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... continua a saber-se muito pouco sobre as multimilionárias operações que ocorreram nas últimas horas antes do anúncio.

... Marques Mendes, que anunciou 48 horas antes o que seria a decisão do governo e Banco de Portugal, continua a fazer o seu programa de televisão e até se mantém conselheiro de Estado.

... já nos custou mais de 1.000.000.000 € por ano, ou seja, o que se gastou por ano a apoiar este banco privado é equivalente ao que está orçamentado gastar-se em 2019 com a Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

... ninguém está preso.

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A Câmara de Lisboa e o país

por jpt, em 03.07.19

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Fernando Nunes da Silva. ‘Manuel Salgado é o verdadeiro presidente da CML’. (I, 12 de Setembro de 2018)

Fernando Nunes da Silva, "Os negócios imobiliários vão ganhar milhares de milhões com a expansão do metro". (II, 19 de Setembro de 2018)

Ontem foi o meu aniversário, o 55º. E o Facebook deu-me uma prenda. Melhor dizendo, algumas das minhas ligações-FB ("amigos" diz-se, sobre pessoas que não se conhecem, uma aberração linguística) deram-me uma prenda: chamaram-me a atenção para esta entrevista. Trata-se de um verdadeiro documento, um "corte geológico" da Câmara de Lisboa. Mas também, se extrapolando, do poder municipal. E, mais do que tudo, sobre o que é o Partido Socialista.

Vem num discurso claro, com conhecimento interno do que se vem passando. Dizendo coisas "incríveis" ainda que credíveis. Demonstrando o "estado da arte" do que é o PS. É a isto, à rejeição deste descalabro anti-democrático, que Inês Pedrosa, Miguel Sousa Tavares, Fernando Rosas, Seixas da Costa e outros painelistas chamam "populismo" (já ninguém diz pujadismo), o antes dito "neoliberalismo" ou mesmo "fascismo". No que são secundados por inúmeros menos-conhecidos, funcionários públicos professores, jornalistas avençados ou mesmo meros facebuquistas/bloguistas mui ciosos deles mesmos. A cortina que impõem é tão grande que esta entrevista - com tudo o que poderia ser letal para uma clique no poder - passa praticamente despercebida (é de Setembro de 2018) e dela saem incólumes os dirigentes partidários.

As pessoas, estas tantas que apoiam esta tralha toda, não prestam. Nada prestam.

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Joana e os jornalistas

por Pedro Correia, em 31.01.19

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Que tenha sido uma psicóloga, num espaço televisivo de comentário político, a revelar ao País aquela que foi até agora a notícia mais importante do ano, divulgando a lista dos megadevedores da Caixa Geral de Depósitos, paga com o dinheiro de todos nós, é algo que devia envergonhar toda a classe jornalística. A começar por alguns directores de publicações, que continuam a ser pagos a peso de ouro por empresas tecnicamente falidas.

Nas últimas duas décadas, proliferaram como cogumelos os jornalistas especializados na "área económica". Deviam ter sido estes - ao menos um deles - a difundir aos portugueses a informação que Joana Amaral Dias divulgou, prestando assim um autêntico serviço público. Tal como deviam ter sido eles a alertar em devido tempo para os riscos sistémicos da governação Sócrates, em irresponsável conúbio com o Grupo Espírito Santo, instrumentalizando e depauperando grupos empresariais como a PT e a CGD.

A diferença, neste caso, é que Joana Amaral Dias nunca aceitou férias milionárias na neve, pagas por Ricardo Salgado, que assim - durante anos - foi comprando o silêncio de directores e editores de órgãos "de referência" na comunicação social. Será também ela a revelar-nos um dia a tal misteriosa lista de avençados do Grupo GES que nenhum "jornalista de investigação" até hoje conseguiu trazer a público?

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A golpada

por Pedro Correia, em 21.04.18

«As luvas alegadamente pagas a José Sócrates, Bava, Granadeiro, Bataglia e mesmo Ricardo Salgado foram financiadas por veículos financeiros que usaram dinheiro dos clientes que compraram papel comercial do BES ou do Banque Privée em esquemas semelhantes aos que destruíram as poupanças de tantos.»

