Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.05.19

250x (2).jpg

 

A Morte é um Acto Solitário, de Ray Bradbury

Tradução de Maria João Freire de Andrade

Policial

(reedição Cavalo de Ferro, 2019)

Tags:


20 comentários

Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 23.05.2019 às 10:38

Vi agora notícia sobre um inventor que inventou uma máquina de matar sem sofrimento, que se pode fabricar em casa com uma impressora 3D.

Parece muito limpo e solitário. É uma cápsula na qual uma pessoa se mete (a cápsula tem uma janela para a pessoa poder olhar para uma paisagem agradável enquanto morre) e que tem uma máquina que substitui o oxigénio dentro da cápsula por azoto, progressivamente matando a pessoa.

Pareceu-me um conceito muito higiénico.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.05.2019 às 16:38

Higiénico, talvez, mas deve ser um bocado carote, penso eu de que...
Tanto trabalho para quê?
Tenho uma ideia melhor:
Um relaxante banho de espuma e depois colocar um secador ligado à corrente na água.
As simple as that!
Parece que nunca falha.
Higiénico, relaxante, barato, simples, eficaz.
(Humor negríssimo)

Quanto ao livro, gosto muito do Bradbury e acho o título interessante; vou espreitar na próxima ida à livraria.

Maria
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 23.05.2019 às 17:33

É claro que é caro, a vantagem é ser sem sofrimento, ou pelo menos é o que propagandeiam.
O método do secador de cabelo deve ser eficaz, mas por alguma razão pouca gente o utiliza.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.05.2019 às 18:33

Lavoura, penso que poucos o usam, porque poucos querem realmente morrer.
Por vezes é mais um pedido de socorro, uma chamada de atenção...
Mas que sei eu?
Tenho o maior respeito pelas pessoas que tentam suicidar-se e não quero brincar mais com isto.
E conforme digo num comentário ao Corvo, lembrei-me do secador por causa da morte do Claude François, que me marcou imenso quando era muito jovem e lia o Salut les Copains.
Nunca me esqueci.

Maria
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 24.05.2019 às 09:39

não quero brincar mais com isto

Mas eu não estou a brincar - vi mesmo uma peça jornalística sobre essa cápsula para suicídios.

a morte do Claude François, que me marcou imenso quando era muito jovem e lia o Salut les Copains

Não sei quem seja o Claude François nem sei o que seja o Salut les Copains.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.05.2019 às 10:51

Não, quem estava a brincar (ou a fazer humor negro) era eu.

Não conhece?
Alors vous êtes très jeune, Monsieur Lavourà!

Maria
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 24.05.2019 às 11:01

Jung bin ich leider gar nicht mehr: ich bin 56 Jahre alt.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.05.2019 às 16:21

Aber Sie sind nur ein Kind, Herr Lavoura
Ich bin älter als Sie
Ainda sou do tempo em que se aprendia francês logo no primeiro ano do liceu, e se ouvia muita música francesa na rádio.
Salut les Copains era uma revista muito popular entre os jovens e, curiosamente, não era censurada.
Nunca esqueci a morte do Cloclo por duas razões: não sabia que se podia morrer assim e porque aconteceu num dia muito importante para mim.
Pode googlar, se estiver interessado, claro.

Maria

Imagem de perfil

De Corvo a 23.05.2019 às 19:37

Um secador é capaz de não ser boa ideia, mais pela futura viúva que não tem culpa do auto-suicida que lhe calhou em sorte; melhor, pouca sorte, e depois fica sem o secador e ninguém quer ver, e ela principalmente, uma viúva desleixada no .
Ou daí é capaz de ser uma rica ideia, sim senhor! Ela aproveita e vai à cabeleireira fazer aquele cabelo que lhe vai mesmo de arrasar, penteado até então tristemente reprimido por causa do, agora defunto, que da primeira vez que a, agora viúva, se alindou com ele, (cabelo) criou uma discussão com ela de criar bicho.
Avança o secador, definitivamente.

Sobre o livro, aconselho vivamente a ler. Muito bom.
Imagem de perfil

De Corvo a 23.05.2019 às 15:42

Ó gente! Isso é que é uma excelente notícia! afigura-me que em Portugal vai ter um sucesso estrondoso.
Aliás, afigura-se-me não! tenho a certeza!
Vejamos: com anda o povo português? Mal, muito mal, pessimamente mal.
Uns pela política, outros pelo futebol, outros pelo VAR, outros ainda pelo VAR e o Futebol, - como se não bastasse para tanta agonia ou um ou outro que davam bem conta do recado para esses desvalidos da fortuna vêm associados; - ainda outros que agora veio o banco arrestar o alemão novinho em folha que dava cá uma pinta do camano, outros ainda, os privilegiados da desgraça a quem os grandes amores assolapados foram pelo cano, enfim; acho que não me engano muito se disser que três quartos, pelo menos, dos portugueses se não fosse o medo do sofrimento que a danada trás com ela, há que tempos não teriam dado sumiço às suas existências.
Ah e tal, corvo, és um exagerado. Não é bem assim e...
Ai é? Então mostrem-me cá, tirando o LFVieira, o Bruno de Carvalho, o Jorge Jesus, o Jorge Mendes o Berardo e o André Ventura, quem mais anda por aí a rir? Hã?
Ainda para mais fabrico caseirinho, e pelos vistos baratinho.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.05.2019 às 18:12

