacional.

Os factos que de todos são conhecidos desmentem-no em toda a linha. Basta pensar em alguns episódios como os relativos à aprovação dos últimos Orçamentos de Estado, cujos custos para o país em termos políticos, de coesão social, paz e solidariedade intergeracional acabariam por se revelar elevadíssimos e pelos quais ainda iremos pagar durante muitos anos, para se perceber que com excepção dele, de Passos Coelho e do seu anfitrião de ontem, poucos mais no País duvidavam das múltiplas inconstitucionalidades com que contemporizou e que o Tribunal Constitucional se encarregou de ir sublinhando. Ou recordar o mal esclarecido e lamentável caso das escutas, que deverá servir de exemplo à acção de futuros Presidentes para que não se repita. Ou, ainda, as condecorações aos seus correligionários políticos, ou as declarações omissivas que fez sobre as suas relações com o universo SLN/BPN, ou a confiança que deu até ao último minuto a quem não era merecedor dela (Dias Loureiro no Conselho de Estado), ou as queixas que fez sobre o seu nível de rendimentos para poder ter uma vida normal, estas últimas ofensivas da dignidade de milhões de portugueses, para se perceber que o interesse nacional foi no seu espírito e postura institucional objecto de múltiplas e recorrentes confusões.

Se alguma dúvida houvesse sobre a confusão que o Presidente cessante sempre fez entre o interesse nacional e os interesses da sua família ideológica ficariam dissipadas pelo encomiástico discurso de despedida que o anfitrião, vice-Presidente do PSD, resolveu fazer.

Sabendo-se o que hoje se sabe, olhando para os níveis sofríveis de popularidade do Presidente cessante e para tudo o que foi acontecendo, que não pode ser disfarçado pelo convite que lhe foi dirigido para presidir a uma reunião do Conselho de Ministros, só para conforto ideológico e alívio da consciência do homenageado se poderia dizer o que se disse. Como caricatura da acção do Prof. Cavaco Silva enquanto inquilino de Belém seria difícil encontrar palavras mais acertadas.

Aliás, isso acaba por ser inteiramente compreensível e, aqui sim, transparente quando se vê o Prof. Cavaco Silva terminar os seus mandatos como Presidente da República da mesma forma como os iniciou e conduziu: agarrado à sua família ideológica, enfiado numa trincheira com os seus acólitos, a exaltar e justificar a sua própria acção, recebendo os aplausos dos correligionários e confrades.

Para imagem do "superior interesse nacional" esta cena não poderia ser mais apropriada. Uma lástima e mais uma confusão que poderia ter sido evitada neste final de mandato.

Possollo no Possolo

por Rui Rocha, em 06.03.16

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Um toque de inovação

por Rui Rocha, em 05.03.16

Presumo que, cansados da tradição dos retratos a óleo de Presidentes da República, tenham decidido que o de Cavaco Silva devia ser a azeite.

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Por alto

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.02.16

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Feitas as contas, assim por alto, e tirando José Sócrates, que não conta para esse campeonato, só ficam a faltar Jorge Jesus, a senhora dos pastéis de bacalhau e ele próprio. Talvez a D. Maria possa tratar disso de maneira a que cerimónia tenha lugar antes de 9 de Março. Sempre seriam menos três para as preocupações do Presidente eleito.  

Um gesto de amor

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.12.15

Os portugueses vão hoje aplaudir mais um gesto natalício do senhor Presidente da República. Vai ser mais uma jornada de grande elevação e concórdia nacional.

Até no dia da posse

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.11.15

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Se tinha dúvidas não aceitava a solução proposta e dizia-o logo, assumia-o, no limite até podia ter arranjado outra solução. Não podia era aceitar a solução que lhe foi oferecida e depois criticar a posse que ele próprio conferiu. Muito menos fazer ameaças veladas. No mesmo dia. Um fraco traído pelo seu próprio carácter. Não esteve à altura das circunstâncias, não soube honrar o seu destino, foi igual a si próprio, incapaz de disfarçar o azedume, incapaz de um gesto de elevação. Nisso foi coerente até ao fim.

A História não o absolverá porque não perderá tempo a julgá-lo. 

Notas políticas (9)

por Pedro Correia, em 24.11.15

Cavaco Silva optou pela solução mais razoável no actual quadro político. Como aqui escrevi há mais de um mês, "se Passos Coelho vir o programa do seu novo executivo chumbado em São Bento, resta ao Presidente da República chamar o líder do PS, segundo partido mais votado, para tentar formar governo e submeter-se por sua vez à apreciação parlamentar".

Goste-se ou não, e digam os profetas da desgraça o que disserem, os mecanismos da democracia representativa em Portugal estão bem e recomendam-se. O que é de aplaudir. Tal como devemos congratular-nos também pelo facto de o Chefe do Estado não ter sujeitado os portugueses a experimentalismos constitucionais, confirmando-se também o cenário que antecipei aqui.

Sobre o Executivo socialista - aquele que resulta da segunda mais reduzida base eleitoral de sempre em quatro décadas, logo após o Governo minoritário de Cavaco Silva  empossado em 1985 - haverá mil ocasiões para nos pronunciarmos. O momento agora é de congratulação. Porque a nossa democracia funciona de forma irrepreensível.

nervosismo de alguns, nas últimas semanas, não tinha qualquer justificação.

O Gangster

por Rui Rocha, em 23.11.15

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... Cavaco só estará disponível para ler a carta de Costa lá para o final da semana.

Não era uma múmia, era uma esfinge

por Rui Rocha, em 23.11.15

Afinal, Costa vai ter de sujeitar-se a um conjunto de 6 enigmas se quiser assegurar a sua sobrevivência política. Mas a coisa pode não ficar por aqui. Fontes bem informadas sobre os bastidores do Palácio de Belém garantem que, mesmo que tenha aproveitamento nas respostas que der às 6 questões colocadas, Costa terá ainda de confrontar-se com uma última e fundamental questão que o Presidente da República considera essencial desde que a viu colocada na edição espanhola do Quem Quer Ser Milionário de que  é um fiel espectador:

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Governo de iniciativa presidencial liderado por António José Seguro.

Frases de 2015 (59)

por Pedro Correia, em 18.11.15

«Vocês têm uma banana maior e mais saborosa.»

Cavaco Silva, durante a visita à Madeira


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