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Delito de Opinião

Manifesto eleitoral de uma votante PSD

Cristina Torrão, 20.01.26

Não é segredo para ninguém que Ventura persegue um único objectivo: ser o líder da "direita" em Portugal. Para isso, ele tem de destruir o PSD!

Ao contrário do que muita gente (do PSD e CDS) diz, tentando justificar o seu voto em Ventura, António José Seguro será muito melhor Presidente para Luís Montenegro. Seguro é uma pessoa democrática, moderada e cumprirá a nossa Constituição, em qualquer circunstância.

Tal como Trump (o seu grande modelo inspirador), Ventura não respeita leis, nem regras. Como Presidente, tudo fará para destruir o governo de Montenegro, a fim de surgir, depois, como o "grande líder", apresentando o seu partido como a única alternativa para pessoas que não se reconheçam nos partidos da esquerda.

A campanha de Ventura, para esta 2ª volta, vai ser suja, falsa, sem escrúpulos. A propaganda chegana já começou, com a divulgação de um texto, supostamente de autoria de Miguel Esteves Cardoso, de apoio a Ventura. Um texto falso! E isto é só o começo.

Como o Sérgio de Almeida Correia já aqui disse, Luís Montenegro comete um grande erro, ao não aconselhar o voto em Seguro. Montenegro devia preocupar-se mais com a franja do eleitorado que oscila entre o PSD e o PS, do que piscar o olho aos radicais. Ele devia dizer claramente que Seguro dá mais garantias de cumprir a Constituição e salvaguardar a democracia. Montenegro devia, acima de tudo, demarcar-se de qualquer forma de extremismo.

Estou com eles:

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Imagens Observador/Instagram

Sérgio de Almeida Correia referiu ainda Rui Moreira, Carlos Carreiras, José Eduardo Martins, António Capucho e Pacheco Pereira terem revelado o seu apoio a Seguro.

Não votei na 1ª volta. Aliás, nunca votei nas presidenciais, desde que estas ficaram acessíveis aos emigrantes. Mas, no dia 8 de Fevereiro, vou fazer 100km (ida e volta) para votar no Consulado de Hamburgo!

Contra a "trumpização" de Portugal!

Pela democracia!

Por um PSD com futuro!

Nada de ilusões, o povo é sereno

Sérgio de Almeida Correia, 19.01.26

António José Seguro(créditos: José Coelho/LUSA)

Está consumada a 1.ª volta das eleições presidenciais de 2026. As conclusões serão sempre provisórias e susceptíveis de serem desmentidas entre o próximo dia 8/2/2026, quando se realizar a 2.ª volta, e os meses que se seguem até à votação do próximo Orçamento de Estado. Apesar disso, há dados que de tão evidentes me parecem incontornáveis, e são estes que aqui quero trazer-vos em relação aos candidatos.

António José Seguro: não precisou de grandes voos, de tiradas gongóricas, de virar a casaca ou de prometer o impossível, como se fosse um candidato a primeiro-ministro. Venceu este turno de forma categórica. O resultado, sendo confirmado de forma ainda mais estrondosa em 8 de Fevereiro, ajudará a enterrar o que restava do nunismo, do costismo e as eventuais pretensões de Mariana Vieira da Silva ou Alexandra Leitão. Reforça a irrelevância de tipos como Augusto Santos Silva, Carlos César ou Francisco Assis(*) no panorama nacional. A liderança de José Luís Carneiro mostrou que fazia bem em apoiá-lo e ganhou um fôlego acrescido para os próximos meses. O campo do socialismo democrático é hoje dominado, e bem, pelos patinhos feios do partido. Depois de ignorado, insultado e ostracizado pelos caciques que enterraram o PS, que lhe fizeram a folha quando foi secretário-geral e deixaram o partido com uns vergonhosos 22,83% nas Legislativas de 2025, António José Seguro mostra que a discrição, a paciência e a moderação podem ser recompensadoras num país cuja democracia, apesar de Abril, ainda vive no passado acomodado, venerado e temente que herdou da Primeira República e interiorizou durante as mais de quatro décadas do antigo regime. Por agora recebeu sozinho, com o campo do socialismo democrático disperso,  mais 312 mil votos do que o PS obtivera nas últimas legislativas. Parte revigorado para conseguir um bom resultado na segunda volta. E como veremos num outro post, pode estar a caminho um terramoto político.

