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Facto internacional de 2019

por Pedro Correia, em 06.01.20

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SUBLEVAÇÃO POPULAR EM HONG KONG

A larga maioria dos votos, ao escolhermos o facto internacional de 2019, foi a sublevação popular em Hong Kong, que paralisou por completo, em diversas ocasiões, a antiga colónia britânica que é desde 1997 Região Administrativa Especial da República Popular da China. Pequim comprometeu-se a aplicar ali durante meio século o chamado princípio "um país, dois sistemas", garantindo a manutenção neste território - uma das principais praças financeiras mundiais - o sistema capitalista e a aplicação de direitos civis que são negados à esmagadora maioria da população chinesa. Mas estas promessas têm vindo a ser postas em causa.

Tudo começou em Junho com um vigoroso protesto estudantil contra uma nova lei que autorizaria a extradição de residentes em Hong Kong para outras parcelas do país, onde vigoram um código penal e um sistema carcerário muito mais severos: basta lembrar que a China é a nação do mundo que mais aplica a pena de morte. O movimento alastrou a outras faixas populacionais, dando origem à greve geral de 15 de Agosto e a gigantescas manifestações que não desmobilizaram quando o Executivo local, em Outubro, deixou cair a anunciada alteração legislativa. Havia já então novas reivindicações populares: a demissão da chefe do Governo, Carrie Lam, que ascendeu ao cargo em 2017 por escolha de um colégio eleitoral muito restrito em que obteve apenas 777 votos, e a eleição por sufrágio universal dos 70 membros do Conselho Legislativo - o órgão parlamentar de Hong Kong. Actualmente só metade dos deputados resultam do voto directo dos eleitores locais.

O novo ano começou da mesma forma: cerca de um milhão de pessoas desceram à rua exigindo reformas democráticas, em aberta oposição ao sistema ditatorial chinês.

 

A crise política, económica e social em Hong Kong - ainda sem solução à vista - foi designada facto internacional de 2019 por 15 dos 24 autores deste blogue que participaram na votação.

Com quatro votos, o segundo mais mencionado - e de algum modo relacionado com este - foi o conjunto das manifestações populares em vários continentes que agitaram sobretudo a Europa, a América do Sul, o Norte de África e o Médio Oriente. Em países tão diversos como França, Venezuela, Chile, Bolívia, Colômbia, Argélia, Irão, Iraque e Líbano.

 

A ameaça de destituição de Donald Trump - já concretizada na Câmara dos Representantes mas que deverá ser travada no Senado - foi escolhida por dois de nós.

Houve ainda votos isolados na vitória conservadora no Reino Unido, que permitirá concretizar o Brexit, na guerra comercial EUA-China e na contínua destruição da Amazónia.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

Facto internacional de 2015: a crise dos refugiados

Facto internacional de 2016: Brexit

Facto internacional de 2017: crise separatista na Catalunha

Facto internacional de 2018: movimento #MeToo

Facto nacional de 2019

por Pedro Correia, em 04.01.20

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NOVOS PARTIDOS NO PARLAMENTO

O ano que agora terminou foi dominado por factos políticos a nível nacional. A 6 de Outubro, os portugueses regressaram às urnas para escolher um novo elenco parlamentar do qual saiu o segundo Executivo liderado por António Costa - desta vez vencedor, embora longe da maioria absoluta que o PS ambicionava. Em 2019, recorde-se, houve dois outros escrutínios: as europeias, a 26 de Maio (triunfo eleitoral do PS, com 33,4%), e as regionais na Madeira, a 22 de Setembro (vitória do PSD, com 39,4%, e a consequente formação de um Governo de coligação com o CDS, facto inédito a nível regional).

Na opinião maioritária dos autores do DELITO DE OPINIÃO, o mais relevante neste conjunto de consultas eleitorais foi a entrada de novos partidos na Assembleia da República - ampliando o que já sucedera em 2015, com a eleição do solitário deputado do PAN.

Desta vez o partido animalista foi muito mais bem sucedido: obteve 3,3% nas urnas, multiplicando por quatro a representação parlamentar. E três forças políticas estreantes passaram a ter assento no hemiciclo: o Chega (1,3%), com André Ventura, a Inciativa Liberal (1,3%), com João Cotrim de Figueiredo, e o Livre (1,1%), com Joacine Katar Moreira.

Onze dos nossos 24 votos distinguiram esta ascensão dos novos partidos parlamentares como acontecimento do ano em Portugal. Em segundo lugar, com seis votos, ficou a degradação do Serviço Nacional de Saúde - facto que não deixou de ser notícia ao longo de 2019.

 

Os restantes sete votos recaíram, isoladamente, noutras ocorrências, confirmando o variado leque de opções aqui registado de ano para ano.

Foram mencionadas desta forma:

- Vitória eleitoral do PS nas legislativas;

- Prepotência de Ferro Rodrigues como presidente da Assembleia da República;

- O fim da "geringonça";

- Greve dos camionistas de matérias perigosas;

- O novo sindicalismo;

- Violência doméstica;

- A maior carga fiscal de sempre.

 

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

Facto nacional de 2016: Portugal conquista Europeu de Futebol

Facto nacional de 2017: Portugal a arder de Junho a Outubro

Facto nacional de 2018: incúria do Estado

Figura internacional de 2019

por Pedro Correia, em 03.01.20

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BORIS JOHNSON

Nem por ser já esperada deixou de constituir uma das vitórias eleitorais mais marcantes da cena política de 2019. Boris Johnson, que começou por chefiar o Executivo britânico sem passar pelas urnas, limitando-se a receber a pasta de Theresa May, conduziu em 12 de Dezembro o seu Partido Conservador ao maior triunfo eleitoral desde 1987, passando a dispor de uma sólida maioria absoluta na Câmara dos Comuns, ao contrário do que acontecia com a sua antecessora. Tem 365 assentos parlamentares - 39 acima do patamar da maioria absoluta.

O seu estilo excêntrico - mesmo para os padrões britânicos - e a linguagem acutilante que cultiva como imagem de marca levaram alguns, mais distraídos, a considerá-lo uma réplica de Donald Trump. Nada mais errado. Desde logo, Johnson tem impecáveis credenciais académicas e pedigree intelectual. Foi aluno na Escola Europeia em Bruxelas, depois em Eton e Oxford, diplomou-se em Estudos Clássicos, é um reputado biógrafo de Winston Churchill. Exerceu o jornalismo em periódicos conceituados: The Times, Daily Telegraph e The Spectator (sendo editor deste último). Antes de ascender à chefia do partido e do Governo, em Julho de 2019, destacou-se como presidente da Câmara de Londres (2008-2016) e ministro dos Negócios Estrangeiros (2016-2018).

