Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




 

Parte 1: CONTRA A REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA

«Quem fala em reestruturação não sabe do que está a falar»

José Sócrates, no debate com Francisco Louçã (SIC, 10 de Maio de 2011):

«O que é que Francisco Louçã propõe para resolver o problema? Diz assim [na moção aprovada na convenção do BE]: "Vamos reestruturar a dívida." O que é que significa reestruturar a dívida? Reestruturar a dívida é um termo técnico. Isto significa não pagar parte da nossa dívida.»

(«Isso seria trágico para Portugal, engenheiro José Sócrates?», pergunta a moderadora, Clara de Sousa)

«Absolutamente trágico.»

(«Quais eram as consequências para o País?», insiste a jornalista)

«Isso significaria calote aos credores. Isso significaria, em primeiro lugar, Portugal passar imediatamente a fazer parte de um lote de países que não cumprem. Da lista negra. Isso significaria desde logo o colapso do sistema financeiro, porque nenhum dos nossos bancos, nenhuma das nossas grandes empresas, se poderia financiar. Isso teria consequências gravíssimas na nossa economia, nas empresas e nos trabalhadores. Pagaríamos isso com desemprego, com falências e com miséria. É por isso que essa proposta é absolutamente irresponsável. (...) A última vez que houve uma reestruturação da dívida foi na Argentina. E o que é que significou? Significou o seguinte: a Argentina tinha uma dívida de 100 e disse que só pagaria 70 ou 80, que não pagaria o resto. Isso significa uma falência.»

(«Em que circunstâncias admitiria a reestruturação da dívida?», pergunta Clara de Sousa)

«Em nenhuma circunstância. Reestruturar a dívida significaria um prejuízo absolutamente gigantesco e monumental para o nosso país. Reestruturar uma dívida significa pagar um preço em miséria, em desemprego e em falências. E pior que isso: significa pôr em causa o projecto europeu, pôr em causa a moeda única. É por isso que aqueles que falam em reestruturação da dívida não sabem do que estão a falar.»

 

 

Parte 2:  A FAVOR DA REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA

«Manifesto pela reestruturação é correcto, eu apoio-o»

José Sócrates, entrevistado por José Rodrigues dos Santos (RTP, 23 de Março de 2014):

(«O senhor defendeu que não se fizesse a reestruturação da dívida», lembra o jornalista)

«Não. Eu falei do perdão da dívida.»

(Rodrigues dos Santos não desarma: «Perdão. Tenho aqui uma notícia de Maio de 2011: "Sócrates garante que em nenhuma circunstância pedirá a reestruturação da dívida. E afirmou que isso significaria o colapso financeiro do País, que seria pago com falências, desemprego e miséria, e significaria um calote aos credores".»)

«Eu afirmei isso num debate com o Francisco Louçã. Sabe o que o Bloco de Esquerda defendia?»

(«Defendia a reestruturação da dívida», diz o jornalista)

«Não! Não. Está muito enganado. E é daí que vem o equívoco. E é aí que você é levado ao engano. O Bloco de Esquerda defendia o perdão da dívida. Mais: defendia até que parte da dívida devia ser considerada ilegítima. Isto é: "parte da dívida, não a pagamos nem a reconhecemos". E é aí que eu digo: "Desculpe, isso não pode ser. Isso vai afundar o País e desacreditar o País." Não tem nada a ver com este manifesto [assinado, entre outros, por Francisco Louçã em defesa da reestruturação da dívida]. Essa é uma forma de enganar as pessoas! E pelos vistos também o enganaram a si... (...) Eu sempre fui contra o perdão da dívida. Sempre. Nessa altura como agora. (...) Sempre defendi que ao nível europeu devíamos ter uma política de mutualização da dívida, de baixa de juros e de aumento das amortizações. É isso que o manifesto defende. Vê que o próprio José Rodrigues dos Santos foi enganado? A isso chama-se desonestidade. Desonestidade na forma de discutir. Porque nós estamos a discutir o manifesto. Eu pronunciei-me sobre o manifesto. Disse: "o manifesto é correcto, eu apoio-o". Mas não está lá nenhum perdão da dívida, nos termos em que o Francisco Louçã defendia.»


