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Submissão - a história de um suicídio

por Teresa Ribeiro, em 03.05.15

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Quando Michel Houellebecq foi fustigado nas redes sociais e nos media com acusações de xenofobia e de incentivo à islamofobia por ocasião do lançamento, em França, de "Submissão", defendeu-se afirmando que o seu novo romance não era uma provocação, na medida em que nele não dizia coisas que considerasse fundamentalmente falsas só para irritar.

E o que ele dizia em "Submissão" é que em 2022, depois de um conturbado segundo mandato de François Hollande, o líder do novo partido Fraternidade Muçulmana chegaria ao poder após a segunda volta das presidenciais. Um feito só possível graças à aliança que propôs aos socialistas e à UMP, de centro-direita, para derrotar Marine Le Pen, vencedora da primeira volta. Com instinto político e sentido de oportunidade, o islamita conseguia o impensável.

A par de insultos, Houellebecq também recebeu louvores e houve mesmo quem o considerasse um visionário, colocando-o a par de George Orwell e Aldous Huxley. "Afinal" - argumentaram os seus apoiantes mais entusiastas - "numa Europa devastada pela crise económica, social e de valores, cansada dos seus políticos e já sem fé na democracia seria assim tão absurdo o islão penetrar, qual cavalo de troia, no sistema politico-partidário tradicional e conquistar o poder?"

O romancista francês mais traduzido no mundo, vencedor do prémio Goncourt, bestial e besta conforme as opiniões, em "Submissão" fala sobretudo da decadência da Europa. A ideia da reconquista do ocidente pelo islão é uma hipótese académica de que se serve para incendiar o circo (apesar de o ter negado) e também pretexto para regressar ao seu tema preferido: a irreformável natureza humana.

Se Houellebecq tivesse imaginado um assalto ao poder pela força, "Submissão" não seria tão interessante. Bem mais  insidiosa é a doce passagem de testemunho por via democrática que descreve e a sugestão de  que o islamismo pode vencer as reservas ocidentais com mais facilidade do que seria de supor desde que administrado em doses certas:

"Ben Abbes evitara sempre comprometer-se com a esquerda anticapitalista; compreendera perfeitamente que a direita liberal ganhara a "batalha das ideias", que os jovens se tornaram empreendedores e que hoje em dia o carácter incontornável da economia de mercado era unanimemente aceite. O verdadeiro traço de génio do líder muçulmano era ter percebido que as eleições não se iam decidir no campo da economia mas no campo dos valores e que, também a esse nível, a direita se preparava para ganhar a "batalha das ideias", sem sequer precisar de combater (...) No respeitante à reabilitação da família, da moral tradicional e implicitamente do patriarcado, abria-se à sua frente toda uma avenida, que a direita não podia aproveitar, e a Frente Nacional muito menos, sem ficarem com o carimbo de reaccionárias ou mesmo de fascistas (...) Só ele, Ben Abbes, estava ao abrigo de qualquer perigo. Paralisada pelo seu anti-racismo essencial, a esquerda nunca fora capaz de o combater, ou sequer de mencionar".(pág. 135) 

Habituados que estamos a considerar as teocracias islamitas a anos-luz da nossa superioridade civilizacional admitir, ainda que teoricamente, alguma vulnerabilidade do nosso sistema é reconhecer que a distância que nos separa é reversível. Como? A  natureza humana, esse traço de união entre civilizações, será sempre a chave para todos os enigmas, sugere o autor.

De que forma poderiam as elites políticas e intelectuais sucumbir ao charme do islão? Houellebecq explica, tal como explica o que levaria o povo a aceitar a mudança sem levantar grandes ondas:

"Provavelmente é impossível, para as pessoas que viveram e prosperaram num determinado sistema social, imaginarem-se na pele daqueles que, nunca tendo podido esperar nada desse mesmo sistema, encaram a sua destruição sem especial receio" (pág.53), cogita o personagem que conduz esta história, um intelectual autocentrado, que nunca se interessou por política, que a bem dizer nunca se interessou por nada e cuja relação mais próxima que mantém é com o escritor do século XIX que foi tema da sua tese de doutoramento.

