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Conseguiram

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.05.19

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(créditos: Público/DR)

Há sensivelmente dez meses deixei nota neste espaço sobre o mau serviço que era prestado aos utentes do Aeroporto Humberto Delgado, vulgo Aeroporto de Lisboa

Esta semana, a Bloomberg divulgou a lista dos melhores e dos piores aeroportos do mundo. 

Pois bem, entre os dez piores aeroportos do mundo o Aeroporto de Lisboa conseguiu ser o pior. Isto é, o 132.º e último lugar. O Porto ficou em 125.º. E não me venham dizer que há muitos outros aeroportos importantes entre os piores, como Londres-Gatwick e Paris-Orly, porque a gravidade do caso não muda de figura, visto que o movimento daqueles não tem comparação com os nossos.

Se o objectivo da privatização da ANA por parte da antiga ministra das Finanças e do ex-primeiro-ministro Passos Coelho era prestar um péssimo serviço ao país, o objectivo foi plenamente conseguido, não ficando atrás do que se fez com os CTT

E tome-se nota de que não sou, por princípio, contra as privatizações. Mas em tudo na vida só há duas maneiras de fazer as coisas: bem feitas ou mal feitas. Neste caso, assim o penso desde a primeira hora, foram mesmo mal feitas e enganando-se os contribuintes e utentes. E para quê? Os resultados estão à vista de todos.

Terceiro-mundismo aeroportuário

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.07.18

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(créditos: O Jornal Económico) 

Como todos os anos entro e/ou saio mais de uma dezena de vezes de aeroportos em todo o mundo, sempre vou reparando no que vejo lá fora e no que encontro em Lisboa. No mês passado, no espaço de quinze dias, usei por quatro vezes o Aeroporto Humberto Delgado, antes chamado da Portela, mas que todos conhecem como de Lisboa. E embora já tivesse pensado aqui deixar umas linhas, vicissitudes várias roubaram-me o tempo e a disposição.

Há dias, um amigo queixou-se do mesmo que eu vira, e por que passei, e depois dele foram muitos mais. Pelo que aqui estou.

Trata-se de mais uma situação que não prima pela novidade mas que se tem vindo a agravar ano após ano, sendo que os momentos mais gritantes coincidem, mera coincidência, claro, com os meses estivais, mas que também é possível observar noutros períodos do ano (Natal, Páscoa, Carnaval, semanas de feriados e "pontes")

A privatização da ANA, à semelhança do que aconteceu com outras empresas em que a presença do Estado sempre se fizera sentir, serviu, entre outras coisas, umas úteis outras perfeitamente inúteis, e outras ainda entre a inutilidade e o crime, para o Governo de Passos Coelho e algumas das suas luminárias se arvorarem em estrelas, com os resultados que o correr dos meses e dos anos acabou por ir revelando. No caso da ANA, uma vez mais, foi-nos vendido gato por lebre, e disso a imprensa foi dando conta, como aconteceu com os tais 3.080 milhões de euros que Maria Luís Albuquerque ufana anunciou, mas que no final foram apenas cerca de um terço e que acabaram por ficar fora do défice de 2012 por ordem do Eurostat, comprometendo as flores que se anunciavam e que contribuíram para que Portugal falhasse a meta

Esse tempo já lá vai, o Governo mudou, sem que, todavia, se vejam melhorias notáveis no funcionamento da estrutura aeroportuária que serve Lisboa.

Se o espaço já por si era exíguo, mais limitado ficou depois das obras com o aparecimento de uma nova série de lojas, algumas mínimas e com corredores estreitos, sem que os preços praticados, ao nível dos comes e bebes, fossem compatíveis com o nível de vida do país e as tradicionais más condições de atendimento e serviço, e pior ficou com a quantidade de gente que demanda o aeroporto. 

