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Delito de Opinião

Comer (16)

2024: o meu ano em doze restaurantes, mês a mês

Pedro Correia, 05.07.25

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Janeiro: Natraj, Lisboa

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Fevereiro: Imanol, Lisboa

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Março: Imperial de Campo de Ourique, Lisboa

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Abril: Esplanada Furnas, Ericeira

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Maio: Clube Naval, Ericeira

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Junho: Rui dos Leitões, Torre de Vilela (Coimbra)

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Julho: Mesa do Bairro, Lisboa

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Agosto: Eligio, Vigo

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Setembro: Caçarola, Figueira da Foz

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Outubro: O Fragateiro, Trafaria

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Novembro: Clássico Beach Bar, São João da Caparica

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Dezembro: Taberna do Quinzena, Santarém

Ler (38)

Doze dos melhores livros que li em 2024

Pedro Correia, 01.06.25

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Eu sei que estamos a meio do ano, não é tempo para balanços. Mas por motivos vários não pude trazer antes o das minhas leituras de 2024. Referindo-me, em concreto, às melhores obras literárias, de vários géneros, que me passaram pelas mãos no ano passado. 

Confirmo agora: li 85 livros completos, sem fazer oscilar muito a média da década. Em dose menos elevada do que e2020 e 2021, quando li duzentos - uma centena em cada ano, nesses tempos que propiciavam poucas saídas e quase nenhumas viagens devido à pandemia. Mais próxima de 2022, ano do desejável e tão ansiado desconfinamento, quando me fiquei pelos 88. E claramente acima dos 71 lidos em 2023.

 

Deixo ali em baixo as doze obras que mais me empolgaram, por motivos diversos, em 2024. Anotando, de passagem, que certos títulos acumulados perto da minha cabeceira voltaram a ficar adiados: Herzog - Um Homem do Nosso Tempo (Saul Bellow), A Piada Infinita (David Foster Wallace), Na Minha Morte (William Faulkner), Os Sonâmbulos (Hermann Broch), Auto-de-Fé (Elias Canetti), A Consciência de Zeno (Italo Zvevo) e Rua Principal (Sinclair Lewis).

Isto só nos romances. Porque nos livros de História ou ensaio permanecem por ler vários outros. Estes, por exemplo: Jerusalém, de Simon Sebag Montefiore (657 pp.), Rússia - Revolução e Guerra Civil 1917-1921, de Anthony Beevor (671 pp.), O Novo Czar - Ascensão e Reinado de Vladimir Putin, de Steven Lee Myers (670 pp.), Mao - A História Desconhecida, de Jung Chang (803 pp.), O Século de Sartre, de Bernard-Henry Lévy (712 pp.) e Entrevistas, de Jorge de Sena (483 pp.).

Muitas páginas, pouco tempo. Que é o nosso bem mais precioso. Não se iludam: vamos tomando consciência disto a cada ano que passa. 

 

Seguem breves apontamentos dedicados a cada um destes doze. Por ordem alfabética: é a que prefiro.

 

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A CASA DAS BELAS ADORMECIDAS, de Yasunari Kawabata (1961). Espantosa meditação sobre o sexo, a infância, a velhice, a vida e a morte nesta novela carregada de simbolismo sobre um homem de 67 anos que procura a juventude perdida frequentando uma estranha casa nocturna onde paga sonos sobressaltados partilhando o leito com jovens adormecidas. Prosa poética, escrita com perfeição quase inultrapassável nesta obra tingida de melancolia crepuscular. Decorre no Japão, em época imprecisa, mas podia situar-se noutro quadrante porque fala de fantasmas que rondam tantos de nós. Do Nobel de 1968. Tradução de Luís Pignatelli. Edição D. Quixote.

 

COMO ESCREVER, de Miguel Esteves Cardoso (2024). Abundam hoje os livros de "escrita criativa", assinados por gente com reduzida aptidão tanto para escrever como para ensinar. Um dos mais influentes e experientes cronistas portugueses, com suave intenção irónica, desmonta nas entrelinhas esses manuais que enxameiam as prateleiras. E diz-nos, muito a sério, como tudo deve começar. Terá sido assim com ele ao vencer pela primeira vez o fantasma da folha em branco. Passo a passo, sem ter medo. Edição Bertrand.

