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Delito de Opinião

Parem as máquinas!

Pedro Correia, 08.03.26

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Cada entrevista que ele concede a uma estação de TV é sempre anunciada como "exclusiva". Apesar de nenhum político ser tantas vezes entrevistado naqueles canais que vultos secundários do partido dele, nas redes ditas sociais, garantem estar "infestados" de gente de esquerda.

Mantenho o inventário actualizado: em 2026 já foram sete.

Ele pode não ganhar eleição alguma, mas no campeonato das entrevistas é vencedor absoluto. 

Todas "exclusivas".

À nora*

José Meireles Graça, 15.02.26

Num artigo neste jornal, dizia em Agosto de 2023 um prestigiado autor:

“E não conheço ninguém que no PSD ou na IL deixasse de votar nestes partidos por causa do alegado perigo de um entendimento com o partido dos fascistas. Porque um sócio minoritário que traga capital não vai definir a política da empresa – isso é o que fazem os sócios maioritários. No Chega sabem bem disso, que fazem teoricamente exigências (de pastas ministeriais, por exemplo) que sabem não poder ser cumpridas. O que quer dizer que entendem, e bem, que para continuarem a crescer o melhor é a chamada direita agir como se fosse de esquerda.”

Em Março do ano seguinte o mesmo teimoso voltava à carga:

“Só isto? Não, há mais e de índole prática: Governar é escolher e escolher é desagradar a alguns no imediato. Ou, se não for assim, desagradar à maioria a prazo. A segregação irracional do Chega deixa-o livre para acentuar a sua pulsão de cavalgar todo o descontentamento, resolver todo o imbróglio, ultrapassar toda a dificuldade a golpes de simplismo – e crescer.”

Em Maio constatava melancolicamente que o Chega, “livre de peias, tem asneirado com abundância”. E acrescentava que

“Se acordos discretos com o Chega já eram difíceis agora ficaram-no mais. De modo que de reformas (as quais, por definição, desagradam sempre a uma parte do eleitorado) estamos conversados.”

Pelo meio ficaram muitos textos por aqui e por ali que verberavam comportamentos de personagens cheganas detestáveis, que há por lá avonde, incluindo o líder, que se esforça por agradar aos indignados no tasco falando como eles. Sem porém perturbar o essencial, que é isto:

As linhas vermelhas antes das legislativas foram um claríssimo erro, e não ter feito um acordo de incidência parlamentar depois delas outro. Porque o Chega associado à governação seria um e é pouco provável que comesse por dentro a aliada AD; e por fora é outro, que vai cavalgando todos os descontentamentos, e a mediocridade dos resultados da governação, a ver se acapara o Poder.

É a esta luz que se deve ver a candidatura de Ventura à Presidência: um degrau na procissão até à ermida que fica lá no alto do monte.

Cidadão que respeite as instituições e não ache que mergulhá-las na confusão a benefício de um projecto que tem o defeito de ser contra uma quantidade de coisas que precisam de tratamento sem que se perceba o que são exactamente os medicamentos, não podia votar Ventura. E por isso, tendo excluído cada um dos outros por razões que a cada um cabiam, defendi o voto em Seguro.

Aos meus numerosos amigos que colam Seguro ao PS e à esquerda e aproveitam para associar à comandita os apoiantes oriundos da direita tenho um esclarecimento a fazer, e uma mensagem pedagógica a transmitir:

O esclarecimento: Seguro respeita a Constituição e esta, no que toca à organização do Estado (que era o que estava em jogo) não é de esquerda nem de direita, é o que temos; Ventura ameaçava destruir as mesas do Palácio de Belém com murros furibundos e as bancadas do de S. Bento aos pontapés – o país não tem nada a ganhar com mobiliário danificado.

A mensagem: Não há uma direita, há várias, e não reconheço, nem ninguém dono do seu nariz reconhece, autoridade a próceres da opinião para reclamar marcas registadas e distribuir etiquetas.

E agora? Temos um líder, Montenegro, que nem o módico de reformas que pretenderia fazer consegue levar a bom termo porque precisa ou do PS, que não é parceiro para reformar coisa alguma, ou do Chega, que para crescer não quer desagradar a nenhum grupo suficientemente numeroso de eleitores que possa sair prejudicado; um Presidente que, se puder e dentro dos limites da Constituição e das circunstâncias, favorecerá o PS na versão centro-esquerda, do que só pode vir marasmo; e um Chega que talvez não esteja longe do seu tecto, ou esteja fadado para o ultrapassar sem que porém se perceba o que é que, fora da revisão do Código Penal, do reforço dos poderes das magistraturas e das polícias, mais umas quantas violências e gesticulações no domínio da corrupção e imigração, defende. Como não se percebe (ou melhor, do que se conhece a gente preferia ignorar) o que defende como polítca económica, a menos que seja para levar a sério aquela ideia de baixar impostos, subir salários manu militari e outras frescuras estatistas. Há por lá gente com mais senso e menos demagogia? Há, mas ainda não se lhe vê a marca.

