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Delito de Opinião

30 metros quadrados

João Sousa, 14.01.26

«Às sete horas da manhã, Allen Purcell, o jovem e optimista presidente da agência de pesquisa mais recente e mais criativa, ficou sem o quarto de dormir. Mas em troca ficou com uma cozinha. O processo era automático, controlado por uma fita impregnada de óxido de ferro e escondida na parede. Allen não tinha autoridade sobre ela, mas a transfiguração ocorrida era agradável para ele; já se sentia desperto e estava pronto a levantar-se.

Bocejando e piscando os olhos, mas já de pé, ele tacteou à procura do botão que fazia aparecer o fogão. Como de costume, o fogão estava meio escondido na parede, só parte dele era visível do quarto. Porém, bastava que o botão fosse premido com firmeza. Allen premiu-o e, com um suave zumbido, o fogão emergiu completamente da parede. (...)

O fogão, devidamente desdobrado, transformou-se também em lava-louça, em mesa e em tabuleiro. Ainda rodaram para fora de todo este equipamento duas cadeiras, e por debaixo dos mantimentos armazenados podiam ver-se os pratos.»

Philip K. Dick, O Profanador

 

Vejo alguns, lá atrás, esbracejarem contra os 30m2 definidos pelo candidato Correia. Vocês não percebem: o homem já está a viver no futuro.

Ele quer ser presidente dos empreiteiros

Pedro Correia, 14.01.26

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Tal como 99,9% dos meus compatriotas, até há poucos dias nunca tinha ouvido falar num tal Humberto Correia (não é meu parente, garanto, apesar do apelido). Fiquei a saber que se candidata a Presidente da República ao vê-lo participar no único debate que juntou os 11 concorrentes admitidos pelo Tribunal Constitucional, realizado na RTP em Dia de Reis (irónica data). 

Quem é este Humberto pouco delgado? Fiquei a saber o mesmo. Tão desconhecido era, tão desconhecido ficou após mais de duas horas em antena. Em vez de aproveitar o generoso tempo disponível para se apresentar aos eleitores, dizendo pelo menos o que faz na vida, desatou a desbobinar baboseiras próprias de quem ignora em absoluto quais são os poderes concretos do Chefe do Estado.

Anotei este dislate: «Se eu for eleito, o Governo, seja qual for a sua cor política, terá de construir 100 mil habitações sociais por ano. É preciso construir habitações de 30m2 que serão alugadas a 90 euros por mês. E de 50m2 que serão alugadas a 150 euros por mês. A nossa missão é resolver o problema de habitação de todos os portugueses.»

Ele quer, pode e manda - em sonhos. Confundindo chefia do Estado com poder executivo: como se bastasse carregar num botão para obrar resultados, fazendo as casas medrar como cogumelos.

O senhor anda visivelmente equivocado: queria candidatar-se não a Presidente da República, mas a presidente da Associação de Empreiteiros. Alguém tenha a caridade de lhe dizer que surgiu como figurante na fita errada.

A pergunta que ainda ninguém fez

Pedro Correia, 06.01.26

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Durante este par de meses, ouvimos vezes sem conta aludir ao Presidente da República como "comandante supremo das "forças armadas". Acontece que até ao momento nenhum jornalista, tanto quanto sei, indagou junto de todos os candidatos presidenciais civis (Henrique Gouveia e Melo fica excluído por motivos óbvios) que experiência militar ostentam nos seus currículos.

É pergunta simples, básica, mas que tarda a ser feita. O que diz muito sobre o jornalismo que se pratica hoje em Portugal.

Tudo o que um debate não deve ser

Sérgio de Almeida Correia, 01.12.25

Catarina Martins vs André Ventura: quem teve a nota mais alta? - SIC  Notícias

Já calculava que alguns dos "debates" entre os candidatos às próximas eleições presidenciais seriam muito pouco interessantes, iriam esclarecer nada ou quase nada, e que só serviriam para continuar a transmitir uma péssima imagem dos nossos (deles) actores políticos, mostrando nalguns casos a sua manifesta impreparação, falta de sentido de Estado, oportunismo, irresponsabilidade política e total desprezo pela situação do país e dos portugueses.

Confesso que nunca pensei é que se viessem a revelar bem piores do que aquilo que poderia imaginar nos maiores pesadelos.

Da falta de ideias à de educação, da linguagem desbragada ao estilo carroceiro, com frases e apartes de estrebaria, gritaria, mãos e braços no ar, sem esquecer mentiras, insultos, falsas verdades, omissões convenientes e incoerências, nada tem faltado.

O pseudodebate de ontem entre Catarina Martins e André Ventura, que aproveitei para ver durante a minha hora de almoço, é apenas mais um exemplo de algo que nunca deveria ter acontecido. E admiro a paciência do entrevistador, por muito bem paga que seja.

Aos debates que se têm visto seria preferível o silêncio. 