 

KAPUTT, de Curzio Malaparte (1944). Uma das obras mais pungentes, dolorosas e originais sobre a II Guerra Mundial, cujos ecos voltam a assombrar a Europa. Malaparte cria aqui um género literário que viria a chamar-se "novo jornalismo" - reunindo crónica, reportagem, testemunho directo e óbvia efabulação com tintas de realismo mágico. O horror da guerra sempre em pano de fundo. Escrita superior, mesmo em trechos quase insuportáveis. Edição Cavalo de Ferro, recuperando e actualizando tradução de Amândio César.

 

JORNADA PARA A NOITE, de Eugene O'Neill (1956). Está em lugar cimeiro entre os dramas teatrais do século XX. Centrado numa família cheia de cicatrizes: droga, alcoolismo, desamor. Mãe, pai e dois filhos encerrados numa mansão povoada de memórias funestas que vão surgindo à superfície. A acção decorre num "medonho dia em quatro actos e cinco quadros", na definição de Jorge de Sena, cuja tradução valoriza ainda mais esta obra-prima de O'Neill, Nobel da Literatura em 1936. O cunho autobiográfico da peça, escrita em 1941, era óbvio ao ponto de levar o dramaturgo a exigir que só viesse a público após a sua morte, em 1953. Com aplauso generalizado e ampliado pela adaptação ao cinema por Sidney Lumet, em 1962, com Katharine Hepburn e Jason Robards nos papéis do casal Tyrone. Edição Cotovia.

 

LOS SANTOS INOCENTES de Miguel Delibes (1981). Prémio Cervantes de 1993, Delibes (1920-2010) continua ignorado pelas editoras portuguesas. Omissão imperdoável. Uma das suas melhores obras é esta novela desenrolada na Castela rural do início dos anos 60, próxima da fronteira portuguesa - com os seus fantasmas, os seus atavismos, as suas obsessões. Todos os condimentos do drama clássico, linguagem depurada com mão de mestre. Deu filme homónimo, realizado por Mario Camus e premiado em Cannes. Edição Planeta (Barcelona).

 

MATADOURO CINCO, de Kurt Vonnegut (1969). Romance em cenário bélico percorrido pela frase-chave "é a vida". Sempre com pinceladas de humor sombrio no rasto do anti-herói, Billy Pilgrim, americano mobilizado para a II Guerra Mundial e feito prisioneiro dos alemães em Fevereiro de 1945. O autor cruza literatura de guerra com ficção científica, de modo criativo, e marca também presença no enredo  - ele que testemunhou o massacre de Dresden em tempo real. O estilo, novidade quase absoluta para a época, não terá hoje o mesmo impacto. Mas ainda é obra marcante, também como reflexão sobre a vida. Tradução de Miguel Cardoso. Edição Alfaguara.

 

O GANGUE DA CHAVE-INGLESA, de Edward Abbey (1975). Originalíssimo romance norte-americano, com vários níveis de leitura - desde as típicas bravatas dignas de qualquer livro de aventuras, com toque juvenil, até um manifesto ecológico contra a falsa modernidade. Sem perder o fundo humanista nem deixar de ser um retrato genuíno da época em que surgiu, assinalada nos EUA pela contracultura e pelo pesadelo da guerra do Vietname que se arrastava sem fim à vista. Exemplar tradução de José Miguel Silva. Edição Antígona.

 

O OLHAR MAIS AZUL, de Toni Morrison (1970). Aqui testemunhamos a perda da inocência numa comunidade cheia de racismo e preconceitos diversos na chamada "América profunda" (Ohio), no início dos anos 40, quando o segregacionismo ali imperava e as memórias esclavagistas mal se tinham dissipado. Partindo dos olhares de três crianças negras - uma das quais é a menina que sonha ter olhos azuis, como as deslumbrantes actrizes que ela observa nas revistas. Comovente romance de estreia da escritora que receberia o Nobel em 1993. Tradução de Tânia Ganho. Edição Presença.

 

O OUVIDOR DO BRASIL, de Ruy Castro (2024). Conjunto de 99 crónicas originalmente publicadas na imprensa tendo como denominador comum um nome maior da música popular do século XX: Antônio Carlos Jobim (1927-1994). O melhor biógrafo brasileiro desvenda aqui segredos de Jobim com uma leveza de escrita que nunca deixa de ser profunda. Mergulhamos na paisagem artística e boémia do Rio de Janeiro e no inigualável mundo da bossa nova, precioso contributo do Brasil para o mundo. Edição Tinta da China.