 

Da série de grandes reportagens da SIC que nos tem conduzido aos meandros do maior escândalo político e financeiro da democracia portuguesa.

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Os resultados da medida de resolução do BES.

por Luís Menezes Leitão, em 08.01.18

Quando Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque anunciaram a medida de resolução do BES com um empréstimo de 4.900 milhões de euros ao Fundo de Resolução, eu escrevi logo aqui que a ideia de que o Estado recuperaria o dinheiro emprestado não passava de um sonho de uma noite de Verão. Mas só agora, passados quatro anos, o Estado reconhece ter perdido todo o capital que meteu irresponsavelmente nesta operação. Naturalmente que os responsáveis por essa decisão já não estão em funções e são os contribuintes que irão assumir uma perda, que lhes garantiram que nunca teriam.

 

Este é um bom aviso para aqueles que com tanta ligeireza quiseram pôr o dinheiro da Santa Casa a financiar o Montepio. Como bem se salientou no El País o dinheiro dos pobres não pode servir para salvar bancos. Houvesse respeito pelos dinheiros públicos, com a garantia de que nunca serviriam para socorrer negócios privados, e é seguro e certo que os privados teriam mais cuidado na gestão dos seus próprios negócios.

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Do descaramento

por João Campos, em 09.01.17

des·ca·ra·men·to 

substantivo masculino

  • 1. Falta de vergonha; desfaçatez.
  • 2. Impudência; desaforo.

"descaramento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013

"descaramento", por Ricardo Salgado in Jornal de Negócios [em linha], 09-01-2017

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No Novo Banco a história do costume.

por Luís Menezes Leitão, em 06.01.17

Penso que fui das poucas pessoas a dizer (veja-se aqui e aqui) que a resolução do BES iria dar um buraco maior do que o próprio BES e que o empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução nunca iria ser pago, sob pena de a banca em geral colapsar. Agora sabe-se que, em lugar dos 4,4 mil milhões gastos, apenas nos oferecem pelo Novo Banco uns módicos 750 milhões e ainda exigem garantias de 2,5 mil milhões. O pedido de garantias é muito avisado, sabendo-se dos riscos de litígios que a medida de resolução decretada pelo Banco de Portugal, com o Governo na praia, iria provocar. Mas, apesar disso, o preço é espantoso. Como bem escreve hoje João Quadros no Jornal de Negócios:

"750 milhões pelo Novo Banco? Aposto que a Remax fazia melhor que o Sérgio Monteiro. Não podemos vender o Novo Banco aos vistos gold? Ou aproveitar os balcões para fazer uns hostels?

Como se não bastasse, a proposta da Lone Star, segundo se diz, é em torno dos 750 milhões, mas a garantia pedida ao Estado é de 2,5 mil milhões de euros. Isto não é vender o Novo Banco, é pagar pelo dote da mais nova".

É por isso que agora surge a proposta mirabolante de nacionalizar o Novo Banco, tão ao agrado da extrema-esquerda. Devem estar milagrosamente esquecidos do que deu a nacionalização do BPN, onde o Estado estoirou 6.000 milhões para depois revender o banco nacionalizado por 40 milhões.

Os Bancos são negócios como quaisquer outros. Se não são viáveis, devem ser liquidados, com perdas para os credores e os grandes depositantes. Fazer os contribuintes suportar negócios inviáveis só serve para provocar a ruína do Estado. E antes de fazerem qualquer disparate, comecem mas é a olhar para os juros da nossa dívida.

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O incendiário.

por Luís Menezes Leitão, em 30.06.16

Na resolução do BES o Estado meteu 3,5 mil milhões de euros, que "emprestou" ao Fundo de Resolução, confiando em que o nosso pujante sistema bancário devolveria o dinheiro. Não só não devolveu nada, como agora o Novo Banco precisa de reforçar o capital em mais 1,4 mil milhões de euros. Como se isto não bastasse, surgiu entretanto a necessidade de resolução do BANIF que custou 3 mil milhões de euros. A isto há que acrescentar as necessidades de recapitalização da CGD que serão no mínimo de 5 mil milhões de euros. 