A eleição deste irrequieto nativo do signo Gémeos, nascido há 55 anos em Manhattan e que só em 2016 renunciou à cidadania norte-americana deveu-se em boa parte à sua promessa de solucionar de vez o impasse em torno do Brexit. Johnson é um entusiasta da saída definitiva do Reino Unido da União Europeia, que deverá consumar-se em 2020. Ao contrário de Jeremy Corbyn, o seu rival do Partido Trabalhista, que manteve posições muito ambíguas nesta matéria. O que talvez explique o terramoto eleitoral do Labour: em Dezembro, obteve o pior resultado desde 1935.

 

O DELITO DE OPINIÃO elegeu Boris Johnson como Figura Internacional do Ano na votação mais apertada de 2019. O chefe do Governo britânico superou apenas por um voto (nova contra oito) a activista sueca Greta Thunberg, que liderou a batalha mediática à escala mundial contra as alterações climáticas num ano que suportou o mês de Julho mais quente desde que há registos credíveis e em que a Islândia viu desaparecer o primeiro glaciar.

O terceiro lugar do pódio, com cinco votos, coube ao primeiro-ministro etíope  Abiy Ahmedy, distinguido com o Prémio Nobel da Paz pelos seus esforços para «alcançar a paz e a cooperação internacional», justificou a academia de Oslo. Em alusão ao seu protagonismo na obtenção de um acordo de paz entre a Etiópia e a Eritreia, pondo fim ao tenso impasse que permanecia entre os dois países, envolvidos num sangrento conflito no final do século XX.

Houve ainda dois votos isolados. Um em Juan Guaidó, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, reconhecido por mais de cinco dezenas de países (incluindo Portugal) como líder legítimo do país, embora Nicolás Maduro ainda ocupe o Palácio de Miraflores. O outro voto recaiu em John Bercow, o carismático presidente cessante da Câmara dos Comuns, que ganhou fama planetária pelo modo peculiar como presidia aos debates - começando pelo seu inconfundível "grito de guerra": «Order! Order!»

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

Figura internacional de 2016: Donald Trump

Figura internacional de 2017: Donald Trump

Figura internacional de 2018: Jair Bolsonaro

Figura nacional de 2019

por Pedro Correia, em 02.01.20

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D. JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Pela primeira vez numa década, uma personalidade da Igreja portuguesa surge em destaque no balanço anual do DELITO DE OPINIÃO. Cabe a distinção ao padre-escritor José Tolentino Mendonça, que a 1 de Setembro foi designado cardeal pelo Papa Francisco. Passou a fazer parte do restrito núcleo de 224 cardeais hoje existentes no mundo - apenas 124 dos quais com capacidade eleitoral, por terem menos de 80 anos. Podendo eleger, pode também ser eleito num dos conclaves à porta fechada na Capela Sistina.

«Arrisco que chegará a Papa. Dificilmente na próxima eleição, mas é um jovem», observou um dos nossos colegas de blogue no processo de votação. Na mesma linha, uma colega justificou votar nele «pela projecção internacional e porque lhe prevejo grandes voos futuros». D. José Tolentino, que recebeu as novas insígnias a 5 de Outubro, tem 54 anos: é de facto um jovem, pelos padrões médios do colégio cardinalício da Santa Sé.

Este foi o segundo ano consecutivo em que mereceu destaque noticioso. Em Junho de 2018, por escolha pessoal do Papa Francisco, havia sido nomeado arquivista do Arquivo Apostólico do Vaticano e bibliotecário da Santa Sé, passando a tutelar a mais antiga biblioteca do mundo, com 85 quilómetros de estantes. No mês seguinte era ordenado bispo.

Nascido em Machico, na ilha da Madeira, José Tolentino distinguiu-se como teólogo, professor universitário, pároco no Funchal e em Lisboa, director do curso de Teologia da Universidade Católica e membro do Conselho Pontifício para a Cultura. É autor de vários livros de poesia, ensaio e teatro. Foi distinguido com o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998), o Prémio Pen Club de Ensaio (2005), o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes APE (2016) e o Grande Prémio APE de Crónica (2016), entre outros.

 

O novo cardeal recebeu oito dos 24 votos recolhidos no nosso "colégio eleitoral". Na tradicional escolha de fim de ano feita pelos autores do DELITO, o segundo posto para Figura Nacional de 2019, com cinco votos, coube a Joacine Katar Moreira, recém-eleita deputada do partido Livre.

Outro deputado estreante, André Ventura, recolheu três votos - tantos como o primeiro-ministro António Costa, vencedor das legislativas de Outubro, e o treinador Jorge Jesus, que levou o Flamengo à conquista do campeonato brasileiro e da Taça Libertadores, o mais importante troféu futebolístico do continente americano.

 

Houve ainda dois votos solitários. O primeiro em António Guterres, pelo seu «desempenho ecologista» como secretário-geral da ONU, e o segundo em Mário Centeno, o ministro das Finanças responsável pelo primeiro excedente orçamental em democracia e também pela maior carga fiscal de que há registo no País.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

Figura nacional de 2015: António Costa

Figura nacional de 2016: António Guterres

  Figura nacional de 2017: Marcelo Rebelo de Sousa

Figura nacional de 2018: Joana Marques Vidal

Facto internacional de 2018

por Pedro Correia, em 04.01.19

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MOVIMENTO #METOO

 

A repercussão, praticamente à escala planetária, do movimento feminista #MeToo, iniciado no final de 2017 mas com particular visibilidade só no início do ano passado,  mereceu do DELITO DE OPINIÃO a escolha como Facto Internacional de 2018. Houve oito votos nesta opção, atendendo sobretudo ao profundo impacto deste movimento no circuito intelectual e artístico dos Estados Unidos - sem esquecermos os ecos que produziu também na Europa, onde (por exemplo) em 2018 não se atribuiu o Prémio Nobel da Literatura devido às alegações de que o marido de um dos membros da academia, o dramaturgo e fotógrafo francês Jean-Claude Arnault, terá assediado sexualmente algumas mulheres - o que foi desmentido pelo visado.