Este tom desapaixonado contamina toda a narrativa passando nas entrelinhas l'air du temps, um misto de apatia, individualismo e alheamento cívico. Mas é quando cita Arnold Toynbee, através de um outro personagem, um professor universitário de meia idade rendido ao dinheiro dos sauditas e às delícias da poligamia, que Houellebecq transmite a mensagem essencial do livro: "as nações não morrem assassinadas, suicidam-se". E a estocada vai para as elites que nos governam, não para os muçulmanos.

Quem levou a sério e acusou a sua tese de falta de consistência política não considerou que a ambivalência desta obra, que mistura referências reais com pura ficção, e acontecimentos plausíveis com desfechos improváveis, é um objectivo. Sendo o islão, nos tempos que correm, "o outro" o escritor usa-o simplesmente para nos confrontar. Para nos falar do que está podre no reino da civilidade e da democracia, mas como é de seu timbre fá-lo sem moralismos ou quaisquer outros constrangimentos. 

A viver com escolta policial desde que o Charlie Hebdo sofreu um atentado (a capa da edição que então estava nas bancas era sobre o recém-lançado "Submissão"), Michel Houllebecq  é odiado pelos islamitas mas também, sem surpresa, pelas elites intelectuais mais engagées, tanto à direita como à esquerda. Penso que pelas contas dele não se terá saído nada mal, até porque com este seu sexto romance está a facturar como nunca...


24 comentários

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De Não li, mas a 03.05.2015 às 14:01

Que jovens empreendedores da direita liberal e da economia de mercado unanimemente aceite, no íntimo, anseiem pela reabilitação da família, da moral tradicional e do patriarcado (e que as francesas se pelem pelos direitos das sauditas) parece-me um bocado esdrúxulo, mas quem sou eu...

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De Teresa Ribeiro a 03.05.2015 às 14:39

Leia. Depois falamos :)
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De fernando antolin a 03.05.2015 às 17:59

Em boa hora aproveitei para ir mantendo o francês actualizado, ao ler o Soumission, no original. Bom livro e, para quem está à beirinha dos 60 e já viu o seu quinhão de coisas que se julgavam impossíveis de acontecer, é esperar para ver...
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De Teresa Ribeiro a 04.05.2015 às 12:20

O impossível já aconteceu muitas vezes na velha Europa, não é? Houellebecq também joga com isso para nos agarrar à leitura. E joga muito bem.
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De Rui Herbon a 03.05.2015 às 14:03

Muito bom.
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De Luís Menezes Leitão a 03.05.2015 às 18:30

Um livro extraordinário. Mas ao contrário do que referes, não me parece nada uma hipótese académica. Tudo aquilo me pareceu extremamente plausível. Inclusivamente a aliança dos partidos tradicionais com um candidato islâmico para parar Marine Le Pen e a aceitação pacífica da islamização da sociedade francesa como contrapartida. O que o livro demonstra é uma decadência profunda dos valores tradicionais da França, criados em 1789 e que triunfaram na Europa. Uma das afirmações que mais me impressionou foi o candidato dizer que nada tinha contra o catolicismo dos franceses, apenas contestava o laicismo do seu Estado. Aterrador.
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De Teresa Ribeiro a 03.05.2015 às 21:44

Conseguimos imaginar uma concertação política como ele descreve. Também aquele namoro com as elites nos parece plausível mas a aceitação pacífica da islamização da sociedade com tudo o que implicaria em relação às mulheres é mais difícil de conceber. É por isso que eu sustenho que se trata essencialmente de um exercício intelectual.
Também anotei essa identificação do laicismo como o verdadeiro e único inimigo do islamismo. Com as "religiões do livro" a ser identificadas como correntes inócuas. Dá um arrepio na espinha, não dá?!
Gostei muito deste livro.
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De lucklucky a 03.05.2015 às 19:17

Mas qual a surpresa?

