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Tá tudo bem

por Paulo Sousa, em 22.05.20

A indiferença com que o país lidou com a recente atribuição de subsídios à comunicação social é uma das características do povo do nosso país. Foi exactamente essa indiferença que explica os 48 anos de ditadura passados sem grandes sobressaltos públicos, assim como a falta de comoção gerada por muitos outros acontecimentos bem mais recentes. Cá é assim, mas podia ser bem pior. Vamos andando, como é vulgar responder a quem nos pergunta se está tudo bem. Como se alguma vez fosse possível estar tudo bem. Claro que nunca está tudo bem, mas por automatismo anuímos dizendo que cá vamos andando, devagarinho, com a cabeça entre as orelhas. Ser português é também ir andando, mesmo sem saber bem para onde.

São estas águas mornas que propiciam os equilíbrios mornos, aqueles em que mais facilmente se limam as esquinas do que se vergam hábitos. Mesmo que as esquinas sejam as dos princípios nobres da república e das democracias liberais. Não há impossíveis, como bem resumiu António Costa. Tudo é negociável, e por isso tudo tem um preço, até a imprensa.

Pouco a pouco, orçamento após orçamento, ano após ano, pagamento de favor após pagamento de favor, vamos baixando a fasquia da já débil decência do nosso regime.

A forma como estes pagamentos de favores foram apresentados, a sua falta de clareza e de critério assumido, representa apenas mais um degrau que se desceu. Sem qualquer sobressalto ou comoção pública. E isto, embora triste, é normal.


10 comentários

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De Luís Lavoura a 22.05.2020 às 12:17

1) Não se trata de subsídios. Trata-se de compra de publicidade institucional. Publicidade que, aliás, tanto quanto entendo teria sido comprada de qualquer forma - a compra foi apenas antecipada para um momento mais favorável para os mídia.

2) A forma como a compra de publicidade foi feita foi totalmente clara, ou seja: as compras foram proporcionais à audiência do órgão de comunicação em questão. Por isso, naturalmente, a SIC e a TVI abocanharam a maior parte. Nem se compreenderia que a coisa tivesse sido feita de forma diferente: o Estado tem que tratar todos por igual, pelo que, se compra publicidade aos mídia, compra-a em valor proporcional à audiência (share) do órgão de comunicação social em questão.

Não vejo porque é que se faz tanto barulho com uma coisa tão corriqueira e costumeira. O Estado sempre comprou propaganda institucional aos mídia, e sempre o fez de forma proporcional às audiências.
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De Paulo Sousa a 22.05.2020 às 15:34

O anúncio dos valores e a sua correção após as primeiras críticas foi também uma coincidência operacional. A suspensão do programa da Ana Leal outra coincidência operacional. A benção presidencial no último ano do mandato terá sido outra. São tantas que eu as acho todas normais... para Portugal.
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De El Profesor a 22.05.2020 às 16:13

Não me acredito que o senhor seja assim tão ingénuo.
Como não me acredito em coincidências.
A compra de publicidade institucional é normal de facto.
Anormal é a compra ocorrer neste período, num momento em que nem se sabe ainda se este dinheiro não vai fazer falta, para apoiar outros setores mais débeis.
Sim, porque a desculpa de o fazerem agora, foi para ajudar neste período de pandemia.
E aqui é que está a primeira anormalidade. Compra-se publicidade para ajudar um setor, o televisivo, que foi aquele que mais dinheiro rendeu durante estes 2 meses. Pois é, com tanta gente em casa a ver televisão, com tanta gente colada de manhã à noite a ver as desgraças do covid, o preço por minuto de publicidade, disparou.
E isto traz duas questões. Primeiro, as televisões não estavam com dificuldades financeiras, pois estavam a faturar como nunca. Segundo, o estado comprou essa publicidade a um preço inflacionado pelas audiências de um período em que o pessoal tinha de estar enfiado em casa. Pagou muito mais por minuto, do que se tivesse negociado mais para a frente.
O estado pagou mais a duas estações, do que a outras, com base nas audiências. Mas o estado pagou 3 anos de publicidade. E quem garante que daqui a 2 meses o canal mais visto é outro e assim se mantenha durante 2 anos e 10 meses?
Isto foi uma forma bem descarada, como tem sido apanágio destes capos e deste Padrinho, de comprar e controlar, ainda mais as tvs privadas., porque a rtp está naturalmente no bolso.
A sic, foi mais como uma retribuição pelo papel fundamental do canal desde 2011.
A TVI curiosamente, desmantela a equipa da jornalista mais inconveniente para o Padrinho Costa e seus consiglieri e ainda tem a lata de manter no sigilo uma reportagem, que segundo a própria TVI, não será transmitida, pois é demasiado polémica.
A cmtv cessa colaboração com o político mais incomodativo para o Padrinho Costa... e para quaisquer outros, desde que o Bloco era o Bloco. Se pudesse contratava um grupo de ciganos para lhe dar uma malha.

Não me acredito que o Luís seja assim tão ingénuo. Se é, deve estar constantemente a ser enganado.
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De Anónimo a 22.05.2020 às 17:54

Muito Bem
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De Luís Lavoura a 22.05.2020 às 12:20

O Paulo Sousa, em vez de criticar uma corriqueirice como esta, faria muito melhor em apontar para um alvo bem mais alto, ou seja, o enorme prejuízo que o governo causou (e continua a causar, e tenciona continuar a causar) ao país com a forma bruta como enfrentou uma epidemia de um víruseco genericamente benigno. Se o Paulo Sousa fizesse essa crítica susbtancial ao governo, eu estaria totalmente de acordo com ele. Agora, críticas a aspetos puramente operacionais, como as deste post, não fazem sentido nenhum.
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De Paulo Sousa a 22.05.2020 às 15:36

Se ler o meu título com atenção concluirá que eu também acho isto uma corriqueirice. Mas para o nosso regime e para o nosso povo.
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De Anónimo a 22.05.2020 às 15:58

Só diz disparates, uma vergonha o seu comentário.

"...víruseco..."



Rui Valente
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De Luís Lavoura a 22.05.2020 às 16:49

Sim, é um víruseco, que só mata quem já está mesmo com os pés para a cova. Há vírus realmente maus, como o ébola ou a (felizmente já extinta) varíola, e muitos outros não tão maus mas ainda graves, mas este aqui é um vírus mesmo fraquinho. Tão fraquinho, de facto, que metade das pessoas que o contrai nem chega a sentir-se mal.

É um monumento à atual atitude cultural perante a morte e perante as doenças epidémicas que toda a sociedade colapse perante o ataque de um vírus geralmente benigno.
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De Anónimo a 22.05.2020 às 17:58

Tu é que estas colapsado da cabeça, se é que ainda a tens.




Ana Margarida
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De Anónimo a 22.05.2020 às 19:00

Não tenho apreço pelo personagem, bem pelo contrário, mas estas coincidências de alguém se candidatar à presidência da república e de repente se tornar alvo do jornalismo de investigação são sempre de aplaudir

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