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"Churchill - Caminhando com o Destino" é a mais recente biografia do líder conservador, da autoria de Andew Roberts, tendo sindo  lançada em Portugal no mês de Outubro pela Texto Editores.

 

Sobre ele, diz-se, foram escritas mais de mil biografias. Winston Leonard Spencer-Churchill, uma das grandes figuras políticas do século XX e a grande referência do conservadorismo político britânico – que, curiosamente, se iniciou nas lides governamentais ainda jovem enquanto membro do Partido Liberal – continua a merecer toda a atenção dos investigadores. Andrew Roberts, historiador, escritor e comentador na imprensa inglesa, dedica-se há muito ao estudo de Churchill, de quem é admirador assumido, tendo-lhe agora dedicado uma obra biográfica com mais de 800 páginas. Lançada este ano no Reino Unido e no passado mês de Outubro em Portugal pela Texto Editores, a edição de “Churchill – Caminhando com o Destino” foi assumida por Duarte Bárbara, com quem já tive o privilégio de trabalhar na edição de um livro no âmbito da política/ciência política.

A obra está impecavelmente editada em português, porém, a questão pertinente que o leitor eventualmente colocará é se este novo trabalho acrescentará algo de novo à imensidão de conhecimento produzido sobre o antigo primeiro-ministro britânico ao longo de décadas. A resposta é positiva, uma vez que Roberts teve acesso a novas fontes de informação, nomeadamente arquivos oficiais, e a vários diários do período da II GM, como os da filha de Churchill, Mary Soames, do embaixador da União Soviética em Londres, e, muito importante, do Rei Jorge VI, com quem o líder conservador reunia semanalmente.

Não desvalorizando a importância destes novos elementos, a obra deverá ser sobretudo vista no seu todo, na forma como o autor enquadra e interpreta esses factos na vida de Churchill. Muitas vezes é no tom e no estilo que reside a fórmula para uma boa biografia – veja-se, por exemplo, a entusiasmante obra de Boris Johnson, “O Factor Churchill” (Dom Quixote, 2015). Também o livro de Roberts entusiasma o leitor (não necessariamente desde o início), contando a história de um miúdo aristocrata, dotado de uma certa esperteza, mas mais traquinas do que propriamente arrojado ou corajoso. Na verdade, a juventude aristocrata de Churchill pouco tem de cativante, quanto muito, alimenta o seu espírito de grandeza e indicia pistas para determinados comportamentos que viria a ter no futuro (nem todos virtuosos).

À medida que os anos vão passando, Churchill deixa de ser uma “criança maçadora” e vai-se tornando um personagem muito mais interessante. Entra na academia de Sandhurst em 1893, iniciando assim o seu percurso militar que o levaria a vários cenários de guerra, não tanto como soldado, mas mais como repórter de guerra (um dos primeiros dignos desse nome). Estreou-se em Cuba, em 1895, na guerra que opunha os espanhóis aos rebeldes cubanos, com quem Churchill simpatizava. Foi aí que ganhou a sua primeira das 37 condecorações, numa campanha de apenas 18 dias que mais se parecia com “turismo militar”, nas palavras de Andrew Roberts.

Diga-se em abono da verdade que Churchill encarou sempre estas “campanhas” mais como uma aventura e uma forma de ganhar dinheiro como repórter de guerra do que propriamente como soldado. “Era o correspondente de guerra mais bem pago do mundo. Com esses proventos, mais dos livros e palestras correspondentes, em 1901 já tinha amealhado uma fortuna correspondente a um milhão de libras de hoje.” Havia ainda um outro atractivo para Churchill nestas suas incursões bélicas: as condecorações. Quase que era obcecado pelas medalhas, como se delas precisasse para legitimar a sua bravura em combate junto das elites britânicas. Alguns episódios chegam a ser cómicos e rocambolescos, como aquele ocorrido na guerra anglo-boer na África do Sul, onde escapou da prisão, numa “sensacional evasão”, que Roberts classificou como “o único momento animador num período em tudo o mais desastroso para o império”.

Mas a questão da guerra com os boers realçou umas das características que iriam acompanhar Churchill ao longo da sua vida: magnanimidade após a vitória. Churchill apelou a um tratamento leniente para os boers, argumentando que a vingança era um erro, “acima de tudo porque é moralmente perverso e em segundo lugar porque é insensato em termos práticas”. Além disso, Churchill tinha a noção de que era dever dos vencedores tornar mais fácil a aceitação derrota aos seus inimigos.