Em Portugal, ao contrário do que tem sucedido noutros países, o movimento parece tardar em implantar-se: ainda não foram conhecidas, por cá, denúncias de supostas agressões sexuais a figuras mediáticas, designadamente do espectáculo, do teatro, da televisão, dos meios empresariais ou da política.

 

Em segundo lugar, com cinco votos, ficou aquilo que denominámos de revolta dos pagantes, abrangendo nomeadamente o movimento dos chamados "coletes amarelos" que despontou em Novembro em França e parece ter perdido força nas semanas mais recentes.

Outro acontecimento em destaque, com quatro votos: a brutal crise na Venezuela, que já levou ao êxodo de cerca de três milhões de pessoas, enquanto o país se afunda na depressão económica, na mega-inflação e na repressão política, às ordens do ditador Nicolás Maduro, reeleito em Maio de 2018 entre acusações quase unânimes de fraude eleitoral num escrutínio de que foram afastados, logo à partida, os principais opositores.

 

Houve dois votos na formação de um Governo populista em Itália, onde a Liga xenófoba e o movimento pós-ideológico Cinco Estrelas formaram uma coligação com efeito práticos a partir de Junho, desafiando as regras impostas por Bruxelas num dos Estados fundadores da União Europeia e naquela que é hoje a terceira maior economia do espaço comunitário.

Outros dois votos recaíram na inédita cimeira EUA-Coreia do Norte, ocorrida em Abril em Singapura, reunindo o inquilino da Casa Branca, Donald Trump, e o ditador de Pyongyang, Kim Jong-un, com vista à desnuclearização da península coreana, que alberga a fronteira mais perigosa do planeta, vigorando ali o estado de guerra desde 1950.

 

Registaram-se ainda votos isolados na dissolução definitiva da ETA no País Basco espanhol, na invasão comercial da Europa pela China, que vem comprando à peça infra-estruturas basilares do Velho Continente (o porto do Pireu, em Atenas, é um exemplo entre muitos) e ainda na chamada consciência ambiental, com esta justificação que ficou lavrada em acta: «Desde o plástico, passando pelas alterações climáticas (que receberam finalmente uma necessária dose de realidade - outros chamaram-lhe alarmismo), seguindo pela água e acabando (nesta sequência) nas extinções. Nunca o ambiente recebeu tanta atenção da população.»

 

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

Facto internacional de 2015: a crise dos refugiados

Facto internacional de 2016: Brexit

Facto internacional de 2017: crise separatista na Catalunha

Facto nacional de 2018

por Pedro Correia, em 03.01.19

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INCÚRIA DO ESTADO

 

Houve consenso generalizado, entre os autores do DELITO DE OPINIÃO, quanto ao Facto Nacional do Ano: elegemos a reiterada incúria do Estado português na protecção e segurança de pessoas e bens. Isto a propósito de acontecimentos tão diversos - mas todos igualmente dramáticos - como o devastador incêndio de Monchique, que dizimou grande parte do maior pulmão verde do Algarve, a derrocada de um troço da estrada municipal que ligava Borba a Vila Viçosa, causando a morte de cinco pessoas, a queda de um helicóptero do INEM em circunstâncias que estão a ser investigadas, havendo a lamentar a perda de quatro pessoas que se haviam distinguido a salvar vidas humanas, ou ainda as repercussões do roubo de material bélico em Tancos, ocorrido em 2017 mas com desenvolvimentos no ano que agora terminou.

Dezoito dos nossos 26 votos recaíram neste conjunto de ocorrências, cada qual com o seu grau de dramatismo e controvérsia. Não apenas em função do que aconteceu mas devido à incapacidade das autoridades em apurar responsabilidades e aplicar a respectiva e efectiva punição. O que deixa muitos portugueses perante a angustiante convicção de que ninguém, ao nível da administração do Estado, nos protege em verdadeiras situações de perigo.

 

Os restantes oito votos dividiram-se em partes iguais.

Metade destacou o brutal assalto à Academia do Sporting, em Alcochete, cometido a 15 de Maio por cerca de quatro dezenas de elementos da principal claque do clube, o que teve consequências aos mais diversos níveis. Para os assaltantes, que em grande parte se encontram detidos, aguardando a conclusão do debate instrutório; para os jogadores agredidos, vários dos quais decidiram rescindir unilateralmente os contratos que os ligavam ao clube; e para o próprio Sporting, que entrou em convulsão interna, culminando no afastamento do presidente Bruno de Carvalho, a 23 de Junho, por vontade expressiva dos sócios, que em 8 de Setembro elegeram Frederico Varandas para o seu lugar.

Houve ainda quatro votos no facto de Portugal ter conseguido em 2018 o défice mais baixo em democracia, excedendo as previsões da Comissão Europeia e do próprio Governo, com o ministro das Finanças - agora também presidente do Eurogrupo - a antecipar um défice cada vez mais próximo do zero nas contas públicas de 2019.

 

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

Facto nacional de 2016: Portugal conquista Europeu de Futebol

Facto nacional de 2017: Portugal a arder de Junho a Outubro

 

 

Figura internacional de 2018

por Pedro Correia, em 02.01.19

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JAIR BOLSONARO

Foi o  mais imprevisível triunfo eleitoral de 2018, surpreendendo grande parte dos comentadores e analistas políticos: Jair Bolsonaro, capitão na reserva e deputado federal desde 1991, venceu a eleição presidencial brasileira de Outubro, suplantando na segunda volta o seu rival do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad, por uma margem confortável: obteve 55% e quase 58 milhões de votos. Ontem tomou posse, em Brasília, como 38.º Chefe do Estado do maior país de língua portuguesa e líder da sétima economia à escala mundial. Com uma taxa de aprovação muito elevada, que ascende a 61%, segundo os mais recentes barómetros  - algo que praticamente ninguém conseguia prognosticar há um par de meses.

A inclusão do juiz Sérgio Moro no novo Executivo federal, com a pasta da Justiça, terá contribuído para este reforço da popularidade de Bolsonaro, que se apresentou às urnas apenas com o apoio inicial de um pequeno partido, o PSL, e quase sem dispor de tempo de antena nos canais televisivos. Contornou estas dificuldades recorrendo em larga escala às redes sociais e às novas plataformas de telecomunicações. O que vai seguir-se é uma verdadeira incógnita, sendo inegável o peso dos militares na estrutura governativa agora empossada - começando pelo vice-presidente, general Hamilton Mourão.