34 comentários

Sem imagem de perfil

De João a 27.03.2014 às 16:17

Sócrates já passou, já era, já não é. Pedro Passos Coelho não passou e é aquele que disse: não mexo nas reformas, nem nas pensões, não mexo nos salários da função pública ...................... Fez tudo ao contrário do programa com que foi eleito. Este sim, é actual e não tem legitimidade nenhuma perante os portugueses, para nos governar, porque mentiu. Mentiu, porque quando assinou o memorando, já sabia a situação do país e mesmo assim ludibriou-nos, com pompa e circunstância. Este sim, tem de ser discutido e bem discutido por aquilo que disse fazer e não fez, nem faz!....
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 27.03.2014 às 17:31

Já era? Há vários dias que ouço falar dele: parece tão actual como o Jorge Jesus. Daí a minha curiosidade em registar o que disse agora e comparar com o que tinha dito em 2011.
Confirmei: está na mesma.
Sem imagem de perfil

De Carlos Faria a 27.03.2014 às 16:26

Quem mudou com certeza foi Louçã ;-) pois não só este é um subscritor do atual manifesto, como foi quem escreveu a carta para os economistas estrangeiros... e Louçã sem dizer nada que tinha mudado de ideia :-)
De qualquer maneira JRS tinha coisas muito fáceis para desmontar algumas das indiretas de Sócrates que entretanto ia deixando cair, como se no tempo dele as contas do défice estivessem consolidadas face aos compromissos das PPP e outras empresas como depois passou a ser obrigatório, ou se é a mesma coisa crescer na europa quando a eurozona cresce e mesmo assim a dívida também cresce para ser paga durante uma recessão.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 27.03.2014 às 17:28

É impressionante ouvir-se hoje imputar a Louçã algo que ele nunca defendeu naquele debate. E o autor da imputação defende hoje o que negava ontem, colando-se ao que Louçã hoje propõe em manifesto com um descaramento inaudito.
É tudo tão extraordinário que nem sei bem como qualificar isto. Pensava que só havia pimentas machados no futebol.
Sem imagem de perfil

De l.rodrigues a 27.03.2014 às 16:42

Tenho mais respeito por quem mudou de opinião quando ao que fazer com a dívida do que quem insiste em pagá-la nos termos em que está.
Sem imagem de perfil

De Me Too a 27.03.2014 às 17:23

Eu tenho imenso respeito por quem a duplicou em meia dúzia de anos.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 27.03.2014 às 22:42

De facto, é extraordinário que quem duplicou a dívida pública surja agora escandalizado com o montante elevadíssimo da... dívida pública.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 27.03.2014 às 17:25

Não está em causa isso. Está em causa que se garanta hoje nunca se ter defendido no passado aquilo que efectivamente se defendeu.
Sem imagem de perfil

De Meio Cheio a 27.03.2014 às 16:45

Gosto desta ideia de se defender uma mutualização da dívida e aposto que lá pelos países que contribuiram para os fundos europeus (com várias designações) que, durante anos a fio, em grande medida desbaratámos, também acham isso porreiro.

Está-se mesmo a ver que vamos resolver por aí o problema e é já para o ano que vem.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 27.03.2014 às 17:28

Porreiro, pá.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 27.03.2014 às 20:39

Ainda não vi nenhum Português defender a mutualização da sua dívida só com os Gregos.

Porque será?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 27.03.2014 às 22:43

Não querem agradar aos gregos. Nem aos troianos.
Sem imagem de perfil

De Miguel Ribeiro a 27.03.2014 às 18:07

Pedro Correia quer que lhe explique a diferença entre perdão de dívida e reestruturação de dívida conforme o manifesto? Também posso explicar a diferença entre reestruturar uma dívida no valor de 150 000 milhões de euros e uma de mais de 200 000 milhões de euros. Sabe quantas reestruturações de divida já foram feitas nos últimos 5 anos em Portugal só referentes a empréstimos à habitação? E então morreu alguém? Não pois não? Ninguém morre por isto.
Ah nesta altura do campeonato não concordo muito com a reestruturação da nossa dívida publica, já vem tarde. Mas por mais posts que o Pedro Correia faça, ela é inevitável. Não há outra forma de a pagarmos. Isto não é só culpa do Sócrates por mais que lhe custe ouvir, é culpa de muitos que por lá passaram entre eles o Passos Coelho. Basta ver o gráfico da dívida publica sem clubite nem partidarite. É básico como diz o velho que anda a alertar para estas coisa à 15 anos. O tempo dirá quem tem razão, se eu ou o Pedro Correia. Em todo o caso esteja preparado, porque é provável que antes da reestruturação ainda se lembrem de ir ao banco buscar-lhe as poupanças.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 27.03.2014 às 18:36

Obrigado, mas não necessito de explicação.

Nunca esteve em causa o perdão de dívida. Quem agora falou nisso foi a mesma pessoa que, confrontada com uma inegável contradição entre o que hoje defende e o que defendeu há três anos, ensaiou essa fuga para a frente.
Dei-me ao trabalho de transcrever o que (se) disse antes e o que se diz agora para que se perceba melhor quem fala verdade e quem mete os pés pelas mãos.