"Paralisada pelo seu anti-racismo essencial, a esquerda nunca fora capaz de o combater, ou sequer de mencionar"

Errado, se a Esquerda fosse anti-racista para começar teria de criticar o racismo Árabe e o supremacismo prosélito Islâmico.
Houellebecq não percebeu que a Esquerda desde que foi dominada intelectualmente pelo Marxismo não tem causas, tem pretextos que utiliza conforme são úteis contra a Civilização Ocidental ou não.

E a única causa do Marxismo é destruir a Civilização Ocidental. Desde que o Marxismo dominou os Media e as Universidades que esta História é inevitável.

O problema para o Marxismo é que já não tem vontade de construir nada, limita-se a destruir para tornar tudo igual, logo abre o caminho a outros na sua destruição cultural.

Basta aliás ver o que se passa hoje nos EUA, o centro do Marxismo mundial. Ou grosso modo nos países Anglo-Saxónicos.
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De da Maia a 03.05.2015 às 22:07

« EUA, o centro do Marxismo mundial. »

Isso é que é fazer reset à máquina!
Já agora, a China é o centro do capitalismo, Meca é o centro do judaísmo, e a civilização ocidental fica no médio-oriente, com capital em Telaviv.
Pois, é isso tudo, acertaste em cheio.
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De lucklucky a 04.05.2015 às 04:03

O politicamente correcto, no fundo apenas uma outra táctica para o igualitarismo, domina o Marxismo contemporâneo.
E onde existe com mais força esse discurso : EUA, Inglaterra, Austrália, Escandinávia.

Boaventura Sousa Santos não vai beber aos textos de intelectuais do Kremlin, ou das Universidades Chineses. Esses ainda estão no Modernismo, ainda interessa o mérito. Vai beber às Universidades Americanas, a esses o objectivo é a "não discriminação" , o "privilégio branco" etc etc...
É na US Navy que o marinheiros são obrigados a usar salto alto em sessões de "reeducação" não na Marinha Chinesa.
O nosso esquerdista por isso medíocre Ministério da Educação vai beber entre outros a Boston, não a Shangai.
Shangai tem melhores resultados. Mas resultados nunca foi o objectivo do Ministério da Educação.
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De da Maia a 04.05.2015 às 12:11

Não vou discordar. És tão maluco, que até tens alguma razão.

Mas já agora, para não parecer só maluquice, convém apontar alguns links que expliquem o que queres dizer, como seja a dos "saltos altos":
http://www.washingtontimes.com/news/2015/apr/21/army-rotc-program-allegedly-pushed-men-wear-high-h/

No caso concreto, cheira-me que há também altas apostas envolvidas.
Um certo inútil aposta que é até capaz de pôr a US Navy a desfilar de saltos altos, outro inútil aposta que não, e aí tens o resultado do poder de bastidores.

O ócio em elites com poder tem que se entreter com alguma coisa, e normalmente, pela completa ausência de intelecto funcional, divertem-se com psicoses depravadas. Essa ausência de limite na prepotência está bem registada ao longo dos tempos, e pode redundar num enorme sofrimento das vítimas.
Neste caso foi apenas ferido o orgulho dos militares, mas é revelador, sem dúvida alguma!
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De lucklucky a 05.05.2015 às 00:42

"Não vou discordar. És tão maluco, que até tens alguma razão." :)

Saltos altos quer dizer saltos altos. Já existe já algum tempo nas forças armadas americanas.
Aqui tens um exemplo de 2012 para a Força Aérea.
http://www.kunsan.af.mil/news/story.asp?id=123324552
O mesmo se passa em navios em missão etc.

Esse caso que linkaste chegou às "redes sociais" por isso o barulho. Não é nada de novo. A Esquerda tomou conta do Pentágono. O ultimo reduto do estado federal que lhe faltava.
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De da Maia a 03.05.2015 às 22:37

Muito bom. Obrigado pelo resumo instrutivo.

Somos educados historicamente com o exemplo de regressões civilizacionais, sendo a mais mencionada a ruína do Império Romano, perante os seus bárbaros invasores.

Não há nenhum decreto natural que garanta que uma civilização mais avançada se sobrepõe às restantes, tal como uma maior potência física dos dinossauros não os livrou da extinção.