No DELITO DE OPINIÃO, que o elegeu como Figura Internacional do Ano, Bolsonaro teve uma vitória apertada: recebeu nove votos em 24. Vencendo tangencialmente outro dirigente de um país de língua portuguesa: o Presidente angolano, João Lourenço. Justificação para os oito votos recolhidos pelo homem que em 2017 sucedeu a José Eduardo Santos: o papel relevante que tem desempenhado na abertura das instituições e no combate à corrupção em Angola.

 

O terceiro lugar do pódio, com três votos, coube ao Presidente norte-americano Donald Trump - aqui vencedor nos dois anos anteriores - pelas numerosas polémicas que tem protagonizado, levando a uma constante sangria da sua equipa governativa, mas também pela histórica cimeira que manteve em Abril com o ditador de Pyongyang, Kim jong-un, que terá aberto enfim caminho à desnuclearização da península coreana, há 68 anos em estado de guerra.

Houve dois votos no novo Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, primeiro dirigente desde 1959 que ali não pertence à família Castro. Além de votos isolados no Presidente chinês, Xi Jinping, que em 2018 viu reforçados os seus poderes, sendo-lhe reconhecida a possibilidade de recandidatar-se a novos mandatos, e no magnata norte-americano Mark Zuckerberg pela intrusão que os FAANG (Facebook, Amazon, Apple, Netflix, Google) têm nas nossas vidas e na forma como estão a mudar o mundo, certamente para pior.

 

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

Figura internacional de 2016: Donald Trump

Figura internacional de 2017: Donald Trump

Figura nacional de 2018

por Pedro Correia, em 01.01.19

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JOANA MARQUES VIDAL

É consensual: a investigação criminal, com ela no vértice supremo do Ministério Público, deixou de olhar a ricos e poderosos, fingindo que os ilícitos não existiam. Há hoje a sensação generalizada de que não basta ser influente para escapar às malhas da justiça. E que terminou enfim a inércia no combate à corrupção, um dos cancros que corroem a democracia.

Isso deve-se, em boa parte, à orientação imprimida por esta jurista à frente da Procuradora-Geral da República durante os seis anos do seu mandato, concluído em Outubro de 2018. O Governo poderia ter proposto a sua recondução ao Presidente da República, a quem cabe nomear o titular máximo da acção penal, mas logo em Janeiro a ministra da Justiça, Francisca Van Dunen, deixava claro que isso não iria acontecer.

Joana Marques Vidal  sai, certamente com a sensação do dever cumprido, tendo sido substituída por Lucília Gago, uma das suas colaboradoras mais próximas. Na nossa tradicional escolha de fim de ano, os autores do DELITO DE OPINIÃO elegeram por maioria a procuradora-geral cessante como Figura Nacional de 2018, com 11 votos em 25 possíveis.

 

Na segunda posição, com seis votos, ficou o nosso eleito de há um ano: Marcelo Rebelo de Sousa. Desta vez não venceu, mas a justificação manteve-se inalterada: o Presidente da República distingue-se pela intervenção diária e constante como moderador na política portuguesa.

O terceiro lugar do nosso pódio, com quatro votos, é ocupado pelo ministro das Finanças. Mário Centeno foi outra figura em relevo ao longo de 2018, tanto pela sua estreia como presidente do Eurogrupo como por ter anunciado que Portugal está prestes a atingir o mais baixo défice nas contas públicas pela primeira vez em democracia: 0,2% do PIB.

 

Houve ainda dois votos em Cristina Ferreira, protagonista da mais cara transferência de sempre na televisão portuguesa ao passar da TVI para a SIC por valores que só costumamos ver ao nível dos clubes de futebol. E dois votos solitários. O primeiro em Ricardo Robles, o vereador do Bloco de Esquerda em Lisboa que se viu forçado a cessar estas funções quando se tornou público que praticava especulação imobiliária, contrariando o que defendia no seu discurso político. O segundo no eterno Pedro Santana Lopes, que renunciou à militância no PSD, onde se manteve filiado durante 40 anos, e em Outubro fundou a Aliança, que terá o primeiro teste eleitoral nas europeias de 26 de Maio.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

Figura nacional de 2015: António Costa

Figura nacional de 2016: António Guterres

  Figura nacional de 2017: Marcelo Rebelo de Sousa

Frase internacional de 2017

por Pedro Correia, em 12.01.18

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«Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em copos e mulheres e depois ir ter consigo a pedir-lhe ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu.»

Jeroen Dijsselbloem, 20 de Março

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

 

«Porque é que Kim Jong-un me insulta chamando-me "velho", quando eu nunca lhe chamei "pequeno" e "gordo"?»
Donald Trump (Novembro)
 

«O que é que se passou com o pernil? Sabotaram-nos! Sabotaram-nos! E posso apontar um país: Portugal.»

Nicolás Maduro (Dezembro)

  

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Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

(Malala Yousafzai)

Frase internacional de 2014: «Somos todos americanos.»

(Barack Obama)

Frase internacional de 2015: «Je suis Charlie.»

(Lema parisiense, e mundial, após os atentados de Janeiro em Paris)

Frase internacional de 2016: «Vim aqui enterrar os restos da Guerra Fria nas Américas.»

(Barack Obama)

Frase nacional de 2017

por Pedro Correia, em 10.01.18

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«Este ano foi um ano particularmente saboroso para Portugal.»

António Costa, 13 de Dezembro

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

 

«O Governo fez a maior revolução que a floresta conheceu desde os tempos de D. Dinis.»
Capoulas Santos (Agosto)
 

«O PS nunca mais vai precisar da direita para governar.»

Pedro Nuno Santos (Janeiro)

 

«A electricidade não é cara, as casas é que estão mal construídas»

António Mexia (Abril)

 

«Bardamerda para todos aqueles que não são do Sporting Clube de Portugal!»

Bruno de Carvalho (Março)

 

«No limite, pode não ter havido furto nenhum.»

Azeredo Lopes (Setembro)

 

«Sócrates usou um domingo para a licenciatura e um Domingos para o mestrado.»

João Miguel Tavares (Novembro)

 

«É claro que é um grande romance, fui eu que o escrevi.»

António Lobo Antunes (Novembro)

 

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Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

(Almeida Santos)

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

(Pedro Nuno Santos)

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.»

(Paulo Portas)

Frase nacional de 2014: «Sinto-me mais livre que nunca.»

(José Sócrates)

Frase nacional de 2015: «Temos os cofres cheios.»