Conclusão:
FL defende hoje o que sempre defendeu; JS desmente-se a si próprio: bradava em 2011 contra o que diz sustentar nos dias que correm.
Ficam também as hiperligações para quem tiver dúvidas, o que parece ser o seu caso.
Sem imagem de perfil

De Miguel Ribeiro a 27.03.2014 às 19:56

Pedro acho que temos interpretações diferentes do que é um perdão de dívida. Para mim devolver 90% do capital, pagar 3% quando acordamos com o financiador pagar 5% ou quando propomos pagar em 10 anos quando combinamos com o financiador em 5 é tudo perdão de dívida. O Pedro parece querer comentar se o Sócrates mentiu ou não, é evidente que mente tal como todos os políticos que temos. Mas isso para mim é acessório. O que quis dizer é que é possível defender uma coisa com 150 000 milhões e outra com 200 000 milhões de dívida. Para mim é inevitável renegociação, perdão o que lhe quiser chamar seja a dívida de 150 ou 200 milhões. Quem pensa o contrário deveria apresentar cálculos, não querendo ser chato se achar que vale a pena posso apresentar duas ou três simulações em que provo que das duas uma ou ela é impagável ou vamos fazer aquilo que nunca fizemos em 40 anos de democracia. Básico.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 27.03.2014 às 22:46

A reestruturação da dívida tem vindo a ser ser feita. E continuará a ser feita. Em montantes, em prazos e em juros. Não pode é ocorrer ao estilo "não pagamos" ou "que se lixe a tróica".
Porquê?
Cito o Sócrates de 2011: «Isso significaria desde logo o colapso do sistema financeiro, porque nenhum dos nossos bancos, nenhuma das nossas grandes empresas, se poderia financiar. Isso teria consequências gravíssimas na nossa economia, nas empresas e nos trabalhadores.»
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.03.2014 às 13:07

Portanto, a ver se eu entendo... O perdão será um erro grave, mas renegociar já pode ser. O Sócrates está mal, tal como os que assinarem os manifestos, porque propoem a renegociação (e não o perdão), apesar de se poder renegociar. Aliás, o governo tem feito ajustamentos, mas só o governo é que pode faze-lo, os outros nem sequer falar nisso podem! É isto, certo?
Alguém pediu coerência?

Pedro, por último, onde no manifesto é que consta ou é referido o perdão da dívida? E já agora, o Sócrates não disse que continua a ser contra o perdão da dívida? Eu sei que a palavra dele vale o que vale, mas não vale menos do que o seu querido Coelhinho...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.03.2014 às 17:00

Defende hoje o que ontem manifestamente rejeitou. Mas sendo quem é não se contenta com isso e vai mais longe: nega hoje ter rejeitado ontem o que manifestamente rejeitou. E precisamente por ser quem é não se limita a negar hoje ter rejeitado ontem o que manifestamente rejeitou: imputa a um terceiro ter dito o que claramente esse terceiro não disse e provavelmente nem sequer pensou.
Um artista consumado. Único no seu género. Manifestamente.
Sem imagem de perfil

De João a 27.03.2014 às 22:06

Caro Pedro Correia, José Sócrates com todas as mentiras, asneiras e algumas coisas certas, já era. Temos agora um primeiro ministro que mentiu, mente, engana, erra, pouco hábil, parco em inteligência, que destrói o país a passos largos e estamos a perder tempo com o passado. O passado passou e o presente é hoje e o hoje não vamos deixar para amanhã, para depois discutirmos, se o que Passos diz é o mesmo que disse, quando estava no governo. Debrucemo-nos no que de tão grave se passa neste país, governado por incapazes e que não querem admitir que o são.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 27.03.2014 às 22:51

Caro João: concentremo-nos em tudo. No passado, no presente e no futuro.
No passado, porque não queremos repetir os erros cometidos. Três ameaças iminentes de bancarrota em quatro décadas são mais do que suficiente. Saibamos entrar no 'Guinness Book' por outros motivos.
No presente, porque das escolhas que agora fizermos dependerá o destino deste país que tem sido tão mal governado (e nisso só podemos estar de acordo).
No futuro, porque começa já agora. E não podemos construir um futuro próspero endividando-nos ao ritmo alucinante a que procedemos na primeira década do século XXI. Que foi, para quase todos os efeitos, uma década perdida. Outros avançaram, nós estagnámos. Mesmo com milhões de fundos estruturais a desaguarem diariamente em Portugal.
Não queremos disso outra vez. Nunca mais.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Carvalho da Silveira a 27.03.2014 às 18:39

