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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 18.09.18

Vale a pena ler o que se vai escrevendo pela blogosfera que resiste em dissolver-se nessa nebulosa informe das "redes sociais".

Seguem-se alguns exemplos.

 

Eugénia de Vasconcellos: «De cada vez que uma mulher grita discriminação de género como Pedro gritava lobo sem que lobo houvesse até que lobo houve e ninguém acreditou, presta um deserviço à mulher.» (Cabeça de Cão)

Maria João Caetano: «Ainda somos tantas vezes mulheres caladas, escondidas, envergonhadas.» (A Gata Christie)

Manuel Vilarinho Pires: «São as dúvidas dos lúcidos, e não as certezas dos idiotas, que fazem avançar o mundo.» (Gremlin Literário)

Carlos Natálio: «Quem não aprecia um bom sorriso sádico, desde que no conforto de seu lar? Atire a primeira pedra, vá.» (Ordet)

João Tiago Gaspar: «A vilanagem dá trabalho. Ele há vilões profissionais – cruéis, metódicos e implacáveis – e depois há vilões amadores.» (Malomil)

Cristina Nobre Soares: «Nada tenho contra as imagens, muito pelo contrário, mas talvez tivéssemos a ganhar alguma coisa com a maior lentidão das palavras.» (Em Linha Recta)

M.ª Rosário Pedreira: «Os Fios, romance de estreia de Sandra Catarino, lindo e imperdível, combina a crueza do meio rural com um lirismo inesperado que torna esta narrativa mágica e poderosamente empática.» (Horas Extraordinárias)

F. Penim Redondo: «Se a história da humanidade fosse o equivalente de 100 anos, esta fase em que estamos corresponderia aos últimos dez segundos.» (Dote Come)

Paulo Prudêncio: «A quarta revolução industrial em curso, e a generalização do uso das tecnologias, afirma uma certeza: são as pessoas que vão fazer a diferença.» (Correntes)

João Sousa: «Descobri agora, enquanto espero que o catamarã saia de Lisboa, não ser a última pessoa em Portugal a usar um telemóvel com Windows Phone.» (Ainda Há Bilhetes)

Alexandra G.: «E tu, já foste verificar se estás, finalmente, a salvo da universidade?» (Imprecisões)

 

 

ADENDA: Aproveito este quadro de honra para três singelas linhas de elegia pela morte prematura de um dos meus blogues favoritos: o inesquecível Escrever é Triste, de que me despeço, leitor antes movido e agora comovido.

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Blogue da semana

por Marta Spínola, em 05.08.18

Sigo a Ana no twitter há vários anos, já lhe pedi uma outra opinião, e recebi até umas simpáticas amostras para aferir o que me tinha sido dito. O blog: The skin game

Pragmática e descomplicada, a Ana fala clara e abertamente no que a sua formação em Farmácia, atrevo-me a dizer paixão, lhe ensinou e vai ensinando diariamente. Percebe-se o empenho e entusiasmo na aprendizagem constante. Para conhecer um pouco mais da Ana é ler aqui

Desta vez a Ana põe o dedo na ferida. Perante um disparate de alguém com 40k seguidores, a Ana avançou e desmistifica os medos sobre protectores solares

Deixo a parte técnica para a Ana. Mas além desse lado, é importante salientar uma vez mais a irresponsabilidade com que se fala para 40k pessoas. Dir-me-ão que se seguem merecem, mas infelizmente não me parece assim tão simples. Nem todo o influenciador é uma boa influência. O sentido crítico está adormecido em muita gente, e isso é assustador. 

Saibamos seguir, ouvir e tirar as nossas conclusões. E já não é pouco. 

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Cerca de 9 anos e 2753 post´s

por Helena Sacadura Cabral, em 09.07.17
Hoje deu-me para ver "às quantas" ando. Ou melhor, "às quantas andei" neste último quarto de século. Não foi pouco o trabalho desenvolvido, sobretudo quando se olha para grande parte das mulheres da minha geração...

