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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 23.12.18

 

É politicamente correcto escrever "politicamente incorreto".

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (133)

por Pedro Correia, em 21.11.18

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  Direcção Regional de Educação do Centro

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Resistência activa ao aborto ortográfico (132)

por Pedro Correia, em 16.11.18

Ass Protectora dos D de P.jpg

 

Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal

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Imperdível

por Pedro Correia, em 25.07.18

 

A entrevista que o poeta António Barahona, sempre tão distante dos holofotes, concedeu ao jornal i. Insurgindo-se, nomeadamente, contra a «burrocracia» do desacordo ortográfico.

Bom jornalismo é fazer, editar e publicar entrevistas como esta.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (131)

por Pedro Correia, em 11.06.18

dia15[1].jpg

 

  Dia 15, novo jornal em papel (mensário) 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (130)

por Pedro Correia, em 14.04.18

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  Vinho Evel, da Real Companhia Velha (Douro)

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Calinada "cultural"

por Pedro Correia, em 07.04.18

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O primeiro-ministro assinou uma "carta aberta" ao sector da cultura, publicada no Portal do Governo.

Leio essa carta.

Logo na primeira linha, um erro de palmatória: "Nos últimos dias, vários criadores culturais têm-me contatado..."

Assim mesmo.

Um iliterado escreveu, o primeiro-ministro assinou e mandou publicar.

Ninguém reparou, ninguém detectou o erro logo na linha inicial, ninguém quis saber da calinada.

Assim anda a "cultura" com chancela oficial neste país.

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A tontice do (des)acordo

por Pedro Correia, em 24.03.18

Facts-about-Ancient-Egypt-8[1].jpg

 

Ontem a selecção nacional jogou contra a do Egipto em Zurique - vitória por 2-1, com dois golos do inevitável Cristiano Ronaldo.

Mas não é de futebol que aqui venho hoje falar-vos: é da nossa tão maltratada língua. De imediato pelo menos dois terços das edições digitais dos jornais que restam se apressaram a escrever "Egito", em obediência ao (des)acordo ortográfico de 1990.

Estipula a pauta acordística que a ortografia deve submeter-se aos ditames da fonética em geral e da "pronúncia culta" em particular - algo que nenhum académico foi até hoje capaz de nos explicar o que significa, com o rigor científico indispensável a quem queira transformar simples bitaites de café em normas com valor legal.

Acontece que sempre escutei pessoas cultas, ao meu redor, pronunciar a palavra Egipto assim mesmo, com o p bem articulado - ressalvando compreensíveis excepções de alguém com deficiências no aparelho vocal. Refiro-me a portugueses, pois os brasileiros falam "de fato" à sua maneira.

Ao fazerem cair o p de Egipto, estes jornais digitais cá do burgo abdicam da secular norma portuguesa, fazem tábua rasa da tal "pronúncia culta" que invocam para outros fins e separam irremediavelmente famílias lexicais, passando a si próprios verdadeiros atestados de analfabetismo funcional. Pois continuam a escrever egípcio, egiptologia e egiptólogo.

Se tantos outros exemplos não houvesse a confirmar a tontice do (des)acordo ortográfico, este bastaria.

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Lost in translation.

por Luís Menezes Leitão, em 23.02.18

A escritora argentina María Gainza escreveu um livro que se chama "El Nervio Óptico". Em português chama-se antes "O Nervo Ótico". Quer dizer que, na tradução portuguesa, o título deixou de se referir ao segundo par (II) dos doze pares de nervos cranianos, referente à visão, para se passar a referir antes ao oitavo par (VIII), referente à audição. Aí está como na tradução — ou na (des)ortografia acordista — se consegue deixar o leitor completamente perdido, até sobre a anatomia humana.

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Assim se vê a força do PC

por jpt, em 22.02.18

 

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Um abaixo-assinado tornado petição fez o malfadado Acordo  Ortográfico de 1990 regressar à Assembleia da República. Só o PCP a ele se opôs. Os outros partidos? Renovando, cada um com o seu trinado, o apoio a esta "coisa".