O Passos Coelho já fez duas reestruturações em relação aos 78000 milhões do empréstimo da troika, e ainda este ano depois da reestruturação que a Grécia vai sofrer, vamos bebeficiar de uma terceira reestruturação. Mas foram feitas porque foram cumpridos determinados pressupostos, e não resultaram de manifestos feitos por gente com agenda politica e desonestidade intelectual.
Qualquer banco reestrutura a divida dos empréstimos à habitação, porque os bancos na prática já são os propritários das casas, está tudo garantido.
No trajecto da subida da dívida pública, não se esqueça que os 78000 milhões da troika, ainda foram pedidos pelo Sócrates, e os 130% do PIB é conversa para papalvos.
Sem imagem de perfil

De Miguel Ribeiro a 27.03.2014 às 20:08

Alexandre já houve duas, este ano haverá outra e vão haver as necessárias. Já que nestas condições não há como pagar.
Na minha opinião penso que a renegociação, perdão etc o que lhe quiser chamar já vem tarde. O poder negocial de Portugal é limitado devido ao facto de grande parte da dívida estar nos nossos bancos e em investidores portugueses através de certificados. Perdemos a oportunidade quando não era assim.
Essa dos bancos serem donos das casas aprendeu onde? Ainda acredita que eles imprimem dinheiro?
O banco dá garantias (casas etc) quando se financia. Quando reestrutura dívida perde receita. Ainda agora teve o Banco de Portugal a mandar colocar 700 milhões ao BES na devida rubrica e cá entre nós em vez de 700 se fossem 1400 não ficava nada mal. Mas lá está uma mão lava a outra.
Sim tem razão não são 130 000 milhões são 141 000 milhões pelas minhas contas só com as alterações obrigatórias até ao final do ano. Novas regras. Mas percebi que acredita de maneira diferente sobre depósitos e dívida não contabilizada. Mas claro eu sou papalvo.
Sem imagem de perfil

De João a 27.03.2014 às 19:59

Miguel Ribeiro de pleno acordo consigo. Estamos a adiar o inadiável porque um país, com uma dívida descomunal, como a nossa, sem economia que a sustente, não tem outra saída senão reestruturar-se a dívida.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Carvalho da Silveira a 27.03.2014 às 18:29

Eu acho muito bem que se discuta o que fazer com a dívida pública. Já agora devemos aproveitar e discutir também o que fazer com a dívida das familias e das empresas, que juntas são mais de 500 000 milhões de euros.
Mas teremos de trazer para a discussão as consequências quer da reestruturação, quer da mutualização acima dos 60% do PIB, quer até de qualquer tipo de perdão da dívida. E em última análise, quem é que paga a conta.
E o que é extraordinário, é que ainda não vi nem ouvi nenhum dos ilustres 74 assinantes do manifesto, que é omisso nestas matérias, fazer qualquer tipo de consideração sobre estes aspectos essenciais, querendo fazer a opinião pública acreditar que o que propõem é a panaceia para todos os nossos males, fazendo do manifesto que assinaram um simples boletim do euromilhões.
Na minha opinião José Rodrigues dos Santos teria aqui um ângulo da conversa para entalar o Sócrates. Não o fez, e teve de o ouvir "virar o bico ao prego", e fazer o que ele sabe melhor: soltar umas mentirolas.
Sem imagem de perfil

De Miguel Ribeiro a 27.03.2014 às 20:11

Acredite que devíamos era discutir se temos solução no euro. Mesmo que a dívida seja reduzida a metade com estes políticos rapidamente esta ao nível actual. Para o nosso calibre de politico estamos menos mal fora do euro.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Carvalho da Silveira a 27.03.2014 às 23:45

Com todo o respeito, sabe o que é que me parece estúpido nesta discussão? Toda ela serve para tentar evitar que se cortem entre 3 mil e 4 mil milhões de euros na despesa publica nos próximos anos, até 2018. E para isso anda um país inteiro a tentar arranjar soluções/desculpas para não o fazer, todas elas muito mais, acredite, muito mais, onerosas do que fazer o ajustamento que ainda não foi feito nas despesas do estado.
Tanto a saída do euro, como a mutualização da divida acima dos 60%, teria para nós portugueses, custos e exigências incomparávelmente maiores do que os que temos sofrido nos últimos anos. Mas ninguém fala na outra face da moeda, porque não convém.
Imagem de perfil