Corvo, não deve ser nada baratinho, mesmo nada.
Já estou a imaginar "as portuguesas e os portugueses" [estamos em campanha eleitoral ;)] a pedir créditos à CGD para poderem construir as tais cápsulas e assim terminarem em beleza, e com um glamour que, convenhamos, o secador na água do banho não dá.
E no fim, comme d'habitude, cá estaremos nós a financiar a banca, mais uma vez...
O "Comme d'habitude" não está aqui por acaso. Foi por me ter recordado que o Claude François (criador da canção que traduzida deu o célebre My Way do Sinatra) morreu electrocutado na banheira que me lembrei do secador.
Mas o Corvo também está feliz, não está? Eu não vejo muita tv mas deu para perceber, pelas 1000 e tal horas de directos, quem ganhou aquela coisa...

Maria
Imagem de perfil

De Corvo a 23.05.2019 às 23:33

Boa noite, Maria.
Brinquemos com ela, morte. Quando nos levar leva-nos alegres.
Sabemos que ninguém cá fica para semente, tentamos retardá-la o mais possível, - vocês, juventude do meu país, ou idade um pouco mais avançada, - que não eu para quem a morte não é um mal e muito pelo contrário.
Por vezes, muitas vezes quando faço uma viagem regressiva ao meu passado, sinto que já vivi séculos e séculos. Acho que já vivi de mais.
Aliás, quando aos cinco anos fintei a morte pela primeira vez, até aos vinte e sete foi um fintar constante. Depois, estranhamente parou. É uma incógnita ter durado tanto, por isso quando vier tem toda a razão porque equitativamente considerando, sou para com ela infinitamente mais devedor que credor.
Por isso quando ela chegar
A rir me vai encontrar
Não me assustas Ceifeira
De há muito és companheira
De bom grado te acompanharei
Porque pelo mundo que conheci
Por tudo quanto passei
A vida que já vivi
Estúpida que tanto tardou
Levas-me sim
Mas fui eu quem sempre ganhou.

Desejo-lhe um excelente resto de noite
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.05.2019 às 07:21

Bom dia, Corvo.

Pelo que me conta, depreendo que jamais convidaria a morte para um jogo de xadrez...

Desejo-lhe um excelente resto de dia.

Maria
Imagem de perfil

De Corvo a 24.05.2019 às 00:10

Aliás, sobre ela, morte, a maneira de como é encarada depende muito do estado de espírito de quem a presencia quando ela passa.
Contava aqui um célebre velório, coisa épica, mas se calhar o Pedro Correia era capaz de não estar muito pelos ajustes, - por conter um enredo assaz alongado, -
Se não se chatear muito, que isto agora e devido... se calhar ao VAR há sempre que levar em conta a susceptibilidade da verde nação, se não se chatear, eu conto.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.05.2019 às 07:25

Conte, conte, Corvo, gosto muito de o ler.
Ah e também gosto de coisas épicas...

Maria
Imagem de perfil

De Corvo a 24.05.2019 às 11:27

Olá, Maria; bom dia.
Bem; dado que o Pedro Correia não se manifestou pelo sim nem pelo não, acho que se pode aplicar a ancestral sabedoria universal de que quem cala, se não consente pelo menos condescende, e vou contar.
Um nadinha e já venho para cá com ela, a empírica e enobrecida história do "O Velório do sogro"
Imagem de perfil