Ficaríamos melhor com Ventura como Presidente? Não, para o regime deixar de ser semipresidencialista é preciso alterar a Constituição, não pôr em Belém um arrebatado com os olhos postos noutro palácio. E Seguro vai resolver algum dos problemas do país? Não, mas não seria um obstáculo sério a que uma solução aparecesse lá onde se governa.

Essa solução, vai aparecer? Há um Ventura genuinamente reformista, que é Passos. Está, porém, posto em sossego, deve achar que por aqui é só malucos que não está para aturar.

* Publicado no Observador

Faye Dunaway e as Eleições

jpt, 13.02.26

 

 

Um dos motes desta campanha eleitoral foi a luta contra o “fascismo”, papão que tantos dizem encarnado em André Ventura. Dessa aflição brotou a tamanha e tão excêntrica abrangência de apoios e votos, içando Seguro à Presidência, numa adesão geral cujo fundamento mesclará a repulsa pelo tal “fascismo” e o apreço pela aparente decência pessoal do candidato, um bem raro entre os políticos nesta acinzentada era.

O resultado final foi uma vitória mútua. Seguro, que veio para “correr por fora”, após uma década de silêncio público pois abjurado pela redes clientelares do seu partido, teve um sucesso estrondoso: a eleição e uma enorme votação - “a vingança é um prato que se come frio”, presumo que terá desabafado junto da sua família elementar, pensando nos geringôncicos Costas&Santos Silvas do seu partido.

Já Ventura teve o sucesso que pretendia. Firmou-se como a voz nacional relevante que critica o “estado da arte” vigente. E reforçou o seu estrado parlamentar: pois (como escrevi no tal postal O Fim das Linhas Vermelhas) se o PSD se “absteve” de recomendar um candidato final, isso traduziu que o partido do governo não se considera mais longe dele e do CHEGA do que está do PS, pretérito interlocutor parlamentar privilegiado. Este duplo sucesso de Ventura poderá ser uma vitória de Pirro, se ele não souber dirimir a ambivalência resultante, conciliar os estatutos de vozeirão invectivador e de parceiro dialogante do governo (e do tal “regime”).

Ventura é um populista - o que é diferente de “popularucho”, o que muitos confundem -, e nisso segue demagogo. Capta os incómodos, objectivos e subjectivos, sentidos pelos residentes - e não apenas pelos nacionais, algo que é incompreendido por uma série de letrados austrais que, regurgitando um marxismo básico, de manual, vêm perorando inanidades sobre uma propalada indecente alienação dos imigrantes africanos e brasileiros em Portugal que simpatizam com o CHEGA. A esses incómodos populacionais - alguns com raizes factuais, outros apenas frutos de impressões de senso comum - Ventura aponta causas simplistas, torna-os tópicos do seu gritado discurso. Ganha votos.

Mas Ventura não é um fascista - estou crente de que se no poder (vade retro, Satanás) seria uma espécie amansada e até constrangida de Meloni. É certo que a sua ululada demagogia tem efeitos fascizantes em alguns nichos dos seus simpatizantes, convocando os piores preconceitos discriminatórios que subsistem entre nós. E não repudia o convívio dos escassos holigões neonazis que por aí andam. Mas no que proclama - e no vácuo programa partidário que afixa - não é um fascista. Na sua encenação de quem “vai (muito) à missa” e se enrola em modo extático na bandeira pátria, é apenas um bolor “reaccionário”, uma emanação de uma intelectualidade avessa à já velha modernidade, ao racionalismo.

Eu não venho ao blog para simular uma qualquer docência. Mas, face a este despautério que por cá grassa, permito-me recomendar algumas das parcas leituras que me aconteceram. E se alguém tiver paciência poderá, entre outras coisas, ler um breve artigo do conhecido Isaiah Berlin, o “The Counter-Enlightenment” (está no livro “Against the Current”, que decerto se poderá gravar gratuitamente numa das “piratas” na internet), para enquadramento geral. E depois, já sobre a nossa terra, ler “Portugal Extemporâneo” de Carlos Leone, vasta obra que esmiuça o relativo atraso da instauração em Portugal de um pensamento constitutivo das liberdades cívicas. É nesse âmbito, nessas raízes, que se deve comprender Ventura. E não na gritaria antifascista.