Este seria bem mais enriquecedor, educativo e muito menos ofensivo da dignidade nacional.

E os portugueses continuariam tão esclarecidos sobre as ideias dos candidatos presidenciais como estavam antes. Sem "debate".

Nem Sassá Mutema quer salvar a pátria

Pedro Correia, 20.08.25

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António José Seguro fez um nó cego àqueles socialistas que andam há meses a implorar por um candidato com imaculado pedigree “de esquerda”, seja lá o que isso for. Enquanto o inefável comité de proprietários do PS se desdobrava em ingentes esforços para travar o passo ao antigo secretário-geral na corrida a Belém, este fazia calmamente o seu caminho. Fiel à sua imagem de marca: sem insultar ninguém, sem lançar desqualificativos a outros, indiferente ao chorrilho de provocações que o visavam nas redes digitais.

Os arautos da “verdadeira esquerda” – agora congregados na frente eleitoral autárquica em Lisboa – foram disparando nomes no carrossel mediático, em desespero crescente. Sem sucesso algum.

 

A 26 de Junho, António Vitorino deu-lhes nega alegando “não reunir condições”. A 2 de Julho, Augusto Santos Silva seguiu-lhe o exemplo. Mário Centeno tinha sido o primeiro a desistir por antecipação, logo a 16 de Janeiro.

Faltava Sampaio da Nóvoa – o nosso Sassá Mutema, “o salvador da pátria”, que havia motivado romarias idolátricas amplificadas pelos jornais do costume. Também ele disse não, já a 13 de Agosto. Evita assim correr o risco de se enganar redondamente - como quando afirmou, em Dezembro de 2015, que se sentia “praticamente seguro” de uma segunda volta na corrida a Belém. No mês seguinte, não chegou a 23% dos votos, com Marcelo a vencer em toda a linha.

 

Cada nome lançado na praça pública revelou-se um tiro de pólvora seca. Esta vaga de deserções não augura nada de bom para os apóstolos da “esquerda unida”.

Segue-se agora quem? Talvez o Tino de Rans. Mas é duvidoso que aceite.

Enquanto Seguro assiste, de cadeirinha.

A candidatura de António José Seguro.

Luís Menezes Leitão, 04.06.25
Sempre achei que António José Seguro era uma das pessoas mais injustiçadas da política portuguesa. Pegou no PS depois de José Sócrates ter deixado em cacos esse partido, bem como ao próprio país, e foi fazendo o seu caminho, com uma oposição responsável ao governo de Passos Coelho, que levou o PS a ganhar as eleições europeias.

 

Foi, porém, logo a seguir injustamente derrubado numa conspiração liderada pela dupla Sócrates-Costa, com o objectivo de colocar Sócrates em Belém e Costa em São Bento. Erradamente Seguro aceitou o desafio de convocar umas primárias, que se revelaram terreno minado para ele, conduzindo Costa à liderança do partido. Mas, quando Costa se preparava para anunciar o apoio a José Sócrates, este foi detido, e Costa imediatamente o abandonou. Costa acabaria por perder as eleições, mas isso não o impediu de formar governo com o apoio da extrema-esquerda, para o que transformou o próprio PS num partido de extrema-esquerda. Costa, apesar de ter ganho a seguir duas eleições, graças à inépcia da oposição de Rui Rio, acabaria por se mudar para um exílio dourado em Bruxelas, com o apoio de Montenegro, mais uma vez deixando o PS em cacos.

 

Por isso, a única atitude correcta que o novo PS de José Luís Carneiro pode adoptar é manifestar apoio a António José Seguro, corrigindo a injustiça histórica que lhe foi praticada. Se quiser apostar antes em figuras ligadas aos tempos de Sócrates e de Costa, como Augusto Santos Silva, ou em líricos como Sampaio da Nóvoa, arrisca-se a ter o mesmo destino do Bloco de Esquerda.

Este programa de lavagem exige centrifugação

Sérgio de Almeida Correia, 14.03.25

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(créditos: daqui)

Cumpriu-se o prometido. Ou a ameaça, dependendo da perspectiva. O Presidente da República anunciou a dissolução da Assembleia da República e convocou eleições legislativas para 18 de Maio.

Como todos estavam avisados, ninguém se admirou com a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa. Preferem tremoços em vez de amêndoas? Pois aqui os têm. E logo veremos quem fica com as cascas.

Na breve alocução que fez, o Presidente não se afastou daquela que tem sido a sua leitura das condições de governabilidade e do exercício da autoridade política elencadas noutras ocasiões. Uma vez mais, como fizera durante a crise do ministro Galamba, trouxe à liça o problema da confiabilidade, ou seja, da "ética da pessoa exercendo a função". E, oportunamente, assinalou que "não se pode ao mesmo tempo confiar e desconfiar". Não há meio-caminho. Tem razão.

