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Dia da Liberdade

por Pedro Correia, em 25.04.20

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Estado de emergência a vigorar até 2 de Maio, data em que será presumivelmente substituído por um estado de calamidade pública. Supressão parcial ou total da liberdade de circulação, da liberdade de reunião, da liberdade de manifestação, do direito à greve, do direito de resistência, do direito de emigração, do direito de  iniciativa económica privada. Centenas de pessoas detidas por crime de desobediência. Selos sanitários em hotéis e restaurantes - deixando implícito que os restantes serão pestíferos ou purulentos. Medição de temperatura a futuros clientes à entrada de restaurantes e de trabalhadores nas empresas. Praias com lotação limitada - algo jamais visto neste país, nem sequer em períodos de ditadura. Interdição da prática de cultos religiosos, em flagrante contraste com o culto dos rituais do Estado, que continuam a praticar-se. Perseguição a velhos nos jardins públicos e a jovens surfistas nas águas do mar. "Cercas sanitárias" decretadas em vários perímetros municipais, mesmo em concelhos com apenas dez casos de infecção por coronavírus detectados. Mecanismos de "reconhecimento facial" em avaliação para possível réplica local dos métodos que já são correntes na China. Câmaras térmicas para detectar trabalhadores com febre. Drones com altifalantes exigindo às pessoas para recolherem a casa, como cães-pastores empurrando ovelhas para o curral. Desenvolvimento de tecnologias intrusivas para "medir o nível de confinamento" e "analisar a mobilidade dos cidadãos". Preparação para a chamada "geolocalização de contágios" por aplicação em telemóvel. Monolitismo de opiniões, a pretexto da obediência às autoridades sanitárias, transformando qualquer crítica em delito de lesa-patriotismo

Dia da liberdade. Festejemos, pois. 

Inaceitável

por Pedro Correia, em 23.04.20

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Amarga ironia: a única deputada independente do parlamento português é impedida de falar na sessão solene alusiva ao Dia da Liberdade.

Por mais que discorde do que Joacine Katar Moreira possa dizer, defenderei sempre o seu direito a falar no hemiciclo. Sobretudo num dia como este.

Se ela continuar impedida de subir à tribuna parlamentar no 25 de Abril, Ferro Rodrigues volta a cobrir-se de vergonha. Com máscara ou sem máscara.

Dedicado às beatas do regime

por Paulo Sousa, em 22.04.20

Depois do meu texto anterior relativo aos velhos marretas que “orgulhosamente sós” e do alto da sua bancada insistem, de dedo em riste e voz grossa, em mostrar aos portugueses que lhes devemos obediência e gratidão pelo regime que temos, achei que importava acrescentar algumas considerações.

Afirmo que desde a sua criação e consolidação, o actual regime constituiu um tremendo avanço em relação ao anterior, que só pelo facto de ser uma ditadura fazia dele algo execrável, desprezível e anacrónico.

A democracia razoavelmente decente que temos, constitui um patamar de evolução abaixo do qual o país nunca poderá regressar. 

O primado da liberdade nas suas diferentes vertentes, do respeito pelos direitos humanos, com especial enfoque pelos direitos das mulheres e das minorias, não é nem nunca deve ser um luxo da situação, mas apenas uma base de decência mínima.

Eu, que ainda usava fraldas quando a nossa democracia liberal foi instituída, cresci a acompanhar a sua evolução. Na escola primária cantei o hino da época de “Uma gaivota voava, voava, somos livres”, cheio de significado para quem nos ensinava a letra, mas banal e repetitivo para quem o aprendia. Para a minha geração essa liberdade, felizmente, foi sempre um dado adquirido. Pode incomodar os mais ortodoxos, mas a banalidade e indiferença das gerações mais novas perante as conquistas de Abril são o indicador maior do seu sucesso.

Para a minha geração, e para os mais novos que eu, a paz, a inexistência de censura formal, as eleições livres, as fronteiras abertas, mas também a constituição, a república, a separação do estado e da igreja, o conceito de propriedade privada, assim como o sistema heliocêntrico, são tudo conquistas do passado. Todos nós, sem excepção, temos uma dívida moral para com aqueles que contribuíram para o mundo que hoje temos, desde Galileu Galilei, a Magalhães, a Darwin, a Pasteur e a Salgueiro Maia.

Por isso, quando digo que está a chegar a hora de exigirmos mais e oiço de imediato as forças conservadoras da actualidade, a que chamo de beatas do regime, a chamaram-me facho, acabo por achar piada, pois sem darem por isso imitam as reacções das beatas do Estado Novo quando alguém exigia o fim da guerra colonial e uma democracia ocidental. Claro que já não me podem mandar prender por delito de opinião, mas isso agora é apenas normal.

