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Delito de Opinião

Um pairador que aterra

José Meireles Graça, 19.12.20

António Barreto é personagem com ampla audiência na direita: tem um passado ilustre como um dos coveiros do PREC, é um homem seriíssimo (coisa que não deveria ser digna de nota, mas é), e expõe com severidade, há muito, os podres do regime.

Outros o fazem e fizeram. Mas não são geralmente originários das coudelarias do PS e por isso carecem da natural audiência que têm os dissidentes. E isso explica uma parte das razões porque são lidos até ao fim, espera-se, os artigos que regularmente expele. Digo até ao fim porque Barreto não tem, como tinha o seu amigo Vasco Pulido Valente, o dom de dizer muito com pouco; e ainda menos se dá ao excessivo trabalho, sequer por inferência, de dizer como se corrigiriam os males que censura. É por isso um pairador e foi por isso que há anos lhe dediquei um artigo, que terminava assim:

António Barreto faz parte, e é porventura o membro mais ilustre, de uma variedade de pensadores muito respeitada, que são os que pairam. Desprezam os actores políticos, fugindo como da peste de manifestar preferências; quando se dizem de direita não cessam de a criticar, ao mesmo tempo que dizem coisas compreensivas e simpáticas para a esquerda; e quando se dizem de esquerda guardam para ela uma compreensível tolerância, não se esquecendo nunca de malhar na direita. São com frequência professores universitários, acham que essa condição lhes dá uma lucidez que escasseia ao comum dos cidadãos, leram quatro livros e planeiam, nas próximas férias, ler cinco. E nunca se dão ao excessivo trabalho de dizer como se faz. Gente céptica como eu é bem capaz de ir ao ponto de pensar que não dizem porque não sabem.

Comentário venenoso e retoricamente exagerado, já se vê, mas desculpável porque nessa altura dizia que, se Barreto fosse candidato à Presidência, teria o meu voto. E injusto também porque AB vem, finalmente, declarar alguma coisa de sólido: apoia o candidato Marcelo.

Apoia porquê? Ora, porque “aproximou-se dos adversários e distanciou-se dos seus, gesto em que muitos vêem o princípio da traição, mas que é a maior dificuldade na acção de um presidente eleito: ser presidente de todos”.

Extraordinário raciocínio: um candidato dito de direita, para ser o presidente de todos, apoia os disparates da esquerda, forma absolutamente garantida de todos representar condignamente: os de direita porque vêem um dos seus a apoiar a esquerda, os desta porque têm uma autoestrada para o asneirol sem empecilhos.

Só por isto? Que nada. Também porque “fez-se sentir útil e necessário. O governo precisou dele. O Partido Socialista também. E o primeiro-ministro António Costa nem se fala”.

Fantástico: O país, no consulado de Costa, perdeu vários lugares no ranking das nações do rendimento por cabeça, o endividamento atingiu níveis sem precedentes, a bonança do turismo e o pornográfico abrir de pernas do BCE, tudo foi desperdiçado num deserto de reformas e numa escandalosa colonização do aparelho de Estado por clientes do PS; a comunicação social aprofundou a sua dependência do Estado; e tudo leva a crer que o carregamento de ouro do Brasil que vem na nau “bazuca” será dissipado em fantasias hidrogénicas e corrupções sortidas. Marcelo presidiu a este desconchavo com selfies, sorrisos e palavreado oco. Tudo razões, segundo Barreto, para que o reelejamos.

“Com o Partido Socialista de António Costa, Marcelo garantiu uma espécie de bloco histórico (socialistas e sociais democratas, católicos e laicos, esquerda e direita moderadas) e permitiu uma longa duração ao mais esquerdista de todos os governos desde 1976”.

Temos então que há um bloco histórico que integra o PS, as duas pernas ancilares do tripé, uma comunista e a outra social-democrata (Marisa dixit), os católicos, excepto se não o forem, caso em que também vão no embrulho, os sociais-democratas propriamente ditos (isto é, o PSD de Rio), e a direita, desde que, atenção, “moderada” (deve ser o CDS). Ou seja, toda a esquerda, com excepção dos apoiantes dos candidatos faz-de-conta, porque não vão à segunda volta, e toda a direita, com excepção de uns maduros que ainda não perceberam o intenso patriotismo, e o futuro radioso, deste unanimismo em torno do candidato Marcelo.

No meu textinho de 2017, referido acima, queixava-me que estes mandarins da opinião nunca descem ao concreto. Mal. Quando descem, é o que se vê.

Sobre o professor Ventura

jpt, 15.11.20

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(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo; cerca dos Restauradores, Lisboa, manifestação da "restauração" contra políticas governamentais de combate ao Covid-19, 14.11.2020)

Neste fim-de-semana surgem três interessantes textos sobre o professor Ventura, deputado e candidato presidencial.

