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Resistência activa ao aborto ortográfico (136)

por Pedro Correia, em 03.09.19

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Lisboa, na parede exterior do Palácio de Belém

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Resistência activa ao aborto ortográfico (135)

por Pedro Correia, em 12.08.19

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  Coimbra, Rua Ferreira Borges

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Hoje, em Lisboa

por Pedro Correia, em 22.07.19

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Tiro à letra

por Pedro Correia, em 12.04.19

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Há livros que são editados com os pés, para usar uma expressão da gíria jornalística. Abrimos um exemplar e logo na contracapa ou numa badana deparamos com um erro grosseiro, gerado por ignorância ou incompetência - daqueles que nos levam de imediato a pôr aquilo de parte.

Por vezes o disparate surge não na casca, mas já no miolo, no espaço reservado à apresentação ou prefácio. Aconteceu-me há dias, com um exemplar de uma destas editoras que pretendem difundir "coisas giras" e "fora da caixa". Bastou-me ir à primeira página impressa para deparar com isto: como se não bastasse o impiedoso extermínio das impropriamente chamadas "consoantes mudas", o tiro à letra é tão obsessivo que leva estes mabecos a mutilarem até palavras como "actual", aqui mascarada de "acual". Deve ser idioma de pato: língua portuguesa não é, seguramente.

Fechei o livro e ele lá ficou, a gozar um merecido repouso. Faço votos para que seja perpétuo.

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Sugestão de leitura

por Pedro Correia, em 03.04.19

 

A miséria ortográfica nacional e o fulgor das línguas do mundo. Do Nuno Pacheco, no Público.

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (134)

por Pedro Correia, em 30.03.19

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  CP, nas ligações ferroviárias Lisboa-Cascais

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Cavaco, Sócrates e os analfabetos funcionais

por Pedro Correia, em 21.02.19

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Certas luminárias contemporâneas que pretendem fazer ironia com as orthographias antigas da língua portuguesa -- aludindo por vezes a autores que publicaram há pouco mais de cem anos -- estão, no fundo, a produzir argumentos contra o "acordo ortográfico" e não a favor. Ao contrário do que supunham.

É incompreensível que um inglês leia Walter Scott, Charles Dickens ou Oscar Wilde na grafia original, o mesmo sucedendo a um francês em relação a Balzac, Flaubert ou Zola, um espanhol em relação a Pérez Galdós ou Valle-Inclán e um norte-americano em relação a Herman Meville ou Mark Twain, enquanto as obras de um Camilo ou um Eça de Queiroz já foram impressas em quatro diferentes grafias do nosso idioma.

As sucessivas reformas da ortografia portuguesa -- somam-se quatro no último século -- constituem um péssimo exemplo de intromissão do poder político numa área que devia ser reservada em exclusivo à comunidade científica. Isto se ambicionássemos reproduzir os modelos implantados em nações com um índice de alfabetização muito mais sedimentado do que o nosso.

Cada mudança de regime, desde a queda da Monarquia, produziu pelo menos uma "reforma ortográfica" em Portugal. Para efeitos que nada tinham a ver com o amor à língua portuguesa, muito pelo contrário.

Cada "reforma" foi-nos afastando da raiz original da palavra, ao contrário do que sucedeu com a esmagadora maioria das línguas europeias -- como o inglês, o francês, o alemão e em certa medida o espanhol. A pior de todas essas reformas foi a mais recente, que separou famílias lexicais produzindo aberrações como "os egiptólogos que trabalham no Egito [sic] são quase todos egípcios" ou "a principal característica dos portugueses é terem um forte caráter [sic]".

Esta ruptura com a etimologia ocorre, convém sublinhar, num momento em que nunca foi tão generalizada a aprendizagem de línguas estrangeiras entre nós, impulsionada pela globalização em curso. Assim, enquanto os políticos de turno pretendem impor a grafia "ator" [sic] à palavra actor, os portugueses continuarão a aprender "actor" em inglês, "acteur" em francês, "actor" em castelhano e "akteur" em alemão.

Não adianta deitar fora a etimologia pela porta: ela regressa sempre pela janela. Através de idiomas nunca sujeitos aos tratos de polé de "acordos ortográficos" como o que Cavaco Silva pôs em marcha como primeiro-ministro, em 1990, e que José Sócrates, também como chefe do Governo, mandou aplicar nas escolas e repartições públicas, dezoito anos mais tarde. Ambos exorbitando dos seus poderes, ambos sem imaginarem que estariam a produzir novas legiões de analfabetos funcionais.

 

Publicado originalmente no jornal Dia 15.

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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 23.12.18

 

É politicamente correcto escrever "politicamente incorreto".

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (133)

por Pedro Correia, em 21.11.18

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  Direcção Regional de Educação do Centro

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Resistência activa ao aborto ortográfico (132)

por Pedro Correia, em 16.11.18

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Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal

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Imperdível

por Pedro Correia, em 25.07.18

 

A entrevista que o poeta António Barahona, sempre tão distante dos holofotes, concedeu ao jornal i. Insurgindo-se, nomeadamente, contra a «burrocracia» do desacordo ortográfico.

Bom jornalismo é fazer, editar e publicar entrevistas como esta.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (131)

por Pedro Correia, em 11.06.18

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  Dia 15, novo jornal em papel (mensário) 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (130)

por Pedro Correia, em 14.04.18

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  Vinho Evel, da Real Companhia Velha (Douro)

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Calinada "cultural"

por Pedro Correia, em 07.04.18

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O primeiro-ministro assinou uma "carta aberta" ao sector da cultura, publicada no Portal do Governo.