André Ventura: conseguiu o seu grande objectivo de passar à segunda volta, mas o resultado é muito enganador. Para quem se quer reclamar o líder da direita, melhor seria dizer da extrema-direita, Ventura perdeu – não foi o Chega que perdeu – em relação às eleições de 2025, em que o partido conseguiu eleger 60 deputados, mais de 111 mil votos. Do 1.437.881 votos, Ventura só conseguiu recolher 1 326 644 votos. É preciso dizer isto. Para onde foram os outros votos? Por que razão não cresceu agora? Ele irá dizer que venceu, que o resultado foi magnífico, fazendo uma leitura à maneira do PCP, mas para quem quer ser Presidente da República e se reclama líder da oposição, se este é um bom resultado, imaginem o que seria mau. E uma coisa é certa: apesar disso Ventura irá à 2.ª volta com mérito. Ele não pode ser responsabilizado pela falta de visão e mediocridade da liderança do PSD e do seu acólitos fantasmas do CDS-PP.

Cotrim de Figueiredo: é inequívoco, não obstante alguns factos extra-eleições surgidos nos últimos dias, que conseguiu um bom resultado face àqueles que têm sido os números habituais do Iniciativa Liberal, alargando a área potencial de votação do seu campo político em quase 600 mil votos. Os resultados são lisonjeiros, o eleitorado foi amigo. Parece evidente que poderia ter chegado mais longe, mas os erros que cometeu foram suficientemente graves para não lhe recomendarem uma passagem à 2.ª volta. E obviamente que um candidato tem de valer por si. Não pode dizer a três dias das eleições que não sabe o que lhe passou pela cabeça, ou estar a mendigar o apoio de terceiros, até porque, como se viu pelo resultado de Marques Mendes, Luís Montenegro e o PSD não eram garantia de coisa alguma e tais apoios só serviriam para afastar alguns dos eleitores que votaram nele. Tem agora todo o tempo do mundo para se dedicar à defesa das acusações de Inês Bichão. E pensar no rol de asneiras que disse.

Gouveia e Melo: o almirante, rodeado de uma pandilha de comensais, rouxinóis e apoiantes onde cabiam todos e mais alguns, nunca chegou a perceber o que é uma eleição presidencial numa democracia. Dando mostras de uma grande indigência política, sem qualquer estaleca para o papel que gostaria que lhe fosse atribuído, com um muito deficiente conhecimento dos poderes presidenciais, pensou que o seu papel em Belém seria o do comandante de um navio com gestão participada. O resultado só poderia ser o naufrágio que se viu. Tirando Portalegre, Beja e Castelo Branco, onde conseguiu ficar em terceiro lugar, nos restantes distritos os resultados foram sofríveis. Da sua aventura fica o registo, digno e sempre relevante numa sociedade cada vez mais alheada da política, da sua disponibilidade para a participação, do seu empenho na cidadania e no seu serviço desinteressado à causa pública. Antes e depois. E também a forma como contribuiu para escaqueirar a candidatura de Marques Mendes. Meteu dó.

Marques Mendes: conseguiu um resultado à sua altura. Refiro-me, evidentemente, à sua altura política. Que nunca teve. Foi o último do pelotão da frente. O primeiro dos últimos. Daqui para a frente não valerá a pena voltar a querer colocar-se em bicos de pés. Como dirigente político e comentador já tinha mostrado que lhe faltavam cerviz e atributos de liderança. Agora ficou liquidado até para a segunda função. A falta de credibilidade é total. Como candidato a presidente, com o apoio do maior partido e do primeiro-ministro em funções, que se empenhou pessoalmente na campanha eleitoral, e de Cavaco Silva, que resolveu sair do seu sarcófago algarvio para dar uma “ajuda”, vale pouco mais de 11%. Nota alta para o modo como assumiu sozinho uma derrota que por muito que o quisesse enfatizar não é, nunca será, apenas dele. O resultado será sempre indissociável do crânio de Espinho e dos seus inenarráveis ajudantes, Hugo Soares e Leitão Amaro. Que aproveite a reforma para estar em paz com a família e os amigos.

Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto podiam ter feito a diferença nesta 1.ª volta. Não fizeram. Se o último mostrou ser um quadro sério, honesto e relativamente bem preparado, cometendo um erro colossal ao predispor-se sair da contenda a meio da campanha eleitoral para depois a levar até ao fim e ir a votos, no que revelou muita ingenuidade e falta de maturidade política, os outros resolveram carregar nas teclas de sempre e passearem a sua irrelevância política e desfasamento da realidade social e eleitoral. No caso dela, o cansaço de que há anos dá mostras e a errada leitura que no seu partido continuam a fazer do país real só serviram para confirmar o óbito do Bloco de Esquerda, fazendo descer os cerca de 125 mil votos do seu partido em Março de 2025 para uns meros 116.303 votos. Ontem mesmo percebeu que ao BE não resta outra alternativa que não seja apoiar António José Seguro. Quanto a António José Filipe é difícil que alguma vez a sua honradez e convicções possam libertar-se da miopia política e do agrilhoamento à pesada herança estalinista. O PCP e os seus candidatos são hoje os fantasmas do regime.  Os 92 mil votos de António Filipe representam metade dos votos conseguidos pelo PCP em 2025. Os simpatizantes foram-se embora, ficou reduzido aos votos de alguns militantes e dos seus filhos que ainda não rumaram para outros sóis.

Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia: o primeiro assumiu na perfeição o seu papel de bobo nestas eleições. O apoio que obteve nas urnas, com mais de 60 mil votos, é sinal de que uma parte do eleitorado se revê nesta figura grotesca que prometia vinho canalizado e um Ferrari para cada português. Com a sua candidatura ridicularizou o regime. Ele, mas também Humberto Correia que conseguiu o feito de obter nas urnas menos votos do que as assinaturas que recolheu, mostrando como a legislação que rege as candidaturas está esclerosada e não serve a democracia nem os portugueses. Uma eleição para o primeiro representante da República, único eleito por sufrágio universal, directo e presencial, não pode ser um concurso de feira para palhaços. Quanto ao candidato contentinho André Pestana foi mais um que não percebeu para que serve uma eleição presidencial, o que não deixa de ser grave num professor e sindicalista.

Abstenção, votos brancos e votos nulos: a abstenção ainda assim foi significativa. Votou mais gente, o universo era superior, mas a percentagem de participação foi de apenas 52,35%. Seria bom que melhorasse na 2.ª volta, mas duvido face à posição de indiferença já assumida por Montenegro (voltarei a esta noutro post). Os nulos e os brancos também foram inferiores por comparação com as legislativas de 2025, apesar dos boletins de votos virem com nomes de candidatos que não podiam lá estar. Vamos ver como correrão as coisas na 2.ª volta.

 

(*) Alguns amigos chamaram-me a atenção para o apoio de Assis à candidatura de Seguro. É verdade, fê-lo desde o início, embora não me esqueça que em 2011 concorreu contra este nas eleições para secretário-geral. Aceitou de imediato a derrota, é certo, mas muita coisa poderia ter sido diferente.

Seguro: a vingança serve-se fria

Pedro Correia, 15.01.26

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Aconteça o que acontecer a partir de agora, António José Seguro tem motivos para se alegrar nesta campanha presidencial que se aproxima do fim. Todos aqueles que no PS andaram anos a denegri-lo levaram um duche gelado ao verem-no como candidato a Belém. Suspiravam por alternativas que nunca se concretizaram: o Dom Sebastião canhoto não se dignou vir em socorro dos aflitos.

Este mesmo Seguro que o ex-secretário-geral Pedro Nuno Santos atirou para a praça pública em Outubro de 2024 não a sério mas com intuitos irónicos, embrulhado entre vários outros nomes. Também isto - como quase tudo - lhe saiu ao contrário. O feitiço virou-se contra o feiticeiro: o "neto de sapateiro" acabou enfim, há escassos dias, por anunciar que irá votar nele, com adjectivos do mais fino quilate. Num cortejo de serôdios apoiantes do candidato que inclui Fernando Medina, Ana Catarina Mendes, Carlos César e Ferro Rodrigues, entre outros.