De facto, no Fio de Prumo, em oito anos e meio - 3102 dias -, publiquei 2753 post´s, o significa quer terei escrito quase todos os dias. No último quarto de século, os livros publicados foram 27. Radio e televisão já nem consigo contar, porque foram vários anos. No ensino universitário terão sido perto de uns milhares de aulas a tentar partilhar o que sabia.

E, se a isto juntar mais os 25 anos anteriores, em que apenas fui economista, confesso, creio ter dado à sociedade uma boa parte daquilo que dela recebi.

Além disso fui, cumulativamente, mulher e mãe, ao longo dos últimos sessenta anos. Como fui filha e sou avó, tentando dar o melhor de mim.

Se pensar nas oito décadas que levo de vida, talvez seja chegada a altura de começar a arrumar os equipamentos tecnológicos e passar a uma nova etapa, em que possa aproveitar melhor as companhias que me foram proporcionadas. Começou, acredito, o tempo de "savoir se retirer", como diria Aznavour. Ou seja, é chegada a hora de pensar em sair! Sem tristeza e com a plena sensação de um certo dever cumprido.

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Se a esquerda quer mesmo perceber como raio é possível alguém inteligente apoiar Trump, pode começar por perguntar a muita malta inteligente de esquerda por que raio gostava tanto de Hugo Chávez.

Luís Aguiar-Conraria, n'A Destreza das Dúvidas.

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Dez anos depois

por Pedro Correia, em 07.02.16

Permitam-me a nota pessoal: faz hoje dez anos que me estreei na blogosfera. No blogue Corta-Fitas, de que fui um dos quatro fundadores. Lá permaneci entre 2006 e 2009, quando decidi criar este DELITO DE OPINIÃO. Passei também pelas equipas fundadoras do Albergue Espanhol (no biénio 2010-11) e do Forte Apache, além de ter escrito no PiaR. Em 2012 fui ainda membro do trio responsável pelo pontapé de saída do És a Nossa Fé, que segue pujante.

Como diz o ditado, quem corre por gosto não cansa. Ao longo desta década não houve praticamente um dia sem um texto meu em qualquer dos blogues - integrando a larga maioria dessas prosas o espólio do DELITO. Registo a efeméride não como um ciclo que se fecha mas como um percurso que prossegue, com novas e promissoras etapas.

Um percurso de convívio permanente com milhares e milhares de leitores. Confesso: nada me orgulha tanto como isso.

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A ler e, como de costume, a esquecer rapidamente

por José António Abreu, em 05.02.16

O Mercado Interno: Um Modelo Esgotado, de Mário Amorim Lopes, n'O Insurgente.

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Rumor ainda não confirmado

por Rui Rocha, em 28.12.15

O blogue Câmara Corporativa poderá retomar a actividade em breve, agora sob a orientação de Miguel Abracadabrantes.

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MacGuffin

por José António Abreu, em 10.11.15
Num dia de péssimas notícias para a economia portuguesa (que, por ser dela que extraio o salário, me interessa bastante mais do que os jogos políticos), gostaria de salientar o regresso à actividade blogosférica regular do MacGuffin Carlos do Carmo Carapinha, em nome individual e como colaborador d'O Insurgente. Faço-o não apenas por, grosso modo, partilharmos a mesma linha política (algo mais difícil para ele, se ainda residir nessa pachorrenta região-vanguarda do marxismo, o Alentejo) mas, acima de tudo, por partilharmos a admiração pelos filmes Os 39 Degraus, obra-prima do período inglês de Hitchcock (MacGuffin não permite grandes dúvidas sobre a afinidade dele com o mestre) e História de Gangsters, uma filigrana dos irmãos Coen escrita em modo Dashiell Hammett (que sempre preferi a Raymond Chandler, sem saber bem porquê até James Ellroy mo explicar.)