Porém, se a força material não suprime a força espiritual, também a força espiritual é vazia sem concretização material.

Esses movimentos de retorno a ideologias primárias, estão ligados a um defeito principal da civilização ocidental, que é o seu negacionismo histórico primário, e uma certa ideia de contenção e exploração da barbárie fora das suas fronteiras, tal como fizeram os romanos.

A ideia de que se pode construir um muro que coloque o bom de um lado e o mau do outro, é uma cegueira que esconde a inevitável contaminação do problema global.
O problema é que ou se procura resolver tudo, ou se afunda tudo no não resolver nada, e o meio termo não existe, porque o meio termo é o não resolver nada.
A civilização ocidental deve começar por dar o devido lugar à verdade histórica, e acabar de vez com as histórias da carochinha. Caso contrário, os fantasmas do passado estão aí para cobrar o futuro.

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De Bic Laranja a 03.05.2015 às 23:58

Exegese superior aos textos. «Submissão» é essencialmente a história do que a personagem principal comia e bebia, à boleia duma polémica 'facturante’.
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De Teresa Ribeiro a 06.05.2015 às 11:26

Olhe que não, Bic
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De Luis Eme a 04.05.2015 às 10:36

entre várias virtudes, este livro também pode ser entendido como uma chamada de atenção para as pessoas, que ainda podem alterar o "futuro" (o tal 2022...). basta acordar.
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De campus a 04.05.2015 às 19:06

E como acorda-los se estão anestesiados, e como podem acordar se fazemos tão pouco barulho ??
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De Teresa Ribeiro a 06.05.2015 às 11:26

Sem dúvida, Luís Eme
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De José Vieira a 04.05.2015 às 23:58

Definitivamente o Mundo é um lugar estranho, tornou-se muito mais complicado, incompreensível e imprevisível.

Que saudade dos tempos em tudo estava definido e arrumado, os Comunistas eram maus, os Capitalistas bons.

Os países Muçulmanos tinham petróleo e eram governados por ditadores ou Príncipes facilmente manipulados pelo ocidente. A URSS, a China e o Vietname demónios comunistas e um perigo para o Mundo Livre.

Nos dias que correm a Rússia já não é Comunista, mas…

A China é um verdadeiro paraíso Capitalista e o Vietname para lá caminha, enquanto que os Governos dos EUA e da EU, convertidos aos princípios Comunistas, subsidiam os seus Bancos e Companhias de seguros, para não falirem, como um verdadeiro regime Comunista.

O Camarada João Ulrich do BPI, assim que se safou da crise, foi á fartazana, afinal a conversa do aguenta, aguenta era só para os outros, ele não precisa de aguentar, parecia o presidente do Comité Central, recebeu tudo aquilo atrasado a que tinha direito e juros, lindo…

Curiosamente o mesmo se passa ao nível religioso, o antagonismo secular entre católicos e protestantes; que durante anos nos chegou através dos filmes de capa e espada do Errol Flyn, onde os livres, britânicos e democráticos piratas protestantes, esmagavam os católicos Espanhóis, maus, anti democráticos e inquisitoriais.

Acabou tudo perdoado e integrado num Papa da Argentina que é considerado um verdadeiro Reformador…

Pelo contrário, os maravilhosos Muçulmanos, que combateram galhardamente com os Britânicos e o seu Lawrence, contra os Turcos, acabaram por ocupar o lugar reservado aos Católico durante séculos, os Muçulmanos são agora os novos Católicos e tornaram-se os novos maus, basta ver os filmes…

Nos últimos anos infelizmente tudo ficou mais confuso, os Comunistas afinal até podem ser bons, basta permitirem ao capital fazer tudo o que não pode fazer nos Países Democráticos…

Os católicos, já são quase tão bons como os protestantes e os judeus e todos juntos dão grandes cargas de pancada aos Muçulmanos, os novos malandros e maus dos filmes.

Tipos como o Kadafi e o Sadam, afinal até não eram assim tão maus e a sua destruição foi um erro mal calculado e Assad afinal, pode vir a durar mais uns anos do que se pensava.