 

Perante este cenário claro, Schäuble fez uma declaração, que eu até acho simpática, a dizer que Portugal precisa de um novo resgate e que estaria em condições de o ter. A seguir lá lhe puxaram as orelhas, e voltou atrás dizendo que Portugal não vai precisar de qualquer resgate se cumprir as regras europeias que obrigam à consolidação orçamental e à redução do défice. Eu traduzo: Portugal não precisará de resgate se tiver condições para ter um orçamento equilibrado, o que manifestamente não vai ter.

 

Mas entretanto lá surgiu o inevitável João Galamba, a acusar Schäuble de ser incendiário, já que Portugal não precisaria de resgate algum. Só falta agora explicar onde é que vai o país buscar o dinheiro para recapitalizar os bancos. Vai continuar a endividar-se no mercado? Com a dívida que já temos, é a garantia que a breve trecho os mercados se fecham. Vai ligar as rotativas? Enquanto estiver no euro, isso não é possível. É por isso manifesto que o segundo resgate é a única solução. Por isso fariam melhor em ouvir Schäuble, em vez de continuar a viver num mundo de ilusão. Schäuble não pega fogo às finanças da Alemanha, que estão fortes e pujantes. O mesmo já não posso dizer do actual governo português.

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Arteirices

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.09.15

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"Aquilo que digo é aquilo que sempre disse - e que tive oportunidade de dizer na comissão de inquérito ao BES (Banco Espírito Santo): que os contribuintes não serão chamados a cobrir qualquer prejuízo com este processo. Isso cabe ao Fundo de Resolução."

 

"É verdade que há um banco público (CGD - Caixa Geral de Depósitos), que faz parte dos bancos do sistema, mas isso decorre da existência de um banco público, que é um banco igual aos outros em termos de direitos e obrigações para esta matéria. Em todas as outras questões, os contribuintes não serão chamados. E no caso da CGD é uma via indire[c]ta, que decorre do facto de o banco ser público." - Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças

 

A senhora ministra também pode dizer de dedo espetado que os alunos das universidades portuguesas não pagam propinas, que não têm que se preocupar com o seu valor porque quem paga não são eles, são os seus pais. Qualquer aluno, por muito cábula que seja, mesmo um jotinha, sabe que isso não é verdade. E se perder o ano, sendo um aluno e filho minimamente responsável, ficará envergonhado perante os pais. Porque sabe que o dinheiro dos seus pais, se não tiver sido roubado nem caído do céu, lhes custou a ganhar, saiu-lhes do pêlo para que as propinas fossem pagas e ele pudesse frequentar a universidade. E sabe que esperavam que ele também tivesse correspondido ao esforço que fizeram.

Por isso, declarações como as transcritas só são boas para serem aplaudidas nos comícios da Universidade de Verão. Lá é que a senhora ministra pode fazer dos outros parvos, ser aplaudida em cada frase que profere, dar a volta à praça e sair em ombros.

Na vida real não é assim. Directa ou indirectamente, o dinheiro vai sair do bolso de sempre. Umas vezes é pescado pela mão direita do contribuinte, de outras pela sua mão esquerda. Depende das legislaturas. Mas às vezes o dinheiro é-lhe retirado antes de entrar na conta bancária, antes de lhe chegar ao bolso, sem que lhe tenha sido perguntado se está disposto a pagar. E, às vezes, até depois do primeiro-ministro lhe ter dito que podia ficar tranquilo. É este o caso.

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Teremos, portanto, um Novo Bang

por Rui Rocha, em 12.08.15

Anbang vence corrida ao Novo Banco.

