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(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)

 

Passam hoje exactamente quatro meses sobre os tétricos incêndios no distrito de Viseu, entre o concelho de Tondela e seus limítrofes, devastando a "Beira Alta", na segunda apocalíptica volta dos incêndios florestais de 2017, dessa vez causando mais de 40 mortos. Desde então o meu amigo Miguel Valle de Figueiredo (o mvf, que durante anos co-blogou comigo) percorreu aquela região, que bem conhece, calcorreou mato, lugares, aldeias, vilas, encarou a gente que ali teima, desta ouvindo do horror de então e da violência posterior, advinda da arrogância burocrática de quem vem podendo. Nisso fotografou as "Cinzas" promovidas pela fúria dos elementos, o desnorte nacional e a incúria estatal, até abjecta. Enquanto uns, urbanos, se menearam vaidosos insanos, lamentando-se "de não ter tirado férias" ou, pelo contrário, "iam de férias" e pediam para "não os fazerem rir" a propósito destes e doutros assassinos fogos, e se gabavam de se preparar para as "cheias de inverno", inaugurando casas refeitas com dinheiro alheio, apregoando ter revolucionado as florestas como nunca desde a Idade Média, e se faziam entrevistar em quartel de bombeiros, o Miguel foi para aquele lá, verdadeiros "salvados" de um país que insiste em desistir de o querer ser por via do apreço que vota aos tocos que julga gente, e até elegível.

 

Dessas suas andanças, vindas do seu fervor de fotógrafo e do seu dever de cidadão, produziu, a expensas próprias, pois não é ele daqueles capturáveis por Estado, municípios e respectivos tentáculos, tão pródigos se mostram esses para os fotógrafos "camaradas, companheiros e amigos", um manancial iconográfico, uma verdadeiro arquivo para alimentar uma memória social do acontecido, deste sofrido que a história recente do país se mancomunou para gerar. 

 

Desse acervo será agora apresentada uma exposição. Paisagens, pois o pudor impeliu-o a evitar mostrar os retratos feitos dos violentados. 42 fotografias integrarão essa "Cinzas", a inaugurar em Tondela, concelho tão devastado (só nele arderam mais de 400 casas, 219 das quais primeiras habitações), no próximo dia 24 de Fevereiro. Estando previsto que a exposição faça uma itinerância pelo distrito e, porventura, alhures. As fotografias estarão à venda, sendo os resultados monetários disso destinados para o apoio às vítimas. Verdadeiramente. Sem requebros burocráticos.

 

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Aqui uma entrevista do mvf a este propósito (a partir da página 34). Abaixo junto algumas das fotografias que serão expostas.  

 

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 (Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)

 

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 (Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)

 

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 (Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)

 

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 (Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)

 

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 (Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)

 

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 (Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)

 

 

Quem diria que um tipo se pode meter em tais trabalhos só por emprestar dinheiro a um amigo?

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Banco de Fomento

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.10.15

Não é bonito quando os nossos amigos desconfiam das nossas intenções

Da importância de ser amizade

por Patrícia Reis, em 21.07.14

A melhor forma de amor é a amizade, é quase banal dizer ou escrever, mas talvez não seja tanto assim.

Quantas vezes pensamos nós nos amigos? Quantas vezes telefonamos para saber deles e não contar a nossa vidinha?

Quantas vezes é que somos mesmo amigos: sentados à mesa, a partilhar uma refeição, a rir, perdidos no tempo, sem noção das horas, petiscando pedaços de pão (ou, muito melhor, pedras de Santiago)?

Este sábado, com o miúdo-quase-homem, uma amiga e apenas nós, o meu marido e eu, corremos tudo: política, sexualidade, direitos e deveres, histórias mal contadas, acontecimentos de vida marcantes.

E, quando a nossa amiga falou da avó Joana, os olhos ficaram do tom mais profundo do mar e o nosso coração encolheu, viemos à superfície e sobrevivemos na conversa. Por amor. Por amizade. Por estarmos todos com os telemóveis desligados. Sem preocupações de monta. Das oito da noite até quase às quatro conversámos.

Caramba, uma conversa é tão importante!

E tudo foi recíproco. Nada foi dito a medo, com formalidade.

Quando é assim, posso garantir, é um privilégio.

voltar sem nunca ter partido

por Sérgio de Almeida Correia, em 08.11.13

Estou de volta, João. Vê lá como as coisas são. Tão livre como quando te telefonei. E com os amigos de sempre.

Penso que ficarias satisfeito por sabê-lo. A vida trocou-nos as voltas, a ti e a mim, mas não as amizades. E a liberdade está onde sempre esteve: em nós. Vê lá como as coisas são.

E sabes que mais? Só os tontos não voltam aos locais onde foram felizes, ao convívio com os seus. Só os tontos não recuperam a alegria. O Pavese era um tonto.


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