Parece que nos dias que correm Capitalismo e Democracia, não são forçosamente sinónimos e o Mundo se está a tornar um lugar complicado e difícil de entender.

Após a tomada do poder pelo xiita Aiatola do Irão/Pérsia a coisa começou a descarrilar e muita gente amante da “democracia” começou a ter saudades dos ditadores da Líbia, do Iraque, do Irão, da Síria, do Paquistão, do Iémen, do Egito, afinal parece que as Ditaduras até podem ser boas, depende…

Realmente, que saudades dos anos 50, 60 e 70 onde os Comunistas eram maus, os Capitalistas bons os Muçulmanos uns verbos de encher que faziam o que lhes era mandado e a quem os Israelitas periodicamente davam tareias de criar bicho.

Agora ninguém percebe nada, os Comunistas já são bons, especialmente os Chineses e os Vietnamitas, porque deixam os Capitalistas fazerem o que lhes dá na cabeça, os Capitalistas, especialmente se forem Banqueiros, podem fazer o que quiserem porque nunca lhes acontece nada, não vão á falência e nunca, mas nunca são presos, estão acima do bem e do mal, tal como os Comités Centrais dos Partidos Comunistas do antigamente, são financiados pelo Estado e nem a Justiça se lhes aplica.

Já agora quando souberem de algum que tenha sido julgado, condenado e preso, avisem (a Islândia não vale) …
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De Teresa Ribeiro a 06.05.2015 às 11:30

E esta salada só desencoraja a mobilização social. As pessoas começam a perder referências, a desistir, o que é muito perigoso.
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De Pedro Correia a 05.05.2015 às 15:09

Não li 'Submissão' mas tenciono ler, Teresa.
O teu texto despertou-me a vontade de conhecer muito em breve este romance (contrariando a minha promessa de este ano apenas ler obras de autores galardoados com o Nobel).
O próprio título é muito sugestivo.

Algumas anotações:
- É óbvio que a direita ganhou a batalha das ideias no campo económico. E ganhou-as não agora mas nos anos 80. A primeira consequência disso foi, de resto, a queda do chamado "socialismo real". A segunda foi a globalização do comércio. Como agiu a esquerda que se viu de repente desprovida de modelos perante a ofensiva ideológica contrária? Tornando-se apenas reactiva, nuns casos. Ou mimética, noutros casos (Blair no Reino Unido, Schroeder na Alemanha, Valls em França...). Não há indícios de alterações dignas de registo, como o caso grego de algum modo comprova por estes dias. Ou o venezuelano.
- Certeiras, estas tuas palavras: "um misto de apatia, individualismo e alheamento cívico". Isto caracteriza muito do comportamento dominante nas sociedades ocidentais contemporâneas. E ajuda a explicar a crise, que ultrapassa em larga escala o plano económico ou social. É uma crise de valores, que o fundamentalismo islâmico procura colmatar apelando ao instinto gregário e aos códigos tribais em decomposição nas chamadas sociedades "evoluídas". Quem não perceba isto nada percebe de essencial.
- Não tem faltado quem confunda este livro - que é uma obra de ficção, por mais ancorada que pareça estar na realidade - com um ensaio político. Que François Hollande possa cumprir um segundo mandato presidencial é, aliás, a melhor prova de que se trata de ficção.
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De Teresa Ribeiro a 06.05.2015 às 11:41

Tens toda a razão, basta um dos "factos" descritos nesta obra ser o segundo mandato do Hollande para se perceber que se trata de ficção assumida :) E sim, a esquerda começou a definhar nos anos 80, para mal de todos nós, incluindo os que se posicionam à direita. A percepção de que não há alternativas viáveis, de que se gastaram todos os modelos, a definhar os partidos e a afastar os cidadãos da política. Se há algo que não é ficção neste romance é a decadência das democracias a ocidente.
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De Teresa Ribeiro a 06.05.2015 às 11:43

Errata: falta um "está" entre as palavras "modelos" e "a definhar"

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