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Morreu o João José Cardoso. Não o conhecia pessoalmente, mas pelo que lhe li e pelo que li aos que nas últimas horas falaram dele, devia ter um feitio do caraças. Muito para lá da diferança óbvia de opiniões, e sem nunca termos falado, sei que nos tínhamos o respeito que é natural entre os que falam fiéis ao que pensam e ao que sentem. Lá onde estiver, já deve estar a armar barulho. E é bom que seja assim. Porque a alguém como o JJC jamais se deseja, em vida ou depois dela, que descanse em paz.

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Penso rápido (58)

por Pedro Correia, em 04.11.14

Um dia hei-de escrever algo mais profundo e consistente sobre a blogosfera. A possibilidade de trocarmos ideias, experiências e contactos -- mesmo com gente que pensa de maneira muito diferente -- é absolutamente inestimável. Isto só é possível quando escrevemos num meio em que aquilo que mais importa é comunicar. Não para convencer ninguém, mas para persuadir. Não para exibir códigos tribais, mas para captar sinais de outras "tribos". Nada a ver, portanto, com os eflúvios narcisistas agora tão em voga com a febre das "redes sociais" onde apenas uma palavra importa. A palavra eu.
No DELITO DE OPINIÃO, de algum modo, as coisas aconteceram à revelia dos estereótipos. Pensamos de forma muito diferente nas mais variadas matérias -- da política ao futebol. Mas conseguimos, apesar de tudo, manter pontos/pontes de contacto. E descobrir, a partir daí, interesses comuns. Sem prejuízo de continuarmos a cultivar e a esgrimir as nossas divergências.
Se há coisas que para mim valem a pena, esta é uma delas.

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Blogue da Semana

por Marta Spínola, em 02.11.14

Esta semana o blogue por mim escolhido é o all about little lady bug, o blogue pessoal da Joana onde se pode acompanhar a versatilidade da autora. Por outras palavras, as da própria Joana, é: "onde falo de mim, das minhas coisas, do meu mundo. há filosofia, há tony carreira... há de tudo. há kizomba e wittgenstein, tb."

Seguindo o perfil  existem outras pepitas deixadas pela hiper-dinâmica Joana por essa blogosfera (que é dinâmica fora dela também, muito).

 

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Desabafo

por Luís Naves, em 18.06.14

Teria bastado um diiscreto pedido de desculpas, mas saiu isto. A blogosfera portuguesa revela por vezes um grau de infantilidade e disparate que me deixa louco.

Sou um autor não pago, cuja opinião neste blog, ou em outros, constitui uma manifestação de liberdade que as pessoas têm o privilégio de ler ou de não ler. Além disso, quem me convidou para escrever aqui não precisa certamente de polémicas destas. 

Pergunta um comentador por que razão perco tempo com estas pessegadas. Tem razão. Perco muito tempo e o retorno é frustrante. Por isso, deixo o terreno para os donos da blogosfera e as suas preciosas audiências. Aturar garotos não é a minha especialidade.

Escreverei menos aqui, mais para mim. Regressarei devagarinho, quando me esquecer da pessegada, daqui a umas semanas.

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O polícia sinaleiro

por Luís Naves, em 17.06.14

Na blogosfera portuguesa há uma pseudo-direita que acha que basta abanar os braços para ter razão. É uma direita que pensa frequentemente mal e geralmente pensa pouco. O post de O Insurgente era para mim, mas não quero saber. Na hipótese remota de não ser eu o coitadinho, o recado é igualmente inaceitável. Na realidade, estou-me a borrifar, mas também acho que há na blogosfera portuguesa uns autores armados em polícias sinaleiros, com uma opinião demasiado lisonjeira da sua importância.

Escrevi um post a levantar uma questão e o autor não tem de responder, mas depois não me digam que são intelectuais e, sobretudo, não façam estas fitas de rapazes da selecção nacional, ainda por cima em português deficiente. Fiquem em silêncio ou guardem a má educação para as vossas discussões marcianas.