 

SAGARANA, de João Guimarães Rosa (1946). Extraordinário livro de contos ambientados no sertão de Minas Gerais nas décadas iniciais do século XX. Guimarães Rosa regressa aqui ao mundo primordial e primitivo da sua infância, recriando-o com admirável talento literário. Já tomando balanço para Grande Sertão: Veredas, romance que viria a imortalizá-lo dez anos depois. São oito histórias redigidas com sábio ouvido para captar falares regionais, sugestivas metáforas e um vasto cortejo de neologismos, à semelhança do que Aquilino Ribeiro fazia na mesma altura em Portugal. Histórias povoadas de personagens castiças, confrontadas com a inclemência da natureza e rudes paixões humanas. "O Burrinho Pedrês", "O Duelo", "O Regresso do Marido Pródigo" e "A Hora e Vez de Augusto Matraga" são tão vibrantes hoje como quando foram escritas. Edição Nova Fronteira (Rio de Janeiro).

 

TEMPESTADES DE AÇO, de Ernst Jünger (1920). Talvez o melhor livro jamais escrito sobre a I Guerra Mundial, apesar da forte concorrência de autores como Ernest Hemingway e Erich Maria Remarque. Estamos envolvidos nas trincheiras, no lodo e na lama, nas longas esperas ansiosas, nos combates mais ferozes. Com fome, sede e frio. Chegamos a sentir repugnância pelo género humano e a duvidar de todas as crenças e todas as utopias. Entregues à missão primordial de sobreviver. Reportagem-romance ou romance-reportagem do grande prosador e pensador alemão? Os rótulos pouco importam. A ler ou reler com urgência. Tradução: Maria José Segismundo Santos. Edição Guerra & Paz.

 

TORNA-VIAGEM, de José Pimentel Teixeira (2024). Digressão literária, no tempo e no espaço, centrada na experiência deste antropólogo - um dos autores do DELITO DE OPINIÃO - como residente de longa duração em Moçambique, país que abraçou como segunda pátria. Espécie de Ulisses do avesso, agora no regresso melancólico ao torrão natal. Crónicas de torna-viagem, antigo termo de ressonância náutica criado a partir das odisseias dos portugueses pelo mundo. Algumas são, de facto, excelentes contos, justificando futura publicação autónoma com essa etiqueta. Edição Bookmundo.

2024: o meu ano em doze imagens

Pedro Correia, 08.02.25

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Janeiro: Praia Grande, Sintra

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Fevereiro: comício da IL no Cineteatro Capitólio, Lisboa

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Março: missa de Domingo de Ramos, Lisboa

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Abril: Hotel Vila Galé, Ericeira

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Maio: estádio José Alvalade (Sporting campeão)

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Junho: campo de tiro da Força Aérea, concelho de Benavente

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Julho: lançamento do livro Tudo é Tabu, Lisboa

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Agosto: praia de Samil, em Vigo (Galiza)

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Setembro: Figueira da Foz

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Outubro: Trafaria, à beira-Tejo

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Novembro: Palácio do Marquês de Pombal, Oeiras

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Dezembro: Portas do Sol, em Santarém, entre Natal e Ano Novo

Frase nacional de 2024

Pedro Correia, 19.01.25

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«O primeiro-ministro António Costa era lento, era oriental. Este [Montenegro] não é oriental mas é lento, tem o tempo do país rural.»

Marcelo Rebelo de Sousa, falando muito informalmente aos jornalistas durante um jantar com a Associação da Imprensa Estrangeira, a 23 de Abril

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases: 

 

«Mas o que é que não funciona?»

Pedro Nuno Santos, secretário-geral do PS, a 5 de Fevereiro em debate eleitoral na SIC com Rui Rocha, da IL

 

«Quando eu era mais novo, a minha avó dizia assim [...] `isto já só vai lá com dois Salazares`. Era o que ela dizia, é verdade. E hoje eu orgulho-me muito quando as pessoas sabem que, afinal, já não é preciso Salazar nenhum

André Ventura, a 6 de Junho

 

«Algo falhou, porque senão as pessoas não tinham fugido.»

Rui Abrunhosa, director-geral de Reinserção e Serviços Prisionais, a 8 de Setembro, sobre a fuga de cinco presos muito perigosos do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus 

 

«Sobre os meus estados de espírito, não vou alimentar especulações.»

Almirante Gouveia e Melo, a 4 de Outubro, sem confirmar nem desmentir se será candidato presidencial

 

«Se disparassem mais a matar, o país estava mais na ordem.»

Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, a 23 de Outubro, num debate na RTP3

 

«A comunicação social está um bocadinho com anemia.»

Cristina Vaz Tomé, secretária de Estado da Gestão da Saúde, a 9 de Novembro, confundindo amnésia com anemia

 

«O desmantelamento do SNS continua.»