Em "Basta de Chega" António Barreto insurge-se contra a excessiva atenção, e concomitante eco propagandístico, que imprensa e opinião pública têm dado à, afinal, unideputação do partido Chega. Como muito bem diz "nada justifica tanto barulho. Nada, a não ser os defeitos dos democratas registados e dos políticos consagrados." E, se bem o entendo, deixa entender que esta abrasiva visibilidade do último deputado eleito para a legislatura vigente se deve a uma incompetência geral. Mas à sempre avisada opinião de Barreto falta-lhe - se é que me é permitido adendar algo a um intelectual deste gabarito - um factor decisivo para tamanha visibilidade. É que desde a hora exacta da sua eleição in extremis o professor Ventura foi utilizado pelo(s) movimento(s) comunitarista(s), tanto pelo também neófito (ex-)Livre como pelo já veterano BE, como factor auto-justificativo, mesmo legitimador. Pois desde as 20 e picos do dia das últimas eleições que a, inopinada para o vulgar cidadão, "luta contra o fascismo" surgiu na boca de eleitos e seus correligionários, no anunciado frenesim da luta contra aqueles 60 000 votos no comentador benfiquista, hasteada como estandarte. Depois foi só a imprensa do regime geringôncico e seus colunistas académicos sublinharem o assunto ... Na crença que "é barato e dá milhões"! Ora, e para mal dos ideológicos pecados dessa mole, por um lado (Livre) a peculiar - para não dizer mais .. - personalidade da unideputada comunitarista desbaratou os efeitos, os tais "milhões" da simpatia geringôncica; e por outro lado (BE) a crise covidocena desbaratou esses almejados "milhões", dados os custos tidos com o conúbio com o cada vez mais trôpego governo.

Em "Injectar líxiva na política", José Pacheco Pereira não deixa de ter razão. De facto, para se justificar a inclusão do nada patusco Chega no acordo parlamentar multipartidário no arquipélago adjacente, muitos propalam os imaginários ideológicos hiper-ditatoriais dos partidos comunistas portugueses, por ora conjugados com António Costa. Jpp tem razão quando diz que PCP e BE têm agora "programas activos" bem longínquos dos anseios comunistas do século passado e dos concomitantes rumos genocidas. O PCP tem uma retórica e uma alma colectiva brejnevista mas tornou-se (Lenine que lhe perdoe) um partido sindicalista, algemado aos bens distribuídos pelo capital internacional através da UE e seus agentes em São Bento. Recusando-os, aos itens do bodo, ao "modelo social europeu", veria as diluídas (e idosas, e idosas ...) "massas" fugirem para outro coito. E não podemos continuar a chamar "esquerda caviar" ao BE - eu entendo-o muito mais como "esquerda Tartex", muito mais adequado ao património sociocultural daqueles militantes - e depois considerarmos que o guevarismo retórico indicia qualquer objectivo polpotista ou enverhoxista da rapaziada. Ou seja, nenhum académico ou quadro médio-baixo militante comunitário anseia por sair do tal "modelo social europeu", quer apenas um quinhão mais para o seu sector. Ou para a sua "minoria". Sim, o conselheiro de Estado Louçã pode vir chamar "salteadora" a Merkel e afirmar que a Alemanha gosta desta pandemia pelos ganhos que perspectiva com esta desgraça toda, para minar o "espírito europeu" dos "camaradas". Mas isso será recebido pelas suas hostes tal e qual a atoarda do já moribundo Aboim Inglez a chamar "teocrata reaccionário" ao "sr. Kenzin Gyatso", quando o parlamento português se encolheu na recepção ao líder anti-colonialista Dalai Lama. Pois esses resmungos são-lhes já um folclore, uma pirraça, e vistos como tal, balbuceios de tios gerontes nos almoços de Natal antes do Covid ... Enfim, estou certo de que se deixarmos uma vara na mão comunista conheceremos o vilão. Mas de facto vão eles, comunistas mais-ou-menos comunitaristas, exasperantes que sejam, mui mansos. Coisas do euro ...  E diz bem jpp, apartando-os deste Chega. Pois o grunhismo ideológico destes agora ainda recém-chegados aos "passos perdidos" e ao quotidiano da imprensa diária é muito mais abrasivo. E terá muito mais efeitos junto da gente desaustinada. Companhias de mau porte, por assim dizer.

O terceiro texto sobre o Chega é verdadeiramente fundamental. Trata-se desta fotografia do meu querido amigo Miguel Valle de Figueiredo (ex-bloguista, primeiro no O Restaurador Olex e depois também comigo no velho ma-schamba, homem insuspeito de abismos esquerdistas ou derivas centristas). Tudo o que haverá para dizer sobre o professor Ventura e o movimento político que capitaneia está concentrado nesta imagem. Que tem tudo, mesmo tudo, para se tornar icónica.