   

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De facto seria estúpido.

 

Nota: devido a problemas com o browser quando coloquei o post não me apercebi do problema com as imagens. Corrigi apenas agora problema. As minhas desculpas.

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A memória de Sócrates sobre o jogo da reviravolta contra a Coreia provocou o regresso das redes sociais aos velhos tempos. De um lado, artilharia pesada, escrutínio ao pormenor, argumentos esticados e estocada satírica. Do outro, fogo de barragem e manobras de diversão. No fulgor da batalha, regista-se o testemunho de Fernando Moreira de Sá sobre o tema. Noutra encarnação, Moreira de Sá, especialista em comunicação cujos escritos raramente entendo (coisa que é naturalmente da minha total responsabilidade), dedicou-se de acordo com o próprio depoimento a criar perfis falsos no facebook, a intervir em programas radiofónicos para queimar adversários políticos e a outras variadíssimas campanhas negras. Desta vez, todavia, elabora sobre a melhor forma de combater a manipulação. Nada mais nada menos do que conhecimento e informação, revela-nos o mestre enquanto nós lhe agradecemos com voz trémula, embargada pela comoção da descoberta. Logo de seguida, Moreira de Sá levanta ligeiramente as vestes e, enquanto se prepara para caminhar sobre as águas com um portátil da Apple na mão (só não cofia a longa barba branca porque tanto quanto sei não a tem), afirma: 

Era tão simples saber que nesses anos os estudantes tinham aulas ao sábado. Era tão simples primeiro procurar a informação e só depois comentar. Mas não. A lógica nas redes sociais é primeiro atirar e perguntar depois. Como no velho oeste.

 

Entretanto, várias testemunhas garantem que, depois de publicar o post, Moreira de Sá acenou a familiares e amigos com a mão que mantinha livre e dirigiu-se a um mosteiro budista, dedicando-se agora a uma vida de recolhimento e oração. 

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Postal de aniversário

por Pedro Correia, em 05.01.14

 

Ao nosso leitor José Sejeiro

 

Num blogue onde até hoje já foram publicados quase 200 mil comentários, é natural que muitos tenham marcado cada um de nós. A mim nenhum marcou tanto como um texto de poucas linhas, inscrito já não sei em que caixa de comentários, da autoria de uma criança ainda, ou de uma pré-adolescente, que só aqui apareceu uma vez.

Dizia essa pequena mensagem que o bisavô da menina, por irreparáveis dificuldades de visão, já não podia comentar mais aquilo que por cá ia sendo escrito. Limitar-se-ia a escutar se alguém lesse para ele, designadamente esta bisneta. Mesmo assim, não queria -- ao menos por esta via -- deixar-nos uma última palavra de incentivo e saudação.

Recordo sempre este textinho, que tanto me comoveu, como expressão evidente daquilo que ainda há dias aqui mencionei como um dos principais atributos da blogosfera, que tantos vêm condenando antecipadamente ao ostracismo: é um poderoso exercício contra a solidão. Porque aqui se comunica, aqui se forjam elos, aqui se estabelecem amizades até com quem pensa de maneira muito diferente da nossa, aqui adquirimos a certeza de que estamos menos isolados. Contra a iniquidade, contra a depressão, contra o devastador silêncio que alastra como um cancro nas sociedades contemporâneas, onde demasiada gente não consegue ouvir mais do que o eco enfraquecido da própria voz.

 

Aquele senhor, bisavô da menina que nos escreveu, foi uma presença constante das nossas caixas de comentários nos primeiros dois anos de existência do DELITO DE OPINIÃO. Assinava José Sejeiro (ou José Sejeiro Velho, num saudável assomo de auto-ironia) e aos poucos ia-nos contando algo de si: vivia num daqueles estabelecimentos que se convencionou chamar de "lar da terceira idade", evitava consumir as energias que lhe sobravam a falar exclusivamente de doenças com quem o rodeava e aprendeu a utilizar o computador para continuar a rasgar horizontes apesar da sua precária condição física. Uma das suas mensagens chegou a ser eleita comentário da semana -- rubrica que é um dos mais persistentes traços de originalidade deste blogue -- e vários de nós travámos com ele estimulantes e saborosos diálogos.