Alexandra Leitão, líder parlamentar do PS, a 29 de Novembro, durante o debate da votação final do Orçamento do Estado para 2025

 

«Éramos felizes e não sabíamos.»

Marcelo Rebelo de Sousa, a 4 de Dezembro, lembrando com nostalgia a coabitação com António Costa, agora presidente do Conselho Europeu

 

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Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

(Almeida Santos)

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

(Pedro Nuno Santos)

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.»

(Paulo Portas)

Frase nacional de 2014: «Sinto-me mais livre que nunca.»

(José Sócrates)

Frase nacional de 2015: «Temos os cofres cheios.»

(Maria Luís Albuquerque)

Frase nacional de 2016: «Já avisei a famíia que só volto no dia 11 [de Julho] e vou ser recebido em festa.»

(Fernando Santos)

Frase nacional de 2017: «Este ano foi um ano particularmente saboroso para Portugal.»

(António Costa)

Frase nacional de 2020: «Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?»

(Ferro Rodrigues)

Frase nacional de 2021: «Já posso ir ao banco»?

(António Costa)

Frase nacional de 2022: «Haver 400 casos de abusos não me parece particularmente elevado.»

(Marcelo Rebelo de Sousa)

Frase nacional de 2023: «O Governo pôs-se a jeito, cometeu erros.»

(António Costa)

Facto internacional de 2024

Pedro Correia, 16.01.25

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QUEDA DA DINASTIA ASSAD NA SÍRIA

Uma das mais ferozes ditaduras do Médio Oriente, que oprimia a Síria desde 1971, ruiu como um castelo de cartas em poucas semanas. Pondo termo à dinastia do clã Assad, iniciada com o pai Hafez (até 2000) e prosseguida pelo filho Bachar (de então para cá). A derrocada foi tão grande que até a bandeira do país mudou.

Quando caiu o "carniceiro de Damasco", como muitos lhe chamavam, virou-se uma página trágica neste país, mergulhado desde 2011 numa violenta guerra civil. Recordo que foi este o facto além-fronteiras que em 2013 destacámos no DELITO. 

Onze anos depois, a Síria volta a estar aqui em foco. Como Acontecimento internacional de 2024: foi escolha de oito membros do DELITO.  Mas desta vez por bons motivos: a 8 de Dezembro o tirano pôs-se em fuga, já com parte da capital tomada pelas forças rebeldes, e procurou asilo em Moscovo, junto do seu protector Vladimir Putin. A Rússia registava assim uma evidente derrota estratégica na região, somada à óbvia perda de influência do seu aliado Irão, enquanto Israel e a Turquia marcavam pontos.

Nos dias imediatos o mundo foi tomando conhecimento detalhado de grande parte das atrocidades cometidas durante um quarto de século pelo agora fugitivo Assad, que transformou a Síria num Estado totalitário sempre pronto a perseguir e esmagar todas as vozes dissidentes. Com tortura e a eliminação de largos milhares de presos políticos, violação sistemática dos direitos humanos e um sangrento rasto de 580 mil mortos, incluindo mais de 300 mil civis, na esmagadora maioria vitimados pelas brigadas bélicas do regime. Que não hesitaram sequer em utilizar armas químicas contra a população, conforme foi denunciado pela ONU e pelo Observatório de Direitos Humanos, entre outras organizações de cariz humanitário.

 

Que mais?

Com dois votos:

- Conflito sem fim no Médio Oriente.

- Donald Trump eleito para novo mandato, quatro anos após deixar a Casa Branca.

Dramática degradação de Moçambique após fraude eleitoral. «Situação reveladora da incapacidade de Portugal em lidar com clareza e decididamente com os PALOPs», anotou um dos participantes nesta votação.

Cheias de Novembro em Valência, provocando mais de 220 mortos em poucas horas. Facto arrepiante. «A natureza indomável e os autarcas relapsos criaram a tragédia perfeita para centenas de pessoas.»

Expansão da inteligência artificial. Comentário a destacar: «Dentro de uns anos não nos lembraremos de como era viver sem ela, para o melhor e para o pior.»

 

Com apenas um voto:

- Visita de Joe Biden a Angola.

- Bombardeamento sistemático da população civil em Gaza, «uma vergonha da humanidade e um crime de que somos coniventes.»

E mais este:

- «A instabilidade que, de diversas formas, parece alastrar pelo mundo.»