Com a concordância dos partidos políticos e do Conselho de Estado vamos iniciar novo ciclo eleitoral. O calendário é bastante apertado corre-se o risco de aumentarem os sinais de exaustão dos portugueses para com os partidos e a classe política. A seu tempo se verá.

O incómodo de muitos autarcas será grande. O resultado das legislativas traz consigo o risco de influenciar decisivamente o resultado das eleições autárquicas do início do Outono nalguns municípios em que pela sua dimensão e proximidade ao centro do poder político as influências deste são mais profundas, os factores de crispação maiores e a luta político-partidária mais agressiva.

Neste contexto, a postura dos candidatos apresentar-se-á como fundamental para retirar animosidade ao discurso, introduzindo serenidade ao combate eleitoral, evitando o eriçamento do tom. O modo como decorrer este período até às eleições, e em especial a campanha eleitoral, poderão contribuir para aproximar ou afastar ainda mais as pessoas da política. Os níveis de abstenção vão em muito depender da forma como a campanha decorra. A democracia e a saúde do regime voltam a estar em xeque.

Para além da necessidade de se escolher a composição do novo parlamento e aquele que será o futuro primeiro-ministro, seria bom que os partidos percebessem uma coisa: os portugueses só irão às urnas sentindo-se esclarecidos, por um lado, e confiantes de que continua a fazer sentido votar.

De há muito que o aumento de personalização das campanhas e um sistema eleitoral fechado, incapaz de se renovar e aproximar dos eleitores, assente num caduco sistema de listas, em que tirando os primeiros nomes poucos sabem quem são os fulanos que se vão sentar em São Bento, o que fazem e o que pensam, de onde vêm e para onde querem ir, pouco contribuem para o esclarecimento. Muitos deixaram de votar por convicção e apenas para não terem de escolher aquele que lhes parece ser no momento o menor dos males.

Uma coisa é ter dificuldade em escolher um de entre dois hotéis igualmente bons, com óptimo preço, serviço magnífico e excelente localização. Outra é ser obrigado a olhar para propostas que muitas vezes pouco se diferenciam, em virtude de condicionamentos externos e internos, escritas em mau "politiquês" por uns ignaros com passado nas "jotas" e que acabaram a escolaridade obrigatória em gabinetes ministeriais escrevendo ofícios que começam com "somos a apresentar", subscritas por gente de quem à partida se desconfia, e que poucas razões dá para nela se confiar, e em que o factor decisivo residirá na contagem do número de arguidos, manhosos, medíocres e analfabetos mais conhecidos de cada uma das listas para se acabar votando na que apresentar menos em cada uma dessas categorias.

Sem querer ser ingénuo, gostaria de ver uma campanha centrada em propostas apresentadas por pessoas em quem se possa confiar, o que é cada vez mais raro.

Mas como há muito perdi as ilusões, que não a esperança, ainda acredito que será possível transformar os próximos dois meses e meio num ciclo de lavagem acelerado.

Admitamos, pois, o princípio de que a partir de segunda-feira o país e as ilhas se transformarão numa gigantesca máquina de lavar roupa, onde enfiaremos os líderes dos partidos concorrentes às eleições e os candidatos à primeiro-ministro, mais os respectivos rebanhos.

Creio que as rádios, as televisões e os jornais estão mais do que habituados a estes ciclos de lavagem, muito embora os detergentes que têm usado, culpa das agências de comunicação, sejam normalmente muito rascas, e os candidatos continuem a sair de lá dentro, no final de cada programa, pouco perfumados, já desfiados e ainda encardidos devido à ausência de pré-lavagem.

Como depois seguem directamente para o estendal de São Bento, só quando começam a secar e a ser impiedosamente expostos e batidos pelo vento é que nos apercebemos do seu estado e da má qualidade do material que nos impingiram, ultimamente mais visível nos que por lá se têm agitado.

Preparemo-nos então para enfiar os melhores trapos que os partidos nos oferecem dentro de uma boa máquina de lavar – também se pode aproveitar para lá meter umas becas e uma batinas que andam muito ruças e com pouco préstimo –, sujeitando-os a uma boa barrela.

Para isso, podemos começar com um bom programa de pré-lavagem, a que se seguirá um ciclo longo de oito semanas, sempre na máxima rotação da máquina, e com uma dose generosa de detergentes, tão bons que não permitam aos mais esgaçados, no final do programa, saírem dali para mais lado algum. A seguir, aos sobrantes, dê-se--lhes uma boa centrifugação. Sempre acima das 1200 rpm.

Estou convicto de que com a ajuda da comunicação social e da PJ, que tanto contribuíram para nos revelarem, entre outras preciosidades, os mistérios de Paris, a ilustre casa de Espinho, as marquises do interior, o enxoval do Arruda, os canudos da Lusófona, as coutadas do macho latino, os vinhos do Isaltino, os estafetas de Alcochete, os clientes do Calor da Noite, e até recapturarem uns hóspedes de Vale de Judeus que tinham ido mudar uns pneus, será possível fazer uma boa lavagem.