Nunca mais aqui houve notícia de José Sejeiro. Mas o registo das apreciações que nos deixou permanece, inapagável. Como memória viva de um momento irrepetível do DELITO, que hoje festeja cinco anos de existência fiel ao mote aqui traçado no primeiro texto do primeiro dia: este é um blogue "aberto a comentários, que pretende acolher e estimular, na convicção de que a interactividade com os leitores é indissociável deste meio de comunicação".

 

Não sei se o senhor que assinava José Sejeiro Velho -- alguém que nunca cheguei a conhecer pessoalmente -- se encontra ainda connosco. Gosto de imaginar que sim, e que a bisneta lhe continua a ler textos nossos. Mas, esteja onde estiver, é a ele que dedico este postal de aniversário. Fazendo questão de acentuar que o DELITO DE OPINIÃO prosseguirá a sua trajectória, já documentada em 22.550 textos de quatro dezenas de autores.

Continuaremos. Mesmo que alguns, sempre prontos a renegar a moda de anteontem para aderirem à moda que renegarão depois de amanhã, insistam em proclamar que os blogues já eram, que não adianta remar contra a maré, que isto de procurar escrever prosas que ultrapassem os 140 caracteres é coisa do passado.

 

Há dias prestei aqui homenagem a 242 resistentes do bloguismo que fui lendo em 2013, com maior ou menor regularidade. Chega agora a vez de prestar também homenagem aos restantes, muitas vezes sem nome próprio, muitas vezes sem outra voz. Refiro-me aos nossos leitores, aos que chegam cá e nos deixam uma palavra de crítica ou elogio nas caixas de comentários.

A todos eles, que simbolizo naquele senhor que só deixou de nos ler quando deixou de ver, endereço hoje uma calorosa palavra de gratidão.

Estes cinco anos passaram num instante. Mas temos muito mais a dizer. E aqui continuaremos, ao encontro de novos e velhos leitores, sabendo resistir a caprichos da moda e a ventos adversos.

Combatendo o silêncio, mesmo quando surge mascarado de palavras. Fazendo deste blogue um exercício contínuo de resistência. Contra a apatia e a solidão.

 

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Para que não restem dúvidas

por Pedro Correia, em 21.11.13

Transcrevo, na íntegra, um esclarecimento que enviei na manhã de segunda-feira ao director da Visão e é publicado na edição de hoje desta revista (p.48):

 

«Li na última edição da Visão a invocação do meu nome associado a declarações sobre "campanhas negras" de intimidação de políticos, manipulação de fóruns radiofónicos e televisivos e criação de falsas identidades nas redes sociais numa entrevista concedida pelo consultor de comunicação Fernando Moreira de Sá ao Miguel Carvalho, que foi meu colega no Diário de Notícias. Essas imputações, que admito resultarem de grave e lamentável imprecisão de linguagem do vosso entrevistado ao pretender falar de muita coisa em pouco tempo, não têm o menor fundamento, na parte que me diz respeito. Não só nunca participei em práticas semelhantes como as repudio categoricamente, venham de onde vierem. Fernando Moreira de Sá, aliás, já clarificou a questão no seu blogue, Aventar. Eu também, no blogue Delito de Opinião. Mas não só os leitores da Visão merecem este meu esclarecimento como a minha consciência profissional e cívica assim o exige.»

 

Entendi reproduzi-lo também no DELITO DE OPINIÃO para dissipar quaisquer dúvidas que possam ter persistido em duas ou três pessoas que merecem consideração perante suspeições que não tardei a desmentir aqui. Pessoas como Francisco Seixas da Costa, que admite "nunca mais olhar para certos blogues de outra maneira".

