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Tiro à letra

por Pedro Correia, em 12.04.19

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Há livros que são editados com os pés, para usar uma expressão da gíria jornalística. Abrimos um exemplar e logo na contracapa ou numa badana deparamos com um erro grosseiro, gerado por ignorância ou incompetência - daqueles que nos levam de imediato a pôr aquilo de parte.

Por vezes o disparate surge não na casca, mas já no miolo, no espaço reservado à apresentação ou prefácio. Aconteceu-me há dias, com um exemplar de uma destas editoras que pretendem difundir "coisas giras" e "fora da caixa". Bastou-me ir à primeira página impressa para deparar com isto: como se não bastasse o impiedoso extermínio das impropriamente chamadas "consoantes mudas", o tiro à letra é tão obsessivo que leva estes mabecos a mutilarem até palavras como "actual", aqui mascarada de "acual". Deve ser idioma de pato: língua portuguesa não é, seguramente.

Fechei o livro e ele lá ficou, a gozar um merecido repouso. Faço votos para que seja perpétuo.

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Sugestão de leitura

por Pedro Correia, em 03.04.19

 

A miséria ortográfica nacional e o fulgor das línguas do mundo. Do Nuno Pacheco, no Público.

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (134)

por Pedro Correia, em 30.03.19

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  CP, nas ligações ferroviárias Lisboa-Cascais

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Cavaco, Sócrates e os analfabetos funcionais

por Pedro Correia, em 21.02.19

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Certas luminárias contemporâneas que pretendem fazer ironia com as orthographias antigas da língua portuguesa -- aludindo por vezes a autores que publicaram há pouco mais de cem anos -- estão, no fundo, a produzir argumentos contra o "acordo ortográfico" e não a favor. Ao contrário do que supunham.

É incompreensível que um inglês leia Walter Scott, Charles Dickens ou Oscar Wilde na grafia original, o mesmo sucedendo a um francês em relação a Balzac, Flaubert ou Zola, um espanhol em relação a Pérez Galdós ou Valle-Inclán e um norte-americano em relação a Herman Meville ou Mark Twain, enquanto as obras de um Camilo ou um Eça de Queiroz já foram impressas em quatro diferentes grafias do nosso idioma.

As sucessivas reformas da ortografia portuguesa -- somam-se quatro no último século -- constituem um péssimo exemplo de intromissão do poder político numa área que devia ser reservada em exclusivo à comunidade científica. Isto se ambicionássemos reproduzir os modelos implantados em nações com um índice de alfabetização muito mais sedimentado do que o nosso.

Cada mudança de regime, desde a queda da Monarquia, produziu pelo menos uma "reforma ortográfica" em Portugal. Para efeitos que nada tinham a ver com o amor à língua portuguesa, muito pelo contrário.

Cada "reforma" foi-nos afastando da raiz original da palavra, ao contrário do que sucedeu com a esmagadora maioria das línguas europeias -- como o inglês, o francês, o alemão e em certa medida o espanhol. A pior de todas essas reformas foi a mais recente, que separou famílias lexicais produzindo aberrações como "os egiptólogos que trabalham no Egito [sic] são quase todos egípcios" ou "a principal característica dos portugueses é terem um forte caráter [sic]".

Esta ruptura com a etimologia ocorre, convém sublinhar, num momento em que nunca foi tão generalizada a aprendizagem de línguas estrangeiras entre nós, impulsionada pela globalização em curso. Assim, enquanto os políticos de turno pretendem impor a grafia "ator" [sic] à palavra actor, os portugueses continuarão a aprender "actor" em inglês, "acteur" em francês, "actor" em castelhano e "akteur" em alemão.