Esperemos é que até lá aquelas rolas e corvos que nidificam nos pisos superiores do Palácio Palmela não se lembrem de interromper o programa de lavagem para irem à procura de uns talões de Multibanco e de uns bilhetes para a bola que saíram pela janela, num dia de ventania, porque uma das mulheres da limpeza se esqueceu dela aberta.

Se assim for, virá toda a roupa limpinha e bem cheirosa para, salvo avaria de última hora no leme ou encalhanço no nevoeiro do Bugio, hipótese que nunca se poderá excluir, aconchegar o senhor almirante.

Qual deles preferem?

Dezasseis proto-candidatos à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa

Pedro Correia, 29.11.24

Entre os pré-candidatos, proto-candidatos, putativos candidatos e aqueles que adorariam candidatar-se à Presidência da República mesmo sabendo não ter a menor hipótese de lá chegarem, enumerei uma lista de dezasseis, que passo a reproduzir por ordem alfabética. Desta lista sairá quem vai suceder a Marcelo Rebelo de Sousa. *

Espero que quem me lê aproveite para destacar o(s) candidato(s) da sua preferência. E também que digam quem são aqueles que em circunstância alguma terão o seu voto.

Se não for pedir muito, espero ainda que possam justificar o que os leva a assumir tais opções de apoio ou rejeição, desde já, na próxima corrida ao Palácio de Belém.

 

Eis a lista:

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ANA GOMES

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ANDRÉ VENTURA

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ANTÓNIO GUTERRES

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ANTÓNIO JOSÉ SEGURO

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ANTÓNIO VITORINO

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AUGUSTO SANTOS SILVA

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CARLOS CÉSAR

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HENRIQUE GOUVEIA E MELO

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JOSÉ MANUEL DURÃO BARROSO

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JOSÉ PEDRO AGUIAR BRANCO

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LUÍS MARQUES MENDES

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MÁRIO CENTENO

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PAULO PORTAS

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PEDRO SANTANA LOPES

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RUI MOREIRA

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RUI RIO

 

* Da lista não constam Leonor Beleza e Pedro Passos Coelho, que já se auto-excluíram de viva voz.

O que acham deles?

Pedro Correia, 09.05.24

Principais cabeças de lista partidários, em Portugal, às eleições europeias de 9 de Junho:

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                           António Tânger Correia (Chega)                     Catarina Martins (BE)

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                                     Joana Amaral Dias (ADN)                                 João Cotrim Figueiredo (IL)

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                               João Oliveira (CDU)                                                        Marta Temido (PS)

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                                          Rui Paupério (Livre)                                                Sebastião Bugalho (AD)

 

Há candidatos para todos os gostos.

Façam o favor de dizer o que pensam deles. E quais são as figuras da vossa preferência.

O que me ficou da campanha para as europeias

João Pedro Pimenta, 24.05.19

 

O Pedro Correia já revelou algumas das principais propostas dos partidos concorrentes, mas não resisto a um pequeno apanhado do que me ficou desta pobre campanha eleitoral

A campanha dos "grandes"


As melhores campanhas foram feitas por partidos em que não tenciono votar (e quase do espectro oposto um do outro). Dos grandes, achei que a da CDU cumpriu bem os seus propósitos com o seu eleitorado, sem grandes ataques pessoais e falando realmente de questões europeias.   João Ferreira tem uma imagem ambivalente do trintão a entrar no bar da moda conservando uma linguagem ortodoxa, mas é impossível negar-lhes competência e sobriedade. Desfia a cassete, mas fá-lo bem.

No Bloco, Marisa manteve-se genuína e muito activa, monopolizando toda a campanha do seu movimento, e bem: quando o resto do Bloco se lhe juntava, estragava tudo.

Nuno Melo passou o tempo a falar de Sócrates e muito pouco de Europa (gostava de saber o que ainda pensa do caso da Hungria, por exemplo), com uma postura de forcado que não deixou espaço a outros nomes da lista. Só Cristas falou ao lado dele, fora umas palavrinhas de Mota Soares.

Paulo Rangel conteve-se mais do que o costume, embora falando também demasiado do PS. Ainda assim, uma campanha menos feroz do que há cinco anos, mas menos substantiva do que há dez, quando então ainda era um pouco novidade para o grande público, como quando presidiu à primeira blogotúlia de que tenho memória (mas quem teve aulas com ele sabe como tem o dom da palavra).

Por fim, Pedro Marques. Como praticamente toda a gente reconheceu, revelou-se um candidato desastroso, quase escondido por António Costa, que ainda teve o desplante de atacar a entrada em campanha de Passos Coelho enquanto Pedro Silva Pereira, a sombra de José Sócrates e terceiro candidato da lista do PS, era estrategicamente escondido atrás da cortina. A propósito. alguém ouviu mais algum candidato da lista? A também ex-Ministra Leitão Marques, Zorrinho, ou qualquer outro que teria sido um melhor cabeça de lista?