Pode continuar a ler o DELITO como sempre, caro embaixador.  Não tenho a menor dúvida de que, com as suas mais de cem mil visualizações mensais, este seria sempre um alvo bem apetecível - à direita e à esquerda. Mas a própria existência deste blogue, que dentro de poucas semanas festejará o quinto aniversário e pode já tornar-se um caso de estudo por sempre se ter mantido teimosamente plural, é o desmentido vivo da minha associação a manipulações de qualquer espécie.

Quem quis, quando quis, no exercício pleno da sua liberdade de expressão, nunca deixou de criticar aqui governo algum, político algum. Assim foi, assim será.

 

Deixo ainda, a propósito, um abraço grato e mais que justificado ao Paulo Gorjão, à Maria João Marques, ao João Távora e ao Luís Novaes Tito.

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Da efabulação e outras artes, também menores

por Pedro Correia, em 15.11.13

 

I

Há imensas coisas que se aprendem ao folhear um jornal ou uma revista. Às vezes sobre nós próprios. Ontem, por exemplo, fiquei a saber que participei em manobras destinadas a colocar o actual primeiro-ministro no poder. Está lá, com o meu nome e tudo, numa versão avalizada por uma fonte supostamente idónea e -- como é costume no jornalismo pós-moderno, contaminado pelos automatismos das chamadas "redes sociais" -- não sujeita a um esforço mínimo de contraditório. Não fosse alguma versão contrária estragar aquilo que parece uma boa história.

Diz essa fonte que eu terei participado numa conspiração que envolveu manipulação de fóruns radiofónicos e televisivos, disseminou contra-informação e destruiu reputações nas redes sociais e outras malfeitorias. Tudo a partir de um blogue chamado Albergue Espanhol quando Passos Coelho ainda se encontrava na oposição.

É espantoso como pode alguém convencer-se de que um blogue, tenha a força que tiver, é capaz de conduzir um determinado político ao poder. É também espantoso alguém convencer-se de que um blogue, a partir da oposição, pode no fundo ser mais do que aquilo que é.

 

II

Lamento desiludir aqueles que embarcam em qualquer tese sensacionalista, mas um blogue é apenas um blogue. Funciona como veículo privilegiado de reflexão e discussão de ideias, designadamente na esfera política: nada menos mas também nada mais que isso.

O Albergue Espanhol foi um blogue que existiu entre Janeiro de 2010 e Agosto de 2011 e juntou pessoas que tinham posições críticas em relação ao executivo de José Sócrates: se havia "linha editorial" naquele projecto era essa e mais nenhuma. Não fazia sentido prolongar a sua existência após a derrota eleitoral do anterior primeiro-ministro e por isso terminou naquele Verão, julgo até que por sugestão minha. Mas enquanto durou deu bastante que falar. Não por ser monolítico, longe disso. A prova é que entre os seus membros contava-se o professor José Adelino Maltez, um dos nomes mais respeitados do comentário político em Portugal. E o Luís Osório, que nunca ninguém identificou com o PSD. E o Luís Menezes Leitão, que mais tarde tive o gosto de convidar para o DELITO DE OPINIÃO e cujas posições extremamente críticas de Passos Coelho e do executivo PSD/CDS, na blogosfera e na imprensa, são de todos bem conhecidas.

"Conspiradores", todos eles? Acredite quem quiser. Há crenças para tudo.

 

III

E por falar em monolitismo: conversei sumariamente com alguns amigos por ocasião do lançamento do Albergue e deixei logo muito claro que nas eleições presidenciais do ano seguinte -- que mereceram grande atenção do blogue, como já se esperava -- a minha simpatia, à partida, recaía em Manuel Alegre. E recordo com satisfação ter sido eu o primeiro, numa série de 35 textos sob o título "Presidenciáveis", a sugerir em Janeiro de 2010 o nome de Fernando Nobre como possível candidato a Belém, o que viria a suceder um mês depois.