De Corvo a 24.05.2019 às 13:33

Então cá vai.
Era uma vez uma sogra que tinha quatro filhas e quatro genros. Adorava três filhas e detestava uma, e detestava três genros e adorava umo marido da detestada.
O telefone tocou às primeiras horas dessa manhã de segunda-feira, e foi a filha detestada quem o atendeu. O pai morrera; comunicou-lhe do outro lado, uma irmã.
Ela manteve-se silenciosa toda a viagem, e o marido sabendo a profunda ligação dessa filha ao pai respeitou-lhe o doloroso silêncio, embora lhe custasse
bastante ver o imenso verde banhado de água durante as quase duas horas de viagem.
Lá chegados ela precipitou-se para o corpo no caixão, beijou-o sentidamente e o marido amparou-a quando a viu desfalecer. Só muito tempo depois ela reparou na mãe, nos irmãos e irmãs e no número imensurável de mulherio e alguns homens, do povo.
A sogra mirou o genro querido de alto a baixo, e ao seu abraço e beijo retribuiu com um "estás tão magrinho, não estás?" Jogando de passagem um olhar culpabilizador para a filha. Essa levantou a cabeça para ela, mas baixou-a logo a seguir quando sossegou por vê-la, aparentemente esquecida da problemática do peso certo do querido genro, voltar às lamentações que a chegada deles condicionara.
Valha a verdade que se entendiam na perfeição, sogra e genro. Para todos os outros era, a exigências dela, a senhora sogra, ou a senhora mãe, ou ainda a senhora Aida, menos para ele. Tu cá tu lá na maior simplicidade e harmonia. Daí formarem uma equipa afinada. Ela falava e ele escutava e aprovava. Por ex: na missa quando adregava lá se encontrar a um Domingo, não falhava. " Anda daí à missa comigo."
Ela ajoelhada, muito devota com um lenço na cabeça, e ele ao lado dela, sentado. Padre pregava.
Sogra fazendo um discreto gesto para ele aproximar a cabeça da dela. "Este ainda é pior do que o outro. Falso como Judas a pregar a moral que Deus quer, mas a tia Adozinda disse-me que ele estava a olhar para as pernas dela no outro dia da feira do gado.
Genro. "Então e o outro?"
Sogra. "O outro era um desenvergonhado que até com uma catraia se meteu que se não fugia daqui o povo dava cabo dele à sacholada.
Genro. "Oh Diabo!" E por aí adiante. Então voltando ao velório. Sogra lamentando-se.
- Quem havia de dizer. Ainda ontem comeste uma balteirada de batatas e agora estás aí esticadinho. Ai ai.
Uma vizinha condoída, veio confortá-la. " Deixa lá, Nina: são tudo desgraças nesta vida, ninguém diga que está bem. A ti morreu-te o teu homem, a mim anda-me uma galinha a pôr fora."
Mais confortada, parou as lamentações e apontou para a filha.
- E tu? O que estás aí a fazer? Vai dar comida ao teu homem. Tem bacalhau e trigo na cozinha.
- Ele não tem fome, - desculpou-se ela timidamente, olhando para ela.
- Tu é que sabes se ele tem fome. Muita fartura é que não tem que está mais magrinho do que um pau de segurar as vides. - Vira-se para o povo. - Não sei por que é que estas inúteis se casam se nem sabem tratar de um homem. Teve sorte porque ele é um santo porque outro não a aturava. Vai mas é dar comida ao teu homem em vez de estares para aí plasmada a mirar o teu pai. Vai que ele não te foge.
- Está bem, eu vou.
Saíram e mal se apanhou fora das vistas, abraçou-se a ele com a carinha molhada, a dominar-se para reprimir o riso.
- Tu já viste ela obrigar-me a pecar? Coitadinho do meu pai e ela a fazer-me rir. Se calhar ainda nem entrou no Céu e eu a rir no caixão dele. Vamos lá à cozinha para comeres a ver se a cabra se cala.

(segue já o resto)
Imagem de perfil

De Corvo a 24.05.2019 às 13:36

Então terminando.

Foram, ele assou na lareira dois lombos de bacalhau que tirou de uma travessa cheia deles que estavam mesmo a pedi-las, deu-lhe um mas como ela não quis comer afiambrou-se ele com os dois. Tudo regado com uma valente canecada de tinto, produção da lavra deles.
Voltaram para o velório e estava outra vizinha a lamentar-se sobre as vicissitudes deste mundo, que também a ela a desgraça não poupara e o reco que andara o ano a cevar com tanto desvelo, que até castanhas lhe dava, dera-lhe a morrinha e finara-se. Que até parecia que alguém jogara mau-olhado ao povo que agora estava toda a gente a morrer.
Isso teve o condão de reacender o interesse da sogra sobre a alimentação do querido genro, porque apontou para a filha.
- Deste-lhe comida?
- Dei.
- E vinho?
- Também bebeu.
- De qual?
- O que estava na cozinha. Qual queria que fosse? - Replica ela já enervada com a inquisidora mãe.
- Não é desse! é o da pipa que está lá ao canto sozinha. - Que era uma colheita de umas vides que por sorte apanhavam sol mesmo à maneira, e que ela guardava só para gente especial.
- Ele gosta deste. - Defendeu-se a filha.
- Tu é que sabes do que ele gosta. - Volta a virar-se para o povo, mostrando-a depreciativamente. - Quem te ouvir até vai pensar que sabes cuidar do teu homem. Vai mas é lá abaixo à adega buscar um jarro para ele.
- Que vá ele se quiser, ora.
Bem; acho que vou encerrar por aqui a cortina da caridade.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.05.2019 às 16:46

Corvo, confesso que há aqui qualquer coisa que me está a escapar...
Acho que o meu IQ não está à altura de tanta metáfora...
Não quer explicar melhor, assim como se eu fosse uma criancinha de 5 anos?

Maria
Imagem de perfil

De Corvo a 24.05.2019 às 19:06

Então e que metáforas a Maria vê, ou suspeita que hajam nessa história?
Foi o velório do meu sogro aquando da sua morte ocorrida há uns trinta anos, contada na terceira pessoa exactamente como se passou.

Votos de um excelente fim-de-semana.

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D