Cresci e vivo em liberdade e por isso recuso-me a não poder exigir mais crescimento económico e mais oportunidades para os jovens. O actual sistema de reformas foi desenhado num Portugal com uma estrutura etária completamente diferente e há muito que deixou de ser sustentável. Isto é público e sabido e só não foi ainda corrigido por puro calculismo eleitoral. E não são as reformas miseráveis das pessoas simples que ferem o sistema, mas sim as muito elevadas que são imensas. Já aqui falei disso.

Para os que estão bem estacionados na pirâmide do regime e que insistem que o que temos é perfeito, eu lembro-lhes que um quinto dos portugueses vive na pobreza e os seus filhos não podem aspirar a muito mais do que isso. Estes portugueses não têm voz e não sentem que ir votar faça a diferença. A abstenção é a prova de que a linguagem dos políticos não consegue fazer-se ouvir fora da bolha onde vivem.

Lembro-lhes também o sufoco financeiro que os jovens sentem em tornar-se independentes dos seus pais, lembro-lhes que temos uma justiça labiríntica onde só os poderosos sabem navegar, lembro-lhes que as várias falências do país não são obra do destino, lembro-lhes que cada bébé que nasce hoje deve dinheiro suficiente para comprar um chaimite daqueles ilustram o 25 de Abril, e lembro-lhes que a dimensão da imigração dos anos 60 era um indicador tão fidedigno dos desequilíbrios do Estado Novo como o é do actual regime.

Por tudo isto, só quem vive alienado não reconhece que entre o regime e demasiados portugueses existe um vazio que politicamente alguém irá preencher.

Insistir em chamar facho a quem diz que o que temos não é suficiente é negar a realidade, é adiar reformas e alimentar radicalismos.

A ler

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.04.20

Para além de colega e actualmente meu bastonário, o Luís Menezes Leitão é, igualmente, companheiro nesta casa que nos acolhe. Espero que, apesar disso, o autor me perdoe.

Faltando-me a paciência e a disposição para sobre o tema escrever alguma coisa, não podia deixar de aqui trazer o que ele escreveu na sua crónica do jornal i sobre as comemorações do 25 de Abril pela Assembleia da República.

Para se concordar não é preciso estar no mesmo campo político. Tal como para criticar também não se exige estar do outro lado da barricada.

É que há coisas que me parecem de tal forma evidentes que só por birra ou ausência completa de bom senso se pode insistir. E nesta insistência temos tido dirigentes que são imbatíveis, conseguindo mostrar dentro e fora do Parlamento que é possível articular as duas na perfeição.

Absurdo, chocante, inaceitável

por Pedro Correia, em 21.04.20

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«A forma como se comemora o 25 de Abril na Assembleia da República está a dar cabo da imagem do 25 de Abril.»

Miguel Sousa Tavares, ontem, na TVI



É absurdo que o Estado festeje a liberdade num momento em que os direitos, liberdades e garantias estão severamente restringidos - o que sucede pela primeira vez desde a instauração do actual regime constitucional - e há pessoas a ser detidas por "crime de desobediência".



É chocante que os deputados fechem os olhos à dor que alastra na sociedade, com um português a morrer de Covid-19 a cada hora que passa, e prefiram celebrar efemérides em flagrante violação das regras de confinamento que eles próprios impuseram aos compatriotas ao aprovarem o estado de emergência.

 

É totalmente inaceitável que alguns políticos e comentadores pretendam passar atestados de lesa-democracia a quem, precisamente em nome da liberdade de discordar, ousa contestar a inadequada e descabida cerimónia celebrativa que teimam em levar avante num momento de luto nacional.

A casta

por Pedro Correia, em 20.04.20

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Eis um "estado de emergência" à portuguesa: os políticos, em vez de darem o exemplo de respeito pelas normas que impõem aos outros, assumem-se como casta separada do conjunto dos portugueses, preparando-se para comemorar o 25 de Abril em sessão solene da Assembleia da República. Violando assim as regras de drástico confinamento que aprovaram naquele mesmo local.

Voltamos, assim, a ter dois países dentro do País. O país que manda e o país que obedece.

 

No país que obedece, há cidadãos a ser detidos por "crime de desobediência" - por recusarem levantar-se de um banco público onde estão sentados sem ninguém ao lado, por caminharem solitariamente junto à praia.

No país que obedece, vemos compatriotas submetidos a "cercas sanitárias" impostas por autarcas armados em xerifes ou líderes regionais sequiosos de palco público em concelhos onde existem "dez novos casos" (!) de infectados.

No país que obedece, milhares de pessoas são impedidas de assistir a funerais de familiares e amigos, em nome das drásticas regras sanitárias, e há gente que chora por não ter sido autorizada a despedir-se de um ente querido. Nunca terão segunda oportunidade para o fazerem.