A campanha dos "pequenos"

O seu liberalismo puro não é propriamente o meu campo, pelo que não terão o meu voto, mas preencheu um espaço vazia na partidocracia portuguesa. A Iniciativa Liberal teve de longe a campanha mais imaginativa e inteligente, sem nunca descer o nível.

Paulo Morais, pelo Nós, Cidadãos, teve menos impacto do que merecia. O discurso da corrupção é importante, mas gostava de ter ouvido melhor o que ele disse sobre questões ambientais (tendo em conta que o seu nº 2 é José Inácio Faria, eurodeputado do MPT).

Paulo Almeida Sande, do Aliança, uma boa surpresa, achei-o convincente e preparado, e não faria má figura no PE. O mesmo se diga de Rui Tavares, do Livre, já com experiência em Bruxelas, assim como Marinho e Pinto, mas este espero bem que fique de fora e que aquela coisa chamada PDR desapareça quanto antes; partidos unipessoais e demagógicos, não, por favor.

O Basta revelou-se a fraude que se supunha, quando André Ventura trocou um debate na RTP por conversas de bola na CMTV. Esta coligação de um cocktail de direitas parece quase uma resposta áqueloutro cocktail de esquerdas das legislativas de 2015, o Agir, com Joana Amaral Dias (a surgir despida e grávida na capa da revista Cristina), o Mas e o PTP. Aqui tínhamos o nóvel Chega, de Ventura, o histórico PPM, ainda que dividido (sim, há lá militantes suficientes para criar divisões, tal como no MPT, aliás, que à mercê disso nem se apresentou nesta eleição depois de há cinco anos ter eleito dois eurodeputados; Gonçalo Ribeiro Telles não teria certamente isto em mente quando os fundou), o Portugal pró Vida e o Democracia 21, que julgo não ser sequer um partido.

PNR, PTP, PAN e PURP poucas surpresas mostraram, para além das suas agendas habituais e de um certo folclore, sobretudo da parte dos reformados e dos trabalhistas (aqui aconselhava a decorarem melhor o teleponto)

Já o MRPP, agora órfão de Arnaldo Matos, nem por isso deixou de ser menos lunático, mas ao menos não escondeu ao que vinha: saída do Euro e mesmo da UE. Para quem há pouco tempo anunciava "Morte aos Traidores" não se podia esperar menos. Quanto ao MAS, na campanha televisiva o cabeça de lista fazia lembrar uma árvore de Natal, tal a profusão de cores, tranças e adereços ideológicos; as propostas eram ligeiramente mais contidas do que as do MRPP - 70% de impostos sobre as grandes fortunas, por exemplo.

Aposta de alto risco.

Luís Menezes Leitão, 20.07.17

O PSD, que tem andado completamente à nora nas autárquicas, fez duas escolhas absolutamente contraditórias. Em Lisboa escolheu Teresa Leal Coelho, que consegue cometer gaffes até no discurso de apresentação da candidatura. Acho que a melhor solução é a candidata ficar calada até ao fim da campanha. Pelos menos assim não perde mais votos.

 

Em Loures, pelo contrário, escolheu André Ventura, um comentador televisivo afecto ao Benfica, que deve ter sido escolhido por alguém ter pensado simplisticamente que há muitos benfiquistas em Loures que poderiam dar-lhe o seu voto. André Ventura é ambicioso e, ao contrário do que pode parecer, não comete gaffes, estando habituado a cavalgar a onda das polémicas, de onde espera colher dividendos. É assim que, por ter achado que isso lhe daria votos, não hesitou em agitar as águas na sua campanha eleitoral, fazendo o que tecnicamente se chama racial profiling, ou seja, generalizar a toda uma etnia características de alguns dos seus membros. 

 

Embora a sua ligação a Loures tenha passado apenas por residir no Parque das Nações, que anteriormente pertenceu ao concelho, André Ventura sabe perfeitamente que Loures é racialmente um barril de pólvora, com ódios acumulados que a esmagadora maioria das pessoas ignora. Há uns anos quase houve uma guerra civil na Quinta da Fonte entre a comunidade africana e a comunidade cigana. O candidato apostou por isso num discurso contra os ciganos em ordem a captar os votos dos que têm queixas deles. A jogada é altamente perigosa e nunca deveria ocorrer numa campanha eleitoral, mas é evidente que vai render votos, podendo mesmo Loures vir a ser a única vitória eleitoral de relevo do PSD a 1 de Outubro.

 

O problema é que a vitória de André Ventura pode ser um terramoto nos partidos de centro-direita. Assunção Cristas fugiu a correr da coligação com o PSD em Loures, mas muitos dos seus militantes estão com André Ventura. Recorde-se que o CDS dirigiu a câmara de Ponte de Lima que em 1993 mandou pura e simplesmente expulsar os ciganos do concelho, obrigando à intervenção do Provedor de Justiça. Se Cristas nem sequer conseguir ser eleita vereadora em Lisboa, o que não é de excluir face às sondagens, dificilmente a sua liderança sobreviverá. 