Não adianta deitar fora a etimologia pela porta: ela regressa sempre pela janela. Através de idiomas nunca sujeitos aos tratos de polé de "acordos ortográficos" como o que Cavaco Silva pôs em marcha como primeiro-ministro, em 1990, e que José Sócrates, também como chefe do Governo, mandou aplicar nas escolas e repartições públicas, dezoito anos mais tarde. Ambos exorbitando dos seus poderes, ambos sem imaginarem que estariam a produzir novas legiões de analfabetos funcionais.

 

Publicado originalmente no jornal Dia 15.

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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 23.12.18

 

É politicamente correcto escrever "politicamente incorreto".

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (133)

por Pedro Correia, em 21.11.18

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  Direcção Regional de Educação do Centro

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Resistência activa ao aborto ortográfico (132)

por Pedro Correia, em 16.11.18

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Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal

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Imperdível

por Pedro Correia, em 25.07.18

 

A entrevista que o poeta António Barahona, sempre tão distante dos holofotes, concedeu ao jornal i. Insurgindo-se, nomeadamente, contra a «burrocracia» do desacordo ortográfico.

Bom jornalismo é fazer, editar e publicar entrevistas como esta.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (131)

por Pedro Correia, em 11.06.18

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  Dia 15, novo jornal em papel (mensário) 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (130)

por Pedro Correia, em 14.04.18

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  Vinho Evel, da Real Companhia Velha (Douro)

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Calinada "cultural"

por Pedro Correia, em 07.04.18

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O primeiro-ministro assinou uma "carta aberta" ao sector da cultura, publicada no Portal do Governo.

Leio essa carta.

Logo na primeira linha, um erro de palmatória: "Nos últimos dias, vários criadores culturais têm-me contatado..."

Assim mesmo.

Um iliterado escreveu, o primeiro-ministro assinou e mandou publicar.

Ninguém reparou, ninguém detectou o erro logo na linha inicial, ninguém quis saber da calinada.

Assim anda a "cultura" com chancela oficial neste país.

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A tontice do (des)acordo

por Pedro Correia, em 24.03.18

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Ontem a selecção nacional jogou contra a do Egipto em Zurique - vitória por 2-1, com dois golos do inevitável Cristiano Ronaldo.

Mas não é de futebol que aqui venho hoje falar-vos: é da nossa tão maltratada língua. De imediato pelo menos dois terços das edições digitais dos jornais que restam se apressaram a escrever "Egito", em obediência ao (des)acordo ortográfico de 1990.

Estipula a pauta acordística que a ortografia deve submeter-se aos ditames da fonética em geral e da "pronúncia culta" em particular - algo que nenhum académico foi até hoje capaz de nos explicar o que significa, com o rigor científico indispensável a quem queira transformar simples bitaites de café em normas com valor legal.

Acontece que sempre escutei pessoas cultas, ao meu redor, pronunciar a palavra Egipto assim mesmo, com o p bem articulado - ressalvando compreensíveis excepções de alguém com deficiências no aparelho vocal. Refiro-me a portugueses, pois os brasileiros falam "de fato" à sua maneira.

Ao fazerem cair o p de Egipto, estes jornais digitais cá do burgo abdicam da secular norma portuguesa, fazem tábua rasa da tal "pronúncia culta" que invocam para outros fins e separam irremediavelmente famílias lexicais, passando a si próprios verdadeiros atestados de analfabetismo funcional. Pois continuam a escrever egípcio, egiptologia e egiptólogo.

Se tantos outros exemplos não houvesse a confirmar a tontice do (des)acordo ortográfico, este bastaria.

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Lost in translation.

por Luís Menezes Leitão, em 23.02.18

A escritora argentina María Gainza escreveu um livro que se chama "El Nervio Óptico". Em português chama-se antes "O Nervo Ótico". Quer dizer que, na tradução portuguesa, o título deixou de se referir ao segundo par (II) dos doze pares de nervos cranianos, referente à visão, para se passar a referir antes ao oitavo par (VIII), referente à audição. Aí está como na tradução — ou na (des)ortografia acordista — se consegue deixar o leitor completamente perdido, até sobre a anatomia humana.