Por curiosidade, lembro aqui também os textos que, no âmbito dessa série, escrevi sobre Manuel Carvalho da Silva, António Barreto, Marcelo Rebelo de Sousa, António Guterres, Pedro Santana Lopes e o actual presidente da câmara do Porto, Rui Moreira. Vários deles manterão plena actualidade quando começarem a aquecer os motores para a próxima corrida a Belém.

 

IV

Lamento decepcionar os adeptos das teorias da conspiração, mas pela parte que me toca limitei-me a isto: exprimir ideias, escrever o que penso, expressar-me de acordo com a minha consciência, exercendo enfim um direito de cidadania em nome próprio. Que em certos casos é mais do que um direito: é também um dever.

Nas semanas que antecederam as legislativas de 2011 participei num almoço e num jantar entre Passos Coelho, dirigente do principal partido da oposição, e gente muito diversa da blogosfera, como a Ana Matos Pires e o Paulo Guinote, que tive o prazer de conhecer na altura. Mas teria feito o mesmo com qualquer outra iniciativa do género organizada por qualquer outro candidato. Nada mais normal que isso.

Nunca usei pseudónimo, nunca escrevi a pedido fosse de quem fosse, não obedeci a nenhum estado-maior partidário, nada sei sobre fóruns televisivos e radiofónicos a não ser como ouvinte ou telespectador, nunca tuitei na vida, não tenho nem tenciono ter Facebook.

O meu pensamento, de 2006 para cá, está patente na blogosfera e pode ser escrutinado a qualquer momento. Nos blogues Corta-Fitas, Forte Apache e És a nossa Fé, além do Albergue e deste DELITO DE OPINIÃO, que surgiu em Janeiro de 2009 e foi desde o primeiro dia um espaço de liberdade e pluralismo. Se há projecto na blogosfera que sempre congregou pessoas das mais diversas tendências, em saudável intercâmbio de ideias, é este mesmo. Faz parte da sua matriz genética, a liberdade vem-lhe da raiz.

 

V

Dir-me-ão: mas os bloguistas partiram dos blogues noutras direcções. Até para o Governo, para a Assembleia da República (do Carlos Abreu Amorim ao João Galamba, da Inês Teotónio Pereira à Mariana Mortágua), para os partidos e para as empresas. A actual ministra da Agricultura, Assunção Cristas, começou a tornar-se conhecida num blogue que defendia o não no referendo ao aborto. Álvaro Santos Pereira, ex-titular da pasta da Economia, foi um bloguista muito lido antes de receber o convite para integrar o executivo. Miguel Poiares Maduro escreveu no blogue Geração de 60, em cuja ficha técnica ainda figura. E não faltam secretários de Estado, como o Carlos Moedas, o Pedro Lomba, o Bruno Maçães e o nosso colega Adolfo Mesquita Nunes, que também começaram por notabilizar-se na bloga.

Também não faltam bloguistas nos gabinetes governamentais, começando no do primeiro-ministro. Durante 22 meses, como é público, exerci eu próprio funções de adjunto no gabinete do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares. Uns continuam, outros saíram, alguns entraram: nada mais normal. O próximo executivo, tenha a cor que tiver, contará igualmente com pessoas que escrevem ou escreveram em blogues.

Haveria algum motivo para não ser assim?

Sucede isto em toda a parte onde existe opinião livre: constitui uma homenagem implícita dos poderes fácticos ao potencial analítico da escrita blogosférica. Mas reparem: onde se nota mais a influência bloguística é nos órgãos de informação. É incontável, por um lado, o número de jornalistas que têm blogues. E, por outro, os blogues foram e são viveiros de talentos que permitiram renovar e rejuvenescer em anos recentes o elenco de comentadores em todos os jornais e todos os canais televisivos, tornando a opinião mais acutilante, mais estimulante e mais plural. Gente tão diversa como o Pedro Mexia, o Pedro Marques Lopes, o Tiago Mota Saraiva, o Pedro Adão e Silva, o André Abrantes Amaral, o Henrique Raposo, o Daniel Oliveira, o Rui Tavares, o José Mário Silva, a Helena Matos, a Carla Quevedo, o Alberto Gonçalves, o João Pereira Coutinho, o Luciano Amaral, o Hugo Mendes, o Joel Neto, o Luís Januário, a Maria João Marques, o Francisco Mendes da Silva, o Alexandre Homem Cristo, o Pedro Lains, o Tomás Vasques, o Bernardo Pires de Lima, o José Pedro Lopes Nunes, o Francisco Proença de Carvalho, o Luís Rainha, o Ricardo Arroja.