Para ou de algumas portas de embarque o problema maior é o que se anda, tarefa sempre desagradável com bagagem de mão, a que se segue o tempo de espera nos balcões dos passaportes e nos tapetes da bagagem, para quem chega. Este é um problema antigo, embora ultimamente me pareça que desaparece menos bagagem e há menos furtos. Para quem parte a dificuldade maior está em fazer o check-in, caso não o tenha realizado online, e entrar na zona reservada, visto que aqui as filas para verificação da bagagem de mão são intermináveis, praticamente a todas as horas e, por vezes, com algum "fundamentalismo" à mistura (em Inglaterra, França ou na Alemanha acaba por ser pior), como a embirração com os recarregadores portáteis (power banks), a que se soma o calor. Dir-se-ia que a poupança de energia com o ar-condicionado é permanente, o que leva a que muitas vezes quem embarca quando chega ao avião esteja nas condições ideais para tomar um banho, o que não é seguramente o mais agradável quando se têm em perspectiva dois ou mais voos de longo curso, não se viaja na primeira classe do A380 e o período de trânsito entre voos não dá para tomar um duche a meio do percurso.

Tem, pois, toda a razão o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa quando se mostra preocupado com o estado em que se encontra o Aeroporto de Lisboa. Pena é que na actual situação a simples preocupação não seja suficiente para resolver este problema de terceiro-mundismo militante em que a ANA, privatizada ou não, e quem a privatizou, coisa que aos utentes pouco interessa, nos meteu em termos de serviço.

Importante seria que com o Governo e a Administração da concessionária fosse encontrada uma solução que não envergonhe o país e melhore as condições de acolhimento e circulação para quem chega e para os que partem. Falar do passado, só por si, não resolve, nunca resolveu, os problemas. É conveniente que alguma coisa se faça sob pena de quem está se limitar a gerir o que foi mal feito e o que ficou por fazer, dando emprego aos medíocres do costume, sem que nada de útil e actual seja concretizado num prazo razoável para benefício de todos.

Pelo Aeroporto Sacadura Cabral

por Pedro Correia, em 11.04.17

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 Artur Sacadura Cabral (1881-1924)

 

Corre de momento por aí uma petição pública para que o futuro aeroporto do Montijo, adaptado a voos comerciais, receba o nome de Artur de Sacadura Freire Cabral, um dos pioneiros da aviação portuguesa. Contrariando o impulso do Presidente da República, que sem consultar ninguém se apressou a sugerir o nome do antigo Presidente da República Mário Soares.

Estou plenamente de acordo com esta homenagem a Sacadura Cabral, que com Carlos Viegas Gago Coutinho fez em 1922 a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, unindo Portugal ao Brasil. Aliás os brasileiros preservam com carinho a memória destes dois aviadores, que tão esquecidos têm sido cá na terra - sobretudo Sacadura Cabral, que em Lisboa dá apenas nome a uma artéria secundária, entalada entre o Campo Pequeno e a Avenida de Roma.

"O futuro Aeroporto do Montijo, situado na actual Base Aérea N.º 6 da Força Aérea Portuguesa, do ponto de vista histórico terá toda a lógica chamar-se de Aeroporto Sacadura Cabral, pois aquando do tempo da Aviação Naval (1917-1952) que aqui operava chamava-se a nível oficial Centro de Aviação Naval Comandante Sacadura Cabral. O planeamento e as suas obras foram conduzidos pela nossa Marinha desde os anos 30, que culminaram na sua inauguração e baptismo com o nome deste intrépido aviador naval. (...) Assim, perante os factos históricos, seria de boa justiça dar novamente o seu nome inicial de Sacadura Cabral ao futuro Aeroporto do Montijo", refere o texto da petição.

Que naturalmente já subscrevi.

 

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Monumento de homenagem a Gago Coutinho e Sacadura Cabral no Recife (Brasil)

Profetas da nossa terra (39)

por Pedro Correia, em 19.06.14

«Está claramente reconhecido que o aeroporto de Lisboa já dá sinais de esgotamento da sua capacidade. Os estudos técnicos apontam como localização adequada a Ota.»

Teixeira dos Santos, 27 de Março de 2007

Profetas da nossa terra (9)

por Pedro Correia, em 28.04.14

«Continuação da Portela é inviável. Aeroporto corre o sério risco de ser desqualificado como aeroporto europeu, num prazo de dez anos, por causa dos seus constrangimentos ambientais.»

