Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




No estado do mundo, os mais jovens dedicam-se a pensar e a repensar na vida, são muitas horas condicionadas por cenários abstractos, catastróficos, reais ou irreais e que têm por base verdades do tempo que vivemos: os ordenados são baixos, o mercado é difícil e complexo, os estudos não garantem nada, a falta de estudos garante ainda menos, ter um projecto de autonomia, libertar âncora e sair de casa dos pais é cada vez mais complicado. Em casa até aos 30 anos? E em que circunstâncias? A verdade é que os jovens estão a começar os seus projectos de vida cada vez mais tarde, permanecendo em casa dos pais mais tempo do que gerações anteriores. Não há uma solução à vista.

Uma jovem, com licenciatura e mestrado (este com distinção) diz-me que recebe o ordenado mínimo nacional, gosta do que faz, não está na sua área de estudos, mas aceita a situação com bonomia. “O que me importa mesmo é trabalhar”, garante-me. Não sairá de casa da mãe tão cedo, acha mesmo uma missão impossível. “Tenho 25 anos, ganho o ordenado mínimo, como é que vou fazer? Como é que vou pagar renda, água, luz?” Pois, nos grandes centros urbanos não irá morar certamente, basta estar atento às notícias sobre o mercado imobiliário para percebermos que viver em Lisboa ou no Porto está muito longe de ser acessível.

Estando grata por ter conseguido estudar o que quis, mesmo que não exerça a profissão, esta jovem é o exemplo paradigmático da realidade de muitos outros jovens. Os pais, como acontece com os bons pais, empurram com a barriga e vão cuidando, pagando, fazendo o melhor que podem. No caso de terem condições, perguntarão? Pois, no caso de possuírem condições económicas para tanto.

Um estudo de investigadores do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos neste início de verão, intitulado a "Igualdade de género ao longo da vida: Portugal no contexto europeu", conclui que os portugueses são os que mais tarde abandonam o ninho dos pais. O estudo conclui que a idade média de saída de casa dos pais chega aos 29,7 para os homens e 28,2 para as mulheres. O estudo é claro: "muitas das mulheres e homens jovens que estão na casa dos pais podem já não ser dependentes economicamente destes, e estarem a trabalhar, sem terem ganhos suficientes para adquirirem autonomia residencial". Nos países nórdicos é diferente por existir um estado social mais forte e com políticas de autonomização dos mais jovens, ou seja, existem bolsas e empréstimos a longo prazo e uma realidade laboral mais estável.

Os projectos de vida, de autonomia, de abraçar a vida, a denominada vida de adulto, são adiados e trazem consequências, reflectem-se não só não só nos processos de auto-estima como na evolução individual de cada um. Um jovem licenciado, com ou sem mestrado, que ganhe o ordenado mínimo não pode viver satisfeito, mesmo que as contas sejam pagas parcial ou totalmente pelos pais. Leio que Portugal é o maior consumidor europeu de anti-depressivos. De repente, nada me admira.


7 comentários

Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 18.10.2018 às 15:17

nos grandes centros urbanos não irá morar certamente

Aí não, claro, mas numa aldeia típica consegue arranjar-se uma casa completa por 250 euros por mês.
Agora a Patrícia talvez argumente que nas aldeias não há emprego e tal, mas isso é falso, por exemplo na Bairrada é bastante fácil arranjar emprego (a salário mínimo) numa das múltiplas indústrias existentes na região e viver-se numa aldeia pelo preço referido.
Sem imagem de perfil

De Anonimus a 18.10.2018 às 20:30

Livin' the dream.
Sem imagem de perfil

De Pedro a 18.10.2018 às 16:00

A evolução cultural contradiz a capacidade natural de adaptação, conduzindo à maioria das doenças actuais - psiquiátricas e metabólicas.

Patrícia, como sugestão:

Why Zebras Don't Get Ulcers

by Robert M. Sapolsky

Now in a third edition, Robert M. Sapolsky's acclaimed and successful Why Zebras Don't Get Ulcers features new chapters on how stress affects sleep and addiction, as well as new insights into anxiety and personality disorder and the impact of spirituality on managing stress.
As Sapolsky explains, most of us do not lie awake at night worrying about whether we have leprosy or malaria. Instead, the diseases we fear-and the ones that plague us now-are illnesses brought on by the slow accumulation of damage, such as heart disease and cancer. When we worry or experience stress, our body turns on the same physiological responses that an animal's does, but we do not resolve conflict in the same way-through fighting or fleeing. Over time, this activation of a stress response makes us literally sick.
Combining cutting-edge research with a healthy dose of good humor and practical advice, Why Zebras Don't Get Ulcers explains how prolonged stress causes or intensifies a range of physical and mental afflictions, including depression, ulcers, colitis, heart disease, and more. It also provides essential guidance to controlling our stress responses. This new edition promises to be the most comprehensive and engaging one yet.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 18.10.2018 às 16:09

É verdade que no passado os jovens se autonomizavam mais cedo, mas isso não era somente por o preço da habitação ser mais baixo, era também porque as expetativas dos jovens eram mais baixas e portanto estavam dispostos a contentar-se com muito menos.
Ainda hoje é normal um imigrante em Portugal morar com @ cônjuge, eventualmente até com um filho, num apartamento de 20 ou 25 metros quadrados. No passado também era normal muitos portugueses jovens contentarem-se com isso.
Os jovens atualmente não concebem viver sem um quarto individual e sem internet. No passado viviam um casal num quarto, e com despesas reduzidas pela ausência de internet e televisão.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 18.10.2018 às 19:19

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 18.10.2018 às 20:20

Hehe, aumentam o tempo de "estudos" para forjar uma clientela de empregos estatais no professorado, burocracia estatal e sindical ao mesmo tempo promovendo a mediocridade necessária à manutenção desse estado de coisas e depois queixam-se que as "crianças" ficam na casa dos pais...fantástico .

Aquilo que se aprende na Escola e na Universidade era bem possível aprender em metade do tempo, mas isso não interessa à ideologia da autora.
Nem se pergunta porque é que +15 anos de estudos não dão retorno, o que torna o ensino uma actividade altamente especulativa...

Os recursos que as "adultos-crianças" não têm, gastaram os pais a pagar o chamado "ensino".

Entretanto um serralheiro que saltou fora da escola após 7 anos é capaz de fazer 60 ou mais euros à hora.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 18.10.2018 às 21:34

Tudo isso deriva de Portugal ter deixado de ser um país para ser uma província da UE, ou até mesmo, uma freguesia,

Quando era país as pessoas migravam das beiras, trás-os-montes, alentejo para os grandes centros de lisboa e porto, se queriam ter um emprego melhorzito. Na altura dizia-se, "se queriam abandonar a província".

Hoje, abandonar a província é migrar para o centro da UE. Quanto mais tarde esta realidade for ignorada maior será a frustração.

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D