 

Como sempre acontece, cada autor é livre de participar ou não na votação - este ano fomos 18. E temos também a liberdade de escolher mais de um tópico em cada bloco temático.

 

Facto nacional de 2024

Pedro Correia, 15.01.25

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CRISE NO SNS

Podia ter sido noutro ano, pois já vem de longe. A crise no Serviço Nacional de Saúde foi destacada, pelos autores do DELITO DE OPINIÃO, como Acontecimento Nacional de 2024 pelo impacto que teve junto de um número crescente de portugueses - e até de cidadãos estrangeiros residentes no nosso país. Num ano em que o Instituto Nacional de Emergência Médica teve três presidentes sucessivos.

Houve demissões em cascata de conselhos de administração de unidades locais de saúde. O Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta foi exonerado em Setembro. No mês seguinte, demitiram-se o director de cirurgia e outros dez cirurgiões do Hospital Amadora-Sintra. Em Dezembro, o director do serviço de urgência do Hospital São Francisco Xavier saiu a seu pedido. Já em Abril, havia saído o próprio director-executivo do SNS, Fernando Araújo.

«Se não foi fácil erguer o SNS, mantê-lo e geri-lo condignamente está a pôr à prova não apenas os governos, mas diferentes níveis de administração, grupos profissionais e  autarquias.» Observação certeira de alguém que assumiu esta opção de voto.

Outro membro do DELITO foi mais longe: aludiu a crise endémica dos serviços estatais. Especificando: «Não é só o SNS que recebemos minado: são também os muitos meses de espera por uma junta médica; os meses de espera para quem se pretende reformar; os serviços do Ministério da Educação que são incapazes de fornecer números fiáveis; os transportes públicos que continuam pouco dignos de confiança (o jornalismo não parece interessado em investigar seriamente o estado actual do Metro e da Transtejo, tendo mesmo de ser um presidente da Câmara a reportar aos jornais a bandalheira dos barcos eléctricos); as forças policiais em conflito entre si; etc.»

 

Com sete votos, apenas menos um do que o acontecimento mais destacado, foi mencionado o novo ciclo político ocorrido com as eleições legislativas de 10 de Março e a formação do executivo minoritário da AD liderado por Luís Montenegro.

«Pela primeira vez em muitos anos a esquerda é minoritária na Assembleia da República, o que coincidiu com o fim do ciclo de mais de oito anos de governação PS», observou alguém.

 

Outros factos ou percepções, cada qual com um voto. Passo a enunciá-los para ficarem lavrados em acta como sempre sucede, ano após ano, no nosso blogue:

- Aprovação do Orçamento do Estado, em 29 de Novembro, contrariando muitas previsões que davam como garantido o chumbo parlamentar deste instrumento essencial à governação do País.

- A contínua emigração de jovens, que vai adquirindo «contornos de calamidade».

- Os distúrbios nas imediações de Lisboa, na sequência da morte do caboverdiano Odair Moniz, a 21 de Outubro, por revelarem «tensões sociais e de inspiração racista que devem merecer toda a atenção».

- A queda de Pinto da Costa, «com as consequências desportivas e penais que isso implica», após 42 anos de poder absoluto no comando do FC Porto.

- A confirmação da mediocridade da elite política, «o que só agrava a resolução dos problemas nacionais».

 

Participaram na votação 18 membros do DELITO. Como sempre acontece, cada um pode votar em mais de um tema ou em nenhum, se assim o entender.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

Facto nacional de 2016: Portugal conquista Europeu de Futebol

Facto nacional de 2017: Portugal a arder de Junho a Outubro

Facto nacional de 2018: incúria do Estado

Facto nacional de 2019: novos partidos no Parlamento

Facto nacional de 2020: o vírus que nos mudou a vida

Facto nacional de 2021: vacinação em massa

Facto nacional de 2022: o regresso da inflação

Facto nacional de 2023: queda do governo de maioria absoluta

Figura internacional do ano

Pedro Correia, 13.01.25

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DONALD TRUMP

É um regresso a esta lista. Tal como ele se prepara para regressar, daqui a uma semana, à Casa Branca. Donald Trump foi eleito, por escassa margem, Figura Internacional do Ano pelos 18 autores do DELITO que participaram na votação. Repetindo-se o que já ocorrera em 2016 e 2017.

O sucessor (e antecessor) de Joe Biden, vencedor da corrida à Casa Branca desta vez não apenas entre os "grandes eleitores" mas também com maioria no voto popular, obteve em 5 de Novembro 77,3 milhões de votos (49,9%) enquanto a sua adversária do Partido Democrata, Kamala Harris, recolheu 75 milhões (48,4%). Desta vez não houve celeuma pós-eleitoral, ao contrário do que aconteceu em 2020. 