Após a democracia a mentalidade colonial (uma visão do mundo, e uma concepção de Portugal nesse mundo) continuou resistente no país. Muito vigorosa, particularmente na direita profunda e no republicanismo do PS, que a este foi âmago - tudo muito consistente com a história colonialista da I República e do advento do Estado Novo. Foi esta via, trôpega, inculta (ainda que adornada de títulos), aliada à velha guarda da oposição democrática brasileira, esta até ridícula nas suas retóricas de então, que deu azo ao A090, um patético acto de colonialismo fossilizado.

Pelos vistos, 44 anos depois do "Democratizar, Descolonizar, Desenvolver" o único partido que se conseguiu elevar a uma descolonização foi o PCP. Ficam os outros patetas agarrados ao sonho homográfico como alimento da "comunhão de interesses e sentimentos", a abjecta e inútil retórica desta gente. E ficam os respectivos "intelectuais orgânicos" (vá, venham-me lá tecer loas aos "de Argel" e aos ex-adeptos das FP-25) a focinhar no disparate.

Nem que seja por um dia ...Avante Camaradas.

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (129)

por Pedro Correia, em 17.02.18

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  Em Algés

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Resistência activa ao aborto ortográfico (128)

por Pedro Correia, em 28.01.18

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O Acordo Ortográfico

por jpt, em 24.09.17

Acordo Ortográfico: recém-chegado a Belém o novo PR investiu contra o AO90. O MNE Santos Silva, o aríete anti-Marcelo do governo, deu-lhe voz de comando e MRS perfilou-se. E o silêncio adensou-se sobre o assunto. E mantém-se na ortografia o último bafo, fedorento, da mentalidade colonial republicana/socialista. E a patetice do primado da fonética ""("culta").

 

Leio mais textos de moçambicanos (de pronúncia "culta") do que a esmagadora maioria dos eleitores de MRS e ASS. Mais do que eles posso antever o conteúdo do futuro AO35(?). Lembro-me disso todas as vezes que abro o FB. Como agora, domingo de manhã: oriundo do país da catana, que não da foice, onde não se monda nem ceifa, leio um pungente lamento sobre uma mortandade rodoviária, com inúmeras anuências, e seguido de debate sobre a segurança na estrada. Começa assim o texto "o motorista seifou ...". E, de facto, uái note?

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Resistência activa ao aborto ortográfico (127)

por Pedro Correia, em 02.09.17

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  Anteontem, no estádio do Bessa, durante o jogo Portugal-Ilhas Faroé

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Elogio a tradutores que resistem

por Pedro Correia, em 23.08.17

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Lembrei ontem que a esmagadora maioria dos escritores portugueses rejeita o impropriamente chamado "acordo ortográfico". É justo mencionar outra categoria de utentes qualificados do nosso idioma que tem estado na primeira linha do justo combate às aberrações ortográficas tão bem enumeradas aqui pelo Nuno Pacheco. Tantas vezes incompreendidos, os tradutores - vários deles aliás também escritores, como Pedro Tamen, Ana Luísa Amaral, Daniel Jonas, José Miguel Silva, Desidério Mucho ou Ernesto Rodrigues, entre outros, podendo todos ser considerados autores, enquanto criadores ou recriadores literários - exercem uma função muito importante na oposição ao AO90, enfrentando por vezes pressões de determinados editores ou de certos "agentes culturais" indiferentes à absurda segmentação de famílias lexicais (quem sofre de epilepsia deixou de ser epiléptico, tornando-se epilético) e à disparatada diversificação ortográfica de palavras anteriormente escritas da mesma forma em Portugal e no Brasil (como decepção e recepção, que perderam a suposta consoante muda na escrita acordística cá da terra).

Aqui expresso portanto a devida homenagem a esses resistentes, que têm sabido remar contra a maré. É uma lista necessariamente incompleta, que irá aumentando à medida que me for lembrando de mais nomes, podendo os próprios leitores fazer-me tais sugestões também.