Tinha uma admiração imensa por dois homens: Napoleão, a referência de liderança de Estado, aquele tipo de homem que “resplandece e medalha, mas com isso projecta uma sombra”; Randolph, seu pai, com quem teve uma relação distante a austera, mas que via nele um farol de ideologia – “A minha posição política, herdei-a dele praticamente sem reservas”, disse um dia Churchill a um repórter parlamentar. O seu fascínio pela figura paterna era de tal forma intensa que moldará o juízo de Churchill sobre a grandeza que via nele, mas que não era reconhecida pelos pares, incluindo pelo Rei, que chegou a expulsar Lord Randolph do “reino”. Churchill dedicou uma biografia ao pai um pouco romanceada e que suscitará críticas. “Em nenhuma parte do livro procurou Churchill explicar a antipatia e a desconfiança que o seu pai suscitara, nem o facto de este não ter consciência delas, embora não fossem coisa de somenos entre as características que pai e filho partilhava”, escreve Roberts. “O livro lê-se bem, mas, como livro histórico, não sobreviveu ao teste do tempo, devido à falta de objectividade, bem como à vontade do autor, aliás, à sua ânsia, de ignorar todos os factos que pudessem minar a sua tese”, acrescentou o biógrafo. Seja como for, subjectividade à parte, reconheça-se alguma honestidade a Churchill quando, a propósito do seu trabalho jornalístico, disse: “É muito comum ceder à tentação de adaptar os factos às minhas frases.”

A estreia de Churchill na Câmara dos Comuns, na fileira do Partido Conservador, dá-se a 14 de Fevereiro de 1901, tendo feito a primeira intervenção quatro dias depois, sem rasgo nem qualquer apontamento digno de brilhantismo, embora os seus pares tenham tomado nota de que talvez o novo parlamentar “fosse alguém divertido e que valesse a pena ouvir”. O seu segundo discurso só foi proferido três meses depois, tempo suficiente para trabalhar e corrigir tudo o que falhara no primeiro. “Aprendi-o tão bem de cor que quase não interessava por onde começava ou que página virava”, confessou Churchill. Dava assim início à sua longa carreira de orador brilhante, que se iria notabilizar nos anos da II Guerra Mundial e perpetuar-se pela História. Esse atributo foi seguramente trabalhado ao longo dos anos, com método e persistência, tendo identificado cinco "elementos" basilares na arte do seu discurso: "a escolha certeira das palavras; as frases cuidadosamente tecidas; a acumulação dos argumentos; o recurso à analogia; o recurso às extravagâncias".

Churchill sempre se assumiu como um conservador e dizia que as “reformas sociais não eram um exclusivo dos liberais”. No entanto, o seu perfil conflituoso e desafiante e as várias guerras em que se envolveu com os seus correligionários levou-o a mudar-se para o Partido Liberal, tendo pouco tempo depois, na sequência da demissão de Lord Balfour da chefia do Governo conservador, vindo a ocupar o seu primeiro cargo governamental como vice-ministro de Estado para as Colónias. “Era uma jogada astuta que permitia a Churchill representar esse importante departamento nos Comuns, porque o ministro de Estado, o conde de Elgin, antigo vice-rei da Índia estava na Câmara dos Lordes.” Antes, Churchill tinha recusado o cargo de secretário financeiro para o Tesouro, que, sendo politicamente mais relevante, não despertou o seu interesse pela razão apontada por Roberts acima citada.

Patrocínios

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.03.17

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Vasco Pulido Valente (VPV) escreveu, e eu não tenho razões para duvidar, pois que ainda nem sequer tive acesso à obra, que o 2.º volume do livro contendo a biografia de Jorge Sampaio, um ex-Presidente da República, tem entre os seus patrocinadores empresas privadas e fundações cujo nascimento, pelo menos num caso, e cujas acções, em ambos e também em relação a PT e à Mota-Engil, têm gerado controvérsia e crítica em vários sectores da sociedade portuguesa.

No entanto, creio que VPV falha clamorosamente num ponto. Vendo o nome do autor do livro que surge na lombada, verifica-se que não foi Jorge Sampaio quem o escreveu, mas sim José Pedro Castanheira. Tratar-se-á, é certo, de uma biografia autorizada pelo próprio, só que isso não faz de Sampaio o autor do livro. E o autor certamente que não estava inibido de procurar obter os patrocínios que entendesse necessários à publicação, nada havendo que o impedisse de assim proceder. A não ser, talvez, ter avisado o biografado sobre os patrocínios que angariou, coisa que não sei se fez. Nem se o biografado, tendo sido informado, os aprovou. 

De qualquer modo, ao dizer que Sampaio é o autor do livro, VPV enganou os seus leitores. E isso é feio.