Os motivos para a escolha, aqui no blogue, foram vários. «O mais forte comeback da história dos EUA», anotou alguém. Eis outra justificação: «O iliberalismo woke foi derrotado pelo iliberal Trump e o mundo acelera na vertigem dos caprichos do seu inflamado ego.»

A estafada e famigerada expressão "figura incontornável" pode aplicar-se ao novo (velho) inquilino da Casa Branca. Muita coisa irá mudar com ele novamente em cena.

 

Em segundo lugar nesta votação - com cinco votos, só menos um do que Trump - ficou Gisèle Pelicot, que emergiu do anonimato ao assumir a sua identidade como vítima de um chocante caso de violação em massa cometido pelo ex-marido, que a drogava previamente e incentivou dezenas de outros indivíduos a fazerem o mesmo com ela. Hoje com 72 anos, esta francesa nascida na Alemanha renunciou ao direito a ter julgamento à porta fechada como forma de denúncia aberta das agressões sexuais de que foi vítima e do atentado à sua dignidade humana. 

«A vergonha deve mudar de lado», afirmou, justificando o que a levou a sujeitar-se à exposição mediática.

Tornou-se ícone da causa feminista: a BBC incluiu-a na lista das cem mulheres mais influentes do ano. O ex-marido recebeu a pena máxima em França: 20 anos de prisão.

 

No terceiro lugar, com dois votos, ficou o Presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, pela sua inquebrantável resistência ao invasor russo num ano em que o quotidiano do continente europeu continuou marcado pelos horrores da guerra. O líder ucraniano já tinha sido aqui destacado em 2022 e 2023.

Também com dois votos, a carismática dirigente da oposição na Venezuela, María Corina Machdo, impedida pelo autocrata Nicolás Maduro de concorrer à presidência da república. Edmundo González, o candidato alternativo, venceu por larga margem o escrutíno de 23 de Julho. Mas Maduro proclamou-se vencedor, sem nunca ter apresentado provas: bastou-lhe o poder das baionetas que ainda sustentam a tirania de Caracas enquanto as vozes dissidentes estão na cadeia ou no exílio. Maria Corina e Edmundo foram justamente distinguidos com o Prémio Sakharov 2024, do Parlamento Europeu.

 

Houve ainda três votos isolados nas seguintes figuras:

Elon Musk, o homem mais rico do mundo - Por se ter tornado líder de opinião no X, rede social que agora controla, continuar a expandir a frota milionária dos veículos eléctricos Tesla e ter promovido em Setembro o primeiro voo espacial comercial através da sua empresa espacial SpaceX. Foi ainda o mais notório apoiante da candidatura presidencial de Trump.

Keir Starmer, novo primeiro-ministro britânico, que nas legislativas de 4 de Julho levou o seu Partido Trabalhista a derrotar por larga margem o Partido Conservador, que estava no poder desde 2010. Com mais dez pontos percentuais (33,7% contra 23,7%).

Alexei Navalny, encontrado morto a 16 de Fevereiro num estabelecimento prisional no Círculo Polar Árctico. Corajoso resistente à ditadura russa, escapou a várias tentativas de assassínio e estava encarcerado desde 2 de Fevereiro de 2021, ano em que recebeu o Prémio Sakharov. Dele se dizia que era o homem que Putin mais temia. Pagou por isso.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

Figura internacional de 2016: Donald Trump

Figura internacional de 2017: Donald Trump

Figura internacional de 2018: Jair Bolsonaro

Figura internacional de 2019: Boris Johnson

Figura internacional de 2020: Ursula von Der Leyen

Figura internacional de 2021: Joe Biden

Figura internacional de 2022: Volodimir Zelenski

Figura internacional de 2023: Volodimir Zelenski

Figura nacional de 2024

Pedro Correia, 11.01.25

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LUÍS MONTENEGRO

Presença inédita como Figura Nacional do Ano no habitual inventário feito, em jeito de balanço, no DELITO DE OPINIÃO. Luís Montenegro aparece aqui por ter levado a coligação Aliança Democrática (formada por PSD e CDS) à vitória eleitoral nas legislativas de 10 de Março, embora com vantagem muito escassa sobre o PS. Pouco mais de 50 mil votos e menos de 0,9% em pontos percentuais.