 

Entretanto, no país que manda, a casta - integrando largas dezenas de pessoas pertencentes a grupos de risco - prepara-se para reunir, à porta fechada, em festiva violação das normas que parecem dirigir-se só aos outros, entre despropositadas e até insultuosas loas retóricas à "liberdade" em pleno estado de emergência. Num momento da vida nacional e mundial que devia ser de recolhimento e luto, não de celebração seja do que for.

Depois lamentem-se de haver por aí muitos "populistas", fartos de verem dois países dentro do País. João Soares foi o primeiro a perceber isto: leiam e meditem no alerta dele.

 

Leitura complementar:

Pandemia(7): O 25 de Abril é de todos! De Vital Moreira, na Causa Nossa.

Pandemia (9): Democracia celebratória. De Vital Moreira, na Causa Nossa.

Sobre o ajuntamento do próximo dia 25

por Paulo Sousa, em 19.04.20

O 25 de Abril foi um golpe de estado da tropa.

O regime anterior não conseguiu manter a motivação dos seus soldados e estes sentiram-se desligados da mão que os vestia e alimentava. Conseguiram levar o golpe por diante porque tinham armas e estavam treinados para as usar. Os padeiros, os pescadores, ou pastores nunca conseguiriam tal empreitada.

Aceito que alguns dos 'capitães' teriam aspirações de levar o povo para uma vida melhor, mas de facto nenhum deles singrou na política activa e, interpretação minha, acabaram por delegar a governação do país nas mãos dos que a isso aspiravam e, ao fim e ao cabo, estiveram na hora certa e no local certo.

Como o relógio não pára, a primeira vaga dos políticos que alinhavaram o actual regime já está velha. Basta ver a média de idades das ilustres figuras que estarão presentes no ajuntamento, a que chamam celebração, que decorrerá no próximo dia 25 de Abril.

Já tive a oportunidade de alinhar em críticas a este ajuntamento mas, depois de procurar um ângulo diferente para observar o fenómeno, acabei por reparar que a celebração deste ano, o 46º após o golpe, não é descabida coisa nenhuma, e será sim a mais significativa e fidedigna cerimónia do espírito do regime.

Cento e trinta marretas, sem 'populares' a aplaudir, que se representam a eles próprios e aos privilégios que conseguiram assegurar para si, para os seus amigos e protegidos, irão continuar a tentar a convencer a maralha que aquela coisa - o golpe - foi feita pelo povo.

Eles sabem bem que esse mito, de que o golpe foi feito pelo povo, é o degrau onde assenta a choldra que representam, e por isso não podem arredar pé.

Regressando à pandemia e lembrando a festa do bar 75 em Vila Maior, Santa Maria da Feira, alusiva ao covid, apontada como um exemplo acabado de irresponsabilidade e de mau-gosto, importa fazer uma comparação. Ali quem participou pagou o que comeu e bebeu, enquanto que no ajuntamento do 25 de Abril, quem paga não participa.

Isto das "celebrações" mostra bem o espírito de casta, fermentado na cultura maçónica e da sua estreita abordagem ao simbólico, da gente que gere o país. Acima do povo. Não vale a pena bradar sobre o fraco que é Ferro Rodrigues, pois apenas corresponde ao que há. Ou sobre a superficialidade do PR, também correspondente ao que o povo vota(ou?). Mesmo com o que João Soares disse - ainda que também ele maçónico, note-se -, mostrando senso político, talvez herdado, continuam as patetas proclamações. Imensos clamam que estando a AR a funcionar nada obsta a uma cerimónia com pompa, como se o assunto seja o do horário de uma repartição. E vão convictos nisso, como se defendessem "Abril".

A questão é de como as pessoas recebem isto no seu íntimo. Luis Naves, nosso co-bloguista aqui no Delito de Opinião, perdeu o pai (os meus pêsames). Narra que o funeral apenas teve 11 pessoas, "uma a mais do que o permitido". Na última semana três pessoas que me são próximas vivem situações semelhantes (um funeral paterno, duas impossibilitadas de acompanhar pais nonagenários, muito doentes, sem Covid). São coisas diferentes? São, mas o relevante é o impacto na população, as formas como a acção política é lida e sentida. Quando pessoas que há décadas vivem na e da política não o compreendem isso é sinal da degenerescência do regime. E do quão obtusos são muitos dos cidadãos que, por estreita militância de sofá, sentem que apoiar é tudo aceitar.

João Gonçalves escreveu ontem um postal no FB sobre o facto da rainha de Inglaterra ter, pela primeira vez, suspendido as celebrações públicas do seu aniversário (que têm, no seu simbolismo, uma dimensão política). Veja-se o inusitado eco desse postal, muito significante. Entretanto Putin cancelou as celebrações da vitória na II Guerra Mundial, as quais têm uma dimensão extrema de exaltação nacionalista e de afirmação deste presidente. Ao invés, por cá temos o "poeta de combate" Manuel Alegre a sair à liça, em retórica falsária, a defender "Abril" - quando o que se pede, e ele aldraba na contestação, é uma frugalidade simbólica, uma densidade política.