Dez livros para comprar na Feira

Pedro Correia, 28.08.20

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Livro dois: Três Retratos - Salazar, Cunhal, Soares, de António Barreto

Edição Relógio d' Água, 2020

213 páginas

 

António Barreto destaca três figuras que deixaram marca no século XX português e justifica os motivos desta escolha em sucessivos blocos ensaísticos que nunca fogem da polémica. Os eleitos são António de Oliveira Salazar (1889-1970), Álvaro Cunhal (1913-2005) e Mário Soares (1924-2017). O primeiro, porque concentrou o poder quase absoluto durante quatro décadas consecutivas, moldando o País à sua vontade. O segundo, porque manteve o PCP durante meio século sob rígido controlo, impondo-lhe uma marca muito pessoal. O terceiro, porque rivalizou com o segundo na oposição ao salazarismo, sem destronar a hegemonia comunista neste combate mas vencendo-o no turbulento processo revolucionário pós-25 de Abril: protagonista no lançamento dos alicerces da democracia política em Portugal, foi primeiro-ministro e Presidente da República. «Estes três políticos viveram uns dos outros, porque viveram uns contra os outros.»

Não são olhares isentos nem descomprometidos. Barreto detesta Salazar e Cunhal, mantendo um indisfarçável apreço por Soares, com quem trabalhou como ministro no primeiro Governo Constitucional, e pertenceu ao núcleo central da sua campanha presidencial, em 1985.

As palavras mais agrestes estão reservadas ao antigo chefe do Governo e ao dirigente histórico comunista. Barreto, aliás, equipara-os em várias características: «Invulgarmente inteligentes, parece que detestavam os medíocres, mas estes foram-lhes indispensáveis. (…) O essencial, para ambos, era o seu próprio poder.» Mas nem Soares escapa ao crivo crítico do autor. No último capítulo, reservado ao fundador do PS, elege-o como herói da contra-revolução vitoriosa em 1976, mas critica-o na descolonização com a sua escrita acutilante que nunca perde elegância formal: «Queria simplesmente ver-se livre de África.» Em 1974 e 1975, sublinha, «os portugueses não negociaram coisa nenhuma, cederam, assinaram e vieram embora». Soares, ministro à época, viverá mal com esta memória até ao fim. Barreto testemunhou e cá está, felizmente, para nos lembrar.

 

Sugestão 2 de 2016:

Nada, de Carmen Laforet (Cavalo de Ferro)

Sugestão 2 de 2017:

Singularidades, de A. M. Pires Cabral (Cotovia)

Sugestão 2 de 2018:

Deuses de Barro, de Agustina Bessa-Luís (Relógio d' Água)

Sugestão 2 de 2019:

A Língua Resgatada, de Elias Canetti (Cavalo de Ferro)

Um sábio

Pedro Correia, 31.07.20

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Foto: Bruno Gonçalves / Sol

 

Uma entrevista pode ser um grande momento de televisão. Aconteceu na semana passada, no primeiro canal da RTP, no programa Grande Entrevista. António Barreto - um dos genuínos senadores portugueses - pensou em voz alta, durante quase uma hora, sobre algumas das mais relevantes questões nacionais. Com a eloquência habitual e uma notável capacidade de articular ideias. Sem enrolar palavras, sem fazer vénias, sem receio de dizer aquilo que realmente pensa.

Enfim, um sábio. Em diálogo com o jornalista Vítor Gonçalves, hoje um dos melhores entrevistadores da televisão portuguesa. Alguém que está ali realmente para ouvir os entrevistados e não para se ouvir a si próprio - o que vai sendo cada vez mais raro.

Gostei tanto que partilho convosco alguns excertos desta Grande Entrevista. Recomendando, de qualquer modo, que escutem a versão integral. Vale mesmo a pena. Por ser verdadeiro serviço público.

 

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«A dimensão [deste pacote financeiro de emergência da UE para enfrentar a crise pandémica] é muito superior à do Plano Marshall americano, depois da guerra, para toda a Europa. Haver um plano de recuperação económica que ultrapassa largamente a dimensão financeira do Plano Marshall é impressionante.»

 

«Lamento imenso ouvir pessoas dizer que querem "aproveitar a crise" da doença. Para acabar com o capitalismo, para criar Deus sabe o quê, para resolver os problemas... As crises não se aproveitam: o melhor é tratar delas. Ultrapassar a crise para voltar a adquirir meios para encontrar as soluções.»

 

«Os países do Norte [da Europa] têm razão quando exigem fiscalização e supervisão [das verbas]. Primeiro, e sobretudo, porque é dinheiro deles. Depois porque é dinheiro europeu, de nós todos. E em terceiro lugar porque emprestar ou dar sem saber para que serve é quase criminoso. Dizer isto em Portugal passa quase por traição à pátria, o que não me incomoda.»