Terminou um ciclo político, outro se inaugurou. Com a saída de cena da fugaz maioria absoluta socialista, que não chegou a durar dois anos, e a formação de um Governo sem apoio maioritário na Assembleia da República. Empossado a 2 de Abril, o Executivo é forçado a negociar cada diploma com diferentes grupos parlamentares. Mas obteve inegável vitória política ao ver o Orçamento do Estado para 2025 viabilizado no hemiciclo, em 29 de Novembro, graças à abstenção do PS. 

Em sucessivas sondagens, Montenegro tem mantido um nível de aprovação apreciável, sem acusar desgaste, o que contribuiu para a atitude construtiva dos socialistas no parlamento - o que aliás mereceu críticas internas ao secretário-geral do partido, Pedro Nuno Santos. 

Sabe-se já que em 2025 o chefe do Executivo continuará em funções, pois os seis meses finais do mandato presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa impedem-no de dissolver a legislatura. Ironias da política: há pouco mais de um ano, Montenegro era apontado por um batalhão de comentadores como mero «líder de turno do PSD, com os dias contados». A vida dá muitas voltas. E a política, em Portugal, parece por vezes uma montanha-russa.

 

Também entre nós, o primeiro-ministro venceu por maioria simples. Dos 18 autores que participaram nesta eleição, oito destacaram-no. Superando o chefe do Governo cessante, António Costa, que recolheu três votos sobretudo por ter sido escolhido, entre os seus anteriores colegas em Bruxelas, como novo presidente do Conselho Europeu. «Verdadeiro animal político, consegue sempre dar a volta por cima», foi justificação apresentada por quem aqui o preferiu. Cumpre recordar que Costa já tinha sido Figura Nacional do Ano do DELITO em 2015 e 2022.

Houve duas menções a André Ventura, líder do Chega, que viu o seu partido ampliar de 12 para 50 o número de deputados, e a Henrique Gouveia e Melo, que no fim do ano cessou funções como chefe do Estado Maior da Armada. Neste caso, houve quem justificasse, por «sem fazer nada conseguir colocar as presidenciais a girar à sua volta».

Se vencesse aqui, o almirante seria repetente: foi nossa Figura do Ano em 2021.

 

Enfim, votos isolados recaíram no novo presidente do FC Porto, André Villas-Boas, que pôs fim ao consulado de 42 anos de Pinto da Costa à frente do clube, derrotando-o em eleições no clube, e em Iúri Leitão, primeiro português a conquistar duas medalhas na mesma edição dos Jogos Olímpicos, desta vez disputados em Paris.

Como sempre acontece, os autores do blogue são livres de votar ou não votar em cada bloco deste balanço anual, que se desdobra em cinco áreas. Podem até escolher mais do que um. 

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

Figura nacional de 2015: António Costa

Figura nacional de 2016: António Guterres

  Figura nacional de 2017: Marcelo Rebelo de Sousa

Figura nacional de 2018: Joana Marques Vidal

Figura nacional de 2019: D. José Tolentino Mendonça

Figura nacional de 2020: Marta Temido

Figura nacional de 2021: Henrique Gouveia e Melo

Figura nacional de 2022: António Costa

Figura nacional de 2023: Marcelo Rebelo de Sousa

A Mulher do Ano

Pedro Correia, 01.08.24

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Ainda só estamos em Agosto, mas elejo-a já como Mulher do Ano, por mérito próprio: MARIA CORINA MACHADO. Heroína da Venezuela, luta com a força da razão contra a tirania do misógino Maduro e do seu séquito de homens «de barba rija» (major-general Agostinho Costa dixit) reclamando para o seu povo uma das mais belas palavras em qualquer idioma: Liberdade.

Num país de 28 milhões de pessoas que viu partir mais de 7 milhões na última década para escaparem à catástrofe económica e social a que 25 anos de regime "socialista" o condenaram. Já perdeu cerca de um quinto da população, registando hoje a segunda maior crise migratória a nível mundial, só superado pela Síria. Cerca de dois mil venezuelanos cruzam diariamente a fronteira, segundo estimativas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Na Venezuela "bolivariana", onde 19 milhões de pessoas sofrem graves carências alimentares e sanitárias. Onde continuam a registar-se execuções extrajudiciais, detenções arbitrárias, casos documentados de tortura (nas celas da sinistra SEBIN, a PIDE do chavismo-madurismo) e agressões sexuais contra militantes da oposição, como denuncia o Observatório dos Direitos Humanos.

Maria Corina vai vencer, não tenho dúvidas. A Venezuela que Chávez e Maduro transformaram num narco-estado será livre. Da miséria, da corrupção, da prepotência, da opressão.