É de lembrar o destino daqueles tantos políticos - desde a patética inicial Katar Moreira até ao melífluo Santos Silva - que julgaram conveniente agitar o espantalho “fascismo” face a Ventura. Pois, e mesmo se entre essa gente Costa se tenha alcandorado a um imerecido bem-bom, convém atentar no naufrágio que lhes vem acontecendo nesta meia dúzia de anos face “ao André”.

Enfrentar este crescente fenómeno Ventura, prejudicial no seu cariz ultramontano, exige apenas três acções, uma gigantesca, as outras fáceis. A enorme é simples de dizer: melhores governos, um Estado mais curial. Outra é muito fácil: amputar os devaneios esquerdistas que o tacticista Costa levou para o poder. E nisso do Estado deitar borda fora o lastro do linguajar que foi dito “marxismo estrutural”, “decolonial”, “politicamente correcto”, agora “wokismo”, etc. Isso não implica que não se combatam exageros policiais, obstáculos de índole racista, a desigualdade prática entre homens e mulheres, serôdias desvalorizações homofóbicas, e outras causas sociais queridas a esses núcleos. Mas para isso esqueçam-se os radicais que assentam os problemas contemporâneos numa malvada essência lusa, presente e imorredoira desde Fernão Lopes, o Infante Santo, Gil Vicente e seus coevos. Ou seja, travem-se os discursos demagógicos que demonizam da sociedade portuguesa (pois ela não é demoníaca), os quais tanto vêm irritando as massas. Afinal estas menos ignorantes que tantos dos doutos funcionários públicos ideologizados.

Quanto à terceira acção? É facílima. Trata-se de compreender a razão de ser Ventura tão popular. Para isso basta ver um filme: “Network” (“Escândalo na TV”, era o título aquando da sua apresentação em Portugal). Tive a sorte de o ver, nos meus 13 ou 14 anos, no cinema de São Martinho do Porto, e tanto então me impressionou que disso me lembro. Realizado por Sidney Lumet, com argumento do multipremiado Paddy Chayefsky, interpretado por Peter Finch (o seu último filme, tendo ganho o Oscar entregue após a sua morte), coadjuvado pelos grandes William Holden e Robert Duvall. E pela belíssima Faye Dunaway…

Resumo a trama: uma estação televisiva está em queda de audiências. Faye Dunaway é a nova directora de programação, departamento que passa a gerir o sector noticioso - antes autónomo. Decide transformá-lo em espectáculo de entretenimento. Para isso usa o veterano apresentador dos “telejornais”, em crise existencial. Incentiva-o a dizer nas notícias o que “lhe vai na alma”, a expressar a zanga que o corrói. E ele grita, ao vivo, no horário nobre: “We're as mad as hell, and we're not going to take this anymore!” (qualquer coisa como “estamos furiosos com esta bandalheira toda e não aguentamos mais”). E põe o povo a gritar isso à janela! Nisso aumentando, exponencialmente, as audiências da televisão.

O filme é de 1976. 50 anos depois é isso que se passa: as nossas estações televisivas são geridas por fayes dunaways, infelizmente menos bonitas. Que chamam, incessantemente, o André para lá ir gritar “estamos furiosos com esta bandalheira toda e não aguentamos mais”. E ele vai, com afã.

Isto passará, as audiências decrescerão. E mais rápido ainda se os fluxos de publicidade reduzirem.

(Reprodução da primeira das cinco partes da minha "Gazeta Semanal 6", dedicada às eleições presidenciais e colocada no meu "O Pimentel")

Imaculadamente virgem

Pedro Correia, 10.02.26

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André Ventura, em nove anos de carreira política, não venceu nada.

Concorreu em 2017, pelo PSD, à presidência de uma Câmara Municipal (Loures) e perdeu.

Concorreu em 2019 ao Parlamento Europeu, pela coligação Basta!, e não conseguiu ser eleito. Cinco anos depois, o Chega ficou em terceiro nas europeias.

Encabeçou o seu partido em quatro eleições legislativas (2019, 2023, 2024, 2025) e não ganhou nenhuma.

Apresentou o Chega em três eleições regionais na Madeira (2023, 2024, 2025) e outras tantas nos Açores (2022, 2024, 2025), sempre com insucesso.