Uma lista que não poderia esquecer Rui Santana Brito, prolífico e competentíssimo tradutor, infelizmente falecido já este ano.

Com o meu agradecimento, enquanto leitor, a todos eles.

 

Alberto Gomes

Alberto Osório Fernandes

Alexandre Brandão da Veiga

Alice Rocha

Ana Barradas

Ana Corrêa da Silva

Ana Falcão Bastos

Ana Luísa Amaral

Ana Maciel

Ana Maria Chaves

Ana Maria Pinto da Silva

Ana Santos

Ana Simões

Aníbal Fernandes

António Guerreiro

António Lopes Cardoso

António Pescada

António Rodrigues

Carlos Afonso Lobo

Carlos Mota Cardoso

Carlos Sousa Almeida

Carlos Vaz Marques

Carlos Vieira da Silva

Catarina Mourão

Clara Alvarez

Cláudia J. Fischer

Daniel Jonas

Desidério Murcho

Diana V. Almeida

Diogo Ourique

Eliana Aguiar

Elsa Sertório

Elsa Vieira

Ernesto Rodrigues

Ester Cortegano

Filomena Vasconcelos

Frederico Pedreira

Gilda Lopes Encarnação

Gonçalo Neves

Gustavo Palma

Helder Guégués

Helena Pitta

Inês Dias

Isabel Castro Silva

Isabel Pettermann

Isabel St Aubyn

Isabel Veríssimo

João Barrento

João Bouza da Costa

João Moita

João Reis

João Tiago Proença

João Vala Roberto

Jorge Fallorca

Jorge Lima

Jorge Pereirinha Pires

Jorge Telles de Menezes

Jorge Vaz de Carvalho

José Alfaro

José Bento

José Colaço Barreiros

José Domingos Morais

José Manuel Ferreira

José Miguel Silva

José Miranda Justo

José Paulo Vaz

José Remelhe

José Santana Pereira

José Teixeira de Aguilar

Júlio Henriques

Liliete Martins

Lucília Filipe

Luís de Barros

Luís Leitão

Luís Lima

Luísa Luiz-Gomes

M. Gomes da Torre

Manuel de Freitas

Manuel Resende

Manuel Santos Marques

Manuela Barros

Manuela Gomes

Manuela Torres

Margarida Periquito

Margarida Vale do Gato

Maria Carvalho

Maria das Mercês de Sousa

Maria do Carmo Abreu

Maria Gomes Duarte

Maria João Freire de Andrade

Maria João Lourenço

Maria João Madeira

Maria João Teixeira Moreno

Maria José Figueiredo

Maria Manuel Viana

Maria Pacheco de Amorim

Maria Teresa Guerreiro

Mário Dias Correia

Marta Lança

Miguel Martins

Miguel Nogueira

Miguel Serras Pereira

Miranda das Neves

Mónica Dias

Natália Fortunato

Nuno Camarneiro

Nuno Costa Santos

Nuno Lobo Salgueiro

Patrícia Xavier

Paulo Faria

Paulo Osório de Castro

Paulo Ramos

Pedro Carvalho

Pedro Elói Duarte

Pedro Mochila

Pedro Tamen

Raquel Dutra Lopes

Raquel Mouta

Raquel Ochoa

Rita Almeida Simões

Rita Canas Mendes

Rita Carvalho e Guerra

Rogério Casanova

Rui Lagartinho

Rui Lopo

Rui Pires Cabral

Salvato Telles de Menezes

São Amaral

Sérgio Coelho

Sílvia Valentina

Sofia Castro Rodrigues

Susana Sousa e Silva

Tânia Ganho

Telma Costa

Teresa Casal

Vanda Gomes

Vasco Gato

Virgílio Tenreiro Viseu

 

 

ADENDA: Como bem me lembra Ivo Miguel Barroso na caixa de comentários, a Associação Portuguesa de Tradutores e a actual presidente da Direcção, Odette Collas, são subscritoras da petição Cidadãos contra o "Acordo Ortográfico" de 1990, ainda em fase de recolha de assinaturas.