(Maria Luís Albuquerque)

Frase nacional de 2016: «Já avisei a famíia que só volto no dia 11 [de Julho] e vou ser recebido em festa.»

(Fernando Santos)

Facto internacional de 2017

por Pedro Correia, em 09.01.18

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CRISE SEPARATISTA NA CATALUNHA

Catalunha dominou grande parte do ano informativo em termos internacionais, sobretudo a partir de Setembro, quando o Parlamento autonómico catalão aprovou a "lei da desconexão", com os votos favoráveis das forças separatistas regionais, num arco ideológico que ia da direita nacionalista à extrema-esquerda anticapitalista, apenas unidas na necessidade de acelerar o corte dos laços políticos com Madrid.

O processo desembocou na convocação de um referendo ilegal para validar o processo de independência unilateral, convocado pelos separatistas à margem da Constituição e contra o parecer expresso de todas as instituições do Estado espanhol - Rei, Governo, Senado, Câmara dos Deputados, Tribunal Constitucional e tribunal comuns. Realizada a 1 de Outubro, sem campanha eleitoral, sem cadernos eleitorais credíveis e sem mecanismos independentes de verificação dos resultados, a consulta não foi reconhecida pela comunidade internacional.

As semanas que se seguiram foram alucinantes: declaração unilateral da independência em Barcelona (10 de Outubro), logo seguida da suspensão dos efeitos do acto separatista, aprovação por ampla maioria no Senado espanhol do artigo 155.º da Constituição que revogou a autonomia, convocação de eleições antecipadas na Catalunha para 21 de Dezembro, fuga para Bruxelas do presidente cessante do Governo regional, Carlos Puigdemont, acusado - tal como outros ex-membros do executivo - de rebelião, sedição e peculato pela justiça espanhola.

As eleições de Dezembro deram pela primeira vez a vitória a uma força não-nacionalista, o Cidadãos. Os separatistas, sem maioria do voto popular, mantiveram no entanto a maioria dos lugares no Parlamento autonómico. Mas nenhum dos seus dirigentes máximos tem condições para formar Governo: Puigdemont, líder do Juntos Pela Catalunha, permanece refugiado na Bélgica e Oriol Junqueras, líder da Esquerda Republica, encontra-se detido às ordens da justiça espanhola.

 

A crise catalã, muito longe de estar resolvida, foi o acontecimento do ano para o DELITO DE OPINIÃO, merecendo 11 dos 21 votos referentes ao Facto Internacional de 2017.

Em segundo lugar, com seis votos, ficou o início da presidência Trump, outro dos factos mais relevantes do ano que passou em termos internacionais.

Registaram-se ainda votos isolados na fundação do movimento #metoo, no êxodo forçado do povo roínguia na Birmânia, no puritanismo macartista travestido de "progresso" e nos sinais de esperança na luta contra a corrupção, o nepotismo e o branqueamento de capitais.

Perspectivas plurais num mundo sempre turbulento.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

Facto internacional de 2015: a crise dos refugiados

Facto internacional de 2016: Brexit 

 

Facto nacional de 2017

por Pedro Correia, em 08.01.18

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PORTUGAL A ARDER DE JUNHO A OUTUBRO

 

Não há memória de um incêndio tão mortífero. Os portugueses não esquecerão a tragédia de Pedrógão Grande, com as chamas a devorarem árvores, mato, casas, carros e lamentavelmente também pessoas a 17 de Junho. O balanço deste fogo florestal - que alastrou aos concelhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera - foi dantesco: 66 pessoas mortas, 254 feridas (muitas em estado grave), 150  famílias desalojadas e quase 50 mil hectares de floresta reduzidos a cinzas.

Portugal continuou em chamas. Em Julho já tinham ardido 118 mil hectares de área florestal e agrícola. Em zonas tão diferentes como  Alijó e MaçãoMértola e AbrantesCoimbra e Sertã. Uma situação de calamidade nacional, entre críticas generalizadas de falhas das comunicações e da protecção civil.

Os incêndios prosseguiram a sua acção devastadora no mês seguinte, confirmando 2017 como um dos piores de sempre em matéria de fogos florestais. Registaram-se 268 fogos num só dia, a 12 de Agosto. E este máximo foi superado no dia 20, quando houve 304 incêndios simultâneos.

Ainda traumatizado pelo drama de Pedrógão, o País viu-se confrontado com outra enorme tragédia, a 15 de Outubro, quando a área florestal de dezenas de concelhos do interior e até do litoral foi total ou parcialmente destruída pelas chamas. Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Braga, Aveiro e Guarda foram os distritos mais afectados pelos incêndios, que provocaram a morte de 45 pessoas, arrasaram empresas, pastos e áeas de cultivo, inutilizaram aldeias, cercaram cidades, calcinaram o pinhal de Leiria e deixaram um rasto de devastação com prejuízos ainda difíceis de contabilizar. Com ecos noticiosos em toda a imprensa internacional, até às mais recônditas regiões do globo.

No plano político, os fogos de Outubro levaram à tardia  demissão da ministra da Administração Interna e a um reajustamento no elenco governamental.

No total do ano, morreram 125 portugueses vítimas dos incêndios. Este foi, infelizmente, o Facto Nacional do Ano para o DELITO DE OPINIÃO, numa votação que congregou 22 dos 30 membros deste blogue.

 

Só três votos destoaram da linha dominante.

Um deles recaiu na Operação Marquês, enfim concluída a parte investigatória com acusações deduzidas ao ex-primeiro-ministro José Sócrates, ao antigo banqueiro Ricardo Salgado e aos gestores Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, entre vários outros arguidos.

Outro voto realçou o facto de Portugal ter conseguido em 2017 o défice mais baixo em democracia, excedendo as previsões da Comissão Europeia e do próprio Governo.

Houve, finalmente, ainda um voto isolado na degradação do regime e das suas instituições. "Notório em tudo o que aconteceu na Administração Interna, na Protecção Civil, na Saúde, na Defesa, na Assembleia da República, nos factos constantes da Operação Marquês, nas nomeações para as empresas onde o Estado tem uma palavra a dizer, nalgumas sentenças e acórdãos judiciais, no desporto."