Até o inenarrável Augusto Santos Silva, que nunca se coibiu de zurzir o antigo secretário-geral do partido, se verga agora ao peso da conveniência política, revelando que votou em Seguro por antecipação no passado domingo por ter concluído ser «aquele que mais se aproxima dos requisitos mínimos» para assumir a chefia do Estado.

Virou por completo a casaca: em Janeiro de 2025 dizia exactamente o contrário. Com a arrogância dos pseudo-iluminados, imaginando que a nação lhe bebia as palavras, concluiu em voz alta que Seguro «não [cumpria] os requisitos mínimos»

Nem agora parou de destilar veneno: mais valia ter ficado em silêncio. Tal como alguns palradores da pantalha que, em sintonia com Silva, foram disparando farpas ao candidato presidencial socialista, sem lhe reconhecerem pedigree de esquerda. Lá terão também eles (e elas) de enfiar a viola no saco, ensaiando novas piruetas verbais para fingirem que nunca afirmaram o que realmente disseram.

A vingança é um prato que se come frio. Seguro não será pessoa vingativa, mas certamente vai sorrindo. Seja qual for o veredicto que sair das urnas, a vitória sobre os detractores internos já não lhe escapa.

Nem um

Pedro Correia, 10.12.25

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Se há candidato presidencial marcado pela solidão, é António José Seguro. Dos seis outros ex-secretários-gerais do PS ainda vivos e com saúde, nenhum lhe manifestou apoio até agora. Nem Vítor Constâncio, nem António Guterres, nem Ferro Rodrigues, nem José Sócrates, nem António Costa, nem Pedro Nuno Santos. O "animal feroz", aliás, já expressou a intenção de votar no Almirante.

Mas a solidão não é só dele. É também do actual líder do PS. José Luís Carneiro, após quatro longos meses de reflexão, manifestou enfim apoio ao homem que dirigiu o partido da mãozinha durante os três anos que separaram os consulados de Sócrates e de Costa. Mas esse apoio está longe de ser unânime na cúpula socialista. Basta lembrar que a Comissão Política Nacional inclui Manuel Pizarro, destacado apoiante de Gouveia e Melo. E a deputada Isabel Moreira já disse que prefere votar na bloquista Catarina Martins, enquanto paira um silêncio ensurdecedor sobre as opções de voto de figuras como Marta Temido, Augusto Santos Silva ou Mariana Vieira da Silva. 

Daí compreender-se muito bem o ar triste que Seguro tem exibido nos debates televisivos. É caso para isso.

Treinador de bancada que não passa disso

Pedro Correia, 25.06.25

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Augusto Santos Silva, em recente entrevista à SIC Notícias, exibiu o seu maior desdém pelas candidaturas à Presidência da República já anunciadas. Em particular a de António José Seguro, antigo secretário-geral do PS.

Seguro, em vez de se refugiar em profundos cálculos afundado no sofá, como António Vitorino, ou fazer de conta que avança sem nunca dar um passo em frente, como vários outros socialistas, apresentou-se como candidato a Belém numa concorrida sessão pública nas Caldas da Rainha - cidade onde reside - em que faltaram lugares sentados para tantos que lá compareceram para lhe manifestar apoio.

 

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Vale a pena recapitular algumas frases que pronunciou nesta sessão, a 15 de Junho:

 

«Não preciso de aprender no cargo: chego preparado.»

«O País precisa de um Presidente que seja referência moral e não ruído mediático.»

«Agirei como Presidente que escuta antes de falar.»

«Precisamos de governos de projecto e não de governos de turno.»

«Governos a prazo conduzem Portugal a prazo.»

«Só a criação de riqueza pode trazer progresso, melhores salários e melhores pensões.»

«Consultarei o Conselho de Estado mas não me dispensarei de escutar o conselho do povo.»

«Não saio do meu conforto para fazer mais do mesmo: venho para mudar. Se fosse para ser mais do mesmo, haveria outros melhores do que eu.»

«Liderei [como deputado] a reforma que permitiu ao Parlamento exercer verdadeiro controlo político sobre os governos, designadamente com a realização de debates quinzenais com a presença do primeiro-ministro.»