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Está a fazer um ano

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.08.15

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Em 4 de Agosto de 2014:

"Passos Coelho tinha dito que o Estado não seria obrigado a salvar o BES. Que não haveria dinheiro dos contribuintes lá metido, que seriam os privados a arcar com os prejuízos. Concluí, ingenuamente, que seriam os "capitalistas" a resolver o problema. Mas o que se vê, ao contrário do que foi afirmado e da mensagem que o governador Carlos Costa quis passar, é que estamos perante uma nacionalização encapotada do BES. Ainda que temporária será paga com o dinheiro que não saiu do bolso dos seus accionistas, que não saiu do bolso dos privados e cujos custos serão pagos, uma vez mais, pouco ou muito, com juros ou sem juros, por todos."

 

Em 3 de Agosto de 2015:

"Ofertas abaixo dos 4900 milhões "atrasam" venda do Novo Banco

Os três candidatos à compra da instituição bancária entregaram propostas bastante abaixo do valor injectado no banco

(...) Assim, qualquer proposta abaixo dos 4900 milhões traduzir-se-á numa perda a suportar pelo sistema, o que afectará a Caixa Geral de Depósitos com 30% do mercado, e, por essa via, os contribuintes. E ao terem de absorver “prejuízos”, os bancos degradam os resultados o que se reflectirá igualmente em menos receitas para o Estado. É a dimensão dos prejuízos que as autoridades procuram agora minimizar potenciando a venda. E, por isso, solicitaram ao Anbang, à Fosun e à Apollo, que até 7 de Agosto submetam ao BdP novas intenções vinculativas. Uma parte de valor será para encaixar pelo vendedor, outra destina-se a recapitalizar o NB, que necessita de nova injecção de fundos até 1500 milhões. Contas feitas (e incluindo o polémico aumento de capital de Junho de 2014, ainda com Ricardo Salgado no banco), com o apoio adicional a ser realizado, a instituição terá recebido nos últimos 14 meses, cerca de 7500 milhões de euros. (...) O Governo e o BdP têm vindo a ajustar as suas expectativas optimistas iniciais de que a transacção do Novo Banco se faria próximo dos 4900 milhões. O que os obrigou a colocar em cima da mesa uma quarta solução “não desejada”: a possibilidade de atrasar o fecho da operação até que as condições de mercado se tornem mais favoráveis. É a via que menos interessa a Pedro Passos Coelho e seria encarada como um falhanço." - Público

 

Espero que as contas finais apareçam antes das Legislativas de 4 de Outubro. Conviria deixar a casa limpa para que os próximos inquilinos não venham também dizer, quatro anos depois, que a culpa do que correu mal foi dos antecessores. 

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Pedro Saraiva

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.04.15

Já se tinha percebido que o trabalho que estava a ser produzido pela Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES não estava a ser igual ao de outras comissões anteriores. Comprova-se finalmente que quem lá esteve não andou a fazer fretes aos respectivos partidos. Estão todos de parabéns e isso deve ser assinalado, mas em especial convém fixar o nome deste senhor deputado. Ele fez aquilo que qualquer português espera dos seus deputados: um trabalho sério. Seja pela sua formação, maneira de ser ou carácter, isso foi também reconhecido pelos seus pares, deputados de outros partidos, incluindo os da oposição. E isto não pode deixar de ser devidamente elogiado, até para servir de exemplo aos portugueses que com razão criticam a sua classe política e o estado de podridão que o regime e o sistema político atingiram. Nos partidos políticos, como por aqui se vê, não há só cábulas, carreiristas e facilitadores de negócios.

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Quem é (ou, vá, era) amiguinho do BES?

por José António Abreu, em 28.03.15

Câmara Municipal de Lisboa permite que empresa ligada ao BES construa quase o dobro do que o dono anterior.

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Deve ser tempo de dizer basta

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.03.15

A culpa é de Carlos Costa. Também pode ter sido de Vítor Bento. Ou do Banco Central Europeu. Talvez dos bombeiros...; minha é que não foi. Ponto. Fui eu quem esteve à cabeceira da equipa do INEM. A controlar o soro e o cartão de ponto.

