Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Sun Tzu escrevia em inglês?

por Pedro Correia, em 28.06.19

thumbnail_20190623_120436-1.jpg

 

Na minha livraria preferida, espreito as novidades literárias. Novos romances, por exemplo. Há sempre vários à disposição dos leitores.

Pego num deles, espreito a primeira página. Traz citação. Coisa fina: é de Sun Tzu. A Arte da Guerra, clássico com várias traduções em português. 

Mas esta citação surge em inglês, idioma que o admirável filósofo chinês, nascido no século VI antes de Cristo, não dominava. Desde logo porque a língua imortalizada por Shakespeare, Byron e Dickens só começou a generalizar-se, no seu figurino actual, cerca de mil anos depois.

Excluindo o chinês original, só faria sentido, portanto, que uma frase destas surgisse no nosso idioma como epígrafe de um romance escrito por um autor português e destinado a leitores portugueses. O inglês, aqui, indicia apenas aculturação bacoca e espúria. Algo digno de um pesca-frases em modo rápido nesse amplo mar da palha que é o Google.

Passei adiante, claro. Sem necessitar de ler mais nada.


16 comentários

Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 28.06.2019 às 12:44

Escrever, falar e citar em português está completamente fora de moda. Não sabias?!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.06.2019 às 22:48

Outdated. Como se speak em portuguese contemporâneo.
Imagem de perfil

De jpt a 28.06.2019 às 13:35

Julgo que esta (excelente e merecida) porrada deveria ser acompanhada com nome de autor e título de obra.
Perfil Facebook

De Luís Serpa a 28.06.2019 às 16:28

Subscrevo.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.06.2019 às 22:48

Viva, Luís. Prazer em vê-lo por cá outra vez.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.06.2019 às 22:49

Não me importaria de fazer isso, JPT, mas nem anotei o nome da coisa. Limitei-me a bater a chapa e segui adiante.
Sem imagem de perfil

De Cristina M. a 28.06.2019 às 14:25

falta de zelo.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.06.2019 às 22:52

É o que está a dar. Citar um autor chinês, para leitores portugueses, em inglês.
O equivalente àqueles emigrantes que vêm de "vacanças" a Portugal e falam por cá franciú uns com os outros para armarem ao fino.
Querem parecer cosmopolitas e afinal só parecem ser parolos.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 28.06.2019 às 14:27

Excelente post, com uma crítica muito certeira e correta.

a língua imortalizada por Shakespeare, Byron e Dickens só começou a generalizar-se, no seu figurino actual, cerca de mil anos depois

Isto não é bem assim. O inglês "no seu figurino actual" tem duas raízes distintas: a língua germânica falada pelos anglossaxões originais e o francês primitivo falado pelos invasores normandos. Durante muitos séculos essas línguas coexistiram no mesmo espaço geográfico: o anglossaxão era falado pelo povo enquanto que a nobreza, que era toda de origem normanda, falava francês. No inglês atual coexistem assim palavras com diferentes origens; por exemplo, os verbos to ask e to demand, que têm raízes diferentes e evoluíram para terem também sentidos diferentes. Assim, o inglês "no seu figurino actual" não começou a formar-se mil anos, mas sim 1500 anos, depois de Sun Tzu.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.06.2019 às 17:32

Você trabalha na google a verificar textos ?
É que só pode ser isso , você está omnipresente em todos os blogues.
Tire férias, vai ver que isso passa.

WW
Sem imagem de perfil

De Aurélio Buarcos a 28.06.2019 às 18:49

Alto lá.
Para sermos mais precisos; mil quinhentos e vinte e quatro anos, cinco meses, doze dias, oito horas, cinquenta e dois minutos e dez segundos DST* assim é que está correcto.
Como diria José Hermano Saraiva, foi, precisamente, nesse dia que o "inglês no seu figurino actual" nasceu.
(*Depois de Sun Tzu)
Sem imagem de perfil

De xico a 29.06.2019 às 00:29

Numa manhã cinzenta em que chuviscava...ou devo dizer drizzled,,,
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 29.06.2019 às 12:15

... e, como Camões escreveu, «the whole world is made up of change».

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D