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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.11.19

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O Primo Basílio, de Eça de Queiroz

Romance

(reedição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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6 comentários

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De Bea a 20.11.2019 às 10:51

Um livro que gostei bastante de ler.
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De Pedro Correia a 20.11.2019 às 10:56

Já li o livro e vi o filme.
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De Anónimo a 20.11.2019 às 11:35

E eu também!
📚🎬
Maria
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De Anónimo a 21.11.2019 às 10:44

Ai, a beleza de Giulia Gam!...
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De Manuel Sousa a 22.11.2019 às 10:27

O Conselheiro Acácio é Um homem alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo, ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco amolgada no alto. Tingia os cabelos, que de uma orelha à outra lhe faziam colar para trás da nuca; e aquele preto lustroso dava, pelo contraste, maior brilho à calva; mas não tingia o bigode: tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo e as orelhas muito grandes, muito despegadas do crânio

Perante a sociedade, o Conselheiro Acácio era um moralista, com constantes declarações a favor da sã moral e dos bons costumes, que faziam dele um público paladino da família e das virtudes cristãs.

Nascido e criado em Lisboa, era um solteirão sem família, aposentado do cargo de Director-Geral do Ministério do Reino, que vivia num terceiro andar da Rua do Ferregial, amancebado com a criada que, entretanto, o atraiçoava.

Expressava-se com chavões e elaboradas frases vazias e citava muito. Com gestos sempre medidos e cerimoniosos, jamais usava palavras triviais: não dizia vomitar, antes fazia um gesto indicativo e empregava o termo restituir. Assinante do Teatro Nacional de São Carlos havia dezoito anos, conhecia toda a sociedade amante da ópera e toda a intelectualidade da moda. Nas suas constantes citações dizia sempre o nosso Garrett, o nosso Herculano e falava incessantemente das nossas virtudes pátrias. Tendo sido nomeado Conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima por Carta Régia de D. Luís I de Portugal, sempre que dizia El-Rei, erguia-se um pouco na cadeira.

Tinha sido feito Cavaleiro da Real Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, em atenção aos seus grandes merecimentos literários e às obras publicadas, de reconhecida utilidade, no campo da economia política. Era autor das seguintes obras: Elementos Genéricos da Ciência da Riqueza e Sua Distribuição, com o subtítulo Segundo os Melhores Autores; da Relação de Todos os Ministros do Estado desde o Grande Marquês de Pombal até Nossos Dias com Datas Cuidadosamente Averiguadas de Seus Nascimentos e Óbitos e de uma volumosa Descrição Pitoresca das Principais Cidades de Portugal e Seus Mais Famosos Estabelecimentos.
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De Manuel Sousa a 22.11.2019 às 17:17

Conselheiro Gama Torres (com similaridades a margaride, pacheco, acácio, sousa neto)
Homem, segundo se diz de prodigiosa inteligência e profunda cultura mas que por razões de sovinice intelectual apenas se lhe conhece a seguinte e sempre repetida argumentação sempre que se debate algum tema social: Ele há nuitas questões! Questões terríveis: a pobreza, a prostituição! São grandes questões! Questões terríveis!...

Já Sousa Neto, representa a alta da administração pública, Surge e como figurante e personagem-tipo da burocracia. Sousa Neto é "Oficial superior de uma grande repartição do Estado", "Da Instrução Pública" (Cap. XII), mas revela falta de cultura e mediocridade intelectual. O narrador, ironicamente, apresenta-o "cheio de curiosidade inteligente" a perguntar a Carlos da Maia se "em Inglaterra havia também literatura".
Amigo e próximo do Conde de Gouvarinho, quando não conseguia argumentar, por falta de conhecimentos, Sousa Neto falava "do alto da sua considerável posição burocrática", dizendo, ser seu costume "não entrar nunca em discussões, e acatar todas as opiniões alheias, mesmo quando elas sejam absurdas..." (Cap. XII). Provocado por Ega, não é capaz de ter um diálogo consequente, quer devido à falta de conhecimentos sobre personagens e temas da época como Proudhon e o socialismo utópico, quer por formação preconceituosa e ignorância que o leva a afirmar (acerca das "páginas de Proudhon sobre o amor") que não sabia "que esse filósofo tivesse escrito sobre assuntos escabrosos".
Eça de Queirós procura com personagens como Sousa Neto simbolizar a degradação na instrução pública, demonstrar a superficialidade e a falta de cultura dos representantes da Administração do Estado.

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