E tudo se fará para festejar com pompa, ao invés do que mandaria a prudência sanitária (pelos efeitos no comportamento das pessoas, não pela higiene da cerimónia) e a comunhão política (idem). Também para que se possa dar realce simbólico e político a um homem tão básico como Vasco Lourenço. Esse que, exaltado com a proximidade de "Abril" onde terá o seu momento anual de consagração, acaba de apelar ao golpe militar no Brasil. E ao qual os seus correligionários maçónicos tanto abraçarão entre pompas e cerimónias, "para brasileiro ver".

Claro que ao dizer isto convoco que as rasteiras invectivas, os urros de "bolsonarista", "fascista". Exactamente daqueles que andam aí a defender "Abril" deste modo. Para um ou outro escasso imbecil que ainda apoie esta arrogante medida mas que ainda tenha no seu recôndito âmago uma escassa centelha de inteligência (é uma hipótese meramente académica) deixo o trailer deste fraco filme, sobre os dias subsequentes à morte da princesa Diana. O qual valerá apenas por Helen Mirren. Mas há um detalhe que me tem vindo à memória nestes dias em que se discute o simbólico das celebrações ("quer-se dizer", há imensos imbecis que nem percebem o que é "simbólico" mas que para aí andam a falar como "doutores"). Resumo-o:

Diana morreu, comoção generalizada, e crise pois o povo reclama do que considera ser falta de apreço real pela princesa. A quebra de popularidade da Coroa virá a ser enorme, e levará década a sarar. Nos dias prévios ao funeral Blair, muito popular, tenta remediar a situação.

Ora um dos factos que indigna a população, em luto pela "princesa do povo" como lhe chamou Blair, concentrada diante do palácio e das tvs, foi que a bandeira no palácio não fora colocada a meia-haste, como se deveria fazer em sinal de luto. Correu que era o sinal do menosprezo real pela princesa. E estupefacção da rainha quando Blair lhe pede para mandar colocar a meia-haste a bandeira. Pois aquela, no seu simbolismo peculiar, é o pavilhão real, apenas içado para significar a presença da rainha. Tem um significado diferente da bandeira nacional, essa sim passível de ser colocada a meia-haste. Mas as pessoas não conheciam esse detalhe, hoje em dia esquecido. E atribuíam outro significado - político -, julgando-o uma afronta.

É um filminho, não é preciso ser cinéfilo para o ver ou conhecer. João Soares viu-o. O pai dele sabia da poda. Esta gente de agora, aprisionados na sua mentalidade de casta, na jactância, nada percebem. São os coveiros de "Abril". Com a voz cava e vácua de Alegre, e a patetice grosseira de Lourenço e Rodrigues. E dos seus sequazes.

Infecções

por José Meireles Graça, em 19.04.20

O 25 de Abril, sem guerra colonial, não teria tido lugar em 25 de Abril, e quantos anos ainda o regime duraria é anybody’s guess. A “revolução” foi um golpe de um exército cansado de uma guerra sem fim à vista, bem-sucedido porque ninguém estava disposto a defender um regime cujo prazo de validade já fora ultrapassado há muito.

A populaça aderiu em massa e, sem anticorpos contra a doença comunista porque esta fora severamente confinada pelo Estado Novo, houve um crescimento exponencial da infecção, que afectou quase 20% da população.

O agente patológico suscitou à época grandes aflições por se alojar no cérebro, causando danos comportamentais que se traduziam numa forte agressividade em relação a indivíduos sãos, particularmente se financeiramente confortáveis, mas em 25 de Novembro alguns facultativos encontraram tratamento para um dos sintomas, a componente agressiva, que foi erradicada.

Como acontece frequentemente, o vírus, a breve trecho descrito pela literatura da especialidade como o communis74, sofreu mutações: a principal, annacletus99, tem uma taxa de infecção que tem oscilado entre R0 e R1, o que ainda significou no ano transacto quase meio milhão de indivíduos de ambos os sexos, com prevalência em citadinos jovens portadores de acne.

O annacletus99 afecta as suas vítimas nas suas capacidades cognitivas, com manifestações reiteradas de delírios lógicos e recurso a efabulações, não é letal, não existe vacina e, podendo evoluir para uma condição crónica, apresenta todavia taxas de remissão consideráveis por razões que a ciência não pôde ainda apurar, que tendem a manifestar-se em pacientes que ultrapassam a fase juvenil. O sintoma da recuperação é, invariavelmente, uma profissão de fé obsessiva em doutrinas social-democratas.

Quer dizer que, não fora a excessiva contemporização com comportamentos disruptivos de uma sã ordem social, que os poderes públicos adoptaram na tentativa de estabelecer pontes com os afectados, conquistando-lhes a simpatia, e poder-se-ia dizer que se pode conviver, sem graves disrupções, com os vírus desta família.