Mário Lino, 21 de Julho de 2005

Gerhard Richter, "Mustangs", 1964

 

Talvez porque o tráfego do aeroporto de Frankfurt seja dos mais intensos e extenuantes da Europa, os controladores aéreos têm fama de arrogantes e impacientes. Depois de conduzirem os pilotos durante a fase de aterragem, limitam-se a informar qual é a porta para onde devem dirigir o avião, presumindo que sabem a sua localização e como hão-de lá chegar, prescindindo de fornecer mais orientações.

Uma vez sucedeu este diálogo entre a torre de controlo e um 747 da British Airways (BA):

[estas conversas são convencionalmente em inglês em toda a parte, mas faz-se aqui uma tradução nada técnica e muito leiga]

BA – Frankfurt, já desobstruímos a pista de aterragem.

Torre – BA, circule até à porta Alpha Um-Sete.

O avião saíu do taxiway [zona de circulação da pista] e parou.

Torre – BA, não sabe para onde deve ir?

BA – Por favor aguarde torre, estou a verificar a localização da porta.

Torre (denotando ríspida altivez) – BA, nunca esteve em Frankfurt?

BA (voz calma) – Sim, estive aqui duas vezes em 1944, mas estava escuro… e não aterrei.

Ao cuidado dos que nos abanam

por João Carvalho, em 13.04.11

«O presidente da Mota-Engil, António Mota, criticou hoje a "falta de planeamento" em Portugal ao nível das grandes obras públicas, o que justifica uma maior aposta do seu grupo na internacionalização.

Na sua opinião, uma das razões para a Mota-Engil investir na internacionalização é a "indefinição quanto a grandes projetos de investimento", como o comboio de alta velocidade e o novo aeroporto.

"Nós não planeamos, Portugal não tem um planeamento estratégico naquilo que são infraestruturas" — lamentou.»

É verdade e António Mota não fez qualquer descoberta: Portugal tem sido incapaz de qualquer planeamento, estratégico ou não, e isso é um mal que vem de longe. Já quanto à internacionalização do grupo que trata por tu as grandes obras públicas, o melhor que podemos fazer é desejar-lhe felicidades e que mande de lá saudades. Porque o que menos precisamos por cá (há muito tempo) é da Mota-Engil, do BES, da Brisa, da Lusoponte e de todos aqueles do costume que vivem à mesa do Orçamento do Estado e que querem abanar-nos mais um bocado para ver se ainda cai algum.

Mandem-lhe uma cadeira

por João Carvalho, em 18.01.11

Segundo António Mota (Mota-Engil), «o novo aeroporto de Lisboa é preciso há 30 anos». Segundo outros (que se importam com a situação), "é bom que ele espere sentado".

Troquem Alcochete pela Portela

por João Carvalho, em 05.05.10

Muito bem, a Filipa Martins, neste seu Pensamento do dia. Quanto a mim, é um pensamento que vai ser lembrado por uns anos. A ver vamos.

A bitola do ministro

por João Carvalho, em 03.05.10

Se derem atenção a este post do Paulo Gorjão mais abaixo e a estas palavras do actual ministro das Obras Públicas, hão-de reparar que ele não se limita a insistir em obras que ele devia saber que não poderão avançar. Hão-de reparar que ele não se limita a defender um aeroporto que está por estudar, porque a aviação comercial mudou completamente em dois anos. Hão-de reparar que ele não se limita a defender a projecção de Portugal na rede ferroviária transeuropeia de alta velocidade, como se o TGV atravessasse a Espanha de avião por as linhas serem diferentes do resto da Europa.

Não. Hão-de reparar que ele não se limita a isso. Há mais qualquer coisa nele que começamos a descobrir e que se relaciona com comboios. Não sei se é a bitola estreita.

Nas asas da crise

por João Carvalho, em 19.04.10

O primeiro-ministro deve andar mortinho que lhe perguntem se acharia bom ter um TGV apontado a Espanha, pronto a minorar o caos que se instalou na Europa com os voos cancelados. (Claro que ele jamais iria referir que a linha espanhola não é de bitola europeia e que, por isso, a ligação com França não estaria resolvida.)