Enfim, depois de tudo o que aconteceu no BPN/SLN e na respectiva Comissão de Inquérito, e das criticas que aí foram feitas à supervisão do Banco de Portugal (em 2008, no auge do "socratismo", eu chamei-lhe "supervisão congolesa"), em especial por Nuno Melo (CDS/PP) e João Semedo (BE), não houve hipótese de modificar nada.

Estamos em 2015 e vê-se que durante sete anos, sete anos, porra, não foi um nem dois, ficou tudo na mesma. Os vícios são os mesmo de sempre. As explicações idem. O padrão é sempre o mesmo

E depois vem a gente que há décadas vegeta e mantém esta choldra em ponto-morto dizer que eu tenho asco. Tenho sim, tenho asco, muito asco. Tenho asco a quem politicamente é estruturalmente indecente. A gente politicamente desonesta. A gente que se alimenta do padrão para sobreviver e singrar. A gente que é ética e moralmente desestruturada (na minha perspectiva, é claro). À direita, à esquerda, em cima e em baixo.

(Quando me cansar de escrevê-lo, de dizê-lo, limitar-me-ei a articular com os maxilares doridos os movimentos que produziriam essas palavras. Como Marceau faria com o movimento, com o gesto. Ou como Herberto com as palavras. Em silêncio e às escuras para não incomodar os ouvidos e os olhos sensíveis da canalha)

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Não aprendem nem querem aprender

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.03.15

Aquilo que há um ano era veementemente negado tornou-se ao fim de doze meses numa inevitabilidade.

Podiam ter aprendido alguma coisa com as meias-verdades e as aldrabices dos que os antecederam, mas a partidarite e a cegueira política e ideológica eram de tal forma graves que preferiram aldrabar os portugueses enquanto lhes atiravam areia para os olhos. Uma coisa é dizer que não há custos, outra é escamoteá-los, negá-los, ridicularizá-los desde a primeira hora para por fim acabar a admitir uma "minimização" de custos do lado dos contribuintes.

Qualquer solução teria custos. A escolhida pode ter sido a menos gravosa para os contribuintes, mas ainda assim não valia a pena ter mentido de forma tão descarada dizendo que os contribuintes não iriam suportar quaisquer custos. Se outros não houvesse sempre haveria os sociais.

É esta tão flagrante falta de seriedade no exercício do poder, no exercício da actividade política, e que persiste há várias décadas, que torna tudo mais difícil neste país. Pior só mesmo vir agora dizer que se se for governo se vai pagar a toda a gente e mais alguma.

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Basta ser "tio"

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.03.15

Não, não é preciso ter a noção de nada.

Paga-se umas bolsas aos potenciais candidatos a líderes partidários que vão fazer o "ensino básico" aos 40 anos numa universidade privada, paga-se a campanha de um qualquer cavaco, dá-se umas coroas aos outros para ficarem calados, e convida-se a "malta" fixe para umas férias.

Depois, bom, depois acaba-se numa Comissão Parlamentar a fazer figura de urso.

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Frases de 2015 (9)

por Pedro Correia, em 20.03.15

«Premiei um escroque da pior espécie.»

João Duque, sobre Ricardo Salgado

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O tableau de bord pifou

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.02.15

Tirando as partes gagas, que obviamente têm de ser contextualizadas perante os interlocutores externos, o rapaz esteve muito bem. À rasca mas bem. 

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Facto nacional de 2014

por Pedro Correia, em 03.01.15

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DERROCADA DO GRUPO ESPÍRITO SANTO

O facto nacional do ano - e talvez até da década - foi, para uma clara maioria de membros do DELITO DE OPINIÃO (15 em 26), a derrocada do Grupo Espírito Santo, que tinha Ricardo Salgado como figura de referência. Um facto que representou também o fim da última dinastia familiar na área financeira em Portugal.