 

A situação de Passos Coelho não é muito melhor. Uma vitória em Loures não minimizará uma derrota no resto do país, e pode legitimar André Ventura a concorrer à liderança do PSD, como ele próprio já assumiu. Aliás, é manifesto que André Ventura já está em tirocínio para o efeito, como se vê pelo facto de responder directamente a António Costa, de forma muito mais contundente que alguma vez Passos fez. A estratégia de Passos de desvalorizar as autárquicas, hoje claramente assumida pelo seu novo líder parlamentar Hugo Soares, não parece que possa ser do agrado dos militantes. As autárquicas significam muitos lugares para o partido, que tenderá a recompensar quem os consegue obter.

 

Passos Coelho diz que está tranquilo com o apoio a André Ventura. Eu pessoalmente não estaria. O fenómeno Trump, que conseguiu engolir sozinho o partido republicano e ser eleito presidente, deveria levar os partidos políticos a compreender quais as consequências de apostar nas figuras televisivas e mediáticas como candidatos eleitorais. Quem chama a raposa para o galinheiro corre o risco de ficar sem as galinhas.

O léxico dos candidatos (8)

Pedro Correia, 16.01.16

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ADN

«Uma liderança de proximidade é o ADN de Maria de Belém, característica sintetizada no facto de ser considerada a ministra da saúde mais popular de sempre.»

ASSINATURA

«O percurso de Maria de Belém tem a assinatura da vontade de fazer, da maturidade para agir, da capacidade para preparar um Portugal mais justo e solidário.»

CANETA

«Da sua caneta de jurista saíram diplomas que ajudaram a construir o Estado Social depois do 25 de Abril.»

DIFERENÇA

«Maria de Belém é uma mulher que faz a diferença. Uma mulher de confiança.»

DISCRETA

«Discreta, mas determinada na defesa do Estado Social, Maria de Belém fez ouvir a sua voz além fronteiras enquanto presidente da Assembleia Mundial da Saúde ou como deputada na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.»

HUMANISTA

«A mais nova de cinco irmãos de uma família do Porto demonstrou cedo a sua determinação e independência e uma leitura humanista da sociedade.»

LEMA

«"Razão e coração", o lema do então primeiro ministro António Guterres, foi aplicado exemplarmente por Maria de Belém na pasta da Saúde.»

MARCAS

«Firme nos valores, sensível para ouvir os outros, disponível para integrar a cada passo a ciência e o conhecimento na procura das melhores soluções, estas são marcas de uma mulher de causas sociais e políticas.»

PORTUGUESES

«Os portugueses conhecem-na.»

RETRATO

«Tem presente o retrato dos portugueses que escapa ao prime time mediático ou aos seminários.»

 

Deste texto publicado no sítio da candidatura de Maria de Belém

O léxico dos candidatos (7)

Pedro Correia, 15.01.16

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AQUI

«Agora, a democracia está a passar por aqui. Ela chama por todos nós, e chamou também por mim. E aqui estou: serei candidata à presidência da República.»

BAFIO

«Num Palácio de Belém que cheira a bafio vai ser preciso abrir as janelas para entrar ar fresco. É a força da democracia que as vai abrir. É a vossa força.»

CHANTAGEM

«A direita anda desesperada como nunca a tínhamos visto, os grandes interesses consideram-se em risco e, em conjunto, têm um projecto: onde cresce a esperança, espalham o medo; onde se forma a união, semeiam a chantagem; onde há sinais de mudança, tentam manter o status quo

CONSTITUIÇÃO

«Uma Presidente que ajude a meter a austeridade na gaveta, mas que tire da gaveta a Constituição.»

DUROS

«Os próximos tempos serão duros, temos de preparar-nos para isso. E uma forma de nos protegermos é garantir que temos na Presidência da República alguém que não dê cobertura aos ataques contra o país e contra a democracia.»

ELITES

«Candidato-me para ajudar a derrotar este projecto das elites. Porque a presidência da República, no nosso regime constitucional, é um dos centros nevrálgicos da definição do perfil do país que queremos. Não me candidato para fazer número, para animar a campanha ou para erguer a bandeira do partido.»

ESPERANÇA

«Candidato-me em nome da esperança de um país novo e justo.»

ESQUERDA

«Sou uma mulher de esquerda, assumo as minhas causas, e não tenciono fingir que sou neutra para conquistar simpatias. Não quero ser politicamente correcta, quero ser politicamente verdadeira.»

FUTURO

«Este é o tempo de dar as mãos e de agarrar 0 futuro, o tempo de perceber que a vida não tem de ser sinónimo de sofrimento.»

