Nem Sassá Mutema quer salvar a pátria

António José Seguro fez um nó cego àqueles socialistas que andam há meses a implorar por um candidato com imaculado pedigree “de esquerda”, seja lá o que isso for. Enquanto o inefável comité de proprietários do PS se desdobrava em ingentes esforços para travar o passo ao antigo secretário-geral na corrida a Belém, este fazia calmamente o seu caminho. Fiel à sua imagem de marca: sem insultar ninguém, sem lançar desqualificativos a outros, indiferente ao chorrilho de provocações que o visavam nas redes digitais.
Os arautos da “verdadeira esquerda” – agora congregados na frente eleitoral autárquica em Lisboa – foram disparando nomes no carrossel mediático, em desespero crescente. Sem sucesso algum.
A 26 de Junho, António Vitorino deu-lhes nega alegando “não reunir condições”. A 2 de Julho, Augusto Santos Silva seguiu-lhe o exemplo. Mário Centeno tinha sido o primeiro a desistir por antecipação, logo a 16 de Janeiro.
Faltava Sampaio da Nóvoa – o nosso Sassá Mutema, “o salvador da pátria”, que havia motivado romarias idolátricas amplificadas pelos jornais do costume. Também ele disse não, já a 13 de Agosto. Evita assim correr o risco de se enganar redondamente - como quando afirmou, em Dezembro de 2015, que se sentia “praticamente seguro” de uma segunda volta na corrida a Belém. No mês seguinte, não chegou a 23% dos votos, com Marcelo a vencer em toda a linha.
Cada nome lançado na praça pública revelou-se um tiro de pólvora seca. Esta vaga de deserções não augura nada de bom para os apóstolos da “esquerda unida”.
Segue-se agora quem? Talvez o Tino de Rans. Mas é duvidoso que aceite.
Enquanto Seguro assiste, de cadeirinha.