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Assim se vê a força do PC

por jpt, em 22.02.18

 

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Um abaixo-assinado tornado petição fez o malfadado Acordo  Ortográfico de 1990 regressar à Assembleia da República. Só o PCP a ele se opôs. Os outros partidos? Renovando, cada um com o seu trinado, o apoio a esta "coisa".

Após a democracia a mentalidade colonial (uma visão do mundo, e uma concepção de Portugal nesse mundo) continuou resistente no país. Muito vigorosa, particularmente na direita profunda e no republicanismo do PS, que a este foi âmago - tudo muito consistente com a história colonialista da I República e do advento do Estado Novo. Foi esta via, trôpega, inculta (ainda que adornada de títulos), aliada à velha guarda da oposição democrática brasileira, esta até ridícula nas suas retóricas de então, que deu azo ao A090, um patético acto de colonialismo fossilizado.

Pelos vistos, 44 anos depois do "Democratizar, Descolonizar, Desenvolver" o único partido que se conseguiu elevar a uma descolonização foi o PCP. Ficam os outros patetas agarrados ao sonho homográfico como alimento da "comunhão de interesses e sentimentos", a abjecta e inútil retórica desta gente. E ficam os respectivos "intelectuais orgânicos" (vá, venham-me lá tecer loas aos "de Argel" e aos ex-adeptos das FP-25) a focinhar no disparate.

Nem que seja por um dia ...Avante Camaradas.

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (129)

por Pedro Correia, em 17.02.18

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  Em Algés

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Resistência activa ao aborto ortográfico (128)

por Pedro Correia, em 28.01.18

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O Acordo Ortográfico

por jpt, em 24.09.17

Acordo Ortográfico: recém-chegado a Belém o novo PR investiu contra o AO90. O MNE Santos Silva, o aríete anti-Marcelo do governo, deu-lhe voz de comando e MRS perfilou-se. E o silêncio adensou-se sobre o assunto. E mantém-se na ortografia o último bafo, fedorento, da mentalidade colonial republicana/socialista. E a patetice do primado da fonética ""("culta").

 

Leio mais textos de moçambicanos (de pronúncia "culta") do que a esmagadora maioria dos eleitores de MRS e ASS. Mais do que eles posso antever o conteúdo do futuro AO35(?). Lembro-me disso todas as vezes que abro o FB. Como agora, domingo de manhã: oriundo do país da catana, que não da foice, onde não se monda nem ceifa, leio um pungente lamento sobre uma mortandade rodoviária, com inúmeras anuências, e seguido de debate sobre a segurança na estrada. Começa assim o texto "o motorista seifou ...". E, de facto, uái note?

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Resistência activa ao aborto ortográfico (127)

por Pedro Correia, em 02.09.17

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  Anteontem, no estádio do Bessa, durante o jogo Portugal-Ilhas Faroé

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Elogio a tradutores que resistem

por Pedro Correia, em 23.08.17

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Lembrei ontem que a esmagadora maioria dos escritores portugueses rejeita o impropriamente chamado "acordo ortográfico". É justo mencionar outra categoria de utentes qualificados do nosso idioma que tem estado na primeira linha do justo combate às aberrações ortográficas tão bem enumeradas aqui pelo Nuno Pacheco. Tantas vezes incompreendidos, os tradutores - vários deles aliás também escritores, como Pedro Tamen, Ana Luísa Amaral, Daniel Jonas, José Miguel Silva, Desidério Mucho ou Ernesto Rodrigues, entre outros, podendo todos ser considerados autores, enquanto criadores ou recriadores literários - exercem uma função muito importante na oposição ao AO90, enfrentando por vezes pressões de determinados editores ou de certos "agentes culturais" indiferentes à absurda segmentação de famílias lexicais (quem sofre de epilepsia deixou de ser epiléptico, tornando-se epilético) e à disparatada diversificação ortográfica de palavras anteriormente escritas da mesma forma em Portugal e no Brasil (como decepção e recepção, que perderam a suposta consoante muda na escrita acordística cá da terra).