Elementos da comunidade científica, porém, confessam-se apreensivos com uma possível nova mutação, denunciada pela reacção de vários responsáveis políticos à possibilidade de cidadãos seniores desafiarem as leis que esses responsáveis aprovaram, comemorando o golpe militar acima mencionado em plena Assembleia da República, e desfilando numa marcha tradicional do 1º de Maio numa avenida da capital, ao som de musiquetas anacrónicas e palavras de ordem roufenhas.

Com efeito, seria de esperar que semelhantes manifestações de um ostensivo comportamento antissocial fossem objecto da mesma repressão que encontrou a celebração da Páscoa ou as cerimónias de inumação de cadáveres, às quais familiares e amigos chegados dos falecidos são impedidos de comparecer. Mas não: uma jovem ministra fez a propósito declarações que indiciam sérias perturbações, insinuando que nos funerais as pessoas costumam manifestar o seu pesar com abraços e beijos, coisa que é insusceptível de acontecer debaixo do arvoredo da Avenida da Liberdade aquando da passeata; e, mais grave ainda, o próprio Governo abre uma excepção para o Dia do Trabalho, no artigo relativo ao dever geral de recolhimento constante da legislação pertinente.

De modo que se teme que uma parte da classe dirigente política, mormente a maior parte dos deputados, o Governo e até o senhor presidente da República, se encontrem em estado de grande desequilíbrio mental de origem viral.

Ora, semelhante hipótese não se reveste, no caso do senhor presidente, de perigosidade assinalável, visto que é improvável que a sua popularidade se veja afectada por quaisquer comportamentos menos próprios, como ficou demonstrado com a reacção pública ao hábito surpreendente de mudar de calções de banho em público.

Mas no caso do Governo alguns socialistas e social-democratas Riófilos meus amigos (dou-me com toda a espécie de gente) confessam, à boca pequena, a sua aflição.

Tenho procurado, sem grande sucesso, sossegá-los, dizendo-lhes que há males que vêm por bem: com 130 velhotes no palácio de S. Bento a ouvirem inanidades, e um número indeterminado de cidadãos a agitarem bandeiras e gritarem palavras de ordem na via pública, a mensagem é clara – esqueçam lá essa coisa do confinamento.

O novo vírus, como os anteriores, bem não faz. Mas a gente habitua-se.

De mordaça e cravo

por Pedro Correia, em 18.04.20

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Há duas semanas, o presidente da Assembleia da República enfureceu-se com um vice-presidente da bancada do PSD porque este partido tinha "deputados a mais" na sala de sessões do parlamento. Há dois dias, com uma rispidez muito semelhante, o mesmo Ferro Rodrigues insurgiu-se contra um deputado do CDS que protestava contra a anunciada presença de mais de duas centenas de pessoas no mesmíssimo local, a pretexto da celebração do 25 de Abril. Praticamente mandando calar o deputado, sob a alegação de que aquele tema não era para tratar ali. Como se entre as competências da segunda figura da hierarquia do Estado estivesse a de fornecer guiões aos deputados para falarem daquilo que ele considere politicamente correcto.

É inaceitável que para o trabalho regular no hemiciclo apenas um quinto das bancadas devam estar preenchidas, alegando-se grave risco sanitário, mas para celebrar o feriado esse risco esmoreça ao ponto de ser expressamente ali autorizada a presença de um terço dos deputados. Com o alto patrocínio do Presidente da República, que há quase um mês se apressou (e bem) a cancelar as cerimónias do 10 de Junho, Dia de Portugal. E no preciso local onde por esmagadora maioria já se autorizou por três vezes um estado de emergência que impõe a clausura compulsiva dos cidadãos e a supressão de vários direitos e liberdades. Incluindo o direito de manifestação, o direito de reunião, o direito de resistência, o direito à greve, a liberdade de circulação, a liberdade de emigração e a liberdade de culto.

Irão suas excelências comparecer de mordaça (perdão, de máscara) e cravo? Eis uma original forma de "celebrar Abril".

O Estado vs a Vida, segundo Torga

por Paulo Sousa, em 11.04.20

Lembrei-me de um dos Novos Contos da Montanha de Miguel Torga, que fui reler.

Fala da vida em Fronteira, uma terra que apenas dava à sua gente a água da fonte. Tudo o resto vinha de Fuentes, em Espanha.

Ali a vida era vivida de noite a tentar escapar aos guardas, que, de espingarda em riste, guardavam o ribeiro como podiam. Os contrabandistas, por seu lado, com carga às costas, passavam o ribeiro como conseguiam.