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

Facto nacional de 2016: Portugal conquista Europeu de Futebol

 

Figura internacional de 2017

por Pedro Correia, em 04.01.18

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DONALD TRUMP 

É a chamada figura incontornável. Pelo segundo ano consecutivo, o magnata nova-iorquino foi eleito Figura Internacional do Ano. Em 2016, o destaque deveu-se ao facto de ter sido eleito para a Casa Branca, derrotando a favorita, Hillary Clinton, e surpreendendo a grande maioria dos analistas políticos. Desta vez justifica-se por ter iniciado o mandato, a 20 de Janeiro.

Um mandato muito polémico desde o primeiro dia, marcado por um cortejo de demissões de figuras relevantes na administração Trump. A 21 de Julho demitiu-se o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer. Dez dias depois, saía o recém-entrado director de comunicação, Anthony Scaramucci. O anterior, Mike Dubke, abandonara funções em Maio. Também em Julho, o Presidente perdeu o seu chefe de gabinete, Reince Priebus, e viu partir o director do gabinete de ética, Walter Shaub. Em Fevereiro, exonerara o conselheiro de segurança, Michael Flynn, que só esteve um mês em funções. Outro conselheiro, Ezra Cohen-Watnick, foi demitido em Agosto. O secretário da Saúde, Tom Price, viu-se forçado a resignar em Setembro. No fim do ano, anunciava-se a saída de Omarosa Manigault-Newman, directora de comunicação com o público da Casa Branca e a mais destacada afro-americana do Executivo.

Também na frente legislativa Trump encontrou dificuldades. Só em Dezembro conseguiu a primeira vitória no Congresso, apesar de contar com maioria republicana nas duas câmaras do Capitólio, ao ver aprovada a prometida reforma tributária - primeira em 30 anos. Mas enfrentou oposição firme à reversão da reforma sanitária realizada pelo antecessor, Barack Obama. Em compensação, a economia continuou na rota do crescimento: 3,2%, no terceiro trimestre de 2017, com o desemprego a registar os números mais baixos em 17 anos.

Na frente externa, Trump desencadeou coros de críticas ao anunciar o fim da vinculação dos EUA ao acordo de Paris sobre as alterações climáticas, acentuou o isolacionismo da sua administração ao retirar o país da Unesco e enfureceu o mundo árabe ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, em flagrante colisão nesta matéria com os parceiros europeus de Washington e os restantes membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Rússia e China.

Tudo isto num ano marcado por intensas disputas verbais entre o inquilino da Casa Branca - activíssimo no Twitter, rede social onde funciona como cabeça de cartaz à escala global - e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un. «É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos EUA. Vai enfrentar fogo e fúria como o mundo nunca viu», assegurou Trump, em Agosto. Agindo cada vez mais como um elefante nessa vasta loja de porcelana que é a cena política internacional.

 

O líder norte-americano recebeu dez dos 24 votos nesta eleição do DELITO. Na segunda posição, com seis votos, ficou o Presidente francês, Emmanuel Macron, que em 2017 se impôs aos candidatos da esquerda e da direita clássicas na primeira volta da corrida ao Palácio do Eliseu, esmagando na segunda volta, a 7 de Maio, a sua opositora, Marine Le Pen, representante da Frente Nacional. Recolheu dois terços dos sufrágios nas presidenciais e não tardou a fundar um movimento, a República em Marcha, que em Junho conquistou 350 dos 577 assentos parlamentares.

O terceiro lugar do pódio, com cinco votos, coube ao Presidente chinês, Xi JInping, que em 2017 reforçou consideravelmente o seu poder, consolidando a posição da China na cena mundial.

Houve ainda votos solitários no deposto ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, no movimento feminista #metoo e na ucraniana Anna Muzychuk, que perdeu o estatuto de dupla campeã mundial de xadrez ao recusar a participação no campeonato do mundo da modalidade, disputado em 2017 na Arábia Saudita. Em nome da defesa dos direitos das mulheres, reprimidos neste país.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

Figura internacional de 2016: Donald Trump

Figura nacional de 2017

por Pedro Correia, em 03.01.18

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MARCELO REBELO DE SOUSA

Podia ter sido no ano passado, quando foi eleito Presidente da República logo à primeira volta, por margem muito expressiva, mas acabou por ser apenas em 2017: Marcelo Rebelo de Sousa é a Figura Nacional do Ano, assim designado pelos autores do DELITO DE OPINIÃO no nosso já tradicional escrutínio destinado a destacar as pessoas, os acontecimentos e as frases que marcaram os 365 dias que ficaram para trás.

Na nossa opinião maioritária, Marcelo tem redefinido de forma positiva os poderes presidenciais consagrados na Constituição, como ficou patente no seu envolvimento directo com as populações em sofrimento na tragédias dos incêndios que tiveram expressão máxima a 17 de Junho, primeiro, e nos dias 15 e 16 de Outubro, depois. «Uma radical mudança de estilo no exercício do cargo em que foi investido», como sublinhou um dos 24 participantes nesta escolha, de um total de 31 potenciais votantes.

Não faltou quem lembrasse a importante comunicação ao País feita por Marcelo a 17 de Outubro, em Oliveira do Hospital - um dos cenários da tragédia dos fogos. «A melhor, se não única, forma de verdadeiramente pedir desculpa às vítimas de Junho e de Outubro, e de facto é justificável que se peça desculpa, é por um lado reconhecer com humildade que portugueses houve que não viram os poderes públicos como garante de segurança e de confiança, e por outro lado romper com o que motivou a fragilidade, ou motivou o desalento ou a descrença dos portugueses. Quem não entenda isto — humildade cívica e ruptura com o que não provou ou não convenceu — não entendeu nada do essencial que se passou no nosso país.» Palavras na altura proferidas pelo inquilino de Belém.

 

Marcelo recebeu dez votos neste escrutínio do DELITO. Em segundo lugar, com sete, ficou o ministro das Finanças: Mário Centeno foi destacado pelos bons resultados alcançados sob a sua batuta (menor défice das contas públicas em democracia, saída de Portugal do procedimento por défice excessivo, diminuição do desemprego, crescimento acima da média comunitária) e também por ter sido eleito, já no fim do ano, como presidente do Eurogrupo - função que começará a desempenhar a partir de Janeiro.

Na terceira posição, com três votos, ficou Salvador Sobral, que em 2017 passou de quase desconhecido para celebridade não apenas no plano nacional mas internacional ao conseguir a primeira vitória em língua portuguesa no Festival da Eurovisão. Mérito inteiro dele, e do tema musical composto pela irmã, Luísa Sobral: Amar Pelos Dois foi uma das canções do ano à escala internacional, cantada até por muita gente que não conhecia o nosso idioma.