Aqui expresso portanto a devida homenagem a esses resistentes, que têm sabido remar contra a maré. É uma lista necessariamente incompleta, que irá aumentando à medida que me for lembrando de mais nomes, podendo os próprios leitores fazer-me tais sugestões também.

Uma lista que não poderia esquecer Rui Santana Brito, prolífico e competentíssimo tradutor, infelizmente falecido já este ano.

Com o meu agradecimento, enquanto leitor, a todos eles.

 

Alberto Gomes

Alberto Osório Fernandes

Alexandre Brandão da Veiga

Alice Rocha

Ana Barradas

Ana Corrêa da Silva

Ana Falcão Bastos

Ana Luísa Amaral

Ana Maciel

Ana Maria Chaves

Ana Maria Pinto da Silva

Ana Santos

Ana Simões

Aníbal Fernandes

António Guerreiro

António Lopes Cardoso

António Pescada

António Rodrigues

Carlos Afonso Lobo

Carlos Mota Cardoso

Carlos Sousa Almeida

Carlos Vaz Marques

Carlos Vieira da Silva

Catarina Mourão

Clara Alvarez

Cláudia J. Fischer

Daniel Jonas

Desidério Murcho

Diana V. Almeida

Diogo Ourique

Eliana Aguiar

Elsa Sertório

Elsa Vieira

Ernesto Rodrigues

Ester Cortegano

Filomena Vasconcelos

Frederico Pedreira

Gilda Lopes Encarnação

Gonçalo Neves

Gustavo Palma

Helder Guégués

Helena Pitta

Inês Dias

Isabel Castro Silva

Isabel Pettermann

Isabel St Aubyn

Isabel Veríssimo

João Barrento

João Bouza da Costa

João Moita

João Reis

João Tiago Proença

João Vala Roberto

Jorge Fallorca

Jorge Lima

Jorge Pereirinha Pires

Jorge Telles de Menezes

Jorge Vaz de Carvalho

José Alfaro

José Bento

José Colaço Barreiros

José Domingos Morais

José Manuel Ferreira

José Miguel Silva

José Miranda Justo

José Paulo Vaz

José Remelhe

José Santana Pereira

José Teixeira de Aguilar

Júlio Henriques

Liliete Martins

Lucília Filipe

Luís de Barros

Luís Leitão

Luís Lima

Luísa Luiz-Gomes

M. Gomes da Torre

Manuel de Freitas

Manuel Resende

Manuel Santos Marques

Manuela Barros

Manuela Gomes

Manuela Torres

Margarida Periquito

Margarida Vale do Gato

Maria Carvalho

Maria das Mercês de Sousa

Maria do Carmo Abreu

Maria Gomes Duarte

Maria João Freire de Andrade

Maria João Lourenço

Maria João Madeira

Maria João Teixeira Moreno

Maria José Figueiredo

Maria Manuel Viana

Maria Pacheco de Amorim

Maria Teresa Guerreiro

Mário Dias Correia

Marta Lança

Miguel Martins

Miguel Nogueira

Miguel Serras Pereira

Miranda das Neves

Mónica Dias

Natália Fortunato

Nuno Camarneiro

Nuno Costa Santos

Nuno Lobo Salgueiro

Patrícia Xavier

Paulo Faria

Paulo Osório de Castro

Paulo Ramos

Pedro Carvalho

Pedro Elói Duarte

Pedro Mochila

Pedro Tamen

Raquel Dutra Lopes

Raquel Mouta

Raquel Ochoa

Rita Almeida Simões

Rita Canas Mendes

Rita Carvalho e Guerra

Rogério Casanova

Rui Lagartinho

Rui Lopo

Rui Pires Cabral

Salvato Telles de Menezes

São Amaral

Sérgio Coelho

Sílvia Valentina

Sofia Castro Rodrigues

Susana Sousa e Silva

Tânia Ganho

Telma Costa

Teresa Casal

Vanda Gomes

Vasco Gato

Virgílio Tenreiro Viseu

 