Problema seria perguntarem-lhe a seguir para que serve um aeroporto novo, quando há cada vez menos voos e menos companhias aéreas. O melhor mesmo é ele não se pôr a jeito para falar.

Milhões codificados

por João Carvalho, em 23.02.10

O EIA concluiu que o NAL terá de custar mais uns 130/150 milhões de euros, mas nada que a AAE não possa resolver. A NAER diz mesmo que o facto não é um obstáculo.

 

Descodificação (por ordem de entrada em cena):

→ EIA = Estudo de Impacto Ambiental;

→ NAL = Novo Aeroporto de Lisboa;

→ AAE = Avaliação Ambiental Estratégica;

→ NAER = Não Adivinho e Estou Raivoso (isto é, não sei e tenho raiva a quem souber).

 

O aspecto positivo: saber-se que o projecto está congelado.

O aspecto negativo: não se saber quanto estamos a dar pelo estudo «efectuado por uma equipa constituída por 75 técnicos de várias especialidades» durante não-se-sabe-quanto-tempo.

Optimismo vs Pessimismo

por Jorge Assunção, em 12.08.09

 

Estas duas revistas são edições do mês de Junho de 2005. O pessimismo da The Economist por contraste com o optimismo da Time. Hoje, sabemos quem tinha razão. Empresários e políticos, na altura, optaram pelo optimismo da Time. Em 2009, segundo o querido líder, os portugueses serão confrontados com a terrível escolha entre o optimismo de uns e o pessimismo de outros. Esperemos que saibam escolher o lado certo. É que o optimismo dominante, não poucas vezes, confunde realismo com pessimismo. E, dada a prevalência da cultura do Estado-empresário, o optimismo tende a prescrever doses exageradas na receita para os problemas do país.

Verdades inconvenientes (2)

por João Carvalho, em 18.03.09

O post da Teresa Ribeiro aqui mais abaixo sugeriu-me voltar a lembrar uma coisa sobre a qual já escrevi algures em tempos e que vem muito a propósito da entrevista de Abel Mateus, antigo presidente da Autoridade da Concorrência, ao Público. Trata-se de recuar à eleição intercalar para a Câmara Municipal de Lisboa. Durante a campanha, recordo-me de ter acompanhado um debate na televisão com todos os candidatos (não sei se na RTP, mas tenho quase a certeza de ter decorrido na biblioteca da Câmara).

Quando esse debate tocou no tema do aeroporto de Lisboa, um dos candidatos (não me lembro qual) puxou de umas folhas a cores que as câmaras focaram e que ele disse ter acabado de imprimir do site da ANA na Internet. Explicou ele então o que mostrava: nessas folhas estavam os slots (em linguagem de leigo, é a capacidade não-ocupada para aterragem, estacionamento na placa e levantamento de voos) do actual aeroporto. Isto é: demonstrava-se ali que o aeroporto tinha capacidade para crescer em movimento e, mais ainda, até ao ano não-sei-quantos, de acordo com as previsões à época.

Sabemos hoje que essas previsões estão completamente alteradas pela conjuntura internacional. Mas aquilo a quero chegar é o seguinte: as tais páginas do site da ANA, mostradas e comentadas publicamente naquele debate, tinham sido retiradas no dia seguinte!

Nunca mais me esqueci disso. Se havia alguma coisa a esconder, ela foi escondida. E só o teria sido por contrariar a argumentação governamental e desaconselhar qualquer pressa em avançar para um novo aeroporto. Tudo indica que Abel Mateus e o estudo que ele refere têm acrescidas razões sobre a manutenção do actual aeroporto e sobre as suas reservas em relação ao novo.

Alcochete

por Jorge Assunção, em 19.02.09

Tráfego nos aeroportos cai 3,5% em Janeiro

 

Até quando vão continuar a insistir na prioridade que é o novo aeroporto? Ou na credibilidade dos estudos até agora realizados? Quando é que a Portela esgota mesmo?


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