Houve ainda dois votos em Cristiano Ronaldo, que pela quinta vez se sagrou melhor futebolista do mundo, novamente em acesa competição com o argentino Lionel Messi. E votos solitários no primeiro-ministro António Costa e em Nádia Piazza, a corajosa presidente da Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, mãe de um filho de cinco anos morto nesta tragédia que enlutou o País.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

Figura nacional de 2015: António Costa

Figura nacional de 2016: António Guterres

 

Frase internacional de 2016

por Pedro Correia, em 18.01.17

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«Vim aqui enterrar os restos da Guerra Fria nas Américas.»

Barack Obama, 22 de Março

 

.................................................................. 

 

Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

(Malala Yousafzai)

Frase internacional de 2014: «Somos todos americanos.»

(Barack Obama)

Frase internacional de 2015: «Je suis Charlie.»

(Lema parisiense, e mundial, após os atentados de Janeiro em Paris)

Frase nacional de 2016

por Pedro Correia, em 08.01.17

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«Já avisei a família que só volto no dia 11 [de Julho] e vou ser recebido em festa.»

Fernando Santos, 19 de Junho

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

 

«Temos de perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro.»
Mariana Mortágua (Setembro)
 

«Desiludam-se aqueles que pensam que o Presidente da República vai dar um passo sequer para provocar instabilidade neste ciclo que vai até às autárquicas.»

Marcelo Rebelo de Sousa (Maio)

 

«Até as vacas podem voar.»

António Costa (Maio)

 
«O António Costa é um líder em formação.»

José Sócrates (Outubro)

 

«É impossível não olhar já para as eleições de 2017 em França e na Alemanha como próximas etapas prováveis desta corrida para o abismo.»

Jorge Sampaio (Novembro)

 

«Era só o que faltava que o Tribunal Constitucional fosse o único órgão de soberania que estivesse acima do escrutínio e da crítica pública.»

Marisa Matias (Janeiro)

 

.................................................................. 

 

Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

(Almeida Santos)

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

(Pedro Nuno Santos)

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.»

(Paulo Portas)

Frase nacional de 2014: «Sinto-me mais livre que nunca.»

(José Sócrates)

Frase nacional de 2015: «Temos os cofres cheios.»

(Maria Luís Albuquerque)

Facto internacional de 2016

por Pedro Correia, em 07.01.17
 

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BREXIT

Os acontecimentos a nível internacional, tão voláteis e condicionados pelas mais recentes manchetes da imprensa, nem sempre tornam fácil seleccionar um facto que seja capaz de dominar o ano. Talvez isto explique que acontecimentos como a inédita visita de Barack Obama a Cuba ocorrida em Março - a primeira de um Chefe do Estado norte-americano ali desde 1928 - que demoliu a penúltima fronteira da Guerra Fria (a última é a do conflito coreano, ainda sem solução à vista) não tivesse sido mencionada na generalidade dos balanços de 2016.

Outra omissão espantosa é a do processo que conduziu à impugnação e destituição da primeira mulher que ascendeu à presidência do Brasil. Dilma Rousseff, acusada de abuso do poder no exercício das funções, foi alvo de votações na Câmara dos Deputados e no Senado que em Maio a forçaram a renunciar ao cargo, tendo o seu vice-presidente - Michel Temer, com quem estava de relações cortadas há bastante tempo - assumido a presidência. Foi já ele a inaugurar em Agosto os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que motivaram muitos protestos.

Nos três primeiros trimestres de 2016, o Brasil foi sacudido por manifestações, anti-Dilma e anti-Temer. Passados escassos meses, tudo isto parece ter sucedido há uma eternidade. O que reflecte a intensidade noticiosa a que somos sujeitos no nosso quotidiano.

 

Apesar disso, nem tudo se dissolve em espuma. É o caso do Brexit - o referendo ocorrido a 23 de Junho nas ilhas britânicas que determinou, embora por escassa margem (51,8% contra 48,2%), a saída do Reino Unido da União Europeia, 43 anos após ter ingressado no que então se chamava Comunidade Económica Europeia. Este foi o Facto Internacional de 2016, eleito pela maioria dos autores do DELITO DE OPINIÃO (27 participámos neste escrutínio, em que podíamos eleger mais de um acontecimento, os restantes quatro não se pronunciaram). Um facto tão importante que não deixará de ter sérias repercussões em 2017.

Aliás, o próprio substantivo Brexit (neologismo formado a partir de Britain, Grã-Bretanha no idioma original, e exit, que significa saída em inglês) figurou entre as palavras do ano em Portugal, após geringonça, vocábulo que permanecia envolto em poeira e foi desenterrado desde que o actual Executivo socialista iniciou funções.

 

O polémico referendo britânico mereceu 14 votos nossos, superando outros acontecimentos no plano internacional, como a guerra na Síria, que se arrasta desde 2011 e já foi Facto do Ano em 2013 no nosso blogue (seis votos), as eleições nos Estados Unidos da América (três votos), os acordos de paz na Colômbia de algum modo postos em causa pelo  referendo ocorrido em Outubro, a crise dos refugiados, que havíamos elegido em 2015, o putinismo em ascensão e a controversa atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan.

Para o ano há mais.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

Facto internacional de 2015: a crise dos refugiados 

Facto nacional de 2016

por Pedro Correia, em 06.01.17

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PORTUGAL CONQUISTA EUROPEU DE FUTEBOL

Tínhamos tudo contra nós. Jogávamos em casa da selecção adversária, perante um público maioritariamente hostil e tradicionalmente muito arrogante. Éramos apontados como “patinho feio” em todas as casas de apostas desportivas. Para cúmulo, vimos o nosso melhor jogador – e melhor jogador do mundo – inutilizado a partir do minuto 8 por falta que o árbitro entendeu não assinalar.

Mas soubemos resistir a todas as adversidades. Abdicámos do tradicional futebol-espectáculo que durante décadas nada mais nos propiciou senão umas quantas “vitórias morais” e trouxemos para Portugal  o mais cobiçado troféu até hoje conquistado pelo futebol português: o Campeonato da Europa ao nível de selecções seniores, arrebatado na épica final do Parque dos Príncipes, em Paris.

A conquista do Euro-2016 foi considerada o Facto Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO, numa votação que congregou 27 dos 31 membros deste blogue e em que era possível eleger mais de um tema, como é costume entre nós, ano após ano.