 

ADENDA: Como bem me lembra Ivo Miguel Barroso na caixa de comentários, a Associação Portuguesa de Tradutores e a actual presidente da Direcção, Odette Collas, são subscritoras da petição Cidadãos contra o "Acordo Ortográfico" de 1990, ainda em fase de recolha de assinaturas.

Lista actualizada

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O "acordo" é bom, mau é o povo

por Pedro Correia, em 22.08.17

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«Não seria

mais simples para o governo

dissolver o povo

e eleger outro?»

Bertolt Brecht

 

Numa recente entrevista, António Mega Ferreira mostra-se muito surpreendido e agastado pelo facto de quase três décadas após o seu atribulado parto o chamado "acordo ortográfico" (AO90) ainda suscitar muita polémica na sociedade portuguesa, apesar de já ter sido considerado de aplicação obrigatória no ensino e na administração pública por governos de cores diferentes. Dando a impressão de que não é o acordo que está mal: são os próprios portugueses.

"Basta olhar para o escândalo que é a reacção ao acordo ortográfico. É inacreditável que, 27 anos depois de o acordo ter sido aprovado - e aprovado duas vezes por unanimidade no Parlamento - as vozes do passado tenham voltado a erguer-se no momento em que iria entrar em vigor. O acordo tem de ser melhorado, aceito isso. Mas contestá-lo dizendo que vamos ficar a escrever como os brasileiros, caramba..." Palavras do escritor e gestor cultural - publicadas, ironicamente, num jornal que continua a recusar a aplicação da aberrante ortografia. Só falta parafrasear Brecht: se o povo não segue o acordo, mude-se o povo.

Mega Ferreira, um dos raros intelectuais portugueses que aplaudem o AO90, erra a pontaria. Desde logo, a aprovação parlamentar não foi unânime: houve escassos mas honrosos votos contra. Além disso, se o dito (des)acordo enfrenta tão óbvia rejeição - não apenas em Portugal mas noutros países, com destaque para Angola e Moçambique - e tarda em ser assimilado na vasta comunidade lusófona, o problema não é seguramente dos utentes da ortografia: é das próprias regras que um escasso número de lexicógrafos procurou impor à revelia do parecer científico da esmagadora maioria das entidades competentes que se pronunciaram sobre a matéria.

Como aqui enumerei, divulgando os nomes de 260 escritores que recusam escrever segundo as normas ortográficas concebidas em 1990 por Malaca Casteleiro numa lista que está longe de ser exaustiva, a esmagadora maioria dos escritores portugueses rejeita o (des)acordo. Incluindo as "velhas vozes" de Afonso Cruz, Afonso Reis Cabral, Ana Margarida Carvalho, António Carlos Cortez, Beatriz Hierro Lopes, Bruno Vieira Amaral, David Machado, Desidério Murcho, Filipa Leal, Gonçalo M. Tavares, Inês Fonseca Santos, João Ricardo Pedro, João Tordo, Joel Neto, Manuel Jorge Marmelo, Miguel Gullander, Miguel Tamen, Nuno Camarneiro, Nuno Costa Santos, Pedro Eiras, Pedro Mexia, Pedro Sena-Lino, Possidónio Cachapa, Raquel Nobre Guerra, Ricardo Adolfo, Tiago Patrício e Valter Hugo Mãe.

Mega Ferreira está portanto, em evidente contramão. Devia interrogar-se seriamente porquê a tempo da próxima entrevista.

 

 

Leitura complementar: Sabiam que Cleópatra era de Idanha-a-Velha?

Do Nuno Pacheco, no Público.

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