Lista actualizada

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O "acordo" é bom, mau é o povo

por Pedro Correia, em 22.08.17

letrinhas_acordo[1].jpg

 

«Não seria

mais simples para o governo

dissolver o povo

e eleger outro?»

Bertolt Brecht

 

Numa recente entrevista, António Mega Ferreira mostra-se muito surpreendido e agastado pelo facto de quase três décadas após o seu atribulado parto o chamado "acordo ortográfico" (AO90) ainda suscitar muita polémica na sociedade portuguesa, apesar de já ter sido considerado de aplicação obrigatória no ensino e na administração pública por governos de cores diferentes. Dando a impressão de que não é o acordo que está mal: são os próprios portugueses.

"Basta olhar para o escândalo que é a reacção ao acordo ortográfico. É inacreditável que, 27 anos depois de o acordo ter sido aprovado - e aprovado duas vezes por unanimidade no Parlamento - as vozes do passado tenham voltado a erguer-se no momento em que iria entrar em vigor. O acordo tem de ser melhorado, aceito isso. Mas contestá-lo dizendo que vamos ficar a escrever como os brasileiros, caramba..." Palavras do escritor e gestor cultural - publicadas, ironicamente, num jornal que continua a recusar a aplicação da aberrante ortografia. Só falta parafrasear Brecht: se o povo não segue o acordo, mude-se o povo.

Mega Ferreira, um dos raros intelectuais portugueses que aplaudem o AO90, erra a pontaria. Desde logo, a aprovação parlamentar não foi unânime: houve escassos mas honrosos votos contra. Além disso, se o dito (des)acordo enfrenta tão óbvia rejeição - não apenas em Portugal mas noutros países, com destaque para Angola e Moçambique - e tarda em ser assimilado na vasta comunidade lusófona, o problema não é seguramente dos utentes da ortografia: é das próprias regras que um escasso número de lexicógrafos procurou impor à revelia do parecer científico da esmagadora maioria das entidades competentes que se pronunciaram sobre a matéria.

Como aqui enumerei, divulgando os nomes de 260 escritores que recusam escrever segundo as normas ortográficas concebidas em 1990 por Malaca Casteleiro numa lista que está longe de ser exaustiva, a esmagadora maioria dos escritores portugueses rejeita o (des)acordo. Incluindo as "velhas vozes" de Afonso Cruz, Afonso Reis Cabral, Ana Margarida Carvalho, António Carlos Cortez, Beatriz Hierro Lopes, Bruno Vieira Amaral, David Machado, Desidério Murcho, Filipa Leal, Gonçalo M. Tavares, Inês Fonseca Santos, João Ricardo Pedro, João Tordo, Joel Neto, Manuel Jorge Marmelo, Miguel Gullander, Miguel Tamen, Nuno Camarneiro, Nuno Costa Santos, Pedro Eiras, Pedro Mexia, Pedro Sena-Lino, Possidónio Cachapa, Raquel Nobre Guerra, Ricardo Adolfo, Tiago Patrício e Valter Hugo Mãe.

Mega Ferreira está portanto, em evidente contramão. Devia interrogar-se seriamente porquê a tempo da próxima entrevista.

 

 

Leitura complementar: Sabiam que Cleópatra era de Idanha-a-Velha?

Do Nuno Pacheco, no Público.

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Convidado: FRANCISCO M. VALADA

por Pedro Correia, em 02.08.17

 

Susceptibilidades e rigor científico

 

 

Algernon: Nothing annoys people so much as not receiving invitations.

— Oscar Wilde, “The Importance of Being Earnest”

 

De vez em quando, há quem seja paladino do rigor científico, aniquilando-o em simultâneo. Isso aconteceu recentemente num texto do jornalista Daniel Oliveira, acerca das controversas declarações de Gentil Martins:

De outras refregas e escrutínios, é sabido que, por aquelas bandas, por única e exclusiva culpa da direcção do Expressoo rigor tem dias.