«Sozinho, no plenário da Assembleia da República, levantei-me para votar contra a lei de financiamento dos partidos políticos que reduziu o controlo da entrada de dinheiro.»

«Quero ser um Presidente da República respeitado pelo exemplo.»

 

Questiono-me quais destas declarações terão provocado um esgar de repulsa a Santos Silva, levando-o a debitar a seguinte frase quase bombástica na mais recente das suas entrevistas: «Nenhum dos três candidatos que estão no terreno cumpre os requisitos mínimos que um Presidente da República de um país como Portugal deve ter.»

Notem bem: requisitos mínimos. Visando, em particular, o seu camarada de partido. Que, ao contrário dele, não fez parte do séquito de José Sócrates.

Caso para perguntar porque espera então o enfastiado Augusto para deixar de ser treinador de bancada e apresentar-se enfim a jogo. Noção de que é incapaz de mobilizar apoios ou simples receio de ir a votos?

Os ataques dos ministros de António Costa a António José Seguro.

Luís Menezes Leitão, 09.06.25

Não há nada que mais me divirta do que assistir a antigos ministros de António Costa a atacar a candidatura presidencial de António José Seguro, precisamente o único socialista que até agora teve a coragem de assumir uma candidatura. Isto depois de os governos em que participaram terem conduzido o PS e o país ao abismo em apenas oito anos, enquanto que o seu líder partiu alegremente para um exílio dourado em Bruxelas, o que não o impede de querer condicionar por interpostas pessoas as escolhas do seu partido. É assim que primeiro surge Mariana Vieira da Silva a dizer que há dez anos que não se conhece uma ideia a António José Seguro. Depois vem o seu pai, José Vieira da Silva, a dizer que António José Seguro não tem o perfil desejável para ser apoiado pelo PS. Dá gosto ver uma tão grande convergências de posições entre pai e filha, apesar da diferença de gerações, o que talvez se possa explicar pelo facto de terem estado os dois ao mesmo tempo nos governos de António Costa, situação que causou perplexidade até no Parlamento Europeu. O que cabe perguntar é porque é que nenhum dos dois se candidata à presidência da república ou até a líder do partido, em vez de se manterem como treinadores de bancada. Enquanto o PS continuar neste estado não vai longe.

A candidatura de António José Seguro.

Luís Menezes Leitão, 04.06.25
Sempre achei que António José Seguro era uma das pessoas mais injustiçadas da política portuguesa. Pegou no PS depois de José Sócrates ter deixado em cacos esse partido, bem como ao próprio país, e foi fazendo o seu caminho, com uma oposição responsável ao governo de Passos Coelho, que levou o PS a ganhar as eleições europeias.

 

Foi, porém, logo a seguir injustamente derrubado numa conspiração liderada pela dupla Sócrates-Costa, com o objectivo de colocar Sócrates em Belém e Costa em São Bento. Erradamente Seguro aceitou o desafio de convocar umas primárias, que se revelaram terreno minado para ele, conduzindo Costa à liderança do partido. Mas, quando Costa se preparava para anunciar o apoio a José Sócrates, este foi detido, e Costa imediatamente o abandonou. Costa acabaria por perder as eleições, mas isso não o impediu de formar governo com o apoio da extrema-esquerda, para o que transformou o próprio PS num partido de extrema-esquerda. Costa, apesar de ter ganho a seguir duas eleições, graças à inépcia da oposição de Rui Rio, acabaria por se mudar para um exílio dourado em Bruxelas, com o apoio de Montenegro, mais uma vez deixando o PS em cacos.

 

Por isso, a única atitude correcta que o novo PS de José Luís Carneiro pode adoptar é manifestar apoio a António José Seguro, corrigindo a injustiça histórica que lhe foi praticada. Se quiser apostar antes em figuras ligadas aos tempos de Sócrates e de Costa, como Augusto Santos Silva, ou em líricos como Sampaio da Nóvoa, arrisca-se a ter o mesmo destino do Bloco de Esquerda.