Viu o partido sair globalmente derrotado dos escrutínios autárquicos de 2021 e 2025.

Concorreu a três rondas de duas eleições presidenciais (2021 e 2026) sem poder cantar vitória.

Balanço: 18 derrotas.

Há quem o imagine vencedor: é puro equívoco. Ele permanece em estado de imaculada virgindade nessa matéria.

Não me representa

Pedro Correia, 04.02.26

 

«Eu não serei o Presidente de todos os portugueses.»

Eis a negação do que deve ser a chefia do Estado numa democracia liberal. Um candidato a Belém manda às urtigas o princípio da igualdade, que impõe aos poderes públicos um tratamento não-discriminatório de todos os cidadãos. E também o princípio da dignidade da pessoa humana perante a lei.

Como se gritasse: «Eu não vos represento!»

Nisto, ao menos, serei o último a contrariá-lo.

Não cola

Pedro Correia, 03.02.26

Como é que alguém que concorre a todos os sufrágios (autárquicas, Parlamento Europeu, quatro vezes à Assembleia da República, duas vezes a Presidente da República) pode alguma vez dizer «que se lixem as eleições»?

É uma tentativa canhestra, e quase desesperada, de tentar imitar o que disse Passos Coelho há 14 anos, num contexto totalmente diferente. 

Não cola, de todo. Nem com Loctite nem com grude. Muito menos com cuspo.

Liderar a direita?

Luís Menezes Leitão, 03.02.26

O Pedro abaixo chama a atenção para que, enquanto André Ventura se proclama líder de direita, nunca Sá Carneiro, Cavaco Silva e Passos Coelho o fizeram.

A razão é óbvia. Nunca nenhum desses três alguma vez se considerou como de direita.

Sá Carneiro proclamava-se social-democrata e até socialista, tendo na altura procurado aderir à Internacional Socialista, o que foi vetado pelo PS. Aliás o primeiro jornal da JSD intitulava-se "pelo socialismo".

Também Cavaco Silva nunca se considerou como de direita, referindo ser social-democrata na linha de Eduard Bernstein. Paulo Portas na altura comentou que Bernstein não passava de um "socialista danado" e que a direita estava a votar em quem não era de direita.

Quanto a Passos Coelho, não deu para perceber qual era de facto a sua política. Com um governo manietado por um programa de ajustamento, limitou-se a executar esse programa. Tudo, desde os cortes de salários, a reforma do arrendamento, e as privatizações, foi imposto pela troika. No início apareceu de facto com propostas de uma política liberal, sugerindo a privatização da Caixa Geral de Depósitos, mas rapidamente a abandonou, e a pública Caixa Geral de Depósitos continua alegremente a ser o maior banco português.

Já André Ventura aparece de facto a proclamar-se o líder da direita em Portugal, tanto assim que o Chega surge em consequência da deriva esquerdista do PSD de Rui Rio, que libertou o flanco direito dos eleitores do PSD para outros partidos. É muito duvidoso, no entanto, que o programa político do Chega se possa considerar como de direita, já que esse partido votou ao lado do PS em muitos assuntos, designadamente na abolição das portagens, e prepara-se para o voltar a fazer na reforma laboral.

Como "reforçar" enfraquecendo

Pedro Correia, 28.01.26

 

O homem que quer "reforçar os poderes do Presidente" pretende afinal retirar ao Chefe do Estado a prerrogativa de nomear o Procurador-Geral da República.

O homem que diz combater capelinhas e corporações que gravitam em torno do Estado pretende afinal fazer eleger o PGR pelos seus pares, expressão suprema de corporativismo.

Haja alguém que me explique estes paradoxos. Ou que os explique a ele.

Manifesto eleitoral de uma votante PSD

Cristina Torrão, 20.01.26

Não é segredo para ninguém que Ventura persegue um único objectivo: ser o líder da "direita" em Portugal. Para isso, ele tem de destruir o PSD!

Ao contrário do que muita gente (do PSD e CDS) diz, tentando justificar o seu voto em Ventura, António José Seguro será muito melhor Presidente para Luís Montenegro. Seguro é uma pessoa democrática, moderada e cumprirá a nossa Constituição, em qualquer circunstância.

Tal como Trump (o seu grande modelo inspirador), Ventura não respeita leis, nem regras. Como Presidente, tudo fará para destruir o governo de Montenegro, a fim de surgir, depois, como o "grande líder", apresentando o seu partido como a única alternativa para pessoas que não se reconheçam nos partidos da esquerda.

