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Alberto Luís

por Patrícia Reis, em 14.11.17

Morreu Alberto Luís, advogado, marido de Agustina Bessa-Luís. Casados desde 1945, eram um casal especial. A Agustina gosta de contar que colocou um anúncio no jornal para encontrar um marido, uma "pessoa culta". Tinha decidido que aquele que, ao abandonar a sala onde a entrevista se faria, olhasse para trás, seria o escolhido. Alberto Luís foi à entrevista com uns amigos, também candidatos (diz-se que teria sido uma aposta) e olhou para trás. Casaram. Durante anos e anos, Alberto Luís foi quem passou à máquina os textos de Agustina, ela que tem uma letra miúda e escreve a azul.

Na Egoísta fizemos um número especial dedicado

IMG_1115.JPG

 à Agustina do qual me orgulho muito. Alberto Luís foi incansável na ajuda que me prestou então. Publicámos os pequenos desenhos, retratos, que foi fazendo da escritora. Chamava-lhe sempre Maria Agustina. Eu gostei de os ver juntos das poucas vezes que tive esse privilégio. Que descanse em paz.

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Vasco Graça Moura

por Patrícia Reis, em 27.04.14

As meninas
as minhas filhas nadam. a mais nova
leva nos braços bóias pequeninas,
a outra dá um salto e põe à prova
o corpo esguio, as longas pernas finas:

entre risadas como serpentinas,
vai como a formosinha numa trova,
salta a pés juntos, dedos nas narinas,
e emerge ao sol que o seu cabelo escova.

a água tem a pele azul-turquesa
e brilhos e salpicos, e mergulham
feitas pura alegria incandescente.

e ficam, de ternura e de surpresa,
nas toalhas de cor em que se embrulham,
ninfinhas sobre a relva, de repente.

 in "Antologia dos Sessenta Anos"

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Campeão

por Patrícia Reis, em 20.04.14

Sabes, não gosto de futebol. Pouco importa. Fico contente porque o teu Benfica é campeão.

Tu ficarias. Feliz e com a cara cheia de uma comoção contida.

Tu eras um homem contido e bom.

Quando a tua equipa entrou em campo, nós reunimo-nos na igreja dos Salesianos, celebrámos a Páscoa e os sete dias da tua morte.

Por fim, a tua mulher chorou.

Como águias, os teus filhos, ali perto da mãe.

A tua mãe, o teu pai, a tua irmã, o teu irmão, os teus sobrinhos e o resto da família e amigos, todos alinhados numa dor que não conheciam antes. E eu com eles, a querer chorar mais um pouco e sem ser possível.

Li o texto que escrevi e, prometo, não gozei, não disse nenhum disparate de maior e tão-pouco proferi o tal palavrão que me alivia as horas mais difíceis.

Deves ter achado que estava muito séria, o meu coração do tamanho de uma ervilha e ainda as palavras da Paula

 

Eu estava à janela e vi-o a jogar futebol com uns amigos. Não o conhecia, mas era urgente conhecer. Foi amor à primeira vista.

 

E foram trinta anos de cumplicidades, eu sei.

Não devias ter ido tão cedo, sabes?

Ninguém queria o teu sofrimento, é evidente, e a morte pode ser alívio. Mas hoje, com sessenta e cinco mil pessoas na Luz a festejar um jogo que eu não entendo, só consigo imaginar-te numa nuvem a sorrir e a brindar.

Estejas onde estiveres, peço-te, não faças maratonas de playstation, ok?

Pronto. Vai lá celebrar e toma conta dos teus e de mim enquanto aí estás.

Um beijo grande daqui para aí.

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Adeus Maria Keil

por Patrícia Reis, em 10.06.12

Tenho uma amiga que diz que os mortos não morrem, andam por aí.

Tenho outra que acredita que morrem, que neste país tão pequeno, é fácil esquecer nomes como Cardoso Pires, Natália Correia, Vergílio Ferreira, António Charrua, Eduardo Prado Coelho e por aí. A lista é enorme, infelizmente. A estes juntou-se hoje Maria Keil, aos 97 anos, uma mulher absolutamente extraordinária que deixará saudades.

Muitas saudades para quem tiver memória, claro.

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