Formalizada a 18 de Julho de 2014, a insolvência do GES - que foi notícia um pouco por todo o mundo - abalou não só a banca portuguesa mas também grande parte do tecido empresarial do País, na medida em que o Banco Espírito Santo era o maior financiador das pequenas e médias empresas portuguesas.

O "buraco" superior a mil milhões de euros detectado nas contas do Grupo - que em 2011 havia recusado um empréstimo posto à disposição da banca portuguesa no âmbito da assistência de emergência ao País - forçou a intervenção do Banco de Portugal, que dividiu os activos financeiros do GES em "banco mau" e "banco bom", dando este origem ao Novo Banco, entretanto posto à venda perante o aparente interesse de 17 potenciais compradores.

O caso deu origem a um megaprocesso judicial e a uma comissão parlamentar de inquérito que decorrerá pelo menos ao longo do primeiro trimestre de 2015 na Assembleia da República. Nunca os portugueses acompanharam com tanto interesse um caso ligado à alta finança - na certeza de nos dizer respeito um pouco a todos nós.

 

O segundo facto mais votado do ano, embora a larga distância do primeiro (quatro votos), foi a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que irá prolongar-se por 2015. Em terceiro lugar (três votos), a saída da troika e o fim do programa de assistência financeira externa a Portugal.

Houve ainda dois votos na justiça, sem especificação de casos, e votos isolados distribuídos pela mudança de secretário-geral no PS e o aparecimento do jornal digital Observador.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

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A parasitagem devia ser tributada

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.12.14

10862623_10204529016417037_6466921365339397911_o.jDuvido que algum dia os portugueses venham a perceber por que razão esta gente ainda está toda à solta e o processo dos submarinos continua em águas turvas, mas o que fica desta parte do depoimento de mais um dos senhores da família Espírito Santo foi o de que o 25 de Abril não aconteceu, o PREC nunca existiu, o 25 de Novembro foi uma gravação para uma novela que contou com a participação de alguns oficiais superiores do Exército português, o Estado de direito é uma pura ilusão e de vez em quando enfiam-se uns tipos mais desbocados e delirantes na prisão apenas para "inglês ver". Alguns safam-se como podem e chegam a secretários de Estado, ministros e primeiros-ministros, antes de se tornarem avençados das empresas do regime. Um ou outro mais manhoso recebe os dividendos e vai a "supremo magistrado da nação" com o ar mais sério deste mundo. Os restantes, os milhares que são miseravelmente pagos pelo que trabalham, que pagam impostos a tempo e horas, que não gozam de isenções nem planos especiais para escaparem às taxas gerais de tributação e assim pagarem menos, que depositam o seu salário, por vezes por imposição das entidades patronais, nos bancos que o regime acolhe e esta malta "gere", são os que são sempre chamados a pagar as crises, a apertar o cinto e a sustentar os parasitas.

Não há nenhum português que não gostasse de receber um milhão de euros para resolver os seus problemas, pagar as dívidas (os que as têm), liquidar o empréstimo do T2 ao banco ou fazer a viagem da sua vida, sem que para isso tivesse que fazer alguma coisa ou ter algo mais do que um simples apelido.

Se têm horror a investigar de forma competente e atempada, se a Justiça não passa de uma miragem longínqua num país de cidadãos medrosos e acomodados, se tremem perante um nome, só têm uma solução para compensar todos os portugueses honrados que trabalham para cumprir as suas obrigações: criarem um imposto sobre a parasitagem. À falta de melhores ideias para se acabar com esta pouca vergonha, sempre seria mais sério, mais justo e mais equilibrado do que a criminalização do enriquecimento ilícito com a inversão do ónus da prova. E este seria um caso flagrante. Porque agora já ninguém tem dúvidas que daquilo que os portugueses pagaram, e vão continuar a pagar, pelos submarinos, uma parte acabou nas contas dos parasitas do regime ou a financiar campanhas políticas. E isto é ética e moralmente inaceitável, ofensivo da consciência colectiva e viola os mais elementares padrões de decência, justiça e respeito pela comunidade. 

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