“E se por acaso se juntam na venda do Inácio uns e outros – guardas e contrabandistas –, fala-se honradamente de melhor maneira de ganhar o pão: se por conta do Estado a vigiar o ribeiro, se por conta da Vida a passar o ribeiro.”

O conto não é extenso, fala dos aldeões, dos guardas do Estado, de disparos a matar e também de amor.

Mas foi esta dualidade que me prendeu a atenção. Trabalhar por conta do Estado, neste caso a matar, ou por conta da Vida, a tentar escapar.

Esta pequena história é uma metáfora da relação entre o Estado, que quer controlar a população, e os aldeões, que apenas desejam sobreviver.

O guarda Robalo, atraído para tais funções pela garantia de ordenado certo e a reforma por inteiro, sem disso dar conta vive dentro de uma bolha. E isso aumenta-lhe o empenho. Afirma que dispararia até contra a sua própria mãe, que fosse.

Com o correr da acção a bolha onde vive irá rebentar, mas esta visão maniqueísta de que servir o Estado é atacar os prevaricadores faz por ignorar que do outro lado desenrola-se a Vida, e Vida, escrita por Torga, com V maiúsculo.

Do alto da sua ofuscada visão do mundo, o guarda Robalo, ignora que existe Vida para além do que a sua curta vivência lhe permite enxergar. E essa curta vivência e visão serve ao Estado que o alimenta e veste. Sem disso dar conta, ele é apenas um instrumento, bem instruído, que tem a Vida por adversária. No fim de contas, o Robalo é apenas um intermediário entre os seus donos que lhe tolheram a vontade e a sua bala que em brasa é disparada contra a Vida.

Este confronto é uma parábola cheia de metáforas escrita por um rebelde que viveu, e escreveu, incomodado com a capacidade dos que conseguem reduzir a realidade a um binómio de bons e maus, e de caminho asseguram o conforto próprio. Se sempre existiram desigualdades, para quê mudar isso, especialmente se se está do lado vantajoso?

Ignoram que a Vida já existia antes do Estado e que este lhe é apenas um acrescento, e não o contrário.

No regime actualmente em vigor em Portugal, a liberdade está refém do Estado. A liberdade de Abril não é a efectiva liberdade dos cidadãos, mas apenas a liberdade que o Estado entende dar aos cidadãos. O Estado, e os que por ele falam, decide a amplitude das escolhas possíveis. Os que por ele falam sabem que há opções, que mesmo que funcionem noutras paragens, cá seria uma irresponsabilidade escolhê-las, especialmente porque isso colocaria os cidadãos fora da sua esfera.

Várias décadas depois dos contos de Torga, as fardas e as balas são diferentes, mas o confronto ente o Estado e a Vida mantêm-se e nunca terminará. Cabe a cada um de nós escolher o lado onde se deve viver a Vida.

O meu aplauso

por Pedro Correia, em 25.04.19

A estas palavras (e à atitude) da Zélia Parreira. A propósito da retirada do Capuchinho Vermelho e d' A Bela Adormecida do catálogo de obras infantis de várias escolas públicas de Barcelona por alegado conteúdo «sexista»:

«Na Biblioteca Pública de Évora continua a estar disponível. Temos várias versões e exemplares. A liberdade de expressão e de pensamento são valores fundamentais e demasiado preciosos para serem postos em causa desta forma. Ninguém obriga ninguém a ler estas obras, mas, no que depender de mim, jamais permitirei que a sua leitura seja proibida.»

 

Aplauso ainda mais reforçado num dia como o de hoje.

Abril no feminino?

por Cristina Torrão, em 24.04.19

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Imagem: Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra

Lisboa, Calçada de Carriche; mural do PCP

 

Estava eu sem inspiração nenhuma para escrever sobre o 25 de Abril, quando deparei com um post da jornalista Helena Ferro de Gouveia no Facebook:

«Mulheres de Abril

A história da Revolução ainda é contada no masculino deixando na sombra aquelas que foram chamadas de “companheiras na sombra”. Seja Maria Barroso, a retaguarda familiar de Soares, sejam as mulheres no partido comunista, sejam escritoras, artistas, professoras, sejam as mulheres de alguns movimentos católicos, sejam as mulheres-mães-noivas-namoradas dos que combateram na guerra colonial ou dos que pensaram o derrube do regime.

Mesmo após o fim da ditadura, no período quente, elas não viveram tempos fáceis. A escritora Maria Teresa Horta recorda que ajudou a organizar uma manifestação de luta pelos direitos das mulheres. Nessa manifestação previa-se a queima de símbolos da opressão feminina: vassouras, grinaldas de noiva… Porém, centenas de homens juntaram-se em redor das mulheres e começaram a bater-lhes. "Eram murros, despiam as mulheres, tentavam violá-las", conta a escritora.

Quarenta e cinco anos depois de Abril muito mudou para as mulheres em matéria de direitos e liberdades, há ainda um longo caminho a percorrer para mudar mentalidades e falta cumprir a igualdade. E foi também para isso que se fez Abril.»

