Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.03.18

250x[1].jpg

 

   E se Angola tivesse proclamado a independência em 1959?, de Jonuel Gonçalves

Ensaio histórico

(edição Guerra & Paz, 2018)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:


10 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.03.2018 às 10:50

Bom dia. Será que merece a pena ler? Será que Angola era o que é se não tivesse existido a colonização e as obras feitas pelos Portugueses?
Sempre discutível, bem sei ...
.
* Soneto escrito no escuro ... em versos de luz sombria * (https://brincandocomaspalavrass.blogspot.pt/)
.
Deixo um abraço amigo
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 01.03.2018 às 11:38

A resposta é, teria havido guerra na mesma.
De facto, Portugal, ao contrário da Inglaterra e da França, não estava esgotado (psicologicamente e financeiramente) pela Segunda Guerra Mundial e portanto teria resistido sempre à independência de Angola - que para Portugal era, ao contrário de algumas outras colónias, muito valiosa economicamente e demograficamente.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Policarpo a 01.03.2018 às 14:30

Tendo em conta o que lá se construíu entre 1961 e 1975, Angola independente em 1959, hoje seria não digo um Zimbábwe, mas uma Zambia. Isto vale o que vale, mas tanto quanto julgo saber, em 1961 os únicos quilómetros de estrada asfaltada existentes em Angola, eram a ligação do Lobito a Benguela, cerca de 30 quilometros. Em 1975 todas as capitais de distrito estavam ligadas por asfalto, com destaque para a estrada da Serra da Leba, a última grande obra publica que a administração portuguesa deixou em Angola e que encurtou a viagem entre Sá da Bandeira, hoje Cidade do Lubango, e Moçâmedes, hoje Cidade do Namibe em várias dezenas de quilómetros. É uma obra extraordinária em qualquer parte do mundo. Já para não falar no crescimento das principais cidades, da construção de escolas e hospitais, que não eram apenas para brancos, eram para todos.
Imagem de perfil

De Vlad a 01.03.2018 às 16:16

Alexandre, pode, por favor, relembrar quais as razões que conduziram a que as grandes obras públicas só tivessem inicio em 1961, tendo em consideração que a colonização efectiva do território angolano surgiu por volta de 1850?

Alguns dados:

a)Em 1956 é publicado o primeiro manifesto do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

b)O principal período da descolonização africana ocorreu entre 1960 e 1970. A Organização das Nações Unidas (ONU) apoia os países colonizados na sua luta contra as potências colonialistas europeias.

c)A política dos EUA em relação às colónias portuguesas muda. Em 1961, o Congresso norte-americano decreta um embargo militar contra Portugal, seu aliado na NATO, a Aliança Atlântica.

Parece-me que as estradas de asfalto, os hospitais e as escolas tiveram como causas as pressões internas (Movimentos de Descolonização) e internacionais (ONU; Vaticano)sobre Portugal e o Império Ultramarino e não com uma genuína preocupação portuguesa para com a miséria do povo angolano.

Mas isto é só um achismo...

Sem imagem de perfil

De Alexandre Policarpo a 01.03.2018 às 17:38

É um facto que foi a guerra que despoletou o desenvolvimento de Angola depois de 1961, foi o que eu escrevi no meu comentário. Quanto às "pressões dos movimentos de descolonização", basta ver o que era Angola em 1975 e naquilo que se tornou hoje.
Vivi em Angola entre Janeiro de 1972 e meados de 1975, por isso posso afirmar que o que você escreveu, é mesmo um achismo.
Imagem de perfil

De Vlad a 01.03.2018 às 18:47

Durante o tempo colonial, os Portugueses não suportaram o desenvolvimento de um sistema educativo para os Angolanos mas deixaram-no quase inteiramente para instituições religiosas. Em consequência disso, logo depois da independência a taxa de analfabetismo era muito elevada, uma estatística elaborada pela Direcção Nacional de Ensino Geral DNEG e Comissão Nacional para a UNESCO, CNU, estima que em 1975 a taxa bruta de analfabetismo no país era de cerca de 85% da população economicamente activa.

https://www.unicef.org/evaldatabase/index_68372.html

Segundo um primo meu, que trabalhava no Ministério do Ultramar, Angola era um Éden... para os brancos...os pretos formavam uma mão de obra baratíssima, eram dóceis e ignorantes. Os lucros, esses, avultadíssimos....

Sem imagem de perfil

De Alexandre Policarpo a 01.03.2018 às 21:53

Exactamente como cá, a diferença era que os pobres lá eram pretos e cá eram brancos. As divisões sociais faziam-se mais pelo peso da bolsa do que pela côr da pele. Quanto à educação, as incorporações militares que como deve saber eram feitas de acordo com as então chamadas "habilitações literárias", não enganavam, os cursos de sargentos e oficiais, mas principalmente os de sargentos, tinham cada vez mais africanos. Se eles estudavam nas missões, nos Liceus ou nas Escolas Comerciais e Industriais, isso já não sei. O que eu sei, é que eram cada vez mais a aparecer com os antigos 5º e 7º ano. Exactamente como cá.
Há poucos dias vi, creio que na RTP2, um programa sobre os estudantes africanos que frequentaram a antiga Casa do Império em Lisboa, de onde saíram muitos elementos que mais tarde fizeram parte das cúpulas do MPLA e de outros chamados movimentos de libertação. Eram práticamente todos pretos e depois de fazerem o Liceu no Salvador Correia em Luanda, vieram para cá frequentar a Universidade. Todas essas pessoas fizeram o liceu em Angola nos anos 50.
Para terminar: vivi numa cidade fantástica que se chamava Nova Lisboa, e num determinado período partilhei um apartamento com outros "camaradas de armas" num prédio com vários andares onde os únicos brancos éramos nós e um casal de velhotes. Todos os outros apartamentos estavam ocupados por famílias de africanos, que faziam parte de uma burguesia africana que era cada vez mais numerosa. As coisas eram o que eram e não há propaganda nem preconceito que as apague. Quanto ao seu primo do ministério do Ultramar, se calhar nunca lá pôs os pés.
Imagem de perfil

De Vlad a 01.03.2018 às 23:10

Engana-se. Geria uma exploração agrícola....militante do PSD e muito bem relacionado...de campo de Ourique...aos fins de semana bridge e bilhar...engana-se, meu caro....
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.03.2018 às 19:47

"Vivi em Angola entre Janeiro de 1972 e meados de 1975, por isso posso afirmar que o que você escreveu, é mesmo um achismo."
Viver onde quer que seja não permite filosofar. Não basta viver lá. Exemplo: eu vivi em Angola de 1950 a 1953 e tenho uma opinião completamente diferente da sua. Mas fica só para mim enquanto não estudar melhor o problema.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Policarpo a 01.03.2018 às 21:23

Pois deve ter, apesar de tudo 20 anos fazem a diferença. Até aqui em Portugal, a vida das pessoas era muito diferente no principio dos anos 50 e 20 anos depois.Portanto se viveu em Angola em 1953 não sabe o que é que lá se passava em 1974, e estudar o problema serve-lhe de pouco 40 e tal anos depois.

Comentar post



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D