Em todo o caso, confesso que não esperava ver Jorge Sampaio, pessoa por quem tenho apreço e admiração pela sua acção como cidadão e político, metido nessa embrulhada do livro e dos patrocínios. Depois de o ter mantido e de ter sido enganado pelo último governador de Macau, já era tempo para Jorge Sampaio deixar de ser ingénuo.

A vingança serve-se fria.

por Luís Menezes Leitão, em 05.05.15

Sempre achei que era útil para o PSD uma coligação com o CDS, a qual no curto prazo é também boa para o CDS, que teria dificuldade em justificar ao seu eleitorado não só a quebra das suas promessas tradicionais, mas especialmente o que Portas tinha feito no Verão de 2013. A longo prazo, no entanto, essa coligação é apenas boa para o PSD, sendo péssima para o CDS. Este vai perder um eleitorado próprio, diluindo-se no PSD, e em breve não será mais do que um simples PEV da direita, que só será conservado enquanto tiver utilidade.

 

Parece, porém, que Passos Coelho, habitualmente tão cerebral, quer antecipar-se a esse desfecho.  Achou que chegou a hora de ajustar contas com Paulo Portas e decidiu servir-lhe a frio a vingança que acha que ainda lhe deve desde 2013, quando foi obrigado a sacrificar Vítor Gaspar e a dar a Portas o título de Vice Primeiro-Ministro. É assim que na sua biografia autorizada vai surgir um rol de queixas contra Portas, fazendo parecer ainda mais ao eleitorado como mero favor do PSD o acordo de coligação.

 

A única dúvida que tenho é se Paulo Portas se vai ficar. Nos velhos tempos, perante uma manobra semelhante de Marcelo Rebelo de Sousa, foi à televisão e partiu a loiça toda. Mas os tempos são outros, pelo que provavelmente lá iremos assistir a um constante engolir de sapos por parte do CDS. Tudo depende da quantidade de biografias autorizadas que ainda venha a surgir até às eleições.

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O nosso colega de blogue Luís Menezes Leitão lança hoje, na Faculdade de Direito de Lisboa, a sua obra Marcello Caetano - Um Destino, biografia do último chefe do Governo do Estado Novo que já se encontra à venda nas livrarias.

«O consulado de Marcello Caetano é infelizmente desvalorizado na história do século XX, sendo apresentado quase como um parêntese entre o regime salazarista e o regime democrático que se seguiu à Revolução de 25 de Abril de 1974. Tal constitui uma perspectiva extremamente injusta, pois esquece a extraordinária obra do governo de Marcello Caetano, especialmente nos planos económico, social e laboral. Na verdade, Marcello Caetano deve ser considerado como o verdadeiro fundador do Estado Social em Portugal, que o regime democrático veio a desenvolver. Precisamente por isso, quando, passados 40 anos após a Revolução de 25 de Abril, se assiste ao desmantelamento progressivo do Estado Social, convém que a História preste alguma atenção à vida do homem que o iniciou no nosso país.» Palavras do autor que justificam a elaboração desta extensa biografia, muito documentada.

Fica o convite a todos quantos queiram comparecer na sessão de lançamento, que se inicia às 18 horas e terá apresentação do professor Sérvulo Correia.

Lá estarei também, com todo o gosto.

...

por Patrícia Reis, em 09.10.13

 

Aqui está o regresso ao jornalismo, ou a uma forma de jornalismo: biografia de Simone de Oliveira que escrevi com imenso gosto, por ser ela, por ser um convite da Matéria-Prima, por saber que uma das melhoras coisas do mundo é uma boa conversa. A partir de dia 17 estará nas lojas, acho eu, lançamento na Fnac do Chiado dia 31. Espero que gostem, eu ri, chorei e aprendi muito. Aprende-se a ouvir os outros.

biografias

por Patrícia Reis, em 30.06.13

Dizem - aqueles que acham que o mercado guarda segredos para uns eleitos - que as biografias não vendem.

O mercado português - seja isso o que for - não gosta (para quem estiver interessado, O Inferno de Dan Brown sai dia 10 de Julho).

Pois, eu sempre gostei e há uma em especial que acarinho. Minto. Duas. Não, há mais, pronto, não vou fazer a lista. Mas para quem precisar de dicas para as férias leiam a biografia de Benjamin Moser sobre Clarice Lispector, leiam a biografia de Ruy de Carvalho ou a biografia ficcionada - brilhantemente - por David Lodge de um dos meus autores de sempre, Henry James, chama-se Autor, Autor. Tendo-lhe tomado o gosto escreveu recentemente uma outra sobre H.G.Welles e quem lê só pode suspirar de admiração.


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