IATE

«Candidato-me partindo de uma premissa radical: é possível chegar à presidência sem a protecção do Espírito Santo. Nunca fui avençada do dito, em claro conflito de interesses com funções públicas na mesma área, e nunca festejei a passagem de ano no iate do Ricardo Salgado.»

MERCADOS

«Precisamos de uma Presidente de todos os portugueses e não de todos os mercados.»

MUNDO

«Já corri muito mundo, já vi muitas coisas que não queria ver, já escutei muitas palavras que não queria ter escutado.»

POVO

«É em nome deste povo que sofre, mas que resiste, que me candidato.»

REFRESCANTE

«Vivemos tempos exaltantes. São tempos de uma esperança muito refrescante. Esperança num país solidário, num país desenvolvido, num país soberano. Esperança num Portugal de que nos possamos orgulhar

SOMAR

«Esta candidatura vem para somar e não para subtrair, vem para agregar, vem para mobilizar.»

 

Do manifesto de Marisa Matias

Presidenciais (27)

Pedro Correia, 14.01.16

 

 

DEBATES: O MEU BALANÇO

 

Foram 21 debates televisivos a dois, em três canais. Acompanhei-os todos e nunca deixei de apontar um vencedor. Fica agora o balanço.


Paulo de Morais venceu cinco. Contra Belém, Marisa, EdgarNóvoa e Marcelo.

 

Marisa Matias venceu também cinco. Contra Nóvoa, Belém, MarceloNeto e Edgar.

 

Henrique Neto venceu outros cinco. Contra Edgar, Nóvoa, MarceloBelém e Morais.


Marcelo Rebelo de Sousa venceu três. Contra EdgarNóvoa e Belém.

 

Sampaio da Nóvoa venceu dois. Contra Edgar e Belém.

 

Edgar Silva venceu um. Contra Belém.

 

Maria de Belém não venceu nenhum.

 

O léxico dos candidatos (6)

Pedro Correia, 14.01.16

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ASSIM

«Aqui estou, sem qualquer apoio partidário nem financiamento de ninguém. Estou bem assim.»

COLECTIVO

«A Presidência da República é um órgão de soberania solitário, formalmente. Na prática, ser Presidente é o mais colectivo dos cargos políticos nacionais.»

CRIANÇAS

«Dirigentes nacionais e estrangeiros, uns eleitos, outros não, tratam-nos como crianças mal comportadas. Dizem-nos que temos de trabalhar mais sem haver trabalho, que ser reformado é um luxo para esquecer, que ser jovem é uma doença que passa no estrangeiro, que adoecer e procurar médicos onde eles estão é abusar do sistema, que as escolas são bem melhores quando são privadas, que as pessoas podem ir à falência mas os bancos não.»

DIFERENÇAS

«É possível começar de novo sem confrontos. Sem ajustes de contas. Com respeito pelas diferenças.»

HORIZONTE

«Os rostos que hoje se cruzam nas ruas do nosso país são muito diferentes dos que se viam nos mesmos locais em Abril de 1976. As pessoas andavam mais direitas, sorriam, havia esperança. Conseguimos muito desde então, mas parece que não somos mais felizes.  Perdemos horizonte, objectivos, rumo. Perdemos sobretudo a crença de que temos futuro e de que vai ser melhor.»

IMPULSO

«A Presidência da República pode ser o impulso para movimentos de gente cidadã, interessada e com muito a dizer sobre o destino colectivo. Movimentos que façam justiça à idade adulta da nossa democracia e ao exemplo que a nossa Constituição é, ainda hoje, para o mundo.»

INCENTIVO

«De cima, de onde vêm os exemplos, pode vir o incentivo para recomeçar de outra maneira.»

JUNTAS

«Acredito que pessoas simples podem fazer coisas extraordinárias – juntas

QUASE

«O Presidente representa todos. É eleito para isso, é esse o seu grande poder. Nunca se fará com todos, é verdade, mas com o apoio de muitos, o Presidente pode quase tudo.»

 

Do texto intitulado Porque Sou Candidato, de Cândido Ferreira

O léxico dos candidatos (5)

Pedro Correia, 12.01.16

 

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CORRUPÇÃO

«Desde sempre me interessei pela política, essa tal arte nobre que tem por finalidade a resolução dos problemas que afectam os cidadãos. E porque sempre vi nesses problemas o mal da corrupção a grassar e a minar o que poderia ser um espaço de desenvolvimento humano e social, procurei ao longo da minha vida denunciar, combater e actuar contra esse benefício de privados em detrimento do interesse de todos

DONATIVOS

«Ainda que a lei permita donativos até 25.560€ por doador, esta candidatura considera injustificável esta ordem de grandeza. Só aceitamos donativos até um máximo de 100 euros, pois só assim se garante total independência de acção da candidatura. Qualquer valor dentro desta margem - seja 10, 20, 50 ou 100 euros – é importante e essencial.»