O regresso de Seguro

Pedro Correia, 22.11.24

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António José Seguro regressou ontem ao palco mediático em longa entrevista à TVI-CNNP que pôs fim ao silêncio de uma década marcada pela sua ausência da vida pública. Entretanto dedicou-se ao ensino universitário e à vida empresarial num empreendimento agrícola da região Oeste. O afastamento fez-lhe bem: vincou nele as virtudes da moderação, do consenso, da abertura ao diálogo. Em evidente contraciclo com o crescente radicalismo da política portuguesa.

O PS parece ter encontrado o seu candidato presidencial. É mais forte do que possa parecer a alguma gente que se foi viciando em posições extremistas. Alarga o espaço do partido e desliga-o do pior da sua herança: os anos Sócrates.

Convém não esquecer que Seguro foi um dos raros socialistas que nunca prestaram vassalagem ao "animal feroz". Sabendo-se o que hoje sabemos, isto favorece-o mais que nunca. 

De volta

Pedro Correia, 03.07.23

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António José Seguro regressa, após longo interregno. E a dizer coisas acertadas. Como estas: «Não basta batermos no peito para dizer que somos desta ou daquela ideologia. É importante que a prática esteja de acordo com os valores e princípios dessa ideologia e, sobretudo, com os resultados.» Palavras que podem ter vários destinatários. Entre eles, António Costa.

Em Maio, Seguro já tinha avisado: tenciona voltar aos palcos políticos. As dúvidas dissiparam-se: vai mesmo andar por aí.

É um nome a ter em conta na próxima campanha presidencial.

Voto de silêncio com prazo de validade

António José Seguro

Pedro Correia, 28.05.21

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Despediu-se dos jornalistas com um «até breve» e entrou no carro: foi quanto bastou para enervar alguns companheiros de partido. Apesar de se manter há quase sete anos em silêncio, cumprindo o que prometeu ao perder a eleição interna no PS contra António Costa.

O palco escolhido por António José Martins Seguro, de 59 anos, para este regresso aos noticiários fez pleno sentido: surgiu como discípulo e herdeiro político de António Guterres, de quem foi ministro-adjunto no tempo em que os socialistas venciam eleições por toda a Europa – Tony Blair no Reino Unido, Lionel Jospin em França, Gerhard Schroeder na Alemanha – e governavam ao centro.

Na apresentação de uma biografia do actual secretário-geral da ONU, há quatro dias, Seguro fez o elogio de Guterres: «Nunca procurou a vitória pela vitória. Procurou a solução para o problema, compreendendo a posição do outro.» Qualquer comparação com os dias de hoje na política portuguesa não será coincidência.

António José Seguro liderou o PS durante três anos, quando mais ninguém se dispôs a fazê-lo. Era o tempo em que António Costa assobiava para o lado alegando não poder ser autarca em Lisboa e secretário-geral no Rato. Três penosos anos devido ao estado de emergência financeira no país. Um período muito difícil para o PS enquanto partido da oposição num quadro político dominado pelo memorando imposto pela Comissão Europeia e subscrito pelos socialistas, ainda com José Sócrates no poder. Três anos em que, mesmo assim, o PS registou três vitórias eleitorais – nas regionais açorianas, nas autárquicas e nas europeias.

Num duro debate com Costa, quando enfim se enfrentaram naquele quente mês de Setembro de 2014, Seguro fez-lhe a pergunta crucial: «Porque é que não te candidataste há três anos?»

Ficou sem resposta. Mas qualquer um a conhecia: Sócrates deixara uma pesada herança. No Verão de 2011, os socialistas acabavam de sofrer uma traumática derrota nas legislativas e apenas valiam 18% nas intenções de voto.

Seguro, que nunca integrou o séquito de Sócrates, inverteu esta tendência. E legou ao partido o mais exemplar processo de democracia registado numa força política portuguesa, contra o aparelhismo dominante. Naquela eleição interna participaram 150 mil pessoas – não só militantes mas também simpatizantes. Outro teria arregimentado um sindicato de votos para se perpetuar no poder. Ele preferiu ir a jogo com regras transparentes. Perdeu para Costa. Mas ganhou perdendo.