Leio essa carta.

Logo na primeira linha, um erro de palmatória: "Nos últimos dias, vários criadores culturais têm-me contatado..."

Assim mesmo.

Um iliterado escreveu, o primeiro-ministro assinou e mandou publicar.

Ninguém reparou, ninguém detectou o erro logo na linha inicial, ninguém quis saber da calinada.

Assim anda a "cultura" com chancela oficial neste país.

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A tontice do (des)acordo

por Pedro Correia, em 24.03.18

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Ontem a selecção nacional jogou contra a do Egipto em Zurique - vitória por 2-1, com dois golos do inevitável Cristiano Ronaldo.

Mas não é de futebol que aqui venho hoje falar-vos: é da nossa tão maltratada língua. De imediato pelo menos dois terços das edições digitais dos jornais que restam se apressaram a escrever "Egito", em obediência ao (des)acordo ortográfico de 1990.

Estipula a pauta acordística que a ortografia deve submeter-se aos ditames da fonética em geral e da "pronúncia culta" em particular - algo que nenhum académico foi até hoje capaz de nos explicar o que significa, com o rigor científico indispensável a quem queira transformar simples bitaites de café em normas com valor legal.

Acontece que sempre escutei pessoas cultas, ao meu redor, pronunciar a palavra Egipto assim mesmo, com o p bem articulado - ressalvando compreensíveis excepções de alguém com deficiências no aparelho vocal. Refiro-me a portugueses, pois os brasileiros falam "de fato" à sua maneira.

Ao fazerem cair o p de Egipto, estes jornais digitais cá do burgo abdicam da secular norma portuguesa, fazem tábua rasa da tal "pronúncia culta" que invocam para outros fins e separam irremediavelmente famílias lexicais, passando a si próprios verdadeiros atestados de analfabetismo funcional. Pois continuam a escrever egípcio, egiptologia e egiptólogo.

Se tantos outros exemplos não houvesse a confirmar a tontice do (des)acordo ortográfico, este bastaria.

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Lost in translation.

por Luís Menezes Leitão, em 23.02.18

A escritora argentina María Gainza escreveu um livro que se chama "El Nervio Óptico". Em português chama-se antes "O Nervo Ótico". Quer dizer que, na tradução portuguesa, o título deixou de se referir ao segundo par (II) dos doze pares de nervos cranianos, referente à visão, para se passar a referir antes ao oitavo par (VIII), referente à audição. Aí está como na tradução — ou na (des)ortografia acordista — se consegue deixar o leitor completamente perdido, até sobre a anatomia humana.

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Assim se vê a força do PC

por jpt, em 22.02.18

 

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Um abaixo-assinado tornado petição fez o malfadado Acordo  Ortográfico de 1990 regressar à Assembleia da República. Só o PCP a ele se opôs. Os outros partidos? Renovando, cada um com o seu trinado, o apoio a esta "coisa".

Após a democracia a mentalidade colonial (uma visão do mundo, e uma concepção de Portugal nesse mundo) continuou resistente no país. Muito vigorosa, particularmente na direita profunda e no republicanismo do PS, que a este foi âmago - tudo muito consistente com a história colonialista da I República e do advento do Estado Novo. Foi esta via, trôpega, inculta (ainda que adornada de títulos), aliada à velha guarda da oposição democrática brasileira, esta até ridícula nas suas retóricas de então, que deu azo ao A090, um patético acto de colonialismo fossilizado.

Pelos vistos, 44 anos depois do "Democratizar, Descolonizar, Desenvolver" o único partido que se conseguiu elevar a uma descolonização foi o PCP. Ficam os outros patetas agarrados ao sonho homográfico como alimento da "comunhão de interesses e sentimentos", a abjecta e inútil retórica desta gente. E ficam os respectivos "intelectuais orgânicos" (vá, venham-me lá tecer loas aos "de Argel" e aos ex-adeptos das FP-25) a focinhar no disparate.

Nem que seja por um dia ...Avante Camaradas.

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (129)

por Pedro Correia, em 17.02.18

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  Em Algés

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Resistência activa ao aborto ortográfico (128)

por Pedro Correia, em 28.01.18

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O Acordo Ortográfico

por jpt, em 24.09.17

Acordo Ortográfico: recém-chegado a Belém o novo PR investiu contra o AO90. O MNE Santos Silva, o aríete anti-Marcelo do governo, deu-lhe voz de comando e MRS perfilou-se. E o silêncio adensou-se sobre o assunto. E mantém-se na ortografia o último bafo, fedorento, da mentalidade colonial republicana/socialista. E a patetice do primado da fonética ""("culta").

 

Leio mais textos de moçambicanos (de pronúncia "culta") do que a esmagadora maioria dos eleitores de MRS e ASS. Mais do que eles posso antever o conteúdo do futuro AO35(?). Lembro-me disso todas as vezes que abro o FB. Como agora, domingo de manhã: oriundo do país da catana, que não da foice, onde não se monda nem ceifa, leio um pungente lamento sobre uma mortandade rodoviária, com inúmeras anuências, e seguido de debate sobre a segurança na estrada. Começa assim o texto "o motorista seifou ...". E, de facto, uái note?

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