 

«Parece uma especialidade nossa: nós perdemos muito tempo com a guerra colonial, com a revolução, com a nacionalização da economia, com a reprivatização da economia. Há cerca de 20 anos que o crescimento português é praticamente nulo.»

 

«Quase todos os países da Europa Central e Oriental que entraram depois de nós [na UE] souberam fazer mais rapidamente as reformas, souberam [criar] economias mais competitivas, souberam encontrar soluções adequadas e não ficaram eufóricos com a adesão. Portugal perdeu muito tempo, muito tempo, muito tempo.»

 

«Precisamos de quantidades enormes de capital de investimento, sobretudo privado. E de investimento produtivo novo, não é chegar cá e comprar o que já existe. É preciso fazer novas empresas, novos produtos, novas indústrias, novos edifícios... Mas precisamos de quantidades colossais. Se só tivermos este balão de oxigénio [da UE], não chega. Daqui a dez anos vamos encontrar a mesma vulnerabilidade, o mesmo tempo perdido.»

 

«[O caso BES] é um dos maiores crimes cometidos na história de Portugal, se tudo aquilo for provado. Crime de roubo, crime de desvio, crime de esbulho do País, das classes sociais que trabalham, esbulho do Estado, utilização intensiva de todos os meios de corrupção, de compra, de venda... Não há na história portuguesa nada que se pareça com isto... Eles contribuíram para dar cabo de Portugal.»

 

«Não devemos esquecer o que se passou nesses dez anos: o ciclo Sócrates mais as crises financeiras, mais a bancarrota (nós ficámos a dias da bancarrota), mais a austeridade, mais toda a questão dos fogos florestais, que parece de somenos mas não é. O BES, por cima disto tudo. E agora a pandemia. Este conjunto de fenómenos em dez anos é destruidor de uma geração, é destruidor do País.»

 

«Era bom conseguirmos castigar quem deve ser castigado. E há muita gente para ser castigada. Se a nossa justiça estiver à altura - e eu não sei se está - era bom castigar para dissuadir e para resolver este problema da corrupção, do nepotismo, do favoritismo e do esbulho dos recursos nacionais.»

 

«O BES foi autor, ou ajudou, ou empurrou, ou acarinhou a destruição do que havia melhor em Portugal do sistema financeiro, do sistema industrial e do tecido empresarial. Nas grandes destruições - estou a pensar na PT, por exemplo - esteve sempre o [Grupo] Espírito Santo.»

 

«Daqui a uns anos será interessante ver quem foi na conversa do Espírito Santo. Quase toda a gente: políticos, partidos, governos, empresários (pequenos, médios, grandes), quase toda a gente...»

 

«O Governo está num momento de ausência de oposição quase total, o que é péssimo. (...) Isto não faz bem nem a Portugal nem ao Governo.»

 

«O primeiro-ministro tem conseguido algumas vitórias importantes. Durar, já é uma vitória política. Tem sabido tratar com as oposições todas, tem sabido tratar com o Presidente da República, tem sabido libertar-se do pior deste Governo, que é a terrível herança Sócrates. Agora não tem nenhuma oposição séria, o que é muito mau.»

 

«Nunca vi um parlamento onde se berrasse tanto como o parlamento português. (...) Dar nobreza ao debate parlamentar era uma obrigação dos nossos políticos.»

 

«Vivi 40 anos em Portugal de concorrência institucional entre o Presidente e o Governo, aquilo que se chama - aflitivamente - o semipresidencialismo. Lembro-me dos problemas gravíssimos que houve entre todos os presidente e quase todos os governos. Estes [Marcelo e Costa] decidiram colaborar e cooperar. Aplaudo, acho bem. O País ganha com isso. Onde começa o problema? Da cooperação e da colaboração, é fácil chegar à cumplicidade. E creio que já lá chegámos. Não gosto da cumplicidade. Quero que o Presidente da República tenha recuo, altura, espaço para poder avisar, advertir, controlar, alertar, fiscalizar.»

Gostava de ter escrito isto

Pedro Correia, 02.11.19

«Aqueles que hoje, em Portugal e no mundo, lutam para culpar os homens, os brancos, os adultos, os ocidentais, os cristãos, os ricos, os heterossexuais, os democratas, os capitalistas e os militares estão evidentemente a tentar criar uma ortodoxia, uma cultura dominante e, sobretudo, a construir um "credo" que permite condenar e proibir, assim como limitar a liberdade de expressão.»

«Por que diabo hei-de perdir perdão aos escravos, aos índios, aos indianos, aos egípcios, aos judeus e aos mouros? É que, se as culpas não foram minhas, são objectivas e históricas.»

 

António Barreto, no Público (27 de Outubro)