A lista é quase interminável. 

 

VI

Há hoje bloguistas em todo o lado. Até no desemprego: a alguns deles mal sobra o dinheiro para ir comprando revistas e jornais -- acreditem que sei bem do que falo.

Tal como há mitómanos por toda a parte: alguns confundem desejos com realidades, imaginam-se pequenos reis-sóis ou génios do manobrismo político. Efabulam enredos e chegam ao ponto de acreditar neles.

Sem terem sequer a lucidez de um Groucho Marx, incapaz de pertencer a um clube que o aceitasse como membro.

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Malparado mas bem aparecido

por João Campos, em 06.09.13

O mais importante acontecimento da blogosfera portuguesa é o regresso de Pedro Mexia, um dos seus founding fathers e - há muito que o digo - um dos seus melhores bloggers. De novo com um projecto a solo: o Malparado.

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Pequenas notas

por João André, em 15.07.13

Habituei-me desde há muito a ler o Luís Naves. É alguém de cujas opiniões discordo frequentemente mas que costuma ter uma boa argumentação para elas. Nestes dois posts no Forte Apache estranho-o um pouco.

 

No primeiro, sobre a manifestação nas galeria da AR, começa de forma bastante lógica: a atitude anti-parlamentar está a abrir caminho a atitudes pouco democráticas. Há falhas na construção do argumento, mas a conclusão é uma que eu largamente subscrevo. Preocupam-me essencialmente dois pontos no que escreve. 1) por um lado, escreve que o jogo democrático passa por avaliar nas urnas o trabalho do governo é do parlamento. Embora isso seja verdade, a democracia não se esgota aí. Uma vez que os deputados e o governo estão ao serviço da população, torna-se óbvio que a avaliação deve ser feita de forma contínua, sendo que qualquer manifestação (no seu termo geral) de desagrado ou aprovação deve ser tornada pública no intervalo entre eleições (embora sempre com respeito, claro está). Quando Sócrates era PM, praticamente a única coisa que lhe foi elogiada pela direita foi ter reconhecido que era necessário convocar eleições. Pela lógica acima não teria necessitado de o fazer. 2) o segundo ponto prende-se com as funções de cada lado. Por um lado temos os eleitores que devem eleger representates e fiscalizar a sua acção. Por outro temos os eleitos que devem cumprir tanto quanto possível as promessas através das quais foram mandatados. Se o governo que apoiam faltar a essas promessas, devem então ou agir ou aceitar que os eleitores ajam por eles. Nesse aspecto, a inacção é uma acção em si mesma.

 

No segundo post, Luís Naves fala da renegociação dos prazos dos empréstimos. A notícia parece ser boa e qualquer pessoa se deveria congratular por ela. Parece-me pouco, mas isso é questão diferente. A minha discordância com o post advém de aceitar sem problemas que o pagamento seja empurrado para 2023. Esse ponto é despachado com um «a situação [será] bem diferente», comentário que mais não é um repetir ad infinitum dos argumentos (de todos os anteriores governos) que levaram à presente situação. Não deveria ser necessário explicá-lo, mas aqui vai: a situação pode muito bem ser melhor dentro de 10 anos, mas também pode ser pior (por este andar creio que será o caso). Esperar pelo melhor sem preparar para o pior nunca fez bem a ninguém.

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