Votou nele próprio, longe do povo

Retrato de um tirano viciado em poder absoluto

Pedro Correia, 19.03.24

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Arranjou três fantoches como figurantes nas listas eleitorais fingindo que competiam com ele - um dos tais enfeitado com a foice e o martelo, em entusiástico apoio à anexação de parcelas da Ucrânia. Mandou silenciar todos os que se atreveram a fazer-lhe frente: estão hoje no exílio, na prisão ou no cemitério. Fez-se reeleger Czar da Santa Rússia com fraudes maciças, sem campanha eleitoral digna desse nome, sem debates,, sem imprensa livre, sem fiscalização dos cadernos eleitorais, sem observadores independentes.

Entre avisos reiterados de que está disposto a utilizar o paiol atómico de Moscovo para desencadear a III Guerra Mundial. Como quem se mostra disponível para disputar uma amena partidinha de xadrez.

 

Vladimir Putin, o mais perigoso déspota do mundo actual. Septuagenário viciado no exercício do poder, que funciona para ele como uma droga dura: é senhor absoluto do Kremlin há um quarto de século, violando normas constitucionais internas e os pactos internacionais que a Rússia assinou. Acaba de ser "reeleito" com 88% dos votos, mas para o efeito tanto faz: podia ser 98% ou até cem por cento.

Como o New York Times escreveu em 1958, a propósito da monumental fraude ocorrida esse ano na eleição presidencial portuguesa que atribuiu a vitória nominal nas urnas ao almirante Thomaz, «Salazar poderia até ter escolhido como candidato o primeiro polícia de trânsito que lhe surgisse no caminho». O triunfo estava assegurado de antemão.

 

Seis anos mais no poder: agora a meta é 2030. Mas o tirano pode permanecer até 2036, quando tiver 84 anos - se gozar de vida e saúde até lá. Num sistema totalitário em que ele próprio vive como recluso, temendo sofrer o mesmo destino a que já condenou tantos opositores.

Repare-se que nem se dignou abandonar o búnquer do Kremlin para se deslocar a um local de voto. Permaneceu encerrado no gabinete, longe do povo que diz representar, e votou em si próprio por computador.

É desde já uma das imagens de 2024. Patético retrato do antigo oficial do KGB, hoje um caudilho que controla à mercê de um botão o maior arsenal nuclear do mundo.

O grão de ervilha e a bola de neve

Pedro Correia, 07.12.23

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Há muitas incertezas no horizonte. Mas de uma coisa podemos ter a certeza desde já: o próximo ano político vai decorrer em ritmo muito acelerado. Pouco propício, portanto, àqueles políticos que adoram colher benefícios máximos da gestão do silêncio enquanto permanecem mergulhados em dúvidas dignas do príncipe Hamlet, convictos de que os jornais "amigos" não deixarão de desbravar caminho por eles com uma sucessão de não-notícias, capazes de transformar um grão de ervilha numa descomunal bola de neve.

Na não-notícia, como se infere, o não é palavra fundamental. "Beltrano de Tal não desmente que possa avançar para o cargo X, informação que nos foi transmitida por fontes próximas. Beltrano, ao que sabemos, não se tem revisto nas opções políticas de Fulano Y embora opte por não entrar em ruptura com o dito cujo. Os seus mais destacados apoiantes não excluem uma candidatura ao posto de comando embora não haja ainda a certeza de quando e onde e como isso possa suceder."

Fica aceso o rastilho.

O curso habitual destas não-notícias é aquele que todos sabemos: com três canais informativos a emitir durante 24 horas e à míngua de matéria para preencher antena nos intervalos dos desafios de futebol, qualquer pequeno ruído mediático, amplificado por incessantes ecos de hora a hora, ganha os contornos de uma Cavalgada das Valquírias. O grão de ervilha numa coluna matutina de jornal transforma-se na bola de neve a rolar em horário nobre das pantalhas nessa noite.

Este processo, que poderia colher frutos noutros tempos, torna-se inconsequente em anos de acelerado calendário político, como 2024 sem dúvida será. Um ano pouco propício às dúvidas hamletianas de gente sempre tolhida nas teias do seu próprio tacticismo. Quem quiser ir a jogo terá de assumir-se como tal, à esquerda e à direita, sem subterfúgios. Caso contrário, o xadrez político jogar-se-á com as peças que estão no tabuleiro.

As que não estão, estivessem.

 

Imagem: Laurence Olivier em Hamlet (1948)