 

Interessa-me o papel da mulher nos vários momentos da História e comecei a ler Mulheres da Clandestinidade, de Vanessa de Almeida. O que mais me surpreendeu, até agora, foi a forma de como as mulheres comunistas eram discriminadas no próprio partido, um partido que, já durante o salazarismo, fazia da igualdade uma das suas bandeiras.

Porém, os nossos comunistas não são caso único. Vi, há tempos, um documentário na TV alemã sobre as mulheres do Kremlin e fiquei igualmente abismada como elas eram usadas, mas “escondidas”, a fim de dar protagonismo aos homens. Muito poucos saberão o nome das mulheres que estiveram ao lado de personalidades como Lenine ou Estaline, por exemplo. Ainda hoje, a Rússia não lida bem com a figura da “primeira dama” (para não falar de uma mulher à frente dos destinos da nação). Nesse programa, dizia-se que Raíssa Gorbachev foi muito criticada por constantemente surgir ao lado do marido. Putin surge sempre sozinho. É verdade que se separou da mulher, mas, mesmo quando ainda eram casados, a sua actuação era idêntica. Ou alguém se lembra da mulher de Putin?

Regressando à nossa Revolução: é sabido que o 25 de Abril abalou os costumes, porquanto o vendaval causado pelos chaimites de Salgueiro Maia coincidiu com a revisão da Concordata, por parte do Vaticano, permitindo o divórcio civil para casais unidos pela Igreja. Mesmo sendo criança (entre os oito e os doze anos, se englobarmos o Verão Quente e o período que se lhe seguiu), não fiquei indiferente à confusão de certos adultos, perante tanta liberdade. Há uns anos, escrevi as minhas memórias do 25 de Abril, que acabei por misturar com comentários da adulta que hoje sou. Ainda não consegui publicá-las em livro, mas não resisto a transcrever um pequeno excerto:

«Muitos pais de família romperam com as amarras que os haviam levado ao casamento apenas para terem sexo à disposição. Partiram à procura das Emanuelles* e das gargantas fundas*, o que aliás está longe de implicar que as tenham encontrado. Sá Carneiro acabou por personalizar esta nova ordem, ao divorciar-se para se juntar a outra mulher. É curioso constatar que foi um homem de direita, que muitos apelidavam ainda de fascista, que acabou por se tornar na personificação da nova ordem.

Porém, o desaparecer de muitas convenções sociais e de outras fachadas foi, em parte, aparente. À semelhança de outros momentos da História, as liberdades a nível individual eram pensadas sobretudo para os homens. Naqueles anos imediatos ao 25 de Abril, ainda não se aceitava bem a ideia de que a esposa, a mãe divorciada, que ficava com os filhos a seu cargo, fosse à procura de novo parceiro. Ela própria se escusava a tal comportamento. A sua atitude de protesto passava, paradoxalmente, pela defesa dos valores tradicionais».

 

* Expressões baseadas em títulos de filmes mais ou menos pornográficos que, na altura, se mantiveram meses (talvez até anos) em exibição nos cinemas e se transformaram em verdadeiros símbolos da nova era.

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por João André, em 25.04.18

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25 de Abril, a reflexão

por Alexandre Guerra, em 25.04.18

Desde que me lembro das comemorações do 25 de Abril, pouco mais tenho retido na memória do que discursos e proclamações na Assembleia da República e a tradicional descida na Avenida da Liberdade liderada pelo PCP. E há ainda o cravo, esse símbolo luminoso... Seja como for, não vejo em nada disto qualquer problema, nem um suposto "esquecimento" da História, porque as efemérides servem para isso mesmo, para momentos solenes, muitos dos quais perante a indiferença quase total do Povo, sobretudo à medida que o tempo vai passando sobre o acontecimento.

 

Caberá, pois, a cada um de nós celebrar esta data à sua maneira, reinterpretando aquilo ficou conhecido como os "ideais de Abril". Nesse exercício introspectivo, devemos relembrar aqueles que, num dado momento da nossa História, se sacrificaram e arriscaram em prol de um ideal maior. Com humildade e espírito combativo, desafiaram um regime instalado e corporativo. Cada um deles lá tinha as suas convicções, porque, nestas coisas das revoluções, nunca há gente desprovida de interesses ideológicos. Mas, focados num bem maior, esses soldados levaram a sua revolução por diante.


Hoje, quarenta e quatro anos volvidos, arriscar-me-ia a dizer que se cada português reflectir sobre aqueles que deviam ser os guardiões do regime, facilmente chegará à conclusão de que a Política deixou de ter actores dignos, a senhora Justiça prostituiu-se a quem lhe dá mais e o Jornalismo definha para o pântano. 
São três pilares fundamentais para qualquer democracia saudável e que neste momento estão frágeis, em grande parte por culpa própria dos seus actores, nos quais não se vislumbra nem humildade, nem espírito combativo, apenas interesses egoístas.