Não fez sombra ao sucessor: renunciou de imediato ao lugar de deputado, saiu do Conselho de Estado, leccionou na universidade e publicou a tese de mestrado em livro, intitulado A Reforma do Parlamento Português. Reapareceu para deixar um sério alerta contra os extremismos: «É fundamental ter comportamentos éticos que sirvam de exemplo ao conjunto da sociedade, haver rigor na gestão dos dinheiros públicos e responder aos problemas concretos das pessoas.»

Deixando aquele “até breve” no ar. Cada um interprete como quiser.

 

Texto publicado no semanário Novo

O regresso do corredor de fundo

Pedro Correia, 12.03.16

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Foto Manuel de Almeida/Lusa

 

António José Seguro fez ontem anos. Mas recebeu a prenda de aniversário na véspera, com uma enchente na sessão de apresentação do seu livro que ultrapassou certamente as melhores expectativas, tanto do autor como dos responsáveis da sua editora, a Quetzal.

Cheguei à Universidade Autonoma à hora assinalada, 18.30. Já não consegui entrar no duplo auditório, cheio até à porta. Outro auditório, em que foi instalado um plasma destinado a acompanhar a sessão, encheu também. E o corredor e vestíbulo anexos transbordavam de gente à procura do livro e de uma oportunidade para rever o ex-líder socialista.

Muitos não conseguiram. À hora aprazada os exemplares postos à disposição do público pela editora já se tinham esgotado. Veio outra remessa, que voou igualmente em poucos minutos. E teve de vir uma terceira para muitos enfim adquirirem a obra, aguardando um autógrafo.

Bem à portuguesa, não tardaram as piadas. "Ao menos este livro tem compradores reais, ao contrário do que sucedeu com outro", dizia alguém, logo suscitando gargalhadas em redor. O ambiente era de confraternização e bonomia. "Isto vale mais do que uma sondagem", anotava um ex-deputado socialista.

 

Não havia apenas gente do PS. Apareceram o ex-Presidente da República António Ramalho Eanes, apontado por Seguro como figura exemplar da democracia portuguesa. E sociais-democratas como Pedro Santana Lopes, Aguiar-Branco, José Matos Correia, Duarte Pacheco. E democratas-cristãos como Mota Soares, Diogo Feio, Nuno Magalhães. Comunistas no activo, como António Filipe, que tive o prazer de cumprimentar. E ex-comunistas, como Cipriano Justo. E Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda. Além de vários independentes, como António Bagão Félix, Luís Moita, Henrique Monteiro, João Bilhim e Viriato Soromenho-Marques, um dos apresentadores do livro.

Mas, claro, a grande maioria dos presentes vinha das fileiras socialistas - políticos no activo ou antigos deputados e ex-dirigentes federativos: não via muitos deles há anos, falei com vários como se nos tivéssemos encontrado de véspera. Francisco Assis, Jorge Coelho, Alberto Martins, Álvaro Beleza, Carlos Zorrinho, José Magalhães, Manuel Machado, Vítor Baptista, António Braga, Ricardo Gonçalves, Fernando Jesus, Jamila Madeira, António Galamba, Óscar Gaspar, Manuel dos Santos. Ferro Rodrigues não faltou. Do Governo estavam os ministros João Soares e Manuel Caldeira Cabral, e os secretários de Estado José Luís Carneiro e Jorge Seguro.

Revi amigos de longa data, como o Aloísio Fonseca e o Carlos Pires. E cumprimentei também com gosto o Luís Bernardo, um dos maiores experts portugueses em comunicação: raras pessoas conhecem tão bem o PS por dentro como ele.

 

Entre a multidão nem consegui falar ao editor. Mas o meu amigo Francisco José Viegas só podia estar satisfeito. Vou a muitas sessões de lançamento de livros e garanto-vos que não é vulgar haver uma atmosfera como esta - em número e diversidade de pessoas, e em genuíno interesse pela obra, que condensa o essencial da tese de mestrado do ex-secretário-geral socialista na Autónoma, sob o título A Reforma do Parlamento Português.

Seguro mereceu esta prenda de aniversário antecipada: corredor de fundo em vez de velocista, é um dos políticos com mais qualidades humanas que conheço. O abraço que por falta de tempo não pude dar-lhe nesse início de noite de quinta-feira segue agora aqui.