A campanha de Ventura, para esta 2ª volta, vai ser suja, falsa, sem escrúpulos. A propaganda chegana já começou, com a divulgação de um texto, supostamente de autoria de Miguel Esteves Cardoso, de apoio a Ventura. Um texto falso! E isto é só o começo.

Como o Sérgio de Almeida Correia já aqui disse, Luís Montenegro comete um grande erro, ao não aconselhar o voto em Seguro. Montenegro devia preocupar-se mais com a franja do eleitorado que oscila entre o PSD e o PS, do que piscar o olho aos radicais. Ele devia dizer claramente que Seguro dá mais garantias de cumprir a Constituição e salvaguardar a democracia. Montenegro devia, acima de tudo, demarcar-se de qualquer forma de extremismo.

Estou com eles:

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Imagens Observador/Instagram

Sérgio de Almeida Correia referiu ainda Rui Moreira, Carlos Carreiras, José Eduardo Martins, António Capucho e Pacheco Pereira terem revelado o seu apoio a Seguro.

Não votei na 1ª volta. Aliás, nunca votei nas presidenciais, desde que estas ficaram acessíveis aos emigrantes. Mas, no dia 8 de Fevereiro, vou fazer 100km (ida e volta) para votar no Consulado de Hamburgo!

Contra a "trumpização" de Portugal!

Pela democracia!

Por um PSD com futuro!

Os derrotados

Pedro Correia, 18.12.25

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Há nove meses, graças aos generosos fundos que recebe de países amigos, André Ventura mandou espalhar milhares de cartazes por todo o País assinalando Luís Montenegro como o principal rosto da corrupção a nível nacional - cabendo a José Sócrates o papel secundário neste improvável duo.

Um «escarro visual», como lhe chamei na altura.

Ventura agiu assim a pretexto do chamado "caso Spinumviva", em que Chega e Partido Socialista andaram de braço dado desde o primeiro vagido, procurando instrumentalizar a justiça ao serviço de desígnios partidários. Na esperança de capitalizarem com isso nas urnas, ajudados pelas falanges de comentadores afins que pululam nos estúdios televisivos e nas redacções de jornais.

Foi uma das maiores pulhices que já testemunhei nos últimos anos de vida pública em Portugal: gerou uma crise política, fez cair um governo, manteve o País num impasse de longas semanas.

 

Saiu-lhes o tiro pela culatra. A AD, com Montenegro ao leme, reforçou a liderança do Governo saído do escrutínio de 18 de Maio: mais três pontos percentuais, mais 11 deputados, mais 213 mil votos.

Nove pontos acima do PS, segunda força mais votada. 

Depois da vitória política, agora a vitória jurídica: o Ministério Público arquivou a averiguação preventiva à empresa da esfera familiar do chefe do Executivo devido à inexistência de indícios de qualquer delito. 

O mesmo sucedeu à queixa formalizada pela antiga deputada socialista Ana Gomes, também contra Montenegro, junto da Procuradoria Europeia. «Após verificação rigorosa das suspeitas comunicadas foi decidido não abrir uma investigação», anunciou esta entidade, que arquivou a participação a 27 de Novembro.

 

Montenegro reagiu com satisfação. Mas também com indignação - como qualquer de nós faria - por ter sido alvo de suspeitas gravíssimas, sem fundamento. 

«Depois de tantos dislates, é justo e adequado dizer sem reservas que exerci sempre a função de primeiro-ministro em regime de exclusividade e nunca fui avençado de ninguém desde que fui eleito presidente do PSD», declarou na noite de ontem, em Bruxelas, à margem da cimeira europeia em que participa. 

Linguagem de vencedor.

 

Mas o "caso Spinumviva" também tem derrotados.

Um deles, o secretário-geral socialista, já tinha abandonado o palco político - logo na noite de 18 de Maio, após ter conduzido o PS à mais humilhante derrota eleitoral de sempre. Pedro Nuno Santos, cego pelo ódio a Montenegro, cavalgou o tema durante semanas num desenfreado galope rumo à parede onde embateu com estrondo. Avançando com uma comissão parlamentar de inquérito quando já estava em curso a indagação judicial. «Luís Montenegro está na lama, arrastou o PSD e o seu governo para a lama e agora quer atirar o país para a lama», declarou nessa imparável jornada rumo ao fracasso eleitoral. Espécie de vale-tudo, com linguagem similar à do Chega.