De Eduardo Louro a 27.03.2014 às 19:19

Este é "o pão nosso de cada dia", Pedro. Afirmar na oposição o que se nega no governo - e vice-versa - é a prática corrente da nossa fauna política que se acolhe (ou encolhe?) debaixo do arco da governação. Permitimos - sim, fomos todos nós, com a nossa indolente falta de exigência - que essa forma de fazer política mentindo ou de mentir fazendo política passasse a fazer parte integrante dos projectos de poder em Portugal. Não conheço excepção... A Sócrates sucedeu Passos (e Portas, que lhes não fica atrás), como a seguir sucederá Seguro, tudo rapaziada da mesma escola...
Por muito que seja o pó que lhe temos - e aí também não lhas poupo - temos que reconhecer que Sócrates é até o que melhor se mexe no meio do pantanal da aldrabice. Repare só como ele rapidamente recentrou o problema neste manifesto... E naquela "vê como eles enganam?" Não fora o seu "esclarecimento facebookiano" e eu teria ficado na dúvida se o JRS não teria acabado convencido que tinha mesmo sido enganado...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 27.03.2014 às 22:37

Sim, Eduardo, os políticos dizem uma coisa nas campanhas e fazem outra na oposição. Lembro-me, assim ao correr da pena, de Barack Obama: garantiu em 2008 que fecharia o campo de "detenção especial" de Guantánamo e afinal o presídio lá continua.
A questão aqui é outra: negar hoje o que manifestamente se disse num passado recente.
E foi-me suscitada pelo confronto entre o diálogo JS-JRS na RTP e o debate Louçã-Sócrates em 2011, agora revisitado. O ex-PM nega ter dito o que manifestamente disse. E atribui a Louçã algo que ele não defendeu, pelo menos naquele debate.
Reestruturar a dívida não é perdão da dívida. O ex-PM, para justificar a reviravolta actual, tenta reescrever a história. Mas os factos desmentem-no. Com uma evidência gritante.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 27.03.2014 às 20:44

Só há ainda polémica com Sócrates devido ao jornalismo paupérrimo e alinhado. Incluíndo nesta entrevista.

Esconder a Dívida em Empresas Publicas - nada

Duplicar a Dívida em 6 anos ao mesmo que diz que está consolidada - nada

Condições do PEC IV - nada

Que juros pagaríamos sem a Troika - nada.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 30.03.2014 às 03:03

Antes da troika chegámos a pagar 11% em juros. Agora já estão abaixo dos 4%. Uma diferença irrelevante, consideram alguns.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.03.2014 às 02:10

Afinal, como se vai pagar a dívida? Com cortes de pensões, reformas e salários? Com despedimentos, sem educação, sem saúde, sem segurança e sem justiça, por muito má que ela seja? Tenta-se pagar a dívida a empobrecer o país e mesmo empobrecendo-o não se pagará? Alguém aqui acredita que o dinheiro se multiplica e se paga uma dívida assim? Pois eu garanto-vos, assim, jamais pagaremos seja o que for, sem economia não há dinheiro e com cortes não há economia, é básico. Só um exemplo, bem básico também: Uma empresa em risco de insolvência, ou mesmo insolvente, só tem duas hipóteses, ou fica insolvente e acabou, ou vai junto dos credores e negoceia, para que a mesma continue a ser viável. Os credores, também só têm duas hipóteses, ou negoceiam a dívida perdoando parte e a empresa vai pagando o resto no tempo acordado, ou ficam sem nada porque a empresa morre ali. Como é lógico os credores preferem ficar com o máximo que puderem, a ficar sem nada. Com Portugal, passa-se mais ou menos a mesma coisa, logo, só nos resta a negociação, quer queiramos ou não. O mais degradante, é usar-se e abusar-se da vida das pessoas, como se houvessem mais vidas e o que não vivemos nesta, vamos viver na outra. Antes de mais, somos humanos, temos vida, mas não nos querem deixar viver essa vida que nos pertence. Foi pena JRS não ter entrevistado Sócrates quando este era 1º ministro. Já agora que vai bem embalado que faça o mesmo a Passos Coelho que a este ainda vai a tempo, de lhe dizer tudo o que prometeu e que nada faz, a não ser o contrário do que prometeu.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.03.2014 às 09:19

Certas dívidas pagam-se com palavras. Aos domingos, na televisão pública.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.03.2014 às 12:38

Se as dívidas se pagam com palavras, passem das palavras aos actos, mas não na televisão, mas sim nos lugares devidos porque os portugueses, estão fartos
de incapazes, de fazer alguma coisa com cabeça tronco e membros.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.03.2014 às 15:50

"Pagar a dívida é uma ideia de criança." Disse alguém já bem entrado na idade adulta.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D