ESTRELAS

«Ainda adolescente, queria ser astrónomo e isso levou-me a escolher a matemática como formação superior. Deste gosto inicial pelas estrelas - que acabou por se ficar apenas pelas observações nocturnas na varanda da casa de Viana do Castelo – veio assim um interesse que ficou para a vida.»

INDEPENDENTE

«Vamos financiar uma campanha sóbria, independente de financiamentos partidários e criteriosa nas suas opções de despesas.»

INICIATIVA

«Esta campanha presidencial é uma iniciativa cívica e cidadã que depende das contribuições de todos para se financiar.»

INTEGRIDADE

«A integridade e a verticalidade foram sempre princípios que valorizei.»

MATEMÁTICA

«Da minha apreciação da Matemática nasceu a motivação para o rigor dos números, pela identificação clara dos problemas, pela observação atenta dos mecanismos que estão na origem dos vários fenómenos sociais.»

PERCURSO

«O meu percurso de vida andou sempre nos caminhos do interesse público e do combate à corrupção.»

POUPANÇA

«Não serão gastos quaisquer valores em cartazes, telas, painéis exteriores, brindes e refeições. Os limites permitidos pela lei são exagerados e perdulários.»

TRANSPARÊNCIA

«Integrei a vereação municipal no Porto por quatro anos. Desta experiência, saiu reforçada a minha luta pela transparência na vida pública que quero levar ao mais alto cargo da nação.»

 

Da Carta de Apresentação e texto intitulado Donativos, de Paulo de Morais

O léxico dos candidatos (4)

Pedro Correia, 11.01.16

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ABRIL

«Como candidato ou como Presidente da República defenderei, intransigentemente, os ideais libertadores de Abril, a nossa Constituição da República e o regime democrático que ela consagra e projecta.»

AMARRAS

«Comprometo-me com a causa da libertação das amarras da pobreza, encarando-a como dever do Presidente da República, na imperiosa tarefa de intervenção na defesa dos direitos humanos, na promoção de uma sociedade democrática assente nos valores da dignidade humana, da Justiça Social e da responsabilidade colectiva.»

CIDADANIA

«Na Constituição da República, o Presidente da República não governa, mas não renuncia à sua cidadania e, muito menos, aos deveres de defesa do interesse nacional.»

COLECTIVO

«Esta candidatura é indissociável de um colectivo que a impulsiona e inseparável de uma memória viva, de uma longa história de resistência e de projecto.»

CONSTITUIÇÃO

«A exigência do cumprimento e respeito pela Constituição tornou-se um factor crucial na defesa do regime democrático, um referencial para qualquer política que se assuma como patriótica e de esquerda.»

DEMOCRACIA

«A alternativa à democracia existente é mais e melhor Democracia.»

LABORAL

«Comprometo-me a tudo fazer quanto à salvaguarda da “Constituição Laboral”, naquele que é o capítulo sobre os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores.»

NATUREZA

«Quem acolhe o grito da Natureza? Quem responde pelos danos humanos e ambientais, como o das aldeias sem vida, da desflorestação, dos fogos florestais, dos mares e dos rios poluídos, da destruição das fontes de água doce e dos obstáculos ao fundamental acesso à água potável e pública?»

OFENSIVA

«A degradação do regime democrático é inseparável de uma intensa e prolongada ofensiva contra os direitos económicos, sociais e culturais dos trabalhadores, e de uma persistente desvalorização do trabalho.»

PATRONATO

«Quando o grande patronato aumenta o seu poder sobre os trabalhadores, generalizam-se as formas de precariedade no trabalho, é brutal a violência do ataque aos direitos laborais, aumenta a exploração e a liquidação de direitos e conquistas - como se verifica em relação ao direito à contratação colectiva.»

POSSÍVEL

«Defendo que um outro Portugal é possível. Com uma economia mista que defenda os recursos e a produção nacional, o emprego, que promova a ciência e a tecnologia, que desenvolva e modernize as capacidades produtivas nacionais, que desenvolva a economia do mar e apoie os pescadores, apoie e incentive as micro, pequenas e médias empresas.»

RAPINA

«Existem práticas de exploração, de injustiças e de rapina, benefícios que só a alguns poucos aproveitam, formas de dominação em função do lucro, que são a raiz profunda da desordem.»

RETROCESSOS

«Existem em muitos aspectos da realidade presente desfiguramentos e retrocessos, e uma clara degradação do regime e da ética democráticas a que é necessário dar resposta.»

RUMO

«Esta é uma candidatura que afirma que há um outro rumo e uma outra política capazes de responder aos problemas de Portugal.»

RUPTURA

«A ruptura com a dependência e subordinação externas - nas suas variadas expressões, dimensões e domínios de política de Estado – constitui uma condição crucial para a afirmação da independência e soberania nacionais.»

 

Da declaração de candidatura de Edgar Silva