 

Não faltaram desde o início os profetas da desgraça ao nível do comentário desportivo, prontos a vaticinar o desaire da equipa das quinas em geral e do seleccionador Fernando Santos em particular.

Indiferente às aves agoirentas, a selecção trilhou a sua rota ascendente, passo a passo, com persistência, sem nunca perder: 1-1 com a Islândia, 0-0 com a Áustria, 3-3 com a Hungria, 1-0 com a Croácia, 1-1 com a Polónia (vitória no desempate por penáltis), 2-0 com o País de Gales e 1-0 na final de 10 de Julho frente à anfitriã, França.

Cristiano Ronaldo (3), Nani (3), Renato Sanches, Quaresma e Éder marcaram os golos portugueses. Rui Patrício foi designado melhor guarda-redes deste torneio que nos encheu de orgulho e júbilo.

Motivos redobrados para todos festejarmos o maior título de sempre do futebol português. Mesmo aqueles que não costumam ser grandes apreciadores de futebol.

 

Aos 14 votos que recaíram no Euro-2016 seguiram-se cinco nas trapalhadas da Caixa Geral de Depósitos, nas suas diversas versões, que se sucederam ao longo do ano e ainda não terminaram.

O terceiro facto nacional mais mencionado - com quatro votos - foi o sucesso da geringonça, contrariando muitos prognósticos.

Houve ainda referências ao aumento do turismo em Portugal (dois votos), ao processo de "reversões e crescimento" capitaneado pelo Governo, à generalização da oferta da Uber em Lisboa e ao facto de a Câmara Municipal de Mafra ter enterrado a antiga polémica com José Saramago, falecido em 2010.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

Figura internacional de 2016

por Pedro Correia, em 05.01.17

                  

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DONALD TRUMP 

O magnata novaiorquino surpreendeu tudo e todos. Contrariou sondagens e as sofisticadas análises dos comentadores políticos - não só nos Estados Unidos mas também em Portugal, onde chegou a haver gente a escrever e publicar peças jornalísticas considerando-o antecipadamente derrotado na corrida eleitoral para a sucessão de Barack Obama como inquilino da Casa Branca.

À partida, de facto, quase ninguém dava nada por ele: anteviam-no apenas como animador da campanha com a sua atitude nada diplomática, digna de elefante em loja de porcelanas. Mas Donald Trump foi derrubando sucessivas barreiras, desde logo nas primárias republicanas, em que enfrentou grande parte do establishment do seu partido, incluindo os ex-presidentes George Bush e George W. Bush e os antigos candidatos presidenciais John McCain e Mitt Romney: todos se demarcaram dele desde o primeiro instante.

Apesar disso - ou por causa disso - acabou por emergir vitorioso nas primárias, derrotando antagonistas que comprovaram ser tigres de papel, como Jeb Bush, Marco Rubio e Ted Cruz. Com uma mensagem linear e populista, e uma utilização maciça das redes sociais, centrou o seu discurso contra a oligarquia de Washington, a imigração ilegal e o terrorismo, apelando ao proteccionismo económico e ao apaziguamento com Moscovo.

Linhas discursivas que repetiu na contenda com Hillary Clinton, sua adversária do Partido Democrata, que viria a derrotar nas urnas em Novembro. Conquistando maioria no colégio eleitoral, graças às peculiares regras vigentes nos Estados Unidos, embora tivesse menos cerca de três milhões de votos do que Hillary no voto popular.

Vai tomar posse já no próximo dia 20, entre vaticínios generalizados de uma presidência desastrosa. Paradoxalmente, este é talvez o único ponto que à partida o favorece: as expectativas iniciais para o seu mandato serem tão baixas.

Na votação do DELITO, que mobilizou 27 dos 31 autores deste blogue, o novo Presidente eleito dos EUA ganhou por maioria absoluta: teve 21 votos no escrutínio para Figura Internacional do Ano.

Os restantes seis foram distribuídos pela chanceler alemã Angela Merkel (já aqui vencedora em 2010, 2011 e 2015), com três votos, o Presidente russo Vladimir Putin, o Presidente filipino Rodrigo Duterte e o cantautor Bob Dylan, controverso galardoado com o Nobel da Literatura.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

 

Figura nacional de 2016

por Pedro Correia, em 04.01.17

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ANTÓNIO GUTERRES

Nunca um político português atingiu um posto tão relevante a nível internacional: António Guterres superou as exigentes provas a que foi submetido e foi eleito secretário-geral da ONU em Dezembro, tendo prestado juramento mesmo à beira do fim do ano.

É a consagração máxima na carreira do ex-secretário-geral do Partido Socialista, que exerceu as funções de primeiro-ministro entre 1995 e 2002, e desde então só regressou ao palco da política portuguesa por breves meses, quando Marcelo Rebelo de Sousa o convidou para conselheiro de Estado.

Ironias do destino: há dois anos era ele o nome mais falado para representar o PS na corrida presidencial. Afinal quem chegou a Belém foi o seu amigo e adversário político Marcelo, enquanto ele rumou a Nova Iorque. Para ascender a secretário-geral da ONU muito contou o seu bom desempenho anterior como alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Guterres foi eleito Figura Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO num dos nossos escrutínios mais concorridos de sempre, que contou com a participação de 27 dos 31 autores deste blogue. Como já sucedeu noutros anos, cada um de nós poderia votar em mais de uma figura ou mais de um facto.

Mesmo sendo só notícia no último trimestre de 2016, o novo dirigente máximo da ONU destacou-se como favorito nas nossas escolhas: recebeu 15 votos, relegando para um distante segundo posto Marcelo Rebelo de SousaEleito Presidente da República logo à primeira volta, a 24 de Janeiro, empossado em 9 de Março como inquilino de Belém e figura em foco durante o ano em Portugal, Marcelo só obteve sete votos.

Ainda mais distantes, ficaram duas figuras do futebol: o seleccionador nacional Fernando Santos, que entre 10 de Junho e 10 de Julho conduziu a equipa das quinas à conquista do Campeonato Europa, a maior proeza de sempre do futebol português, e o jogador Éder, que marcou o golo decisivo do nosso triunfo na final disputada em Paris frente à selecção francesa. Ambos receberam dois votos.

Cristiano Ronaldo – que também se sagrou campeão em França e recebeu a quarta Bola de Ouro da sua carreira – recebeu um voto solitário. Tal como a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

Figura nacional de 2015: António Costa

 


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