Outra derrotada, em toda a linha, foi Ana Gomes. Fazendo tábua rasa da garantia constitucional de presunção de inocência, assumiu-se como acusadora, procuradora e juíza nas destemperadas declarações que foi espalhando em tribunas mediáticas. «Foi só juntar peças de puzzle com fraco controlo de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo no jogo em Portugal. Onde o primeiro-ministro recebia avença de casinos!», afirmou a antiga embaixadora, justificando a denúncia feita junto da Procuradoria Europeia. Sem fundamento, como se comprovou.

Alguns gurus do comentariado que andaram meses a disparar contra Montenegro terão igualmente de enfiar a viola no saco. Pela negativa, destaco Miguel Sousa Tavares naquele estilo trauliteiro a que habituou quem ainda o escuta. «A Spinumviva é um cadáver que ele não consegue matar, ele não consegue enterrar, ele não consegue fazer o funeral da Spinumviva, e, quanto mais vamos sabendo, pior é.»

Palavras do comentador da TVI. Fraco profeta.

 

Lama, casinos, cadáveres: os adversários figadais não fizeram a coisa por menos.

Mas o maior derrotado foi André Ventura. A 1 de Maio - duas semanas antes de os portugueses irem a votos - o «condutor» do Chega vertia isto na praça pública: «Temos um primeiro-ministro que está a receber dinheiro de certas empresas, que por sua vez estão a receber dinheiro do Estado. Isto levanta as maiores suspeitas, a maior ideia de promiscuidade e de conluio.»

A 24 de Maio, com o País ainda cheio dos cartazes que mandou distribuir, Ventura implorava por carta a Montenegro que alinhasse com ele numa revisão constitucional. 

Confirmando assim que não tem vergonha na cara. Nem um pingo dela.

 

Leitura complementar: Este cartaz é um enorme tiro no pé (26 de Março)

Os aldrabões

jpt, 24.11.25

Diz que é uma espécie de jornalismo

Pedro Correia, 04.11.25

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André Ventura, o tal que se queixa de ser menosprezado pela "comunicação social falida", não perde uma oportunidade para aparecer nesses mesmos órgãos de informação. Logo à noite vai protagonizar a sua 38.ª entrevista televisiva do ano, desta vez na RTP. Em "rigoroso exclusivo" - tal como as 37 anteriores. 

Desproporção brutal: nenhum outro dirigente partidário português surge tantas vezes na pantalha. Uma dessas entrevistas - transmitida a 19 de Agosto, já em pré-campanha autárquica - durou duas horas e dois minutos. Algo inaudito: quanto mais ele "arrasa" os jornalistas, para gáudio da claque venturista, mais eles lhe dão palco. 

Mas não só os jornalistas: também a tribo comentadeira não passa sem Ventura. E promove-o até à náusea. Atingiu-se o cúmulo do ridículo há três dias, na noite de sábado, quando Ventura foi "entrevistado" por dois políticos travestidos de jornalistas: o conservador Francisco Rodrigues dos Santos, que em Janeiro de 2022 conduziu o CDS ao pior resultado eleitoral da sua história, e o socialista Pedro Costa (filho do actual presidente do Conselho Europeu), que em Abril de 2024 abandonou a presidência da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, muito antes do fim do mandato para que havia sido eleito. 

Ambos proporcionaram ao líder do Chega outro dos seus habituais momentos de show off - daqueles que aproveita para transformar a nossa vida pública numa telenovela mexicana em sessões contínuas.

 

Terão aqueles dois fracassados na política competência e aptidão para conduzir entrevistas num canal televisivo? Adquiriram carteira profissional de jornalista? E como reagirão os profissionais da informação da CNN Portugal perante esta insólita concorrência que os desconsidera de forma tão ostensiva?

Ignoro se já houve reacção da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, que há um ano emitiu sinal de vida ao investir contra Maria João Avillez - jornalista comprovada e consagrada, com mais de meio século de actividade profissional - chegando ao ponto de admitir uma participação ao Ministério Público contra ela por alegada "usurpação de funções".

Vou aguardar que a mesma CCPJ ouse agora acusar Chicão e Costa júnior de "usurpar funções" por entrevistarem candidatos a Belém em canal informativo de televisão. Mas esperarei sentado. Com a certeza antecipada de que não se atreverá a tanto. É mais cómodo fingir que nada disto alguma vez aconteceu.

Entrevistadores da treta, falsos jornalistas, espaços informativos tornados sessões de entretenimento. Qualquer indignação contra fake news, neste panorama, soa fatalmente a hipocrisia: ninguém poderá levá-la a sério.