Quando o cão morde no homem

por Pedro Correia, em 26.04.17

Cada vez me convenço mais que o país e o mundo que povoam o tempo de antena dos doutos tudólogos acampados noite após noite nas pantalhas nada tem a ver com o mesmo país e o mesmo mundo reflectidos nos telediários das estações que lhes dão guarida.

Voltei a perceber isso ontem à noite quando o Jornal da Noite da SIC foi incapaz de narrar algo mais relevante aos seus telespectadores do que o facto de uma menina ter sido mordida por um cão.

Sempre me garantiram que notícia era o homem abocanhar o animal e não o contrário. Afinal eu e muitos andávamos iludidos. Qualquer irrelevância ascende hoje à dignidade de foco central de um bloco informativo.

E se ainda me sobrassem dúvidas, teriam ficado desfeitas ao ouvir este destaque noticioso logo após a já mencionada peça de abertura: "Julia Roberts foi a Madrid e emocionou-se ao conhecer Cristiano Ronaldo."

Senti por isso que ontem, à sua maneira insólita, os estúdios de Carnaxide produziram uma espécie de 25 de Abril jornalístico. Cruzando uma linha fronteiriça sem retorno. Nada voltará a ser como já foi.

25 de Abril

por João André, em 25.04.17

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O sectário-geral

por Pedro Correia, em 25.04.16

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 Foto: Lisa Soares/Global Imagens

 

Por uma vez, a cortesia institucional cumpriu-se. O final do discurso de hoje do Presidente da República no Parlamento foi sublinhado com aplausos vindos de quase todo o hemiciclo. PSD, PS e CDS aplaudiram de pé, enquanto a generalidade dos deputados bloquistas e comunistas bateram palmas sentados nos respectivos lugares - incluindo Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. O mesmo sucedeu em relação aos convidados - com destaque para os capitães de Abril (Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho, Sousa e Castro e Martins Guerreiro, entre outros), o conselheiro de Estado Francisco Louçã e o eurodeputado Marinho e Pinto.

Todos? Todos não. Numa das galerias alguém decidiu permanecer sentado no final do discurso, enquanto todos se levantavam em seu redor. Alguém que permaneceu com cara de chumbo, sem o menor respeito pelo Presidente de todos os portugueses eleito ainda há bem pouco pela maioria dos eleitores que se deslocaram às urnas - incluindo largos milhares com as quotas sindicais em dia.

Refiro-me a Arménio Carlos. Secretário-geral da CGTP. Sectário-geral. Hoje mais que nunca.

Bafio

por José António Abreu, em 25.04.16

Alexandre Homem Cristo tem razão. Quarenta e dois anos depois, o 25 de Abril corporiza a resistência à mudança. Transformado em dogma, não apenas constitui pecado mortal equacionar hipóteses que lhe possam diminuir o simbolismo – p. ex., que parte das conquistas obtidas desde então se devem a factores apenas indirectamente com ele relacionados: o acesso aos fundos europeus possibilitado pela adesão à UE, a irresponsabilidade orçamental permitida pela adesão ao euro – mas, acima de tudo, evoca-se para defender o status quo. Os portugueses podem estar mais viajados e ter acesso aos mesmos livros e às mesmas séries que se lêem e vêem no exterior mas, tirando meia dúzia de jovens – especialmente empresários –, o Portugal de hoje permanece o Portugal de 1973: conservador, assustado, fechado à realidade e à mudança. Um país onde se trocaram ilusões de grandeza imperial por ilusões de riqueza imediata e sem esforço. Um país que (à imagem da época pós-Marquês de Pombal) trocou a falta de democracia pela falta de rigor. (Como é possível que apenas sob dois déspotas Portugal tenha crescido de forma sustentada?) As grandes diferenças entre 1973 e 2016 não se encontram pois na mentalidade. Encontram-se no número – hoje muito superior – dos que se alimentam do poder ainda e sempre sufocante do Estado (agradeçam-no aos fundos comunitários e à dívida) e na identidade dos respectivos parceiros ideológicos: antes, uma direita bafienta; hoje, uma esquerda que – apesar de todas as «causas fracturantes» – não o é menos.

Dir-me-ão que posso escrever textos como este. Sim, resta a liberdade. É a liberdade que eu agradeço ao 25 de Abril. Ciente de que muitos dos que o fizeram – ou dele se apropriaram – não a tinham como objectivo. Ciente de que, assentes no poder da captação e alocação dos recursos e das noções do politicamente correcto – como antes o Estado Novo se servia da Igreja, da noção de moral e do conceito de Pátria –, os seus descendentes agem para que seja cada vez mais difícil escrevê-los.


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