Por isso mesmo, não fiquei agradavelmente surpreendido ao ler "susceptíveis", pois adivinhei logo o resto do enredo, com a esperada presença no texto de insuportáveis obscenidades científicas como "correto" (uma espécie de coreto com dois erres) ou "coação" (a lembrar, por exemplo, o agora extremamente ambíguo acto de coar).

Convém deixar temas complexos como o "rigor científico" – em abstracto ou até mesmo em concreto, como nos casos do artigo enquanto subclasse fundamental do determinante  e  da electrodinâmica quântica  – a quem faz da ciência forma de vida.

A simples menção “rigor científico”, num jornal que impôs, aos seus profissionais e leitores, um código cientificamente denunciado na praça pública, é, no mínimo, engraçada.

 

FMValada Delito de Opini+úo.png

 

Lamentavelmente, esta mixórdia é o pão nosso de cada dia – não só no Expresso, mas, de forma geral, em qualquer publicação que se meta nestas aventuras ortográficas, sendo o Diário da República o meu exemplo de eleição, por razões que já expliquei. Todavia, em relação ao Diário da República, o Expresso tem, no mínimo, uma agravante: não foi intimado por ninguém a adoptar o quer que fosse. O Expresso adoptou o Acordo Ortográfico de 1990 porque quis fugir para a frente e o resultado está à vista.

A atitude do Expresso perante o fenómeno ortográfico em curso não serve de exemplo a ninguém. Aliás, a silenciosa e irresponsável resistência do jornal A Bola  também não. Mas não nos dispersemos. Concentremo-nos no mau exemplo do Expresso. Obviamente, em nome do rigor. Efectivamente.

 

Nótula: Há convites irrecusáveis, imediatamente aceites e ainda por cima com todo o gosto. Um deles é o que o Pedro Correia me fez: escrever um texto como convidado especial do DELITO DE OPINIÃO. Está escrito. Obrigado, Pedro.

 

 

Francisco Miguel Valada

(blogue AVENTAR)

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Resistência activa ao aborto ortográfico (126)

por Pedro Correia, em 29.07.17

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 Publicidade no metropolitano de Lisboa, Julho de 2017

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Frei Barroso

por Pedro Correia, em 08.04.17

Há poucos dias destaquei aqui Alfredo Barroso, citando uma contundente crítica sua no i ao famigerado "acordo ortográfico".

Qual não foi o meu espanto ao ver agora, também na edição impressa do mesmo jornal, um texto de opinião do mesmíssimo autor escrito em... acordês. Um texto em que se lê "transações(sic) financeiras", "atividade"(sic) produtiva", "Investimentos diretos(sic), etc.

Eis-nos perante alguém que pede meças ao famoso Frei Tomás: faz como ele diz, não faças como ele faz.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 24.03.17

«O Acordo Ortográfico de 1990, em que abundam aberrações de todo o tipo, é mais um dos "monstros" gerados pela governação de Cavaco Silva (o mais famoso dos quais é o da dívida pública). E aqui vão, tão-só, dois exemplos.

O primeiro é o da eliminação arbitrária do uso do hífen. Que me pôs a suspeitar da razão pela qual a expressão "cor-de-rosa" tem hífen e a expressão "cor de laranja" não tem! Terá sido uma profecia política que só agora se consumou, com o traço de união entre o partido cor-de-rosa (PS) e a maioria parlamentar de esquerda que aguenta o governo?! E o partido cor de laranja (PPD-PSD) terá ficado sem hífen porque ameaça desmoronar-se?!

O segundo é o da supressão arbitrária do acento agudo, a provocar situações hilariantes. Veja-se o caso da expressão popular "Alto e pára o baile" (isto é, "stop"). Escrita com acento agudo antes do AO90, passou a escrever-se sem acento agudo - "Alto e para o baile" (isto é, "go") - na grafia do AO90.»

Alfredo Barroso, no i

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